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quinta-feira, 18 de junho de 2020

ENIGMA TOPOGRÁFICO-POLÍTICO, EM OLHÃO

Ontem, a meio da tarde, precisei de uma indicação para encontrar um determinado edifício, em Olhão. Esquecera-me do telemóvel no carro e orientava-me só pelo faro. A rua estava quase deserta. Só um homem à vista. Cumprimentei e perguntei. Solícito, informou "é muito perto; segue em frente e, no cruzamento onde está a loja xis, vira à direita". E abanou, energicamente, a mão esquerda. Intrigado, sugeri "não será à esquerda?". Olhou-me, surpreso, "esta é a esquerda?". Confirmei. Respondeu "ok, então vira à esquerda". Consegui, com um esforço homérico, ficar sério como um cardeal.

O edifício era perto. Fotografei e voltei para o carro.

Fiquei na dúvida. Ou tinha encontrado o maluco oficial de Olhão (todas as terras pequenas têm um) ou dera de caras com mais um que daqueles que confunde, a todos os títulos, esquerda e direita.

terça-feira, 16 de junho de 2020

DOM SEBASTIÃO

Ao meio da tarde de hoje, devo estar em frente a esta estátua.

Recordo-me bem de a ter visto, no verão de 1974. De a ter achado estranha e diferente de tudo o que via nos livros de História. Tal como me recordo das críticas ferozes dos amigos dos meus pais que moravam em Lagos. Quase 50 anos volvidos, a estátua tornou-se um símbolo da cidade. Isso diz bem da perenidade de algumas coisas.

Ainda "não se lembraram" desta. Valha-nos isso.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

CIDADE BRANCA

Esta pintura quase encerraria um projeto que a pandemia levou. O melhor, talvez se faça, "reformatadamente". Nem fazia parte do alinhamento original, porque não a conhecia. Um feliz acaso levou-me, uma manhã, à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva. Ganhou ali novo significado a expressão cidade branca. Que, na verdade, só o é de forma figurada.

Este guache de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) passaria a ter lugar de destaque num final de percurso. Até porque, estranhamente, numa cidade como Lisboa, não há muitas representações do Castelo de S. Jorge: Carlos Botelho, Maluda, Carlos Calvet... Depois, há autores mais antigos, como Alfredo Keil ou Alberto de Souza.

Nunca em tal tinha pensado, depois o facto não deixou de me espantar.

domingo, 7 de junho de 2020

TODA A CRIATIVIDADE DA TOPONÍMIA

Sempre gostei de registar toponímia criativa. Tenho apanhado de tudo um pouco. Ontem à noite, foi a vez deste nome. RUA DA CASINHA DO CONSUMO? É todo um leque de especulativas possibilidades que se se abrem. Não há ali nenhum supermercado, em todo o caso.


domingo, 24 de maio de 2020

MÚSICA GUINEENSE

É assim que me soa o crioulo, a uma toada musical. E é assim que arranca o livrinho:

Marjen di riu i un tapadu di tarafi. Marjen di riu i un linha ki ka kortadu. Tris ora dipus di ianda na iagu na metadi di tarafi, di seu fungulidu ku di mar fungulidu, barku tchiga Bulama. Na mar no ka na odja sidadi. No na odja son puntu, ku pekaduris manga del suma kakris na kabas.

