sexta-feira, 16 de outubro de 2020

QUANDO A DERROTA TEM UMA CARA

Várias vezes, ao longo da vida, assisti a isto. Pessoas de grande capacidade intelectual darem-se conta que falharam e que perderam. Ou seja, que o grande fim (seja lá isso o que fôr...) a que se destinaram não aconteceu. Foi, por isso, quase penoso assistir à entrevista a António Barreto. Teve momentos nostálgicos, um pouco comoventes, quando falou dos irmãos e da vida em Vila Real. Quase todo o resto foi difícil. O ódio incontrolado ao PCP (bem coadjuvado por FCF, ao ponto daquilo parecer um Dupond e Dupont), a relação com Mário Soares (já há por aí um vendaval de críticas ao que Barreto disse), a desnecessidade de quase tudo aquilo...

Não perceber, e nem juízo de valor aqui faço, porque aconteceu a Reforma Agrária revela um total alheamento do que era o Alentejo e de como as pessoas viviam. O mais espantoso é, pois, Barreto não ter percebido Portugal. O País passa-lhe ao lado. Nem chego a perceber se gosta disto.

Um programa doloroso. Só me custou engolir que tenha usado Brassens e a Mauvaise réputation para ilustrar tamanho conformismo.



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