segunda-feira, 31 de outubro de 2011

VERÃO PERIGOSO

É a história da rivalidade entre dois homens. Em disputa não está uma mulher, mas sim a glória. O texto de Ernest Hemingway narra-nos a batalha ocorrida no verão de 1959 entre Antonio Ordóñez e Luis Miguel Dominguín. O relato é empolgante e pleno de detalhes conhecedores.

Não me atrevo a transcrever qualquer passagem, mas sim um trecho do extenso prefácio, que James A. Michener escreveu em 1984:

As touradas são muito menos bárbaras que o pugilismo americano, e a morte de homens ocorre coom muito menor frequência - nos últimos anos houve qualquer coisa como sessenta nos ringues de boxe para uma nas arenas. E poucos americanos estão cientes que o futebol - nos liceus e universidades - mata um número chocantemente mais elevado de jovens do que as corridas de touros e torna dezenas de outros paraplégicos.


Dominguín, por Picasso

domingo, 30 de outubro de 2011

MIGUEL HERNÁNDEZ


En el mar halla el agua su paraíso ansiado
y el sudor su horizonte, su fragor, su plumaje.
El sudor es un árbol desbordante y salado,
un voraz oleaje.

Llega desde la edad del mundo más remota
a ofrecer a la tierra su copa sacudida,
a sustentar la sed y la sal gota a gota,
a iluminar la vida.

Hijo del movimiento, primo del sol, hermano
de la lágrima, deja rodando por las eras,
del abril al octubre, del invierno al verano,
áureas enredaderas.

Cuando los campesinos van por la madrugada
a favor de la esteva removiendo el reposo,
se visten una blusa silenciosa y dorada
de sudor silencioso.

Vestidura de oro de los trabajadores,
adorno de las manos como de las pupilas.
Por la atmósfera esparce sus fecundos olores
una lluvia de axilas.

El sabor de la tierra se enriquece y madura:
caen los copos del llanto laborioso y oliente,
maná de los varones y de la agricultura,
bebida de mi frente.

Los que no habéis sudado jamás, los que andáis yertos
en el ocio sin brazos, sin música, sin poros,
no usaréis la corona de los poros abiertos
ni el poder de los toros.

Viviréis maloliendo, moriréis apagados:
la encendida hermosura reside en los talones
de los cuerpos que mueven sus miembros trabajados
como constelaciones.

Entregad al trabajo, compañeros, las frentes:
que el sudor, con su espada de sabrosos cristales,
con sus lentos diluvios, os hará transparentes,
venturosos, iguales.

Pode um poema ser dedicado ao suor? Pode, se o seu autor for Miguel Hernández (1910-1942). Poeta de grande sentido telúrico e de profundo lirismo. Podia aqui recordar o seu texto sobre os aceituneros (bela palavra, sem tradução direta em português), mas já foi alvo de uma publicação no blogue (v. aqui). Hoje, em Moura foi dia de evocar Miguel Hernández, e uma forma da Câmara Municipal se associar ao final das comemorações do centenário do nascimento do poeta.

Foi no nosso concelho que Miguel Hernández foi detido pela Guarda, para depois ser devolvido aos franquistas. Morreu em 1942, vítima de tuberculose. Tinha 32 anos.

A esta homenagem juntar-se-á, no próximo ano, a inauguração do jardim das oliveiras (v. fotografia aérea), a que, por proposta que tive o prazer de subscrever, a Câmara Municipal de Moura deu o nome de Jardim Miguel Hernández.

O autor do projeto do jardim foi Francisco Caldeira Cabral, a fotografia está no blogue http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com/

A MEIO DO CAMINHO


Nel mezzo del cammin di nostra vita / Mi ritrovai per una selva oscura / Che la diritta via era smarrita.

Nunca o início de uma obra literária me pareceu tão apropriado. Há momentos assim. Deveria hoje dar cumprimento a uma promessa, fazendo um balanço destes dois anos de mandato autárquico. Que são, também, dois anos da vida, com muito mais que a atividade camarária.

O balanço destes dois anos na política virá dentro de dias.

A fotografia é de Henri Cartier-Bresson, as palavras iniciais de Dante.

sábado, 29 de outubro de 2011

LÀ CI DAREM LA MANO



Espero recuperar esta tarde do trauma de há dois anos (v. aqui). Mas a imagem da descida aos infernos, protagonizada por Don Giovanni/Nicola Ulivieri a rebolar-se no chão, ficou-me gravada... Depois do S. Carlos, ao vivo, pareceu-me melhor opção este direto a partir do Met (hoje, às 18h., na Gulbenkian).

Aqui fica o registo de um momento magnífico: Don Giovanni/Samuel Ramey tenta seduzir Zerlina, interpretada por Kathleen Battle. Uma cantora, a vários títulos, impressiva.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CONTRA A EXTINÇÃO DE FREGUESIAS

"Reordenamento" é um nome pomposo para os cortes cegos que o Governo quer pôr em prática nas autarquias. As freguesias são uma base fundamental para a fixação das populações. E antes de saber quanto custam as freguesias importaria saber quanto custarão, no futuro, as extinções arbitrárias das freguesias. Infelizmente, temos no Poder contabilistas. Numa altura em que precisávamos de políticos.


A Câmara Municipal de Moura rejeitou liminarmente, e por unanimidade, o Documento Verde, tão apreciado pelo Dr. Dâmaso Salcede, perdão, queria dizer Miguel Relvas.


Cartazes de protesto e bandeiras negras a meia-haste e cartazes. Um estilo e uma linguagem que muitos classificam como "radical", "excessiva", "digna do PREC" etc., mas que me parece compreeensível e justificável ante a gravidade da situação. Na foto: fachada da Junta de Freguesia de Santo Agostinho (Moura).

PARES V: RÓMULO E REMO


Rômulo Rema



“Rômulo rema no rio.
A romã dorme no ramo,
a romã rubra. (E o céu)
O remo abre o rio.
O rio murmura.
A romã rubra dorme
cheia de rubis. ( E o céu)
Rômulo rema no rio.



Abre-se a romã
Abre-se a manhã.



Rolam rubis rubros no céu.
No rio,
Rômulo rema.”



O lirismo de Cecília Meireles e a pintura densa (ía dizer pesada, mas o JOC depois vai dizer que é má vontade minha e que não percebo grande coisa de pintura, o que é, também, verdade) de Rubens. E a evocação de um par fundador e fundamental: Rómulo e Remo. O porquê da escolha? Gosto, já o disse, de Cecília Meireles, e gosto da redondez da palavra "romã". E daquele som rolado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NOSSA SENHORA DO CARMO

Emoção de agnóstico:
Há associação.
Há comissão.
Há blogue.
Haverá Festa.




http://associaoculturalhonranscarmo.blogspot.com/

MOURARIA DE MOURA - UMA PEQUENA HISTÓRIA SOBRE OS MEANDROS DA ADMINISTRAÇÃO

Um recente post do embaixador Seixas da Costa, sobre os documentos aos quais se perde o rasto (v. aqui), fez-me recordar um episódio dos meus primeiros tempos como funcionário público, há uns bons 25 anos.

