domingo, 30 de setembro de 2018

OS ANOS 70 NUNCA DEVIAM TER EXISTIDO - RAZÃO Nº 3: O INTERIOR DAS CASAS

O interior das casas era uma trip e as decorações seguiam o padrão Haight-Ashbury... Paredes brancas? Mas que grande aborrecimento! Cor e mais cor. E bom gosto em excesso. Em Queluz, em 1975 entrámos num delírio colorido. A entrada e a cozinha estavam pintadas em tom escarlate, a sala era azul ferrete, o quarto dos meus pais num adocicado verde água. Em meados da década de oitenta, o bom senso desceu à Terra e voltou a ser tudo branco.

sábado, 29 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE - άλφα


Os bilhetes custam 10 euros. Com tanta publicidade (há dias, trabalhadores pediam esclarecimentos sobre a situação que se vive na instituição, seja lá isso da "situação que se vive" o que for...), a exposição de Robert Mapplethorpe vai ser dinheiro em caixa. Aguardemos os números finais.

Já agora, gostam das fotografias?

JUDEUS EM MOURA

Pormenor do fol. 388 v. do manuscrito da Bodleian Library (segundo estudo de Tiago Moita)

Que Moura tinha uma comuna de judeus é facto há muito conhecido. Até à data, contudo, não se conseguiu localizar, de forma inequívoca, o sítio da judiaria. Ou seja, do bairro onde morava a comunidade. Não temos, sequer, prova de que viveriam num sítio apartado, como os mouros. Os documentos que consultei, em tempos, na Torre do Tombo apontavam para uma “concentração” de comerciantes judeus no quarteirão onde mais tarde se instalou a Misericórdia. Não é de estranhar que assim fosse. Tratava-se de um grupo bem instalado na vila, com meios financeiros acima da média e com instrução e hábitos culturais que os destacava dos restantes moradores.

Dos judeus de Moura nada ficou. A razia que se seguiu à expulsão, em finais do século XV, foi quase total. Não temos uma única lápide funerária, um só indício quanto à localização da sinagoga ou qualquer evidência da presença da comunidade judaica na nossa terra. Não fossem os textos na Torre do Tombo e poderíamos dizer que nunca teriam existido.

Mas há mais e melhor que os pergaminhos das Chancelarias Régias. Fui, há tempos, contactado por um teólogo ribatejano, Tiago Moita. Veio, simpaticamente, dar-me conhecimento da existência de uma Bíblia Hebraica, feita em Moura. Data de 1470 e está hoje na Bodleian Library, em Oxford. Tem a cota MS Canon. Or. 42. Tiago Moita fez a sua investigação neste domínio, tendo-se doutorado com uma tese intitulada “O livro hebraico português na Idade Média: do Sefer He-Aruk de Seia (1284-85) aos manuscritos iluminados tardo-medievais da Escola de Lisboa e os primeiros incunábulos”. Coligiu cerca de 60 manuscritos hebraicos, produzidos entre os séculos XIII e XV. Ainda que Lisboa lidere, em termos de quantidade de documentação produzida, há manuscritos de localidades como Faro, Torres Vedras, Elvas, Évora, Guarda, Leiria, Loulé, Moura, Porto, Santiago do Cacém, Seia e Setúbal. Como se lê no resumo da tese “depois da expulsão dos judeus de Portugal em 1496/97, o principal destino destes livros foi a Península Itálica, além do Norte de África e do Império Otomano, como é patente na informação interna deixada pelos sucessivos proprietários dos volumes”. O que foi, para nós, uma terrível perda cultural tornou-se, para outros, motivo de enriquecimento. A produção de uma bíblia hebraica, ricamente decorada, na nossa terra é um dado a raiar o insólito. No texto “A Bíblia hebraica de Moura: um testemunho de arte mudéjar no Alentejo”, Tiago Moita explica o contexto preciso em que tal sucedeu. Foi copiada por Samuel ben Abraham Altires para Isaac Gabay, um rico mercador lisboeta, no ano de 1470.


Que as seis dezenas de manuscritos deste período estejam hoje, sem exceção, em bibliotecas estrangeiras (Estados Unidos, Rússia, Suiça, Reino Unido etc.) é uma perda para todos nós. E é motivo de vergonha. Que um deles, de rara beleza, tenha sido produzido por um conterrâneo nosso, desconhecido mas talentoso, deve orgulhar qualquer mourense.

