quarta-feira, 31 de julho de 2013

VIOLETA



Sempre teu lábio severo
Me chama de borboleta!
- Se eu deixo as rosas do prado
É só por ti - violeta!

Tu és formosa e modesta,
As outras são tão vaidosas!
Embora vivas na sombra
Amo-te mais do que às rosas.

A borboleta travessa
Vive de sol e de flores.
- Eu quero o sol de teus olhos,
O néctar dos teus amores!

Cativo de teu perfume
Não mais serei borboleta;
- Deixa eu dormir no teu seio,
Dá-me o teu mel - violeta!


Berthe Morisot com um ramo de violetas, pintado em 1872 por Édouard Manet (1832–1883) e um poema do romântico brasileiro Casimiro de Abreu (1839-1860). Encerrando um ciclo colorido.

terça-feira, 30 de julho de 2013

SLB 2013/14: UM MAU PRESSÁGIO


Diz a imprensa de hoje que Roberto ainda É do Benfica.
Isso é o que se chama má notícia.

NOSSA SENHORA DA ESTRELA


Foi a melhor surpresa dos últimos dias. Há pouco mais de uma semana, a Comissão Fabriqueira, apesar de satisfeita com o ritmo das obras, duvidava que fosse possível ter a igreja aberta ao público durante as festas. Saí da Estrela com a convicção de que ainda não seria neste ano que veria a procissão sair da igreja. Enganei-me.

Às 19.30 do passado domingo, seis meses e dez dias depois da celebração do contrato para a reabilitação do imóvel (v. aqui), a procissão saiu da igreja de Nossa Senhora da Estrela. Para trás ficaram anos de incumprimento por parte da EDIA.

No final, o pároco teve, publicamente, palavras simpáticas para com a Câmara de Moura, que apoiou o projeto e o financiou. Gostámos (o José Maria e eu) de ouvir o que foi dito.

Esta parte do restauro está concluída. O resto da intervenção terá de ser cumprido por fases. A próxima arrancará em 2014.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ADEUS FOSSA DAS MARIANAS!

Uma jornalista afirma (no DN de hoje) que estão a ser feitos trabalhos de arqueologia subaquática a 25 km. de profundidade. Só mesmo um português para aguentar tanta pressão.
 

MOURA: AUTÁRQUICAS 2013 - QUEM É QUEM

Hoje, pelas 15 horas, entregámos as listas da CDU no Tribunal de Moura. É mais um, e decisivo, passo no processo das autárquicas.

Aqui ficam os nomes dos cabeças de lista aos diferentes órgãos, bem como a identificação dos mandatários:

Câmara Municipal - Santiago Macias, 50 anos, historiador
Assembleia Municipal - José Maria Pós-de-Mina, 55 anos, gestor

União de Freguesias Moura/Santo Amador - Maria José Silva, 48 anos, educadora de infância
Freguesia de Amareleja - Agostinho Caro, 40 anos, motorista
União de Freguesias Safara/Santo Aleixo da Restauração - Antónia Baião, 59 anos, socióloga
Freguesia do Sobral da Adiça - Bruno Monteiro, 30 anos, psicólogo
Freguesia da Póvoa de S. Miguel - Manuel Filipe, 33 anos, técnico de segurança

Mandatária da candidatura - Ana Farinho, 40 anos, jurista
Mandatário de honra - Carlos Campaniço, 39 anos, escritor e programador cultural
Mandatário da juventude - Luís Rico, 21 anos, licenciado em marketing


Ver: http://cdumoura2013.blogspot.pt/ (toda a informação sobre a candidatura e as atividades desenvolvidas) 

domingo, 28 de julho de 2013

UNIÃO NACIONAL

Passos Coelho apelou à união nacional.

À primeira, a frase podia ser tomada como lapso.

À segunda parece burrice ou arrogância. Não é só isso. É coerência. Sempre assim pensaram. Só que agora perderam a vergonha.

MOURA - GRUPOS 21 A 31

Fechou-se ontem o plano de gravações para o DVD musical do concelho de Moura. A última banda a entrar em palco foi a da Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense. Nem mais nem menos que a mais antiga agremiação cultural do concelho. A SFUMA existe desde 1858, o que quer dizer que completou há pouco 153 anos. Não se nota nada.