Pensada em 2012, anunciada em abril de 2013, está perto do final esta saga teimosa sobre Bolama. Há dias, um escritor guineense, Geraldo Marinho Pina, enviou-me a tradução do texto. Vamos ao financiamento do que falta.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

STVDIA HISTORICA & ARCHAEOLOGICA - MOVRA MEDIEVALIS

As palavras são curtas para exprimir o que senti, há minutos, quando despachei a parte final do manuscrito do livro, para ser tratado graficamente. Foi um percurso longo (de 2013 até agora), e cheio de curvas e contracurvas. Agora, temos esta calendarização:
Grafismo - 10 dias;
Revisões - 5 dias;
Impressão - 5 dias.
Apresentação pública em Moura - segunda quinzena de janeiro.
Programa a anunciar. 😊😊😊


Índice do livro:
Mouraria - o arrabalde muçulmano no século XIV - José Gonçalo Valente e Santiago Macias
A Mouraria de Moura -  a comuna, a organização do bairro e a toponímia - José Francisco Finha


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ILUMINAÇÕES DE NATAL

7.000.000 de euros é o volume de despesa das autarquias de Portugal em iluminações de natal. Nunca considerei essa matéria como relevante ou prioritária. Posição que mantenho, respeitando, bem entendido, quem tenha entendimento diferente.

Defendi/defendo princípio de contenção. E uma outra lógica de trabalho. Ou seja soluções de fundo vs. festejos momentâneos / apostar no essencial vs. as coisas que passam. Em épocas em que se fala de solidariedade, de fraternidade, de dádiva, tenho dificuldade em "encaixar" este tipo de despesas, às quais muitas autarquias se associam, à custa de todos, e às quais acrescentam N "animações" e festas e festarolas com "artistas de primeiro plano".

Alternativas? Árvores da partilha, concertos pelos grupos corais de cada terra ou pelos alunos das escolas, presépios feitos por artistas locais ou pelos trabalhadores camarários (tenho excelentes recordações dos de Moura), cantes ao Menino,  iniciativas que impliquem dádiva e solidariedade. É pouco espaventoso? É. Mas é mais adequado e mais equilibrado, na minha opinião.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

MARRAQUEXE EXPRESS

Ao procurar imagens para um projeto em desenvolvimento, fui dar com um conjunto de fotografias antigas de Marraquexe, ponto central do tema que nos ocupa. Ainda desabafei para o meu colega, e amigo há quase 40 anos, "ainda vamos ser acusados de promotores do exotismo ou de orientalistas filhos do pós-colonialismo, vais ver a barraca...". Embora não pareça, ele tem muito mais juízo que eu e não (me) ligou nenhuma. Há muitos anos (seis, para ser preciso) que não vou a Marraquexe. Mas a imagem perene será, sempre, a daquele setembro de 1981, quando alguns sítios da cidade se pareciam ainda um pouco com o cliché orientalista.

E, isso sim, lembro-me de irmos no autocarro, estrada fora, enquanto na minha cabeça soavam os Crosby, Stills and Nash:

Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
All on board that train


terça-feira, 20 de agosto de 2019

TRUJILLO

Não ia a Trujillo desde 1974. Ou, talvez, 1975. Só recordava, vagamente, a Plaza Mayor. Juraria que a estátua de Francisco Pizarro estava no centro. Afinal, não está. Também tinha a ideia de um sítio muito bonito. Uma recente passagem por Trujillo, sim é um bonito cenário, gerou a mesma sensação de desconforto que outras cidades me tinham provocado. Arrisco-me a ser defenestrado ao dizer que me asfixiam sítios como Úbeda ou Cáceres... Demasiados palácios, demasiados brasões, fachadas cegas, arquitetonicamente irrepreensíveis, mas mudas e opacas. Demasiada aristocracia, muitos marqueses. Falta gente, falta povo, sobra sobranceria. Podemos passar, mas não ficar.

Os palácios? Viraram boutique hotel ou alojamento de luxo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 7/13

Uma viagem a Bissau, no início de 2010, foi o pretexto para uma frenética recolha de imagens. As peripécias não foram poucas, durante os quatro ou cinco dias em que permaneci sozinho na cidade... O extraordinário interesse do sítio motivou o resto. Que se traduziu na proposta, ao presidente da câmara José Pós-de-Mina, para que se preparasse um pequeno livrinho, com umas dezenas de fotografias, a editar por ocasião da passagem por Moura do Eng. Armando Napoco, em maio desse ano.

A ideia de fazer uma edição bilingue esbarrou na dificuldade da tradução. Mesmo os colegas guineenses que falam o crioulo de forma corrente hesitam na forma de verter as palavras na sua forma escrita. Valeu-me o meu amigo Domingos Soares Semedo (Mingó), que convenceu a sua mulher, Odete Semedo (antiga Ministra da Educação), a fazer a tradução. O livro saiu mesmo. Aqui fica, em duas versões, o primeiro parágrafo do meu texto.


As cidades são um palimpsesto. As cidades escrevem-se no tempo e são a escrita do tempo. As cidades escrevem-se devagar, ao longo de séculos ou de milénios. Os séculos mudam-nas, apagam e reescrevem as suas páginas. Que são refeitas vezes sem conta. De dia e de noite, porque as cidades são, como as consoantes do alifato, solares e lunares. Os dias de Bissau e as noites de Moura fazem parte dessa escrita, que nem sempre é linear. E que nunca é silenciosa.


Prasas i suma ora ku bu na djubi rostu di fidju, ma bu na odja parsensa di rostu di si mame ku si papi. Sidadis o prasas e ta skirbidu na tempu, ma elis na se po di kurpu i kusa ku skirbidu. Prasa ta skirbidu divagarinhu, pikininu... pikininu, anu fora anu dentru. Anus ku ta muda sidadis, anus ku ta paga, i ta skirbi i torna skirbi mas na si fodjas. Si fodjas ta fasidu i torna fasidu, kantu bias ku ningin ka pudi kaba kontal. Prasas i suma letra di alfabetu, di dia e ta iardi suma sol, di noti e ta lumia suma lun’a. Dias di Bissau ku notis di Moura e fasi parti di e skrita; un skrita ku si kaminhu i ka di kumpridu. Ma tambi i ka di mukur-mukur.

Moura Bissau
Autores: Santiago Macias, José Pós-de-Mina e Armando Napoco
Formato - 16 x 16
Nº de páginas - 46
Ano de edição - 2010
Classificação CDU - 
77 Macías, Santiago
77(469)"19/20"
061.4(469)"2001


terça-feira, 30 de julho de 2019

STARDUST MEMORIES Nº. 29: ATENEU COMERCIAL DE LISBOA

Em 1976, a piscina era descoberta e tudo era branco em volta do tanque. Houve melhoramentos, há mais de 20 anos, e o resultado foi uma total desgraça. Ali aprendi a nadar, beneficiando da paciência de Shintaro Yokochi e de Carlos Cruchinho. Quase me parece irreal que fossem treinadores e nadadores de primeira a ensinar os miúdos. Ainda para mais miúdos sem aptidão, como era o meu mais que óbvio caso. A única ligação que tive com a alta competição foi o facto de Yokochi me achar parecido com o  célebre nadador alemão Roland Matthes...

Voltei hoje ao Ateneu, por outras razões. Decrepitude é palavra curta para descrever o cenário. Houve uma insolvência e há apetites imobiliários. Está tudo na habitação de luxo e nos hotéis de luxo. Como a antiga sede dos CTT, na Rua de S. José. Perguntei ao José Vicente "queres ir até lá? é o único palácio de Lisboa que parece romano". Fomos. As obras ainda não começaram. Mas irão começar. Como daqui a uns tempos, no Ateneu. Que é já só uma sombra das glórias passadas.

sábado, 27 de julho de 2019

REGRAS DE COMUNICAÇÃO

O propósito de um painel à porta de um estabelecimento é informar, certo?

Há caracóis.
Temos pneus novos e recauchutados.
Computadores a partir de xis euros.

Este portão é um naïve e eficaz meio de comunicação. Os serviços da oficina estão ali bem explicados. Menos, para mim, a parte da cama, que me parece meio enigmática.

Ainda existirá? A fotografia data de 2012 e foi feita em Bolama.

LOULÉ - 5/5

Aos poucos, se tem revelado o Portugal Islâmico. A hipótese de o embasamento da torre sineira de S. Clemente, em Loulé, ser parte do minarete da mesquita local foi avançada, salvo erro, por Michel Terrasse. É a estrutura que, a título indicativo, se referencia na imagem.

A estrutura deverá datar de finais do século XI ou da primeira metade do século XII d.C.

Veja-se a abordagem mais detalhada de Cristina Garcia em http://islamicart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;12;pt

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O ELOGIO DA BURACA

         “Você mora onde??”. Várias vezes tenho sido surpreendido com esta pergunta. O tom é quase de alarme. Podia “iludir” a questão e dizer “na Amadora”. Ou, de forma ainda mais dissimulada, “muito perto da estação de Benfica”. Mas não, a Buraca é a Buraca. É onde estou e onde gosto de estar. O nome é, quase sempre, sinónimo de terror. Como se dissesse “vivo no South Bronx”. Ou “em LA South Central”. Ao fim da rua, a menos de 400 metros, fica a Cova da Moura. Que é sinónimo de periódicas confusões.
         A janela da cozinha fica virada para um local de passagem. Ao longo do dia, quando lá estou de dia, é uma janela sobre o mundo. Gente que vai para o trabalho ou do trabalho regressa. Emigrantes africanos ou cidadãos portugueses de origem africana passam a toda a hora. O passo deles tem um ritmo musical ou sou eu que assim quero que seja? Há reformados, que o bairro tem cada vez mais reformados, e há ainda um ambiente de família. Há gente que se conhece há décadas. A dona do supermercado pergunta-me pela Isabelinha com regularidade. A senhora do rés-do-chão em frente trabalhou em Moura e ainda se lembra das ruas, descrevendo-mas como elas eram há 50 anos. O dono do quiosque dos jornais é da Amareleja. A praceta é um mix de alentejanos, de beirões e de população de origem africana. Afinal, foi o bairro que deu origem aos BURAKA SOM SISTEMA. Na Buraca não há condes nem viscondes. Se há, é porque faliram. Os carros velhos são tantos como os novos. O bairro está entre a memória dos subúrbios de outrora – oficinas nas traseiras, cafés de ar pouco próspero – e a modernidade que aí vem. Num quintal das traseiras há uma figueira, a dar um toque de ruralidade. Mais longe, a uns 100 metros, e do outro lado da Estrada da Circunvalação, há sempre música num bairro habitado maioritariamente por ciganos. O facto de usar chapéu já deu origem a divertidos equívocos.
         Volto à janela e o bulício continua. Novos, velhos, continuam a passar a ritmo incessante. Ao fim do dia, quando a noite se fecha, são mulheres anafadas, na casa dos 50/60 anos, que regressam das empresas onde trabalham nas limpezas. Não é raro que tenham dois empregos: 14 horas de trabalho, mais 2 em transportes vários, mais as compras, mais a família. Dessas vidas ninguém se lembra, e a elas não chegam as condecorações nem o elevador social. É neste ambiente que regresso muitas vezes a casa, no 50 ou no 54.
         “Você vive na Buraca??”. E eu que sim, e gosto daquele ambiente de mistura e popular. Um bairro com gente autêntica e onde ainda há crianças no parque infantil e no polidesportivo ao virar da esquina.

domingo, 21 de julho de 2019

LOULÉ - 4/5

Ando para aqui às voltas sem conseguir saber quem é o autor desde sóbrio e bonito edifício. Tem ar de cine-teatro, com aquele espaço na esquina para os cartazes de outrora. Hoje é um supermercado.