Crónica em "A Planície"

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

TERTÚLIA NA MOURARIA

Mais uma iniciativa dos meus amigos Alice Reis e Jorge Liberato. Só prometi que não vou dar seca nos convivas. Vai ser uma conversa entre amigos. À volta da comida e da bebida na Idade Média. Um tema sempre atual, até porque nos permite constatar o que mudou em vários séculos de evolução humana.

Uma estreia: é a primeira vez que alguém de Moura me convida para uma iniciativa destas. As anteriores intervenções extra-política foram sempre resultado de convites de pessoas "de fora".

Gosto destes regressos, enquanto vou trauteando "Moura, das fontes a murmurar, quando a tarde vem descendo...".

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

HELENA ALMEIDA (1934/2018)

Tenho verdadeira admiração pela obra de Helena Almeida. Foi tema de dois textos, em 2010 e em 2015. Portugal ficou ontem um pouco mais pequeno. Discreta e silenciosa, a sua partida é coisa de pouco notoriedade. O tempo lhe dará o destaque. Não é para já, será daqui a uns anos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O ÍCARO DE TANCOS

O texto de Valentina Marcelino, no DN, explica o caráter meio criptado do nome da operação que parece começar a desenlear a meada de Tancos. Cito:

"Orgulho ou autoconfiança excessiva: arrogância; insolência" é o significado. Para os gregos, húbris era uma conduta desmedida considerada um desafio aos deuses e que acarreta a ruína de quem assim age. O DN questionou a PJ e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o porquê da escolha. "Foi o que se passou", é a tese da PJ e do Ministério Público, justificada por fonte diretamente envolvida na investigação. Tudo atribuído à PJ Militar.

É uma explicação envergonhada. Escolhem-se títulos assim porque isto é um raio de um País de Poetas. Nessa tradição (oxalá ainda esteja entre nós o Capitão Quesada) temos operações como "Natal Sobre Rodas" ou "Páscoa Feliz". Hubris é um nome mais sofisticado e remete para uma atitude de desmedida arrogância, antes da queda fatal. Aconteceu a Ícaro e, aparentemente, ao Ícaro de Tancos.


Para estar de acordo com o ambiente poético aqui fica o célebre poema de William Carlos Williams (1883-1963):

Landscape with the Fall of Icarus

According to Brueghel
when Icarus fell
it was spring

a farmer was ploughing
his field
the whole pageantry

of the year was
awake tingling
with itself

sweating in the sun
that melted
the wings' wax

unsignificantly
off the coast
there was

a splash quite unnoticed
this was
Icarus drowning

terça-feira, 25 de setembro de 2018

BOMBAS NAS ASPIRINAS

Não vem a propósito de nada em particular, mas vale a pena recordar uma das páginas mais sórdidas do direito do mais forte à liberdade. Há 20 anos, e no meio do mais completo desvario, os Estados Unidos bombardearam uma fábrica de armas químicas. Verdadeiro? Falso. A fábrica sudanesa que foi destruída até aos alicerces dedicava-se a produzir aspirinas. As armas de destruição maciça andavam na ordem do dia. O inefável Paulo Portas garantiu ter visto provas da sua existência. Há aquelas pessoas que garantem ter visto recentemente Elvis Presley numa rua de Nova Iorque. Cada um vê o que quer ver, ou o que lhe interessa ver...

Ler:
https://www.theguardian.com/world/2001/oct/02/afghanistan.terrorism3

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

ELEMENTOS - FOGO 4

Quando a música é fogo. George Frederick Handel (1685-1759) compôs esta peça em 1749. Foi a forma encontrada pela coroa britânica para celebrar o fim da Guerra da Sucessão, na Áustria, e a assinatura do Tratado de Aix-la-Chapelle, que tivera lugar em 1748. Música de pompa, para celebrar grandes acontecimentos.

domingo, 23 de setembro de 2018

STARDUST MEMORIES Nº 22: UMA DECISÃO IRREVERSÍVEL

A cena passou-se há muitos anos, algures no distrito de Beja. Discutia-se a chegada da luz elétrica a uma determinada localidade. E o que era necessário fazer para ultrapassar problemas ainda por resolver. Numa reunião com os habitantes da pequena localidade, o técnico da autarquia alongava-se em explicações técnicas. A linguagem que usava era pouco menos que cifrada. A dada altura disse, enfático, "é que a decisão é irreversível!". Uma senhora levantou-se no público e proclamou "pois eu não estou acordo; eu vou-me decidir por um Philips, que a minha filha já me disse são muito bons!".

