segunda-feira, 11 de junho de 2012

O GRITO


Munch já por aqui passou. Na altura não reproduzi O grito, mas faço-o agora. Porquê? Porque o quadro - uma das suas versões, melhor dizendo - integra agora a lista dos quadros mais caros do mundo. Ocupa, desde há cerca de um mês, o oitavo lugar do ranking. Foi vendido por um pouco mais de 119 milhões de dólares. Quem comprou? A família real do Qatar.

Este quadro de Edvard Munch tournou-se a sua obra mais conhecida e, sem que ele o pudesse sequer sonhar, haveria de se converter num ícone global da segunda metade do século XX.

Munch não leu Florbela Espanca. Nem é provável que a poetisa tivesse visto algum quadro dele. Às vezes, para se estar próximo basta a sintonia.

Noite Trágica 
O pavor e a angústia andam dançando...
Um sino grita endechas de poentes...
Na meia-noite d´hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!...

Tenho medo da noite!... Padre nosso
Que estais no céu... O que minh´alma teme!
Tenho medo da noite!... Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria dor parece...

Ó noite imensa, ó noite do Calvário,
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não ´squece!

Sem comentários: