terça-feira, 31 de julho de 2012

CRYSTAL SPRINGS, MISSISSIPPI

AINDA QUE MAL

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

(As impurezas do branco, 1973)


O texto tem a ver com expetativas. O casamento tem a ver com expetativas. Mas não em Crystal Springs. Em Crystal Springs, Mississippi não conhecem, aposto!, Drummond de Andrade. Mas naquela vilória de 5.000 habitantes, 55% dos quais são negros, conhecem bem a palavra preconceito. Daí que mesmo sem conhecerem Drummond de Andrade há igrejas que não permitem casamentos entre negros. Um casamento interracial deve dar origem a marcha do KKK.

A fotografia é do baiano Pierre Verger.

NETBANHADAS.COM

Serve este post para desabafar e maldizer publicamente o sistema de vendas pela net. Não é que tenha sido vítima de nenhum esquema mafioso ou enfiado algum barrete. Mas se me tivesse fiado apenas na net tinha ficado a pé. Ou quase. Os bilhetes para o Met Opera Live esgotaram antes de serem postos à venda. E em Portugal só a Gulbenkian disponibiliza tais espetáculos. Pior e mais desgraçado ainda foi o topete do sítio tauroentrada, que vendia bilhetes para a corrida da próxima sexta-feira, em Huelva, a 230 euros. Que era um lugar VIP e tal... Está bem que é o José Tomás, mas 230 euros... Vão roubar para a carretera, dá vontade de dizer.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

DE COMO A TUTELA LEVOU A SUA AVANTE E SANEOU O DIRETOR DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA

Conheço o Luís Raposo há cerca de 20 anos. Trabalhei com ele em dois projetos, dos quais conservo gratas recordações: as exposições Portugal Islâmico, em 1997/98 (no Museu Nacional de Arqueologia), e Lusa - a matriz portuguesa, em 2007 (no Banco do Brasil). Foi/é uma relação franca, que se tornou em amizade. Lembro-me que a exposição concretizada no MNA não foi isenta de tensões e de discussões, por vezes acesas. Tudo se ultrapassou, com pragmatismo, e ainda que com algum espalhafato à mistura (para alguma coisa somos mediterrânicos...).

O Luís Raposo colocou o MNA num lugar de destaque dos museus nacionais. Exposições, catálogos, conferências, ações de formação, ciclos de cinema, visitas guiadas, um número infindável de iniciativas marcadas pela qualidade. Concretiizadas com recursos financeiros diminutos. Como várias vezes tenho dito, e escrito, admiro imenso o trabalho do Luís à frente do MNA. Mais ainda, respeito a frontalidade com que defendeu princípios e convicções. Em especial no caso da Cordoaria. Bem como nas fundamentadas opiniões sobre a política museológica da Pátria. A tutela não gostou. A tutela não perdoou. Tentou, primeiro, uma não renovação à má fila. Aproveitou, depois, uma alteração da lei, para arrumar Luís Raposo. Um episódio triste. O Luís sai de cabeça erguida. Já a tutela...

E já que se fala no diretor que sai, aqui fica uma palavra de apreço e de votos de sucesso para o António Carvalho, um colega que se distinguiu pelo grande dinamismo que imprimiu à área cultural em Cascais. Oxalá a tutela o trate com respeito. Ele merece e o MNA precisa.

 

LUZ PERPÉTUA

Mais uma pequena (e inofensiva) mania: colecionar imagens sobre o tema do fogo e da luz. Nada de piromania. Apenas o resgisto dos reflexos nos nossos dias de mais uma tradição vinda do oriente. Da qual temos testemunho sobre a forma de iluminar na eternidade o percurso dos homens notáveis. Esse hábito chegou à pedra dos jazigos. E a representações tão insólitas como esta, que podemos ver à entrada do quartel de Vendas Novas.

Lux Aeterna é o nome de uma peça musical do meu panteão. Sim, faz parte da banda sonora de 2001, de Kubrick.


Lux æterna luceat eis, Domine,
cum sanctis tuis in æternum,
quia pius es.
Requiem æternam dona eis, Domine;
et lux perpetua luceat eis ;
cum Sanctis tuis in æternum,
quia pius es.

domingo, 29 de julho de 2012

UM POUCO DE SUBSERVIÊNCIA OLÍMPICA

Os Jogos Olímpicos dão-nos a oportunidade, de 4 em 4 anos, de assistirmos a um estendal de racismo, de paternalismo, de tiques de superioridade ocidental e de uma insuperável subserviência ante os Estados Unidos.

Somos bombardeados com informações e mais informações sobre as vedetas e as estrelas. Ou é o Phelps, ou são os da NBA, ou é o Romney que foi a Londres dizer bacoradas e levou nas orelhas etc. etc.

Ontem à noite, a imprensa portuguesa on-line esmerou-se. A vedeta das notícias? O norte-americano Lochte, que ganhou os 400 metros estilos, sem bater nenhum recorde. E sobre a chinesa Ye Shiwen, que venceu a mesma prova, estabelecendo novo recorde do mundo? Quase nada.

Vá lá, agora todos em coro nas redações dos jornais:
IU-ESSE-EI
IU-ESSE-EI
IU-ESSE-EI
 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

PLANO DE PORMENOR - ALDEIA DA ESTRELA


O mar estava a chegar à aldeia da Estrela quando a fotografia foi tirada. Hoje, o mar de Alqueva está bem mais perto.

Foi ontem aprovado, em reunião de câmara, o Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela. O passo seguinte, e derradeiro, terá lugar a 3 de agosto, com a Assembleia Municipal Extraordinária, que irá votar o documento.

O PP da Estrela é um dos muitos dossiês que dará um bom par de laudas, quando passar a escrito a minha aventura na república autárquica.

Passar o PP à prática é um desafio de monta. Sobretudo nesta fase. É natural que me digam "não vão conseguir". Foi exatamente isso que ouvi, até internamente, com as Parcerias para a Regeneração Urbana. Fizémos exatamente o contrário. Avançámos porque, caso contrário, perderíamos uma oportunidade única. O futuro é em frente e não para o lado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

JACKIE BROWN

Neste dia, que é o meu, escolho um filme de que gosto. Por muitas razões. Pela música dos Delfonics, que Quentin Tarantino resgatou ao esquecimento e foi buscar ao distante ano de 1970. Pela história, um típico e intrincado argumento tarantiniano. Por Pam Grier, vedeta dos tempos do blaxpoitation, que costumava ver da mesa F5 do Pavilhão Mourense. Mas há uma razão extra. Esta cena derradeira do filme. Pam Grier/Jackie Brown pergunta a Robert Forster/Max Cherry se ele tem medo dela. Ele admite que sim, um pouco. Ela parte de seguida, prometendo que enviará um bilhete postal de Espanha. Uma terra onde só se janta depois da meia-noite...



Jackie Brown é um filme de 1997.  É um filme para quem gosta de Cinema. E para gosta de alimentar memórias cinéfilas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

HÁ UM VELHO PORTUGAL QUE ESPERA POR SI


Há um velho Portugal que julgávamos adormecido e que, de vez em quando, dá sinais. A Direita não brinca em serviço. E, sempre que pode, exibe a sua proverbial arrogância. Hoje, entre as páginas 46 e 48 do Público tivémos o velho Portugal fascizante em todo o esplendor. Primeiro, através da pompa balofa de Paulo Rangel, que afirmou, em rodapé a uma série de beatas considerações sobre Portugal, que José Hermano Saraiva foi "o exemplo ético do serviço a causas". Pior ainda, um dos jovens lobos do futuro político da Pátria, Pedro Lomba, teve a sórdida ideia de colocar em pé de igualdade José Hermano Saraiva, Helena Cidade Moura e Pedro Ramos de Almeida. Com a não menos beata ideia de que precisamos de "apaziguamento".

Precisamos, sobretudo, de estar atentos. E de combater os Rangéis e os Lombas desta vida.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

UMA QUESTÃO DE FORMATO


Ofereci, há umas semanas, um dos meus livrinhos de fotografia a uma arquiteta que passou por Moura. Olhou-o atentamente e disse, de seguida, "gosto deste formato". Os livros são de pequena dimensão (16x16), uma maneira de os conseguir levar à prática, sem custos de impressão disparatados.

Achei graça ao comentário, e lembrei-me de outro. Há uns dez anos fui convidado a fazer uma exposição na igreja de Santiago, em Monsaraz. Envergonhado com a ideia, aceitei, embora escondendo-me detrás de um pseudónimo disparatado (Simon Goldstein...), ao qual acrescentei uma biografia improvável.

Um dos visitantes da inauguração era um amigo dos tempos de faculdade, historiador de arte prestigiado e diretor de um museu nacional. Via as fotografias com atenção, quando lhe perguntei "que te parece?". Manifestamente, o meu esforço não o convencia. Não me querendo magoar com uma opinião frontal nem dizer que gostava optou por um comentário à Woody Allen, dizendo, no seu tom quase lento, "gosto de fotografias que respeitam o formato original do negativo". Aqui está como um crítico de arte pode dizer a verdade não a dizendo.