Histórias de um País que já não é este.

PÓVOA E ESTRELA, VEZES DOIS

Não era exatamente o que queria ter feito... Há desequilíbrios de contraste, as fotografias foram feitas com diferentes aparelhos etc. E, bem entendido, tive de recorrer ao "arquivo" pessoal. A 200 quilómetros era difícil ter feito de outro modo. Mas gostei deste regresso. Dentro de dias, o regresso será real.

Participei em trabalhos fotográficos sobre três terras do meu concelho: Amareleja (2017), Moura (2001) e Santo Aleixo (2010). Pode ser que, um dia, a saga tenha continuidade... Prosseguir com a Póvoa e com a Estrela, isso é que era.




HOJE, NA PÓVOA DE S. MIGUEL

Não estou hoje, na abertura.
Mas verei a exposição, em breve. A despeito da minha crónica dificuldade de fotografar em grupo, gosto de marcar presença. Em especial em sítios como a Póvoa e a Estrela.

sábado, 22 de setembro de 2018

CACE

Em 2/3 do País isto é uma concha. No terço restante (o Alentejo) é um cace. Ainda ontem, ao almoço, ouvi dizer isso "um cozido de grão e nem um cace trouxeram...". O uso da palavra fora da nossa Pátria é motivo de gáudio. Tenho bem presente a hilaridade que provocava nos meus tempos de estudante que dizia cace e não concha. Palavra que, neste contexto, não uso. Em caso algum.

Tentem lá encontrar o étimo da palavra. Cace não existe, tal como não existe acarro. Em árabe cálice (no sentido de copo) é kas (v. grafia mais abaixo), soando exatamente como nós dizemos. Creio ser essa a origem da palavra que nós usamos. A menos que haja outra explicação devidamente "certificada", que desconheço.

Incluo aqui uma imagem do conhecido "Qissat Bayad wa Riyad", uma história de amor de finais do século XII/inícios do século XIII. A cena sugere vagamente uma qualquer vernissage, mas é na realidade uma situação habitual na vida da corte: um grupo ouvindo música, de kas na mão. O manuscrito está na Biblioteca do Vaticano.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ENSINO INFERIOR

Virei a esquina da Av. D. Carlos I para a Rua dos Industriais. Dali até ao Palácio do Machadinho são menos de 300 metros. De dentro do ISEG vinham uivos. Pelo passeio espalhavam-se, de litrona na mão, os veteranos. Estavam a praxar. Ou, melhor dizendo, estavam a cretinizar. Tenho ódio profundo às praxes. Nos últimos dias, tem sido um fartote. As cenas são as habituais e não vale a pena perder tempo com descrições. Quando virei para a Rua do Quelhas, os guinchos prosseguiam. Os cretinizadores, de capa escura a fingir Academia, continuavam por ali. Acabou? Não acabou nada... À tarde, na estação de metro do Rato, um grupo de tontos - que no próximo ano também cretinizarão - subia as escadas ladrando, vigiado por um mais um par de veteranos.

A cretinização é a palavra de ordem em Lisboa, nas próximas semanas.

OS ANOS 70 NUNCA DEVIAM TER EXISTIDO - RAZÃO Nº 2: O CALÇADO MASCULINO

A meio da década, não havia macho latino que se prezasse que não andasse de cabelo comprido, casaco comprido, sapatos de tacão alto e mariconera...

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

MAPPLETHORPE NO PORTO

Conheci a obra de Robert Mapplethorpe através do Black book. Polémicas à parte, é um livro extraordinário. Os nus masculinos são peças de referência na fotografia do século XX, tal como o são muitas outras obras dele, as de inspiração clássica, as naturezas-mortas, os retratos...

De amanhã até janeiro, já com visita marcada.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

UM FRANCO QUALQUER...

Aconteceu ontem.
Hoje a RTP veio pedir desculpa. É o mínimo.
A confusão dos nomes é lamentável. Já a imagem do Vale dos Caídos ultrapassa tudo o que se pudesse imaginar.
Amadorismo e ignorância de alto custo.


COISAS DO DIA: DRESS CODE E LIVROS ESCOLARES

1. Sim, há ocasiões que requerem alguma formalidade. Não é necessário fazer de umas calças de ganga e de uma camisa desabotoada um casus belli, mas há coisas que não são necessárias. Andar em atos oficiais num estilo casual não dá um ar jovem ou descontraído, põe-nos fora de tom e desfocados. Foi erro que já cometi e a que, salvo distração, não tornarei.