Gravaram um tema da autoria de João Paulo Martins, um dos músicos da banda.



Aqui fica o registo de imagem e, com a autorização do maestro Agostinho Lourinho, de um momento de ensaio.

O balanço deste projeto será feito dentro de dias. Neste momento trabalha-se na programação que envolverá o lançamento. Este já tem data: 13 de setembro, durante a feira anual.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

ARE YOU COMFORTABLE WITH FIRST NAMES?

A senhora era americana e entendeu por bem perguntar-me se nos podíamos tratar pelo primeiro nome. Podíamos, claro. Os first names americanos dão uma certa, e equívoca, ideia igualitária. Álvaro Santos Pereira insistiu que o tratassem pelo primeiro nome, sem perceber que essas coisas não funcionam a pedido. Ainda para mais no País do "simsôtor". Deu o flanco e foi ridicularizado.

Muitíssima gente me trata pelo primeiro nome. Nunca pedi para o fazerem. É assim porque é assim. Gosto que assim seja. Gosto menos de ouvir Santiago Augusto. Não tanto porque o nome tenha uma sonoridade estranha. Tem mesmo. Mas porque quando era puto e a minha mãe dizia Santiago Augusto era sinal que Houston, we have a problem a coisa ía dar para o torto...

Ontem, 25 de julho, foi o dia do meu santo. Na tradição espanhola, ainda há quem na família me felicite no dia do santo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CULTURA É CULTURA...


Num episódio dos Marretas, Sam the eagle diz que Nureyev é o seu cantor de ópera preferido. Quando lhe explicam que Nureyev era bailarino, Sam encolhe os ombros e responde cultura é cultura...

O governo português continua sem Ministério da Cultura. Passos Coelho the eagle também acha que cultura é cultura.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A PRIORIDADE IMEDIATA

Na proposta 1 do programa eleitoral do Partido Socialista para o concelho de Moura lê-se:

Alterar o Regulamento de Edificação e Recuperação Urbanística do Centro Histórico de Moura é uma prioridade imediata.

Claro que sim. Alterar o referido regulamento seria uma boa ideia, caso ele existisse. Ora acontece que esse regulamento não existe...

O quadro intitula-se "As contrariedades do pensador".
É uma obra de Giorgio de Chirico. Data de 1937.

terça-feira, 23 de julho de 2013

MOURA - REGENERAÇÃO URBANA: DO CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO AOS QUARTÉIS



Interior e exterior da igreja do Convento do Espírito Santo. A obra da futura galeria de exposições aproxima-se do final. O que outrora foi uma quase ruína será, no futuro, um pólo importante na vida da cidade e do concelho. As pinturas murais que recentemente se descobriram, e restauraram, são motivo acrescido de interesse e que merecerão uma publicação apropriada.

O mesmo podemos dizer em relação aos Quartéis. Superadas as pesadas dificuldades que atrasaram a obra temos Quartéis. A vergonha de outrora deu lugar a algo de que todos nos podemos orgulhar. O futuro dos Quartéis passará pelo artesanato e pelas associações das nossas terras. Espaços de animação darão outra vida ao centenário edifício.

Não são necessárias muitas palavras para ilustrar o que se diz. Nem muitas imagens. O futuro da cidade e do concelho faz-se respeitando o seu passado.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

INDIGO


De sul para norte. Do indigo das roupas tradicionais tuaregues para os vidros, a que Carsten Bennerstal dá este tom.

A cor tem origem numa planta (Indigofera tinctoria). É à volta dela que gira o poema do sino-americano Li-Young Lee:

It's late. I've come
to find the flower which blossoms
like a saint dying upside down.
The rose won't do, nor the iris.
I've come to find the moody one, the shy one,
downcast, grave, and isolated.
Now, blackness gathers in the grass,
and I am on my hands and knees.
What is its name?

Little sister, my indigo,

my secret, vaginal and sweet,
you unfurl yourself shamelessly
toward the ground. You burn. You live
a while in two worlds
at once.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

COMO MANUEL PIZARRO ME DERROTOU...

