domingo, 20 de outubro de 2019

BAIRRO DO CARMO - 22.10.2019

Recebi, do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Moura, convite para estar presente na cerimónia de entrega de chaves aos moradores do Bairro do Carmo, na sede do concelho. Não sei se conseguirei estar presente, mas a conclusão deste processo é motivo de satisfação.

É o culminar de um longo caminho, que visou a reabilitação daquele conjunto de habitações. O projeto que, em 2015, se elaborou contemplou a instalação de sanitários e de cozinhas dotadas de condições em todas as habitações. Deixam de existir lava-louças ao ar livre e duches partilhados. O projeto prevê, por outro lado, a manutenção dos pátios enquanto espaço de utilização coletiva.

O contrato foi assinado mesmo no final do mandato autárquico de 2013/2017. Arrisco mesmo a dizer que foi o último contrato que assinei...

Valor total da empreitada - 477.180,90 €
Autoria do projeto – Arqs. Nuno Lopes e Sara Potes
Empresa - Virgílio de Sousa Leal

sábado, 19 de outubro de 2019

HIPÓCRATES DESONRADO

O juramento não é obrigatório, mas faz parte da tradição da classe médica. É dito de Hipócrates, em homenagem a um dos pais da Medicina, que viveu na Grécia entre 460 e 370 a.C.. Tem sido sucessivamente atualizado, de acordo com os tempos em que se vive. A última versão data de 2017.

COMO MEMBRO DA PROFISSÃO MÉDICA:
PROMETO SOLENEMENTE consagrar a minha vida ao serviço da humanidade;
A SAÚDE E O BEM-ESTAR DO MEU DOENTE serão as minhas primeiras preocupações;
RESPEITAREI a autonomia e a dignidade do meu doente;
GUARDAREI o máximo respeito pela vida humana;
NÃO PERMITIREI que considerações sobre idade, doença ou deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, estatuto social ou qualquer outro fator se interponham entre o meu dever e o meu doente;
RESPEITAREI os segredos que me forem confiados, mesmo após a morte do doente;
EXERCEREI a minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com as boas práticas médicas;
FOMENTAREI a honra e as nobres tradições da profissão médica;
GUARDAREI respeito e gratidão aos meus mestres, colegas e alunos pelo que lhes é devido;
PARTILHAREI os meus conhecimentos médicos em benefício dos doentes e da melhoria dos cuidados de saúde;
CUIDAREI da minha saúde, bem-estar e capacidades para prestar cuidados da maior qualidade;
NÃO USAREI os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;
FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e sob palavra de honra.

Posto isto, cabe perguntar a quem faz este juramento como é que permite que uma família aguarde três dias para que se faça uma autópsia e se prestem as últimas homenagens a alguém que partiu deste mundo. Em que escola de humanidade, ou de arrogância, foram treinados?

Hipócrates, numa miniatura bizantina do século XIV

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CAI A CHUVA NO PORTAL

O post de hoje, quase privado, é dedicado a um grupo de velhos amigos. Eles, e eu, sabemos a razão.

Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.
Lídia Jorge

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

MÉRTOLA CINEMATOGRÁFICA

Assim, de uma assentada, vamos ter dois filmes com Mértola, e Cláudio Torres, no centro das atenções. São eles O último porto, de Pierre-Marie Goulet, e 4 estátuas romanas - arqueologia e sonhos em Mértola, de José Manuel de Sousa Lopes. Os títulos remetem para trabalhos publicados. Sou autor de um deles, mas o título não me "pertence". Tomei-o de empréstimo a Cláudio Torres, com a sua devida autorização. O outro título recupera um artigo dado à estampa em junho de 1979: Mértola: o castelo, arqueologia e sonhos.

O último porto será apresentado no DOCLISBOA, no próximo dia 24. Lá estarei. E também espero estar quando a outra obra estrear. Vai ser bom assistir a esta revisão do passado. São 41 anos de projeto.