2. Não estou de acordo com a gratuitidade de fichas e manuais escolares para todos. É uma falsa justiça e uma falsa democracia. Pretende-se uma igualdade que, na verdade, não existe. Porque, no bloco de partida, uns saem mais à frente, outros mais atrás... Pior ainda são as cenas de distribuição dos livrinhos por parte de responsáveis políticos, que se repetem por todo o País.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ALQUEVA E MOURA - 2014/2023: CRONOLOGIA RECENTE E FUTURA DO REGADIO


Teve lugar em Moura uma sessão de apresentação do do Bloco de Rega de Moura, Póvoa e Amareleja. O anúncio tem sido saudado com agrado, como seria de esperar. E como se justifica. Não se trata, contudo, de uma novidade.

Final de junho de 2014 - Elaboração dos termos de referência para os concursos dos projetos de execução da zona de Reguengos e Póvoa-Amareleja.
3.11.2015 - José Pedro Salema, presidente da EDIA, anuncia que está em estudo aumentar 27% e beneficiar mais 45 mil hectares, ou seja, passar dos 120 mil hectares, previstos no projecto inicial, para 165 mil hectares. Havia uma estimativa do investimento necessário, que era de 150 milhões de euros para os 45 mil hectares, mas não havia garantia de financiamento.
14.1.2016 - Sessão, em Moura, de apresentação de arranque do projeto.
8.3.2016 - Sessão sobre o futuro do regadio no concelho de Moura: encontro com agricultores (na Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel).
6.7.2016 - Afirmava o Ministro da Agricultura que sem o financiamento do BEI [Banco Europeu de Investimento] não era possível concluir o Alqueva.
14.11.2017 - O Banco Europeu de Investimento aprovou um empréstimo de 260 milhões de euros para Portugal; a maior parte do dinheiro é para aumentar a área de regadio do Alqueva.
17.11.2017 - Anúncio, pelo Ministério da Agricultura, que irão ser, até 2022, criados mais 49.427 hectares de regadio, distribuídos por 13 novos blocos de rega
1.2.2018 - O anúncio volta a ser repetido. Moura/Póvoa: 10.000 hectares previstos.
12.5.2018 - Jornal "Público": Preço da energia em Alqueva é um buraco financeiro para a EDIA. Interesse público “não foi devidamente salvaguardado” nas concessões das centrais hidro-eléctricas de Alqueva e do Pedrogão à EDP e a EDIA tem de se virar para o fotovoltaico.

Agora, o anúncio voltou a ser repetido. Prazo de conclusão das obras? 2021/2022/2023. Curiosamente, os comunicados que vão saindo não permitem apontar, com rigor, uma data.


Novidades, não há. Expetativas, sim.

domingo, 16 de setembro de 2018

PARAÍSOS ORIENTAIS - (re)discoverislamicart

O acesso intimida. Há a escadaria principal, depois o controle policial, depois outra escadaria. Mas valeu a pena. A exposição era pequena, mas tinha peças extraordinárias. É o outro Islão, o do mundo oriental. Antes de lá chegarmos passamos pelos Passos Perdidos. E, no final, pelo jardim. Fechou anteontem. Se aqui registo uma coisa que já foi, é porque os próximos dias andarão à volta dos paraísos orientais. E do (meu) retorno à arte islâmica.


Do site da Assembleia da República:


Exposição “Ideais de Liderança: obras-primas das coleções do Museu Aga Khan”
A exposição “Ideais de Liderança: obras-primas das coleções do Museu Aga Khan” apresenta uma seleção de pinturas islâmicas em miniatura e artefactos emprestados pelo Museu Aga Khan de Toronto.
As histórias ilustradas nas imagens e transmitidas pelos objetos fazem referência a alguns dos mais importantes e intemporais ideais de liderança, aos quais os governantes aspiraram ao longo dos tempos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

APESAR DE VOCÊ...

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão


Num interrogatório quiseram saber de Chico quem era o VOCÊ. "É uma mulher muito mandona, muito autoritária", respondeu.

"Você" era Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), presidente brasileiro durante os anos mais violentos da ditadura. Um facínora, condecorado pelo Estado Português. É uma canção que fica bem a todos os pidezecos, aos bufos, aos tiranetes de todos os tamanhos e feitios.

