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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

AO JEITO CAMPOMAIORENSE

Desce-se uma rua, depois sobe-se outra, depois outra ainda. Depois, contorna-se o castelo. As certezas tremem e desaparecem. Afinal, parte do que o sr. Duarte Darmas desenhou mantém-se, sim. Outra parte foi levada pelos baluartes modernos.

O castelo tem quartéis, do mesmo género dos que tem Moura, mas menos espaventosos. Não menos bonitos, por certo. Quem mora no castelo é a comunidade cigana. No calor das 13 horas, um homem de fato claro, gravata, pasta castanha numa mão, um dossiê com desenhos na outra, deve parecer estranho. Um cão não gostou de mim. Uma pequenita, dos seus 10/12 anos, intrigada, não resiste e pergunta "você é dos Jeovás?". Mesmo junto ao castelo fica a Rua Direita. A placa toponímica dá-lhe outro nome, bem mais divertido.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DUARTE DARMAS - O SITE E OS APOIOS


Aos poucos, o projeto (promovido pela MULTICULTI, e do qual sou autor) toma forma. O site agora tem o formato definido, com as cinco secções que o compõem. Dos 20 castelos, estão registados 13 (até final do mês de agosto essa tarefa estará terminada).

Para já, está aberta a secção onde se reproduzem as imagens desses 20 castelos, segundo foram vistas por Duarte Darmas, há cerca de 500 anos. Quais são os sítios abrangidos?

Alandroal
Alpalhão (Nisa)
Arronches
Assumar (Monforte)
Campo Maior
Castelo de Vide
Elvas
Juromenha (Alandroal)
Mértola
Monforte
Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
Montalvão (Nisa)
Moura
Mourão
Nisa
Noudar (Barrancos)
Olivença
Ouguela (Campo Maior)
Serpa
Terena (Alandroal)

O site tem também uma secção consagrada aos apoios. Ou seja, às entidades que tornaram possível este projeto e a quem é devido reconhecimento e agradecimento:

Apoios financeiros
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo
Caixa Geral de Depósitos
Turismo de Portugal
Direção Regional de Cultura do Alentejo
Continente
Cafés Delta
Câmara Municipal de Barrancos
Câmara Municipal de Campo Maior
Câmara Municipal de Castelo de Vide
Câmara Municipal de Elvas
Câmara Municipal de Mértola
Câmara Municipal de Mourão
Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
Câmara Municipal de Serpa

Parcerias institucionais
Arquivo Nacional da Torre do Tombo / DGLAB
Turismo do Alentejo / ERT
Resialentejo
  

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

REGRESSO

Foi tudo mandado para casa em meados de março. Passaram quatro meses e meio. O tal de teletrabalho levou-me a mergulhar no trabalho muito mais que 7 horas por dia. Regressei à base, brevemente, em meados de junho, para recolher materiais e preparar trabalho de campo. Retorno amanhã - o cartão de acesso caducou, a palavra-passe do computador idem... -, para tentar preparar as próximas semanas e os próximos meses.

E agora?

Como vai ser com os projetos em suspenso? Com os livros maquetados e por imprimir? E agora, como vai ser com as aulas, com a tenebrosa perspetiva de ser tudo outra vez à distância? Como vai ser com a família? Como vai ser no local de trabalho, entre o confinamento e o conforto do gabinete e a necessidade de resolver coisas?

São problemas menores, disso me convenço. Com o desemprego a alastrar, com a economia a afundar-se, com nuvens negras no horizonte, não tenho, na minha relativa segurança, o direito ao mais pequeno lamento.

Lisboa é uma cidade bonita? Sim, das mais belas entre as que conheço. Hoje mesmo constatei isso, sentado no silêncio do Largo da Academia Nacional de Belas-Artes. A 175 kms da casa de Mértola, a 160 kms. da casa da Salúquia. Está na altura de, na melhor companhia, aproveitar estes dias de regresso. Numa cidade com menos gente e num agosto que vai ser ainda mais sossegado.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

MISTÉRIO AMARELO

O prédio está inacabado. E parece abandonando. Ocupa quase um quarteirão. Contudo, houve o cuidado de o pintar num tom amarelo vivo. Há coisas que escapam ao entendimento, mas que devem ter uma explicação.

