quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

ELEMENTOS - ÁGUA 7

Acaba aqui o ciclo água e artes. Em breve, virá outro elemento.

O final de E la nave va. No meio de uma água que é falsa e por entre ondas de plástico. Podia ter escolhido outro filme, mas a ilusão deste final serve na perfeição.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ONDAS DO MAR DE ALQUEVA


A Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. (APA) promoveu, entre 8 de janeiro a 8 de fevereiro de 2018, o procedimento de consulta pública da proposta de lista de águas balneares para o ano de 2018. Em volta de Alqueva há quatro espaços previstos: dois (novos) no concelho de Portel, um em Mourão, outro em Reguengos de Monsaraz.

Elliott Erwitt, Brighton, 1966

Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo?

e ai Deus, se verrá cedo?

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado?
e ai Deus, se verrá cedo?

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro?
e ai Deus, se verrá cedo?

Se vistes meu amado,
o por que hei gram coidado?
e ai Deus, se verrá cedo
  

O poema "Ondas do mar de Vigo" foi citado, mas não transcrito, em finais de novembro passado. A propósito de um passeio à praia de Scheveningen. É um dos nossos mais belos poemas medievais. Autor? Martim Codax, de quem pouco se sabe. Era galego e viveu entre meados do século XIII e inícios do século XIV.

RECORDANDO DA COSTA

Post para os "mais de 50".

Usain Bolt anunciará, dentro de horas, onde vai jogar futebol. Não conheço as capacidades futebolísticas do grande Usain. Mas a sua velocidade fez-me lembrar os confrontos entre Nené (Benfica) e Da Costa (Sporting). Nené era rapidíssimo e Da Costa um defesa duro (não sei porquê, mas os defesas mais tesos jogavam sempre com as meias descaídas...). Nené, além de ser veloz, era um jogador pouco "corajoso" fisicamente. Nos jogos em que apanhava Da Costa pela frente, só tinha uma escapadela, lançar as bolas em profundidade e batê-lo ao sprint. Várias vezes o vi fazer isso, por entre os apupos dos adeptos encarnados, e "cagarola" é a única palavra que devo reproduzir.

Isto são historietas de 1975, 1976...

Da Costa (1953-1981) teve, desgraçadamente, um carreira pouco feliz. Um acidente de viação incapacitou-o, aos 24 anos, para o desporto. Veio a falecer, demasiado jovem, de ataque cardíaco.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

OLHOS DE LUZ


Testes de luz, feitos há uns anos, no Castelo de Moura. Um trabalho brilhante, literalmente, de Maria João Pinto-Coelho. Este foi dos projetos que não tive oportunidade de terminar. Um dia será terminado, seguramente. Por agora, registo a fachada do convento, transformada em cara. Ou em carranca, melhor dizendo. Os olhos cheios de luz, como escreveu Baudelaire. Les fleurs du mal, ainda e sempre.


Le flambeau vivant

Ils marchent devant moi, ces Yeux pleins de lumières,
Qu'un Ange très savant a sans doute aimantés ;
Ils marchent, ces divins frères qui sont mes frères,
Secouant dans mes yeux leurs feux diamantés.

Me sauvant de tout piège et de tout péché grave,
Ils conduisent mes pas dans la route du Beau ;
Ils sont mes serviteurs et je suis leur esclave ;
Tout mon être obéit à ce vivant flambeau.

Charmants Yeux, vous brillez de la clarté mystique
Qu'ont les cierges brûlant en plein jour ; le soleil
Rougit, mais n'éteint pas leur flamme fantastique ;

Ils célèbrent la Mort, vous chantez le Réveil ;
Vous marchez en chantant le réveil de mon âme,
Astres dont nul Soleil ne peut flétrir la flamme !


 

domingo, 25 de fevereiro de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: LIMÕES

Die zitronen! Die zitronen!, exclamava um excitadíssimo grupo de turistas alemães uma vez, ao espreitar um quintal em Mértola. Eram limões que, suponho, conheceriam apenas das prateleiras dos supermercados. As cidades do sul têm sol e têm cheiros. Por isso, o norte europeu me deixa sempre tão frio.

Início de um decálogo sobre frutos que dão cor e sensações à vida.

Em árabe é ليمون. Ou seja, lymun.


Alexander Zimin (n. 1970) pintou esta paisagem com um limoeiro. Não há referência ao sítio, mas apostaria que é em Itália.

