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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

ÁGUA – PATRIMÓNIO DE MOURA (CINCO ANOS DEPOIS)

Tenho, ao longo dos anos, somado experiências, no âmbito das exposições, que considero particularmente gratificantes. Desde “Moura na época romana” até às que estão “em fase de montagem” (o covid é quem mais ordena...), contam-se quase 20 projetos, ao longo de 30 anos, e com passagens por terras africanas e americanas.

É-me difícil dizer qual foi o que mais me agradou ou o mais completo. Ou aquele em que colhi mais ensinamentos. Talvez o de maior impacto público tenha sido “Portugal Islâmico” (1998), por ter sido a primeira síntese arqueológica daquele período. Ou o que mais me tenha impressionado tenha sido “Lusa: a matriz portuguesa” (2007), no Rio de Janeiro, por ter ultrapassado a inimaginável fasquia dos 750.000 visitantes.

Feito o balanço, e agora com três exposições em fase de preparação, a aguardar luz verde dos melhores dias que virão, talvez a experiência mais marcante tenha sido “Água – património de Moura”. Em primeiro lugar, pelo desafio de conceber um guião e de o pôr em prática, ao mesmo tempo que desempenhava outras tarefas, bem mais complexas, de resto. Depois, pela especificidade e caráter volátil do tema. Houve uma opção de base, que mantenho e continuo a considerar válida. Do ponto de vista conceptual, creio que muitos museus locais têm muito a ganhar com abordagens "não-diacrónicas" das coleções ou do património local. Daí que a água fosse vista na sua intemporalidade, explicando-se a importância decisiva que o aquífero Moura-Ficalho tem em todo este território.

O edifício tinha dificuldades logísticas, e de percurso, que foram superadas, com esforço e numa permanente procura de soluções. Resolvemos aproveitar os espaços circundantes, apesar do seu ar precário e inacabado. Assumiu-se aí um certo estilo “arte povera”, que tão bem resultou nas sucessivas exposições (uma sobre aquedutos, outra com fotografias de José Manuel Rodrigues) que ali se montaram. Tal como foi gratificante receber no local João Neto, Pedro Inácio, Jorge Calado, Alexandre Pomar, entre muitos outros, em sucessivos debates. Programas de animação vocacionadas para o público infantil completaram o leque da programação.

Durante dois anos, “Água - património de Moura” esteve patente ao público. O local foi visitado por colegas autarcas de Portugal, Espanha, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Claro que cabe aqui especial menção a visita do Presidente da República Portuguesa. Tal como cabe destaque para os vários prémios com que a exposição foi distinguida.

Faço questão de assinalar a data. E de recordar os nomes dos que estiveram com o projeto: Marisa Bacalhau, Vanessa Gaspar, Patrícia Novo, Francisco Mota Veiga e a Terraculta, Jorge Silva, António Viana, Vítor Vajão, Jorge Murteira, Manuel Passinhas da Palma, José Finha, a equipa de arqueologia (Mário Romero, Luísa Almeida, Marta Coeho) e vários etc. 

Um lustro passou. Aquele projeto deixou marcas fundas. A minha vida profissional tomaria outro caminho. Faço questão de recordar aquela exposição. Em especial numa altura em que leio tantas declarações de amor ao tema "museus". Com alguma frequência, vindas de quem não tem a mais remota ideia do que está a dizer.


Crónica em "A Planície"

domingo, 5 de julho de 2020

ADIAMENTO...

Ainda não é desta...
Este livro está "difícil", apesar de impresso há vários meses.
Será dentro de dias, como devidamente se anunciará. O programa segue dentro de momentos.

terça-feira, 30 de junho de 2020

JUNHO, MÊS DE MUSEUS

Junho é mês de museus. Moura recebeu prémios da Associação Portuguesa de Museologia em junho de 2016 (menção honrosa na secção "exposição" pelo trabalho Água, património de Moura) e em junho de 2017 (prémio "instituição do ano"). Como alguém costuma dizer "eu sei como aconteceu; eu estava lá!".

No próximo ano letivo, irei explicar, em Moura, aos alunos do Mestrado em Património quais as possíveis opções ante os recursos que temos. Como se fez a intervenção na arqueologia e nos museus 💗💗💗, áreas onde trabalho há 35 anos (esta parte custa a escrever...). Em especial, há um aspeto que importa frisar. Não há caminhos únicos, não há projetos "exemplares" nem há exemplos a seguir. Há, sim, esforço e a procura da originalidade a partir do território.


domingo, 28 de junho de 2020

A MOURARIA NO FACEBOOK - DIA 5 DE JULHO, ÀS 18:30

Como a situação pandémica anda mais que desanda, resolvemos (o José Gonçalo, o José Finha e eu) avançar com a apresentação do nosso livrinho sobre a Mouraria de Moura. A sessão terá lugar no próximo domingo, às 18:30. Serão intervenientes o Prof. André Teixeira (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas / Universidade Nova de Lisboa) e os autores. Será uma sessão curta, entre 20 a 30 minutos. E que marcará o fim da quase-saga que este livro foi.

Vamos ter livro em dois tempos:
1. Esta apresentação virtual, via facebook;
2. O lançamento, real e ao vivo, na Taberna do Liberato, logo que possível. Esperemos que o mais depressa possível.

terça-feira, 23 de junho de 2020

VIVER OS MUSEUS NO FERIADO MUNICIPAL

No Feriado Municipal da minha terra, os museus vão, este ano, ter um papel principal. Parece-me bem. Tudo tem uma lógica e uma explicação. Os meus alunos irão visitar Moura, no próximo semestre.

domingo, 14 de junho de 2020

COMO MORRE UM CASTELO

Um artigo do El Pais, sobre a morte de um castelo andaluz, avivou-me um episódio pouco conhecido em Moura, sobre o desaparecimento das chamadas "muralhas árabes".

A perda de funções militares do castelo, no início do século XIX, levou a que essas muralhas fossem vendidas. As razões foram de ordem prática. Feitos na chamada taipa militar - com forte incorporação de cal -, davam azo à formação de imenso salitre. O que se passou, de seguida, foi rápido, prático e dramático. Sendo o salitre essencial à "indústria da guerra" foi decidido usar como matéria-prima as muralhas mais antigas de Moura. Em poucos anos, instalou-se uma fábrica na cidade, que "transformou" as magníficas muralhas do século XII em pó. Literalmente. Restou o grande torreão que está por cima da biblioteca.

Vale a pena ler o precioso livro de João Manoel Cordeiro, que explica como tudo se passou.




Ver - https://books.google.pt/books?id=Dj9YAAAAcAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-PT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

E também:

http://www.santiagomacias.org/publi.php?livros

sexta-feira, 5 de junho de 2020

SINES – ALI NÃO HÁ NADA DO PERÍODO ISLÂMICO...

No final dos anos 70 do século passado, a arqueologia medieval era, tal como a televisão que nos entrava em casa, ainda a preto e branco. Era tudo muito sim ou sopas, de certeza ou nem pensar nisso. Num país sem arabistas portugueses dignos desse nome – creio que, hoje em dia (e pedindo desculpa por qualquer involuntária falha) apenas António Rei pode ser referido – os estudos islâmicos faziam-se a partir de dados físicos. Da arqueologia de terreno, que balbuciava as primeiras sílabas em Silves e, sobretudo, em Mértola. As limitações eram evidentes. Algum negacionismo imperava quanto à presença islâmica em vários sítios do sul, “há o período romano, depois não há mais nada até depois da Reconquista”.

Sem entrar aqui em detalhes inúteis, a verdade é que há, a sul do Tejo, muitos sítios romanos que conheceram ocupações importantes na Alta Idade Média, que se prologaram pelo período islâmico. Numa contabilidade grosseira, um pouco mais de dois terços dos fragmentos arquitetónicos da Antiguidade Tardia – muito tardia, por vezes... – concentram-se em três locais: Beja, Mértola e Sines. As duas primeiras conheceram importante ocupação no período islâmico, já para Sines se dizia “ali não há nada dessa época...”.

Há perto de 30 anos, criou-se “um facto arqueológico”. Cláudio Torres identificava Sines como sendo a Marsa Hashim das fontes islâmicas. Sendo que, desde Lévi-Provençal (1894-1956), se fazia coincidir esta última localidade com Castro Marim. O ponto de partida é um texto de al-Himiary, um autor magrebino do século XIV que se baseou em escritos anteriores. A sua obra tinha o extraordinário título de “O livro dos jardins perfumados” e dava-nos esta colorida descrição: “perto de Mértola, junto ao mar, encontra-se Marsa Hashim. É uma fortaleza antiga, onde se encontram ruínas antigas, assim como uma grande igreja que foi construída sob o reinado de César Diocleciano (Kasliyan). É ao reino deste imperador que remonta igualmente a igreja de Toledo”. Com desarmante simplicidade, Cláudio Torres baseava a hipótese da correspondência entre Sines e Marsa Hashim em dois argumentos: o filológico e o histórico-artístico. Em relação ao primeiro, a explicação era bem direta: marsa é porto em árabe e sines/hashim deriva do latim sinu- (enseada). O segundo era não menos claro. A enorme quantidade de fragmentos arquitetónicos de qualidade indiciava a nobreza de um edifício que ali existira.

E depois? Depois, nada. Cláudio Torres ouviu um nutrido coro de assobios e a sua proposta foi desvalorizada. Não faltou quem ridicularizasse a argumentação apresentada. Afinal, nunca se encontrara nada islâmico em Sines... Intimamente pensei “ele tem razão” e passei a citar o local da costa alentejana como Marsa Hashim. Era pouco lógico que um dos raros pontos de abrigo seguros entre Tróia e o Cabo de S. Vicente tivesse sido, pura e simplesmente, abandonado.

Em tempos recentes, a arqueologia tem vindo a detetar ribats (pequenos espaços fortificados destinados à oração e à vigilância da costa) no litoral: junto à praia da Maçãs, perto de Lisboa e perto de Arrifana, no concelho de Aljezur. A estes dois ribats, há que juntar outro, em Sines. Acabado de construir em maio de 1009, conforme atesta uma lápida descoberta junto ao castelo da cidade. A inscrição repõe a verdade e a lógica das coisas. Marsa Hashim é Sines. E não só o sítio teve ocupação em época islâmica, como era um sítio relevante.

Cláudio Torres bem podia recordar o célebre dito “quem ri por último...”. Não creio que perca tempo com isso.

Crónica publicada hoje, no "Diário do Alentejo"

segunda-feira, 25 de maio de 2020

ARQUEOLOGIA E POLÍTICA - DA TEORIA À PRÁTICA

A conversa de arqueólogos não será só sobre Moura. Mas é evidente que o percurso arqueológico (de 1989 até hoje) e o político (1993-2017) serão a parte principal do que se vai falar. Como se fez, porque se fez, como se financiou, porque se optou daquela forma e não de outra.

Porque é que a reabilitação urbana tem de ser parte central de uma atuação? E não só ao domínio patrimonial me refiro.

Logo, às 19 horas (18 h nos Açores), no facebook:
https://www.facebook.com/FundacaoSousaDOliveira

terça-feira, 12 de maio de 2020

LABIRINTO TOTAL

O que se segue não é um lamento. Razões para lamento, sérias e pesadas, têm os que perderam empregos ou salários, as empresas que fecharam ou vão fechar. Os que têm o futuro incerto, ameaçado e inseguro. Portanto, nos dias que correm não me lamento. Apenas me perco, profissionalmente...

O labirinto é total. O calendário escolar que se aproxima do fim, o regresso a Lisboa que se vai adiando, os trabalhos que se concluem sem que se saiba o que vai acontecer com eles, os dias suspensos, um verão silencioso pela frente, a necessidade de rever tudo, a cada momento.

Que fazer? Continuar a escrever, suponho. A ter esperança que os textos e os livros em curso (e com saída prevista entre março de 2020, sim já passou, e novembro de 2021) vejam a luz do dia. Que possa fotografar no verão e terminar dois projetos em curso, que precisam de muitas ilustrações. E agora? Ir em frente e matar o(s) Minotauro(s). E não perder o fio de Ariadne.


Mosaico do Minotauro (Conimbriga)

quinta-feira, 30 de abril de 2020

PATRIMÓNIO DE MOURA X 6.000


No início de abril comprei dois meses de "zoom". Era a maneira mais prática de continuar a dar as aulas. O método funciona, ainda que saiba a pouco. É um pouco como aquelas rodas estreitinhas que os carros agora têm quando temos um furo. Dão para desenrascar.

Resolvi aproveitar o zoom, o trabalho acumulado sobre Moura e projetos em curso para quatro curtas conversas à volta do Património. Tive a surpresa de contar, ao todo, com mais de 6.000 visualizações. Esperava umas centenas, vá que chegasse ao milhar.

O mérito não é meu, é da terra. E dos que lá nasceram ou vivem e que gostam de Moura. E do interesse que os temas suscitam.

Aqui ficam os links e os temas:

COMO DUARTE DARMAS VIU MOURA EM 1510
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217653092060859/

A MOURARIA DE MOURA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217722009183744/

AS MURALHAS MODERNAS DE MOURA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217799001228497/

DA PRATA DA ADIÇA À MOURA SALÚQUIA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217871808568635/

segunda-feira, 27 de abril de 2020

sexta-feira, 24 de abril de 2020

ARQUEOLOGIA TAMBÉM É CULTURA

As fragilidades do sector do património cultural, potencialmente avolumadas em consequência da pandemia, não têm sido nem avaliadas nem objecto de propostas de mitigação. Portugal não pode permitir a destruição do sector profissional que assegura a preservação de um dos seus principais recursos.

Em Portugal a Cultura vive sob o manto da precariedade. O actual estado de alerta provocado pela pandemia da covid-19 e o consequente estado de emergência expuseram ainda mais a fragilidade do sector. Prevê-se que o cenário, já pouco favorável, se possa agravar num futuro próximo. Assim, os profissionais da Cultura têm vindo a alertar a sociedade para as consequências no sector se não forem pensadas soluções específicas. Estes apelos têm vindo, e bem, a receber resposta, ainda que insuficiente, do Governo, entidades competentes, autarquias e agentes culturais.

Contudo, são escassas, ou mesmo ausentes, as respostas dirigidas ao sector do património culturale àqueles que nele trabalham. As fragilidades deste sector, potencialmente avolumadas em consequência da pandemia, não têm sido nem avaliadas nem objecto de propostas de mitigação. O nosso património cultural imóvel, como os monumentos, os sítios arqueológicos, o património etnográfico e paisagístico, os bens móveis (espólios arqueológicos, artísticos, etnográficos, etc.) e património imaterial (tradições, saber-fazer colectivo e individual, etc.) constituem parte fundamental da matriz cultural do país. Os profissionais do património – arqueólogos, conservadores-restauradores, antropólogos, etnógrafos, ilustradores, historiadores, técnicos e investigadores, entre outros – são agentes culturais, garantes da memória colectiva e da preservação da nossa história e cultura, e daquilo que nos define como indivíduos e comunidade. Se a tudo e a todos estes são atribuídos consensualmente importância e interesse público, urge a tomada de medidas que visem minimizar o impacto da pandemia no sector do património cultural, nos seus agentes (empresas, associações, unidades de investigação, etc.) e nos seus profissionais, agora e no período pós-emergência.

No que se refere ao panorama laboral, tal como nas artes do espectáculo, observa-se um contexto de enorme precariedade, agravada por um profundo e crescente desinvestimento público. O sector do património cultural, em particular o da Arqueologia, tem sido remetido a uma função subsidiária da construção civil. A actividade vem crescendo, mas de forma desequilibrada e pouco sustentada, dependente quase exclusivamente da Arqueologia de salvaguarda. Trabalha-se para preservar o património em contexto de projectos e obras, apenas, e não para o estudar, conservar, valorizar e divulgar. Os promotores de obras e projectos financiam estas intervenções, mas o Estado, com excepção de algumas autarquias, desabituou-se de investir em investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural.

Perspectivando aquelas que poderão ser as consequências económicas da pandemia, vislumbra-se uma potencial destruição do tecido laboral e intelectual constituído por investigadores, especialistas e técnicos, altamente preparados e capacitados, com prejuízo para os próprios e para a sociedade. Desta forma os signatários apelam a que:Media player poster frame

– O Ministério da Cultura (através da Direcção-Geral do Património Cultural e das Direcções Regionais de Cultura), governos regionais e autarquias apresentem medidas e apoios específicos para o património cultural.
– O Estado desenvolva um efectivo programa de investimento no património cultural, nas vertentes de investigação, conservação, valorização e divulgação. Urge contrapor, à política essencialmente mercantilista, a implementação de planos integrados com todas as componentes de intervenção no património cultural enquanto bem comum, identitário e de desenvolvimento e coesão territorial.
– O Estado implemente um programa sustentado de combate à precariedade (falsos recibos verdes) nos sectores privado, empresarial e público.
– O Estado reactive o Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos, programa de apoio financeiro à investigação em Arqueologia, alargado também à remuneração de investigadores e outros profissionais, dirigido especialmente aos dados arqueológicos recolhidos em intervenções preventivas durante as últimas décadas, que permanecem por estudar e divulgar.
– O Estado, autarquias e demais entidades depositárias implementem programas de gestão, estudo, conservação e valorização do abundante espólio arqueológico que vem sendo, na melhor das hipóteses, apenas armazenado.
– O sistema científico e tecnológico nacional promova e financie programas de incentivo à investigação através de projectos ou bolsas na área da Arqueologia.
– Seja desenvolvido um programa de incentivo à constituição de equipas municipais de Arqueologia. O trabalho extraordinário que o poder local democrático tem desenvolvido em prol do património cultural deve ser aprofundado e consolidado, para bem das comunidades locais e nacional.
– Os profissionais, instituições de ensino superior, empresas e associações culturais se congreguem em torno destes objectivos comuns e de interesse público, para defesa e promoção do património cultural, incitando as entidades tutelares e reguladoras, para que estas garantam a sobrevivência do sector do património cultural em Portugal.
– Todos os que nos lêem, sejam agentes e profissionais da área do património ou não, se juntem a este esforço que é de todos… porque o património cultural é de todos também.

Portugal não pode permitir a destruição do sector profissional que assegura a preservação de um dos seus principais recursos, o património cultural. É urgente agregar esforços, pessoais e colectivos, de defesa dos profissionais da Cultura, para preservar a nossa memória e conhecimento, o nosso passado, presente e futuro. Um futuro sustentável e saudável só acontece através de uma compreensão do passado e os profissionais do património cultural são os mais bem preparados mediadores entre o passado e o presente, ajudando as comunidades e os indivíduos a apreenderem e compreenderem o seu passado. Para tal é preciso um planeamento estruturado e desenvolvido em diálogo constante com todos os agentes que intervêm no estudo, conservação, valorização e divulgação do nosso património cultural.

Regis Barbosa (arqueólogo, STARQ), Mauro Correia (arqueólogo independente), Alexandre Sarrazola, Ana Bettencourt (arqueóloga, Universidade do Minho), Ana Catarina Sousa (arqueóloga, Universidade de Lisboa), Ana Cristina Araújo (arqueóloga, LARC/CIBIO/DGPC), Ana Mesquita (arqueóloga, deputada), André Carneiro (arqueólogo, Universidade de Évora), André Teixeira (arqueólogo, Universidade Nova de Lisboa), António Carlos Silva (arqueólogo), António Manuel Silva (arqueólogo, Centro de Arqueologia de Arouca), António Monge Soares(arqueólogo/investigador, CTN/Instituto Superior Técnico), António Valera (arqueólogo, ERA), Carlos Fabião (arqueólogo, Universidade de Lisboa), Cláudio Torres (arqueólogo, Campo Arqueológico de Mértola), Conceição Lopes (arqueóloga, Universidade de Coimbra), Diana Margarido (mestranda Arqueologia), Élvio Sousa (arqueólogo, deputado regional Madeira), Jacinta Bugalhão (arqueóloga, STARQ/AAP/DGPC), João Luís Cardoso (arqueólogo, catedrático Universidade Aberta), João Senna-Martinez (arqueólogo, Universidade de Lisboa), João Tereso(arqueólogo/paleobotânico, CIBIO), João Zilhão (arqueólogo, catedrático Universidade de Lisboa), Jorge Alarcão (arqueólogo, catedrático Universidade de Coimbra), Jorge Custódio (arqueólogo industrial, IHC/Universidade Nova de Lisboa), Jorge Raposo (arqueólogo, Centro de Arqueologia de Almada), José Arnaud (arqueólogo, AAP), José Bettencourt (arqueólogo, Universidade Nova de Lisboa), José Carlos Quaresma (arqueólogo, Universidade Nova de Lisboa), José d'Encarnação (arqueólogo, catedrático Universidade de Coimbra), José Luís Neto (arqueólogo, DRC Açores), José Ruivo (arqueólogo, Museu de Conímbriga), Leonor Rocha (arqueóloga, Universidade de Évora), Liliana Matias Carvalho (arqueóloga/antropóloga, STARQ), Luís Luís(arqueólogo, Fundação Côa Parque), Luís Monteiro (arqueólogo, deputado), Luís Raposo (arqueólogo, ICOM Europa/AAP/MNA), Luiz Oosterbek (arqueólogo, Instituto Politécnico de Tomar), Manuela Martins (arqueóloga, catedrática Universidade do Minho), Maria de Jesus Sanches (arqueóloga, Universidade Porto), Maria João Valente(arqueóloga/arqueozoóloga, Universidade do Algarve), Maria Ramalho (arqueóloga, DGPC), Mariana Diniz (arqueóloga, Universidade de Lisboa), Nuno Bicho (arqueólogo, Universidade do Algarve), Pedro Sales(conservador-restaurador, Museu de Conimbriga), Ricardo Costeira da Silva (arqueólogo, Universidade de Coimbra), Rogério Alves (técnico de arqueologia), Rui Gomes Coelho (arqueólogo, Universidade de Lisboa), Rui Morais (arqueólogo, Universidade do Porto), Sandra Assis(antropóloga, Universidade Nova de Lisboa), Santiago Macias (arqueólogo, Campo Arqueológico de Mértola), Sérgio Monteiro Rodrigues (arqueólogo, Universidade do Porto), Susana Gómez (arqueóloga, Universidade de Évora/Campo Arqueológico de Mértola), Tânia Casimiro(arqueóloga, Universidade Nova de Lisboa), Victor S. Gonçalves(arqueólogo, catedrático Universidade de Lisboa), Vítor Oliveira Jorge(arqueólogo, catedrático Universidade do Porto)

Artigo que acaba de sair no "Público"

quinta-feira, 23 de abril de 2020

DA PRATA DA ADIÇA À MOURA SALÚQUIA: O PERÍODO ISLÂMICO NO CONCELHO DE MOURA, DOMINGO ÀS 17 HORAS

Memórias, lendas e factos do nosso concelho. Começando pela Moura Salúquia, que é, também, título de uma valsa.

Qual a maior riqueza do concelho de Moura, há 1000 anos?
Onde ficava o mítico sítio de TOTALICA?
Porque é que Moura se chamou, pelo menos entre os séculos VI e X, LACANT?
O que quer dizer SALÚQUIA?

Temas da quarta, e última, conversa sobre o património da nossa terra. Domingo, às 17 horas, via zoom:
https://us02web.zoom.us/j/81328493349?pwd=d1JTanc3d3U4ZUNYQWVVZnBPSnQ4UT09


segunda-feira, 13 de abril de 2020

PATRIMÓNIO DE MOURA - 2º. TEMA

Segunda de quatro conversas sobre Património Cultural. Ontem, foi a vez da Mouraria. Vídeo disponível em:
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217722009183744/



Representação do bairro na planta de Nicolau de Langres,
de meados do século XVII.
A verde - o que se conservou, até hoje.
A rosa - os quarteirões sacrificados, para dar lugar à construção da Muralha Nova.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

MOURARIA DE MOURA NA NET: DOMINGO ÀS 17 HORAS

Domingo será tempo para falar um pouco da Mouraria, às 17 horas em ponto. Via zoom, que é o que pode ser...

Como nasceu o bairro? Quem lá vivia? Que evolução teve?

Aqui fica o link:
https://us04web.zoom.us/j/983705345?pwd=LzlUSjZEUDR1THpNMHNTam5LRXp6UT09

sexta-feira, 27 de março de 2020

A MOURARIA DE MOURA NO "DIÁRIO DO ALENTEJO"

Texto sobre o livro que a pandemia "congelou". Sai hoje no Diário do Alentejo. No meio da pouca normalidade destes dias, a cada minuto se tenta recuperar, tanto quanto possível, um quotidiano que se perdeu. E que, temo, não voltará tão depressa. De qualquer maneira, o trabalho de Carlos Lopes Pereira dá mais um empurrão ao trabalho de investigação em curso, ao divulgar a investigação que tem sido feita.

Moura é tema de outros estudos em curso.“Stvdia Historica & Archaeologica – Ossa Islamica”, anunciado no início deste mês, arranca agora. Mais depressa do se pensava, por força das "limitações físicas" por que passamos.


sábado, 14 de março de 2020

MOURA NO "PÚBLICO"

Ou, melhor dizendo, a Mouraria de Moura no "Público". Um texto bonito de Lucinda Canelas falando da minha terra. O ponto de partida foi o livro que está para sair. A reportagem vai além disso e anda em volta da arqueologia, do castelo, da reabilitação urbana, daquilo que a vontade permite concretizar.

Vamos em 31 intermitentes anos de arqueologia no castelo. Com publicações feitas e outras previstas. Mesmo em tempos difíceis como os que correm, a esperança não fica de lado. Nem a combatividade, a que leva as coisas para a frente.

Ora tenham a bondade de ler:

sexta-feira, 13 de março de 2020

SERÁ QUANDO PUDER SER

Um decisão em dois tempos:

Primeiro (9:10), telefonei ao José Manuel Albardeiro, de "A Planície", pedindo para retirarem a informação do facebook e para não passarem a entrevista que dei à rádio. Objetivamente, a iniciativa não poderia ter lugar.

Segundo (10:00), em conversa rápida com o Jorge Liberato, acertámos os "termos do adiamento". Não se anula, faz-se quando houver condições. Tudo tranquilo, nesse aspeto.

Depois de encerramentos de escolas, e de medidas que afetam bares e restaurantes, seria pouco sensato continuar com esta apresentação.

O livro está impresso. Fica para depois.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

QUINTA COLUNA Nº. 9: AUGUSTO E TIBÉRIO NO SÉCULO XXI


O imperador Augusto morreu em 19 de agosto de 14. Há mais de 2.000 anos. É do tempo deste homem de Estado a versão mais antiga do fórum de Beja. Com num jogo de “mikado”, as ocupações foram-se sucedendo no sítio mais alto, e mais importante, da cidade de Beja. Passos de maior destaque nesse longo processo de construção? A ocupação da Idade do Ferro, as imponentes construções de época romana, os vestígios do período islâmico e a extraordinária Casa da Moeda quinhentista.
Abel Viana tateou um pouco os terrenos do fórum de Beja. Os tempos eram outros e, para além da recolha de alguns materiais e de um esquiço do local, pouco mais se fez. Foi preciso esperar 50 anos para que um longo processo de resgate dessa memória da cidade se pusesse em marcha. A partir de 1997, e sob a direção de Maria da Conceição Lopes, professora na Universidade de Coimbra, começaram as escavações. A arqueóloga defenderia, pouco depois, uma tese de doutoramento sobre Beja e o seu território. Um trabalho corajoso e de difícil concretização. A cidade romana de Beja: percursos e debates acerca da "civitas" de Pax Ivlia é estudo com duas décadas que continua atualíssimo e que, ante os recentes ataques de que o Património em áreas rurais tem vindo a ser alvo, mais pertinente se torna.
A partir de 2008, as escavações ganharam outro fôlego e começaram a emergir dados de grande relevo sobre a cidade romana. A par com a descoberta de uma Casa da Moeda, da qual se pode dizer que é verdadeiramente única. Os tempos mais recentes foram marcados por alguns sobressaltos. Notícias menos boas – escavações interrompidas, degradação de estruturas, etc. – mereceram o destaque que as notícias menos boas sempre têm.
Na passada semana, teve lugar a apresentação do projeto para reabilitação do sítio do fórum romano de Beja. A esperança renasce. Pelo menos, foi essa a ideia com que fiquei. Dão-se, objetivamente passos para a reabilitação de uma área com cerca de 2.000 m2. Ainda que haja acertos a fazer – e aspetos a incorporar, em termos arqueológicos -, a reversibilidade / adaptação modular do centro de interpretação é um achado e lança pontes de diálogo para o futuro.
Que perspetivas se abrem, a partir daqui?
·      A concretização do projeto e a valorização das estruturas;
·      A possibilidade de monumentalização das ruínas, via anastilose - (re)construção a partir de elementos previamente existentes -ou outros métodos;
·      A necessidade de uma articulação do futuro centro de interpretação + centro de arqueologia com o restante património da cidade, nomeadamente o Museu Regional, a Rua do Sembrano, a igreja de Santo Amaro e o sítio de Pisões. Caso contrário, a lógica dispersiva e capelística dominará;
·      Uma desejável conclusão do processo de escavações, seguido da sua publicação.
Em 21 de junho de 2019, escrevi, neste mesmo jornal, um artigo sobre o fórum romano de Beja. Reitero o que então disse. Em seis meses, houve avanços significativos. Termino com as mesmas palavras que então: “A tomada de decisões sobre o património, na perspetiva da sua reabilitação, nem sempre é ‘simpática’. Nem imediata. É mais fácil ‘feirizar’ a História, criar ‘eventos’ e complementá-los com iniciativas folclóricas. Dá muito menos trabalho e rende mais, no curto prazo. Ora, como bem sabemos, e tendo em conta o que nos resta do fórum, o Património é matéria para o longo prazo”.