O primeiro filme que vi fora de horas foi o Patton. O melhor de tudo era o ator, George C. Scott. O argumento, de um certo Francis Ford Coppola, também tinha interesse. Patton/Scott era um militarão com piada e fazia um sorriso à malandro, assim de lado. Eu tinha 10 anos e levei uns dias a tentar, sem sucesso, sorrir de lado, à malandro. Como o Patton. A Júlia perguntou-me se me doía algum dente e eu desisti.

Ontem, um amigo mandou-me uma imagem do cartaz da campanha de Manuel Pizarro à Câmara do Porto e fiquei lixado. Então não é que o fulano consegue fazer aquele sorriso à malandro, que eu tanto invejava?

Quase tão bom como o sorriso é o jogo de palavras:

PORTO DO Manuel Pizarro
POR Manuel Pizarro
Ou, um pouco pior e um tanto Quim Barreiros,
PÔR TODO Manuel Pizarro

Em termos de comunicação, as autárquicas prometem.


D. RENATO II


D. Renato II (vénia profunda, fáxavor), príncipe do Ilhéu da Pontinha, concedeu autorização a Cavaco Silva para se deslocar às Selvagens. O Presidente da República irá lá pernoitar. Ou seja, não só vai dormir, como o pode fazer descansado e sem receio de ser detido pelas Forças Armadas do Principado.

Nestas alturas, sinto-me reconciliado com o meu País...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A LUCKY LUKE DE CASCAIS


Quem é que concebe estas coisas?

UNDERGROUND



É o princípio do filme e está dado o mote. O tema, em volta de pessoas que vivem debaixo do chão durante a II Guerra Mundial, tem contornos irreais. A obra é de uma enorme tensão, à qual não é alheia a guerra que estilhaçava a Jugoslávia. O ritmo frenético, a música, a versatilidade, o saber contar uma história deixam-me cheio de inveja. É feio ter inveja, mas esta não é malévola. Juro.

Underground é um filme de 1995, da autoria de Emir Kusturica (n. 1954). É o filme da semana.

terça-feira, 16 de julho de 2013

DOIS MESES E MEIO ANTES DAS AUTÁRQUICAS

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São pouco frequentes as minhas crónicas dedicadas ao tema “política”. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque há vida para lá da política e há muitas outras coisas de que gosto. Depois, porque me parece algo monótono alguém que tem responsabilidades políticas diretas neste concelho estar sempre a falar do mesmo tema. Finalmente, e esta razão não é contraditória, porque a atividade política não se esgota nas nossas funções públicas. Ou seja, há formas de um cidadão comunicar e intervir sem estar sempre a bater na mesma tecla. Excetuando as crónicas de cariz “confessional”, são também crónicas políticas aquelas que se ocupam de temas como a torre de menagem do castelo de Moura, os trabalhos arqueológicos ou a descoberta de documentos sobre a história do concelho.
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Dito isto, aqui fica a exceção que esta crónica é. Quando a edição de “A Planície” de 15 de julho estiver nas bancas faltarão sensivelmente dois meses e meio para as eleições autárquicas. Assumi, em fevereiro desde ano, a responsabilidade de ser candidato à presidência da Câmara de Moura, pela CDU. Os próximos dois meses e meio serão de atividade intensa, mas não menos intensa que os anos recentes. Surpreendo-me, por isso, com a atitude daqueles que, depois de décadas de alheamento em relação aos problemas do concelho, agora descobrem não só o interesse pela política como parecem ter soluções para todos os problemas. Só nos falta clamar, humildemente, “milagre! milagre!” ante tantas propostas e tantas soluções. Recordo-me, nestas alturas, de uma sofrível tese de mestrado, que tive de arguir, em tempos. O candidato criticava um determinado modelo de desenvolvimento cultural e propunha duas dezenas e meia de iniciativas que trariam todas as soluções, para todos os problemas. Limitei-me a perguntar se o candidato tinha quantificado, hierarquizado e calendarizado tantas e tão maravilhosas ideias. Ou seja, quais as prioridades, quais os custos e quanto tempo consumiria tudo aquilo. Não tive resposta. Lembro-me, com frequência, desse episódio da minha vida académica. Nestas alturas pré-eleitorais não faltam os vendedores de promessas, os salvadores da pátria, os que tudo sabem e que têm todas, mas mesmo todas as soluções. Não alinho nesse grupo nem atuo dessa forma.