Com algum espanto, dei-me conta que todos os processos de obra do bairro da Mouraria tinham de ir ao IPPC (avô do atual IGESPAR) para apreciação. Pergunta minha "porquê?". Resposta "porque o bairro está classificado". Ora não estava, o que só me intrigou mais. Mas que o procedimento de consulta era obrigatório, lá isso era. Que se passava, então?

Passei dois dias no "arquivo morto" tentando encontrar uma explicação. Que existia. Para que o processo se concluísse era obrigatório publicar um edital. Cujo modelo fora fornecido à Câmara de Moura por um organismo governamental. Acontece que o ofício tinha dado entrada no dia 24 de abril de 1974. Nos dias seguintes houve mais que fazer que imprimir editais de classificação de monumentos...

O processo foi retomado pouco tempo depois. Mas ainda tardaria alguns anos a ficar arrumado, com a classificação da Mouraria de Moura como imóvel de interesse público (Decreto n.º 45/93, DR n.º 280, de 30-11-1993).




Fotografia: www.monumentos.pt

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A PROPÓSITO DA ARQUEOLOGIA NO CASTELO DE MOURA

É pouco vulgar que um comentário, neste caso anónimo, seja motivo para um texto. Há, no entanto, considerandos muito interessantes que o(a) autor(a) fez e que são merecedores de alguma reflexão e de clarificação detalhada. O comentário foi este:

Nesse trabalho de arqueologia visto de cima e para o comum dos mortais,os vestígios postos a descoberto, podem não passar de "pedras mortas". Quer-me parecer que não é dado a conhecer à comunidade e, passo a passo,as descobertas que vão sendo realizadas. Tudo permanece no segredo dos "deuses". O portal da autarquia deveria divulgar constantemente aquilo que é descoberto. O interesse da sociedade seria crescente. Afinal, trata-se de um valioso património público que não se destina primordialmente a servir de tema a teses universitárias. A propósito, recordo o saudoso Dr. Fragoso Lima que nos inícios da década de 1970, pegou numa turma e conduziu-nos ao recinto do castelo onde nos deu uma lição viva e de vida sobre aquele local e o seu passado histórico.

Então vamos a isto, e dirijo-me diretamente a quem escreveu:

1. A divulgação de um trabalho de arqueologia é tarefa que não se compadece com precipitações nem com a rapidez. Acredite em mim, que tenho razoável experiência na matéria. A afirmação que fez "quer-me parecer que não é dado a conhecer à comunidade e, passo a passo,as descobertas que vão sendo realizadas" ouvi-a, durante muitos anos, em Mértola, num projeto que tem uma dimensão, e que teve meios, incomparavelmente maiores. Deixo-lhe estes dados, que são importantes: 1) 1978: início das escavações arqueológicas; 2) 1988: abertura do museu romano; 3) 2001: abertura do museu islâmico; 4) 1993: edição do primeiro catálogo referente aos vestígios patrimoniais; 5) 2004: primeira tese de doutoramento sobre a arqueologia de Mértola; 2008: abertura ao público das escavações. É fácil constatar o lapso de tempo decorrido. E muitas vezes em Mértola fomos criticados por isso. O tempo deu-nos razão.

2. Bem entendido, não será necessário esperar 30 anos para se ter acesso à alcáçova do castelo de Moura... Com a conclusão das obras em curso, em 2012 teremos circuito de visita.

3. Não há qualquer "segredo dos deuses". Os materiais têm sido apresentados em congressos de arqueologia. Localmente foram promovidas várias visitas ao castelo (com limitadíssimo sucesso) e apresentámos publicamente, em 2007, os resultados das seis primeiras campanhas. Tivémos umas 10 pessoas na Adega da Mantana. Não foi muito motivador, mas espero voltar em breve à carga. Pode ser que tenha mais sorte.

4. Também sei que aquilo que fazemos (ainda para mais sendo eu vereador) está sempre sujeito a críticas, comentários e discordâncias. As coisas são assim mesmo. Estou sempre atento ao que me dizem. Cruzo isso com os muitos anos de trabalho e com a multiplicidade de experiências, próprias e alheias. E adapto tudo isso ao plano de trabalhos. Não duvide de uma coisa: sei para onde vou e como vou lá chegar. É assim que tenho feito nos últimos 25 anos. E sei, também, que o trabalho feito no castelo de Moura é o mais adequado. Conforme se verá mais tarde.

5. Os materiais arqueológicos não são primordialmente para teses universitárias? É (quase) verdade, mas se forem utilizados nesse âmbito tanto melhor. Há um conjunto de dissertações sobre o concelho de Moura, que são uma importante valorização do seu património, até pelo facto de duas delas estarem publicadas. E há, também, obras de divulgação sobre o património de Moura.

6. Não sei se a visita do Dr. Fragoso de Lima o/a motivou a trabalhar nesta área. Ou a interessar-se por ela, ainda que do ponto de vista não profissional. A si ou a qualquer outro colega dos tempos da EICM. Oxalá que sim, até porque, de facto, a componente pedagógica é fundamental.

7. Há um facto intrigante na minha carreira, deixe-me que lhe confesse: tenho sido solicitado para me deslocar a imensos sítios, em quatro continentes, no âmbito da minha atividade profissional. Isso abrange tanto instituições universitárias como escolas básicas. O que me tem proporcionado experiências muito interessantes, esperando eu que essas colaborações tenham sido úteis para quem me convidou. Sabe onde, e apesar da minha total disponbilidade, nunca me pediram qualquer tipo de colaboração (falo genericamente e não apenas na componente de visita às escavações)? Nas escolas secundárias de Mértola e de Moura.

Moura nos inícios do século XVI (desenho de Duarte Darmas)

E A RESPOSTA É...

EDUARDO FERRO RODRIGUES, à direita nesta fotografia da fase MES (ainda com o bigode à Emiliano Zapata).


Recebi várias propostas de solução: Passos Coelho, Cavaco Silva, Paulo Portas, Pita Ameixa, António Capucho, António Costa, Jorge Sampaio... Eis o texto que esteve na base do desafio (v. aqui), e que foi publicado no Diário do Alentejo de dia 7 de novembro de 1997, depois de uma rápida, e desastrada, passagem de Ferro Rodrigues por estas paragens:


“As autarquais não devem fazer contra-poder nem actuar em áreas de reivindicação e de contestação ao Governo”. O autor desta musculada afirmação não foi ninguém do PP nem sequer o divertido dr. Jardim. E muito menos um qualquer Ceaucescu, seja ele de Bucareste ou de Mértola. A frase é de Ferro Rodrigues, dirigente do PS, ministro e ex-MÊS, durante a apresentação do candidato socialista à Câmara de Beja. Alguém de esquerda, portanto. Fiquei gelado.

