sábado, 5 de Dezembro de 2009
JORGE LOPES - HOMENAGEM
A CAMINHO DA AMARELEJA

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Não desespero e não corro para o templo como os idólatras.
Embriagado, levanto-me de novo de manhã,
Desejo vinho e o ser amado e não mesquita e paraíso.
Umar-i Khayyam
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
SOUTH AFRICA 2010
Dia 21.6.2010: Portugal-Coreia do Norte, em Cidade do Cabo
Dia 25.6.2010: Portugal-Brasil, em Durban
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AMARELEJA - VINHA E VINHO

Programa da feira
Dia 5 (Sábado)
09.00 H - TT Rota dos Vinhos de Amareleja 2009 – concentração no “Largo do Regato”
20.00 H - Sessão de Inauguração da Feira
21.00 H - Actuação dos Grupos: Coral Masculino da Casa do Povo de Amareleja e Coral Feminino “Espigas Douradas”
22.30 H - Actuação da “Tuna Sabes” da Escola Superior de Educação de Lisboa
Dia 6 (Domingo)
19.00 H - Actuação do grupo de música tradicional Portuguesa “Cantes do meu Cante”
21.00 H - Actuação do grupo espanhol “Sones Romeros” de Ensinasola (Huelva)
22.30 H - Actuação do grupo “Quarteto Eléctrico”
Dia 7 (Segunda-feira)
20.00 H - Actuação dos Grupo Coral da Sociedade Recreativa Amarelejense
21.00 H - Concerto de Acordeões
Dia 8 (Terça-feira)
18.00 H - Concerto pela Banda da Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense
Horário da Feira:
Sábado: 20.00 – 24.00 Horas
Domingo e Segunda-Feira: 11.00 – 24.00 Horas
Terça-feira: 11.00 – 20.00 Horas
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
PATRIMÓNIO E TURISMO
PAUL CELAN
nem diante do portão o forasteiro,
nem no olho a lágrima.
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Sete noites mais alto muda o vermelho para vermelho,
sete corações mais fundo bate a mão à porta,
sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.
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.quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
CRUDA SORTE! AMOR TIRANO!
Cruda sorte, em versão integral, numa gravação antiga (1957), com Teresa Berganza.
ARGEL IX - L' ITALIANA IN ALGERI
D'un sguardo languido,
D'un sospiretto...
So a domar gli uomini
Come si fa.
A trama de L'italiana in Algeri tem lugar no palácio do Bey, em Argel. É uma história de amores cruzados. Elvira ama Mustafà, que já não a ama e pensa casá-la com Lindoro, o seu escravo italiano. O qual está apaixonado por Isabella. Isabella desperta a curiosidade de Mustafà, que estava obcecado em ter uma italiana. Mustafà aceita libertar Lindoro e deixá-lo partir para Itália se ele levar consigo Elvira. A trama segue por aí fora. No final, Isabella e Lindoro escapam-se para Itália e Mustafà pede a Elvira que o perdoe.
Rossini (1792-1868) compôs esta célebre ópera em 1813, com apenas 21 anos. Cruda sorte integra a 4ª cena do 1º acto. Gosto, em especial, nesta cavatina, da divertida interacção de Marilyn Horne com o público e do entusiasmo do coro, no final.
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
ZORRINHO - GUARDADOR DE CENTRAIS E DE SONHOS...
. Marcelo Tokman Ramos, responsável pela pasta da energia no Governo Chileno e Carlos Zorrinho, Secretario de Estado da Energia e Inovação de Portugal, visitam hoje Ferreira do Alentejo. Os governantes têm na agenda uma deslocação à última central solar construída em Ferreira do Alentejo pela Tecneira - Produção de Energia Renovável. (fim de citação)
JOAQUIM OLIVEIRA CAETANO DIXIT
FADO II - ADEGA MACHADO
.Fechou a Adega Machado. Fui lá poucas vezes, normalmente para afogar as mágoas das desgraças europeias do Benfica. O meu cicerone era o João, um amigo bem mais velho, a quem os empregados e as fadistas (em especial as fadistas) tratavam de forma familiar. O João garantia sempre que só lá passava de ano a ano. Eu ria e fingia que acreditava.
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Por lá cantaram Amália Rodrigues e Mariza. Foi na Adega Machado que vi actuar o filho de Alfredo Marceneiro, o polémico e pouco ortodoxo Alfredo Duarte Júnior (1924-1999), conhecido como fadista bailarino...
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Embora o estilo das casas de fado não faça o meu género é com pena que vejo desaparecer este símbolo de uma Lisboa em vias de extinção. Para o desemprego vão 28 pessoas.
FADO I - INÊS GONÇALVES
.segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
A ESCRITA LUMINOSA DE MASSOUDY
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Lancemos cor, nestes momentos de intolerância, sobre o quotidiano. Hassan Massoudy é um calígrafo iraquiano, nascido em Najaf em 1944. A sua recriação da escrita árabe deu-lhe uma justificada reputação mundial.
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Não tenho disso a certeza, mas aposto que Massoudy conhece a poesia de Ibn Ammar (século XI) e subscreve estes belos versos:
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a minha pupila resgata o que está preso na página:
o branco ao branco, o negro ao negro.