ABANDALHAMENTO INTERNACIONAL

A carta que o presidente dos Estados Unidos enviou ao presidente turco é mais um passo no intenso processo de abandalhamento institucional, agora tão em voga. Eis as relações entre dois Estados trazidas para o nível conversa-de-café.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

IBN HAYYAN E IBN MARWAN

Reli há dias, pela enésima vez, o Muqtabis V, crónica escrita por Ibn Hayyan (987-1075) sobre o percurso de Abd ar-Rahman III entre os anos de 912 e 942 d.C.. É uma obra essencial para se perceber o trabalho de unificação política operado pelo futuro califa.

Livros como este, outrora inacessíveis, foram divulgados por gente empenhada e competente como Maria Jesus Viguera e Federico Corriente. A edição de que disponho, dada à estampa pela ANUBAR em 1981, está surradíssima. Continuo a divertir-me com a sua leitura, como se fosse a primeira vez que abrisse o livro. A minha passagem preferida continua a ser a "avaliação", muito pouco objetiva..., que o cronista faz dos Banu Marwan, senhores do ocidente e uma permanente dor de cabeça para o poder cordovês: "A ellos fue [an-Nasir, o futuro califa] con todo su poder, empezando por el señor de Badajoz, que era entonces Abdarrahman b. Abdallah b. Abdarrahman, llamado al-Jilliqi, heredero de su poder de cuatro antepasados, distinguidos en el error y firmes en la perdición: an-Nasir hizo alto a las puertas de Badajoz, cueva de disensión, nido de perdición y comienzo de su bisabuelo, Abdarrahman b. Marwan, aliado del diablo y gérmen del error (...)". Ao citar esta passagem na aula, não pude deixar de comentar "o nosso amigo Ibn Hayyan cumpria bem o seu papel de cronista a soldo do poder, detestando sinceramente os inimigos dos patrões...".

Não é uma exceção. Esta linguagem colorida repete-se noutros cronistas. Ibn Sahib al-Sala no "Al-mann bil-imama" não lhe fica atrás... São argumentos a favor de uma visão da História menos solene e mais próxima da vida real.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

DO CURDISTÃO PARA SILVES

Tenho-me lembrado muitas vezes, por estes dias, da pequena aldeia de Qalb Lozeh, no Curdistão sírio. Fui lá propositadamente por causa de uma majestosa basílica do século V. Que me deixou a certeza, final e irreversível, que o mundo oriental é outra realidade.

Uma fotografia de Qalb Lozeh será exposta, em novembro, em Silves. Um terra com um toque oriental, no extremo ocidente.

O que será feito da aldeia?
O que terá acontecido à basílica?
Onde andarão aquelas crianças, que terão agora 20 e poucos anos?




Eia, Abú Bacre, saúda os meus lares em Silves e pergunta-lhes
se, como penso, ainda se recordam de mim.

Saúda o Palácio das Varandas da parte de um donzel
que sente perpétua saudade daquele alcácer.

Ali moravam guerreiros como leões e brancas gazelas.
E em que belas selvas e em que belos covis!

Quantas noites passei divertindo-me à sua sombra
com mulheres de cadeiras opulentas e talhe fatigado,

brancas e morenas, que produziam na minha alma
o efeito das espadas refulgentes e das lanças obscuras!

Quantas noites passei, deliciosamente, junto a um recôncavo do rio
com uma donzela cuja pulseira rivalizava com a curva da corrente!

O tempo passava e ela servia-me o vinho do seu olhar
e outras vezes o do seu vaso e outras o da sua boca.

As cordas do seu alaúde, feridas pelo plectro, estremeciam-me
como se ouvisse a melodia das espadas nos tendões do colo inimigo.

Ao retirar o seu manto, descobriu o talhe, florescente ramo de salgueiro,
como se abre o botão para mostrar a flor.

Al-Mutâmide (1040-1095) e a sua Evocação de Silves. Um poema e a não menos poética tradução de António Borges Coelho.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

JARDIM DA IGREJA

Passei o dia com a palavra igreja ecoando. Ora era a Sé de Lisboa e os 29 passos da minha via crucis privada, ora se me cruzavam na escrita os que se converteram ao Islão, mas tinham origem cristã (os muwalladun da nossa Idade Média meridional). Acabei lendo o poema Jardim da igreja, de Cecília Meireles, e vendo a Torre da igreja de Domburg, de Mondrian. Para fauvismo, todo aquele ambiente é de uma enorme placidez. O que ajudou a desenlear o trabalho, valha a verdade.


Dalila e Lélia,
e Júlia e Eulália
cortavam dálias.

Dalila e Lélia,
Eulália e Júlia
cantavam dúlias.

Dálias e dúlias
e harpas eólias...

E a alada lua
-- alta camélia?
-- célia magnólia?

domingo, 13 de outubro de 2019

IMBERBE? ORA AINDA BEM...

TRIBUNA EXPRESSO:

BOM DOMINGO! E TRATEM LÁ ESSE RACISMO...

Já muito se disse e escreveu sobre a presença de uma bandeira da Guiné-Bissau nos festejos da eleição de Joacine Katar Moreira. Não votei no Livre e não conheço pessoalmente a deputada eleita.

Já muito se escreveu, bem e muito melhor do que eu poderia dizer, sobre o disparate da intolerância por causa de uma bandeira.

Registo apenas que os intolerantes com a bandeira da Guiné-Bissau são os mesmo que se comovem, cheios de paternalismo, quando guineenses, em plena cidade de Bissau, empunham a bandeira portuguesa, não para celebrarem a eleição de uma deputada, mas a conquista de um título europeu. Aí sim!, isso é aceitável. Porque somos povos irmãos etc. e tal. Trata-se de uma fraternidade num só sentido. De lá para cá, sim. De cá para lá, muito menos.


sábado, 12 de outubro de 2019

TARDE NOS AMARELOS

Ou, como gosto de dizer, tarde em terra firme. Não só a exposição ficou montada em tempo recorde, como a abertura teve lugar à hora marcada. Mais importante ainda, o Rui Caeiro, o Daniel Rodrigues e a Liliana Rodrigues brindaram-nos com uma magnífica interpretação de duas peças musicais.

Uma tarde entre amigos, que se prolongou por um bom par de horas. As Caligrafias ficam na sede dos Amarelos até dia 2 de novembro.


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

DOR E GLÓRIA

Não tenho ido muito ao cinema. Não é tanto a falta de tempo, mas a falta de paciência. Boa parte do que tenho visto é complacente e pretensioso. Sobra Almodóvar e não muito mais. Dor e glória é um filme acima da média. Tem uma história, que é a própria dor de alma do realizador. E tem coisas muito "almodovarianas". A cor, o festivo trabalho da cor, e a escolha das músicas. Os enquadramentos, cheios de insertos. Tem melodrama. É exagerado e completamente espanhol. Bom, e tem Banderas e Penelope, que são mais de meio filme. No meio de tanta coisa que é maçadora, menos mal que temos Almodóvar. Dor e glória é o filme destes dias. E não me perguntem por óscares e palmas, que é o que menos conta...

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

PRÉMIO RAFAEL MANZANO 2019

O Prémio Rafael Manzano deste ano foi atribuído aos arquitetos portugueses Alberto Castro Nunes e António Maria Braga. Muito melhor que eu as palavras do júri sublinham as razões desta distinção, sublinhando-se que se têm destacado en la práctica de las tradiciones arquitectónicas portuguesas, tanto en la realización de nuevos edificios clásicos y vernáculos, en su mayoría encargados por diversas administraciones públicas, como en sus intervenciones sobre edificios existentes. En el desarrollo de esta labor es notorio su fuerte compromiso con los materiales naturales y los oficios tradicionales de la construcción, buscando que sus obras se caractericen por su durabilidad, su sostenibilidad y su belleza. Cada uno de sus trabajos constituye un verdadero manifiesto sobre la formación cívica, el respeto al carácter propio del lugar, el humanismo y la dedicación a la comunidad. Se trata en general de obras de pequeña escala, o descompuestas en elementos capaces de recuperar ésta, que logran sanar los tejidos urbanos en los que se insertan, recuperando su equilibrio con la naturaleza y con la cultura local. Además, su utilización de las formas clásicas y vernáculas no está exenta de creatividad y originalidad, lo que es buena muestra de su maestría arquitectónica.

