quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CAMPO ARQUEOLÓGICO DE MÉRTOLA - 30 ANOS

Dias 5 e 6 de Novembro: comemoram-se 30 anos do projecto de Mértola. No dia 5 haverá um colóquio (participantes ainda a definir mas discutir-se-á o desenvolvimento local), no dia 6 um almoço-convívio com os que andaram por este projecto e nele se mantêm de alma e coração. Suspeito que o almoço deva ser mais participado e animado que o colóquio, mas o mundo é feito de diversidade e as coisas são como são.
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Informações: 286.612443 (não telefonem todos ao mesmo tempo sff) ou geral@camertola.pt
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ANGÚSTIA PARA O JANTAR

No próximo ano, os salários da função pública acima dos 1500 euros terão cortes entre os 3,5 e os 10 por cento, uma medida inédita em Portugal, e todas as pensões ficarão congeladas. Nos impostos, o IVA passa de 21 para 23 por cento e o Governo avança com o corte das deduções no IRS.
As promoções e progressões ficarão congeladas, as ajudas de custo e as horas extraordinárias sofrerão reduções e, já este ano, a contribuição dos trabalhadores para a Caixa Geral de Aposentações aumenta um ponto percentual (de 10 para 11 por cento, passando a ser igual ao regime geral da Segurança Social).
O Governo pretende ainda congelar 20 por cento das despesas com rendimento social de inserção e já em 2010 promete eliminar o aumento extraordinário de 25 por cento dos primeiros escalões do abono de família.


MÃOS AO ALTO! ISTO É UMA COMUNICAÇÃO AO PAÍS!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ACIDENTE NA AUTO-ESTRADA

Portugal é o país do mundo com a mais elevada taxa de acidentes nas auto-estradas. O assunto deveria merecer investigação e, eventualmente, uma severa punição a quem desenha tão perigosos traçados. É que os acidentes nas auto-estradas são uma constante, com custos sociais aos mais variados níveis. Quantos de nós não tivémos que esperar longos minutos por alguém que se comprometera para um encontro às 15 horas e que nos telefona às 15.45 dizendo "estou a mesmo a chegar; peço desculpa mas apanhei um acidente na auto-estrada". Uma maçada e um problema para a economia da nação. Coisa estranha, porém: em quase um milhão de quilómetros a conduzir só por duas vez vi os resultados de acidentes na auto-estrada e, ainda assim, o trânsito apenas abrandou um pouco. Isto dos acidentes deve ser só para os outros...
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Imagem da célebre performance Car Crash (1960), da autoria do artista pop Jim Dine (n. 1935)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

JOHNNY GUITAR

Num dos filmes da nouvelle vague (creio que de François Truffaut) um par sai de um cinema comentando, de forma entusiasmada, o que tinham acabado de ver. Percebemos depois que se trata de Johnny Guitar. Obra que passou, há poucos meses, na televisão.
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Já várias vezes tinha sentido a tentação de o referir aqui no blogue. Os filmes são por nós vistos e valorizados consoante a idade que temos e o que, em dado momento, sentidos. Rever filmes de juventude nem sempre é boa ideia. Vi, em adulto, O táxi cor de malva, uma inocente obra de Yves Boisset que tanto comovera os meus 14 anos. Arrependi-me amargamente e a poesia do filme desapareceu.
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Não foi assim com Johnny Guitar. Este filme de Nicholas Ray (1911-1979), datado de 1954, conserva todo o seu charme. Joan Crawford (1905-1977) e Sterling Hayden (1916-1986) protagonizam uma cena de grande tensão, entre mentiras ditas com verdade e sentimentos que, na verdade, nunca se perderam. É o momento chave do filme. É, também, a cena que é dobrada em Mujeres al borde de un ataque de nervios. Almodovar consegue, na perfeição, transpor estes sentimentos para uma relação em crise.
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domingo, 26 de setembro de 2010

THINK SMALL

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Foi com este slogan, think small, que a VW lançou o "carocha" nos Estados Unidos. Contra o gigantismo das típicas "banheiras" americanas a marca alemã apostava na imagem da diferença.
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Li hoje que o azeite Gallo é o quinto mais vendido no mundo. É sempre bom que uma marca portuguesa singre lá fora. O gigantismo do Gallo não vai, porém, a par com a sua qualidade. Para esse tópico há marcas mais pequenas, muito mais pequenas, mas infinitamente mais interessantes. Eu tenho a minha preferida, embora possa ser acusado de parcialidade...
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sábado, 25 de setembro de 2010

PRIMAVERA NO OUTONO

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Foi um quase milagre matinal. Habituado a ver comédias rasca nos autocarros para Beja fui brindado, pelas 9.30, com um filme que não conhecia e de que não tinha ouvido falar,
Primavera no Outono, película checa, de Vladimír Michálek. Dois velhotes divertem-se a fazer pequenas partidas, transformando os últimos tempos de vida num animado ajuste de contas com o mundo. A mulher de um deles representa um aborrecido bom senso, obcecado com a ideia da morte. A sombra da morte perpassa por todo o filme e a leitura da última sequência não deixa de ser algo enigmática.
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Agora que chega o Outono, ainda bem luminoso e de tons dourados, e quando todos precisamos já de um sol mais quente, vale a pena ver pequenas jóias como este Primavera no Outono. Não surpreende assim tanto que a obra seja checa, cuja filmografia nos tem brindado ao longo dos anos com grandes criadores e com grandes filmes. Dos meus tempos de juventude recordo Limonada Joe, uma genial paródia aos westerns, da autoria de Oldrich Lipský.

