quarta-feira, 5 de agosto de 2020

FAKE FUNDING

Um vídeo espantoso. Do autor das já célebres frases "passa pela cabeça de alguém ir aprender para a Universidade de Évora? Ou para a da Beira Interior? Ou para a do Algarve?".

Não vale a pena fazer grandes comentários. A não ser este: o que no vídeo se diz sobre as bolsas governamentais para doutoramentos é falso.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

DAS AMENDOEIRAS EM FLOR A DACAR

Ao ver esta fotografia da francesa Charlotte Lapalus, algures no Lac Rose, lembrei-me das minhas mais que longínquas aulas de Língua Árabe. Numa delas, o Prof. Cunha Serra referiu uma das favoritas de um dos califas, conhecida como vara de bambú, pela sua figura esguia e exótica.

Não tenho a certeza que se tratasse da célebre Zahara, uma senhora do norte, que está na origem da nossa lenda das amendoeiras em flor. Mas o perfil não se devia afastar muito do desta mulher.

A fotografia de moda não tem que ser banal ou ostensiva.

Ver - http://charlottelapalus.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

LUTA ECONÓMICA E AMBIENTAL

Os pescadores prestam, e até agora ninguém explicou a razão contrária, um serviço ao Ambiente. E são dinamizadores da atividade económica. Então, qual é que é o problema? E porque carga de água estão a ser penalizados?

É nestas alturas que os poderes políticos e públicos têm de vir à linha da frente. Ou isso dá muito transtorno?

REGRESSO

Foi tudo mandado para casa em meados de março. Passaram quatro meses e meio. O tal de teletrabalho levou-me a mergulhar no trabalho muito mais que 7 horas por dia. Regressei à base, brevemente, em meados de junho, para recolher materiais e preparar trabalho de campo. Retorno amanhã - o cartão de acesso caducou, a palavra-passe do computador idem... -, para tentar preparar as próximas semanas e os próximos meses.

E agora?

Como vai ser com os projetos em suspenso? Com os livros maquetados e por imprimir? E agora, como vai ser com as aulas, com a tenebrosa perspetiva de ser tudo outra vez à distância? Como vai ser com a família? Como vai ser no local de trabalho, entre o confinamento e o conforto do gabinete e a necessidade de resolver coisas?

São problemas menores, disso me convenço. Com o desemprego a alastrar, com a economia a afundar-se, com nuvens negras no horizonte, não tenho, na minha relativa segurança, o direito ao mais pequeno lamento.

Lisboa é uma cidade bonita? Sim, das mais belas entre as que conheço. Hoje mesmo constatei isso, sentado no silêncio do Largo da Academia Nacional de Belas-Artes. A 175 kms da casa de Mértola, a 160 kms. da casa da Salúquia. Está na altura de, na melhor companhia, aproveitar estes dias de regresso. Numa cidade com menos gente e num agosto que vai ser ainda mais sossegado.

domingo, 2 de agosto de 2020

SOUSTONS, LA VILLE ET LA FÊTE

Faz hoje um ano, podíamos andar assim. Na rua, abraçados, animados, nos copos e festejando. Estávamos no sul de França, em Soustons. A corrida correra muito bem e o Real de Moura tinha elevado a fasquia, por aí acima.

Vários amigos vieram hoje recordar a data, no facebook. As saudades destas coisas dão cabo da gente...

Tomber la chemise? Sempre!
O copo reciclável ainda está cá por casa. Levo-o na próxima, e não é por forretice.


HÁ 26...

Recentemente, percorri todo o Entre Douro e Minho, em trabalho, Quase nunca andei fora de auto-estradas. Não havia vila ou pequena cidade que não tivesse uma auto-estrada a curta distância. Um exagero? Não sei dizer. Notei apenas que muitas delas tinham pouquíssima circulação.

A litoralização do país acentua-se e leva o chamado "interior" a pique. A anedota da A26 é um exemplo claro da arrogância Lisboa-Porto face ao resto. Ontem, enfiei pela A26. Queria saber que colossal distância motivara aquela novela. São 12 (doze) quilómetros, senhores. É preciso dizer mais?

sábado, 1 de agosto de 2020

SOZINHO NA RUA, NO DIA 1 DE AGOSTO DE 1970

Andava brincando no Jardim da Porta Nova, quando chegou a noite. Os dias de verão eram todos uns iguais aos outros. Felizes, tranquilos e iguais. Voltei para casa. Bati à porta. Nada. Nem um som dentro de casa. O postigo fechado, coisa rara. Rumei a casa dos meus tios, a escassos 50 metros. Nada também. Ninguém em casa. Já era noite cerrada. Fui à Sociedade dos Azeites, onde o meu avô era porteiro. Nada também. A porta da casa estava fechada, coisas que nunca acontecera. Intrigado e sem saber que fazer (aos 7 anos não temos grande experiência de vida...), regressei ao jardim. Pacatamente, sentei-me num banco. Fiquei à espera, não sei bem de quê. "Onde terão ido todos, assim ao mesmo tempo?". Nem a minha irmã, que só falava espanhol na altura (o que me dava sempre jeito, para a atazanar, mas naquele momento até eu falaria na língua da família de lá com ela), dava sinais de vida. Passou uma hora, depois outra. Eu sempre pacato e silencioso, no banco do jardim. Nem Manoel de Oliveira se lembraria de uma coisa assim.

Já seriam umas onze da noite, quando apareceram todos de roldão no jardim. Em passo apressado, que na altura ninguém tinha carro. Nascera o meu primo Pedro e tinham ido todos para o Hospital de Moura, ver a criança. Deixar de ter protagonismo e passar a ser ator secundário é isto.

Foi no dia 1 de agosto de 1970. Faz hoje 50 anos.

Parabéns, Pedro!