Os próximos dois meses e meio serão passados, repito, em atividade intensa. Que vem na lógica e na continuidade do meu percurso anterior. Dedicar-me-ei ao que faço com o empenho de sempre. Não tenho soluções para tudo, nem tiro, miraculosamente, promessas (de emprego, de obras etc.) da manga da camisa. Não ando a papagaiar ilusões nem a vender futuros. Conto com os que me acompanham, e a quem eu acompanho, neste percurso. Conto com o entusiasmo pelas coisas, com a honradez deste projeto, com a frontalidade que reclamo ter e com a segurança do caminho percorrido. Julgo, sinceramente, ter dado provas de trabalho ao longo destes anos. É tudo e é quanto me basta para prosseguir.

A próxima crónica será sobre uma cidade nos trópicos.


 Crónica publicada na edição de ontem do jornal "A Planície"

MOURA - REGENERAÇÃO URBANA: ZONA INDUSTRIAL

"É só património e museus". A absurda afirmação é-me dirigida, vá lá saber-se porquê, por quem não deve ter muito para fazer.

Na verdade, foi da área de estudos e projetos, pelouro que coordeno, que saiu a candidatura das parcerias para a Regeneração Urbana. Na qual participou, de forma ativa e em pé de igualdade, toda a vereação. É só património e museus? Se considerarmos como tal a rede de águas, o Parque de Leilão de Gado, a reabilitação da Mouraria ou a reformulação das infraestruturas da Zona Industrial. Ou a Ribeira da Perna Seca...

No caso desta última é talvez das intervenções menos "visíveis" e menos espetaculares desde conjunto. Mas não é das menos necessárias. Antes pelo contrário. E foi das que mais gostei de ver nascer.

O conjunto das intervenções em curso abrange áreas que vão muito além do património e dos museus. Por muito que isso seja difícil de reconhecer a algumas pessoas. Essa má disposição dá sempre um certo prazer, sabem?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

AUTÁRQUICAS 2013 - notas de campanha (nº 1)

Sessão de apresentação dos candidatos, em Safara.

Um miúdo, dos seus três, disse para a mãe: "o homem do cartaz [que estava a decorar a sala] é aquele que 'tá ali, vestido com um pijama".

O que vale é que as camisas (esta veio de Bissau) não influem nos resultados.

À esquerda na imagem: Antónia Baião, a mulher que queremos ver na presidência da
União de Freguesias Safara/Santo Aleixo

PREMIÈRE

Terminei anteontem uma saga de 33 anos. Um filme cujas bobinas em super-8 andaram em bolandas. Recuperei-as e consegui finalizar a montagem, respeitando o guião dos meus 17 anos. O meu primeiro (e, presumivelmente, derradeiro) filme estreou ontem. Um ingénuo documentário de 14 minutos. A tiragem foi de 30 exemplares. A distribuição é caseira.

Quero deixar o meu público agradecimento à TVM, ao Jorge Murteira, peça essencial na fase final da saga, à LSV audiovisuais, que fez milagres, e ao David Albino.

sábado, 13 de julho de 2013

FLAGRANTES DA VIDA REAL - II


Por motivos que têm a ver com o ano de 1981, e que amanhã contarei aqui no blogue, recordei-me hoje de uma história passada nesse ano, durante a minha primeira viagem a Marrocos. Uma daquelas que podia ter saído de um filme de Pedro Almodovar.

A visita de jovens portugueses a esse país do Magrebe era coordenada, pela parte dos anfitriões, por um técnico do Ministério da Juventude e dos Desportos. A dada altura percebeu-se, de modo indubitável, que o senhor Daoudi estava perdidamente apaixonado por uma moça da nossa comitiva. Uma jovem roliça e simpática, de 25 anos, que fingia não perceber os tímidos e educados avanços do senhor Daoudi. Um belo dia, à chegada à Rabat, o nosso guia não resistiu e indicou um edifício "este é  o novo quartel dos bombeiros de Rabat", para depois, com olhos de carneiro mal-morto, concluir "o lugar ideal para todos os que têm o coração em chamas". Muitos, entre os quais eu, não contiveram as gargalhadas, ante o olhar, furioso e encabulado, do senhor Daoudi. A Ana manteve-se impassível.