Apesar das óbvias limitações artísticas não desisti. À exposição seguiram-se três publicações: "Síria" (2005), "Mar do meio" (2009) e "Moura-Bissau" (2010).  Pertence a este último a fotografia da djambacós, fotografada no bairro de Santa Luzia. Na calha andam Roma e Bolama.

domingo, 22 de julho de 2012

LA MER


Praia do Esquecimento 

Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada.
A minha vida nem consente
rumor de gente
na praia desolada.

Apenas decisão de esquecimento:
mas só neste momento eu a descubro
como a um fruto rubro
de que, sem já sabê-lo, me sustento.

E do Sol amarelo que há no céu
somente sei que me queimou a pele.
Juro: nem dei por ele
quando nasceu.

Sete dias de paragem. A chegada não será, decerto, tão espetacular como a de Mr. Bean, num dos mais belos finais de filme dos últimos anos (v. aqui).

Poema de David Mourão-Ferreira e fotografia de Richard Misrach.

sábado, 21 de julho de 2012

A ECONOMIA, O PÉNIS E TATU WESTLING


A notícia tem uns meses, mas só agora se difundiu na imprensa portuguesa. Tate Westling, investigador da área de Economia da Universidade de Helsínquia, fez um "estudo" (vá lá a gente saber como!) e chegou à conclusão que onde o tamanho do pénis é maior, o crescimento económico é menor. O Ministério da Ciência da Finlândia lá sabe os estudos que financia...

O link do despacho da LUSA de ontem à tarde chegou-me num mail de um velho amigo, nascido em Bissau, que comentou, sibilino, "está, pois, explicado o subdesenvolvimento africano".

Na fotografia vemos Condoleeza Rice, presumivelmente dissertando sobre a economia norueguesa.

TDT

A teoria é uma coisa interessante. Em especial quando, na prática, funciona. É esse o problema da TDT no concelho de Moura. Desde o princípio que manifestámos dúvidas quanto à eficácia do sistema (v. aqui). Desgraçadamente, o tempo deu-nos razão. Já nem falo de uma cobertura apenas parcial do território, o que levou muitas pessoas a terem de optar pelo recurso ao satélite. Refiro-me à insuficiência ou falta de sinal em zonas do concelho onde a cobertura devia existir.

Foi isso que me levou, ontem, a Lisboa, para uma reunião com um administrador executivo da PT. Que estranhou a situação e se compremeteu a enviar uma equipa de fiscalização ao terreno para verificar o que se passa e proceder a medições. São muitas as ruas, em várias localidades do concelho, onde o site da TDT garante que há cobertura e onde nada se vê.

Pior ainda, há relatos de equipamentos vendidos a preços exorbitantes, sem justificação visível. A Câmara Municipal de Moura mantém, no âmbito das suas competências, empenhamento em contribuir para a resolução deste problema.

E irá continuar a acompanhar a situação e a manter diálogo com a ANACOM  e com a PT para garantir que os interesses da população serão salvaguardados.







DOS TLP À PT: IMAGENS DO PASSADO E DO FUTURO


Ao entrar na sala de reuniões da Administração da PT não pude deixar de olhar para a árvore. Tive depois a certeza que a árvore era mesmo aquela. O eng. Alfredo Baptista, ainda que um pouco surpreendido pelo que lhe contei, confirmou-me que, em 1974, aquele era o gabinete do diretor-geral dos TLP. Que se passara, então? Logo a seguir ao 25 de abril teve lugar a primeira ação de luta dos funcionários dos CTT e dos TLP. Num dos momentos de maior tensão, um trabalhador sobe à árvore e invetiva alguém que está dentro do edifício. A câmara da televisão está do lado de dentro e regista o protesto, impensável umas semanas antes. Ao sair deparei com um elevador decorado ao estilo de uma discoteca ou de uma nave de filme de ficção científica. Luzes coloridas a girar e um ambiente feérico. O que diria o trabalhador dos dias de protesto de uma coisa destas?

A PROPÓSITO DE SOFÁS - 7/7

A dançarina espanhola de Montes Claros
Dança e redança na sala mestiça.
Cem olhos morenos estão despindo
Seu corpo gordo picado de mosquito.

Tem um sinal de bala na coxa direita,
O riso postiço de um dente de ouro,
Mas é linda, linda, gorda e satisfeita.
Como rebola as nádegas amarelas!
Cem olhos brasileiros estão seguindo
O balanço doce e mole de suas tetas.



Generoso encuentro con la belleza original é o nome da fotografia de Ouka Leele. Tecnicamente falando, ela não está num sofá. É o que menos importa. Ao ver a imagem lembrei-me deste poema de Drummond de Andrade.