Hoje, no "Diário do Alentejo"

sábado, 22 de fevereiro de 2020

HOUVE FÓRUM, HAVERÁ FÓRUM

O processo é longo. No limite, podemos dizer que é um processo com 2.000 anos.

Pelo fórum de Beja, andou Abel Viana. Um herói quase desconhecido do nosso Património. Em 1997, iniciou-se o resgate do fórum. Um processo lento, cuja condução científica coube a Maria da Conceição Lopes, professora na Universidade de Coimbra. A Conceição defenderia pouco depois uma tese de doutoramento sobre Beja e o seu território. Um trabalho corajoso e duro. A cidade romana de Beja: percursos e debates acerca da "civitas" de Pax Ivlia é estudo com duas décadas que continua atualíssimo e que, ante os recentes ataques de que o Património tem vindo a ser alvo, 
mais pertinente se torna.

O processo de escavação do fórum tem sido longo e complexo. Ontem, em Beja, teve lugar a apresentação do projeto de arquitetura previsto para o sítio. Uma boa iniciativa da autarquia bejense, que assim dá passos decisivos para a recuperação do sítio. O projeto foi uma boa surpresa. Porque mesmo com pontos ainda por esclarecer (ou mesmo por valorizar) do sítio não compromete a continuação de trabalhos arqueológicos. A reversibilidade / adaptação modular do centro de interpretação é um achado e lança pontes de diálogo para o futuro.

O que penso, em suma, de todo aquele processo?

1. Que a Câmara Municipal de Beja tem legitimidade para tomar decisões e para as por em prática, dentro do que é o legal de atuação. Não vi nada que contrarie este princípio;

2. Que o projeto tem princípios fundamentais de reversibilidade que permitem que a arquitetura se minimize ou, mesmo, se anule;

3. Que a monumentalização do sítio - via anastilose ou outros métodos - é fundamental para a leitura pelos visitantes;

4. Que o centro de interpretação + centro de arqueologia deveria ter um programa articulado com o restante património da cidade, nomeadamente o Museu Regional, a Rua do Sembrano, a igreja de Santo Amaro e o sítio de Pisões. Caso contrário, a lógica dispersiva e capelística dominará;

5. Que é imprescindível ter em conta os sábios comentários que ouvi ontem a propósito de drenagens, valorização de aspetos importantes (cisterna republicana, casa da moeda etc.), que em nada contrariam o que está previsto.

Houve aspetos que correram menos bem, neste processo? Sim, manifestamente. Está na altura de arrumar essa parte do dossiê. E de retomar o estudo com quem melhor conhece o sítio, e há mais de duas esforçadas e militantes décadas o escava. Continuo com a esperança que o retomar do diálogo resolva o que está por resolver.

Este debate será repetido, em breve, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Porque é importante que os alunos destas áreas de conhecimento tenham a perceção da complexidade destas valorizações.