A arquitetura moderna, na região algarvia, dá cartas. Muitos e bons edifícios foram desenhados e construídos nos anos 50 e 60 no extremo sul do País. Já disso me dera conta, em anteriores estadas. Fui descobrindo nomes e edifícios. Fica agora esta dúvida: quem desenhou este edifício?

terça-feira, 16 de julho de 2019

LOULÉ - 3/5

Foi um personagem chave do salazarismo.

Teve carreira fulgurante:
Professor catedrático aos 25 anos.
Diretor do Instituto Superior Técnico aos 27 anos.
Ministro da Instrução Pública aos 28 anos.
Ministro das Obras Públicas e Comunicações aos 32 anos.
Presidente da Câmara de Lisboa aos 38 anos, cargo que virá a acumular com a pasta das Obras Públicas e Comunicações.

Morreu em Setúbal no dia 16 de novembro de 1943, em consequência de um acidente sofrido, na véspera, perto de Vendas Novas.

A memória de Duarte Pacheco (1900-1943) está perpetuada na sua Loulé natal, em monumento desenhado por Cristino da Silva. O obelisco foi inaugurado no 10º. aniversário da morte de Duarte Pacheco.

Situa-se, ironicamente, no final da Avenida 25 de abril.

sexta-feira, 15 de março de 2019

MOPTI

Há sítios inspiradores. Mopti foi um desses sítios. Em pouco mais de duas horas, fiz algumas das fotografias de que mais gostei. Não necessariamente as melhores, nem sequer boas fotografias, com toda a probabilidade. Longe da dureza urbana de Bamako, e da poluição de Bamako, o que ficou de Mopti foi o rumor das vozes das pessoas, ao longo das ruas. E a mesquita. E os homens sentados ao longo dos muros da mesquita. À espera não se sabe bem de quê. Do sítio onde estou sentado à mesquita de Mopti, mesmo ao lado do Níger, são 2740 quilómetros. Neste preciso momento, é quase perto.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

HAVERÁ TEMPO...

And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.


Um excerto de um poema que não conhecia, The Love Song of J. Alfred Prufrock, de T. S. Eliot. Haverá tempo ou chegará o tempo. Foi isso que me levou à fotografia da entrada do Mausoléu de Sidi Boumedienne, no limite oriental da cidade argelina de Tlemcen.

Não sei se haverá tempo de lá regressar. Mas gostaria de retornar a Tlemcen. A cidade fará parte de um livrinho em preparação.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

STARDUST MEMORIES Nº 24: ALCÁCER CEGUER

Faz por estes dias 20 anos que fui a caminho de Tânger. A missão não era impossível, mas adivinhava-se difícil. Tratava-se de montar, em oito meses, a exposição que iria acompanhar a Cimeira Luso-Marroquina. O primeiro-ministro António Guterres designara-nos (ao Cláudio e a mim) responsáveis pelo projeto.

Foi um percurso empolgante, no qual foram parceiros de jornada Conceição Amaral, José Alberto Alegria, Francisco Mota Veiga, Pedro Moreira, Jorge Murteira, Luís Campos, João Gabriel Isidoro, Maria da Conceição Lopes, João Soeiro de Carvalho, Ana Maria Rodrigues, Pedro Moreira, Rui Patarrana, Joaquim Romero de Magalhães, entre outros, e falando só na parte lusitana.

Em pano de fundo esteve Alcácer Ceguer. Um sítio inalcançável, para mim. Vários vezes o visitei, sempre com a vaga sensação que o caminho não passaria por ali. É o meu falcão da malta privado.

Na exposição, inaugurada com grande pompa em setembro de 1999, marcaram presença duas peças da antiga catedral da cidade, provenientes das escavações arqueológicas de Charles Redman. Se a janela tem o impacto das coisas que são exóticas por estarem fora de contexto, a lápide funerária é uma peça extraordinária, na qual alguém copiou, sem saber que escrevia, um texto em cursivo. Disseram-me, há dias, que está em paradeiro desconhecido...

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

CASBAH DE ARGEL - UMA PROPOSTA DE "REVITALIZAÇÃO"...

