domingo, 31 de janeiro de 2016

ESPELHOS

E chega ao fim o primeiro mês deste 2016. O(s) meu(s) quotidiano(s) reflete(m)-se, todos os dias, numa multiplicidade de espelhos. Quer eu queira, quer não. A realidade torna-se-me uma hiperrealidade, como nas obras de Richard Estes (n. 1932), quase mais perfeita e mais nítida do que o é. A realidade torna-se múltipla, como nos textos de Borges, como na sequência derradeira de "A dama de Xangai". Interminavelmente.


Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
_ Em que espelho ficou perdida
a minha face?


As cabines telefónicas foram pintadas em 1968. O poema de Cecília Meireles é uma repetição (5.11.2009).

AS CORES EM KUBRICK

Stanley Kubrick foi, sempre, um cineasta de grande rigor formal. Há cerca de ano usei o seu rigor no uso da perspetiva (v. aqui). Regresso agora a Kubrick por causa de outro tópico fundamental na imagem: o uso da cor. Curiosamente, um dos seus mais mais citados, Dr. Estranhoamor, foi rodado a preto e branco...

Viva Kubrick, mais o seu intenso uso da cor.


sábado, 30 de janeiro de 2016

NA FERRENHA


Waken, lords and ladies gay,
On the mountain dawns the day;
All the jolly chase is here
With hawk and horse and hunting-spear,
Hounds are in their couples yelling,
Hawks are whistling, horns are knelling,
Merrily, merrily mingle they
Waken, lords and ladies gay. 

Waken, lords and ladies gay,
The mist has left the mountain gray;
Springlets in the dawn are steaming,
Diamonds on the brake are gleaming;
And foresters have busy been
To track the buck in thicket green;
Now we come to chant our lay,
Waken, lords and ladies gay. 

Waken, lords and ladies gay,
To the greenwood haste away;
We can show you where he lies,
Fleet of foot and tall of size;
We can show the marks he made
When 'gainst the oak his antlers fray'd;
You shall see him brought to bay
Waken, lords and ladies gay. 

Louder, louder chant the lay,
Waken, lords and ladies gay!
Tell them youth and mirth and glee
Run a course as well as we;
Time, stern huntsman! who can balk,
Staunch as hound and fleet as hawk:
Think of this, and rise with day,
Gentle lords and ladies gay!


O poema é de Walter Scott e a fotografia não é de hoje nem corresponde à mancha da Ferrenha. Acompanhei a montaria da Contenda na companhia simpática da Engª Paula Sarmento (presidente do ICNF). Os temas de debate ficaram agendados para outra altura. Com um sol glorioso e uma luz extraordinária havia outras prioridades.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

UM DIA NA PRESIDÊNCIA - 1ª EDIÇÃO

Quando a reunião de câmara terminou, às 17.25, perguntei-me se não teria exagerado e se os jovens não estariam cansados. Que não, que tinham achado este dia na presidência interessante.

Foram quase dez horas de permanente contacto com uma realidade que não conheciam. A ideia surgiu depois de uma aluna da Escola Secundária me ter perguntado como era o quotidiano do presidente da câmara. Melhor que explicar é mostrar.

Assim, na passada quarta-feira, três estudantes viveram outra realidade. Aqui vai a agenda:

07.45 - Encontro nas oficinas e visita às instalações.
08.30 - Despacho da correspondência e assinatura de documentos.
09:00 - Reunião de coordenação da vereação.
10:45 - Visita a uma obra de reabilitação de uma habitação (programa Ágora Social).
11:00 - Visita à exposição sobre a água, no antigo matadouro.
12:00 - Visita ao Pavilhão das Cancelinhas.
12:15 - Visita às obras do novo campo de jogos, na EBI de Amareleja.
14:30 - Explicação do projeto de reabilitação da igreja paroquial de Safara.
15:30 - Visita à obra de recuperação do Pátio dos Rolins.
16:00 - Reunião na zona industrial nova e discussão de um projeto que vai entrar em execução.
17:00 - Reunião de Câmara.

A política é uma prática e uma missão. E implica proximidade. Nada mais simples. No mês de março, nova sessão.

08:05

09:40

11:15

12:05

15:30

16:30

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

MOURA INVISÍVEL



Em 5 de novembro de 2012 escrevi o seguinte neste blogue:

"(...) Existem no arquivo da Câmara de Moura projetos que se converteram, com o passar dos anos, em verdadeiras curiosidades. Como uma proposta de urbanização, concebida no final dos anos 30, para os terrenos onde hoje se encontra a Escola Secundária. Ao estilo da época, e bem na senda do conceito fascista de cidade, alamedas e avenidas (a Doutor Oliveira Salazar terminava na Praça General Carmona) cruzam-se, num desenho fora da escala de Moura.

Em tempos lancei o desafio no Departamento Técnico no sentido de se fazer um estudo sobre a cidade invisível e sobre os projetos que nunca se concretizaram. Pode ser que um dia alguém pegue no tema."

Há uns meses recebi um pedido de reunião, da parte de um muito jovem arquiteto, João Catarrunas. Queria saber se o autorizava a pegar no tema. Não pensei duas vezes. Disponibilizei toda a informação que tinha e dei indicação para se apoiar o arq. João Catarrunas nesta sua empresa. Em 2017 haverá exposição e catálogo sobre a cidade que nunca existiu.

Em jeito de amuse-gueules aqui vai um plano, de 1960, para o Largo José Maria dos Santos. Nunca foi concretizado. Era seu autor o arquiteto paisagista Albano da Cunha Leal Frazão Castelo Branco (n. 1927). Repare-se no detalhe de um espaço cuja organização e utilização obedecia a uma lógica etária.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

LUSITÂNIA ROMANA - ORIGEM DE DOIS POVOS

Só pude sorrir, resignado, quando me perguntaram se ia à inauguração da exposição "Lusitânia Romana - origem de dois povos", que ontem teve lugar no Museu Nacional de Arqueologia. Não deixarei de a ver, mas ausentar-me assim é um luxo.

Não a perderei, claro, mas terá de ficar lá mais para a frente. Há razões de sobra para poder apreciar um tão magnífico (disso tenha certeza!) trabalho.

A fotografia de cima é da exposição. A de baixo é do Museu de Mérida, tal como Simon Goldstein o viu, na primavera de 2002. Foi exposta, anos mais tarde, na igreja de Santiago, em Monsaraz.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A NUDEZ, OS MUSEI CAPITOLINI, ROHANI, PABLO NERUDA E FRANTISEK DRTIKOL

A visita do presidente iraniano Hassan Rohani está coberta de polémica. Tão coberta quanto o ficaram as estátuas dos Musei Capitolini... "Por respeito" cobriram-se com caixotes as estátuas que estavam nuas (ler aqui). Não fosse Rohani impressionar-se ante a marmórea pouca-vergonha.


Do ponto de vista plástico não ficou mal. Já tenho visto instalações menos interessantes. Quanto à decisão política é absurda. Pobres dos que aceitam este tipo de cedências...

Em homenagem aos Musei Capitolini (que são muito belos), ao filme Il postino, onde é lido um poema de Neruda (v. mais abaixo a versão em italiano, que o padre repete em tom lúbrico), a Maria Grazia Cucinotta e ao grande fotógrafo checo Frantisek Drtikol, aqui vai:


Nuda sei semplice come una delle tue mani,
liscia, terrestre, minima, rotonda, trasparente,
hai linee di luna, strade di mela,
nuda sei sottile come il grano nudo.

Nuda sei azzurra come la notte a Cuba,
hai rampicanti e stelle nei tuoi capelli,
nuda sei enorme e gialla
come l'estate in una chiesa d'oro.

Nuda sei piccola come una delle tue unghie,
curva, sottile, rosea finché nasce il giorno
e t'addentri nel sotterraneo del mondo. 
come in una lunga galleria di vestiti e di lavori:
la tua chiarezza si spegne, si veste, si sfoglia
e di nuovo torna a essere una mano nuda.