Assim se encerra a série sobre sofás. Motivada por um comentário de um amigo. Que acha que os funcionários públicos têm uma certa fixação com os sofás.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A AMNÉSIA LAVA MAIS BRANCO

O falecimento de José Hermano Saraiva, antigo ministro e antigo embaixador do fascismo, veio contribuir para o branqueamento do regime anterior ao 25 de abril.

O conhecido comunicador e divulgador da História mereceu a Pedro Passos Coelho este fantástico testemunho:

"Era uma personalidade muito especial da (...) nossa história. (...) foi uma personalidade que teve um percurso cívico extraordinário"

Extraodinário, sem dúvida. Os estudantes que foram alvo da repressão durante a crise académica de 1969 podem testemunhar a sua extraordinariedade.

Que descanse em paz. Mas que não se aproveite a sua popularidade de divulgador televisivo para, uma vez mais, se tentar fazer esquecer o fascismo.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

JIM JARMUSCH NOS AÇORES

Foi há mais de dez anos, nos Açores. Tínhamos ido passear a S. Jorge. Onde contratámos um taxista para nos mostrar os principais pontos da ilha. O início até nem foi mau. O pior foi o denso nevoeiro que se abateu sobre a ilha. Não se via um palmo à frente do nariz. Mas o taxista, profissionalíssimo, levou-nos a todos os miradouros da ilha. Apontava em frente e dizia: "ali em frente é a Terceira; quando não não está nevoeiro, vê-se muito bem" ou "o Pico, nos dias limpos, é muito bonito visto daqui". Só me conseguia lembrar da cena do filme Stranger than paradise, quando o trio vai ver o Lago Erie e depois não se vê nada por causa do nevoeiro. Bom, não havia a tia húngara, mas havia o taxista, que tinha um sotaque cerradíssimo.

Pode ser que um dia volte a S. Jorge. Para fazer o circuito dos miradouros. Sem a companhia de Jim Jarmusch.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

MIGUEL RELVAS NOS PIRINÉUS

A saga Miguel Relvas prossegue, fazendo lembrar os livros da Anita (da dupla belga Marlier/Delahaye).

Agora, na Volta à França, alguém se colocou em posição de ser visto em todo o mundo, com um cartaz onde se lê "Miguel Relvas vai estudar". Dou comigo a pensar que nos investigadores que se candidatam a bolsas doc e pós-doc, no esforço que fazem e de como a palavra mérito foi corrompida nos últimos anos. Miguel Relvas faz parte de um grupo de arrivistas sem vergonha, nem escrúpulos nem nada. Há mais na orla do poder e em certos setores da oposição. A palavra política torna-se sinónimo de vigarice. Não devia ser assim, mas é.

O Relvas, demitir-se? Não demite nada.

CLAUSURA

Quase repetição de um post do ano passado (v. aqui). São centenas de pedidos de bolsa de doutoramento e pós-doutoramento para avaliação em História e Arqueologia, divididos por um painel de 14 membros.

Dia de clausura no Instituto Superior Técnico, marcado por alguma angústia: em muitas das propostas pressentem-se anos de esforço e de trabalho. Há gente qualificadíssima que se arrisca a não poder continuar as suas investigações, porque os cortes atingem tudo e todos.

À saída, confessei ao Carlos Fabião que o edifício do Técnico me causava pesadelos. Parece que não é só a mim (v. aqui).

COMO SE DÁ CABO DE AUTOMÓVEIS COM UMA IDEIA GENIAL...

"Olhe-me nos olhos... eu disse nos olhos."

Pois... O pior é que os condutores se distraiam à procura dos olhos e, depois de muita chapa amolgada, as autoridades de Paris resolveram retirar o anúncio da parte de trás dos autocarros. Olhar as pessoas olhos nos olhos nem sempre é fácil.

terça-feira, 17 de julho de 2012

COMO QUASE SE DÁ CABO DE UMA IDEIA GENIAL...

Já por aqui têm passado anúncios, marca evidente de uma predileção pelo mundo da comunicação.

Este, da OPTIMUS, raia a genialidade. É um autêntico achado, a ideia de pôr os aldeões a cantar uma conhecida canção dos Beatles, que a marca de telemóveis tem usado de forma feliz. Agora esta da aldeia toda a cantar em inglês com um inconfundível sotaque transmontano é uma solução fantástica.

O quase tem a ver com a presença, absolutamente desnecessária do maestro Victorino d'Almeida, figura simpática mas que está ali a mais. Sem ele, o anúncio teria 20 valores. Assim, fica-se pelo 17, bom com distinção.