MINARETES APAGADOS
domingo, 29 de Novembro de 2009
ARGEL VIII - LA TAVERNE DU LAC
COMEÇA A CIMEIRA IBERO-AMERICANA
FIM-DE-SEMANA IV: CHE
FIM-DE-SEMANA III: PEDRO MEXIA
FIM-DE-SEMANA II: TETRO
FIM-DE-SEMANA I: O BAZARISTA DE TUIAS
sábado, 28 de Novembro de 2009
PORTFOLIO ERÓTICO
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
SCAPRICCIATIELLO
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Não sendo hábito meu multiplicar as referências a filmes, lembrei-me deste excerto de Wild is the wind, rodado em 1957 sob a direcção de George Cukor (1899-1983). Nunca vi o filme, mas agora tenho vontade o ver. Sobretudo depois desta interpretação de Scapricciatiello, por Anna Magnani. Dolores Duran também gravou o mesmo tema, imitando na perfeição o dialecto napolitano. Cantava melhor que Anna Magnani, claro, mas sem o mesmo sentimento.
MAIS OLYMPIA
No passado mês de Fevereiro entretive-me a encontrar variações ao quadro Olympia, de Manet. Havia de tudo um pouco, no que são, sobretudo, homenagens à genialidade do pintor francês.TEATRO DEL DRAGO
Deixei-me arrastar, sem demasiada convicção, para o cine-teatro de Mértola. Ainda bem, porque o espectáculo foi extraordinário. Uma pequena peça de marionetas, pelo Teatro del Drago, de Ravenna, intitulada O sequestro do príncipe Charles. Durante cerca de 45 minutos seguimos as peripécias de Fagiolino, Balanzone e de todos os outros. A peça era falada em italiano? E daí? Tinha trocadilhos nem sempre fáceis de seguir? E depois?
No final, Mauro Monticelli explicou que a família se ocupa daquela arte desde meados do século XIX. E que são os derradeiros de uma tradição que teima em não morrer.
Foi então que levantou o pano do teatro e nos mostrou que toda a peça era ele só, manipulando os burattini. Pudémos então dar-nos conta da ilusão. E se às vezes o levantar do véu da ilusão tira a magia das coisas, ali não foi esse o caso. Viva o TEATRO DEL DRAGO!
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
ANTI-IMPERIALISTAS
HERÓIS DO DIA
LISBOA-ARGEL
ARGEL VII - OS DIAS E AS MIRAGENS (3ª parte)
http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/11/argel-ii-os-dias-e-as-miragens-1-parte.html (9.11.2009)
http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/11/argel-iv-os-dias-e-as-miragens-2-parte.html (15.11.2009)
A que cidade vim eu parar, repito-me dias mais tarde. Não o chegarei a saber, apesar da relativa tranquilidade que ali se respira. O ambiente é de acalmia, depois de anos de terror. Isso vai-nos permitir uma visita à fantástica cidade romana de Tipasa, 60 quilómetros a ocidente de Argel, e um jantar na aldeia piscatória de La Madrague. O regresso tardio à cidade há-de fazer-se por uma estrada deserta e espectral, num percurso impossível de cumprir pouco tempo antes.
É verdade que na noite de Argel também quase não há movimento nas ruas e que são escassos os restaurantes e ainda mais raras as discotecas dos hotéis, caras e de ambiente pouco recomendável. É verdade que há bairros onde se pode circular a pé e outros onde ainda não se pode fazê-lo. Mesmo no território das embaixadas, em El Biar, a imagem de dois estrangeiros a pé provocará olhares de algum espanto. Os ocidentais deixaram o país depois de uma série de atentados; mantém-se apenas os diplomatas, acantonados em refúgios protegidos e vivendo uma existência à margem do quotidiano.
Respira-se hoje um pouco melhor e fala-se menos nas falsas barreiras policiais que, mesmo na capital, apanhavam e eliminavam à toa alvos escolhidos ou quem calhasse. As barreiras, as verdadeiras, ainda estão por toda a parte, armadas e tensas. Nesse sentido pode dizer-se que Argel é uma cidade segura. Há, em muitos sítios, detectores de metais e aparelhos de raios-X por onde temos de passar e mais seguranças e mais polícias. Por isso, quando um ansioso jornalista me pergunta, numa entrevista para um canal de rádio francófono se vejo Argel como uma cidade segura respondo que sim, sem ter a certeza de estar a mentir ou a dizer a verdade.
Antes da partida hei-de olhar muitas vezes, entre o desconsolo e a resignação, para o mapa da costa da Argélia. De ocidente para oriente alinham-se, de um fôlego, Tlemcen, Cherchell, Tipasa, El Asnam, Annaba, Sétif. Com apenas uma excepção, não chegarei a ver estas cidades, outrora entrepostos comerciais elogiados e invejados, cheios de gente de todo o Mediterrâneo. Todos eles são hoje apenas uma glória do passado, com o que resta dos anfiteatros, dos banhos e das praças. E sobretudo, e uma vez mais, com o que ficou da memória dos mártires, das basílicas e das imensas necrópoles que encontramos fora de portas.
De Argel a Barcelona vão mais do que os 600 quilómetros que as separam. Vão muito mais que os 50 minutos de voo que haveremos de vencer num avião sem lugares marcados. Saímos de Argel com tempo encoberto e chegamos a Barcelona com as mesmas nuvens e o mesmo ar pesado. A paisagem é também semelhante e poderíamos pensar que não tinhamos saído do mesmo sítio.