Chico Buarque explica as coisas.
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar


Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal

VICE-PRESIDENTE DO SPORTING É DA SALÚQUIA

A Salúquia é um bairro de Moura. Para alguns de nós, é O bairro de Moura. Está, desde há dias, representado nos corpos sociais do Sporting. Através da Vice-Presidente Maria Serrano Sancho. O que pode um benfiquista convicto desejar nestas alturas? Desejar sorte à minha vizinha e amiga! Um bom e tranquilo mandato, que o desporto não é só futebol.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A DATA DA FEIRA DE SETEMBRO E A FESTA DO “AVANTE!”

Com regularidade, com mais regularidade do que imaginaria, fui ouvindo ao longo dos anos a pergunta “então, a feira de setembro este ano mudou de data por causa da Festa do “Avante!”? Lá explicava, com mais ou menos detalhe a existência de um regulamento municipal, que a data não tinha a ver com a festa do jornal etc. etc. Não tenho a certeza de ter sido bem sucedido em todas as minhas explicações. Deixo aqui algumas perguntas e respostas, que creio poderão esclarecer quem ainda tiver dúvidas:

1. Desde quando é que a feira de setembro tem esta data, ou seja, abrindo oficialmente na segunda sexta-feira de setembro?
A feira de setembro tem esta data desde final dos anos 80, salvo erro desde 1988. Foi aprovado um regulamento municipal determinando essa altura do mês. Durante trinta anos (e com três presidentes CDU e dois PS), nunca esse princípio foi alterado. Nunca essa mudança foi proposta.

2. Porque é que a data “cai” nesse fim de semana e não noutro?
Há uma explicação concreta e que se prende com o declínio por que a feira – com dias fixos (8, 9 e 10 de setembro) – então passava. Que sucedia? Quando o dia 8 era numa segunda ou numa terça-feira, só esse dia efetivamente era de feira. Quando se chegava ao dia 10, o recinto estava deserto. E recorde-se que nessa altura não havia pavilhões nem infraestruturas como as que hoje existem. Urgia colocar a feira entre sexta e domingo. Como fazer então? No primeiro fim de semana de setembro eram as festas de Safara, no terceiro as do Sobral. Ficava “disponível” o segundo fim de semana, durante o qual também não havia (razão adicional) outras feiras nas imediações. Para evitar situações como a deste ano especificou-se no regulamento municipal que a feira seria no “segundo fim de semana contado pela segunda sexta-feira”. Nada mais claro, nada mais simples. E se conheço com tanto detalhe esta matéria é porque em 1988 era Chefe da Divisão Socio-Cultural da Câmara de Moura e participei ativamente neste processo.

3. O que é que a Feira de Moura tem a ver com a Festa do “Avante!”?
A data da nossa feira nada tem a ver com a Festa do “Avante!”, como é mais que evidente. Nunca se procurou qualquer esquema para permitir aos mourenses estarem nas duas iniciativas. De resto, passaram pela autarquia, entre 1989 e 1997, dois presidentes socialistas que nunca questionaram a data da feira. É, pois, necessária muita imaginação para engendrar como explicação para a data da feira o tempo de realização da Festa do “Avante!”…

4. Porque é que a feira este ano coincidiu com a primeira sexta-feira do mês?
A feira de setembro começou este ano, oficialmente, no dia 7, porque a Câmara de Moura cometeu uma ilegalidade e optou por não cumprir um dos seus regulamentos.

5. Pode mudar-se a data da feira?
A data da feira pode ser mudada. Basta para tal que se cumpram os procedimentos (aprovação pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal). Ora isso não aconteceu.

Os factos são estes. As opiniões, a que todos temos direito, são outra coisa.

Crónica publicada hoje, em "A Planície"


O PERIGO DO AEROPORTO DE LISBOA - FALA QUEM SABE

Texto no facebook de José Correia Guedes, ex-comandante da TAP (dia 5.9.2018):


Hoje de manhã na Biblioteca Nacional fazendo pesquisa para a biografia do Carlos Bleck com o olho direito mas com o esquerdo atento à janela não fosse algum avião entrar por ali dentro sem ser convidado. Já imaginaram a notícia do Correio da Manhã no dia seguinte? Seria assim:
"Ex comandante da TAP morre atropelado por um Boeing 737 * enquanto trabalhava na biografia de um pioneiro da aviação". Com tantos ingredientes aeronáuticos o jornal ia atrair os entusiastas destas coisas e ganhar provavelmente uma segunda edição. Pela enésima vez falar-se-ia na mudança do aeroporto para outro lugar:
"Que acham do Montijo? E de Beja?"
Nota - * Por favor; se tiver que acontecer que seja no mínimo um Airbus A340 ou um Boeing 777. Haja respeito.