Os limões

Escuta, os poetas laureados
movem-se apenas entre plantas
com nomes pouco comuns: buxos, ligustros ou acantos.
Por mim, prefiro os caminhos que vão dar às fossas
cobertas de ervas onde em lameiros
meio secos os miúdos apanham
alguma enguia definhada:
as veredas que bordejam as ravinas,
descem por entre os tufos dos canaviais
e entram pelas hortas, por entre os limoeiros.

É melhor ainda quando a algazarra dos pássaros
se cala engolida pelo azul do céu:
mais claro se ouve o sussurro
dos ramos amigos no ar que quase não se move,
e as impressões deste cheiro
que não consegue separar-se da terra
e faz chover no peito uma doçura inquieta.
Aqui das divertidas paixões
por milagre cala-se a guerra,
aqui também nós os pobres temos a nossa parte de riqueza
que é o cheiro dos limões.

Olha, nestes silêncios em que as coisas
se abandonam e parecem perto
de trair o seu último segredo,
esperamos por vezes
descobrir um erro da Natureza,
o ponto morto do mundo, o elo que não liga,
o fio do novelo que finalmente nos leva
ao centro de uma verdade.
O olhar procura derredor,
a mente indaga harmoniza separa
no perfume que se espalha
quando o dia mais enfraquece.
São os silêncios nos quais se vê
em cada sombra humana que se afasta
alguma perturbada Divindade.

Mas a ilusão perde-se e o tempo transporta-nos
até ruidosas cidades onde o azul se mostra
apenas em pedaços, no alto, entre os telhados.
Então a chuva cansa a terra: concentra-se
o tédio do inverno sobre as casas,
a luz torna-se avara – a alma amara.
Quando um dia, de um portão entreaberto
por entre as árvores de um pátio
se nos depara o amarelo dos limões;
e o gelo do coração se desfaz,
e ao peito afluem
as suas canções
as trombetas de ouro da solaridade.

Eugenio Montale (1896-1981)
Tradução de José Manuel de Vasconcelos

sábado, 24 de fevereiro de 2018

NÃO MEREÇO TANTA ATENÇÃO, PALAVRA! MAS, OBRIGADO!

Escrevi, em 28 de dezembro de 2017:

Deixei as funções autárquicas há exatamente 67 dias. Tenho mantido, desde então, uma posição distanciada e discreta em relação à política local. Por opção. Por me parecer ser essa a atitude mais adequada. Mantenho-me, contudo, atento e interessado, como mourense que sou. Continuarei, seguramente, o projeto de investigação em torno da arqueologia no Castelo de Moura. Acompanharei também as iniciativas que decorrem na minha terra. Em muitas delas tive intervenção direta. Será um prazer vê~las concluídas.

Curiosamente, continua uma verdadeira fixação de alguns responsáveis autárquicos quanto à minha pessoa. A despeito de estar posto em meu sossego, continuo, obsessivamente e a despropósito, a ver o meu nome citado por tudo e por nada. Em reuniões de câmara e nas sessões da assembleia municipal. Nada que me incomode. Ontem, no final da sessão da assembleia, um desses responsáveis saudou a mudança havida desde outubro e o ter deixado de ali haver um ambiente irrespirável.


Neste momento (24.2.2018), já lá vão 122 dias. A "fixação" continua. Algo que me deixa quase orgulhoso. Ontem, na Assembleia Municipal de Moura foram lidos ofícios que enviei a uma Junta em 2015 (!). E foi criticada a minha ausência numa feira em Valpaços, que teve lugar no dia 5 de maio de 2017. Há 300 dias. Que a minha estratégia de condução e de promoção do concelho estava errada etc. etc. Ou seja, quem está hoje no poder comporta-se como se estivesse na oposição. Uma atitude bizarra e complexada.

A estratégia estava errada? Se estava errada, ponham outra em prática. Para isso foram eleitos...

Pela parte que me cabe, continuarei sem alterar o meu registo. E explicarei, em livro e de forma detalhada, o que foi feito, porque foi feito e como foi financiado. Porque palavras leva-as o vento.

Quanto à obsessiva preocupação do presidente da câmara de Moura para com a minha pessoa, só tenho a dizer

MUITO OBRIGADO!


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ENTRE MOURA E ANGRA

ARQUEOLOGIA URBANA E REABILITAÇÃO – CASTELO DE MOURA

O castelo de Moura foi, até aos anos 30 do século XX, parte viva e integrante da cidade (fig. 1). A partir dessa altura, deu-se início a um processo sistemático de destruição das habitações no espaço intramuros. A razia foi quase total e abrangeu ainda parte substancial do Convento de Nossa Senhora da Assunção. Um bairro (fig. 2) passou a terreiro. A vontade de ajardinar o espaço e o abrir ao público tardou 70 anos a ser realizada. Um primeiro momento foi concretizado em abril de 2004. Um segundo na primavera de 2013. Entre um e outro houve necessidade de tornar visitável a torre de menagem. E de construir um posto de receção aos turistas. A musealização da torre ficou concluída em 2012, passados que tinham sido 23 anos sobre o início do processo (figs. 3 e 4). O posto de turismo abriria portas no ano seguinte.