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O filme está disponível (3,90 € !) em www.wook.pt. Os horários dos expressos estão em www.rede-expressos.pt. Pelo sim, pelo não, vou mandar-lhes um mail de parabéns pela escolha do filme. Pode ser que isso inspire novas e felizes escolhas.

DE REGRESSO

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Colóquio terminado. Novos compromissos no horizonte: apresentação do projecto do novo cemitério de Moura na segunda-feira e uma fase importante de novas intervenções no concelho de Moura que vê agora a luz do dia. Como já por várias vezes afirmei, aproxima-se o momento de um balanço decisivo a estes últimos tempos. Sobretudo para se clarificar quem anda a dizer a verdade à população do concelho de Moura e para que fique evidente quem são "os outros".

sábado, 18 de setembro de 2010

UNS SEGUNDOS ANTES DA PAUSA

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O retiro em Tourtour leva-me a interromper a actividade do blogue até ao próximo sábado, dia 25. A menos que haja no local conexão wifi (desconfio que não...).
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Antes da partida e muito antes do regresso aqui fica uma das fotografias da exposição a inaugurar na próxima semana. É de uma casa da cidade de Ostia, tal como a vi em princípios de Julho de 2009.
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A RIUIS ANATIS FLUMINIS EXTREMUM MUNDI UIDERI POTEST

No regresso de Tourtour, e antes do regresso a Moura, será tempo para a abertura de uma exposição de fotografia em Mértola (dia 25, às 17 horas), numa iniciativa da Câmara Municipal que se integra nas Jornadas Europeias do Património.
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O texto que acompanha a pequena exposição é este:
Vivemos à sombra dos nossos antepassados romanos. Nas cidades mais antigas do Mediterrâneo temos arcos em pedra antigos, mosaicos finamente desenhados e capitéis coríntios que não encontramos noutras paragens. De Mérida até Roma, de Bosra a Mértola mudavam as escalas mas não as formas. As formas repetiram-se quase até aos nossos dias, até à entrada do betão na cultura moderna. A recordação dos nossos antepassados perdura na dureza de pedras que se vão, aos poucos, esboroando. Temos em Mértola testemunhos dessas recordações. E de Mértola vê-se o resto do Mundo Antigo.
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O meu agradecimento à Câmara de Mértola, pela simpatia do convite, e aos meus colegas Lígia Rafael e Jorge Branco.
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O título original, Das margens do Guadiana vê-se o resto do mundo, foi vertido para latim pelo Prof. Doutor Raul Miguel Rosado Fernandes.
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A CAMINHO DE TOURTOUR

Tourtour, perto do local do encontro
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Um mail de uma fundação francesa veio recordar-me de um compromisso assumido no ano passado. Iria participar, como combinado num colóquio sobre a História e a Arqueologia do Ocidente Muçulmano. Choro, desespero e ranger de dentes. Era a coisa que menos jeito me dava nesta altura. Uma semana de clausura numa herdade paradisíaca (assim o dizem), propriedade da dita fundação, na Provença. Deve ser bom, quando não estamos submergidos, por todos os lados e a todos os níveis, em stress.
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Entrada na segunda à noite, saída no sábado de madrugada. Nada a fazer, a não ser preparar o texto e o inevitável powerpoint. O programa aqui vai. A quem possa interessar e uma vez que, pelas minhas contas, deverão ser publicadas as actas do encontro.

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Sobre a fundação, dirigida por uma senhora chamada Maryvonne de Saint Pulgent (um nome bastante proletário...), Conseiller d’Etat, ver:
http://www.les-treilles.com/newsite
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Histoire et Archéologie de l'Occident musulman (VIIe-XVè siècles)
Al-Andalus, Maghreb, Sicile
Colloque organisé par la Fondation des Treilles, l’UMR 5136 (Framespa) et l’UMR 8167 (Islam Médiéval)

Mardi 21 septembre
Matin : 9h.30
Philippe Sénac (Université de Toulouse 2) : Introduction
Eduardo Manzano Moreno (CSIC, Madrid) : The historical interpretation of al-Andalus : at the crossroads of different approaches
Sonia Gutierrez Lloret (Université d’Alicante) : Islamización y emirato : veinte años de arqueología en al-Andalus
Après-midi :16h.30. Président de séance : Pierre TOUBERT (Collège de France)
Alberto Canto Garcia (Université autonome de Madrid) : Al-Andalus: coins, money and means of value and interchange
Sophie Gilotte (CSIC, Madrid) : L’archéologie médiévale en Estrémadure: bilan et perspectives