ATENÇÃO - Até aqui estive a brincar mas o assunto é extremamente sério. Este aeroporto deve sair do lugar em que está o mais cedo possível antes que aconteça uma tragédia de proporções inimagináveis. Não basta falar no ruído e na poluição, é preciso dizer sem ambiguidades que existe perigo real e que só ainda não aconteceu uma catástrofe porque a Nossa Senhora estava atenta e a jogar a nosso favor. Mas Ela às vezes também dorme.


Não se trata de uma "boca" qualquer, mas da opinião de alguém com milhares de horas de voo. Tirei esta imagem da net e assinalei o edifício da Biblioteca Nacional. A lógica do não-há-de-ser-nada-se-deus-quiser é a que manda. Nem quero pensar numa tragédia assim... Por todos os motivos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

RACHID TAHA (1958/2018)

Nunca tinha ouvido falar em Rachid Taha, até ir a Argel. Foi o senhor Mustafá, o motorista da embaixada, quem nos iniciou nestas sonoridades. Mal entrávamos no carro e tínhamos direito ao Ya rayah... Que não era um original seu, mas sim de Dahmane El Harrachi. Em todo o caso, a sonoridade vibrante de Rachi Taha conquistou-me. A canção anda em volta de um exilado, de alguém que quer voltar a casa.

Ao saber, há pouco, do falecimento de Rachid Taha vieram-me à memória as palavras de Jacques Berque, no notável Mémoires des deux rives. Durante um regresso ao Cairo (e atrevo-me a traduzir) interroga-se "pergunto-me, para minha grande surpresa, se não seria aqui que eu me deveria radicar até ao fim dos meus dias...". Rachid Taha faleceu em Paris, longe da sua Sig natal. Escolher o sítio do exílio final foi fortuna que não teve.


TRIBUNAL DE MOURA - QUEM FOI O AUTOR DO PROJETO?

O dado não é novo e está publicado no livro "Moura - culturas e mentalidades", de José António Correia. Por acaso, e quando recolhia informação para um estudo em curso, voltei a encontrar, no meio de muitas informações sobres obras do Estado Novo, o nome do arq. Francisco Augusto Baptista. Um bracarense formado no Porto. E que, na nossa região, assinou o desenho da filial da Caixa Geral de Depósitos em Beja (a segunda, que a primeira teve projeto do futuramente célebre Porfírio Pardal Monteiro). Foi o autor do Tribunal de Moura, inaugurado no dia 8 de junho de 1969.

Nota - Para além do livro de José António Correia, a referência a Francisco Augusto Baptista está na tese de mestrado (datada de 2009) do eng. Joaquim José Antunes Ferreira, Reabilitação de coberturas em tribunais.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

11 DE SETEMBRO

Faz hoje 45 anos que Salvador Allende (1908-1973) foi assassinado. Pelos paladinos da dimócraci e dos iuman rraites. E às mãos daquele que nomeara.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: ROSMANINHO

Acaba este decálogo com o perfume do rosmaninho. Ainda o verão não acabou e já há saudades da primavera, a mais extraordinária das estações, no nosso mediterrâneo.

O rosmaninho é do povo, tal como esta quadra ao gosto popular, de Fernando Pessoa.

Acaba o decálogo, mas segue o blogue. Que está quase a cumprir uma década ininterrupta.


Rosmaninho que me deram,

Rosmaninho que me deram,
Rosmaninho que me deram,
Rosmaninho que darei,
Todo o mal que me fizeram
Será o bem que eu farei.

DIEGO VENTURA EM MOURA

Foi a segunda vez. E não inferior à primeira passagem pela nossa terra. A praça cheia foi a resposta dos aficionados a um cartel de qualidade. Grandes lides, um belo curro e uma atuação esforçada e corajosa do nosso grupo. As pegas não foram fáceis, mas a entrega foi total.

Claro que o que Diego Ventura fez não está ao alcance de todos. E a emoção e a entrega com que cita e a arte de cada ferro transmite-se ao público. Sentiu-se isso muito bem na passada sexta-feira. É que tal como no toureio a pé há José Tomás e Roca Rey e depois os outros, na lide a cavalo passa-se o mesmo com Diego Ventura.

Não houve porta grande. Mas podia bem ter havido.