Parabéns! É sempre agradável ver o reconhecimento do trabalho de gente amiga e dedicada.

Ver mais em https://www.premiorafaelmanzano.com

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

NOTÍCIAS QUE NÃO EXISTEM

As revoltas populares no Equador "não existem". Tal como são uma inexistência a revolta popular ante os acordos subscritos pelo atual presidente. Também não existe a atitude de um presidente que, ante os protestos, fugiu da capital. Dos comentadores nacionais, nem um pio. E tanto que eu gostava de ouvir a opinião deles sobre Lenin. O de Quito, não o outro, claro.

O NOME DIZ-ME ALGUMA COISA...

É uma jovem simpática. Tem a idade da minha filha mais nova. Licenciou-se na NOVA, em FCSH, na área de Comunicação. No outro dia mencionei-lhe o nome de José Mattoso. Sabia que tinha sido lá professor, menos mal. Já a referência a Oliveira Marques (1933-2007) mereceu-lhe o seguinte comentário “não sei quem é, mas o nome diz-me qualquer coisa”. O nome que lhe diz qualquer coisa foi um dos responsáveis pela criação da Faculdade onde ela estudou. Foi um dos historiadores mais marcantes da segunda metade do século XX, com obra de grande importância no domínio da Idade Média.

Foi diretor da Biblioteca Nacional de Portugal entre 1974 e 1976.

Professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa (a partir de 1976), foi presidente da comissão instaladora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e presidente do conselho científico Faculdade.

Em 1980 fundou o Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, a cujo labor se deve, entre muitas outras coisas, a publicação das chancelarias e das cortes.

Já praticamente retirado do Departamento de História, ainda tive a sorte de o ter como professor no mestrado, em 1991/92. Um privilégio raro, ainda para mais por eu ser o único aluno desse mestrado. Acreditem que o Prof. António Oliveira Marques foi bem mais do que um nome que "diz qualquer coisa". Mas é a isso que estamos fadados, não é verdade?

terça-feira, 8 de outubro de 2019

O MUNDO CONTEMPORÂNEO? ISSO É FÁCIL... HÁ O FACEBOOK, O INSTAGRAM, A NETFLIX...

Primeiro, cortam horas na disciplina de História (essa inútil "fantasia"...).

Depois, criam novas disciplinas para ajudar os alunos a compreender o presente. O que resultaria, entre outras coisas, do ensino sedimentado da História. E de outras inúteis "fantasias", como a Língua Portuguesa, a Filosofia, a Literatura etc.

Ajudar os alunos a "interpretar o presente", com esta receita, é a rendição final à simplificação, ao esquematismo, ao facilitismo e à estupidificação. E à doutrinação.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

CALIGRAFIAS EM MOURA

No próximo sábado, dia 12, às 16:00, tem lugar, em Moura (na sede de "Os Amarelos"), a inauguração da exposição fotográfica "Caligrafias".

É o quinto ponto num percurso iniciado em Évora, há quase um ano. Depois de Alvito, Cuba e Mértola, vai ficar umas semanas na minha terra. Rumará depois mais para sul. Próxima e sexta paragem: Silves.

7.10.1969 - PRIMEIRO DIA NA ESCOLA PRIMÁRIA

No primeiro dia, fui levado e mostraram-me o caminho. No segundo, disseram-me "já sabes onde é a escola, não te atrases". Tinha 6 anos e a escola não ficava muito longe. Da Rua Nova da Estação à Rua da Assaboeira (nome antigo) são uns 700 metros. Quase 3 quilómetros a pé por dia, o que só me fazia bem. Fizesse chuva ou sol. Não tínhamos carro, bem entendido. Só fui uma vez de táxi, no dia em que caí da cama e parti a cabeça, tive de ser suturado no hospital e ala para as aulas (de carro, o que causou alguma sensação...), que não há cá tempo para mariquices.

Foi a minha primeira e mais importante escola. Como tive oportunidade no explicar à Professora Jacinta Acabado no dia em que lhe fui oferecer a minha tese de doutoramento, sem ela nunca teria ali chegado (ler também aqui).