MOURA - UM VESTÍGIO DA DESTRUIÇÃO FEITA PELO DUQUE DE OSUNA, EM 1707


A fotografia surgiu nas redes sociais pela mão de José Francisco Finha. Um pormenor chamou a minha atenção.

Recordo um excerto das Memórias Paroquiais de 1758: “para a parte do Carmo tem outra grande torre o castello. E levantando-se no ar metade da torre com as minas que lhe fizerão, cahio sobre a metade que tinha ficado fixa, couza que este povo atribuhe a prodigio da imperatriz do Carmo, porque cahindo fora do muro deyxaria o convento todo arrazado” (…)”.

Nesta fotografia de 1938 reconhece-se a Rua do Sequeiro e, ao fundo, a torre do castelo a que o texto do século XVIII se reporta. A fratura na torre era, então, bem visível. Arqueologia visual e memória fotográfica de uma outra Moura.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

SÃO SEBASTIÃO SAFARENSE



Esta metade de São Sebastião
cobre com uma coifa
a cabeça.

A carne de barro pintado
brilha branca rosa
riscos vermelhos
no lugar das setas

Pousamos no muro
o corpo metade
de olhos rasgados
de boca vermelha
e disparamos
tiros de luz e plástico
para o guardar
para sempre

Da terra de xisto
sobe o canto
de mutidões antigas
que afogaram
o som e as lágrimas
nesta metade
de barro pintado

António Borges Coelho (Mértola, 25.4.1978)

Ontem foi dia de rumar a Safara. O dia eleitoral corria calmo e havia a procissão em honra de São Sebastião. Oportunidade para recordar este poema de António Borges Coelho, que já andou pelo blogue há uns seis anos.

domingo, 24 de janeiro de 2016

PRESIDENCIAIS 2016, URBI ET ORBI


No País ficou (quase) desta maneira:



No concelho de Moura foi assim:



E o País ganhou o seu Tinonica.

CONTEMPLO O LAGO MUDO

Não é exatamente um lago mudo que contemplo (ainda que a vista do terreiro do Castelo de Moura seja apaziguadora), mas entre a preparação da agenda da semana e o acompanhamento do ato eleitoral andei, há pouco, deambulando, como tantas vezes, entre a pintura e as palavras. Da tentação de reproduzir um tema marinho de Thomas Eakins fui desembocar na pintura romântica do russo Ivan Konstantinovich Aivazovsky (1817-1900). A pintura também não representa um lago mudo, mas sim a baía de Nápoles, tal como Aivazovsky a viu, em 1842.


Contemplo o lago mudo

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz.
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
Fernando Pessoa, Poesia ortónima (4-8-1930)

sábado, 23 de janeiro de 2016

UMA CIDADE E O SEU MUSEU: 15/20 - TRIPOLI

Com o passar do tempo, as imagens tornam-se difusas. Não se apaga, contudo, a forte impressão que aquela deslocação à Líbia, na primavera de 2008, me deixou. Não só pela possibilidade de visitar, pela primeira (e certamente derradeira...) vez sítios como Sabratha ou Leptis Magna, como pela estranha sensação que aquele "paraíso" às avessas me deixou (ler aqui).

No topo norte da Praça Verde fica(va?) o Departamento de Antiguidades e, ao lado deste, o Museu Jamâhîriyya. Em tradução livre, o Museu das Massas ou Museu do Povo. No qual, a par das memórias arqueológicas da Tripolitania e da Cirenaica, se exibe o carocha azul no qual Gaddafi fez a entrada triunfal em Tripoli no dia 1 de Setembro de 1969.

O museu era uma barulhenta mistura de etnografia, arqueologia, pontuado pelas prendas kitsch que Gaddafi recebia. O Museu do Povo era uma reflexo daquela estranha sociedade. Muitas vezes me pergunto o que terá acontecido ao volkswagen e, sobretudo, à espantosa coleção de materiais romanos.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SONDAGENS E TAL...


Retirei este quadro do site do analista político Pedro Magalhães (v. aqui). Um dado interessante: as sondagens atribuíam, em 2006, a Jerónimo de Sousa menos 2% do que efetivamente teve; em 2011, a Francisco Lopes, menos 3% do que realmente veio a obter...

