quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

UMA VEZ POR MÊS

Momentos a destacar no ano do autor do blogue. Que é Presidente de uma Câmara Municipal. E historiador. E cineasta amador. Coisas demasiado pessoais ficam de fora. Na esfera entre o público e o privado foi um ano interessante. Muito intenso. De combate e de alguns resultados.

Destaco os momentos que não esquecerei. Poderia acrescentar muitos outros, pessoais, académicos, profissionais. Ficam estes.

Janeiro (dia 31) - Foi-me atribuída a condição de cidadão honorário da Ribeira Grande de Santiago (Cabo Verde). Um privilégio que me emocionou.

Fevereiro (dia 7) - Início da rodagem do filme "Chegar a casa". Estreou em maio e foi, entretanto, selecionado para dois festivais de cinema.

Março (dia 31) - Arguente da dissertação de doutoramento de Rosiane Limaverde. Foi a minha estreia na mítica Sala dos Capelos, na Universidade de Coimbra.

Abril (dia 24) - Uma aula diferente das outras. Explicar o traçado da fortificações setecentistas aos alunos do 1º ciclo é bem mais difícil que orientar um seminário de mestrado. Foi na Escola do Sete e Meio.


Maio (dia 15) - 15 anos de Escola Profissional de Moura. Não estive envolvido no seu arranque. Mas estou/estamos empenhados na continuação deste projeto.

Junho (dia 19) - Os trabalhadores da Assembleia Distrital de Beja passam a integrar a CIMBAL. Encerra-se um processo conturbado. Missão cumprida, naquilo que me disse diretamente respeito.

Julho (dia 30) - Inauguração da exposição "Água - património de Moura". O antigo matadouro municipal ganha nova vida. Um momento marcante no mandato autárquico.


Agosto (dia 20) - Presença na tribuna presidencial do Campo Pequeno. Um momento único, acompanhando o Real Grupo dos Forcados Amadores de Moura.

Setembro (dia 29) - Inauguração do novo parque de estacionamento da zona industrial. Cumpre-se uma promessa feita no natal de 2013.

Outubro (dia 29) - Notícias de dois amigos: uma irá, a partir de setembro de 2016, estudar língua árabe em Leiden, o outro embrenha-se por outras vias e oscila entre o basket e a informática. Não há percursos melhores ou piores. Há, apenas, percursos cumpridos com empenho.

Novembro (dia 22) - Um dia especial: inauguração, em Amareleja, do Pavilhão das Cancelinhas. Uma vitória do pragmatismo.

Dezembro (dia 14) - Inauguração do Centro de Inspeção de Veículos, em Moura. A iniciativa é privada. O empresário sublinhou o empenho da autarquia neste processo. Tal como afirmei na altura e usando um conhecido slogan, "sim! nós podemos". Podemos e faremos. Como se tem visto e verá.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MARTÍN CHAMBI, UNS ANOS ANTES DE IWO JIMA...

À procura de uma imagem para o fim do ano, lembrei-me de uma fotografia do peruano Martín Chambi, vista algures há dias. Tenho a certeza que Joe Rosenthal, em Iwo Jima, se lembrou do que então se fazia na América do Sul. A obra de Martín Chambi, tal como a dos Hermanos Vargas, não se pode conceber sem o legado do catolicismo. Paradoxalmente, Sergei Eisenstein é, também, tributário do catolicismo...



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE MOURA

Escola Industrial e Comercial de Moura. Era assim que se chamava. Embora fosse mais conhecida apenas como Escola Industrial. A fotografia foi feita em 1964, junto às já desaparecidas oficinas. Conheci bem todo aquele terreno, embora nunca ali tenha estudado. A minha mãe foi funcionária da escola (primeiro auxiliar de limpeza, depois contínua, depois administrativa), entre 1959 e 1972. É a quinta, a contar da direita, na terceira fila. Está uniformizada, claro. Na altura era assim.

A escola atual não teve, depois das obras, reabertura formal. Aqui fica uma evocação da altura em que a antiga abriu as suas portas ao público.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

TODO O PIROPO SERÁ CASTIGADO (EDITADO)

Agora é crime. Já aqui tinha falado no assunto. Depois de várias ameaças, o piropo é crime. No afã de tudo legislar, criam-se normas e mais normas. Ainda não li, mas lerei, o diploma legal. Tenho curiosidade em saber como se definem os limites do assédio. E quando o assédio é sem palavras? Também legislaram isso?