Quase tudo muda, porém, naquele pequeno salto. Ao ambiente enervado do aeroporto Boumediene - são quinze os controlos a transpor atá se entrar no avião - sucede-se a descontracção cosmopolita de Barcelona. 50 minutos separam o barzinho decrépito, onde beberemos um último chá de menta, das sofisticadas lojas de salmão fumado e de charutos caros. É para essa miragem que espreitam todos os dias os que se alinham às portas das embaixadas ocidentais em Argel os que esperam o milagre de um visto que lhes permita fugir ao desemprego e à violência de todos os dias e ter acesso ao paraíso dos ricos. A juntar ao azul do céu e a uma paz que ninguém sabe quando chegará, é essa a terceira e definitiva miragem daquela terra do Magrebe.
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PS: Já depois de escrita esta crónica leio na imprensa a notícia de mais dois massacres na pacífica Tipasa. Num dos casos o alvo foram turistas argelinos. Não acredito que haja grandes motivações políticas ou religiosas para o que aconteceu. A miséria, a fome, a raiva, o desespero, o desejo de uma qualquer vingança e, sobretudo, a garantia da impunidade são razões mais que suficiente para as tragédias que todos os dias se repetem naquelas paragens.
Texto publicado no Diário do Alentejo em 28.7.2000 e reeditado em A quinta coluna, ed. DA, 2001

Desenho da Argel otomana (século XVI), com a qasbah ao centro.
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
FAUSTO GIACCONE
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O sul de Portugal foi, durante esse ano e meio, terreno fértil para o trabalho de fotógrafos e cineastas. Nenhum me impressiona e comove tanto como a reportagem de Fausto Giaccone (n. 1943), nas terras do Couço, no final de Agosto de 1975.
Fausto Giaccone voltou ao Couço em 1986. É a história da ocupação de uma herdade e do regresso do fotógrafo italiano ao Ribatejo que está contada no extraordinário livro Uma história portuguesa. A edição é de 1999. Presumo que esteja esgotadíssima.
Vale a pena ver: http://www.faustogiaccone.com
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.O tom épico da fotografia de cima e o vermelho da bandeira fez-me lembrar um poema de um autor medieval, que António Borges Coelho traduziu para o seu Portugal na Espanha Árabe.
AS SEARAS
Olha o vento semeado onde as searas parecem
ao inclinar-se ante o vento
esquadrões de cavalaria que fogem derrotados
sangrando pelas feridas das papoilas.
Iyad (séculos XI-XII) – trad. de António Borges Coelho
"ISTO NÃO VAI DAR NADA..."
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
MARILYN CHAMBERS
LA HABANERA
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segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
PECADO ORIGINAL
A pintura de Masaccio, antes e depois do restauro, outra forma de dizer pudor...
ARGEL VI - O PARQUE DE TODAS AS LIBERDADES
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O Musée National des Antiquités et des Arts Islamiques foi inaugurado em 1897, o que faz dele o mais antigo da Argélia. Na altura em que o projecto teve início, em 2003, o seu director era o Dr. Lakhdar Driass. Várias peripécias fizeram com que eu próprio acabasse por estabelecer com o grupo argelino uma ligação que passou, em muito, a simples relação profissional. O museu tem como actual directora a minha colega Houria Cherid, que integrou a equipa do projecto Discover Islamic Art.
De entre a importante colecção do Museu aqui vos deixo este nicho em estuque, proveniente de Sedrata e datado do período rustemida (século X).
O site do museu, http://www.musee-antiquites.art.dz/, não faz justiça à colecção. Refira-se, contudo, que o site é recente e representa um importante passo em frente para colmatar uma lacuna que se fazia sentir.
domingo, 22 de Novembro de 2009
"AJUDE-ME, POR FAVOR!"
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.sábado, 21 de Novembro de 2009
CRISTOVÃO COLOMBO ERA SOLTEIRO?
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E, caso leias este post, deixa-me que te diga, caro Lopes Guerreiro: para quem, desde há muito, faz vida de nómada, há ali frases que me são estranhamente familiares.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
DO BRANCO À COR
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O mais importante na vida
É ser-se criador - criar beleza.
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Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
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Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
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Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.
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ANTÓNIO BOTTO
E AMANHÃ COMEÇA A FEIRA DO LIVRO DE MÉRTOLA
ADITAMENTO A UM DESMENTIDO FORMAL
Podendo o anterior texto – sob o título DESMENTIDO FORMAL – ter causado algumas dúvidas cabe-me esclarecer que não foi / não é / não será minha intenção “apontar o dedo” a sectores, secções ou serviços da
Limitei-me a reportar um facto preciso, que me chegou de fonte mais que fidedigna.
Tive, e tenho, com estes comunicados um objectivo: clarificar responsabilidades e, até, levar os munícipes a questionarem-me directamente sobre assuntos pendentes e que sejam da minha directa responsabilidade.
NB: Não serão publicados comentários sobre este post.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
LES MAINS DE LA FRANCE
De poète proprement dit,
Mais quelque chose comme triste
En fait comme un groupe en petit ;
de um poema de Verlaine
nem eu sei porque é que me lembrei disto...
O MALCOM McDOWELL DA BOITE DO REGO

ARGEL V - DA QASBAH ALTA À QASBAH BAIXA
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Imagem de baixo: Um simpático sufi, que me enfiou na aljama de Argel e me apresentou ao mufti da mesquita. Tem na mão uma edição antiga das tradições islâmicas, a fundamental obra de El-Bokhari.