Mercredi 22 septembre
Matin : 9h.30. Président de séance : Patrice CRESSIER
Santiago Macias (Université de Coimbra): Archéologie islamique dans le Gharb al-Andalus : de la fouille à l'interprétation du territoire (bilan et perspectives de recherche)
Christophe Picard (Université de Paris I) : Archéologie et Histoire maritimes de la Méditerranée musulmane. Bilan et questions
Après-midi : 16h.30. Président de séance : Eduardo MANZANO MORENO
Patrice Cressier (CNRS) : Villes dynastiques au Maghreb : recherches récentes
Pierre Guichard (Université de Lyon 2) : Sites fortifiés du Maghreb

Jeudi 23 septembre
Matin : 9h.30. Président de séance : Christophe PICARD
Yassir Benhima (Université de Paris III) : Un siècle après Georges Marçais: les migrations arabes dans l’historiographie du Maghreb Médiéval
Ahmed ETTAHIRI (INSAP, Rabat), Abdallah FILI (Université d’El Jadida) et Jean-Pierre VAN STAËVEL (Université de Paris IV), Actualité de la recherche en archéologie islamique au Maroc : fouilles récentes à Fès, Aghmat et Igiliz-des-Hargha
Après-midi : visite du Musée de l’île Sainte-Marguerite. Le mobilier islamique de l’épave du Bataiguier

Vendredi 24 septembre
Matin : 9h.00. Président de séance : Pierre GUICHARD
Antonio MALPICA CUELLO (Université de Grenade) : Acerca del mundo urbano en al-Andalus. La ciudad de Madînat Ilbîra
Henri Bresc (Université de Paris X) : La Sicile et le Maghreb: relations politiques, migrations, transmissions culturelles
Alessandra Molinari (Université de Rome) : Migrazione, « acculturazione », convivenza/conflitto : problemi di metodo nell’archeologia della Sicilia islamica
Après-midi : 16h.00. Président de séance : Henri BRESC
Lucia Arcifa (Université de Catane), Alessandra BAGNERA (Université de Viterbe) et Annliese NEF (Université de Paris IV) : L’archéologie de la Sicile islamique : un bilan en forme de questions
Carlos Laliena Corbera (Université de Saragosse) : Conclusions

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

AQUEILHAS ARMAS I HOMES AFAMADOS

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"Aqueilhas armas i homes afamados / Que, d'Oucidental praia Lusitana, / Por mares datrás nunca nabegados, / Passórum par'alhá la Taprobana, / An peligros i guerras mui sforçados."
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Os Lusíadas estão, a partir de hoje, disponíveis em mirandês. Que é, para quem possa não o saber, a segunda língua oficial do nosso País. O tradutor é Amadeu Ferreira, investigador e um dos defensores de uma língua que esteve quase extinta.
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Hoje é Dia da Língua Mirandesa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DO GHARB AO ALGARVE: O PRATO DE MÉRTOLA

Este prato (ou tigela) datado da segunda metade do século XI é a principal peça do Museu de Mértola. O seu local de fabrico é incerto, apontando-se a zona da Kairouan (Tunísia) ou o sul da Península Ibérica como área de proveniência.
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Na peça está representada uma cena de caça: um galgo e um falcão perseguem um corço. Objectos de luxo como este estão presentes em diversos pontos do Mediterrâneo Ocidental, com destaque para a Qal'a dos Banu Hammad (Argélia), Pisa (Itália), Tunis e Kairouan (Tunísia), Denia e Cartagena (Espanha).

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Peça visitante da exposição Do Gharb ao Algarve: uma sociedade islâmica no ocidente (em Silves) até dia 16 de Outubro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

AO VOLANTE DO CHEVROLET PELA ESTRADA DE SINTRA

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Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar o ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas
seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem
consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida ...
Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo!
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto que me emprestaram, ai de mim!, eu próprio sou!
À esquerda o casebre - sim, o casebre - à beira da estrada. À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado,
Que só posso conduzir se nele estiver fechado,
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.

À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima.
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da
cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que
me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?
Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel
emprestado que eu guio?
Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Acelero ...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,
À porta do casebre,
O meu coração vazio,
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exacto que a vida.
Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao volante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim ...
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O poema é de Álvaro de Campo (1928) e está na minha lista dos insubstituíveis. Ouvi uma vez Jô Soares (sim, esse mesmo!) dizê-lo de forma irrepreensível na RTP. A fotografia, talvez de corvos mas não sobre uma seara, foi feita nos campo de Mértola por um nome maior da arte portuguesa: José Manuel Rodrigues.