OBJETOS E MUSEUS: UM PERCURSO SINUOSO

Começo a minha próxima semana nesta mesa redonda. Termino-a com outra, em Almodôvar. Dia 17 andarei pelas imediações da Sé. O Teatro Romano de Lisboa é um sítio à parte na minha geografia sentimental. Da desqualificação total passou, com esforço e talento, a ser um dos mais belos sítios da cidade antiga.

Lá estarei.

domingo, 9 de setembro de 2018

FÉ EM VALE FORMOSO

Ao princípio de uma tarde de luz, no passado sábado, foi formalmente inaugurado o lagar de Vale Formoso, no limite norte do concelho de Moura. Tiveram a simpatia de me convidar. Fui, claro.

São projetos que requerem fé, do princípio ao fim. A família Ostos tem essa fé, não só na capacidade empreendedora, como num sentido mais lato. A presença de um padre, a escultura em ferro representando a Cruz, a leitura de textos deram o mote. E marcaram a tarde.

O azeite é o símbolo maior da nossa região. A palavra evoca paisagem e economia. Mas também cultura e espírito de partilha. Vem a propósito recordar uma passagem do Deuteronómio (24:20):

Quando varejares as tuas oliveiras, não voltes a colher o resto que ficou nos ramos; deixa-o para o estrangeiro, o órfão e a viúva.

sábado, 8 de setembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XVI

Ida e vinda de uma reunião no Turismo de Lisboa.

14:26 - Para lá. Não sei se é agradável trabalhar neste edifício da EDP (Rua D. Luís I). Mas que é chamativo, lá isso é.


16:08 - Para cá. Ao cruzar a Rua do Instituto Industrial reparo, pela primeira vez, nestas "palhotas". Há gente e há música. E praia, no sexto andar, também haverá?


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

BREVEMENTE: GRAUS ACADÉMICOS NOS BRINDES DA FARINHA AMPARO

Juro que não é embirração. Mas estes esquemas de facilitismo deixam-me furioso.
Só por brincadeira (se a brincadeira não for muito cara...) vou pedir equiparação da minha licenciatura em História da Arte - a nota nem foi má de todo - a mestrado. E se para ter mesmo o grau tiver só de apresentar uma dissertação, vou nessa.

Em linguagem direta: as licenciaturas pós-Bolonha são insuficientes. Andamos a preparar técnicos super-especializados, que ficam com um conhecimento muito limitado do que alheio à sua área específica de formação. Parece que o argumento é o mercado de trabalho. Tremam, filósofos e latinistas... À margem, e a peso de ouro, vão nascendo super-elites.

Posts anteriores sobre este tema:

18.2.2010
https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2010/02/bolonha.html

18.7.2011
https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2011/07/ainda-es-do-tempo-das-licenciaturas.html


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O KITSCH, PARA CÁ DOS URAIS

Trata-se, aparentemente, de uma cena de um filme soviético de final dos anos 60. A canção chama-se Hanina Ranina. Há ali qualquer coisa que equipara isto a um certo cinema português da mesma época: Sarilho de fraldas, Rapazes de táxis, por aí...

A coreografia, à gatitos de alvalade, não é nada má. Mas do que mais gosto é da mensagem subliminar dos calções-bandeira-americana.

SLAPSTICK COMEDY

319 dias depois de ter deixado a presidência da Câmara de Moura ainda assino papéis nessa qualidade. Que se reportam ao passado, bem entendido. E que têm a ver com atrasos de não sei quê, de não sei qual departamento governamental, que é responsável pela situação. Assino, claro. Não vale a pena criar dificuldades.

Nestas alturas lembro-me sempre de um género que muitas vezes cito, a slapstick comedy. Quando era miúdo, espatifava-me a rir com as cenas dos bolos de creme. É o que me apetece fazer. Comprar um bolo de creme e pumba!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

PENÉLOPE EM PATERNA

Mergulhado na cerâmica de Paterna (uma localidade que fica cinco quilómetros a noroeste de Valência e que foi um centro oleiro de extraordinária importância na Idade Média), vou avançando em leituras, paralelos e tipologias. Não é tanto este "regresso ao passado" que é a melhor parte da investigação, mas sim o facto de permitir (mais) uma releitura do estatuto social das minorias muçulmanas.

A tese inédita de Anna McSweeney apresenta uma extenso catálogo de materiais, quase todos recolhidos no Museo Nacional de Ceramica y de las Artes Suntuarias Gonzalez Marti, em Valência. Muitas das peças apresentam padrões gráficos, como se de tapetes se tratasse. Foram alguns desses desenhos que recolhi. Que fiz e refiz, ao jeito da manta de Penélope. Que é o tema de um bonito e sugestivo poema de David Mourão-Ferreira.