Os comunistas serão sondados (ou apenas "estimados", para usar o linguajar da RTP, ontem à noite)?

NEM FEIO, NEM PORCO, NEM MAU

Ettore Scola já por aqui andou, em 17 de julho de 2011. Citei então uma cena marcante do filme "Um dia inesquecível". Tanto esse como "Feios, porcos e maus", ambos da segunda metade da década de 70, são obras de referência da minha adolescência. Um e outro foram premiadíssimos, embora prefira "Um dia inesquecível", pela originalidade do argumento e pela apurada composição de imagem,  trabalho do grande Pasqualino De Santis.

Eis a ópera (Verdi, neste caso), no ambiente lumpen de "Feios, porcos e maus", nesta semana de maus fados, em que Ettore Scola (1931-2016) nos deixou. É a minha escolha cinéfila destes dias.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ÁGUAS E ARTES LIVRES

Coincidência curiosa. Anteontem tive uma reunião neste edifício célebre da cidade de Lisboa: o Bloco das Águas Livres. Ontem, fui surpreendido com a notícia do falecimento do seu autor, o arq. Nuno Teotónio Pereira (1922-2016).

A reunião foi o ponto de partida para uma rápida passagem pelo imóvel. Que é o mesmo que dizer uma deambulação pela Arte Portuguesa dos anos 50: as áreas de uso coletivo são pontuadas com a presença de obras de Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Vieira, José Escada e Frederico George.

Ao olhar com um pouco mais de atenção os inúmeros e bem pensado pormenores do imóvel só ocorrem palavras como qualidade, conforto, sobriedade, funcionalidade. E luz, que o Bloco das Águas Livres tira magnificamente partido da célebre luz de Lisboa.

Ver - http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/328059/







quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

LUIZ ANTÓNIO RAMOS (1929-2016)

Muito amigos do Eng. Luiz Ramos rumaram hoje ao cemitério municipal para um último adeus a este mourense, que marcou a vida da cidade na segunda metade do século passado. Homem modesto e de extrema cordialidade, dedicou-se a muitas causas. Uma delas foi a Água Castello, empresa que se recusou a deixar, mesmo sendo Presidente da Câmara.

Tive a honra muito particular de o convidar a estar presente nas comemorações do 40º aniversário do 25 de abril. Marcou presença, solidário e simples como sempre. Moura foi, até ao fim, a sua Pátria. Saibamos nós merecer o legado de Homens como ele.

NOTAS BIOGRÁFICAS DE LUIZ RAMOS
Nascido em Moura há 86 anos, Luiz António Ramos frequentou e concluiu o ensino primário em Moura, iniciando o seu percurso profissional com 15 anos na empresa das Águas de Castelo.
Aos 16 anos rumou para Lisboa, onde concluiu o ensino secundário na Escola Machado de Castro no regime noturno trabalhando entretanto na Casa Capucho. Voltou depois a trabalhar na empresa Água de Castelo (em Lisboa) com isenção de horário para poder estudar, tendo em 1962 concluído no Instituto Industrial de Lisboa o curso de Electrotecnia e Máquinas a que correspondia o título profissional de Agente Técnico de Engenharia, atualmente a categoria profissional de Engenheiro Electrotécnico.
Regressou a Moura tendo sido Diretor Fabril da Sociedade das Águas de Pisões-Moura SA entre 1962 e 1990, tendo ainda leccionado na Escola Industrial e Comercial de Moura entre 1962 e 1969.
A partir de 1990 desenvolveu atividades de profissional liberal, enquanto engenheiro técnico, na área da eletricidade e da formação profissional.
Desenvolveu ao longo da sua vida intensa atividade cívica e política de que se destaca:
– Membro da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Moura entre maio de 1974 e dezembro de 1976.
– Vereador da Câmara Municipal de Moura entre janeiro de 1977 e maio de 1978.
– Presidente da Câmara Municipal de Moura entre junho de 1978 e dezembro de 1979.
– Membro da Assembleia Municipal de Moura entre janeiro de 1980 e dezembro de 1982.
– Vereador da Câmara Municipal de Moura no mandato 1983-1985, tendo renunciado antes do final do mandato por ter aderido a outra força política.
– Membro da Assembleia Municipal de Moura no mandato 1986-1989.
– Foi militante e dirigente local e regional do Partido Socialista entre 1974 e 1985.
– Cabeça de lista do PRD no círculo de Beja às eleições legislativas de 1987, partido do qual foi dirigente local, regional e nacional.
– Presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moura e do Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”.
– Esteve na origem da criação da APPACDM. Foi sócio fundador e membro dos seus órgãos sociais.