LEITURAS DO SUL CRISTÃO - MÉRTOLA: 2 E 3 DE DEZEMBRO

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Está já fechado o programa do colóquio Leituras do Sul Cristão, que terá lugar em Mértola, nos próximos dias 2 e 3 de Dezembro. A organização é do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto e do Campo Arqueológico de Mértola e conta com o apoio da Câmara Municipal de Mértola e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
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A entrada é livre e não carece de inscrição prévia.
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2 de Dezembro
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9.00 - Abertura
Tema 1: Lendo o território
9.30-10.00 – Maria da Conceição Lopes (Universidade de Coimbra / CEAUCP-CAM)
O território do sul da Lusitânia na geografia económica do mundo Tardo Antigo
10.00-10.30 – João Bernardes (Universidade do Algarve)
Estruturas de produção no mundo rural do sul da Lusitânia (sécs. V-VII d.C.)
10.30-11.00 – Manuel Real (Arquivo Histórico do Porto)
Reflexões sobre o moçarabismo no Gharb al-Andalus: o caso português
11.00-11.15 – Pausa
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Tema 2: Lendo a iconografia
11.15-11.45 - Santiago Macias (Universidade de Coimbra / CEAUCP-CAM)
Os mosaicos de Mértola e a arte do Mediterrâneo Oriental
11.45-12.15 – Miguel Rego (Câmara Municipal de Castro Verde)
Elementos tardoromanos da villa de Santo Isidoro - Entradas (Castro Verde)
12.15-12.45 – Maria Cruz Villalon (Universidad de Extremadura)
La escultura visigoda en proceso de revisión. Imágenes de la Alta Edad Media en la Península Ibérica
12.45-13.15 – Debate
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Tema 3: Lendo a arquitectura
15.00-15.30 – Inês Vaz Pinto (Universidade Lusíada / CEAUCP-CAM / troiaresort), Ana Patrícia Magalhães (troiaresort), Patrícia Brum (troiaresort) e João Pedro Almeida (UNIARQ/FCT)
Novos dados sobre a Tróia cristã
15.30-16.00 - Justino Maciel (Universidade Nova de Lisboa)
De Constantino a Justiniano: Marcas na Arquitectura Paleocristã do Sul de Portugal
16.00-16.30 – Virgílio Lopes (CEAUCP-CAM)
Mértola Cristã. Novos dados para a leitura da cidade
17.00-17.30 – Debate
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18.00 – Inauguração da exposição Arquitectura de Mértola na Antiguidade Tardia
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3 de Dezembro
Tema 4: Lendo a sociedade
9.30-10.00 – Cláudio Torres (CEAUCP-CAM)
Senhores, camponeses e berberes
10.00-10.30 – Manuela Alves Dias
Novos achados de epigrafia paleocristã em Mértola - A confirmação de um quadro sócio cultural
10.30-11.00 – Mélanie Wolfram e António Monge Soares (ITN)
Baptistérios na Lusitania: o exemplo da Igreja de São Jorge (Vila Verde de Ficalho)
11.00-11.30 – Pedro Mateos (Instituto de Arqueologia de Mérida)
Augusta Emerita: La cristianización de una ciudad en época tardoantigua
11.30.12.00 – Debate e encerramento
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Tarde – visita a Mértola
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Coordenação científica:
Santiago Macias (Investigador do Programa Ciência 2008 da FCT: Universidade de Coimbra - CEAUCP/CAM)
Virgílio Lopes (CAM)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O RETRATO DO DR. GACHET

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Esta versão do retrato do Dr. Gachet (há outra no Museu de Orsay, da qual gosto mais) foi pintada por Vincent Van Gogh (1853-1890) pouco tempo antes de morrer. Van Gogh pôs termo à vida aos 37 anos.
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O quadro, que não trouxe felicidade nem fortuna ao seu autor, foi vendido em 1990 por 82,5 milhões de dólares (o equivalente a 139 nos dias de hoje). É a quarta pintura mais cara do mundo.

MANIPULAR PALAVRAS, IMAGENS E SENTIMENTOS

John Berger usava duas páginas do livro Modos de ver para exemplicar como se manipula uma imagem. Numa página apresentava o quadro com o título, Seara com corvos. Virava-se a folha e a mesma imagem surgia com nova legenda: O último quadro que van Gogh pintou antes de se suicidar. É evidente que, com esta identificação, o pintura passa a ter outra leitura e ganha uma sombria carga dramática.
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E, tanto quanto se sabe, Seara com corvos nem sequer foi a derradeira obra de Van Gogh...
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FERNANDO BRANCO CORREIA - DISTINÇÃO E LOUVOR

Foi esta tarde na Universidade de Évora. O título da tese é Fortificação, guerra e poderes no Garb al-Andalus (dos inícios da islamização ao domínio norte-africano). Na verdade, e tanto quanto pudémos ver pela apaixonada apresentação que o Fernando fez, o trabalho é sobre o que o título diz e sobre muito mais coisas que ele não diz. Distinção e louvor por unanimidade era o mínimo "a fazer" por este trabalho que acumula décadas de trabalho intenso e conhecedor. Ficamos à espera da edição. E que não aconteça o mesmo que com o estudo sobre Elvas na Idade Média, apenas na posse de uns happy few.
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O Fernando é o mais discreto de um grupo que teve em Mértola ponto de passagem. Todos nós ficámos felizes com este sucesso dele.
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LA GRANDE BOUFFE

Durante as intermináveis provas perguntei se alguém se lembrava do filme de Marco Ferreri (1928-1997) A grande farra, rodado em 1973. Ninguém tinha ideia dessa película disparatada, na qual um grupo de burgueses de meia-idade se mata a comer...
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Ora esguardae:
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A FEIRA, MESMO DE RELANCE

