sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ALDRABA - Nº 24

Final da tarde de quarta-feira na Casa do Concelho de Góis. Lisboa fora, vão resistindo "focos" de regionalismo. Fui participar na sessão de apresentação do número 24 da revista ALDRABA. Um exemplo de persistência e de dinamismo. Era já tarde quando a apresentação terminou. Nada a que não me tenha habituado.

Fico agradecido pelo convite e pela amizade de muitos companheiros que ali fui encontrar. Até breve.



Sumário da revista ALDRABA, nº 24:

EDITORIAL 
As oliveiras milenárias, um património ímpar 
João Coelho

OPINIÃO 
O espírito inovador de Francisco Grandella
Ana Isabel Veiga e Luís Filipe Maçarico 

PATRIMÓNIO IMATERIAL
As minhas brincadeiras
Romão Trindade

LUGARES DO PATRIMÓNIO 
Museu Nacional: Memória e lamento
Diana Alves

A história de um encontro do património transfronteiriço
Luís Filipe Maçarico

Viajar, sonhar, reviver…
Luís Cangueiro e Andreia Gomes Martins

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO
Historial do Orfeão da Comenda “Estrela da Planície”
Manuel Morais

RITUAIS, TRADIÇÕES E REALIDADE 
Rocha Peixoto: o etnógrafo estudioso dos “ex-votos”
J. Fernando Reis de Oliveira 

ARTES E OFÍCIOS
João Pintassilgo - mestre oleiro João Mértola do Redondo
Paulo Silveira

SONS COM HISTÓRIA
Os carrilhões de Mafra: do desconhecimento à incompreensão de um património
José Nelson Cordeniz

MEMÓRIAS DO TRABALHO
Comenda, Castelo Cernado, Ferraria e Vale da Feiteira - terras de carvoarias e carvoeiros
Jorge Branco

OS AMIGOS E A MEMÓRIA 
Memórias dispersas
Rosa Honrado Calado 

ALDRABA EM MOVIMENTO 
Maio a Outubro de 2018

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

PARABÉNS, LURDES!

Tínhamos falado disto no verão. Durante um almoço na esplanada do Rubro (passe a publicidade) disse-me que estava com alguma esperança. Mas não mais que isso. Transmitiu-me um pouco aquele sentimento do pode-ser-que-sim-mas-não-tenho-a-certeza. Conheço a Lurdes há mais de 30 anos e uma coisa eu sabia. Se tinha apresentado uma proposta, esta era de qualidade. Contou-me os detalhes do exigente processo de avaliação. E disse-me que até final de novembro haveria novidades. Houve. E boas. Transcrevo do site da Nova:

Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, ERC), distinguiu Maria de Lurdes Rosa, Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH) e investigadora do Instituto de Estudos Medievais, com uma bolsa de 1,6 milhões de euros. Esta bolsa é a primeira Consolidator Grant na área da História atribuída pelo ERC a um investigador português.
O financiamento permite continuar a estudar a história dos morgados nos séculos XIV a XVII, numa perspetiva comparada, em Portugal, seus espaços atlânticos, e outras sociedades da Europa do sul.
Ao trabalho, Lurdes. E muitos parabéns!

STARDUST MEMORIES Nº 23: VERDES ANOS

Aqui, a referência é mesmo cinéfila. Faz hoje 55 anos que estreou o filme Verdes anos, de Paulo Rocha. Um filme importante na História do Cinema Português. Arriscaria, contudo, dizer, que a música é bem mais conhecida que o filme. Em vez da habitual versão de Carlos Paredes aqui fica outra, mais "radical", dos Tantra. O grupo nunca foi bem a minha "praia", mas a sonoridade aqui criada tem graça. Pelo menos, hoje tem. Pelos Tantra passaram vários Heróis do Mar, mas aí a música é bem outra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

MÉRTOLA EM ÁFRICA, NO PADRÃO

O convite partiu do António Camões Gouveia. A ideia era que cada membro do comissariado científico escolhesse uma peça e sobre ela falasse e a integrasse num discurso sobre África. Visto de fora? Naturalmente, nós não somos africanos.