A chegada ao Poder tem destas coisas. Os que antes clamavam pelo “direito à indignação” pedem hoje comedimento, os que ontem diziam “contestação” balbuciam agora autoridade. É um fenómeno fascinante, o da passagem dos anos e do chamado amadurecimento. Á medida que vai crescendo a barriga parecem aumentar também as adiposidades ideológicas e o acomodamento. Perdem-se o sentido de humor, a irreverência, a vontade do combate de rua e passa-se para uma fase mais triste, a dos consultores de imagem, da preocupação com a cor das gravatas e com a “pose de Estado”. Uma chatice…

No caso da aflitiva afirmação de Ferro Rodrigues torna-se nítida uma característica perene da sociedade portuguesa. Os governos sempre gostaram de gente pacata, que reivindique e que conteste, mas com jeitinho, e que obedeça na devida altura.

Ninguém espera, claro, que os presidentes de câmara sejam arruaceiros nem amotinadores profissionais. Daí até ao modelo Ferro Rodrigues vai um abismo de submissões. O que o Governo (este ou qualquer outro) gosta é de gente que se sinta “penhorada com a visita de V. Exa.”, que peça desbarretada, que implore, que mande fazer lápides de inauguração. Que saiba organizar bonitas paradas com a fanfarra dos bombeiros, que se cale, que meta cunhas, que resolva os problemas pela porta do cavalo. Que não ponha a nu as deficiências da administração, que volte a desbarretar-se, que não pie, que se aconselhe com S. Exas. os governadores civis (essa fantástica e inútil instituição que a democracia preferiu manter). Que não incomode com artigos de jornal, como fez, e bem, o sr. Lopes Guerreiro.


Precisamos de presidentes de câmara que comprem casacos Burberrys, camisas Lacoste e sapatos Gucci. Que se penteiem impecavelmente ou que, no mínimo, comprem perucas de boa qualidade, como o sr. Fernando Gomes, do Porto. Presidentes que cultivem o “ser presidente”. Que peçam, numa catadupa de vénias e genuflexões. Que requeiram, requerimentem, oficiem. Presidentes A4, com carros de alta cilindrada e pesporrência a rodos.

Num País triste, habituado a cultivar o servilismo, a “bolinha baixa”, o “sim sr. doutor”, o “faça lá o jeitinho”, as declarações de Ferro Rodrigues são todo um programa político. Atenção às sagradas hierarquias, que o respeitinho continua a ser muito bonito…

Não deixa se ser curioso verificar que o texto está hoje mais atual que na altura. Infelizmente, o empobrecimento não é só financeiro. É, sobretudo, político. A nossa democracia perde qualidade, eis uma facto inquestionável.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

AINDA FORA DO VERMELHO



A Câmara Municipal de Moura não está nesta lista de 179 municípios (que são 58% do total). Mas se o nosso Governo se esforçar um pouco mais e continuar a apertar o garrote lá chegaremos... Ou seja, contraditoriamente, estamos contentes por não estarmos no vermelho.


No distrito de Beja não estão na lista os seguintes municípios:

Almodovar, Alvito, Castro Verde, Cuba, Moura e Odemira


Municípios em endividamento excessivo por causa do OE de 2012
Albufeira, Alcochete, Aljustrel, Almeida, Alvaiázere, Amares, Angra do Heroísmo, Arcos de Valdevez, Arganil, Arraiolos, Arruda dos Vinhos, Avis, Azambuja, Barcelos, Barrancos, Barreiro, Beja, Bombarral, Cabeceiras de Basto, Câmara de Lobos, Caminha, Cantanhede, Carrazeda de Ansiães, Castro Daire, Chamusca, Chaves, Entroncamento, Estarreja, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Ferreira do Zêzere, Funchal, Golegã, Gondomar, Gouveia, Grândola, Guarda, Horta, Lagos, Lisboa, Lousã, Madalena, Maia, Manteigas, Mértola, Mira, Miranda do Corvo, Moita, Monção, Monforte, Nisa, Óbidos, Odivelas, Olhão, Oliveira de Frades, Oliveira do Bairro, Ourém, Palmela, Paredes de Coura, Penafiel, Penela, Peniche, Peso da Régua, Pinhel, Ponta do Sol, Ponte da Barca, Porto de Mós, Porto Moniz, Póvoa de Lanhoso, Póvoa de Varzim, Ribeira de Pena, Rio Maior, Sabugal, Santa Maria da Feira, Santa Marta de Penaguião, Santarém, Santiago do Cacém, São João da Pesqueira, São Pedro do Sul, Santiago do Cacém, Serpa, Sertã, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sobral de Monte Agraço, Soure, Sousel, Tomar, Valença, Valpaços, Velas, Vidigueira, Vila de Rei, Vila do Bispo, Vila do Conde, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Paiva, Vila Praia da Vitória, Vila Real de Santo António, Vila Verde e Vila Viçosa.


Municípios com endividamento excessivo agravado pelo OE de 2012
Alandroal, Alcanena, Alenquer, Alfândega da Fé, Alijó, Alpiarça, Ansião, Aveiro, Borba, Calheta (Açores), Castanheira de Pera, Castelo de Paiva, Celorico da Beira, Celorico de Basto, Espinho, Faro, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Fornos de Algodres, Freixo de Espada à Cinta, Fundão, Ílhavo, Lagoa (Açores), Lajes do Pico, Lamego, Loulé, Lourinhã, Macedo de Cavaleiros, Machico, Mangualde, Marco de Canaveses, Meda, Melgaço, Mesão Frio, Miranda do Douro, Mirandela, Moimenta da Beira, Mondim de Basto, Montemor-o-Velho, Mourão, Murça, Nazaré, Nelas, Nordeste, Oliveira de Azeméis, Ourique, Paços de Ferreira, Penamacor, Portalegre, Povoação, Reguengos de Monsaraz, Ribeira Grande, Santa Comba Dão, Santa Cruz, Santana, São Roque do Pico, Sardoal, Seia, Sines, Tábua, Tabuaço, Tarouca, Torres Novas, Torres Vedras, Trancoso, Trofa, Vagos, Vale de Cambra, Valongo, Vendas Novas, Vila Franca do Campo, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares, Vizela e Vouzela.

ESCAVAÇÕES NO CASTELO DE MOURA: ANO 9





Cumpre-se agora a nona campanha de escavações na alcáçova do castelo de Moura: 1989 / 1990 / 2003 / 2004 / 2005 / 2007 / 2008 / 2010 / 2011 são os anos deste projeto. Nas imagens pode constatar-se a evolução dos trabalhos entre 16 de junho de 2010 (em cima) e 20 de outubro de 2011 (em baixo). Duas campanhas especialmente produtivas e que nos permitem agora, com o avançar das obras de reabilitação no recinto do castelo, perspetivar a reabilitação e valorização das estruturas. Momentos importantes da história da nossa cidade (o urbanismo de época islâmica, que começa a revelar-se, e os aquartelamentos de época moderna) mostram-se agora com mais nitidez. Outros projetos de investigação para o futuro estão agora a ser preparados.




Está para breve a monografia destes primeiros anos de intervenção, em fase de redação, em conjunto com os colegas Vanessa Gaspar e José Gonçalo Valente. Depois dos desafortunados anos entre 1991 e 1998 e depois de uma longa hesitação em retomar este processo os tempos são agora de trabalho calmo e produtivo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ESCULTURA EM MÉRTOLA: JOÃO CUTILEIRO



Quem entra em Mértola, vindo de Beja ou de Serpa, depara, no meio de uma enorme rotunda, com uma escultura, onde coexistem colunas em mármore, um conjunto de rochas e uma oliveira que é, por si só, um monumento.