Anita Ekberg no filme La dolce vita

Texto enviado pelo meu amigo Joaquim Oliveira Caetano, via facebook:

"Em 81 disse à Dr.ª Manuela Brazette, psiquiatra, "Eu sou feia". Ela disse-me "Não é ser feia. Não há pessoas feias. Não tem é atractivos sexuais". Lembrei-me então do homem que em 74, tinha eu 14 anos, se cruzou comigo no Arco do Cego. Lembrei-me do homem, da cara do homem vagamente, mas lembrei-me muito bem do que ele me tinha dito ao passar por mim. Tinha-me dito "Lambia-te esse peitinho todo". Lembrei-me também da meia-dúzia de outros homens que durante a minha adolescência me tinham dito quando eu passava "Coisinha boa" e "Borrachinho". Ainda hoje me sinto profundamente agradecida a esses homens. Pensei que estavam a avacalhar, que eram uns porcalhões. Mas quem estava a avacalhar era a Dr.ª Manuela Brazette, ela é que é uma porcalhona. Acho que um homem nunca consegue ser mau para uma mulher como outra mulher."

(Adilia Lopes, Irmã barata, irmã batata. Braga/Coimbra: Angelus Novus, 2000. p. 12)

A BANCA PORTUGUESA ESTÁ BLINDADA E ESTÁ SEGURA

Marcelo Rebelo de Sousa dava essa garantia, em 29.6.2014 (vejam aqui).

O blindado da fotografia também estava blindado...


sábado, 26 de dezembro de 2015

STARDUST MEMORIES Nº 5: O ANÚNCIO DA VARIG

Quando era criança, a época do Natal era marcada pelo regresso regular de anúncios (na altura dizia-se "réclames"). Achava particular graça, acho que pelo sotaque (na altura não havia telenovelas e os artistas brasileiros não eram presença habitual nas terras da Lusitânia), ao da VARIG. A companhia aérea desapareceu há quase 10 anos, mas este "jingle" é imortal.

Boas Festas aos meus amigos do lado de lá.

LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS

José Manuel Rodrigues e David Mourão-Ferreira, agora que passou o Natal. Pensando no dia em que já cá não estaremos.


Ladainha dos Póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que só uma voz me evoque a sós consigo 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que não viva já ninguém meu conhecido 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que nem vivo esteja um verso deste livro 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que terei de novo o Nada a sós comigo 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que nem o Natal terá qualquer sentido 

Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que o Nada retome a cor do Infinito 

David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal' 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

GANÂNCIA

Este texto foi publicado, aqui no blogue, em 22.10.2010. O tempo voa... Retomo-o, justamente neste dia que hoje se celebra.

"A leitura do Orçamento do Estado não é leitura que se recomende. Verlaine, ou qualquer outro poeta, é infinitamente mais interessante. Não resisto, contudo, a transcrever este artigo, para o qual um amigo, gestor financeiro, me chamou a atenção:

Artigo 88.º


Concessão extraordinária de garantias pessoais do Estado

1 - Excepcionalmente, pode o Estado conceder garantias, em 2011, nos termos da lei, para reforço da estabilidade financeira e da disponibilidade de liquidez nos mercados financeiros.

2 - O limite máximo para a autorização da concessão de garantias previsto no número anterior é de € 20 181 583 965,10 e acresce ao limite fixado no n.º 1 do artigo 77.º.

3 - Este limite é reduzido no exacto montante das operações activas que venham a ser efectuadas em 2011, ao abrigo da Lei n.º 8-A/2010, de 18 de Maio.

Ou seja, o Governo ou, melhor dizendo, nós somos fiadores da banca. No outro dia Teixeira dos Santos falava da "insaciabilidade dos mercados". Está agora ainda mais claro aquilo a que se referia. Nós (eu e você que me lê) somos a garantia dos eventuais buracos da banca. Habituemo-nos. Ou não.


Ilustrar esta situação com a sequência final de Greed (Ganância), realizado em 1924 por Erich von Stroheim (1885-1957), parece-me conveniente. A ganância e a sede do ouro levam à morte. Embora, no caso vertente, sejamos nós a representar os dois condenados. Os abutres que não tardarão a surgir são os outros.

Vale a pena ver o filme todo, embora vos confesse que a minha memória reteve apenas esta poderosa sequência final. Vale também a pena ler um pouco sobre este filme. A rocambolesca história da sua produção, e os fragmentos de que hoje dispomos, assemelham-se um pouco ao percurso pouco linear dos benditos mercados financeiros."