Aqui vai, para o senhor Daoudi, que espero que esteja de boa saúde, uma canção interpretada por Javier Solis (1931-1966), extraordinário artista mexicano prematuramente desaparecido.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O CAMBIADO DA SEMANA


Na fotografia está Miguel Angel Perera. Mas o grande passe cambiado da semana coube a Cavaco Silva. Uma orelha, pelo menos.

JOÃO CATARRUNAS & ANTÓNIO ESPERANÇA & PINTO MOREIRA

Dizia eu, na brincadeira, a uma amiga que "nem no CCB conseguem abrir três exposições no espaço de uma hora". Primeiro foram as aguarelas de João Catarrunas, no antigo Café Cantinho; depois as esculturas de António Esperança, no espaço INOVINTER; finalmente, as fotografias de Francisco Pinto Moreira, na sede de campanha da CDU.

São três mourenses, de diferentes gerações e com percursos que nada têm de comum entre si. O João (23 anos) é um jovem estudante de arquitetura; o António (46) é um autodidata, discreto e silencioso, sem percurso de aprendizagem formal; o Francisco (60) chegou tardiamente, mas ainda muito a tempo, à fotografia de natureza.

"Na tua terra não sossegam?", perguntava-me há semanas uma colega espanhola, espantada com o ritmo de festas, celebrações, iniciativas diversas, exposições, representações teatrais, gravações de músicas etc. Disse-lhe que não. E que justamente uma das coisas interessantes neste concelho é a capacidade com que as pessoas, autonomamente, se organizam e promovem coisas.

Pintura, escultura e fotografia. Assim de uma assentada.

Aguarela de João Catarrunas

Escultura de António Esperança

Fotografias de Pinto Moreira

quinta-feira, 11 de julho de 2013

NOVA FÓRMULA GOVERNATIVA


Agora tem de ser a três, diz Cavaco Silva. O triolismo político, eis a solução...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

VERGONHA

Foi triste ter de ouvir um ministro de estado dar esfarrapadas e inconsequentes explicações sobre sobrevoos e sobre a irrelevância das nossas relações com a Bolívia. E sobre a impossibilidade da aterragem do avião de Evo Morales, por não especificadas razões técnicas. Não sei o que é pior. Se a subserviência face aos Estados Unidos, se a arrogância dos tiques colonialistas.

Seria útil que alguém explicasse ao futuro vice que ter pose de estado não é afivelar uma cara de pau em ocasiões solenes ou vestir fatos de bom corte. Muito menos iludir descaradamente questões e usar métodos de ilusionista. Valha-lhe o lobby dos amigos, para apagar rapidamente das notícias este episódio vergonhoso.

AZUL


“O amor é um pássaro verde, num campo azul, no alto da madrugada”

Poema curto, de Vítor Barroca Moreira, que o escreveu para a sua professora, Maria Rosa Colaço (1935-2004). Foi depois publicado no livro A criança e a vida. O José deu-me este livro em 1972. Foi/é um dos livros mais importantes da minha vida. Sempre pensei que Maria Rosa Colaço tinha sido professora em Marvila. Foi a própria que um dia me esclareceu que aquela sua experiência ocorrera em Almada.

O poema é de Vítor Barroca Moreira. A pintura de Marc Chagall (1887-1985), Blue Lovers, é de 1914.

CDU/MOURA - SEDE DE CAMPANHA

A sede de campanha da CDU, em Moura, abriu há semanas. Vai ser um espaço de convívio e de contacto com a população. Várias iniciativas estão a ser programadas. Uma delas irá coincidir com a Festa de Nossa Senhora do Carmo: fotografias do nosso amigo Pinto Moreira irão estar em exposição durante esses dias. Pássaros vistos no seu ambiente. A natureza no seu melhor.

Sede de candidatura - Largo Gen. Humberto Delgado.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

VEM AÍ A FESTA!

Faltam três dias. De 11 a 14 têm lugar as Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo, em Moura. De 11, às 21h, até dia 15 de madrugada não haverá um segundo de sossego.