Rua do Loreto (Bragança) - ontem, às 20:35.

sábado, 27 de junho de 2020

VAMOS VER O POVO, VAMOS VER O POVO...

"Ser rico deve ser uma coisa porreira...", disse aquele meu amigo, bem mais velho que eu, e soltou uma sonora gargalhada. Estávamos em casa dele, na Lapa, e na televisão passava um documentário sobre a rodagem do "Apocalypse now". Francis Ford Coppolla, deus ex machina, regia aquele exército num jeito barroco. Os meios eram impressionantes. A cena dos helicópteros foi filmada em tempo real, e sem recurso a computadores. Uma coisa de ricos.

Lembrei-me muitas vezes deste episódio, nos últimos três meses. A diferença entre uns e outros está bem espelhada naquele que é um dos palcos evidentes da diferenciação social: os transportes públicos. O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, deixou isso bem claro numa entrevista à Antena Um, a meio da semana. Há mais casos naqueles concelhos - Amadora, Loures, Odivelas etc. - precisamente porque são os sítios onde as pessoas mais usam os transportes públicos e onde não têm alternativas Têm mesmo de ir trabalhar e têm de ir assim. A todos ocorre "ser rico deve ser uma coisa porreira...". É esse o teor, com nuances, de muitas conversas que ouço nos transportes públicos.

As fantasias ambientais que se propagandeiam, as ideias dos transportes limpos, baratos e eficazes, são boas para abrir telejornais e para as páginas da imprensa dominada pelas classes A e B. A realidade, e essa eu conheço bem!, é outra. A outra realidade é a do povo. Que uma certa classe política - não o PCP, que esse está sempre onde está o povo - frequenta, com curiosidade de zoo.



Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está. 


Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006) in Nobilíssima Visão (1959)

quinta-feira, 18 de junho de 2020

ENIGMA TOPOGRÁFICO-POLÍTICO, EM OLHÃO

Ontem, a meio da tarde, precisei de uma indicação para encontrar um determinado edifício, em Olhão. Esquecera-me do telemóvel no carro e orientava-me só pelo faro. A rua estava quase deserta. Só um homem à vista. Cumprimentei e perguntei. Solícito, informou "é muito perto; segue em frente e, no cruzamento onde está a loja xis, vira à direita". E abanou, energicamente, a mão esquerda. Intrigado, sugeri "não será à esquerda?". Olhou-me, surpreso, "esta é a esquerda?". Confirmei. Respondeu "ok, então vira à esquerda". Consegui, com um esforço homérico, ficar sério como um cardeal.

O edifício era perto. Fotografei e voltei para o carro.

Fiquei na dúvida. Ou tinha encontrado o maluco oficial de Olhão (todas as terras pequenas têm um) ou dera de caras com mais um que daqueles que confunde, a todos os títulos, esquerda e direita.

terça-feira, 16 de junho de 2020

DOM SEBASTIÃO

Ao meio da tarde de hoje, devo estar em frente a esta estátua.

Recordo-me bem de a ter visto, no verão de 1974. De a ter achado estranha e diferente de tudo o que via nos livros de História. Tal como me recordo das críticas ferozes dos amigos dos meus pais que moravam em Lagos. Quase 50 anos volvidos, a estátua tornou-se um símbolo da cidade. Isso diz bem da perenidade de algumas coisas.

Ainda "não se lembraram" desta. Valha-nos isso.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

CIDADE BRANCA

Esta pintura quase encerraria um projeto que a pandemia levou. O melhor, talvez se faça, "reformatadamente". Nem fazia parte do alinhamento original, porque não a conhecia. Um feliz acaso levou-me, uma manhã, à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva. Ganhou ali novo significado a expressão cidade branca. Que, na verdade, só o é de forma figurada.

Este guache de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) passaria a ter lugar de destaque num final de percurso. Até porque, estranhamente, numa cidade como Lisboa, não há muitas representações do Castelo de S. Jorge: Carlos Botelho, Maluda, Carlos Calvet... Depois, há autores mais antigos, como Alfredo Keil ou Alberto de Souza.