Fígado de coentrada, salada de polvo, pezinhos, lebre com feijão branco, carne com pimentos, carne com tomate, carne frita, salada de feijão frade, bacalhau à brás, carne com cogumelos, carne estufada, orelha, lombinhos, salada de ovas, cabeça de borrego, codornizes, sopas fervidas, ovos com espargos, moelas, entremeada, carne de porco com ameijoas, arroz de pato, salada de grão, ciba assada, salada de bacalhau, favas, salada russa, feijoada, cachola frita, pataniscas, tomatada com carapaus fritos, feijoada de chocos etc. etc.
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Ao todo foram 84 petiscos divididos em três épicas etapas: 28 de cada vez. O juri foi submergido durante horas a fio e quase não viu a feira. No final venceram os Mouros (um grupo motard de fardamente negra e ar temível, mas é só o ar mesmo), em segundo lugar ficou o Núcleo do Sporting, em terceiro a Casa do Benfica, numa clara demonstração que o ano está a ser difícil em todos os domínios. Menção honrosa para a dinâmica Comissão de Festas de Amareleja.
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As provas são cegas (os pratos têm apenas um número), mas a ideia é que no próximo ano haja modificações e o júri seja mais alargado e com menos provas por pessoa. 84 petiscos quase de enfiada? Eis quando o prazer se torna penitência...
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O concurso de petiscos é uma das iniciativas da Feira de Setembro. Júri deste ano: Francisco Cerejo, João Felix, Isabel Migas, José Pelica e o autor do blogue.

WEBSIG PLANOS

Segundo informações que recolhi, há três autarquias que têm à disposição aplicações deste género: Albufeira, Faro e Moura.
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As atitudes de vanguarda cabem também aos técnicos das Câmaras Municipais. Ver aqui.
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domingo, 12 de setembro de 2010

A FEIRA, DE RELANCE

Era este o aspecto da feira, ontem à noite. Uma animada multidão encheu por completo o recinto do Parque Municipal de Feiras e Exposições e fez com que o evento se tornasse num assinalável sucesso. Desde 2007 que as feiras têm vindo a crescer. A de Maio de 2011 começa a ser organizada amanhã.
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sábado, 11 de setembro de 2010

EM DIA DE FEIRA

A concisão deste post não se deve a preguiça ou a falta de assunto. Em dia de feira apetece-me mais fazer outras coisas. Aqui fica uma chamada de atenção para um dos melhores blogues que se produzem em Portugal. Irónico e com uma qualidade de manipulação de imagens de grande sofisticação.
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Um pouco do Portugal bisonho morre no sorriso que ele(s) provocam.
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Está em
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O PÉ DA LUISINHA CARNEIRO - POST PARA O JOAQUIM CAETANO

Num recente artigo na L+ARTE o meu amigo Joaquim Caetano comentava o carácter exclusivamente nacional das nossas colecções museológicas e o facto de nos interessarmos apenas pelo que é português. Quando há dias o encontrei perguntei-lhe se se lembrava do texto de Eça de Queirós sobre o pé da Luisinha Carneiro. Não se recordava. Aí vai ele, caro Joaquim:
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"Ah, esta abominável influência da distância sobre o nosso imperfeito coração! Bem recordo uma noite em que, numa vila de Portugal, uma senhora lia, à luz do candeeiro, que dourava mais radiantemente os seus cabelos já dourados, um jornal da tarde. Em torno da mesa, outras senhoras costuravam.Espalhados pelas cadeiras e no divã, três ou quatro homens fumavam, na doce indolência do tépido serão de Maio. E pelas janelas abertas sobre o jardim entrava, com o sussurro das fontes, o aroma das roseiras. No jornal que o criado trouxera e ela nos lia, abundavam as calamidades. Era uma dessas semanas também em que pela violência da natureza e pela cólera dos homens se desencadeia o mal sobre a terra.
Ela lia as catástrofes, lentamente, com a serenidade que tão bem convinha ao seu sereno e puro perfil latino. «Na ilha de Java, um terramoto destruíra vinte aldeias, matara duas mil pessoas …». As agulhas atentas picavam os estrofos ligeiros; o fumo dos cigarros rolava docemente na aragem mansa; e ninguém comentou, sequer se interessou pela imensa desventura de Java. Java é tão remota, tão vaga no mapa! Depois, mais perto, na Hungria, «um rio transbordara, destruindo vilas, searas, os homens e os gados…». Alguém murmurou, através de um lânguido bocejo: «Que desgraça!». A delicada senhora continuava, sem curiosidade, muito calma, aureolada pelo oiro da luz. Na Bélgica, numa greve desesperada de operários que as tropas tinham atacado, houvera entre os mortos quatro mulheres, duas criancinhas…
Então, aqui e além, na aconchegada sala, vozes já mais interessadas exclamaram brandamente: «Que horror!... Estas greves!... Pobre gente!...» De novo o bafo suave, vindo de entre as rosas, nos envolveu, enquanto a nossa loura amiga percorria o jornal atulhado de males. E ela mesma então teve um oh de dolorida surpresa. No sul da França, «junto à fronteira, um trem descarrilado causara três mortes, onze ferimentos…». Uma curta emoção, já sentida, já sincera, passou através de nós com aquela desgraça quase próxima, na fronteira da nossa península, num comboio que desce a Portugal, onde viajam portugueses… Todos lamentámos, com expressões já vivas, estendidos nas poltronas, gozando a nossa segurança.
A leitora, tão cheia da graça, virou a página do jornal doloroso e procurava noutra coluna, com um sorriso que lhe voltara, claro e sereno… E, de repente, solta um grito e leva as mãos à cabeça:
– Santo Deus!...
Todos nos erguemos num sobressalto. E ela, no seu espanto e terror, balbuciando:
– Foi a Luísa Carneiro, da Bela-Vista… Esta manhã! Desmanchou um pé!
Então a sala inteira se alvoroçou num tumulto de surpresa e desgosto.
As senhoras arremessaram a costura; os homens esqueceram charutos e poltronas; e todos se debruçaram, reliam a notícia no jornal amargo, se repastavam da dor que ela exalava!... A Luisinha Carneiro! Desmanchara um pé! Já um criado correra, furiosamente, para a Bela-Vista, buscar notícias por que ansiávamos. Sobre a mesa, aberto, batido da larga luz, o jornal parecia todo negro, com aquela notícia que o enchia todo, o enegrecia.
Dois mil javaneses sepultados no terramoto, a Hungria inundada, soldados matando crianças, um comboio esmigalhado numa ponte, fomes, pestes e guerras, tudo desaparecera – era sombra ligeira e remota. Mas o pé desmanchado da Luísa Carneiro esmagava os nossos corações… Pudera! Todos nós conhecíamos a Luisinha – e ela morava adiante, no começo da Bela-Vista, naquela casa onde a grande mimosa se debruçava do muro dando à rua sombra e perfume."
Eça de Queirós in Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (1907)