Faz hoje 50 anos que entrei para a escola primária. Foi a 7 de outubro de 1969. Era  uma terça-feira.


A nossa primeira escola: Rua Dr. Garcia Peres, 45 (1º. andar)

Alunos dos anos 1969/1973:
António Manuel Pato Oca
Carlos José Albardeiro Barradas
Carlos Manuel Coelho Brito
Carlos Manuel Ramos Pinto
Fernando Brito Oliveira Pinto
Helder Barqueta Condeça Feliciano
Helder Silva Arsénio
Joaquim Elias Andrade Ventinhas
Joaquim Manuel Moita Araújo
José António Beiras Sinfrónio
José Carlos Oliveira Farinho
Luís José Fonseca Infante
Rui Manuel dos Santos Pires Marques
Santiago Augusto Ferreira Macias
Vanda de Jesus Lopes Oliveira Gomes

domingo, 6 de outubro de 2019

SÁBADO NO INTERIOR

Passei o sábado no interior. Quase encostado à fronteira, naquela que é a minha Pátria. Não refleti grande coisa, mas foi um dia em cheio. Entre amigos e entre gente solidária.

12:20 - Nos Amarelos, em Moura. Uma hora traçando o que vai ser a montagem das Caligrafias, que acontecerá dentro de muito poucos dias.

13:15 - No mercado de Moura, com a grande equipa da Comissão de Festas. O elevado número de encomendas criou ali algumas dificuldades. Tudo acabou bem e o almoço tardio até soube melhor.

18:00 - Corrida de touros, no Coliseu do Redondo. O Real de Moura dando excelente conta de si. Já lá vai mais de uma dezena de pegas "à primeira". Já houve "limpas" pelo meio. À conta disso o pós-corrida prolongou-se mais do que o previsto. O regresso a Mértola foi de alma cheia.

Redondo

Mercado

Amarelos

OS MUSEUS: DO PASSADO PARA O FUTURO

Luís Raposo, Presidente do ICOM - Europa, publicou na sexta-feira um importante texto no PÚBLICO. Um excerto que me parece especialmente relevante:

Maria Vlachou, gestora e comunicadora cultural, com mestrado em marketing de museus, considerou ser nas direcções dos museus que está o mal que os condena ao elitismo, dado que elas se dedicam sobretudo “ao estudo e preservação das colecções” e “não apresentam uma visão de futuro, não se vêem como fazendo parte da infra-estrutura educativa e cultural do país, não assumem um verdadeiro compromisso com toda a sociedade” (Público, 21 de setembro de 2019). Noutras ocasiões, acrescentou que as tradicionais formações em domínios que habilitem a saber interrogar as colecções de cada museu devem ser consideradas acessórias, sendo principal a que ela mesma protagoniza, a de gestão cultural. Importa dizer claramente dito que se trata de uma total inversão de prioridades, a que se opõem os representantes dos profissionais de museus portugueses, tanto o ICOM Portugal como a APOM (esta ainda mais vivamente).

Depois deste texto ter sido publicado houve lugar a uma troca de opiniões entre o autor do artigo e Maria Vlachou. Devo dizer que estou alinhado com as posições de Luís Raposo. Deve ser a minha faceta conservadora. Literalmente falando.


Texto completo - https://www.publico.pt/2019/10/05/culturaipsilon/opiniao/nova-geracao-directoras-directores-museus-1888445

sábado, 5 de outubro de 2019

FRAUDE NA ARTE OU É A FRAUDE UMA ARTE?

No centro da ação estão um negociante de arte, Giuliano Ruffini e um pintor desconhecido, Lino Frongia. Obras falsificadas têm sido vendidas por milhões no mercado internacional. Frongia dedicava-se a pintar cópias de obras de grandes mestres. Ao que parece, ter-se-á entusiasmado e ido um pouco mais além.

A fraude artística é, em si, uma arte? Também. Orson Welles mostra-o em F for fake.


