domingo, 9 de dezembro de 2018

DIAS AMPLOS, VASTOS E DIVERSIFICADOS

Dias de pausa no blogue.

Se há coisas com graça na vida são elas a enorme diversidade de coisas, o leque de pessoas tão diferentes que a nossa atividade nos permite conhecer, a multiplicidade de tarefas que temos de enfrentar. Isso é fácil de conciliar? Nem sempre, mas assim ainda mais estimulante se torna.

Ora deixa cá ver, em jeito de crónica mértolo-mourense:
Quinta-feira houve um interessantíssimo e participado debate sobre Património Mundial, em Mértola. Uma conversa direta e sem rodeios. Em dado ponto, alguém disse que falo da forma que falo porque "tenho as costas largas". Fiquei siderado. Respondi que não sei o que é ter costas largas. Que do meu estatuto de "outsider" digo o que penso. Sempre o fiz. Isso tem um preço. Que sempre me dispus a pagar. Em relação a este processo, dei a minha opinião. Que passarei a escrito, por solicitação da Câmara de Mértola.

Na sexta-feira, a ida à Feira do Vinho, na Amareleja, deu direito a uma noite animada e de boa disposição. Deu, sobretudo, direito a matar saudades. Uma coisa fundamental, numa terra que me é querida. E onde, afinal, deixei mais amizades do que supunha...

Sábado, o registo foi outro. O jantar do Real Grupo de Forcados Amadores de Moura teve lugar em ambiente fraterno. Prolongou-se noite fora e madrugada dentro. Não é só o ambiente de aficionados que me toca. Mas também, e muito, o rever amigos de longa data - de alguns, como o Francisco Derriça da Mouca, fui vizinho, há quase cinco décadas - e outros mais recentes. Aquela mistura de veterania e de juventude são a chave deste (e de tantos outros) sucesso.

Amanhã, regressa o ritmo olisiponense.




sábado, 8 de dezembro de 2018

AVENIDA DA SALÚQUIA, 34: 2008/2018

E assim se passaram dez anos, como se diz no bolero. Visitas? Mais de 1.600.000. Uma média diária de 438. Nada mau, para um outsider.

Não tinha a intenção, de início, de fazer isto assim. Pensava apenas publicar uns textos de vez em quando. Rapidamente, passei a um registo diário. Mantido desde dia 8 de dezembro de 2008. 5300 publicações foram acontecendo. Almoçando, há um par de meses, na "Varina da Madragoa", com um amigo blogger, surgiu a dúvida "como e quando terminar?". Não sei, sinceramente.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

TOP 10 NOS 10 ANOS DE BLOGUE

Este blogue faz amanhã 10 anos. Quais foram os textos mais lidos? Uma nota sem surpresas: Moura "está" em oito dos dez mais lidos.



Eis o top aqui da casa.
1. REAL MADRID OU A MÁQUINA TRITURADORA (23.05.2010) 10006

2. BOLSA DE ESTUDOS DR. ALBERTO FERNANDES (29.03.2018) 8568

3. TODA A POESIA DE UMA CARTA ANÓNIMA (6.05.2017) 7349

4. AINDA DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE O PRÓS E CONTRAS (2.11.2017) 7235

5. VICE-PRESIDENTE DO SPORTING É DA SALÚQUIA (14.09.2018) 5073

6. UM NOVO FUTURO PARA O ANTIGO CAMPO MARIA VITÓRIA (9.09.2016) 4431

7. QUAL A MOURA QUE QUEREMOS? - nº 4 (10.01.2017) 4403

8. AUTÁRQUICAS/2017 - JOSÉ MARIA PÓS-DE-MINA É CANDIDATO EM MOURA (10.05.2017) 4338

9. CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE MOURA (31.05.2018) 4300

10. ANA PRAZERES, UMA MOURENSE EM AMESTERDÃO (11.03.2018) 4213

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ELEMENTOS - FOGO 6

À procura de imagens que acompanhassem as palavras, encontrei algumas fotografias de um fogo que devastou uma localidade norte-americana, em 1908. As casas foram varridas pelo fogo. Eis o poder do fogo, por isso detido pelos deuses.

Repito o Fire and ice, de Robert Frost:

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

MÉRTOLA - PATRIMÓNIO MUNDIAL EM DEBATE

Amanhã haverá debate em Mértola, em torno da candidatura a Património Mundial. Neste domínio, como em tantos outros, não há receitas milagrosas, nem soluções definitivas.