Veja-se o anúncio, que vale a pena:

segunda-feira, 16 de julho de 2012

OUTRA FESTA DA SENHORA DO CARMO


A muitos milhares de quilómetros de Moura há outra Senhora do Carmo. A festa que se celebra no dia 16 de Julho, em Saut d'Eau, no Haiti, é uma mistura de paganismo, bruxaria, voodoo, crença, fé, superstição e catolicismo. A água purificadora é o mote deste dia de uma Senhora do Carmo tropical. As fotografias são de André Lucat (em cima) e de Sergi Reboredo (em baixo).
 

IMAGENS DA FESTA - III

Post mourense:
 
Eureka!, bem pode gritar a Comissão de Festas de 2012, em Moura. É que aquela ideia de espalhar palcos pela baixa da cidade acabou com o ar um pouco decadente que a praça tinha nas noites de festa, porque a juventude zarpava para as docas (na esquina da Travessa das Cruzes com a Rua da Assaboeira, para quem não esteja a ver, coisa que duvido...). Assim, houve mais palcos, mais bares e mais animação. A Comissão não sofreu os revezes financeiros de anos anteriores e toda a gente ficou contente.

No domingo de manhã, quando dei as "hostilidades" por teminadas, havia muita gente contente. Segundo me disseram, às onze da manhã, ainda andavam por lá, arrastando o contentamento.

 

sábado, 14 de julho de 2012

IMAGENS DA FESTA - II

Estive, há pouco presente na sessão do lançamento do livro Grupo de Forcados Amadores de Moura - 40 anos de afición e amizade, da autoria dos meus amigos Alberto Franco e Armando Garcia. Uma obra importante sobre a história de um dos símbolos da cidade e do concelho. Um livro a ler detalhadamente nos próximos dias.

Para um pouco antes do outono fica a apresentação do site mourataurina, por várias vezes adiado. Mas a verdade é que não se pode, nem se deve, fazer tudo ao mesmo tempo. Aproveitei para convidar o eng. Joaquim Grave para participar num colóquio sobre o tema, nessa ocasião. Convite aceite, ficámos de acertar os pormenores nas próximas semanas.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ARQUEOLOGIA NA JUNTA DE S. JOÃO

O Campo Arqueológico de Mértola e a Junta de Freguesia de S. João Batista, em Moura, assinaram, esta tarde um protocolo de colaboração. A Junta irá apoiar as escavações em curso no castelo de Moura, as quais temos o prazer de dirigir (temos a Vanessa Gaspar, o José Gonçalo e eu). Esse apoio traduzir-se-á no financiamento de análises de carbono 14. É um financiamento muito grande em termos financeiros? Não é,  em termos absolutos, embora 600 euros sejam uma verba significativa para uma pequena junta. Mas o que mais importa e mais nos toca é a atitude e a disponibilidade do presidente José Armelim Fialho, da Maria de Jesus Mendes e da Ana Paula Patinhas.

As escavações no castelo de Moura continuam até final do mês. Serão retomadas em setembro e irão até final de outubro. O Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto e o Campo Arqueológico de Mértola, há muito envolvidos neste projeto, continuarão a dar todo o apoio à investigação.

I'M READY FOR MY CLOSE-UP...

É a segunda vez que Billy Wilder passa pelo blogue. Billy Wilder é um nome maior do cinema. E gosto muito em especial deste Sunset Boulevard, de 1950. Em Portugal intitulou-se O crepúsculo dos deuses. A cena final, que aqui vos deixo, é um dos mais belos e marcantes finais da História do Cinema. A atriz que enlouqueceu e que se julga uma estrela. E que está preparada para um close-up. A vida tem coisas também assim. De aqueles que estão preparados para um close-up, mas cuja imagem fica baça...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

IMAGENS DA FESTA - I


Algumas horas antes do começo das Festas de Moura: a cidade cuida-se e pinta-se. Nesta rua (a de Serpa) em especial. É por aqui que passa a procissão, no domingo.

CAPITALISMO RADICAL CHIC


O tempora, o mores... Um banco alemão resolveu usar a imagem de Karl Marx na nova versão dos cartões MasterCard. Talvez por se lembrarem do que se conta que dizia a viúva do conhecido filósofo: "o meu marido devia ter acumulado algum capital em vez de escrever tanto sobre ele".

A ESCRITA E O CORPO


Pede o desejo, Dama, que vos veja


Pede o desejo, Dama, que vos veja;
Não entende o que pede; está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado,
Que, quem o tem, não sabe o que deseja.

Não há cousa, a qual natural seja,
Que não queira perpétuo o seu estado;
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja.