Reproduzo mais abaixo, na íntegra, o texto publicado no L'Humanité de 20 de dezembro passado. O ataque ao bairro histórico de Argel é feito à descarada. Em Portugal, bastou a seráfica Cristas para, com beneplácitos municipais, intensificar um processo de gentrificação que transforma as cidades em cenários para usufruto burguês. Se bem se conhecem os antecedentes de luta de Argel, aquilo vai acabar mal. A intervenção francesa é o mais acabado exemplo de neo-colonialismo, com a benção das autoridades locais. Não vai ser nada pacífico. E os da "revitalização" não levarão a deles avante. Felizmente.

Ler - https://www.humanite.fr/casbah-dalger-lettre-ouverte-jean-nouvel-665443



Cher Jean Nouvel,
Le 6 mars 1999, il y a bientôt vingt ans, vous titriez “Boulogne assassine Billancourt” dans les colonnes du Monde; un texte courageux s’indignant avec force de la destruction programmée (et désormais réalisée) du patrimoine historique ouvrier que représentait “le paquebot” de l’Île Seguin dans la proche banlieue de Paris.
Nous débutons cette lettre ouverte en mentionnant ce texte car c’est à la personne qui a écrit celui-ci que nous souhaitons nous adresser. Ce lundi 17 décembre, nous sommes beaucoup à avoir été choqués en apprenant qu’une convention tripartite avait été signée entre la Wilaya d’Alger, la région Île-de-France et vos ateliers afin de, nous dit-on, “revitaliser” la Casbah d’Alger — étymologiquement, “revitaliser” implique redonner de la vie, ce qui nous permet de nous demander si la vie, pourtant vibrante, qui caractérise aujourd’hui les rues sinueuses de ce quartier n’est pas digne d’être considérée comme telle.
La Casbah d’Alger, pour nous, bien avant d’appartenir à l’humanité — celle dont on nous dit qu’elle possède un patrimoine mondial — appartient d’abord à ses habitants, qu’ils possèdent un titre de propriété ou non, ensuite aux Algériens dont la lutte révolutionnaire contre le colonialisme français a régulièrement pris appui sur sa capitale et en particulier, sa Casbah, et enfin aux militants anti-coloniaux de l’Afrique, du Sud Global, mais aussi du Nord, tant la Casbah par son urbanisme et son architecture incarne un symbole puissant des luttes de ceux et celles qui ne peuvent mettre à profit que leur passion et leur environnement face aux forces asymétriques que leur opposent les armées et polices coloniales.
La Casbah, les français l’ont déjà partiellement détruite trois fois. Suivant l’invasion de la Régence d’Alger en 1830, les officiers coloniaux avaient déjà bien compris le danger potentiel de son urbanisme insurrectionnel; ils ont ainsi ordonné la destruction de toute la partie basse de la ville, privant ainsi la Casbah de son accès à la mer. Plus tard, les autorités coloniales y construiront des immeubles haussmanniens, reprenant les tactiques urbanistes contre-insurrectionnelles déjà appliquées à Paris et Marseille. A la fin des années 1930, lorsque les autorités coloniales ont fait “la guerre aux taudis” et ont ainsi détruit le quartier de la Marine. Entre 1956 et 1957, c’est toujours au sein de la Casbah que la fameuse “bataille d’Alger” trouve son paroxysme. Dans la nuit du 10 août 1956, des terroristes français y placent une bombe rue de Thèbes qui détruit plusieurs immeubles et tue 80 habitants. Le 8 octobre 1957, ce sont les parachutistes français qui, après avoir étouffé ce quartier de la ville pendant un an, dynamitent la maison où se sont réfugiés les derniers survivants du FLN à Alger: Hassiba Ben Bouali, Zohra Drif, Ali Ammar dit Ali la Pointe, Petit Omar et Yacef Saâdi. Comme vous l’avez peut-être vue durant votre courte visite, cette maison a été laissée telle quelle ces six dernières décennies afin d’en faire un mémorial, un mémorial sans architecte.