O espetáculo de fim de festa tem José Cid como atração principal. Um clássico na nossa terra.

Veja-se o blogue da associação que tem a Festa a seu cargo:
http://associaoculturalhonranscarmo.blogspot.pt/

REGRESSO

O blogue de regresso ao ritmo costumeiro, depois de dias de dificuldades técnicas, justificação que dá para tudo, até para impensadas e impensáveis crises diplomáticas. Vou de regresso a Moura. Ao ritmo, às pessoas e à vida de todos os dias.

A imagem é simbólica... Não fiz viagens de avião.
A poesia também é simbólica.


Desejo de regresso

Deixai-me nascer de novo,
nunca mais em terra estranha,
mas no meio do meu povo,
com meu céu, minha montanha,
meu mar e minha família.

E que na minha memória
fique esta vida bem viva,
para contar minha história
de mendiga e de cativa
e meus suspiros de exílio.

Porque há doçura e beleza
na amargura atravessada,
e eu quero memória acesa
depois da angústia apagada.
Com que afeição me remiro!

Marinheiro de regresso
com seu barco posto a fundo,
ás vezes quase me esqueço
que foi verdade este mundo.
(Ou talvez fosse mentira...)

Cecília Meireles

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ALEXANDER NEVSKY

É perto do fim do filme. As tropas de Alexander Nevsky derrotam os teutões. Eisenstein roda o filme depois da experiência traumática de O prado de Bezhin - censurado pelos beatos da nomenklatura porque não tinha ideias claras sobre a luta de classes... -, em pleno fervor anti-nazi. O pacto Ribbentrop-Molotov levou a que Alexander Nevsky fosse temporariamente retirado de circulação.

Não é, formalmente, o filme mais radical de Eisenstein. Mas tem a luminosidade nórdica, a matemática dos enquadramentos, tem Prokofiev e tem Eduard Tisse, do qual pouco se fala hoje porque não era americano.

Não é por ironia que, nestes dias em que no Alentejo se sofrem temperaturas saarianas, que se escolhe um filme que termina com uma batalha sobre um lago gelado. É porque o filme fala de patriotismo. Alexander Nevsky, de 1938, é a minha escolha de hoje.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

ERVANÇUM 2013

É o último Ervançum com a freguesia de Santo Amador de corpo inteiro. Será, porque a sensatez prevalecerá um dia, uma questão transitória. A freguesia regressará.

Passarei por lá no sábado à noite. Porque sim e por causa dos Bacoustic, também.

AINDA TEMOS GOVERNO. PORQUÊ?

Porquê?

Porque "o Tó-Zé é o seguro de Passos Coelho", diz um amigo meu.

SILOGISMO ESTIVAL: A SARDINHA VERMELHA

A três dias do (meu) Universo voltar ao normal houve tempo para rever dois sítios extraordinários: os monumentos de Alcalar e o Museu de Portimão. Neste último, há um local onde se podem ouvir velhos anúncios radiofónicos de promoção das conservas La Rose. Como aquele que proclama "as conservas La Rose dão de comer a seis milhões de portugueses". Serão os mesmos de que fala Luís Filipe Vieira?

terça-feira, 2 de julho de 2013

RESTA-NOS O NONSENSE

Alguns dos meus amigos têm o hábito de me classificar como "obsessivo" com o trabalho. Um exagero, sem qualquer justificação, alimentado por duas ou três circunstâncias absolutamente fortuitas. Nos momentos de nonsense que se vivem, um engraçadinho enviou-me hoje esta SMS: "Santiago Macias entra em férias. Governo em pânico". Não há nada como o nonsense, de facto.

Desenho de Mordillo

O PIN E O PUK E O RAIQUEPARTA

Tornamo-nos netdependentes. Trouxe uma pen para férias, para poder trabalhar "em coisas da Câmara e noutras coisas", uma expressão tão vaga como verdadeira. Não consegui carregar a pen. Nem pin, nem puk, nem código, nem nif. Nada. Um fracasso completo.

Na loja do TMN a senhora informou-me que a pen não estava em meu nome. Olhou-me com aquele ar suspeito "este gajo gamou a pen", mas aceitou carregá-la. O mundo volta à normalidade, ainda que sob suspeitas cleptopráticas...