O caso da peça de Mértola é um "extremo", por não se tratar de uma peça fabricada em África. Como se diz no texto:

A rota de ouro do comércio mediterrânico começava em Sevilha, tocava os portos da Tunísia e ia terminar lá longe, em Alexandria ou em Antioquia. Era um percurso que todos os mercadores conheciam e que várias vezes ao longo do ano tinham que percorrer. À Península Ibérica vinham buscar a prata que faltava no Oriente. Para a Península Ibérica traziam os tecidos, os perfumes e os artigos de luxo para as elites andaluzas. Esta peça de luxo, produzida no al-Andalus, com influências tunisinas, espelha bem essa rota. Representa uma cena de caça, em que um galgo e um falcão atacam, em simultâneo, uma gazela. A excecionalidade da peça reflete também o caráter exclusivo que a caça de volataria tinha.

Passei hoje pelo Padrão dos Descobrimentos. Para ali constatar a originalidade com que o António resolveu a diversidade de abordagens. E para ser surpreendido com o nome de alguns amigos que também estão neste Contar Áfricas!


terça-feira, 27 de novembro de 2018

UNIVERSIDADE DE LISBOA - PRÉMIO 2018

Feliz final de tarde, o de ontem. A cerimónia de entrega do Prémio Universidade de Lisboa de 2018 teve lugar no salão nobre da Reitoria. António Borges Coelho recebeu a distinção das mãos do Reitor, António Cruz Serra, e do Presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo. Foi o quinto premiado, desde que, em 2014, se começou a atribuir este galardão. Antecederam-no Adriano Moreira, Nuno Teotónio Pereira, Jorge Calado e Maria de Sousa.

Continua, aos 90 anos, a escrever com o sentido poético de sempre. Continua com o rigor de sempre. Com a mesma fraternidade. Com o mesmo sentido de combate. Pela História e pelos Homens.


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

QUANDO O RACISMO É SUBLIMINAR...

Há um jovem português a brilhar no basquetebol universitário americano. Os pais são guineenses. Ele chama-se Neemias Esdras Barbosa Queta. Nas primeiras notícias apareceu mencionado como Neemias Queta. Que é o nome dele e é o que surge no twitter onde se anuncia a sua contratação. Ora bem, Queta não soa a "português". Nem soa a branco. Resultado? Agora o jovem é apresentado como Neemias Barbosa...

Quantas faces tem o racismo?


domingo, 25 de novembro de 2018

MESQUITAS / المساجد

Domingo cinzento e murcho. O silêncio tomou conta de Mértola. Nem tudo é mau. Isso dá espaço para retomar um velho projeto. Estão agora, 15 (quinze) anos depois de ter sido sugerido, criadas condições para ser concretizado.

Nem foi por causa da (nula) complexidade do projeto. Mas sim pela vertigem dos anos 2005/2017. Revisitemos então as mesquitas. Percorramos de novo o silêncio dos muros e o branco das salas de orações. Entremos nas mesquitas. Nas do Mediterrâneo e nas do Médio Oriente. Com uma incursão ao Mali.

De momento, é o habitual caos de negativos, provas de contacto, esquemas de paginação, ampliações e notas de todo o tipo. Haverá livro, em maio de 2019.

sábado, 24 de novembro de 2018

CIDADE AZUL / CIDADE ROSA

O quadro está na antecâmara da sala de sessões da Câmara Municipal de Lisboa. Não é uma grande obra, mas tem um estilo otimista e um pouco pompier, que me agradou. O azul do céu reflete-se nas calçadas e aquela luz única, entre o dourado e o rosado, está nas paredes de Lisboa. Por isso gostei do quadro.

A reunião foi mais rápida que o meu regresso à Madragoa, a pé, como sempre, pelas ruas de trás, como sempre. O caminho é por terra firme. Tão firme como o percurso dos projetos que vão, felizmente, avançando. Não sem dificuldades, mas sempre em frente.


O autor do quadro é o polaco Edward Dwurnik (n. 1953).

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

MAIS LIVROS E MAIS HISTÓRIAS, MÉRTOLA - 2018

Começa a Feira do Livro de Mértola. A escrita, o livro, os contos, a palavra dita são os temas que estão no centro das atenções. Sempre tive como certo um ponto: uma feira do livro não é um festival cultural onde se vendem livros. É uma festa que tem os livros e a escrita (ou a tradição oral) como ponto essencial. A diferença começa a fazer-se aí, em coisas que são aparentemente evidentes.

Ver - https://www.cm-mertola.pt/municipio/comunicacao-municipal/noticias/item/2843-feira-do-livro-de-mertola-2843

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

CAMARADOS?