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
DESMENTIDO FORMAL
Venho por este meio divulgar dois mails remetidos aos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura (em 9.2.2009 e em 18.11.2009).
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Boa tarde a todos
Enviei, no passado mês de Fevereiro, uma mensagem com o título “o processo está para despacho do vereador” (cf. infra), a todas as pessoas que, no município, têm correio electrónico.
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Fui, há dias, confrontado com uma situação particularmente desagradável. Um empresário de Moura tinha uma escritura pendente de um documento camarário que estava, uma vez mais, “a aguardar despacho do vereador”. A frase surpreendeu-me, até porque não tinha qualquer documento para despacho.
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Não sei, nem quero saber, quem profere frases desse género. Entendo, contudo, que a óbvia falsidade das mesmas não é inocente. Significados e objectivos políticos à parte, aqui fica o essencial da questão, e repetindo, com algumas alterações, o que em Fevereiro escrevi:
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- Em caso algum, e quando confrontado com falhas ou atrasos (reais ou mais ou menos imaginários) dos serviços camarários me desculpei com os funcionários ou com este ou aquele departamento;
- Não preciso, por outro lado, de me esconder atrás de ninguém para justificar as minhas falhas e omissões. Quando falho, assumo a falha e peço desculpa. Procuro, sobretudo, corrigir os meus próprios erros;
- Não posso, por isso, aceitar ser usado como pretexto para justificar quaisquer atrasos na resposta aos munícipes;
- Devo também clarificar que entendo o cargo de vereador como uma missão e um serviço público;
- Procuro, por esse motivo, estar disponível para atender os munícipes e, sempre que possível, resolver no mais curto prazo de tempo as questões que me são colocadas;
- Documentos essenciais para escrituras, registos etc., são assinados na hora e sem qualquer tipo de entraves;
- Outros processos que venham para meu despacho são devolvidos ou no próprio dia ou no dia seguinte. Despachos com mais de 48 horas são uma raridade e têm, por norma, uma justificação precisa;
- Exceptuam-se, como é natural, as poucas ocasiões em que me ausento de Moura;
- Não tenho processos para despacho neste momento;
- Entendo, portanto, que a repetição injustificada de frases deste género têm apenas por objectivo denegrir-me ante os meus conterrâneos. E essa é uma atitude que não posso admitir.
Creio, enfim, que o transitório desempenho das funções de vereador (isto são apenas alguns anos na nossa vida) não mudará o essencial da minha atitude e da forma como me relaciono com os meus conterrâneos. E este princípio não é susceptível de alteração.
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Estou também solidário com o Presidente da Câmara e com os meus colegas de vereação que são, injustificadamente, fustigados com afirmações do género das que me tiveram como alvo.
Mais informo que irei publicar estes textos no meu blogue pessoal. Serão os mesmos também difundidos através da minha lista de mails.
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Cumprimentos,
Santiago Macias
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De: Santiago Macias
Enviada: segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009 10:22
Para: Todos os utilizadores
Assunto: O PROCESSO ESTÁ PARA DESPACHO DO VEREADOR
Bom dia a todos
A frase que encima este texto é frequentemente ouvida a propósito de processos de obras particulares, direitos à informação etc – tenho mesmo sido pessoalmente confrontado com a mesma nas ruas do nosso concelho a este respeito – sem que eu saiba qual a origem, nem me interesse averiguar o assunto.
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Para que conste, e porque a inverdade não deve ser deixada à solta, aqui vos deixo estas afirmações:
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2. Exceptuam-se as poucas ocasiões em que me ausento de Moura.
3. Não preciso de me esconder atrás de ninguém para justificar as minhas falhas e omissões. Quando falho, assumo a falha e peço desculpa. Procuro, sobretudo, corrigir os meus próprios erros.
4. Não tenho processos para despacho neste momento.
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Podem divulgar este mail junto de terceiros.
Com os melhores cumprimentos
O meu gabinete, de acordo com algumas visões delirantes (a imagem foi produzida pelo notável fotógrafo Jan Banning, que fez um projecto sobre a burocracia no mundo)NB: Não serão publicados comentários sobre este post.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
DUBUFFET BY FAIREY

domingo, 15 de Novembro de 2009
O QUE É O GÉNIO?
Tendo em conta a semana que se aproxima o melhor é começá-la assim...
No início desta cena do filme Amici miei ouvem-se os acordes, um pouco ao estilo do mambo, de Bella figlia dell'amore, uma conhecida ária de Verdi. O que se passa de seguida no interior daquele palácio da alta sociedade merece ser visto. Mais que uma vez.
Che cos’è il genio? È fantasia, intuizione, decisione e velocità di esecuzione. Esta é a frase chave da cena que vos deixo e que deverá, ainda assim, ser evitada pelos que não apreciam humor escatológico. O filme ficou também célebre pela invenção da palavra supercazzola (pretexto para a incompreensível frase Tarapia tapioco come se fosse Antani con la supercazzola prematurata con scappellamento a destra), pela cena da despedida na gare ferroviária e pela inovadora interpretação da ária do Rigoletto que acima referi.
É uma obra-prima da comédia italiana e relata as aventuras, nem sempre muito recomendáveis, de um grupo de amigos de meia-idade da cidade de Florença. Amici miei (Oh, amigos meus, na tradução portuguesa) foi um sucesso enorme na época. Bem que podia passar de vez em quando na televisão...