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TAPEÇARIAS DE PASTRANA

Boas notícias. A exposição A invenção da glória. D. Afonso V e as tapeçaria de Pastrana foi prolongada até 3 de Outubro. Um bom motivo para uma ida até ao Museu Nacional de Arte Antiga ver estas obras-primas da arte mundial.
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Manufacturadas em Tournai em finais do século XV, narram (três delas) a conquista de Arzila e (uma outra) a entrada dos portugueses em Ceuta. O episódio de Arzila é-nos transmitido em quadros, quase como uma banda desenhada. Nada de novo, afinal, uma vez que se trata de uma tradição antiga na arte ocidental. Abro um parêntesis para dizer que uma das minhas "BD" preferidas é a sequência da caça no mosaico bizantino de Argos. Feche-se o parêntesis para referir que as tapeçarias de Pastrana, certamente uma encomenda régia, nunca terão chegado a estar em território português, não havendo sequer referência documental nos nossos arquivos à sua existência.
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Magnificamente executadas, foram, segundo o roteiro da exposição, um instrumento político e um objecto de glorificação de D. Afonso V, que assim construiu a imagem que quis deixar para a posteridade.
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Este excerto pertence à entrada dos portugueses em Tânger. Tem uma certa graça a representação dos muçulmanos paramentados um pouco ao gosto bizantino. O luxo do oriente causava grande sensação na Europa Ocidental, daí que se representasse desta forma tudo o que pudesse sugerir a ideia de riqueza.
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A ver:

http://www.mnarteantiga-ipmuseus.pt/

http://www.fcamberes.org/


Na revista L+Arte deste mês (http://www.l-arte.com.pt/ - endereço apenas de contacto) há uma arguta e divertida crónica de Joaquim Oliveira Caetano sobre o catálogo da exposição.

O BARCO

Tenho a impressão de que já escrevi esta cena, mas apetece-me escrevê-la uma vez mais. Num barco, a meio do lago, estão um homem e uma mulher. Muito ao alto, no céu negro, está a lua. A noite é silenciosa e amena, muito propícia a uma sonhadora acentura amorosa. O homem no barco será um raptor? A mulher a seu lado será a sua feliz e encantada vítima? Isso não sabemos; vemos apenas que eles se beijam. A montanha negra parece um gigante nas águas que brilham. Na margem está um palácio ou uma casa de campo com uma janela iluminada. Nem um ruído, nem um som. Tudo está coberto por um silêncio negro e meigo. As estrelas tremulam lá em cima no céu e tremulam também nas profundezas do céu que se reflecte no espelho de água. A água é a namorada do luar, chama-o para baixo, para perto de si, e agora água e luar beijam-se como namorada e namorado. O bonito luar afundou-se na água como um príncipe jovem e intrépido que mergulha numa torrente de perigos; espelha-se na água como também um coração ardente é espelhado por outro coração sedento de amor. É magnífico ver como o luar se parece com um amante, afogado em prazer, e como a água se parece com a feliz amada, que abraça e afaga o seu príncipe bem-amado. O homem e a mulher no barco estão completamente imóveis. Estão presos por um longo beijo. Os remos jazem esquecidos na água. Serão felizes, virão a ser felizes, aqueles dois que estão ali no barco, aqueles dois que se beijam, aqueles dois que o luar alumia, aqueles dois que se amam?
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Andava pelas estantes da livraria à procura de Vinte e quatro horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig. Não havia. Mas mesmo ao lado estava Robert Walser (1878-1956). Abri o livro (Histórias de amor) ao acaso e fui lendo passagens ao acaso. Ouvira falar do autor, mas nunca o tinha lido. Apaixonei-me pela escrita, que me tem acompanhado nos últimos dias. Este O barco data de 1915. O púdico anonimato dos protagonistas é tão anónimo quanto o de Les amants, célebre pintura de 1928 do belga Rená Magritte (1898-1967).
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Uma curiosidade: foi a partir de um texto de Robert Walser que João César Monteiro concebeu o seu polémico Branca de Neve.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