A arqueologia acabou, inesperadamente, por ter um papel de destaque no processo de renovação do castelo. O posto de turismo seria uma construção em L, replicando o alinhamento dos muros existentes no local até ao início do século XX. Uma fachada cega retomaria o sítio de um antigo muro de quinta (fig. 5). Uma fachada envidraçada abriria a área de receção aos turistas para o jardim em que, de facto, o castelo se tornou. Na ausência de um programa de reabitação, criavam-se equipamentos, consentâneos com as novas necessidades do castelo. Um auditório coberto rematava a extremidade norte do novo edifício. Quando o dossiê me foi entregue os projetos de execução estavam terminados. Voltar atrás teria custos pesados e penalizaria processos de financiamento comunitário em curso. Concretizar o auditório parecia-me um perfeito disparate. Numa localidade com 8500 habitantes, havia já um teatro e dois auditórios. Outro equipamento destes teria custos pesados de construção e de manutenção. Antevia-se uma utilização esporádica do espaço.

A escavação arqueológica acabaria por dar outro curso ao projeto. Pouco depois do início dos trabalhos surgiram, no local do futuro auditório, duas peças funerárias romanas de grandes dimensões: uma placa e uma ara, ambas reutilizadas na construção de muros. Uma rápida sucessão de achados arqueológicos obrigou à alteração do projeto. O auditório foi suprimido. O edifício foi rematado no topo setentrional por uma nova fachada envidraçada, virada para a área arqueológica (fig. 6). Que nos revela esta escavação, que se tornou decisiva no processo de reabilitação do castelo?

De forma sumária, as intervenções realizadas permitiram definir um conjunto de cinco grandes ocupações, balizadas entre finais do século XI/meados do século XII e os séculos XVII/XVIII:

1. Admitimos que possam ter pertencido ao minarete da antiga mesquita o muro, as escadas e o muro de acesso à zona da casa do poço (fig. 10). Não nos é possível determinar com exatidão a data deste muro, que é, em todo o caso e pelas datações de carvões encontrados junto à sua base, anterior a meados do século XII. Temos ainda troços de uma rua do final do período islâmico (figs. 7, 8 e 10).

2. Com o abandono das estruturas habitacionais islâmicas tem lugar, num momento de transição (segunda metade do século XIII?), a preparação do terreno que irá ser usado como cemitério. Num segundo momento, instala-se o cemitério e começa a funcionar, sobre as estruturas islâmicas confinantes com a rua, uma pequena igreja. Datam desse período os enterramentos mais antigos (fig. 10).

3. Em meados do século XIV, tem lugar a construção de uma igreja de raíz (figs. 7 a 10). As sepulturas escavadas junto ao muro noroeste da igreja estão associadas a numismas de meados do século XV, que funcionam como baliza cronológica para esta ocupação.

4. No decurso do século XV, provavelmente a meio da centúria, procede-se a uma remodelação, que abrange parte substancial da área escavada. A igreja é ampliada. Os muros são acrescentados na vertical. Procede-se então a um novo enchimento, que define uma nova pavimentação, que passa a ser o novo piso do cemitério (fig. 10).

As sepulturas de maior aparato, pertencem a esta fase, época em que o campo mortuário parece assumir maiores proporções. Trata-se de uma mera suposição, uma vez que as sepulturas detetadas nesta área não foram levantadas, o que não permite aquilatar da presença de um cemitério mais antigo, subjacente a este.
5. Em meados do século XVI, e em fase coincidente com a instalação do convento, a igreja é abandonada. Dos séculos seguintes, XVII e XVIII, são visíveis vestígios de construções que parecem estar relacionados com uso castrense do espaço, nomeadamente uma calçada, que nos testemunha essa fase de ocupação mais recente (fig. 7).

A reabilitação não se cingiu, neste caso, à refuncionalização de um espaço ou de um edifício. Se a adaptação da torre de menagem não colocou problemas de maior, a criação de um novo equipamento (fig. 11) obrigou, e tendo em conta a relevância dos vestígios arqueológicos identificados, à adaptação do edifício que estava projetado. E levou à posterior inclusão das novas ruínas no circuito de visita do castelo.