Mas este puro afeito em mim se dana;
Que, como a grave pedra tem por arte
O centro desejar da Natureza,

Assi o pensamento, pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana,
Foi, Senhora, pedir esta baixeza.



A reputação do Poeta está bem de acordo com o espírito do seu soneto. Lembrei-me depois das fotografias do maliano Aloiune Ba e da sua série Corps écriture, de 2008. O Poeta gostaria deste corpo habitável, tenho disso a certeza.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A CADEIRA DE ARQUEOLOGIA DE MIGUEL RELVAS - PARTE II

Afinal, quem chumbou Miguel Relvas na cadeira de Arqueologia?

Nem mais nem menos que Luís Raposo. É o diretor do Museu Nacional de Arqueologia. Aquele competentíssimo diretor que o atual governo não quis reconduzir. Há coincidências levadas da breca...

O RELATÓRIO

A história é verídica e aconteceu há muitos anos. Naquele tempo, comecemos assim, que a narrativa merece, ainda não havia SIADAP nem a quantidade de estúpidos e inúteis relatórios e formulários que hoje temos de preencher. Mas a ameaça começava a esboçar-se.
Foi o que aconteceu naquele serviço. Chegou um jovem chefe. Vinha carregado de fórmulas e de gráficos. A rentabilidade, a ra-cio-na-li-za-ção, palavras assim. Achou que estava na ordem de organizar as coisas, de estabelecer hierarquias, de arrumar as peças e de dar um toque europeu e ocidental aquele setor de barbas por fazer e palitos ao canto da boca. Olhou em volta e escolheu o motorista mais antigo e mais credenciado. Arvorou-o em chefe do parque de máquinas ou coisa parecida. A partir daquele momento seria ele, o mais antigo e o mais credenciado, a reportar perante si próprio. Com um relatório. De forma moderna e europeia.
Durante uma semana, o serviço correu como sempre. Carros que saíam, carros que entravam, reparações, problemas a resolver, problemas que se resolviam.
Ao fim de uma semana, chegou o grande momento. Era necessário entregar o relatório. O tal relatório que poria o serviço, outrora antiquado e de palito ao canto na boca, no limiar da modernidade e do progresso. O motorista, o mais antigo e credenciado, estendeu ao novo chefe uma folha, onde estava o relatório, relatando o que devia ser relatado. O chefe olhou o papel e empalideceu. Eu não assisti e não posso jurar, mas acho que empalideceu. O relatório, o tal que iria lançar aquele setor na senda de uma germânica eficiência dizia apenas “ESTÁ TUDO NORMAL”. Claro ! Se estava tudo a correr bem e nada havia a dizer, que raio deveria ele escrever? O motorista mais antigo não sabia que a isso se chama “gestão por exceção”, mas o jovem chefe aprendeu depressa e desistiu dos relatórios e permitiu que o serviço voltasse ao velho e eficiente ritmo. Como aquele treinador de Beja que, ante o mau desempenho da equipa, declarou no intervalo “na segunda parte não há tática nem meia tática; ou seja, na defesa porrada, na avançada rematar às redes”. Os relatórios são necessários? São. A organização também. Mas nada pior do que querer impor esquemas de funcionamento rígidos e seguindo manuais e receitas.
O motorista está, há muito, reformado. Ainda no outro dia me cruzei com ele numa rua de Moura. Não lhe falei nesta história, com a qual três pessoas muito aprenderam: ele, o chefe dele e eu próprio.



Relator da era pré-computador recebendo a visita de um comissão de acompanhamento

Crónica publicada no jornal "A Planície" - 1.julho.2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

A CADEIRA DE ARQUEOLOGIA DE MIGUEL RELVAS

Juro que não tenho qualquer obsessão com a criatura, mas esta história do currículo académico de Miguel Relvas consegue irritar-me. Ao ler hoje o Público consegui melhorar um pouco. Relvas andou pelo 12º ano com notas da treta e conseguiu ser admitido na Universidade Livre. Depois de vários gloriosos chumbos nas cadeiras de Direito mudou para um curso "fácil": História. Onde voltou a chumbar. Em que cadeira? Arqueologia. Ora nem mais!

Quase tão bom como isso é o comboio de cadeiras onde teve equivalência (de quê, Deus meu?) com notas tão impressionantes como 10 (em 11 cadeiras) e 11 (em 21 cadeiras). Magnífico.


O VOO DA ARQUEOLOGIA

Estruturas modernas, uma rua do período almóada, uma ara romana na esquina de um edifício, fragmentos da história de uma Moura ignorada. Dentro de poucos meses esta parte do nosso passado comum será vista e explicada a partir do varandim do novo posto de turismo.