TAUÁ - CEARÁ

Uma delegação da cidade de Tauá (estado de Ceará - Brasil) está desde ontem em Moura. A nossa "desinteressante" cidade, o nosso "desmotivante" concelho e as "péssimas" iniciativas que aqui têm lugar (l'opposition parle...) trouxeram até nós políticos, jornalistas e homens de negócios daquela região do Brasil. Razões da deslocação? Troca de experiências aos mais diversos níveis, a começar pelas energias renováveis mas indo muito para além desse domínio.
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A Feira de Setembro será um dos pontos de passagem obrigatórios da delegação durante os próximos dias.
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Tauá (Parque da Cidade)

Saber mais sobre Tauá em:
http://www.taua.ce.gov.br/

http://www.camarataua.ce.gov.br/

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MÉRIDA - VII: XENODOCHIUM

Xenodochium soa tão bem como esterno-cleido-mastoideu. Também tem a ver com saúde, em todo o caso. O xenodochium de Mérida era um albergue para doentes e peregrinos, mandado construir pelo bispo Masona no século VI. A obra é referida na Vitae Patrum Emeritensium.

O local foi escavado há cerca de duas décadas. O sítio está hoje arranjado, a despeito de se encontrar num bairro inóspito e sem charme. Há painéis que nos ajudam a entender os vestígios arqueológicos. Se nos sentarmos no meio das ruínas e fizermos funcionar a imaginação - essa coisa essencial para fazer falar a História - teremos a percepção do que era um hospital no século VI. E como a imaginação de cada um de nós é diferente da de qualquer outra pessoa em cada visitante reside um xenodochium. É, também, esse o charme da arqueologia.


VERDES ANOS

O campo e a nova cidade. Na verdade, tudo era novo no filme: o realizador, os actores, a maneira de narrar, a música - a extraordinária música de Carlos Paredes.
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Verdes anos (1963) é uma história de todas as descobertas. Dos personagens entre si, do talento de Paulo Rocha (n. 1935) em fazer cinema. Portuguesmente, é um filme melancólico, às vezes mesmo um pouco triste. Escapa à rigidez do neo-realismo e aventura-se por novos caminhos estéticos. Ainda assim, parece um filme urbano e, contudo, é-o muito menos do que parece.
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Isabel Ruth (n. 1940) tem, depois disso, uma longa carreira de representação cinematográfica. Rui Gomes (1939-2001) nem por isso.
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O filme perdeu hoje muita da sua frescura. Ganhou umas bonitas rugas e o encanto de certas coisas que sabem envelhecer. Com as pessoas também é assim.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O MEU REINO PELO TOM LUND

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Este é o Tom Lund.
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Arranjem-nos um Tom Lund. Jogava no Lillestrom (deve faltar um ø algures, como no livro do Astérix...) e era do estilo meia bola e força. Fez parte da selecção que defrontou Portugal, em Oslo, em Maio de 1979. Portugal ganhou 1-0 mas recordo-me dos pontapés de canto marcados por Lund, autênticos remates em arco que punham em aflição Bento, o guarda-redes português, muito mais baixo que os noruegueses. Lembro-me também de uma falta cometida por Carlos Alhinho sobre um adversário, ao estilo "se te apanho em cheio, parto-te ao meio". Jorge Schnitzer diria o bom e o bonito sobre essa entrada, n'A Bola do dia seguinte.
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Crónica dos tempos que passam, numa altura em que isto anda mesmo mau para a nossa selecção.

domingo, 5 de setembro de 2010

FESTA DO "AVANTE!"

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Os sites dos jornais mantiveram-se silenciosos, a SIC e a TVI falaram da Festa ao sétimo minuto do telejornal, a RTP ao décimo segundo. Dois minutinhos em cada estação e toca a andar. Duas estações de televisão dedicaram-se a dar mais destaque ao picnic de um líder partidário no rio Tejo. Nada de novo. Embora, do ponto de vista informativo, as opções sejam questionáveis quando estamos a falar de um dos mais importantes eventos culturais e políticos do País. Leiam-se os textos de São José Almeida e de Henrique Raposo na imprensa da semana para se entender a forma distorcida, a roçar o folclórico, como somos vistos.
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Estas coisas não desmobilizam. Muito pelo contrário. Não há Festa como esta? Não há, nem haverá.