Nunca em tal tinha pensado, depois o facto não deixou de me espantar.

domingo, 7 de junho de 2020

TODA A CRIATIVIDADE DA TOPONÍMIA

Sempre gostei de registar toponímia criativa. Tenho apanhado de tudo um pouco. Ontem à noite, foi a vez deste nome. RUA DA CASINHA DO CONSUMO? É todo um leque de especulativas possibilidades que se se abrem. Não há ali nenhum supermercado, em todo o caso.


domingo, 24 de maio de 2020

MÚSICA GUINEENSE

É assim que me soa o crioulo, a uma toada musical. E é assim que arranca o livrinho:

Marjen di riu i un tapadu di tarafi. Marjen di riu i un linha ki ka kortadu. Tris ora dipus di ianda na iagu na metadi di tarafi, di seu fungulidu ku di mar fungulidu, barku tchiga Bulama. Na mar no ka na odja sidadi. No na odja son puntu, ku pekaduris manga del suma kakris na kabas.

Pensada em 2012, anunciada em abril de 2013, está perto do final esta saga teimosa sobre Bolama. Há dias, um escritor guineense, Geraldo Marinho Pina, enviou-me a tradução do texto. Vamos ao financiamento do que falta.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

STVDIA HISTORICA & ARCHAEOLOGICA - MOVRA MEDIEVALIS

As palavras são curtas para exprimir o que senti, há minutos, quando despachei a parte final do manuscrito do livro, para ser tratado graficamente. Foi um percurso longo (de 2013 até agora), e cheio de curvas e contracurvas. Agora, temos esta calendarização:
Grafismo - 10 dias;
Revisões - 5 dias;
Impressão - 5 dias.
Apresentação pública em Moura - segunda quinzena de janeiro.
Programa a anunciar. 😊😊😊


Índice do livro:
Mouraria - o arrabalde muçulmano no século XIV - José Gonçalo Valente e Santiago Macias
A Mouraria de Moura -  a comuna, a organização do bairro e a toponímia - José Francisco Finha


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ILUMINAÇÕES DE NATAL

7.000.000 de euros é o volume de despesa das autarquias de Portugal em iluminações de natal. Nunca considerei essa matéria como relevante ou prioritária. Posição que mantenho, respeitando, bem entendido, quem tenha entendimento diferente.

Defendi/defendo princípio de contenção. E uma outra lógica de trabalho. Ou seja soluções de fundo vs. festejos momentâneos / apostar no essencial vs. as coisas que passam. Em épocas em que se fala de solidariedade, de fraternidade, de dádiva, tenho dificuldade em "encaixar" este tipo de despesas, às quais muitas autarquias se associam, à custa de todos, e às quais acrescentam N "animações" e festas e festarolas com "artistas de primeiro plano".

Alternativas? Árvores da partilha, concertos pelos grupos corais de cada terra ou pelos alunos das escolas, presépios feitos por artistas locais ou pelos trabalhadores camarários (tenho excelentes recordações dos de Moura), cantes ao Menino,  iniciativas que impliquem dádiva e solidariedade. É pouco espaventoso? É. Mas é mais adequado e mais equilibrado, na minha opinião.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

MARRAQUEXE EXPRESS

Ao procurar imagens para um projeto em desenvolvimento, fui dar com um conjunto de fotografias antigas de Marraquexe, ponto central do tema que nos ocupa. Ainda desabafei para o meu colega, e amigo há quase 40 anos, "ainda vamos ser acusados de promotores do exotismo ou de orientalistas filhos do pós-colonialismo, vais ver a barraca...". Embora não pareça, ele tem muito mais juízo que eu e não (me) ligou nenhuma. Há muitos anos (seis, para ser preciso) que não vou a Marraquexe. Mas a imagem perene será, sempre, a daquele setembro de 1981, quando alguns sítios da cidade se pareciam ainda um pouco com o cliché orientalista.

E, isso sim, lembro-me de irmos no autocarro, estrada fora, enquanto na minha cabeça soavam os Crosby, Stills and Nash:

Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
All on board that train


terça-feira, 20 de agosto de 2019

TRUJILLO

Não ia a Trujillo desde 1974. Ou, talvez, 1975. Só recordava, vagamente, a Plaza Mayor. Juraria que a estátua de Francisco Pizarro estava no centro. Afinal, não está. Também tinha a ideia de um sítio muito bonito. Uma recente passagem por Trujillo, sim é um bonito cenário, gerou a mesma sensação de desconforto que outras cidades me tinham provocado. Arrisco-me a ser defenestrado ao dizer que me asfixiam sítios como Úbeda ou Cáceres... Demasiados palácios, demasiados brasões, fachadas cegas, arquitetonicamente irrepreensíveis, mas mudas e opacas. Demasiada aristocracia, muitos marqueses. Falta gente, falta povo, sobra sobranceria. Podemos passar, mas não ficar.