O filme devia ter sido realizado por Pietro Germi (1914-1974), que escrevera o argumento, mas o desaparecimento prematuro deste pôs a realização nas mãos de Mario Monicelli (n. 1915). O inesquecível grupo era constituído por Ugo Tognazzi (1922-1990), Gastone Moschin (n. 1929), Philippe Noiret (1930-2006), Duilio Del Prete (1938-1998) e Adolfo Celi (1922-1986).
O humor de Oh, amigos meus, tem, também, um toque de melancolia e de sentimento. Mas no sul gostamos das coisas assim, não é verdade?
ARGEL IV - OS DIAS E AS MIRAGENS (2ª parte)
É essa ainda um pouco a imagem da cidade de hoje. A descrição feita pelo grande geógrafo al-Idrisi em meados do século XII diz apenas que “Argel se situa à beira-mar; os seus habitantes bebem água doce proveniente de fontes situadas perto do mar e de poços. É uma cidade muito povoada, de comércio florescente, bazares muito frequentados e manufacturas movimentadas”. Embora os livros nos contem toda a saga de Argel ao longo de milénios – cidade de marinheiros, piratas, aventureiros, comerciantes, diplomatas e de todos os desesperados do mar Mediterrâneo -, a sua face actual começou apenas a ser construída após 1830, quando os franceses tomam posse daquele apetecível troço do Norte de África. A pirataria e o corso foram a justificação para as operações militares que se iniciaram naquele ano, com o desembarque de 37000 homens em Sidi Ferruch, e que se iriam prolongar durante muito tempo, sem que a europeização e a cristianização do território alguma vez tivessem sido aceites pelos africanos.
Ao longo de mais de um século será construída uma próspera e atraente metrópole colonial. Tirando partido do relevo a cidade vai estender-se muito para lá da velha casbah, ocupando os cerros em volta das zonas mais antigas. É, enfim, um pouco da Europa burguesa e capitalista que se vai instalar em pleno Magrebe. A organização urbana da cidade de El-Djezair (as ilhas) há-de, por isso, ser mudada. Os rochedos que deram nome ao aglomerado foram unidos, por força de um enorme aterro, ao continente, criando-se aquele que hoje é conhecido por “velho porto”. A casbah, que antes se estendia até à beira-mar, foi cortada por novas avenidas, ficando apenas, como memória desses tempos, uma pequena ilhota de casas com uma rua a que se deu o nome de “bastião 23”.
Imagino que terá sido esse sonho de um tempo perdido que deixaram para trás os pieds-noirs (os retornados da Argélia) quando se viram forçados a abandonar esse canto do Norte de África. Nos dias seguintes à independência do país, em Julho de 1962, 5000 pieds-noirs morrerão ou desaparecerão, no meio de infindáveis vinganças. Perto de um milhão sairá em tropel nos meses seguintes.
E se a memória desses acontecimentos trágicos ficou apenas na memória dos que os viveram, a história da luta da independência está escrita em cada rua e em cada esquina de Argel. Terão morrido entre 300000 e 600000 pessoas, muçulmanas ou cristãs, civis ou militares. Os números precisos jamais serão conhecidos, tal como nunca saberemos da amargura dos refugiados, dos orfãos, dos que foram presos ou deslocados. Fala-se em um milhão de mártires, o que justifica até hoje um culto obsessivo e ao qual não se escapa em Argel.
A começar pelo monumento aos mártires em Riadh el Feth, que se avista de toda a cidade. O colosso em betão armado e gosto duvidoso alia a memória dos combatentes a um bizarro pragmatismo que voltaremos a encontrar mais vezes. Debaixo do memorial existe um centro comercial, meio-vazio por força da crise económica. E se o triplo obelisco não nos deixa esquecer os mártires, a verdade é que os voltamos a encontrar a cada esquina. Uma das grandes avenidas da cidade é o Boulevard des Martyrs; aos pés da casbah há a Place des Martyrs. Passeamos rodeados por mortos. Uma das grandes artérias comerciais recorda o combatente Didouche Mourad (comandante das forças independentistas na zona de Constantina, abatido em 1955). A outros heróis que não viram o dia da independência – Aït Homouda Amirouche, Youcef Zirout, Mustafa Ben Boulaïd, Mohamed Larbi Ben M’hidi - está também reservado lugar de destaque na toponímia da cidade.E esse aspecto tão ligado ao sacrifício humano parece quase pertencer à genética argelina. Desde há muito que os mártires, de hoje e de ontem, estão presentes na geografia do país. Ao longo de toda a costa multiplicam-se os santuários dos primeiros tempos da cristandade. Em todos eles há basílicas e memórias dos mártires desses dias, a história e a vida de homens e mulheres que morreram em nome de uma crença e de uma causa. Como ainda hoje sucede em Argel, onde os mártires e o sofrimento humano parecem surgir a cada esquina. A paz e uma longínqua tranquilidade são a segunda miragem de Argel.

sábado, 14 de Novembro de 2009
HOCKNEY: OUTRAS NATUREZAS

Imagem de cima: A bigger splash (tinta acrílica sobre tela), 1967TopCo
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
A CÂMARA DOS DIAS DA ARCÁDIA
NATUREZA-MORTA
A pintura de Josefa de Óbidos (1630-1684) foi providencial para nos ajudar a enquadrar cronologicamente os materiais de Santa Clara. A peça mais parecida - é quase idêntica, aliás - com a do quadro tem o nº de inventário 691 CER. Reproduzo outra por ser mais legível graficamente.