Cinco anos volvidos, a ganância, em todo o seu esplendor, deu no que deu. O BPP, mais o BPN, mais o BES, mais o BANIF, mais a PT. Entidades geridas por gente qualificada, e seríssima, e que eram capa de revista, todos beautiful, todos recomendáveis, todos isso e muito mais. Nos Estados Unidos, ao menos, são engavetados à frente de toda a gente e são condenados a milhares de anos de cadeia. Aqui dão entrevistas aos principais órgãos de comunicação, onde explicam como foram injustiçados. Não esquecendo que, para muitos deles, a culpa continua a ser do PREC. E do 25 de abril, claro está.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

PENSAMENTO OCIOSO EM VÉSPERA DE NATAL

1. Passei o final da tarde de domingo com um amigo desportista, a carregar um kayak e a amarrá-lo ao tejadilho da viatura. Sem esquecer o dístico P2...

2. Estava frio e chuviscava.

3. Apanhei um resfriado de todo o tamanho.

4. Mais uma prova que o desporto não é grande coisa para a saúde...

O QUARTO REI MAGO

Santiago!
(cum catano)
estudou a vida toda pra ser um rei mago!
(cum catano!)
Santiago, o rei mago!

Outro dia cantarolaram-me isto e eu não sabia que se estava a passar. Era a canção de Natal da Rádio Comercial... Vasco Palmeirim, com talento, picou o Uptown funk ft. Bruno Mars de Mark Ronson e fala da saga de Santiago, o quarto rei mago.

Nem rei, nem mago, nem santo... Apenas Santiago. Espero ter um pouco mais de sucesso que o do clip:

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NILÓMETRO


When the Nile is increasing,…. with its level rising eighteen ells [an ell is roughly one and a half feet – Ed.] above the winter level, the heads of the canals and channels are closed throughout the land. Then the canal called al-Khalij, which begins in Old Cairo and passes through New Cairo, and which is the Sultan’s personal property, is opened with the Sultan [al-Mustansir, reigned 1036-94, Ed.] in attendance. Afterward, all the other canals and channels are opened throughout the countryside. This day is one of the biggest festivals of the year and is called Rokub Fath al-Khalij (“Riding Forth to Open the Canal”).

When the season approaches, a large pavilion of Byzantine brocade spun with gold and set with gems, large enough for a hundred horsemen to stand in its shade, is elaborately assembled at the head of the canal for the sultan. In front of this canopy are set up a striped tent and another large pavilion. Three days before the Rokub, drums are beaten and trumpets sounded in the royal stables so that the horses will get accustomed to the sound. When the Sultan mounts, ten thousand horses with gold saddles and bridles and jewel-studded reins stand at rest, all of them with saddlecloths of Byzantine brocade and buqalamun woven seamless to order. In the borders of the cloth are woven inscriptions bearing the name of the Sultan of Egypt. On each horse is a spear or coat of armor and a helmet on the pommel, along with every other type of weapon. There are also many camels and mules with handsome panniers and howdahs, all studded with gold and jewels. Their coverings are sewn with pearls.

Were I to describe everything about this day of [the opening of] the canal, it would take too long…. On the morning when the Sultan is going out for the ceremony, ten thousand men are hired to hold the steeds we have already described. These parade by the hundred, preceded by bugles, drums, and clarions and followed by army battalions, from the Harem Gate up to the head of the canal. Each of these hirelings who holds a horse is given three dirhems. Next come horses and camels fitted with litters and caparisons, and following these come camels bearing howdahs. At some distance behind all of these comes the Sultan, a well-built, clean-shaven youth with cropped hair, a descendant of Husayn son of Ali. He is mounted on a camel with plain saddle and bridle with no gold or silver and wears a white shirt, as is the custom in Arab countries, with a wide cummerbund…. The value of this alone is said to be ten thousand dinars. On his head he has a turban of the same color, and in his hand he holds a large, very costly whip. Before him walk three hundred Daylamites wearing Byzantine gold-spun cloth with cummerbunds and wide sleeves, as is the fashion in Egypt. They all carry spears and arrows and wear leggings. At the Sultan’s side rides a parasol bearer with a bejeweled, gold turban and a suit of clothing worth ten thousand dinars. The parasol he holds is extremely ornate and studded with jewels and pearls. No other rider accompanies the Sultan, but he is preceded by Daylamites. To his left and right are thurifers burning ambergris and aloe. The custom here is for the people to prostrate themselves and say a prayer as the Sultan passes. After the Sultan comes the Grand Vizier with the Chief Justice and a large contingent of religious and governmental officials.