Os palácios? Viraram boutique hotel ou alojamento de luxo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 7/13

Uma viagem a Bissau, no início de 2010, foi o pretexto para uma frenética recolha de imagens. As peripécias não foram poucas, durante os quatro ou cinco dias em que permaneci sozinho na cidade... O extraordinário interesse do sítio motivou o resto. Que se traduziu na proposta, ao presidente da câmara José Pós-de-Mina, para que se preparasse um pequeno livrinho, com umas dezenas de fotografias, a editar por ocasião da passagem por Moura do Eng. Armando Napoco, em maio desse ano.

A ideia de fazer uma edição bilingue esbarrou na dificuldade da tradução. Mesmo os colegas guineenses que falam o crioulo de forma corrente hesitam na forma de verter as palavras na sua forma escrita. Valeu-me o meu amigo Domingos Soares Semedo (Mingó), que convenceu a sua mulher, Odete Semedo (antiga Ministra da Educação), a fazer a tradução. O livro saiu mesmo. Aqui fica, em duas versões, o primeiro parágrafo do meu texto.


As cidades são um palimpsesto. As cidades escrevem-se no tempo e são a escrita do tempo. As cidades escrevem-se devagar, ao longo de séculos ou de milénios. Os séculos mudam-nas, apagam e reescrevem as suas páginas. Que são refeitas vezes sem conta. De dia e de noite, porque as cidades são, como as consoantes do alifato, solares e lunares. Os dias de Bissau e as noites de Moura fazem parte dessa escrita, que nem sempre é linear. E que nunca é silenciosa.


Prasas i suma ora ku bu na djubi rostu di fidju, ma bu na odja parsensa di rostu di si mame ku si papi. Sidadis o prasas e ta skirbidu na tempu, ma elis na se po di kurpu i kusa ku skirbidu. Prasa ta skirbidu divagarinhu, pikininu... pikininu, anu fora anu dentru. Anus ku ta muda sidadis, anus ku ta paga, i ta skirbi i torna skirbi mas na si fodjas. Si fodjas ta fasidu i torna fasidu, kantu bias ku ningin ka pudi kaba kontal. Prasas i suma letra di alfabetu, di dia e ta iardi suma sol, di noti e ta lumia suma lun’a. Dias di Bissau ku notis di Moura e fasi parti di e skrita; un skrita ku si kaminhu i ka di kumpridu. Ma tambi i ka di mukur-mukur.

Moura Bissau
Autores: Santiago Macias, José Pós-de-Mina e Armando Napoco
Formato - 16 x 16
Nº de páginas - 46
Ano de edição - 2010
Classificação CDU - 
77 Macías, Santiago
77(469)"19/20"
061.4(469)"2001


terça-feira, 30 de julho de 2019

STARDUST MEMORIES Nº. 29: ATENEU COMERCIAL DE LISBOA

Em 1976, a piscina era descoberta e tudo era branco em volta do tanque. Houve melhoramentos, há mais de 20 anos, e o resultado foi uma total desgraça. Ali aprendi a nadar, beneficiando da paciência de Shintaro Yokochi e de Carlos Cruchinho. Quase me parece irreal que fossem treinadores e nadadores de primeira a ensinar os miúdos. Ainda para mais miúdos sem aptidão, como era o meu mais que óbvio caso. A única ligação que tive com a alta competição foi o facto de Yokochi me achar parecido com o  célebre nadador alemão Roland Matthes...

Voltei hoje ao Ateneu, por outras razões. Decrepitude é palavra curta para descrever o cenário. Houve uma insolvência e há apetites imobiliários. Está tudo na habitação de luxo e nos hotéis de luxo. Como a antiga sede dos CTT, na Rua de S. José. Perguntei ao José Vicente "queres ir até lá? é o único palácio de Lisboa que parece romano". Fomos. As obras ainda não começaram. Mas irão começar. Como daqui a uns tempos, no Ateneu. Que é já só uma sombra das glórias passadas.

sábado, 27 de julho de 2019

REGRAS DE COMUNICAÇÃO

O propósito de um painel à porta de um estabelecimento é informar, certo?