Site do Museu - http://www.mecd.gob.es/mnceramica/home.html


PENÉLOPE

Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

DESTRONANDO A ESCRITA

E foram precisos dois jornalistas para isto.

TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE AGOSTO DE 2018: EM SAMORA CORREIA, COM OS SILVA HERCULANO

O texto mais visto no blogue em agosto (com 571 leituras) foi este. Consolido a ideia de que os que têm a simpatia de passar pelo blogue são pessoas com motivações muito diversificadas.


QUARTA-FEIRA, 22 DE AGOSTO DE 2018


EM SAMORA CORREIA, COM OS SILVA HERCULANO

A conversa tinha umas semanas.  E tinha ficado acertado que nos encontraríamos em Samora Correia, na noite de dia 20. Silva Herculano é o nome da ganadaria e tem base na Amareleja. Henrique Herculano é o seu jovem proprietário. Num meio difícil tem vindo a construir um percurso firme. A noite da passada segunda-feira foi disso prova cabal. Touros bons para os cavaleiros e para os forcados. Com a exceção do terceiro, que se fechou em tábuas. Mas que não dificultou em demasia a pega. Antes do último da noite, o ganadeiro teve direito a uma merecida volta de honra.

Uma noite bem passada, com um grupo de bons amigos. Um abraço para si, Henrique!


E ESTAMOS QUASE NA FEIRA

E estamos quase na Feira.
Que antes era assim chamada, porque era a que contava. A de maio não tinha nem metade da importância que tem hoje, espaço que ganhou nas últimas décadas.
E a Feira Anual era, no início, pela Santa Maria.
Faltam dois dias.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

ISTO ERA UM MUSEU

"Isto não é um sítio ou uma coisa qualquer, por favor. Isto é um museu." As frases foram ditas com acrescido esforço e com a voz embargada pela comoção. Podiam ser ditas a propósito da tragédia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Reportavam-se, contudo, a uma outra instituição, em Portugal. Que estava então em grande risco. O episódio passou-se há uns anos e quem falava assim, com tanto calor, é um conhecido investigador e museólogo.

Os museus não são uma coisa qualquer. Infelizmente, são muitas vezes vistos como algo semelhante a uma vitrine das virtudes e das glórias da Pátria. No Brasil como em Portugal. São ótimos cenários para receções, assinaturas de coisas importantes, para mostrar o fausto dos tempos idos e para entreter a turma do croquete. Escrevia alguém nas redes sociais "só no Brasil ardem museus". Não é verdade. Em Portugal, foram fruto da incúria, da incompetência dos orçamentos, do "isto não há-de acontecer, era preciso muito azar" incêndios como o do Museu de História Natural, em 1978, e o da Galeria de Arte Moderna, em 1981. Nos últimos anos muita coisa melhorou? Sim. Mas não o suficiente. Porque sítios assim não são uma coisa qualquer. São museus.

Resta a memória:

domingo, 2 de setembro de 2018

SÁBADO NO MEDITERRÂNEO

Sábado com início em Alvito e término na Luz. Podiam ser as bodas alvitenses, mas o que nos esperava era uma Trilogia Mediterrânea I, preparada por Marisa Benjamim. O grupo era diversificado e animado. Andámos à volta do vinho, do pão e do azeite. Uma iniciativa do Prof. Jorge Gaspar, que aqueceu ainda mais uma tarde quente. À minha frente estavam as bodas de Canãa, de Carlos Correia (1975-2018), a partir de Veronese. Uma pintora, já a entrar nos 40, perguntou se era o Santiago que, em Mértola, conduziu uma visita a um grupo de alunos do 1º ciclo, tinha ela uns 12 anos... Tive a tentação de dizer que não.

A igreja, o cemitério e a praça de touros fazem parte de outra trilogia mediterrânea. No caso da Luz foram espaços bem pensados e bem marcados. Foi para a Luz que me dirigi, para dar um abraço a dois amigos solidários, Rui Gato Rodrigues e Francisco Moita Flores. E para estar de perto com os amigos dos forcados da Póvoa. O Rui não desiste de investir na nossa cultura, o Francisco ficou ligado de perto à aldeia. Daí que ontem tenha sido homenageado.

Sábado quente e medirerrânico.