Esta escultura, concebida em 1991 por João Cutileiro, tem uma história curiosa. A Câmara Municipal de Mértola foi, na altura, distinguida pelo trabalho desenvolvido no Centro Histórico. Deslocou-se à vila o ministro Valente de Oliveira. O prémio, do conhecido escultor, vinha dentro de uma caixa. Era uma miniatura, destinada por certo a figurar no gabinete do alcaide. Que não, foi dito ao ministro, a autarquia estava convencida que a escultura era mesmo a sério e portanto já havia uma rotunda preparada e tudo. O que era verdade. Depois de uns momentos de embaraço, o assunto foi rapidamente decidido. Mértola teria a sua escultura em king-size. E assim se preparou e instalou a mais bela peça de arte feita em Mértola nos últimos séculos.

A equipa autárquica em regime de permanência era então constituída por Fernando Rosa (presidente) e pelos vereadores José Manuel Santana e António Raposo.

domingo, 23 de outubro de 2011

O RATO QUE RUGE

Eis uma solução para a crise. A partir do filme O rato que ruge, de 1959. A ideia de partida para o argumento é brilhante, o filme nem por isso. O imaginário Grão-Ducado de Fenwick está na bancarrota, depois de anos de vida tranquila (não sei se isto vos recorda algo...). Como ultrapassar o aperto? Declarando guerra aos Estados Unidos. Que depois derrotariam o Grão-Ducado e seriam obrigados a financiar a sua reconstrução.

De que estamos à espera?

NAS MALHAS DO NÓNIO

Que o nónio é um processo de medição criado pelo génio matemático de Pedro Nunes (1502-1578) é coisa que toda a gente sabe. Que o mesmo nónio é o nome dado à plataforma online da Universidade de Coimbra é coisa que muito menos gente sabe. Caí nas malhas do nónio. Ou quase. Atualmente, é tudo online. Ou quase. Escrever sumários, disponibilizar bibliografia, lançar classificações etc, tudo passa pelo nónio. Lógico? Sim. Prático? Nem pensem! Estas coisas da informática nunca são práticas nem simples, a não ser para quem as concebe...

Manual do utilizador para pautas e classificações? 27 páginas.
Manual do utilizador do funcionamento dos lembretes no infordocente? 12 páginas.
Manual de edição de disciplinas curriculares? 12 páginas.
Manual para o lançamento do serviço docente? 21 páginas.
Material de apoio para o manual do utilizador? 8 páginas.
Manual do utilizador para submissões de trabalhos? 5 páginas.
Manual do utilizador - sumários e assiduidade? 16 páginas.
Manual do utilizador - informação geral? 7 páginas.
Mais o regulamento académico da UC (12 páginas) e o regulamento pedagógico da UC (15 páginas).

E havia mais uns ficheiros que já não tive pachorra para copiar.

Uma colega minha levou dois dias inteiros (com jornadas de trabalho de 14/15 horas) a confirmar inscrições, clique aqui, clique ali, faça login, faça logout. Estamos nas malhas do nónio e nas mãos dos burocratas. Que tornam tarefas simplicíssimas como a redação de um simples sumário ou o lançamento de notas num calvário sem sentido. E que nos deixam muito menos tempo para fazer o que efetivamente importa. Não deve ser por acaso.

sábado, 22 de outubro de 2011

CONCURSO

Quem foi o político português que, há uns 12 ou 13 anos, se saiu com esta:

As autarquias não devem fazer contra-poder nem actuar em áreas de reivindicação e de contestação ao Governo.

A resposta é, aviso desde já, surpreendente. Lembro-me de, na altura, a frase me ter deixado muito bem disposto.
Terei todo o prazer em enviar um exemplar do meu livrinho Mar do meio, com fotografias do mundo mediterrânico, a quem acertar. Falo a sério, evidentemente. Publicarei a resposta certa na próxima 4ª feira.

ESCULTURA EM MÉRTOLA: EDUARDO NERY

É uma das mais notáveis obras de arte existentes em Mértola. E, provavelmente, a menos conhecida. Estes volumes, feericamente cobertos com azulejos em tons de amarelo e azul, foram concebidos por Eduardo Nery (n. 1938) para o pátio do Centro de Saúde de Mértola. A encomenda foi do Ministério da Saúde. Bons tempos.

Ver: www.eduardonery.pt


(...) Nery ainda estenderá essa problemática da ambiguidade perceptiva ao objecto, ampliando-a ao volume tridimensional. O cubo, o prisma, o paralelipípedo serão os autores desse intrigante teatro do olhar. O vidro, e os seus jogos de ausências e de enganos, também foi experimentado. E a pintura projecta nele perspectivas de vórtice, enganos de distância, de proporção, de instabilidade do visível. Arremessa no espaço, como uma vertigem sideral, sólidos, em escadaria, em fuga, em devir. A ambiguidade, o ilusório, mantêm-se. Mas as figuras procuram nesse espaço e contra uma superfície-fundo a sua identidade geométrica de objectos, assumindo, suspensas num vazio que anuncia ou retoma no seu azul contínuo, o espaço diurno e percorrível do céu (...)


Eduardo Nery ou o intrigante teatro do olhar

por Fernando de Azevedo, in catálogo da retrospectiva “Eduardo Nery. 1956-1996. Arte Atelier”, Culturgest, Lisboa, 1997

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MOURA - MONUMENTOS CLASSIFICADOS

Encontram-se em fase final os processos de classificação de quatro importantes monumentos do concelho de Moura, os quais passarão a ser imóveis de interess público.


A este reconhecimento dos valores patrimoniais do nosso concelho junta-se o labor neles desenvolvido pela Câmara Municipal de Moura:


Igreja de S. Francisco (Moura) - reabilitação e consolidação estrutural (obra em fase de conclusão)

Pátio dos Rolins (Moura) - reabilitação (1ª fase concluída)


Igreja do Espírito Santo (Moura) - aquisição, realização do projeto e obtenção de financiamento (obra em concurso)


Igreja Paroquial de Safara (Safara) - realização de um projeto para futura obra de consolidação (em fase de conclusão)


Não posso deixar de fazer notar que não estamos apenas perante classificações circunstanciais e sem sequência. Não posso também deixar de fazer notar que todos estes projetos foram desenvolvidos a partir de 2006 pela autarquia. E que tais projetos fazem parte de uma estratégia de longo prazo de reabilitação e de valorização do nosso património. O resto é conversa...



Igreja de Safara - fotografia: José Fialho Gomes


GEOMETRIA E SILÊNCIO DAS MULHERES NOS TAPETES BERBERES DO MÉDIO ATLAS

O título do post é o título de uma dissertação de mestrado, defendida por Telma Lança, no passado dia 18, na Universidade do Algarve. Um trabalho difícil, fruto de uma investigação que esteve, claramente, mais no domínio da Antropologia que no da História. Tive a rara felicidade de ser o orientador desta investigação. Ou melhor, o co-orientador, porque sem a participação, os conselhos e apoio do arq. José Alberto Alegria dificilmente se teria chegado a um resultado tão convincente.