Há caracóis.
Temos pneus novos e recauchutados.
Computadores a partir de xis euros.

Este portão é um naïve e eficaz meio de comunicação. Os serviços da oficina estão ali bem explicados. Menos, para mim, a parte da cama, que me parece meio enigmática.

Ainda existirá? A fotografia data de 2012 e foi feita em Bolama.

LOULÉ - 5/5

Aos poucos, se tem revelado o Portugal Islâmico. A hipótese de o embasamento da torre sineira de S. Clemente, em Loulé, ser parte do minarete da mesquita local foi avançada, salvo erro, por Michel Terrasse. É a estrutura que, a título indicativo, se referencia na imagem.

A estrutura deverá datar de finais do século XI ou da primeira metade do século XII d.C.

Veja-se a abordagem mais detalhada de Cristina Garcia em http://islamicart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;12;pt

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O ELOGIO DA BURACA

         “Você mora onde??”. Várias vezes tenho sido surpreendido com esta pergunta. O tom é quase de alarme. Podia “iludir” a questão e dizer “na Amadora”. Ou, de forma ainda mais dissimulada, “muito perto da estação de Benfica”. Mas não, a Buraca é a Buraca. É onde estou e onde gosto de estar. O nome é, quase sempre, sinónimo de terror. Como se dissesse “vivo no South Bronx”. Ou “em LA South Central”. Ao fim da rua, a menos de 400 metros, fica a Cova da Moura. Que é sinónimo de periódicas confusões.
         A janela da cozinha fica virada para um local de passagem. Ao longo do dia, quando lá estou de dia, é uma janela sobre o mundo. Gente que vai para o trabalho ou do trabalho regressa. Emigrantes africanos ou cidadãos portugueses de origem africana passam a toda a hora. O passo deles tem um ritmo musical ou sou eu que assim quero que seja? Há reformados, que o bairro tem cada vez mais reformados, e há ainda um ambiente de família. Há gente que se conhece há décadas. A dona do supermercado pergunta-me pela Isabelinha com regularidade. A senhora do rés-do-chão em frente trabalhou em Moura e ainda se lembra das ruas, descrevendo-mas como elas eram há 50 anos. O dono do quiosque dos jornais é da Amareleja. A praceta é um mix de alentejanos, de beirões e de população de origem africana. Afinal, foi o bairro que deu origem aos BURAKA SOM SISTEMA. Na Buraca não há condes nem viscondes. Se há, é porque faliram. Os carros velhos são tantos como os novos. O bairro está entre a memória dos subúrbios de outrora – oficinas nas traseiras, cafés de ar pouco próspero – e a modernidade que aí vem. Num quintal das traseiras há uma figueira, a dar um toque de ruralidade. Mais longe, a uns 100 metros, e do outro lado da Estrada da Circunvalação, há sempre música num bairro habitado maioritariamente por ciganos. O facto de usar chapéu já deu origem a divertidos equívocos.
         Volto à janela e o bulício continua. Novos, velhos, continuam a passar a ritmo incessante. Ao fim do dia, quando a noite se fecha, são mulheres anafadas, na casa dos 50/60 anos, que regressam das empresas onde trabalham nas limpezas. Não é raro que tenham dois empregos: 14 horas de trabalho, mais 2 em transportes vários, mais as compras, mais a família. Dessas vidas ninguém se lembra, e a elas não chegam as condecorações nem o elevador social. É neste ambiente que regresso muitas vezes a casa, no 50 ou no 54.
         “Você vive na Buraca??”. E eu que sim, e gosto daquele ambiente de mistura e popular. Um bairro com gente autêntica e onde ainda há crianças no parque infantil e no polidesportivo ao virar da esquina.

domingo, 21 de julho de 2019

LOULÉ - 4/5

Ando para aqui às voltas sem conseguir saber quem é o autor desde sóbrio e bonito edifício. Tem ar de cine-teatro, com aquele espaço na esquina para os cartazes de outrora. Hoje é um supermercado.

A arquitetura moderna, na região algarvia, dá cartas. Muitos e bons edifícios foram desenhados e construídos nos anos 50 e 60 no extremo sul do País. Já disso me dera conta, em anteriores estadas. Fui descobrindo nomes e edifícios. Fica agora esta dúvida: quem desenhou este edifício?