DIAS DE ROMARIA: FESTA DA TOMINA

Fotografia: José Maria Pós-de-Mina©
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Há, certamente, fotografias muito melhores da Festa da Tomina. Numa altura de grande movimento, o serviço às mesas foi garantido pelos clientes do bar O Tijolo. O lacinho não tem a ver com a função, embora já tenha dado origem a equívocos engraçados em dois casamentos.
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Vivam o Verão e os dias das romarias.

DIAS DE ROMARIA: SENHORA DE ARACELIS

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É uma das festas mais curiosas e antigas da região. Tem lugar no 1º fim de semana de Setembro, nesta bonita ermida, plantada no alto de um cerro de onde se domina a vastidão em seu redor. A que concelho pertence a Senhora de Aracelis? Eis uma matéria sensível, mas o assunto é diplomaticamente resolvido entre Castro Verde e Mértola e entre as freguesias de São Marcos da Atabueira e Alcaria Ruiva. A rapaziada que, ontem à noite, descansava em torno da ermida tinha um ar muito pouco devoto. E mais em baixo, e na área do baile, os movimentos de ancas ao som da kizomba não eram do mais pio que tenho visto. E ainda bem, que festas destas sem o perfume do paganismo são apenas uma aborrecida ortodoxia.
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As Festas da Senhora de Aracelis terminam logo à noite.

sábado, 4 de setembro de 2010

A CAMA QUENTE

Homenagem aos mineiros do Chile
que dormem, singelo,
pelo sistema de "a cama quente"

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Na mina trabalha-se por turnos.
Quando se volta, nem se tiram os coturnos.
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Bebido o café negro e trincado o casqueiro,
joga-se o corpo ao sono, mas primeiro,
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enxota-se o camarada da cama ainda quente,
que não há camas, no Chile, pra toda a gente.
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Do calor que sobrou o nosso se acrescenta
pra dar calor ao próximo que entra.
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Vós, que dormis em camas, como reis,
tantas horas por dia, não sabeis
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como é bom dormir ao calor de um irmão
que saiu ao nitrato ou ao carvão
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e despertar ao abanão (é o contrato!)
de um que chega do carvão ou do nitrato!
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É este sistema, minha gente,
que se chama no Chile "a cama quente"...
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O poema, escrito em 1975, é de Alexandre O'Neill (1924-1986), a fotografia data de 1950 e intitula-se Three generations of welsh miners. É um trabalho do grande repórter Eugene Smith (1918-1978). São trabalhos de compromisso político, que não precisa de ser ostensivo para ser eficaz. São para recordar, sobretudo nestes dias que passam e em que os mineiros do Chile se converteram, sem o o quererem, numa peça do carnaval dos media.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O MEU REINO PELO KAIAFAS

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Este é o Kaiafas.
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Arranjem-nos um Kaiafas. Este nome só quererá dizer alguma coisa para os quarentões. Sotiris Kaiafas chegou a ser Bota de Ouro, feito conseguido jogando pelo Omónia Nicósia, na época de 1975/76. É evidente que ganhar a Bota de Ouro marcando golos ao Freixedas e ao Entradense lá do sítio não é bem a mesma coisa que chegar ao mesmo troféu com a camisola do Real Madrid. Mas, pronto, o nosso Kaiafas lá ficou com a desejada botinha no seu armário de souvenirs.
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Depois da barracada desta noite só me resta fazer dois votos:
1. Que os cipriotas nos mandem o neto do Kaiafas para jogar pela selecção portuguesa;
2. Que a falange de apoio cipriota siga direitinha para a Festa do "Avante!" e faça jus ao voto progressista do seu país. Não é todos os dias que o presidente de um país da União Europeia é cá dos nossos. Refiro-me ao camarada Dimitris Christofias.

CASA PIA

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O processo chega, para já, ao fim. A batalha jurídica vai, seguramente, continuar. Meia dúzia de condenações num processo que chegou a fazer tremer as estruturas do Estado. Mas é só isto? Era esta a rede de pedofilia? No final, fica-se com a sensação que continua a haver mais perguntas que respostas.

ENTRE SAFARA E O SEIXAL

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Contrariamente ao que me prometera e jurara, nem Safara, nem Seixal. Nem Semana Cultural, nem Festa do "Avante!". Continuo mergulhado em rascunhos e nos relatórios das escavações do Castelo de Moura. Aqui fica o cartaz do excelente programa organizado pela Junta de Freguesia em colaboração com a Câmara Municipal. E, já que não posso ir ao Seixal, "mandei" representação familiar: o jovem Manuel faz, aos 17 anos, o tirocínio na Festa. Creio que por razões mais musicais que ideológicas. Mas nunca se sabe...
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Recordação do Alto da Ajuda, em 1981. Um grupo mourense: José Francisco Moita, Tarugo (de óculos à Elton John), o autor de blogue (disfarçado de Tutankhamon), José Ramos (de boné amarelo), Francisco Emiliano e Maria da Luz Branquinho (née Baleizão).