Espero que o grau de Mestre em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo seja um ponto de partida mais que um ponto de chegada. O estudo que a Telma Lança efetuou, pleno de dificuldades e de obstáculos, tem um enorme potencial. Oxalá seja o primeiro desbravar de terreno sobre o papel das mulheres na produção dos tapetes e sobre a simbologia destes possa ter continuidade, através de um trabalho de campo mais prolongado.


Geometria e silêncio das mulheres nos tapetes berberes do Médio Atlas obteve a classificação de Muito Bom, por unanimidade. O júri foi presidido pelo Prof. António Rosa Mendes (Univ. Algarve), tendo sido arguente a Profª. Filomena Barros (Univ. Évora). Não foi permitida a participação no júri do arq. José Alberto Alegria, por causa de uma norma imbecil qualquer.


Um belo exemplo de um zemmour

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PARES IV: A VIRGEM DOS ROCHEDOS

As pinturas também se fazem, ou faziam, aos pares. Há duas Virgens dos Rochedos, ambas de Leonardo da Vinci. Uma está em Paris, no Louvre, a outra em Londres, na National Gallery.


Há um poema, intitulado A Virgem Maria, de Manuel Bandeira, de que gosto. Não é, juro!, por impiedade que aqui o reproduzo. Pelo contrário, julgo que não contraria a arte de Mestre Leonardo.


O oficial de registro civil, o coletor de impostos, o mordomo
[da Santa Casa e o administrador
[do cemitério de São João Batista
Cavaram com enxadas
Com pás
Com as unhas
Com os dentes
Cavaram uma voca mais funca que o meu suspiro de re-
[núnicaDepois me botaram lá dentro
E puseram por cima
As Tábuas da Lei

Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvi a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SIM!

NÃO É POR NADA PPC, MAS EU, NO SEU LUGAR, PUNHA-ME A PAU...


No jornal "Público":


“Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião”, afirmou hoje o Presidente da República, contestando a eliminação dos subsídios de férias e de Natal para funcionários públicos e pensionistas, que vê como a “violação de um princípio de equidade fiscal”.


Cavaco Silva avisou ainda que o Governo já está no limite dos sacrifícios que pode pedir aos portugueses e que pode mesmo já ter pisado o risco no caso dos pensionistas.

FASHION

O texto que segue nada tem a ver com o evento da passada semana. É uma crónica publicada no jornal "A Planície" do passado dia 1 de outubro, com o título Moura and Mértola Fashion. Problemas com a roupa, sem solução à vista:




Temos, todos nós, características de comportamento ou pequenos tiques que se vão agravando, ou tornando mais visíveis, com o passar dos anos. Um dos meus tem a ver com a roupa. Não me refiro ao gosto pelas camisas africanas, que muitos amigos consideram discutível, ou coisa que o valha. É que, pura e simplesmente, gastar fortunas com roupa me parece algo muito próximo do absurdo. E levar horas a escolher fatiotas – camisas africanas à parte – é um desperdício total, grotesco mesmo.


O meu problema com a roupa é antigo. Nunca liguei grande coisa ao assunto. Comprava camisas por atacado (três ou quatro camisas brancas, na mesma loja, em rápida transação), fazendo o mesmo com camisolas ou calças. Depois esquecia-me do assunto e vestia a roupa até estar quase no fio. Para minha suprema indignação, houve sempre alguém a fazer desaparecer as camisolas preferidas porque “já não estão que se vistam”. Uma frase misteriosa e cuja dimensão nunca entendi.


O tema do “tens de comprar roupa” assola-me com regularidade. Com o tempo aprendi a deixar-me arrastar para um centro comercial, desligando do universo durante um par de horas. Acho que isso pesará um dia na balança, e para compensar outras coisas, quando chegar a hora de enfrentar o Criador.


Momentos verdadeiramente dramáticos ocorrem no verão, quando têm início as escavações arqueológicas. Sistematicamente, e por mais que me esforce, levo sempre para o castelo as calças mais novas, às vezes ainda por estrear. Uma desesperada Isabel tentou, ao longo de 25 anos, que distinguisse a “roupa nova” da “roupa velha”. Nada. Zero. Fracasso total. Numa ocasião, e não tenho a certeza que ainda assim seja, reservou o lado esquerdo do roupeiro para um setor e o direito para o outro. Ao regressar a casa e ao ouvir “comprámos essas calças na semana passada” dei-me conta que trocara os lados do roupeiro. Um insucesso total, agravado pela destrutiva resina dos pinheiros de Mértola. A inversa também é verdadeira. Fui para uma cerimónia oficial com um “pull-over” azul que me pareceu giríssimo. Quando regressei ouvi outra frase misteriosa, pronunciada em tom angustiado “isso é para andares em casa! a camisola está toda passajada! o que é que as pessoas terão dito…”. Mirei a peça de roupa com toda a atenção. Não vi nada de errado. Não tenho a certeza sobre o que quer dizer “passajado”, não quis averiguar e continuei a achar o “pull-over” giríssimo. Pelo sim, pelo não, coloquei-o de parte, embora não possa jurar que, um dia destes, não volte a usá-lo.


As escavações arqueológicas no castelo de Moura cumprem este ano a sua nona temporada. Depois de muitos pares de calças arruinados e muitas camisas aniquiladas começamos a ter dados seguros para interpretar a evolução do sítio entre os séculos XII e XX. O esforço compensou e já merecíamos mais que uma estéril remoção de entulhos. Começo a desconfiar, bem entendido e naquilo que me sobra da “mentalidade mágica”, que há uma ligação estreita entre o uso intenso da roupa, a sua destruição e a investigação científica. Um ponto de vista que, para minha tristeza, não é partilhado por mais ninguém lá em casa.



O autor do blogue, durante a campanha para as Autárquicas/2009


(fotografia: António José Martins)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

DOIS MESES

June
No hope, no change! The clouds have shut us in,
And through the cloud the sullen Sun strikes down
Full on the bosom of the tortured Town,
Till Night falls heavy as remembered sin
That will not suffer sleep or thought of ease,
And, hour on hour, the dry-eyed Moon in spite
Glares through the haze and mocks with watery light
The torment of the uncomplaining trees.
Far off, the Thunder bellows her despair
To echoing Earth, thrice parched. The lightnings fly
In vain. No help the heaped-up clouds afford,
But wearier weight of burdened, burning air.
What truce with Dawn? Look, from the aching sky,
Day stalks, a tyrant with a flaming sword!





September
At dawn there was a murmur in the trees,
A ripple on the tank, and in the air
Presage of coming coolness -- everywhere
A voice of prophecy upon the breeze.
Up leapt the Sun and smote the dust to gold,
And strove to parch anew the heedless land,
All impotently, as a King grown old
Wars for the Empire crumbling 'neath his hand.
One after one the lotos-petals fell,
Beneath the onslaught of the rebel year,
In mutiny against a furious sky;
And far-off Winter whispered: -- "It is well!
"Hot Summer dies. Behold your help is near,
"For when men's need is sorest, then come I."