Muita gente se indignou com esta saída de Pedro Soares. O qual reagiu, dizendo que "mexeu no vespeiro do politicamente correto". Mais politicamente correto que o neologismo de Pedro Soares não deve haver. Estas e outras invenções deverão ser tema de debate para linguistas. E para linguistos, bem entendido.

Para os distraídos, fica uma pequena nota: esta rapaziada vive disto... A bacorada está logo no início.





GEOMETRIAS AFRICANAS

Na permanente procura de geometrias e de geografias, e à volta do génio de de Malick Sidibé (1936-2016), fui encontrar um fotógrafo que não conhecia, Eliot Elisofon (1911–1973) . Da obra do fotojornalista escolhi este exemplo de pura beleza, uma mulher jarawa (Nigéria), uma imagem com quase 60 anos.

Todas as coisas que há neste mundo

Todas as coisas que há neste mundo
Têm uma história,
Excepto estas rãs que coaxam no fundo
Da minha memória.
Qualquer lugar neste mundo tem
Um onde estar,
Salvo este charco de onde me vem
Esse coaxar.
Ergue-se em mim uma lua falsa
Sobre juncais,
E o charco emerge, que o luar realça Menos e mais.
Onde, em que vida, de que maneira
Fui o que lembro
Por este coaxar das rãs na esteira
Do que deslembro?
Nada. Um silêncio entre juncos dorme.
Coaxam ao fim
De uma alma antiga que tenho enorme
As rãs sem mim.
13-8-1933

O que tem o poema de Fernando Pessoa a ver com a fotografia? Absolutamente nada. É tão bonito quanto ela, nada mais.




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

QUIZZ CINEMATOGRÁFICO

No caos do meu computador fui encontrar esta imagem. As perguntas aqui ficam:

1. Quem é o senhor vestido de militar nazi?
2. Isto é uma cena de que filme (dica: os títulos em inglês e em português não têm nada a ver um com o outro)?
3. Quem é o realizador do filme?
4. O filme, rodado em Portugal, passava-se supostamente noutro país. Qual?
5. E, para 50.000 euros, em que edifício de Lisboa é que esta cena foi filmada?

As primeiras quatro perguntas, e ultrapassada a primeira, são fáceis de resolver. Já a quinta...


terça-feira, 20 de novembro de 2018

ESTRADA NACIONAL 255

Os comentários, os reparos, as críticas, de pouco servem neste momento. Que esta imagem me espantou profundamente, por inesperada e reveladora, isso é certo.

NAS FRANJAS DA EUROPA - DE PETRELIK A GIOIA TAURO

Quase podia dizer que andei pelas fronteiras do cinema atual. Evito cuidadosamente os blockbusters e vejo, hoje em dia, pouco cinema. Dois murros no estômago, bem recentes:

Western, de  Valeska Grisebach
A Ciambra, de Jonas Carpignano.

Petrelik fica a 3500 metros da fronteira com a Grécia, a Traversa a Via Ciambra (o sítio não tem bem direito a nome) fica a 1100 metros do centro de Tauro Gioia, na Calábria. Parecem sítios do outro mundo, e fora do mundo. Na primeira há uma comunidade pobre, que mantém, no filme, uma relação dúbia com emigrantes alemães de ar pouco próspero (também os há); na segunda, vivem ciganos. Tudo, mas tudo mesmo, nos é familiar.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

MONUMENTOS - Nº. 36 (MÉRTOLA)

Ora cá está. Leia-se o texto da D.G.P.C. no facebook:

A Direção-Geral do Património Cultural apresenta a Revista Monumentos nº 36. A sessão de lançamento realiza-se no próximo dia 22, no Forte de Sacavém.

O presente número é dedicado a Mértola, no ano em que o Campo Arqueológico de Mértola (CAM) comemora 40 anos. 

Nos estudos e reflexões que foi possível reunir destaca-se a relevância do trabalho pioneiro do CAM, que é por essa razão homenageado. A Revista faz também um ponto de situação sobre o estado do conhecimento acerca desta vila baixo-alentejana e da sua importância patrimonial.

'Monumentos' é uma publicação técnico-científica anual dedicada à divulgação do património construído, na perspetiva de assegurar a sua valorização e salvaguarda.