(da nota remetida pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Câmara Municipal de Moura)

Na cerimónia de 25 de abril de 2014

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

CHEVALIER ANTUNES

Têm graça os complexos da intelligentsia face a temas verdadeiramente populares.

Tony Carreira, um cantor de que não gosto particularmente, foi distinguido pelo governo francês com o grau de Chevalier des Arts et des Lettres. Tem como "colegas" (fui cuscar...) nomes como Ang Lee, Terry Gilliam, Philip Glass ou Dirk Bogarde. Não sei quais os critérios ou que tipo de indicações existem. Mas a distinção é, em si, um facto sonante.

Duas ou três notas sobre o tema:
1. A comunicação social em Portugal deu, à notícia, um tratamento mais que modesto. É pena e isso liga-se com o que escrevi mais acima.
2. Houve um ataque cerrado em embaixador de Portugal, que se converteu no tema principal da notícia, por não ter permitido que a cerimónia tivesse lugar na Embaixada. E explica "seria um bocadinho estranho que uma condecoração francesa fosse imposta na embaixada de Portugal". Se é essa a regra, e é sempre seguida, nada há a dizer.
3. Pergunto-me, e uma vez que as notícias não esclarecem, se esteve alguém da Embaixada na cerimónia. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

É AQUI QUE MORA O PRESIDENTE DA AMÉRICA?

Croniqueta em plácido domingo, dedicada à minha amiga Maria José Silva.

A história passa-se, com toda a certeza, no inverno ou na primavera de 1969. A ida a Lisboa causava-me verdadeira excitação, por ser a primeira vez que ia à capital.

O telejornal de então era marcado, diariamente, pelas notícias da Guerra do Vietname. Quase a meio da longa viagem de comboio (nunca menos de 5 horas), o João esticou o pescoço para fora da janela e informou "estamos a chegar à Casa Branca". Intrigado com o nome, perguntei, alto e bom som, "é aqui que mora o presidente da América?". Os que estavam perto e ouviram estalaram em sonoras gargalhadas. Emberrinchei e fiquei com uma silenciosa certeza "os grandes são todos uns parvos". E fiquei sem saber quem morava naquele sítio. O tal Nixon não era, de certeza...


COM O ÚNICO CANDIDATO A VIR A MOURA DURANTE A CAMPANHA.

Jantar de campanha, ontem à noite, com a presença de Edgar Silva. Seria interessante fazer-se, no final, o périplo dos candidatos. Por onde andaram ao longo de um mês. Que País frequentaram, que Portugal conhecem, ou julgam conhecer...

Edgar Silva é um homem de terreno, uma pessoa muito cordial e de extrema simplicidade. E um tribuno de qualidade, como ontem se viu, em Moura. É com enorme prazer que desempenho as funções de mandatário concelhio deste meu camarada.


sábado, 16 de janeiro de 2016

MAIS INVESTIMENTO - MOURA


Mais investimento, como?

A Câmara Municipal foi autorizada a contrair um empréstimo, no montante de 680.000 euros. Muito abaixo das necessidades e muito abaixo do limite de endividamento do Município.

Trata-se de dinheiro para investimento. Para quê?