Agora que o outono avança recordemos os dias luminosos de junho e de setembro. Bem como os de julho e agosto. O poema é de Kipling, a fotografia de Mapplethorpe.

MOURA UM POUCO MAIS À FRENTE




Mais vale tarde que nunca. Aqui fica o registo (pela mão fotográfica da intrépida repórter Maria José Fialho Silva) do evento que teve lugar, na passada sexta, no Espaço Sheherazade. Miúdos e graúdos a fazerem desfilar moda, a presença estimulante de Isaac Alfaiate e a certeza que Moura tem muitas coisas. E entre elas há uma coisa chamada energia. As centenas de pessoas que estiveram presentes podem testemunhá-lo.




Para os não iniciados ou para os mais esquecidos: o Espaço Sheherazade é aquele sítio que a Câmara Municipal adquiriu e reabilitou. Para lá se fazerem coisas assim.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

TRÓIA

Falhei a inauguração do novo percurso do sítio, embora tivesse jurado que ia. Reparei a falha no sábado passado, visitando, muito amagado, as ruínas de Tróia.


Foi pura coincidência que a diretora do projeto, Inês Vaz Pinto, estivesse no local. Um tanto envergonhado por um interromper um final de manhã de trabalho tive o privilégio de visitar o sítio em condições únicas. E de revisitar a fascinante basílica.


Depois de anos de indefinição, Tróia retoma o seu lugar na Arqueologia Portuguesa, fazendo justiça à beleza das ruínas, encaixadas entre o rio e o mar. As investigações prosseguem, a estação arqueológica tem agora percursos marcados e um ar limpo e arranjado e o futuro faz-se em cada nova escavação.




Nos meses de outono as visitas têm um ritmo mais epaçado. Eis o calendário:

Outubro – aberto aos sábados, das 10h às 13h00 e das 15h00 às 17h30

visitas guiadas: sábados, às 15h00
Novembro - primeiro sábado, 5 de Novembro, às 15h, visita guiada
Dezembro - primeiro sábado, 3 de Dezembro, às 15h, visita guiada


Inês Vaz Pinto, durante a visita ao local

Para mais informações: http://www.troiaresort.pt/gca/index.php?id=312

domingo, 16 de outubro de 2011

UPRISING

O mundo agita-se. Muitas vezes são as centrais de comunicação, mais os serviços de informação (vulgo, as secretas) ocidentais a puxar os cordelinhos. Mas nem sempre. Ou cada vez menos. O caráter mais ou menos espontâneo do que ontem se passou é um sinal sério. Para a classe política acomodada. Para os poderes instalado. Para "os mercados". É que isto não vai parar por aqui. Mesmo que fora das agendas esteja a África subsaariana. Por razões conhecidas.

READ MY LIPS or READ MY HIPS


Tal como com os miúdos, às vezes é melhor não fazer muito caso do que se diz. Embora neste caso seja difícil... Pedro Passos Coelho levou anos a fio a jurar a pés juntos e por todas as estrelas do céu que não ia aumentar os impostos, que não ia castigar a classe média (sshhhh, não digam a ninguém, mas não existe tal em Portugal), que não ia suprimir o 13º mês. Tal como George W. Bush, Passos Coelho teve um (prolongado) momento "Read my lips; no more taxes" (vejam e riam, que é o que nos sobra, aqui).

Read my lips? Pois sim... Sempre é preferível este read my hips de Celia Cruz (1925-2003). Se bem que hoje nenhum consultor de imagem (uns chatos imprestáveis) lhe aconselhasse, tendo em conta a generosidade das formas, aqueles rodopios e aquele estonteante menear de ancas.

ANNA BOLENA

A representação de Anna Bolena, ontem transmitida em direto para todo o mundo (e visionada na Fundação Gulbenkian em HD) deixou-me a certeza que, embora se perca a sensação do ao vivo, vale a pena aderir a esta globalização da ópera. O drama da segunda mulher de Henrique VIII, personificado por uma Anna Netrebko que fez o Metropolitan vir abaixo, trouxe-me três evocações, que se mantiveram noite dentro, estrada fora, até Mértola:
1. Não é o fim anunciado de uma narrativa que lhe retira interesse. Tal como o célebre início de uma das mais belas novelas do mundo - El
--> día en que lo iban a matar, Santiago Nasar se levantó a las 5:30 de la mañana para esperar el buque en que llegaba el obispo -, o mal-estar que anuncia o fim só traz maior intensidade à narrativa;
2. As palavras da ária Al dolce guidami (leva-me para o querido castelo onde nasci) aumentaram a incerteza dos últimos tempos. A arrepiante interpretação de Anna Neterebko pode ser ouvida aqui.
3. A história verdadeira de um miúdo alentejano que ficava boquiaberto com os coros verdianos nas Tardes de Ópera da RTP de outrora. Os pais achavam que o deviam levar a um especialista. Cresceu, casou e teve filhos. Mas a mulher ainda hoje lhe diz "você não era normal, pode ter a certeza disso...".


Sobre o Metropolitan de Nova Iorque: http://www.metoperafamily.org/metopera/

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

CORTANDO A DIREITO

O Pano para mangas é uma dos mais interessantes e inteligentes rúbricas da rádio portuguesa. Acontece, nos dias de semana, na Antena Um, a partir das 7.45. Os temas são variados e versam, quase sempre, sobre questões do quotidiano, analisadas numa perspetiva crítica e politicamente descomprometida. O tom é informal e os textos são muito bem escritos. Há algum tempo, um especialista em comunicação, J.M. Nobre-Correia, escreveu, do alto da sua sapiência belga, que "Pano para mangas" [é] inacreditavelmente lido por quem não sabe o que é rádio (v. texto completo aqui). Eu não sei se sei o que é rádio, mas aquela leitura, feita com naturalidade e (até) com enganos, soa-me a verdadeira.

O tema desta manhã foi Hakamada Iwao, um japonês de 75 anos, que está preso há 43 anos, sem que se tenha a certeza de que tenha cometido o crime de que foi acusado (vale a pena ouvir aqui).

O autor do Pano para mangas é o jornalista João Gobern (n. 1960), que comecei a ler no semanário Se7e. Já lá vão quase 30 anos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A CASA DE VERMEER

O meu amigo João Feliciano diz que recorro, com muita frequência, à memória neste blogue. É verdade. Recordações ou fragmentos de coisas passadas são evocados, como quem percorre uma velha estrada romana.


Várias conversas tidas nos últimos dias a propósito de um projeto com 22 anos (o da musealização da torre de menagem do castelo de Moura) fizeram-me recuar à primavera de 1989. Quando o Mariano Piçarra se instalou em Moura para tomar as primeiras medidas e lançar as primeiras ideias para uma obra que só agora está em curso. Numa das noites em que andávamos por aí à deriva fomos visitar o antigo quartel dos bombeiros, onde seria mais tarde instalado o Museu Gordillo. O Mariano ficou perfeitamente fascinado com os mosaicos hidráulicos brancos e pretos do pavimento. Por causa de Vermeer. Na casa de banho do edifício uma velha banheira em pedra compunha o cenário. O Mariano fez algumas fotografias daquele compartimento. Curiosamente, acho que nunca as ampliou nem pensou em expô-las.