The Sultan proceeds to the head of the canal, where court has been set up, and remains mounted beneath the pavilion for a time. He is then handed a spear, which he throws at the dam. Men quickly set to work with picks and shovels to demolish the dam, and the water, which has built up on the other side, breaks through and floods the canal.

On this day the whole population of Old and New Cairo comes to witness the spectacle of the opening of the canal and to see all sorts of wonderful sporting events. The first ship that sails into the canal is filled with deaf-mutes, whom they must consider auspicious. On that day the Sultan distributes alms to these people.

There are twenty-one boats belonging to the Sultan, which are usually kept tied up like animals in a stable, in an artificial lake the size of two or three playing fields next to the Sultan’s palace; each boat is fifty yards long and twenty wide and is so ornate with gold, silver, jewels, and brocade that were I to describe them I could fill many pages.

From “One Thousand Roads to Mecca”, edited by Michael Wolfe

É uma das minhas descrições preferidas da vida quotidiana no Mediterrâneo medieval. Trata-se do relato do persa Naser-e Khosraw (1004-1088) de um cerimonial praticado no Cairo fatimida. O que o autor descreve passa-se no verão de 1047. O cerimonial em torno da cheia do Nilo tinha lugar sempre que o nível do rio atingia um determinado ponto no nilómetro. A estrutura, hoje desativada e avistável apenas para fins turísticos, situa-se na ilha de Roda, em pleno Cairo.

Foi uma imagem do nilómetro que usei, há dias, para ilustrar o texto dos 26 meses de mandato autárquico. Et pour cause...

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BUST AND SKULL

Este Bust & Skull, de 1987, é uma das minhas naturezas-mortas preferidas. É, também, das imagens menos reproduzidas de Robert Mapplethorpe (1946-1989).

O busto clássico parece troçar da caveira. O jogo de contrastes é evidente: branco vs. negro, vida vs. morte. Esta fotografia intemporal surge-me, de forma recorrente, quando se trata de ponderar aquilo que é essencial e o que é acessório. Sublinha(-me), sempre, a importância de satirizar das dificuldades. Embora eu próprio me sinta pouco sátiro...


MAIS ONOMATOPEIAS

Depois do PAF, agora temos o SNAP...

Muito gostamos nós destas coisas. Um dia destes faço uma recolha. Alguém se lembra do MADISCA? E dos membros da EX-CNARPE? E do MUTI?

São exclusivos da Lusitânia, podem ter a certeza.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MAIS UMA DESVANTAGEM DE SER DE HISTÓRIA DA ARTE

Se eu dissesse qualquer coisa sobre o BANIF acontecer-me-ia como ao arcebispo de Beja. Sendo de História da Arte, estão-me vedadas opiniões fundamentadas sobre estas matérias. Aos especialistas não estão vedadas opiniões que, apesar de fundamentadas, falham sempre. São os azares de ter escolhido o curso errado...


De Mário-Henrique Leiria, com um abraço para Carlos Costa:

O QUE ACONTECERIA
SE O ARCEBISPO DE BEJA
FOSSE AO PORTO
E DISSESSE QUE ERA NAPOLEÃO

Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.
Então o arcebispo dizia:
- Sou a Josefa de Óbidos.
Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.
Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava:
- Sou o arcebispo de Beja.
Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu.

DOIS ANOS E DOIS MESES


Já passaram quase 800 dias desde a data de tomada de posse da Câmara Municipal. Os balanços são importantes. A avaliação é feita quotidianamente, mas é fundamental olhar para trás e ver o caminho feito e constatar o que se conseguiu ou não. Muitos obstáculos nos foram levantados. Outros tantos foram removidos. Aqui vai a resposta:

Abertura ao público do espaço dos Quartéis * Conclusão da obra de requalificação da zona industrial * Realização de quatro Câmaras Abertas * Conclusão e inauguração do Parque da Ribeira de Vale de Juncos (Amareleja) * Apoio de cerca de 1.000.000 € ao movimento associativo * Atribuição de bolsas de estudo * Obra de reabilitação da Piscina Coberta * Aprovação do Plano de Pormenor da zona industrial de Amareleja e do Plano de Urbanização da Póvoa de S. Miguel *  Início da obra de reabilitação do Pátio dos Rolins * Reabertura da Escola Básica e do Jardim de Infância de Santo Aleixo * Lançamento do projeto MOURALUMNI * Continuação da realização da Árvore da Partilha * Organização de três sessões do Forum 21 * Reabilitação da antiga Escola Primária da Estrela * Início e conclusão do Pavilhão das Cancelinhas (Amareleja) * Apoio à habitação social, através do gabinete instalado na ÁGORA SOCIAL * Prémio Nacional de Reabilitação Urbana e Prémio Regional do Turismo atribuídos ao Bairro da Mouraria * Aquisição de novos equipamentos para o setor operacional * Realização do novo parque de estacionamento, junto ao Lar de S. Francisco * Apoio a iniciativas levadas a cabo nas escolas * Repavimentação da entrada de Moura (estrada do Sobral) * Atribuição do Prémio de Mérito Escolar * Obra de reabilitação do Pavilhão Gimnodesportivo * Abertura ao público do antigo matadouro, com a exposição “Água, património de Moura” * Realização de obras de melhoramento em escolas básicas do concelho * Inauguração da sede da Herdade da Contenda * Entrega de espaços e entrada em funcionamento do Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura * Realização de novos projetos (reabilitação do Bairro do Carmo, iluminação do Castelo de Moura, recuperação da Torre do Relógio, em Amareleja) * Realização de iniciativas culturais e destinadas à infância, com destaque para as concretizadas na Ludoteca, no Museu e na Biblioteca * Aprovação de mais de uma dezena de novos regulamentos municipais * Realização de obras de repavimentação em Moura, Amareleja e na Póvoa de S. Miguel * Apoio a projetos na área empresarial e à instalação de empresas no nosso concelho * etc..

Deixamos aqui de lado tudo aquilo que diz respeito à atividade diária e a inúmeras solicitações, feitas a cada momento. Deixamos aqui também de lado as inúmeras ações levadas a cabo pelos funcionários da Câmara Municipal de Moura (a começar pela recolha do lixo e a terminar na manutenção de redes de água, de jardins, etc.). Não seriam suficientes as páginas de “A Planície” para tudo relatar...


Concentremo-nos no futuro. Lançaremos novas obras e iniciativas. Encaramos os anos de 2016 e de 2017 com um misto de esperança, de confiança e de otimismo. O que nos move é a necessidade de transformar e de melhorar. O que nós queremos, e temos direito, é uma vida decente e um concelho melhor. Várias vezes o temos dito. Mantemos essa firme e funda convicção. Da qual não nos afastaremos.

Crónica publicada hoje em "A Planície".

DOES IT RING A BELL?



domingo, 20 de dezembro de 2015

20-D E O PCE

Hoje houve eleições em Espanha. Às 19 horas e às 20 horas, as nossas estações de rádio passavam música e havia relatos da bola. A única, e inteligente, conclusão é que se tinha passa do bipartidarismo para uma sistema de quatro partidos (tetrapartidarismo ou tetrarquia são palavras complicadas...)

Cada vez mais, há grupos de provedoria, que não têm ni puta idea do que é a ação de terreno, mas que federam os muitos descontentamentos de cidadãos desconfiados de uma classe política obesa e pouco dada a ações de terreno. É assim? É. Iglesias e Rivera vão trazer algo de novo? Não vão, mas os media têm-se esforçado por nos convencer do contrário. Frescura e mais inovação e mais juventude e mais um par de coñazos...

Onde anda o Partido Comunista de España? Anda, meus caros, na "renovação", "no eurocomunismo", "na abertura". Ou seja, desapareceu, política e eleitoralmente. Como convinha. O mesmo sucedeu ao P.C.F.  e ao P.C.I. A coligação que integra elegeu 2 (dois) deputados. Algum será militante do P.C.E.? E alguém sabe hoje quem é José Luis Centella Gómez?

O P.C.P. tem resistido, e bem, a estas supostas inovações...


sábado, 19 de dezembro de 2015

FATIMA MERNISSI (1940-2015)


O embaixador José Cutileiro chama-lhe Fatima Misserni, em obituário hoje publicado no "Expresso". Nesse semanário, as mortes são, com maior frequência, anglo-saxónicas. Talvez venha dessa falta de hábito a onomásticas meridionais a confusão no nome.