Apoio à aquisição de equipamento para os Bombeiros Voluntários - 80.000 €
Reabilitação do Bairro do Carmo - 145.000 €
Reabilitação da igreja de Safara - 155.000 €
Renovação do parques de máquinas da Câmara Municipal - 150.000 €
Reabilitação da Ponte do Coronheiro - 150.000 €

A imagem, de final do século XIX, feita na Rússia pelos irmãos De Jongh, representa bem o esforço coletivo que é necessário para construir coisas essenciais. Uma coisa é certa. Faremos estas como concretizámos todas as outras a que nos comprometemos.

ALUMNUS V

E ontem chegámos ao nº 5 do projeto MOURALUMNI. O safarense Carlos Campaniço, escritor premiado, sucede a um bioquímico, a uma jornalista, a um piloto e a um gestor. Maior diversidade não poderíamos ter.
Conheço o Carlos desde os seus tempos de juventude, quando atuava numa banda punk-rock, "Os réus da sociedade". Conheci-o mais de perto na Universidade do Algarve, onde lhe orientei a tese de mestrado, trabalho original e de grande interesse. Tive a honra de o ter como mandatário de honra da candidatura da CDU, nas Autárquicas de 2013.



Carlos Campaniço licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e realizou o mestrado em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo, na Universidade do Algarve.
É em terras algarvias que reside atualmente, mas é às suas origens safarenses que vem buscar a inspiração para as suas obras.
Publicou quatro romances, um ensaio e dois contos. Destaca-se a obra Os demónios de Álvaro Cobra, que deu ao autor o Prémio Cidade de Almada 2012, assim como Mal Nascer que lhe deu um lugar na final do Prémio Leya 2013. O autor foi também vencedor do prémio “Mais Literatura”, da revista Mais Alentejo, em 2014.
Conciliando com a escrita, Carlos Campaniço é Diretor de Programação do Auditório Municipal de Olhão.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PROCURANDO RESPOSTAS E A MONTANHA POR ACHAR

Procurando sempre respostas. Os caminhos são sempre vários, e há uma montanha por achar. Quinta e sexta foram mais dois dias de grande densidade. Por onde andamos (começando pelo topo esquerdo, e no sentido dos ponteiros do relógio)?

1. Sessão sobre o regadio e o novo bloco de rega, cujo projeto vai arrancar;
2. Apresentando o escritor Carlos Campaniço, na Escola Profissional de Moura;
3. Ponte do Coronheiro, cuja reabilitação vai ser feita, agora que a Assembleia Municipal deu, por fim, luz verde ao empréstimo que a Câmara Municipal necessita;
4. Promovendo a candidatura de Edgar Silva, numa sessão pública no Sobral da Adiça;

A montanha por achar é um poema de Fernando Pessoa.


A montanha por achar

A montanha por achar
Há-de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.
O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.
A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.

O REGADIO AVANÇA, COM TODA A CONFIANÇA


Teve lugar ontem a sessão promovida pela EDIA, com o apoio da Câmara Municipal de Moura e da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, destinou-se a apresentar a solução base do circuito hidráulico de Póvoa-Moura e respetivo bloco de rega. Oxalá o projeto passe do papel e a água chegue. Tenhamos confiança.

A água que queremos é pretexto para este post, feito em ritmo americano. A poesia de um dos meus autores favoritos, Robert Frost (1874-1963) e pintura de uma naturalista americana, Mary Stevenson Cassatt (1844–1926), cujas Red poppies, de 1880, estão hoje no Philadelphia Museum of Art. Por mim, prefiro as jumping poppies, mas isso é uma opção pessoal.


Going For Water

The well was dry beside the door,
And so we went with pail and can
Across the fields behind the house
To seek the brook if still it ran;
Not loth to have excuse to go,
Because the autumn eve was fair
(Though chill), because the fields were ours,
And by the brook our woods were there.

We ran as if to meet the moon
That slowly dawned behind the trees,
The barren boughs without the leaves,
Without the birds, without the breeze.

But once within the wood, we paused
Like gnomes that hid us from the moon,
Ready to run to hiding new
With laughter when she found us soon.

Each laid on other a staying hand
To listen ere we dared to look,
And in the hush we joined to make
We heard, we knew we heard the brook.

A note as from a single place,
A slender tinkling fall that made
Now drops that floated on the pool
Like pearls, and now a silver blade.