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terça-feira, 1 de setembro de 2020

CAMINO VERDE

As sucessivas passagens pelo Minho (Alto e Baixo) evocam-me, sempre!, uma velha copla celebrizada por Antonio Molina. Por el camino verde, camino verde, que va a la ermita, é o que ouço, curva após curva, do Baião para Felgueiras, depois Penafiel, depois Gondomar. Sempre tudo verde.

Aqui fica um tema imortal (lembram-se o que "lhe fez" Herman José?), na interpretação de outro grande da música espanhola, Angelillo (1908-1973). Aqui no filme "Suspiros de Triana", de 1955. Não sei quem é vamp encostada ao piano, que faz lembrar vagamente Anna Magnani. A encenação é gira, a fazer lembrar o "foi você que pediu um Porto Ferreira?".

Hoje há mais camino verde.



sábado, 22 de agosto de 2020

STARDUST MEMORIES Nº. 40: CUADRO FLAMENCO

Levei anos até encontrar este trecho do disco En la cueva. O flamenco, o cante jondo em especial, os fandangos de Huelva estão entre os mais belos sons do Mediterrâneo. Isso é certo, para mim.

Martins Scorsese fez um aproveitamento, absolutamente genial, destes sons no filme "Nova Iorque fora de horas". O frenesim do filme é igual ao som frenético do Cuadro Flamenco. E à voz de Manolo Leiva (1924-2012). E ainda a Manitas de Plata (1921-2014), menos canónico mas, ainda assim interessante. Um 3 em 1 mais que perfeito.

Memórias de outros tempos, da infância à juventude.



segunda-feira, 6 de julho de 2020

ENNIO MORRICONE (1928-2020)

Não sabia falar inglês, nunca quis viver em Hollywood. Foi o mais genial compositor de bandas sonoras para filmes. Já várias vezes o referi, repito-o agora, na hora em que partiu.

Imaginam O bom, o mau e o vilão sem aquela cavalgada de sons?
Ou o reviver da sétima arte em Cinema Paraíso sem aquela música nostálgica? Eu não consigo. Aqui fica um pouco do talento imenso de Morricone. Os óscares? O génio não se mede em bonecos.

sábado, 20 de junho de 2020

A DISTOPIA, AO VIRAR DA ESQUINA

Nunca pensei que um banal filme de pancadaria (mea culpa, mea maxima culpa, gosto de ver filmes de pancadaria...) se pudesse tornar premonitório. Esta cena do filme O homem demolidor, de 1993, está quase a acontecer. Não vai ser preciso esperar por 2036.

sábado, 13 de junho de 2020

BRAXTON RUTLEDGE

Passou, há dois dias, num daqueles canais que raramente passam grandes filmes. Sergeant Rutledge (1960), não é um dos melhores John Ford. Os diálogos são piores-que-o-Deus-me-acuda... O remate é quase pueril. Mas o fundo do argumento (a cor de um homem enquanto justificação para atribuir um crime) está mais que atual, 60 anos volvidos. Não duvido que este filme tenha tido grande impacto, social e político, no seu tempo. Que continue tão atual é motivo de preocupação.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

A CAIXA DE PANDORA DA ESTUPIDEZ

Claro, era inevitável que acontecesse. Depois das estátuas, vêm os filmes. "E tudo o vento levou" foi retirado de um catálogo porque o racismo blablabla. Depois, virão os quadros e as esculturas. Etc. É um nunca mais acabar. Como é que se explica à trupe de fanáticos que não é apagando a História que ela se explica? Como é que se clarifica que o racismo de "E tudo o vento levou" - por favor, não lhes mostrem "O nascimento de uma nação", de Griffitth, que é do piorio... - não deve ser ocultado, mas sim mostrado uma vez e outra?

Hoje é Dia de Camões. Que era poeta e tinha um escravo negro. E agora? Queimamos os sonetos?

terça-feira, 9 de junho de 2020

IVAN, O TERRÍVEL

Cada filme de Eisenstein é uma lição de como fazer cinema. Cada um dos seus filmes me marcou de forma profunda. Ora pela montagem, ora pela banda sonora (nada se aproxima daquele Prokofiev...). Mas, sobretudo pelo jogo de luzes e de sombras. Pelas máscaras que as luzes rasastes criam. Pela coreografia dos gestos. Eisenstein ficou a dever parte do seu sucesso a outro génio, hoje esquecido, que foi Eduard Tisse (1897-1961). Raras filmes vi filmar assim, com aquela limpidez e aquele recorte.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

FOGO DE VISTA

Cena do filme Patton. Um bull terrier, de ar terrível, vai-se abaixo ante um cachorrinho minúsculo e cheio de personalidade, e esconde-se assim que pode. Eis um padrão de atuação que muitas vezes tenho visto, ao longo de muitos anos. Muito fogo de vista, muita prosápia, muita aparência, muitas cerimónias públicas, muita capacidade teatral. No fundo, muita parra e pouca uva. Há políticos que fazem disto um modo de vida.