A arqueologia vista de cima é assim, um emaranhado de estruturas e de pavimentos, um patchwork do que ficou de vidas que habitaram nestes sítios. Fazer arqueologia tem um pouco de voyeurismo, desse espreitar pelo buraco da fechadura da História. Foi o que fiz ontem, pelas 17.30 neste voo breve.



Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!



Alberto Caeiro in "O guardador de rebanhos" (poema XLIII - 7/5/1914)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

HUSSERL E A FESTA DE MOURA

Há uns meses fui convidado a participar num colóquio sobre a minha área profissional, onde se discutia a forma de tornar vivas as cidades hoje desaparecidas. O colega que me antecedeu falou de coisas sérias, aquilo até meteu a fenomenologia, Husserl e uns palavrões difíceis. Quando me coube intervir, mostrei as dificuldades, dúvidas e propostas para a escavação de Moura, terminando com uma imagem de um insólito objeto fálico, encontrado dentro de um muro setecentista. Foi uma risada geral e um fartote de perguntas sobre o dito objeto. O colega do Husserl (antigo condiscípulo da Faculdade de Letras) ficou um tanto chateado e disse-me, no intervalo "vens para aqui com brincadeiras, continuas a não levar as coisas a sério". Levo pois, só que levo de uma maneira um pouco mais lúdica do que a fenomenologia e o Husserl.

Vem isto a propósito das Festas de Nossa Senhora do Carmo, em Moura. Começam na quinta-feira, daqui a umas 80 horas. Está na altura dos "exercícios de aquecimento" e, para os agnósticos como eu, de uma séria e empenhada preparação para a borga. Deixem lá o Husserl para outra altura.

Aqui fica o programa das festas:

domingo, 8 de julho de 2012

À MANEIRA ANTIGA


Início da faena de Javier Castaño, hoje em Pamplona, no terceiro da tarde. Sentado numa cadeira, à maneira antiga. Há coisas que gostamos sempre de ver.

PLÁCIDO DOMINGO


Um plácido final de semana, na realidade. Iniciado em Santo Amador, aldeia feita poema. Textos escritos ao longo das paredes. Como este:

Rio cristalino
nos bosques de cardos
lágrimas
dos peixes de ouro,
pranto, oh pranto,
sobre os precipícios.

Tão fundo é o rio
nos bosques de áruns
que se precipita
em voltas no abismo
- o rio estrondeia
por entre os loureiros.

Rio que eu amo,
leva-me, leva,
longe, tão longe,
pelo meio do campo,
sob as bátegas de chuva,
abraçado à amada.

Este está na Travessa do Lagar. Foi um longo percurso em final de tarde, entrecortado pelas vozes das mulheres e dos homens da aldeia.

Um pouco mais tarde, foi a vez de se inaugurar, no primeiro andar da Junta de Freguesia, uma bonita exposição de fotografia de Hugo Fernandes. A sala é banal mas todos os sítios banais têm momentos em que deixam de o ser. A exposição será vista noutros sítios.

A placidez dos dias continuou hoje, no Gargalão. Convívio da CDU em que se juntou quase uma centena de amigos. Com uma breve (breve, pelo padrão Fidel) intervenção do meu camarada José Pós-de-Mina, do Comité Central do PCP. E com uma visita a um sítio arqueológico, onde fomos levados pelo entusiasmo do José Gonçalo. Estas coisas são sempre meio esotéricas para os não-iniciados, mas ele lá mostrou aos céticos um fragmento de telha, que bate certo com a descrição feita por José Fragoso de Lima para os materiais de S. Pedro da Adiça, que fica do outro lado da ribeira:

“define, de manera geral, este tipo de teja curva la presencia de ornamentación incisa a lo largo de su cara exterior (…). En algunos casos, los bordes laterales  de dichas piezas cerámicas se presentan con cortes redondeados. Los citados ornamentos de la cara exterior los constituyen surcos sinuosos, algunos, por lo menos, al parecer, producidos con movimientos digitales” 

 

sábado, 7 de julho de 2012

A PROPÓSITO DE SOFÁS - 6/7

Não te envergonhes dos cabelos soltar como as Bacantes
e faz girar o colo emoldurado pela solta cabeleira.
Para os prazeres de Vénus praticar há mil maneiras.
Mas a mais repousante e menos complicada
é ficares sobre o flanco direito
meia deitada.
Sinta a mulher que os deleites de Vénus
ressoam nos abismos do seu ser;
e para os dois amantes
seja igual o prazer.
Nunca os doces murmúrios se interrompam
nem as palavras que escorrem quais carícias
e no meio das volúpias não se calem
aquelas que soam mais lascivas.