Santiago Macias (historiador – Vereador do Pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Moura entre 2005 e 2013; Presidente da Câmara Municipal de Moura entre 2013 e 2017)

Texto que resume uma conferência feita em Angra do Heroísmo. Em curso de publicação.

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Fig. 1 – Castelo de Moura (vista aérea – c. 1940)

Fig. 2 – Largo da Portaria (1938)

Fig. 3 – Torre de menagem (após a musealização)

Fig. 4 – Torre de menagem (após a musealização)

Fig. 5 – Zona do Largo da Portaria e local do futuro posto de receção aos turistas (c. 2000)

Fig. 6 – Posto de receção aos turistas e área arqueológica

Fig. 7 – Vestígios arqueológicos medievais

Fig. 8 – Vestígios arqueológicos medievais

Fig. 9 – Altar da antiga igreja de Santiago

Fig. 10 – Planta de área arqueológica
Fig. 11 – Posto de receção aos turistas

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

ÁGUA - QUALIDADE EXEMPLAR EM MOURA DESDE HÁ MUITO

Esta notícia veio no site da Rádio Planície no dia 6 de novembro de 2017.

Cito: "a atribuição deste galardão pela ERSAR, pretende evidenciar as entidades prestadoras de serviços de abastecimento público de água que em 2016 tenham assegurado uma qualidade exemplar da água para consumo humano".


A qualidade da água em Moura é um combate antigo. A renovação da rede de águas foi concluída em abril de 2012. O investimento foi superior a 3.500.000 euros.

É claro que haverá quem queira cavalgar a onda. Uma coisa é certa. O mérito constrói-se. Não chega por via divina. Ou com a propaganda do momento.


NEL MEZZO DEL CAMMIN


A meio. O livro sobre a experiência autárquica vai a meio. Primeiro texto: escrito no dia 21.12.2017. Deviam ser 150 crónicas. Passaram para 214. Já lá vão 107. Ou seja 1,75 textos por dia desde o início do inverno. Ou seja, e por alto, 7.000 caracteres por dia.

O livro está como as pinturas corporais usadas no Vale do Omo, na Etiópia. É um rascunho, pintalgado de ideias e de factos. Com muitos números e com dados precisos. Para alguma coisa me serviram 17 cadernos A5 (dos que uso na arqueologia), mais 10 moleskines e 4 caixas de apontamentos. Mais os resumos das reuniões de câmara, mais os orçamentos etc.

Teaser, ao jeito publicitário:
Texto 106 - O Congresso Municipal de DJ
Texto 107 - Pagamentos em atraso: do 80 ao 8

No meio do meio do terceto da escrita, este livro diverte-me de forma muito especial. Sairá em 2019. Ou em 2020. Logo se vê.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O EFEITO BOM-BOKA

As bom-bokas foram um caso de estudo em publicidade. A "agressividade" e o espalhafato da campanha fizeram com que o produto fosse falado, comentado e desejado. Os consumidores viram, depois, que o produto não correspondia, minimamente, às expetativas. Falava-se mais da campanha publicitária que do produto em si. As bom-bokas rapidamente despareceram de circulação.

Na política, muitas vezes, também é assim. Há políticos que, a nível nacional e a nível local, aparecem com uma boa propaganda, ótimas expetativas e, supostamente, grande dinamismo. Depois, puf!, desaparecem como as bom-bokas. Era só imagem e nada de substância. O efeito bom-boka desfaz-se num ápice.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

JORGE SAMPAIO, POR PAULA REGO

Interessantíssima, a entrevista de Paula Rego ao The Guardian, hoje. Achei divertida esta passagem, a propósito do retrato que fez ao Presidente Jorge Sampaio: "Painting the portrait of the president of Portugal, Jorge Sampaio, nearly killed me. We started working in the studio of the last king of Portugal: he’d been a very good painter and had a studio in what is now the president’s official residence. It was quite impossible – people kept coming in and saying, “That arm isn’t quite right”, or, “His nose isn’t like that.” In the end I said: “Maybe we should go somewhere else.” We went to a room full of glass cupboards and I worked very hard". Benditos assessores, que tanto sabem de pintura...

Texto integral aqui:
https://www.theguardian.com/artanddesign/2018/feb/20/paula-rego-painting-all-too-human-tate-britain-germaine-greer

ISTO ESTÁ A FICAR PIOR (OU PIORA)

A "portavoza"? E a senhora, mudará o nome para Irene Montera?