Regresso a Mértola, para reflexão conjunta com amigos de longa data, para tentar lançar mais alguns contributos para o complexo processo de construção patrimonial de Mértola.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE NOVEMBRO DE 2018: FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Sem surpresas, no top das leituras esteve este texto, com 811 acessos diretos. Constato, também sem surpresas e com agrado, que sempre que escrevo sobre o meu concelho, o interesse dispara. Isso também é bom.

QUINTA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2018

FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Não pretendo roubar espaço ao jornal, nem tempo a eventuais leitores. Mas há uma coisa que não posso deixar passar em claro, pelas responsabilidades que tive no Município de Moura. É a mentira continuada, que pode colar. Assim, e muito sucintamente:
Foi/é motivo de orgulho ter estado ao serviço do meu concelho, designadamente pela oportunidade de ter trabalhado em projetos que considero cruciais. Em relação a um texto assinado no jornal “A Planície”, pelo atual executivo, tenho a esclarecer o seguinte, por serem matérias que dizem respeito ao meu mandato:
1.       Bairro do Carmo – segundo o atual executivo, “o orçamento não contemplava um metro quadrado de reboco”. Isto não é verdade. O projeto contemplava reboco nas novas construções, naturalmente. E a colocação de reboco nas zonas onde houvesse intervenções que implicassem a sua reposição. O reboco em bom estado não teria necessidade de ser substituído. Sendo uma obra de custos controlados, o essencial era garantir condições de habitabilidade e melhorar a qualidade das casas. Foi para isso que o projeto se fez. O único erro grosseiro é a afirmação do Sr. Presidente Álvaro Azedo.
2.       Torre do Relógio (Amareleja) – “acrescentámos o projeto de iluminação a esta obra”. Isto não é verdade. O projeto de iluminação decorativa foi entregue à Câmara Municipal em 16 de novembro de 2016, pelo eng. Vitor Vajão, e tem estimativa de custos. A sua adaptação à obra em curso era mais que possível. A larguíssima experiência do autor tornaria isso numa tarefa fácil. O Sr. Presidente Álvaro Azedo pode atirar dinheiro à rua, encomendando o que já estava feito. Não pode é dizer que os projetos não existem.
3.       Centro Documental da Oliveira – “é um projeto que valorizamos”, diz o texto do atual executivo. Mas a verdade é que não o vão executar. A intervenção tinha um custo de 2.770.000 euros, dos quais a Câmara Municipal iria pagar 15%. A obra comportaria a reabilitação total do antigo edifício do grémio. Agora, a obra é só na fachada e no telhado O Sr. Presidente Álvaro Azedo opta por deixar o projeto de lado e concretizar apenas uma pequena parte. Não haverá Centro Documental nem nova Biblioteca. É uma opção de gestão. Poucochinha e sem ambição. Que registo.
4.       Gare Rodoviária – “o projeto não contemplava a zona de embarque e desembarque de passageiros e paragem de autocarros”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. O que quererá isto dizer? É que o projeto comportava todos os aspetos necessários a um adequado funcionamento. E foi resultado de uma ampla e complexa negociação com a Infraestruturas de Portugal (empresa que herdou o património da CP). O concurso podia ter sido lançado em final de 2017, como estava previsto. A menos que se ponham a fazer bonitinhos e floreados nos projetos, implicando mais dispêndio.
5.       Dívida da água – “os executivos da CDU não pagaram as faturas de fornecimento da água”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. Esta afirmação é uma mentira grosseira. O acordo de pagamento da dívida da água com a ÁGUAS PÚBLICAS DO ALENTEJO foi aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal em 2014. O PS votou a favor desse acordo. O qual foi posto em prática de imediato. E foi cumprido. Verbas pagas, tanto do acordo, como da faturação corrente? 1.139.000 euros em 2015, 1.251.000 euros em 2016, 1 188.000 euros em 2017. Começou o mandato do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Valores pagos? 535.000 euros, nos primeiros dez meses de 2018. Que se passou? O novo executivo fez, em final de 2017, um novo acordo de pagamento. Do qual pagou ZERO. Ou seja, os 535.000 euros dizem apenas respeito à faturação corrente. Se a dívida se acumulou, a responsabilidade é do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Que devia assumir essa responsabilidade, e não atirá-la para cima de executivos anteriores.

Outras questões da carta do executivo são opinativas e não me merecem perda de tempo. Percebo, humanamente, a necessidade de tentar apagar os projetos anteriores, fingindo que o que agora se apresenta é coisa nova. Não é.
                Ao executivo da Câmara Municipal diria que é preciso mais e melhor trabalho, mais dedicação, mais esforço, para dirigir os destinos de um concelho como o nosso. Continuar o que já estava iniciado é-nos lisonjeiro, mas não chega.