Ainda e sempre por causa de um velho amigo de direita que acha que a Função Pública tem uma certa fixação por "sofás", aqui vão a(s) maja(s), de Goya, e um excerto de A arte de amar, de Ovídio.

Curiosamente, Goya terá pintado primeiro a mulher despida, só a tendo vestido mais tarde... Os quadros estão no Museu do Prado, em Madrid. A Santa Inquisição gostou tanto deles que os sequestrou durante mais de 20 anos. A arte de amar tem cerca de 2000 anos. Refiro-me ao livro, bem entendido.

Ver: www.museodelprado.es

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ERVANÇUM 2012

Começa o verão, começa o festivo desassossego no concelho de Moura. O tiro de partida foi dado com os mastros populares. Segundo passo de uma via umas vezes mais sacra, outras menos: o Ervançum, hoje e amanhã, em Santo Amador. A organização é da Junta de Freguesia.

Aqui vai o programa:

Dia 06 (Sexta-feira)
19:00 Abertura oficial do Festival, com visita guiada ao projeto "Aldeia Poema", de Pedro Penilo, com atuação do Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Amador e do Grupo Coral Feminino da ADASA
21:00 Abertura da Exposição "Santo Amador - Guias da Alma", de Hugo Fernandes
22:00 "Tomar O SOL", pelo Teatro Fórum de Moura
23:30 Guents dy Rincon, (Cabo Verde)
01:00 Rogerinho do Acordeon e Forró de Lampião (Brasil)

Dia 07 (Sábado)
16:00 Lava-pés
20:00 Arruada de música com "Vil'Artes "
22:00 Olodum Maré (Brasil)
23:30 Escola de Samba Bota no Rego (Brasil)
1:30 Guents dy Rincon (Cabo Verde)

Organização: Junta de Freguesia de Santo Amador

Apoio: Câmara Municipal de Moura



BOM BOM BOM BOM JÁ JÁ JÁ JÁ

Tantos anos a estudar para acabar desempregado
Ou num emprego da treta, mal pago
E receber uma gorjeta que chamam salário
Eu não tirei o Curso Superior de Otário
...não é por falta de empenho
(...)
Alguém me arranje emprego
Bom bom bom bom
Já já já já



Os jovens da geração à rasca ainda não foram ouvidos. Miguel Relvas já já já já.





Aviso à navegação: BOSS AC atua hoje no Largo do Intendente, em Lisboa.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

EL DJAZAIR

Naquela quinta-feira, 5 de julho de 1962, a Argélia tornava-se independente. Depois de quase oito anos de sangrenta luta anticolonial nascia um novo país no norte de África. A extraordinária fotografia que se vê abaixo simboliza essa mistura de alegria e de juventude. A alegria desvaneceu-se bastante a partir do momento em que a generosidade da luta deu lugar a outras tentações. Tudo piorou na década de 90. A Argélia mantém-se, contudo, jovem e com um enorme potencial.

A Argélia faz hoje 50 anos. E Cabo Verde 37.

TABERNAS DE GRÂNDOLA

Não é um trabalho acabado, mas o tema tem potencial. O trabalho de investigação iniciado por João Melo Rodrigues sobre as tabernas de Grândola, apresentado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, lança pistas, que espero que possam agora vir a ser desenvolvidas.

É um estudo ainda necessariamente incompleto - pouco mais de seis meses para concluir um trabalho de projeto é pouco (salvo para Miguel Relvas, bem entendido) - mas há ideias que podem e devem merecer aprofundamento. Antes que as tabernas desapareçam de vez ou se tornem, apenas e só, uma curiosidade antropológica para um público urbano à procura de emoções vínicas. Ou que passem a bar à vins, daqueles onde se paga 5 euros por copo, onde o televisor passa ópera em vez de corridas de touros e onde parece mal falar alto.

Fotografia: José Manuel Rodrigues

quarta-feira, 4 de julho de 2012

FARGO

"Ternura" não é a palavra que me ocorra quando me lembro deste filme dos irmãos Coen. Fargo fica no Dakota do Norte e quase só vemos a brancura da neve durante todo o filme. Pelo menos é isso que recordo. Tal como não esqueço os constantes "ya", que remetem para a origem norte-europeia de muitos habitantes daquele estado.

Fargo é a história de um crime falhado. Foi classificado como comédia, mas a estupidez dos personagens é tanta que o riso é sempre amargo.

William Macy e Steve Buscemi representam, como sempre, os desastrados e os falhados. Não sei porquê mas o papel assenta-lhes como uma luva. Fargo tem várias cenas inesquecíveis. Escolhi esta, que não é tão forte como a da máquina de cortar madeira...