Temos então um conjunto de peças - muitas delas são finíssimas e dir-se-ia pertencerem a um boudoir feminino -, que podemos datar do século XVII e que, com toda a probabilidade, foram produzidas em ateliers da zona de Lisboa ou do Alto Alentejo. É um tema em aberto e ao qual talvez volte, um destes dias.
FACE EXPOSTA
APAGÃO
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
ARGEL III - ELSIE HERBERSTEIN
Dei há dias, numa daquelas gavetas onde guardamos as coisas que não queremos deitar fora e a que não sabemos exactamente o que fazer, com um postal do porto de Argel, publicado por Elsie Herberstein (n. 1963) em 2004, e que ela mesma me deu poucos dias depois de ter sido impresso, durante um jantar num restaurante de nome pomposo e fora de contexto: Le Béarnais.
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Cidadã do mundo, Elsie estava nessa altura no Magrebe, preparando um livro, Alger, simples confidences, que saiu um ano depois na Jalan Publications. Não sei se a cidade me pareceu algum tão espantosamente colorida como ela a desenhou, mas Elsie é, ela mesma, uma pessoa colorida. Os seus cadernos de viagens vão do Cambodja à África do Sul e do Tibete à Guatemala. Não voltei a encontrá-la, mas sei, pela sua página na net, que continua a desenhar e a publicar. É pouco provável que Elsie tenha alguma vez ouvido falar do poeta Ibn Sara (1043-1123), mas este poema, que não é sobre Argel, evoca-me a cidade de forma impressiva, e em tons muito próximos daqueles que ela a viu.
e as areias do deserto derramam sobre quem te pisa
o perfume do almíscar.
E da formosura da invocação sabemos da beleza do invocado
como pelo verdor das margens se pressente o rio".
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quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
AMIGOS PARA SEMPRE - III
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Amiga
Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho ...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho ...
Beija-mas bem! ... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos
Os beijos que sonhei prà minha boca! ...
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"
A imagem dos religiosos que se beijam, assim castamente (acho que é castamente) é inspiradora. Palavras como as dos poemas fazem sentido nestes, e noutros, momentos. E Florbela Espanca é uma poetisa para a Eternidade.
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Página web de Oliviero Toscani:
EU DIRIA MESMO MAIS...
A LILI CANEÇAS DE OXFORD
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"O mundo é cada vez menos parecido com a Europa" (Timothy Garton Ash)
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PENSAMENTO MATINAL
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
ONE FROM THE HEART
Já não se fazem filmes assim...
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É uma história banal (Teri Garr veio depois dizer que o filme era muito intelectual, vá lá um cristão perceber porquê...), de desencontros e de amores. Por norma, uma coisa e outra estão associadas. O filme tem fantasia e alguma inocência. São elementos que a deliberada artificialidade de Do fundo do coração acentua:
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A rodagem foi inteiramente realizada em estúdio, pelo que os exteriores são falsos;
A cidade onde decorre a acção é Las Vegas, uma cidade cenário e que vive à margem do mundo real;
O sol, o céu, a chuva são de plástico;
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As pessoas no filme andam à procura do Amor e do Paraíso (nome da agência de viagens que vemos surgir nos primeiros momentos), mas não sei se, de facto, os encontram. Mas encontram momentos de fantasia e de ilusão. E Coppola sabe passar as ideias para o écran como ninguém. Bendito arrojo de fazer um filme assim, sem ter a noção que era difícil fazê-lo passar junto do grande público...
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Concebido também como desafio aos estúdios de Hollywood, Do fundo do coração atirou a Zoetrope Studios para a falência e fez Coppola passar um mau bocado.
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Do fundo do coração foi desprezado e ridicularizado. Os fracassos são, com frequência, mas estimulantes e interessantes que os êxitos. Quando o vi, em 1982, sofria de mal de amores. O filme não me ajudou mesmo nada nessa altura, mas talvez tenha gostado dessa primeira vez que o vi por causa disso mesmo. Aqui vos deixo o seu início, com as vozes contrastantes de Tom Waits e de Cristal Gayle.
MUROS MUITO MENOS POPULARES QUE O DE BERLIM
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.Todos estes muros existem. São testemunho de quem os constrói e oprime os outros. Só me pergunto porque raio se fez tanto alarido à volta do muro de Berlim e se esquecem, todos os dias, estes símbolos da repressão. Porque será?
FRANCIS FORD COPPOLA
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
BERLINER MAUER
Os dados são mais que conhecidos: o muro de Berlim foi construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961. Tinha uma extensão de 66,5 km de gradeamento metálico e compreendia ainda 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas. Dezenas de pessoas morreram tentando cruzar o muro de Berlim para chegar ao sector ocidental da cidade. Nenhuma foi morta ou capturada na direcção inversa.