A si, Sr. Presidente Álvaro Azedo, não lhe reconheço conhecimentos, preparação, experiência ou currículo para me passar atestados de incompetência. Como, de resto, a sua ação tem vindo a demonstrar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXII

É a "minha" estação dos CTT. Fica a 400 metros do local de trabalho. Na passada semana, aproveitei a hora do almoço para enviar uma série de cartas, que já estavam "atrasadas". Reparei, ao olhar o carimbo, que a estação ainda tem o nome de Cortes. Ou seja, o nome que tinha a Assembleia da República antes de ser da República. Veio 1910, chegou 1974 e nada. Cortes era e Cortes ficou. Um delicioso arcaísmo, que ninguém se lembrou de mudar. E ainda bem. Espero que assim se mantenha.

domingo, 2 de dezembro de 2018

REGRESSO A SANTO ALEIXO

Há muitos meses que não ía a Santo Aleixo. Regressei ontem, por ocasião de uma data especial.

Tenho ido ao meu concelho espaçadamente. Como se impunha, depois de anos tão intensos. Recomeço agora a regressar. Espaçadamente, como é natural. Com um prazer renovado e diferente. Foi assim na passada semana. É assim nesta, e assim será na próxima. Num ritmo tranquilo, e por entre o convívio com amigos. Como ontem aconteceu. Dou-me agora conta que, ao longo dos anos, se estabelecem mais relações de amizade e de proximidade do que esperaria. Uma boa surpresa, nestes tempos mais virados a interesses imediatos.

sábado, 1 de dezembro de 2018

SIM ÀS CORRIDAS DE TOUROS!

SIM!

         Quando vi a primeira corrida de touros devia ter uns 6 ou 7 anos. Em 1969 ou em 1970, seguramente. Ainda o Real de Moura não existia… Não mais esqueci a cor e o som daquela tarde, a enorme vibração de uma praça cheia, o calor daquela tarde de setembro. Fiquei conquistado. Desde esse dia, e para sempre.
A recente polémica em torno do IVA das corridas de touros é bem mais que um detalhe fiscal. A receita do Estado não deverá ter um acréscimo substancial à custa destes atos culturais. O que se quis dar foi um sinal. Ou seja, quem está no Poder quis separar as águas: de um lado estão os civilizados (eles), do outro os incivilizados (nós, os que gostamos de corridas). De um lado está o Progresso (eles), do outro os Retrógrados (nós). É uma atitude de insulto ante a nossa Cultura, que não me dou ao trabalho de rebater. As coisas do fundo da Alma não as discuto. Por isso, sim! Sim à tauromaquia! Sim às corridas! Sim, mil vezes sim, aos nossos forcados! Um dia, há já muitos anos, escrevi isto a propósito de uma lide de Enrique Ponce: “debaixo do capote de Enrique passaram, em poucos minutos, a lenda do minotauro, as feras dos circos romanos e a vaca que matou um califa, numa noite cálida de Marrakech. O touro de que Enrique agora se esquiva já foi mil vezes retratado. É ele que está pintado nos vasos áticos, é ele que, desde há milhares de anos, dá colorido aos frescos das paredes e aos mosaicos dos chãos. Já se chamou Pocapena, Islero, Avispado. Foi ele quem matou de morte horrível Manuel Granero e El Yiyo. Foi ele quem aniquilou a arte de Joselito e a de Manolete. Foi ele quem inspirou as mais trágicas páginas de García Lorca”. As corridas de touros são Arte e Poesia numa arena. As corridas de touros são uma cultura milenar dentro de um ruedo. Os frescos do palácio de Knossos, onde se vêem recortadores e uma lide de um touro, têm 3500 anos.
         A temeridade dos forcados é tão antiga como o solo que pisam. São gestos antigos que cruzam o nosso sul. São gestos que vivem do nosso sol. Que são antigos e que devem ser eternos. Marcou-me, do ponto de vista pessoal, o modo fraterno como me trataram, ao longo dos anos. Estou e estarei com eles. Na defesa do que é nosso.
         A defesa do Património Cultural não pode, por isso, ser marcada por gestos de circunstância e consoante as conveniências do momento. Não é assim numa altura e assado na outra. Como fazem alguns políticos, com tanto de oportunistas como de hipócritas. A tauromaquia é, desde maio de 2012, por proposta que subscrevi, Património Cultural de Interesse Municipal. Estou, e estarei, na defesa deste nosso Património. Agora e para sempre.

Publicado hoje, em "A Planície"