Participo com dois textos (um co-autoria, o outro quase a solo). Um deles tem o título, pouco canónico, de 350.000 horas mais tarde. Ou seja, aqui estamos ao fim de 40 anos de Campo Arqueológico, que são as tais horas somadas.

O tempo passa depressa. Mértola é um ponto decisivo na vida de tantos de nós. A imagem da capa é muito bonita. E dá uma imagem de solidez. É disso que os projetos precisam. De solidez, de segurança e de uma produtiva longevidade.


domingo, 18 de novembro de 2018

PARABÉNS, PAULO BARRIGA!

Tanto silêncio nas redes sociais. Vai o homem e ganha um prémio atribuído pela Comissão Nacional da UNESCO. E depois a gente vai "à busca" da notícia e não há, por estas bandas, notícia. Pouco se fala no prémio. Lembro-me, sempre, da frase atribuída ao matemático Victor Puiseux (1820–1883): a inveja é a homenagem que a inferioridade tributa ao mérito.

Enquanto desempenhei funções autárquicas, não devo ter ligado ao Paulo Barriga, diretor de um regional regional, mais que duas ou três vezes. Não me parecia adequado.

Liberto dessas "peias" morais e éticas, telefonei há pouco ao Paulo para o felicitar. Parabéns para ele e para o "Diário do Alentejo".

Ver - https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/

TANTO QUE EU GOSTAVA DE VIVER NA CIDADE DO SENHOR MINISTRO...

O Senhor Ministro do Ambiente garante, do fundo da sua voz Barry White, que anda de elétrico e de metro e que gosta dos transportes públicos. Eu esforço-me por acreditar, mas não acredito lá muito.

Tenho é inveja da cidade onde o senhor ministro vive. Os transportes públicos funcionam bem e não há serviços suprimidos. Sorte a dele. Na cidade onde eu vivo não é bem assim. Há supressões na CP (aí, upa, upa, nas horas de ponta até fervem, o que dá imenso jeito) e no Metro. A Carris tem ritmos caóticos.

Sorte a do Senhor Ministro, que não vive em Lisboa.

sábado, 17 de novembro de 2018

LUCHO GATICA (1928-2018)

Gosto de boleros na mesma proporção em que os não sei dançar. A que propósito vem disto? Da morte do grande cantor chileno Lucho Gatica, desaparecido há dias. Só hoje me dei conta disso. Lembro-me de o ver atua, há muitos anos!, na TVE, por entre o entusiasmo da família de Paymogo. Cantores populares assim eram tão amados nos dois lados do Atlântico como os brasileiros o são por cá.

El reloj, com legendas em grego.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

DAMNATIO MEMORIAE

Ainda ontem se falou nisto, no colóquio da Faculdade de Letras. É mais que evidente que a mutilação observável em estátuas romanas, mosaicos etc. está longe de ser uma acaso ou um acidente. Com frequência, as motivações são religiosas. Em especial, quando a iconoclasia tomou conta da cabeça das pessoas.

Noutras circunstâncias, o "apagamento da memória", essa eliminação de que aconteceu antes, é claramente político. Temos um excelente exemplo numa lápide mandada fazer para assinalar a construção de uma lápide no castelo de Silves, no verão de 1227. Quem veio a seguir, mandou apagar o nome do construtor.

Uma atitude banal, ao longo da História. E tão menor quanto banal. 


Texto de Artur Goulart de Melo Borges em http://islamicart.museumwnf.org/:
A inscrição, emoldurada por faixa estreita de entrançados, em cursivo nasrida muito floreado e decorativo, preenche em dez linhas e de modo compacto todo o campo epigráfico. A epígrafe comemora a construção de uma torre na cidade de Silves, muito provavelmente a da Porta do Sol. O reforço da capacidade defensiva justificava-se plenamente, pois que, cerca de 40 anos antes, fora ocupada temporariamente pelos cristãos, cujo avanço para o Sul era notório e constituía um perigo eminente para a tomada da cidade, como veio a acontecer de modo definitivo em 646 AH / 1249 AD. Na terceira linha da inscrição foi intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que Lévi-Provençal identifica como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yakub al-Mansur, por ocasião de uma viagem de inspecção a Silves. Terá ordenado o apagamento do nome Shuaib Ibn Muhammad Ibn Mahfuz quando ali formou um pequeno reino independente em oposição aos almóadas.