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O muro foi abaixo, faz hoje vinte anos. O assunto tem, ao longo do dia, suscitado várias reflexões interessantes, como a da Francisco Seixas da Costa. A queda do muro não foi a causa do que viria a suceder nos anos seguintes, mas sim a consequência de décadas de governação dominada por uma elite que se tinha, podemos dizê-lo sem hesitações, acomodado e aburguesado. E corrompido moralmente. Na realidade, a derrota do bloco de leste começa na década de 50 e não trinta anos depois. A derrocada desenha-se com o derrube, processo sumário e vegonhosa execução de Imre Nagy. Repetindo o que ontem escrevi num comentário, no blogue A cinco tons: pensava-se que com o socialismo nasceria o Homem Novo. Bastaria o desejo de transformar a sociedade e sua transformação aconteceria. Não bastou e não aconteceu. E a absoluta estatização da vida levaria - e levou - ao tédio, ao desinteresse e à burocratização do sistema. A absoluta estatização matou também as ambições individuais, esse sal necessário à diferenciação e ao desejo de fazer mais e melhor. A completa burocracia da criação matou as vanguardas, controlou o pensamento e deu corpo a polícias políticas.
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Onde esteve então a vantagem do socialismo e quais as diferenças em relação ao nazismo? A primeira parte da questão liga-se com a segunda. Sem o socialismo de leste teria tardado muito mais a libertação do Terceiro Mundo. Sem a difusão do ideário marxista, a tomada de consciência dos povos colonizados não teria tido a pujança que teve e o sopro libertador que varreu África nos anos 50 e 60 do século XX seria muito mais lento e feito de acordo com o tempo das antigas potências. Estas acabaram, décadas mais tarde, por recuperar o terreno perdido, mas isso é já outra história… E a dinâmica libertadora que, à sombra inspiradora do socialismo, varreu o mundo do pós-guerra não tem paralelo de qualquer tipo nos regimes nazi-fascistas, aos quais a palavra SOLIDARIEDADE foi sempre repulsiva. Dizer e, pior, tentar provar o contrário é uma obscena mentira e uma falácia sem classificação. E nunca será de mais sublinhar que é nas forças de esquerda, com os comunistas à cabeça, que reside a esperança de libertação de vastos sectores do planeta. O laboratório político da América do Sul tem, nesse aspecto particular, ainda muito a dizer.
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Porque sou, no meio de todas as contradições, militante do Partido Comunista Português? Por algumas das razões que me levariam a não o ser num país de leste nos anos 50, 60 ou 70. Antes de mais pela necessidade que há hoje em combater o "establishment". Porque há uma proximidade em relação aos mais desfavorecidos que não vejo noutros partidos. Porque gosto de estar junto do povo, no seio do qual nasci. E porque reconheço no PCP uma ética de actuação e uma modéstia nas atitudes que não vejo também noutros. Estarei sempre deste lado da estrada. Até ao dia da tomada do poder ou até ao momento em que a tentação do pensamento único quiser prevalecer.
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De outros muros, bem menos populares junto da dócil comunicação social que temos, apresentarei alguns dados amanhã.
O ISLÃO ENTRE TEJO E ODIANA
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Li o mail com uma sensação estranha - seria nostalgia? -, por ver que ainda mexe um projecto que eu próprio concebi em 1996 (!) e que a exposição, montada pela primeira vez, em Évora, em 1997 (!), ainda circula. Percorreu dezenas de concelhos - sobretudo da região alentejana -, mostrando, em pouco mais de uma dezena de painéis, os aspectos mais visíveis da presença islâmica em terras do sul. Pensava eu que a mostra estava, em definitivo, arrumada. Enganei-me. Às vezes é bom estarmos enganados.
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O projecto O Islão entre Tejo e Odiana foi financiado pela CCRA desses tempos já distantes..

Detalhe de peça em corda seca total do Museu de Mértola
ARGEL II - OS DIAS E AS MIRAGENS (1ª parte)
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Não teria vindo a Argel, se tivesse dado ouvidos aos conselhos que me deram. Um país em ebulição, uma guerra civil latente e os atentados não fazem de Argel o melhor dos sítios para fazer turismo ou dissertar sobre arqueologia.
E, contudo, a violência pouco tem de inédito naquela parte do Magrebe. Desde 1980 que a subida do integrismo islâmico começou a pôr os nervos em franja ao poder político argelino. Manifestações estudantis, prisões e mortes foram marcando uma escalada de violência que desembocaram nos graves tumultos de 5 de Outubro de 1988 em Bab el-Oued, bairro popular de Argel. Duas semanas mais tarde hão-de contar-se por centenas os mortos.
A espiral começa, em definitivo, nesses dias. Os islamistas do FIS (Frente Islâmica de Salvação) conquistam a confiança dos bairros populares e irão ganhar, com mais de 50 % dos votos, as eleições locais e regionais de Junho de 1990 e, com 47, 5 %, a primeira volta das legislativas em Dezembro de 1991. O resto da história é bem conhecido: anulação das legislativas, prisão dos lideres integristas, estado de sítio, mais prisões e massacres, perseguições a jornalistas e a quadros superiores, assassinato de estrangeiros, a guerra civil instalada quase até hoje. No meio não faltarão vozes a acusar os militares de estarem por detrás de muitas das acções atribuídas ao FIS, bem como de serem os responsáveis pela corrupção e, em última análise, pelo empobrecimento da população.
Nada disso é visível à chegada, apesar do espalhafato das metralhadoras, nem no percurso que a viatura da embaixada faz pelas ruas de Argel, por entre subidas e descidas rodeadas de vegetação frondosa e onde, de vez em quando, se consegue ter uma vista do centro da cidade, com a casbah ao fundo, o Mediterrâneo à direita e um céu baço por cima. As areias do Saara chegam até aqui e dão ao ar um tom acastanhado. A primeira miragem de Argel é o céu azul, que não dará sinais durante toda uma semana.