Naquela casa, antes de ser quartel de bombeiros e muito antes de ser museu, viveram pessoas. Que não imaginavam que um dia, daí a muitos anos, alguém entraria no local onde se banhavam para tirar fotografias, por causa de uns mosaicos que evocavam Vermeer. A memória, João? É fundamental.


Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


O poema é de Ruy Belo. O quadro, Carta de Amor, foi pintado por Johannes Vermeer (1632-1675) por volta de 1669. Está hoje em exposição no Rijksmuseum, em Amesterdão.

Ver: http://www.essentialvermeer.com/

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

REJEIÇÃO LIMINAR

O Poder Local democrático é uma das mais importantes e decisivas conquistas do 25 de abril de 1974.


Ao longo de 35 anos, uma parte muito importante do desenvolvimento do País passou pela atividade das autarquias locais e seus orgãos. Com todas as dificuldades, limitações e, até, com erros cometidos, Portugal progrediu de forma considerável graças ao esforço conjunto das populações e dos eleitos locais que legitimamente as representam.


A autonomia dos municípios, cujo espírito de liberdade tanto desconforto tem causado ao Poder Central, é agora ameaçada pelo chamado Documento Verde de Reforma da Administração Local, que assenta em três princípios:


1. Reforma de Gestão;
2. Reforma do Território;
3. Reforma Política;


Estes princípios, se levados à prática tal como preconiza o Documento Verde, transformarão as autarquias locais em entidades subsidiárias do Poder Central, dele dependendo de uma forma que deixa Municípios e Freguesias com a sua autonomia substancialmente limitada. Aproveitando elementos conjunturais e procurando tirar partido de um momento de dificuldade, o Governo mais não faz que tentar coartar de forma drástica a autonomia do Poder Local.

Tais princípios e propostas traduzem-se, na prática:
a) Numa menor capacidade operativa dos municípios, cujo número de quadros dirigentes é reduzido de modo radical, diminuindo assim a capacidade de coordenação e de intervenção das autarquias;
b) Na supressão de freguesias, baseando-se tal corte em pressupostos que nada têm a ver com gestão do território e sim em lógicas quantitativas alheias a uma efetiva ação de proximidade que aqueles órgãos garantem;
c) Numa lógica de desvalorização dos princípios de representatividade democrática (através da introdução de executivos monocolores) e de diminuição da capacidade de intervenção dos eleitos (traduzida na restrição do número de eleitos em regime de permanência), fatores que implicarão, necessariamente, uma menor capacidade de intervenção;
d) Na prevista revisão da Lei das Finanças Locais, domínio onde novos cortes são já anunciados, diminuindo-se assim a autonomia dos municípios e tornando-os totalmente dependentes do Poder Central.

O Documento Verde tem a presunção de resolver os problemas do Poder Local, sem que tais problemas sejam identificados e justificados.Considerando o caráter anti-democrático do novo projeto de enquadramento do Poder Local, e a inoportunidade da sua aplicação, que se considera lesiva dos interesses das populações, a Câmara Municipal de Moura reprova o Documento Verde de Reforma da Administração Local, rejeitando liminarmente as propostas nele incluídas.




Num encontro tido há semanas com um amigo de escola, da área do poder, ouvi esta curiosa despedida: "vou visitar-te a Moura quando fores nomeado presidente da câmara". Fiz-lhe notar o equívoco.



O texto que acima reproduzi foi aprovado por unanimidade (votos da CDU e do PS) na reunião de câmara do passado dia 5, que teve lugar em Moura. Disse outro velho amigo meu a propósito do Documento Verde "não sabe no que se estão a meter...". Acho que sabem, e muito bem. Com a conivência de muito boa gente preparam-se para transformar as autarquias em algo muito semelhante ao que eram antes do 25 de abril. Já só falta nomearem os presidentes de câmara. Vontade não lhes falta.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BEJA - IMAGENS DA CIDADE ANTIGA (adiamento)

Razões de ordem financeira levaram ao adiamento do colóquio Beja - imagens da cidade antiga, que deveria ter lugar no final desta semana (v. anúncio e programa aqui).


O evento está agora agendado para o mês de fevereiro de 2012.

MÁRIO ELIAS (1934-2011)

Fotografia: João Romba



Era o vagabundo intelectual da vila. E a sua figura mais estimada. Muitas das suas frases eram uma estranha mistura de leituras feitas em tempos, de ideias mais ou menos feitas, de anarquismo puro e duro e de provocações. Ouvi-lo dizer-me "não passas de um intelectual conformista" ou "és um burguês sem o sentido da inovação" eram coisas habituais. Que eram seguidas de gargalhadas estridentes. As dele e as minhas. O Mário Elias ficava sempre um pouco chateado de eu não o levar a sério, convenhamos...


Há uma Casa das Artes em Mértola que tem o seu nome. Mesmo com essa justa homenagem (feita em vida, haja Deus), a verdade é que a vila perde uma das suas figuras mais emblemáticas. E a vila fica, sem dúvida, mais pobre.

JOSÉ CUTILEIRO, O EXTERMINADOR

Há coisas que me fazem rir. Foi o caso deste excerto de um artigo do embaixador José Cutileiro, no Expresso:


Bashar al-Assad, que na peugada do pai vai em 40 anos de mando firme do país pela família, não parece querer mudar de método que foi remédio santo em apertos anteriores. (Em 1982, o pai, para acalmar fundamentalismo sunita na cidade de Hama, mandou matar os seus 20 mil habitantes e terraplená-los a seguir).


O que me faz rir não são, como é evidente, os 20.000 mortos. Teria, em todo o caso sido útil que José Cutileiro contasse a história completa dos acontecimentos de Hama... A parte extraordinária é a afirmação de que Hafez el-Assad teria mandado assassinar os habitantes da cidade e depois terraplená-los. Um pequeno detalhe: Hama é a 4ª cidade da Síria e tem mais de 600.000 habitantes. Coisas que acontecem a quem vê o mundo a partir de salas com carpetes fofas...


Os acontecimentos de Hama - versão criativa

domingo, 9 de outubro de 2011

APÓSTROFE AO OCEANO

Ontem, um dos canais televisivo passou de novo As pontes de Madison County. Boa parte da crítica flagelou o filme. Xaroposo foi o qualificativo mais gentil. Gosto muito deste filme, rodado por Clint Eastwood em 1995. No final surge um poema, com o título de For F. Na realidade, é um excerto da Apóstrofe ao Oceano, de Byron. Um bom pretexto para transcrever essa parte do poema e para lhe juntar uma fotografia de Richard Misrach, autor que já por aqui passou.


There is a pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society where none intrudes,
By the deep Sea, and music in its roar:
I love not Man the less, but Nature more, (...)