OS ANOS 70 NUNCA DEVIAM TER EXISTIDO - RAZÃO Nº 5 E DERRADEIRA: AS CAPAS DOS DISCOS DO FREDDY BRECK

Atuou na televisão portuguesa, num programa chamado "25 milhões de portugueses". Do Minho a Timor, era essa a ideia... O programa ia para o ar ao domingo à noite, estava o fascismo a dar o berro. Numa das emissões, marcou presença a Banda dos Amarelos. Mas "25 milhões de portugueses" também tinha estrelas internacionais. Como o alemão Freddy Breck, que era assim uma estrela ao nível da Taça das Cidades com Feira. Usava uns papillons de fazer invejas aos meus e um penteado que mete o do Nuno Melo, do CDS, a um canto.

Os 70 anos eram isto. Não fosse o 25 de abril e da década só se aproveitava a abada que os americanos levaram no Vietname. E o Apocalypse now.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Não pretendo roubar espaço ao jornal, nem tempo a eventuais leitores. Mas há uma coisa que não posso deixar passar em claro, pelas responsabilidades que tive no Município de Moura. É a mentira continuada, que pode colar. Assim, e muito sucintamente:
Foi/é motivo de orgulho ter estado ao serviço do meu concelho, designadamente pela oportunidade de ter trabalhado em projetos que considero cruciais. Em relação a um texto assinado no jornal “A Planície”, pelo atual executivo, tenho a esclarecer o seguinte, por serem matérias que dizem respeito ao meu mandato:
1.       Bairro do Carmo – segundo o atual executivo, “o orçamento não contemplava um metro quadrado de reboco”. Isto não é verdade. O projeto contemplava reboco nas novas construções, naturalmente. E a colocação de reboco nas zonas onde houvesse intervenções que implicassem a sua reposição. O reboco em bom estado não teria necessidade de ser substituído. Sendo uma obra de custos controlados, o essencial era garantir condições de habitabilidade e melhorar a qualidade das casas. Foi para isso que o projeto se fez. O único erro grosseiro é a afirmação do Sr. Presidente Álvaro Azedo.
2.       Torre do Relógio (Amareleja) – “acrescentámos o projeto de iluminação a esta obra”. Isto não é verdade. O projeto de iluminação decorativa foi entregue à Câmara Municipal em 16 de novembro de 2016, pelo eng. Vitor Vajão, e tem estimativa de custos. A sua adaptação à obra em curso era mais que possível. A larguíssima experiência do autor tornaria isso numa tarefa fácil. O Sr. Presidente Álvaro Azedo pode atirar dinheiro à rua, encomendando o que já estava feito. Não pode é dizer que os projetos não existem.
3.       Centro Documental da Oliveira – “é um projeto que valorizamos”, diz o texto do atual executivo. Mas a verdade é que não o vão executar. A intervenção tinha um custo de 2.770.000 euros, dos quais a Câmara Municipal iria pagar 15%. A obra comportaria a reabilitação total do antigo edifício do grémio. Agora, a obra é só na fachada e no telhado O Sr. Presidente Álvaro Azedo opta por deixar o projeto de lado e concretizar apenas uma pequena parte. Não haverá Centro Documental nem nova Biblioteca. É uma opção de gestão. Poucochinha e sem ambição. Que registo.
4.       Gare Rodoviária – “o projeto não contemplava a zona de embarque e desembarque de passageiros e paragem de autocarros”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. O que quererá isto dizer? É que o projeto comportava todos os aspetos necessários a um adequado funcionamento. E foi resultado de uma ampla e complexa negociação com a Infraestruturas de Portugal (empresa que herdou o património da CP). O concurso podia ter sido lançado em final de 2017, como estava previsto. A menos que se ponham a fazer bonitinhos e floreados nos projetos, implicando mais dispêndio.
5.       Dívida da água – “os executivos da CDU não pagaram as faturas de fornecimento da água”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. Esta afirmação é uma mentira grosseira. O acordo de pagamento da dívida da água com a ÁGUAS PÚBLICAS DO ALENTEJO foi aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal em 2014. O PS votou a favor desse acordo. O qual foi posto em prática de imediato. E foi cumprido. Verbas pagas, tanto do acordo, como da faturação corrente? 1.139.000 euros em 2015, 1.251.000 euros em 2016, 1 188.000 euros em 2017. Começou o mandato do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Valores pagos? 535.000 euros, nos primeiros dez meses de 2018. Que se passou? O novo executivo fez, em final de 2017, um novo acordo de pagamento. Do qual pagou ZERO. Ou seja, os 535.000 euros dizem apenas respeito à faturação corrente. Se a dívida se acumulou, a responsabilidade é do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Que devia assumir essa responsabilidade, e não atirá-la para cima de executivos anteriores.