Toute modification de la Casbah qui ne viendrait pas directement de ses habitant·e·s doit ainsi faire preuve d’une connaissance et d’un respect sans faille de son passé et de son présent, bien au delà des instructions que la Wilaya d’Alger puisse elle-même fournir ou comprendre. Des projets qui n’auraient pas à coeur de servir en premier lieu ses habitant·e·s ainsi que le legs historique, politique et culturel de cette ville dans la ville, et qui leur préféreraient des ambitions touristiques ou financières ne sont pas dignes de ce lieu de vie et d’histoire. L’annonce de projets culturels notamment, alors que de nombreuses habitations ne sont pas étanches et que l’évacuation d’eau du quartier constitue aujourd’hui l’un des problèmes majeurs du quartier, nous semble par exemple particulièrement problématique et là encore, déconnectée des préoccupations quotidiennes des habitants. De même, le déblocage d’un budget stupéfiant pour financer cette étude ne peut que contraster avec le peu de moyens criant que le tissu associatif de la Casbah affronte au jour le jour dans ses initiatives.
Aujourd’hui, nous apprenons donc que vous collaborez avec Valérie Pécresse la Présidente de la Région Île-de-France. Devons-nous vous rappeler que les décisions de celle-ci pèsent chaque jour un peu plus sur les résident·e·s précarisé·e·s de la métropole parisienne qui, pour beaucoup, sont des personnes ayant (directement ou par l’intermédiaire de leur histoire familiale) souffert du colonialisme français, en particulier celui-ci qui sévit pendant 132 ans en Algérie? Celle qui, en plus de ses politiques inégalitaires, n’hésite pas à se joindre à une foule islamophobe qui agressent les fidèles musulmans de Clichy lorsque ceux-ci prient dans la rue pour protester contre la transformation de leur salle de prière en bibliothèque par la municipalité (novembre 2017). Celle qui n’hésite pas non-plus à déclarer qu’elle serait favorable à une loi visant à doubler les peines de prisons pour des faits commis dans certains quartiers populaires, au mépris de toute constitutionnalité (octobre 2018). Nous vous laissons apprécier le lien que de telles actions et discours peuvent avoir avec l’histoire coloniale française et sa continuation sous d’autres formes.
La décision qu’a prise la Wilaya d’Alger de “revitaliser” la Casbah, est la sienne, et nous laissons le soin à nos amis en Algérie de combattre celle-ci si ils le pensent nécessaire; là n’est pas notre rôle. Nous, architectes, historiennes, electriciennes, agentes d’entretien, universitaires, artistes, et autres militantes internationaux, pour qui la Casbah continue de représenter l’un des symboles les plus forts d’une architecture révolutionnaire, nous faisons appel à votre conscience politique afin que vous renonciez à ce projet. N’acceptez pas d’être complice d’une quatrième vague de transformation brutale française de la Casbah. Tout architecte se doit d’être complètement responsable des conditions et conséquences politiques des projets qu’iel accepte; toute position qui ferait de lui ou d’elle une simple exécutant·e constituerait une insulte à sa fonction et à sa capacité d’agir. Parfois, cette capacité d’agir politiquement se situe au sein de la conception du projet elle-même; à d’autres moments, elle se trouve plutôt dans le refus ou la renonciation à ce même projet. C’est le cas ici et vous avez ce pouvoir.
Nous vous demandons donc: désistez-vous et recommandez à la Wilaya d’Alger certain·e·s de vos confrères·soeurs algérois·es qui sauront problématiser ce projet de manière à préserver la Casbah et ce que celle-ci signifie, plutôt que de la contrôler, la modifier et la gentrifier.
Nous vous remercions de nous avoir lus et espérons que vous nous avez également entendus.