"Há um tal prazer nos bosques inexplorados;
Há uma tal beleza na solitária praia;
Há uma sociedade que ninguém invade,
perto do mar profundo
e da música do seu bramir:
Não que ame menos o homem,
mas amo mais a Natureza".

A versão em língua portuguesa foi recolhida aqui.

DIA MUNDIAL DO QUE NÃO TEMOS EM SAFARA

Hoje é Dia Mundial dos Correios.

Aqui pelo Alentejo não temos grandes motivos para comemorar. O encerramento dos Correios em Safara é mais uma peça da desertificação. Menos correios, menos GNR, menos escolas, menos freguesias. Anuncia-se, também, a desativação de cerca de 500 km. de ferrovias, com destaque para as linhas regionais (pois claro...). O interior está à beira de fechar de vez (v. aqui). Pelo andar que isto leva, não tardará muito.

Foto: David Rodrigues - http:://nimages.blogspot.com/

sábado, 8 de outubro de 2011

NO PASA NADA

É assunto que me tem interessado. Milhares de pessoas manifestam-se em Nova Iorque contra a ganância do capitalismo. A polícia prende 700 (setecentos) manifestantes. A confusão nas ruas é generalizada, com protestos duros e uma ameaça de ocupação da Wall Street.

O sistema informativo, tão lesto a propagandear todas as primaveras libertadoras, chuta o assunto para canto. Os jornais, sempre tão rápidos a darem-nos notícias sobre os protestos em Kiev, em Homs, em Benghazi ou no Cairo, fecham agora a boca com firmeza. Protestos em Nova Iorque? Quais protestos? Está tudo calmo, no pasa nada... Setecentos presos? Delinquentes, decerto...

O caráter vesgo das centrais de informação e de comunicação - o Grande Irmão vigia-nos desde há muito - é peça essencial no sistema de dominação e de opressão. Veja-se a história de Zainab al-Hosni para se entender o significado da palavra manipulação.

Ver: http://occupywallst.org/

Editor de jornal procurando identificar Wall Street num mapa dado pelo patrão

BARCELONA



Iniciemos o fim-de-semana com a recordação musical de um sítio excecional. Há duetos improváveis e este caso é um deles. Freddie Mercury (1946-1991) e Montserrat Caballé (n. 1933) cantam a Barcelona. La superba e um simples cantor pop, num ambiente feérico e de celebração.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PARES III: IRINA RODNINA E ALEXANDER ZAITSEV




Terceira ronda pelo tema "pares". Para recordar um par célebre na década de 70, os soviéticos Irina Rodnina e Alexander Zaitsev. Eram irritantemente eficazes. Em especial ela, 3 vezes campeã olímpica, 10 vezes campeã do mundo, 10 vezes campeã europeia.

Os campeonatos de patinagem artística - um dos suprassumos do kitsch - apareciam, em direto, ao fim da tarde. Na RTP 1, a branco e preto. Eles ganhavam sempre, seguidos de um sortido de búlgaros, polacos e alemães democráticos. A estes o João chamava sempre os alemães comunistas, para acrescentar, sempre, "sim, que aquilo de democrático não tem nada!".

O penteado de Irina Rodnina fez escola entre as militantes do PCP da década de 70. Zita Seabra foi uma delas. Ainda hoje há resistentes no CC que adotam aquela griffe. Suponho que por inércia, mais que por homenagem aos dias do brejnevismo...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

LISBOA - TOMAS TRANSTRÖMER




Escuso de estar a armar. Nunca tinha ouvido falar em Tomas Tranströmer (n. 1931), o poeta sueco a quem foi atribuído o Nobel. É sempre um grande momento do ano literário, embora nem sempre o prémio seja atribuído a grandes autores. Não o ganharam nomes maiores, como James Joyce ou Marcel Proust ou Henrik Ibsen ou Henry James ou Graham Greene ou Jorge Luis Borges ou...


O poema que aqui fica, sobre Lisboa, foi publicado hoje no "Público" com um delicioso equívoco, pois juntaram ao texto uma fotografia do Porto...


Lisboa


No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.

Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.

Acenavam através das grades.

Gritavam que lhes tirassem o retrato.


“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,

“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada

e lá no cimo um homem à janela,

tinha um óculo e olhava para o mar.


Roupa branca no azul. Os muros quentes.

As moscas liam cartas microscópicas.

Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:

“será verdade ou só um sonho meu?”


Tradução de Vasco Graça Moura


A fotografia que escolhi é de um livro mítico: Lisboa, cidade triste e alegre, de Victor Palla e Costa Martins, uma edição de 1959.

STEVE JOBS (1955-2011)

Acaba de ser divulgada a aguardada notícia da morte de Steve Jobs. Há quase dois anos prestei aqui homenagem ao criador dos Macintosh:

O que é que os Mac têm de diferente? Fiabilidade, estética (sim, estética!), facilidade de utilização, cor e uma criatividade sem limite (o que os outros têm os Mac tiveram antes). São caros? Pois são. Os Mercedes também. Mas são melhores.

Comparados com o junk-food dos PC, os Mac e, de um modo geral, as criações da Apple parecem saídas de outro planeta. Steve Jobs entrou há horas no panteão dos imortais. Por ter feito o que outros não fizeram, nem sonharam fazer.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

JOSÉ EDUARDO CAVACO

No próximo dia 20 de outubro o mourense José Eduardo Cavaco receberá a Medalha de Mérito Municipal, atribuída pela Câmara da Covilhã, cidade onde, desde há muito, está radicado.

Alguns elementos da sua biografia, que podem ser vistos de forma mais detalhada no Portal de Moura:

É natural de Moura, onde estudou até ao 12º ano na Escola Secundária de Moura (1987).
Licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve (1992)
Doutorado em Biomedicina pela Universidade de Utrecht (Holanda – 1998)
Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da Universidade da Beira Interior, Covilhã, desde 2002. Integra o grupo de investigação de Endocrinologia e Reprodução do Centro de Investigação em Ciências da Saúde, onde co-orienta vários estudantes de doutoramento em Biomedicina e de mestrado em Ciências Biomédicas. No âmbito da sua actividade pedagógica é coordenador de várias unidades curriculares; pertence ao Conselho Científico da FSC entre outros cargos.

José Eduardo Cavaco é músico clarinetista da S.F.U.M. “Os Amarelos” (Moura) há 29 anos, tendo concluído o 8º grau do conservatório em clarinete em 2004. Desde o dia 1 de Julho de 2005 é o Director Artístico da Banda da Covilhã, e seu presidente desde 2009.

É membro da Assembleia de Freguesia da Conceição (Covilhã). Pertence ao Lions Clube de Belmonte – Pedro Álvares Cabral. É Presidente da União de Bandas do Concelho da Covilhã.

Acrescento eu outra coisa, que me parece importante: o José Eduardo continua, apesar de um currículo deveras impressionante, a ser um moço simples e despretensioso. É sempre um prazer reencontrá-lo. Espero pela próxima passagem dele por Moura para o felicitar pessoalmente.

Provavelmente ele não vai achar muita graça a esta, mas não resisto. Aqui fica o mail para quem lhe quiser enviar os parabéns:

jcavaco@fcsaude.ubi.pt