Outras questões da carta do executivo são opinativas e não me merecem perda de tempo. Percebo, humanamente, a necessidade de tentar apagar os projetos anteriores, fingindo que o que agora se apresenta é coisa nova. Não é.
                Ao executivo da Câmara Municipal diria que é preciso mais e melhor trabalho, mais dedicação, mais esforço, para dirigir os destinos de um concelho como o nosso. Continuar o que já estava iniciado é-nos lisonjeiro, mas não chega.

A si, Sr. Presidente Álvaro Azedo, não lhe reconheço conhecimentos, preparação, experiência ou currículo para me passar atestados de incompetência. Como, de resto, a sua ação tem vindo a demonstrar.




Crónica publicada hoje, em "A Planície"

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXI

Ouvido, esta manhã, entre Sete Rios e Entrecampos, dizendo uma amiga para outra: "sinceramente, tenho tido tanta paciência, mas tanta paciência, com aquela pessoa, que já mereço uma aurélia na cabeça".

Woody Allen limita(va)-se a passear pelas ruas de Nova Iorque, observando as pessoas à sua volta. Era esse um dos seus métodos favoritos para arranjar material para os argumentos. Um método infalível...


S. Francisco de Assis com auréola

Aurélia (de Sousa)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

LOBSANG RAMPA REVISITADO

Era um dos ícones da astropsicovigarice dos meus tempos de juventude. 

Na galeria dourada estão também o suiço Erich von Däniken, cujo livro "Eram os deuses astronautas?" foi depois adaptado ao cinema por Harald Reinl e foi um retumbante sucesso. É claro que vi o filme, mas sssshhhhhh, não digam a ninguém. Toda a minha geração via essas coisas, mas só Virgílio Azevedo nelas acreditou.

Algo me diz que este livro vai voltar a ser um sucesso. 

MOURA, O GUADIANA E A MARGEM ESQUERDA

Serão dois dias à volta do Guadiana. Contra minha vontade, participarei sozinho no encontro. Os meus colegas José Gonçalo Valente e Vanessa Gaspar não podem estar presentes e assim ocupar-me-ei a solo da toponímia do sítio. Que não de Moura... Na verdade, há um conjunto de comunicações sobre o nosso território, que está no centro das atenções dos investigadores. Ora aqui vai um pouco de arqueologia.

Dia 14
10:00-10:30 - J. L. RAMÍREZ SÁDABA (Universidad de Cantabria): “El ager occidental de Arucci: Moura. Los testimonios epigráficos”
14:30-15:00 R. DE BALBÍN BUENO (Centro CIL II – Universidad de Alcalá) "Tras el desuso, uso: inscripciones romanas reutilizadas de los concelhos de Serpa y Moura"

Dia 15
9:30-10:00 - R. MONGE SOARES (Universidade de Lisboa, UNIARQ): “Resultados das primeiras escavações no Castelo Velho de Safara (Moura): a ocupação Romano Republicana”
10:00-10:30 - S. MACIAS (CEAACP – Universidade de Coimbra): “Lacant: Novos dados sobre a toponímia na margem esquerda do Guadiana”



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XX

Lisboa é o L.

De luz.

De lioz.

De lisboa.

Mas não o V, de vento. Pelo menos não era...


Até usar chapéu nunca me tinha dado conta que Lisboa é ventosa. E é bastante. O borsalino já, por várias vezes, ganhou asas, Largo Vitorino Damásio fora. Posso por uma fita para o segurar, à Zorro, mas o resultado merece-me sérias reservas.

domingo, 11 de novembro de 2018

ARMISTÍCIO

Passou um século. Depois houve outra guerra. A Alemanha perdeu no campo militar. Ganhou, a partir dos anos 60 do século XX, noutros.

A paz é que nunca chegou. Hoje, com o surgimento dentro de portas, de protagonistas como Salvini, Orban, Le Pen, mais os que já assomam nas democracias nórdicas, a vida complica-se numa Europa cansada, envelhecida e sem soluções. 1918 foi ontem.

sábado, 10 de novembro de 2018

TORRE DO RELÓGIO - MAIS DOIS, TRÊS MESES?