Um Franz Hals falsificado.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O VOTO NA CDU OU COM O PCP, INFIELMENTE

Um dos dados mais interessantes das sucessivas análises dos politólogos e da "imprensa livre" é o declínio eleitoral do PCP e da CDU. Ora bem:

2002 – 6,94% – 12 deputados
2005 – 7,54% – 14 deputados
2009 – 7,88% – 15 deputados
2011 – 7,90% – 16 deputados
2015 – 8,25% – 17 deputados


Qualquer alteração negativa será vista como um "agora sim, vão deixar de existir". Qualquer subida será ignorada pelos analistas, porque há sempre coisas mais relevantes e mais importantes. Declaração de interesses: vou votar CDU, no próximo domingo. Dupla declaração de interesses: não só no próximo domingo, mas nas eleições seguintes, enquanto o PCP mantiver esta identidade e esta verticalidade.

Não foi sempre assim. Sempre prezei a minha liberdade. Arrependimento, só tenho um: ter apoiado e ter votado Pintasilgo, em 1986. Nas autárquicas sempre votei CDU (excetuando para a Assembleia Municipal de Mértola, em 1997, em que votei no PSD, porque a lista era encabeçada por Teresa Patrício Gouveia) e nas legislativas votei UDP-PSR e, depois PSR, em 1985 e em 1987. Não votei CDU nas Europeias de 1989, porque estava nas listas uma pessoa que não me merecia a mínima confiança (o percurso seguinte da referida pessoa viria dar-me razão). Há 25 anos, e com a aludida exceção, tenho-me mantido firme nas minhas opções.

Fui, com o tempo, ganhando a funda convicção que o que incomoda no PCP e no projeto da CDU são a coerência, a verticalidade, os princípios e o facto de não se estar à venda. Podem atacar, têm atacado!, de toda a maneira e feitio, podem denegrir, podem troçar ("ultrapassados", "caducos", "antiquados" etc.), podem caluniar (a TVI à cabeça, mas há muito mais), que a firmeza se mantém.

Fui vereador e presidente de câmara eleito nas listas da CDU. Constatei a seriedade da estrutura do Partido, a forma digna como os problemas são tratados. Nunca, em nenhum momento!, me foram sugeridos "esquemas", "negociatas" ou contratações de empresas deste ou daquele amigo ou camarada. A lisura foi total. Se isso é o que se espera e o que é normal, não é o que vemos noutros partidos. Disso darei testemunho no livro em preparação.

Podia continuar a escrever e a explicar quês e porquês. Dispenso-me de o fazer. Dia 6 votarei na CDU. E não será só no próximo domingo, mas nas eleições seguintes, enquanto o PCP mantiver esta identidade e esta verticalidade.


ALÔ, UNIDADE DE MISSÃO PARA A VALORIZAÇÃO DO INTERIOR - VERSÃO GNR

O texto, no LIDADOR NOTÍCIAS, dispensa comentários. Estamos à mercê dos burocratas, das folhas excel, das não-soluções. Este golpe é quase de misericórdia. Uma segurança das 9 às 5, em regime repartição?

Pobre interior... Ai de nós...

“¡Pobre México, tan lejos de Dios y tan cerca de Estados Unidos!” - Porfirio Díaz (1830-1915). Penso muitas vezes nestas palavras.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

QUANDO A TECNOLOGIA ULTRAPASSA O SONHO

Lido, há tempos, na imprensa:
A cidade de Chengdu, no sudoeste da China, pode vir a ter uma lua artificial, oito vezes mais brilhante do que a Lua real. A iluminação fornecida pelo satélite vai complementar a Lua à noite, cujo objetivo é substituir as luzes das ruas das cidades.
Como conta o jornal chinês The People’s Daily, com a lua artificial, o Instituto de Ciência e Tecnologia Aeroespacial de Chengdu pretende acabar com aquilo que a Lua não consegue fazer por “não ser brilhante o suficiente”, uma vez que o satélite artificial vai ser capaz de iluminar uma área com um diâmetro entre 10 e 80 quilómetros. De acordo com o presidente desse Instituto, Wu Chunfeng, espera-se que o satélite seja lançado em 2020, tendo os testes já começado. Há grandes possibilidades de, assim, a cidade de Chengdu conseguir poupar em milhões de euros na eletricidade.