Imaginamos sempre os sítios que não conhecemos, como se pudéssemos conceber e urbanizar cidades distantes. Construímos ruas que nunca existirão, praças que não foram construídas, ambientes que são estranhos à realidade, ficcionamos cores e pessoas. Foi um pouco diferente com Argel. Sabia das ruas largas e das longas arcadas de ar acolhedor, que vira em tempos no célebre “Z, a orgia do poder”, supostamente passado algures mas rodado na margem sul do Mediterrâneo. Sem que o tivesse dito a ninguém, era por causa daquele filme e das ruas que mostrava que agora ali estava.
Durante muitos anos, tive de Argel essa imagem dos tempos coloniais, numa cidade pouco magrebina e africana ainda menos. Entre o centro de Argel e o extremo norte da cidade, no bairro de Bab el-Oued, repetem-se os prédios do princípio do século. Colunatas, janelas de desenho elaborado e frontões de recorte neo-clássico dão aos edifícios um ar próspero e por momentos julgamos estar numa cosmopolita cidade europeia.
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Primeira de três partes de uma reportagem publicada no Diário do Alentejo no Verão de 2000. A viagem tivera lugar durante a Primavera desse ano. A fotografia (tirada por volta de 1880) mostra o porto, com os edifícios, já da era colonial, ao longo do Mediterrâneo e a cidade antiga por detrás.
sábado, 7 de Novembro de 2009
AMIGOS PARA SEMPRE - II
A fotografia foi feita em 1969, em Simiane-la-Rotonde, no sul de França. Como tantas outras imagens de Cartier-Bresson é de uma aparente simplicidade. O "truque" esteve sempre em transformar o instante decisivo em momentos sublimes. A pose dos dois amigos, em primeiro plano, expressa bem a cumplicidade e a perenidade das amizades de infância, aquelas que, juramos naquela altura, são para sempre. Com o passar dos anos são semi-esquecidas. Com o passar de mais anos começamos a ganhar a certeza que nos dias de infância tinhamos razão.sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
MAIS MOURENSES
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Mais Autarca - José Maria Pós-de-Mina
Mais Política - Sílvia Ramos
Mais Teatro/Televisão - Isaac Alfaiate
Mais Literatura - João Mário Caldeira
Mais Artes - Silvestre Raposo
Mais Desporto - Miguel Garcia
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Fotografia Carlos Monteiro. APEL. Funchal.
BERLIM - 1945

.LÓGICA E.M.
A Lógica – Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, EM, é uma sociedade comercial, constituída sob o tipo de empresa municipal, que iniciou actividade em final de Fevereiro de 2008.
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Missão
Instalação, Desenvolvimento e Gestão do Parque Tecnológico de Moura, bem como a prestação dos serviços de apoio necessários à sua actividade.
Promover actividades de Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Demonstração (I&DTD) na área das energias renováveis em parceria com a indústria e entidades do Sistema Científico e Tecnológico.

A arte cinética de Victor Vasarely (1908-1997) representa o dinamismo do futuro à nossa frente. Bem sei que Vasarely teve uma fase de popularidade que não se reflecte nos nossos dias, mas continuo a achar interessante o seu exprimentalismo.
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
SUBITAMENTE, CECÍLIA MEIRELES
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
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Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
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Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
_ Em que espelho ficou perdida
a minha face?
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.Subitamente, outra inspiração, com as palavras de Cecília Meireles (1901-1964). Não foi difícil encontrar uma face que exprimisse, de forma enigmática, a tristeza e a melancolia do retrato. Poderia ter recorrido aos olhos de Anna Magnani. Preferi o ar distante, de tudo e de todos, de Jean Seberg, num filme que já aqui foi citado e que nunca poderei esquecer: Bonjour tristesse.
RECOMEÇO
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SERRA DE SERPA
ET IN ARCADIA EGO

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
ARGEL I - DO FILME ÀS RUAS DA CIDADE
Aqui se inicia uma série de dez textos ou evocações da cidade de Argel. É uma das mais belas cidades do Mediterrâneo, mesmo tendo em conta que não conheço a costa da Dalmácia.
O primeiro fascínio nasceu quando vi o filme Z (1969), de Costa-Gavras (n. 1933), de que aqui deixo um breve excerto. A película inspira-se nos acontecimentos que envolveram o assassinato do deputado comunista Gregoris Lambrakis (1912-1963), ocorrido em Tessalónica. A impossibilidade de rodar o que quer que fosse na Grécia, obrigou os produtores a recorrerem a Argel. Nunca mais esqueci as ruas que vi no filme, nem as extensas arcadas junto ao porto, nem as escadarias que vencem as escarpas junto ao mar.
Há nove anos pude ir, pela primeira vez, a Argel. Alguns anos depois travei amizade com um editor e livreiro argelino, que participara no filme como figurante. Foi ele que me permitiu conhecer a outra cidade de Argel. O regresso não tardará.
SUBITAMENTE, RAINER MARIA RILKE

Subitamente, uma inspiração. Sem que o esperasse, Rainer Maria Rilke (1875-1926) cruza-se-me no caminho. Nada melhor que esta fotografia, este Un beso (1996), de Helena Cabello e Ana Carceller para dar outro corpo às palavras.
