É assim. A obra avança. Agora teve mais um mês e meio de prorrogação para ser concluída. É bom que os que tanto criticaram, no passado, o não cumprimento de prazos percebam que as coisas são assim mesmo. Há sempre dificuldades e problemas a resolver. Pela parte que me toca:

1. Não critico o atraso na conclusão da obra;
2. Saudarei, com prazer, a inauguração da obra da torre, na qual nos empenhámos profundamente (o contrato da obra foi por mim assinado, recordo, no dia 6 de setembro de 2017).

Importante são as coisas e os sítios. Muito menos importantes são os "protagonismos".

Fotografias - ateliermob



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

TÓ-CÃO-CASA-TUA!

Esta história dos quadros que terão pertencido (ou não) a José Sócrates e que estavam algures, e que agora ninguém quer, faz-me lembrar uma história passada numa vila alentejana. Um indivíduo tatibitate, ao avistar uma patrulha da GNR, tentava desesperadamente afastar o seu rafeiro, que estava em situação ilegal, fingindo que o mesmo não lhe pertencia, gritando-lhe TÓ-CÃO-CASA-TUA.

A situação é a mesma, só que em versão fina.

MAIS UM MOMENTO TARANTINO

Mail recebido há dias. Em resumo, tenho/tive um parente em Londres, que morreu num ataque terrorista e que me resolveu deixar 2,9 milhões de libras. Já agora, podia ter deixado 3 milhões...

O texto é delirante. Em vez da versão corrida podemos tentar outra hipótese. Por exemplo, e usando um excerto da "carta":

Dia bom
Em suma introdução

um cidadão do seu país
mesmo sobrenome
(...)
há alguns anos com sua família
em terrorista
atacá-la em Londres
(...)
Eu sou

sua pessoa
advogado.

(...)
graciosamente
Advogado Jozef


Havia poemas assim, há uns anos, na secção dos novos valores da poesia, no "Jornal de Letras".

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

RAID A MATOSINHOS

Nunca tinha ido a Matosinhos. Come-se bem, a preços que são impensáveis mais a sul - em Lisboa isto nunca foi famoso e agora está pior -, mas a cidade tem um ar délabré, uma palavra muito do agrado do meu amigo Cláudio Torres.

O motivo da visita, além do excelso Ópina, foi este edifício. É atualmente uma dependência da uma escola de design. Foi, em tempos, uma agência da Caixa Geral de Depósitos. O projeto data de 1938 e é de Manuel Fernandes de Sá. Uma fachada interessante e melhor que o português suave que viria a seguir. O autor (engenheiro-arquiteto formado em Paris, essas coisas davam estilo ao currículo) trabalhou sobretudo a norte. Este modernismo perder-se-ia logo de seguida.  

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

NO ARTS JOURNAL

O link é este:
https://www.mdpi.com/2076-0752/7/4/77

E a abertura da publicação - ARTS JOURNAL, uma revista online sedeada em Basileia - é esta:

Para aqui chegar houve um caminho a percorrer. Primeiro, o inglês do texto tinha de ser improved. Claro que sim, a minha escrita não deve ser bem oxfordiana, por isso pedi o apoio a uma jovem amiga bilingue, que resolveu aquilo num ápice. Pior foi com os peer-review. Queriam que eu desse outra visão do tema. Ou seja, queriam que eu escrevesse o texto que eles gostariam de ler. Pus os pés à parede, "NÃO ALTERO UMA LINHA", se quiserem publicar, muito bem, se não quiserem publicar, muito bem na mesma. Não alterei nada. O texto foi publicado.

Isto levaria a um outro tema, mas falta-me a pachorra. Ou seja, o da carnavalada em que o sistema de peer-review se está a tornar, o modo opressivo como se vão tentando impor cânones e modos de abordagem, a forma como se vai tentando condicionar a liberdade de pensamento e de escrita com normas e mais normas. A produção literária e científica torna-se uma técnica e uma sucessão de truques. Que, frequentemente, dão em barracas colossais, só descobertas ao fim de muitos anos.