Parece quase poético para ser verdade... Ou demasiado irreal e temível.
A lua, de Georges Meliès, antes de haver astronautas

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

PAN - MODO DE USAR

O PAN é isto. Uma ficção criada pelos mídia e por uma sociedade com poucas referências sólidas, o que é também culpa da classe política atual. Que é o mesmo que dizer que é culpa nossa. O resto? Leia-se o programa e fique-se com uma ideia do protofascismo mascarado de ambientalismo. Sobretudo, ouça-se esta maravilhosa entrevista à cabeça de lista pelo círculo de Setúbal. Ainda acaba eleita, sem ter a mínima ideia do que anda para ali a fazer...

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A FUTURA FRAGILIDADE DO PASSADO

Não é que fosse o dia ou momento para “aquelas coisas”. Mas ao regressar a Portugal assaltou-me a dúvida “Ibahernando não será por estas bandas?” De facto, assim era. Ibahernando fica 14 quilómetros a sul de Trujillo, na província de Cáceres. A aldeia estava deserta e as duas pessoas a quem mencionei a existência de uma basílica visigoda nunca de tal tinham ouvido falar. Depois de algumas voltas pela carretera CC-24.2 (nome pomposo para tão secundária via) encontro casualmente os proprietários da Dehesa de Magasquilla de los Donaire, onde o sítio arqueológico se encontra. Da basílica nada resta, clarificam. E, contudo, o edifício tinha estruturas visíveis, dali se retiraram placas funerárias romanas e uma inscrição, consagrando a igreja a Santa Maria, na era de 673 (ou seja, 635 d.C.). Hoje não há nada e é preciso ir ao Museu de Cáceres para consultar o espólio que dali saiu.

Muito pouco é também o que se vê em San Pedro de Mérida, onde estivera em 2008, durante um congresso em dias gélidos. As ruínas estão à vista, ao lado da igreja, de forma anónima e sem explicação. Reconhece-se a zona do altar, e pouco mais. É preciso recorrer a um texto antigo (1962!), de Alejandro Marcos Pous, para ler o que ali se torna difícil de decifrar.

Funciona agora a máquina do tempo. Revejo o inverno 1983/84, em que tomava o caminho da delegação do Instituto Arqueológico Alemão, na Avenida da Liberdade. Um trabalho sobre as basílicas paleocristãs começou a apontar-me um caminho. Os textos de Enrique Cerrillo Martín de Cáceres (n. 1950), então consultados, bem como o monumental estudo de Pedro Palol (1923-2005), foram decisivos. Depois, viriam os estudos, não menos densos, de Paul-Albert Février (1931-1991) e de Noël Duval (1929-2018), sobre o Norte de África. Uma parte significativa desses trabalhos foi usada no doutoramento; outros aguardam novos estudos, que se farão ou não…

O envolvimento na reabilitação da basílica paleocristã de Mértola (1991/93) deu-me a momentânea ilusão de que é possível uma sistemática recuperação do passado. Não o é. A dimensão da tarefa da recuperação dos sítios arqueológicos é uma manta de Penélope, feita e desfeita a cada momento. A fragilidade das igrejas alto-medievais e das mesquitas rurais torna difícil a sua conservação. O esquecimento é maior que a vontade da recordação. Nas áreas urbanas, mais controladas e protegidas, as coisas são um pouco mais fáceis. Nos sítios rurais, o panorama é pior. Longe de tudo, pouco visitados, pouco glamorosos, vão caindo, aos poucos, no esquecimento e na ruína. Dizia-me Miquel Barceló “o poder está nas cidades e os urbanos não querem saber do campo nem dos camponeses”. Nem daquilo que nos deixaram, naturalmente. A finitude, e os limites físicos, da investigação tornaram-se-me ainda mais claros ao sol da Extremadura, naquele final de manhã de domingo. É difícil parar. Mas temos de ter claro que o esquecimento se sobreporá a todos os nossos gestos e que o futuro do passado é marcado por uma fragilidade que se torna doloroso avaliar.

Crónica publicada hoje, em "A Planície"