A questão da igualdade, uma causa decisiva, torna-se carnaval e folclore. É pena.

NEVOU EM MÉRTOLA

Nevou, mas não em sentido literal. Eram 09:05:13 de ontem quando o telemóvel disparou. As amendoeiras na margem direita do Guadiana, estão assim, brancas. Já ontem, na ida e vinda entre Mértola e a Póvoa de S. Miguel, tinha reparado numa primavera que chega muito antes de tempo. E sem ter havido chuva. E sem ter havido neve. As amendoeiras estão assim, like snow.

Like snow

She, then, like snow in a dark night,
Fell secretly. And the world waked
With dazzling of the drowsy eye,
So that some muttered 'Too much light',
And drew the curtains close.
Like snow, warmer than fingers feared,
And to soil friendly;
Holding the histories of the night
In yet unmelted tracks.


Robert Graves

LE MACRON QUI RUGIT

Como no filme The mouse that roared.

Macron que pergunte ao Dr. Paulo Portas. Ele diz que viu as provas das ADM do Iraque... Ou aquele compadre que viu um OVNI, que tinha a forma de um "charuto acabaçado".


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

COMEÇAMOS BEM...

Uma auditoria interna para verificar votos? OK...
E responsáveis, há?
Ou, como de costume, "foi azar"?

ARTS JOURNAL - oh, as casas, as casas, as casas

Pensamos, por vezes, "pronto, já não volto a este tema". A publicação está feita e o assunto arrumado. É o está... Acreditava, seriamente, que o tema das casas islâmicas tinha sido encerrado com a edição de Mértola, o último porto do Mediterrâneo. Depois disso, o assunto ainda foi aflorado na escavação do castelo de Moura. Onde há uma interessantíssima casa dos séculos XI/XII d.C.. E dados relevantes para se perceberem as modificações das mentalidades bem expressas nas diferentes perceções do urbanismo - v. livro sobre as escavações em http://santiagomacias.org/publi.php?livros - pp. 83-86 e 118-119.

Estava isto arrumado quando a minha colega Alicia Carrillo, da Universidade de Córdova, me "impôs" a participação num número especial, sobre o al-Andalus, da publicação suiça Arts Journal. OK, vamos a isso. Acho que é a última vez, mas talvez não seja:

HOUSES AND DAILY LIFE IN THE GHARB AL-ANDALUS

PUZZLE FOTOGRÁFICO

O livro chegou-me, há semanas, às mãos. É um trabalho sobre o percurso de uma investigadora que, nos anos 20 e 30, fez também fotografia. O livro é assinado por um técnico reputado. So far, so good.

O pior é que um número substancial de locais (de norte a sul de Portugal) aparece como "sítio não identificado". Comentei com uma colega "ele nem se deu ao trabalho de procurar...". Em poucos minutos, consegui ver o sítio exato de onde tinham sido obtidos cinco das imagens, que se reportavam a espaços urbanos. Um exercício facílimo. Bastava um pouco de esforço, nada mais. Com o google, então, aquilo é de caras. Há outro puzzle que não consigo resolver: como é que se editam livros assim?

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O SPORTING E NÓS

Bruno de Carvalho ganhou de forma claríssima. De seguida, apelou a um boicote à Comunicação Social. De seguida...


Infelizmente, o sucesso de Bruno de Carvalho é, de certo modo, um reflexo do modo de sentir da maioria silenciosa. Não só da do Sporting, bem entendido. Posso estar errado, mas é o que me parece.

MECÂNICA AVANÇADA PARA PRINCIPIANTES

Tenho com a mecânica uma relação semelhante à da loira da anedota que não sabia para que servia aquele tampão que dizia 710. Tudo o que tem a ver com roldanas, correntes, parafusos, encaixes, etc., me deixa num estado do profundo enervamento. A primeira vez que andei de avião, num Boeing 737-200, fiquei admiradíssimo por uma parte do motor se "desencaixar", creio que como sistema auxiliar de travagem. Achei quase mágico que aquilo não se partisse tudo... Tenho uma longa história de "anedotas" mecânicas. A última foi notar que faltavam parafusos: um em cada roda do carro. Em Mértola, o amigo Zezé foi generoso e não se riu muito quando lhe expus o problema. Limitou-se a dizer "é mesmo assim, é para a chave de segurança". O André foi menos caridoso quando lhe relatei o episódio ao telefone, "sim, a chave de segurança é aquela coisa que mandaste fora, porque pensaste que era uma peça que estava a mais".

Cada um é para o que nasce. A minha carreira não estava nestes domínios. Nisso, ao menos, acertei.