Acho importante a existência de peer-review, mas de forma muito, muito leve. Em especial nas Ciências Humanas. No limite, sou de opinião que só textos como os do cap. Correia de Campos devem ser rejeitados. Já fiz de revisor e já li textos que não são excelentes. Dei o ok a todos. Porquê? Porque não tinham erros, nem falhas metodológicas. O resto (a opinião, a crítica, o contraditório) devem pertencer aos pares - aí sim - e não a uma qualquer mesa censória.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

PORTO ABSTRATO

A exposição na Cadeia da Relação não me despertou especial interesse. Espreitar a vida de Frida Kahlo não me pareceu assim tão interessante quanto isso. Estes momentos dão sempre para olhar para o lado. A "abstração" dos tirantes do Centro Português de Fotografia teve o seu espelho, horas mais tarde, no Museu Soares dos Reis, na tela 023-57, de Fernando Lanhas (que não é a da imagem, mas dentro da mesma linha gráfica...). Um Porto abstrato, muito longe do outro Porto, o naturalista, do qual gosto francamente mais.


TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE OUTUBRO DE 2018: MEU CARO MIGUEL REGO...

Qual foi o texto mais lido do blogue, no mês de outubro? Este. Mereceu 3565 passagens por este sítio. Aguardam-se os próximos capítulos da "novela". 


SÁBADO, 13 DE OUTUBRO DE 2018


MEU CARO MIGUEL REGO...

... acabo de ler isto no facebook:

Na reunião de Câmara Municipal do passado dia 11, os vereadores da CDU apresentaram um VOTO DE PROTESTO pelo afastamento (saneamento político) do Dr. Miguel Rego das suas funções de coordenador da rede de museus do concelho. 
Reafirmaram também o seu reconhecimento público pelo trabalho que o Dr. Miguel Rego desenvolveu em Castro Verde na criação e dinamização do Museu da Ruralidade, "Núcleo da Oralidade", em Entradas, e dos seus pólos ("A Minha Escola", em Almeirim, "Aldeia Comunitária", nos Aivados" e "Núcleo da Tecelagem", no Lombador, no âmbito do conceito de “Museu do Território”.


Reproduzo em letras pequenas, porque a atitude de quem te demitiu está ao nível do tamanho das letras. Considero o Museu da Ruralidade uma das mais consequentes e bem definidas propostas culturais levadas a cabo no sul nos últimos anos. Consegui estar presente em algumas iniciativas (bem poucas, mas os mandatos autárquicos tomam-nos o tempo mais do que deveríamos deixar). E pude constatar a qualidade do projeto, num terreno sempre difícil. Soube o Museu da Ruralidade assumir a sua originalidade e fugir aos chavões habituais. Soube construir um percurso e garantir uma programação. Soube tudo isso e muito mais. Não conseguiu foi resistir à intolerância e ao totalitarismo (aqui entre nós, que ninguém está a ouvir: os que estão sempre a clamar "abertura", "coração aberto", "um concelho para todos" são os piores de todos; são capazes de matar o pai e a mãe para irem ao baile do orfanato...).

Meu caro Miguel, o teu percurso no Museu da Ruralidade está feito e bem feito. Para onde fores, bem farás.

Fica a tilintar uma dúvida:
* Quem vai garantir a continuidade do projeto? Em que condições? Com que dignidade?

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

DIMYANA E A PRAIA DE DONA ANA

A referência está no Mujam al-Buldan, de Yāqūt al-Rūmi. Dimyana é um dos topónimos que não tem identificação, embora se diga que faz parte de Akshunia (Ocsónoba/Faro). Ou seja, provavelmente o topónimo medieval de Dimyana corresponde à zona da praia de Dona Ana, a curta distância de Lagos. O autor do Mujam al-Buldan, normalmente citado como Yāqūt al-Hamawī (1179–1229) viveu na região da Mesopotâmia. Isso não retira pertinência ou rigor ao seu tratado. Está uma síntese disponível nos vols. 39 e 41-42 da revista "Studia" (1974 e 1979).

Aliás, as lendas como as que envolvem o nome dos sítios são, quase sempre, mais cómicas que outra coisa. Veja-se a rebuscada explicação dada na wikipedia para o nome de Dona Ana: "O nome da praia foi dado em homenagem à freira Ana, que vivia no convento das freiras de Lagos. Durante a 1ª Guerra Mundial, os soldados invadiram o convento e assassinaram todas as freiras, à exceção de D.Ana, que tinha acesso a um túnel entre o convento e a praia. D.Ana fugiu pelo túnel e foi a única que sobreviveu".