Os livros de Fatima Mernissi acompanharam-me, há muitos anos, quando estava mergulhado num projeto, em Marrocos. Os seus trabalhos, os de Jacques Berque e os de Edward Saïd vacinaram-me contra o exotismo. E foram tão importantes do ponto de vista teórico como literário. Aqui deixo esse reconhecimento.

ONDE ESTÁ O LANDAU?

Não gostei nada de visitar o novo Museu dos Coches. Não por ser novo ou de arquitetura (demasiado) ostensiva. Mas porque não consegui perceber a ligação entre aquelas naves imensas e os objetos em exposição. Nem ficha técnica nem um fio condutor... Ao menos, o antigo museu tinha o charme das coisas fora de época. Neste, vemos, de enfiada, veículos e mais veículos. Ao menos uma parceria com o Museu do Caramulo poderia completar a série...

Espantou-me a pouca atenção dada ao landau onde D. Carlos I e o príncipe herdeiro foram assassinados. É, apenas, um carro entre outros mais... Tive de andar à procura desta peça única que devia estar, e não está, adequadamente assinalada...



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

VOTOS DE BOAS FESTAS: CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA

Das oficinas à sala de sessões: mais um, de entre muitos, contacto da nossa equipa com os trabalhadores. Votos de Boas Festas e anúncio de algumas medidas para 2016. A insistência num contacto de proximidade. Que incluiu o Pai Natal e mais as renas.




DESVIOS LITERÁRIOS DE DIREITA

Duas coisas que me apetece dizer:

1. António Lobo Antunes é, infinitamente, melhor escritor que José Saramago.
2. Mario Vargas Llosa é, seguramente, melhor escritor que Gabriel García Márquez.


JARDIM DOUTOR SANTIAGO: O SEGUNDO MOMENTO KIM-IL-SUNG DE UMA CARREIRA

O primeiro momento foi este, quando se escavou, no castelo de Moura, a igreja de Santiago.

Hoje, perguntaram-me, pela enésima vez, se sou da família do Doutor Santiago que deu o nome ao jardim. Não, esclareci, quem deu o nome ao local foi José Joaquim da Costa Pinto Santiago, presidente da Câmara de Moura entre 1893 e 1897.

Fiz-me fotografar, hoje de manhã, à porta do Jardim Doutor Santiago. Que não sou eu. Nem é o nome de ninguém da minha família.





EPIGRAFIA SOBRALENSE


É uma peça interessante de uma epigrafia não convencional. Está na fachada de um bonito edifício no centro do Sobral da Adiça. As iniciais das palavras desafiam um pouco a imaginação dos leitores.

O que se identifica?



F.M.C.E.P.
por
A.F.V.P.
no anno de 1900

O que se poderá, então, ler?

Foi Mandado Construir Este Prédio
por
António Frederico Vaz Pontes
no anno de 1900

Será isso? A "leitura" tem por base o conhecimento do apelido da família proprietária. Do ponto de vista convencional não se encontra, claro, nos manuais. Não vale a pena usarmos o utilíssimo Abreviaturas paleográficas portuguesas, de Eduardo Borges Nunes, que a rapaziada referia sempre como o ABRE VIATURAS. Um livro desenhado (literalmente) pelo conhecido catedrático de Letras para a nossa turma de História da Arte, em 1981/82. Para a nossa turma, ouviram?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

REGRESSO A GHADAMES


Regresso a um sítio onde, fisicamente, nunca estive.  Ghadames já por aqui passou, com palavras de Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007). Cidade secreta, longe do bulício e fora das margens do grande mar do meio, a sua imagem persegue-me, de forma obsessiva, há muitos anos. Regresso, portanto, a Ghadames, outra vez com palavras da mesma poetisa.

DOMUS
Ouvirei os ruídos (dos) vivos, percurso de mortos, passadas
horas de afastamento e das visões nítidas;
a ciência dos náufragos, eterno retorno; a vaga
do início das águas, primeiros sentidos da terra
ou hespérida.  Hinos (era de ouro) ao sangue
que no atrito circula; à seta, em sua árvore
de arco; à espécie, o primeiro nado. Hóspede
de solo, humano, ergui o corpo; saúda
em Atlântida a ágora; saúda a urbe (onírica).
Onde penetram os membros, esse cortejo. Congregue
os animais; na praça a cúpula vibre. Seus dons exerça
em exílio — numa estação adversa ou oiço
em fontanários e harpas o mesmo
brado: o desejado sítio, ó espera.