Na altura em que vi o filme (verão de 1972), e foi a minha primeira deslocação noturna ao Pavilhão Mourense, fiquei deslumbrado. Hoje, acho-o pouco interessante e militarista. Do ponto de vista cenográfico só vale a pena a cena de entrada. Que é patrioteira mas tem punch.

domingo, 17 de maio de 2020

O MUNDO QUE SE DESMATERIALIZA: AS SEMARTELOQUES

Respondi, no outro dia, a um inquérito sobre "smart locks". Não sabia o que eram, e a ideia não me entusiasmou minimamente. Chaves "inteligentes", que dispensam contactos humanos? Não, obrigado. Arriscando fazer figura de velho troglodita, respondi com toda a sinceridade.

O frio da técnica remete-me sempre para filmes visionários. Podia citar Alphaville, mas nunca fui godardiano, e a grande referência será sempre Playtime. O filme foi mal recebido pelo público, aquando da sua estreia, em 1967. Do ponto de vista comercial foi um total flop. Jacques Tati (1907-1982) ficou financeiramente arruinado, teve de vender a casa, ceder direitos etc.

Contudo, Playtime é uma das grandes obras do cinema (pode ser visto aqui, na íntegra, não sei durante quantos dias). Os absurdos da normalização levada ao extremo eram previstos nesse filme. Tudo igual, por toda a parte. Vale a pena retomar a sua leitura. E vale, cada vez mais, a pena a luta (política, cultural etc.) contra aquilo em que querem transformar as nossas vidas.

Estes três excertos são bem ilustrativos.



quarta-feira, 13 de maio de 2020

O SAPATO DE URBANO VIII

É uma das cenas mais marcantes do filme Galileo, de Liliana Cavani. O cardeal Barberini, amigo de Galileu, depois de um encontro com o papa, fez notar ao astrónomo que o sumo pontífice dispensara o ritual do beijo no sapato. Depois da morte de Gregório XV, Barberini sobe ao trono, com o nome de Urbano VIII. O que acontece no primeiro encontro? Dá a beijar o seu sapato a Galileu.

Vi o filme durante um ciclo de cinema, na Faculdade, em 1983. Todo o simbolismo do Poder estão naqueles breves segundos. O que se diz antes, o que se faz depois. A modéstia e simplicidade, que eram só teatro, transformadas em arrogância e em soberba.

Tantas, mas tantas!, vezes que tenho visto estas coisas repetirem-se...

O filme é de 1968. Liliana Cavani (n. 1933) até há pouco estava ativa.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

MÁSCARAS

Uma cena de máscaras da História do Cinema, agora que tanto nelas se fala. Uma cena inesquecível de "Era uma vez na América". Visto no Cinema Mundial, na primavera de 1986.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O SENTIDO DA VIDA, AO VIVO E A CORES

Ultimamente, tenho participado em várias reuniões, júris, encontros, palestras etc. via zoom. Os cumprimentos multiplicam-se. Tudo aquilo me faz lembrar, irresistivelmente, a cena do aquário em "O sentido da vida". Bom dia e boa semana.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

NAPALM

Bill Kilgore:
You smell that? Do you smell that?... Napalm, son. Nothing else in the world smells like that. I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for twelve hours. When it was all over I walked up. We didn't find one of 'em, not one stinkin' dink body. The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like... victory. Someday this war's gonna end.

Apocalypse now - Francis Ford Coppola (1979)

Extraordinário é palavra curta para este filme. Vi-o, em estado de quase torpor, no Monumental, talvez em 1981. É uma das obras maiores do Cinema, sem dúvida. Este monólogo marca o filme. O cheiro a napalm pela manhã... O papel de Bill Kilgore assenta na perfeição a Robert Duvall, o homem que fazia tocar Wagner durante os ataques. Não é Bill Kilgore quem quer. Duvall quis e pode. Apocalypse now, paradoxalmente, marcou o inicio do fim da estrela de Coppola. Fez, a seguir, um filme de génio - Do fundo do coração - e, de seguida, pouco mais.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

MOMENTO DAVID LYNCH, PELA MANHÃ

Enquanto trabalhava, a caixa, cheia de papéis, tomou contornos lynchianos. Era um coelho, tão absurdo como o grupo de Inland empire. Desmontei metade da cozinha, para o fotografar. Voltei depois à lenta revisão de um livro.

Contas à reclusão: vamos no 22º. dia.


CINEMA DE REPRISE

Agora, que o tempo é mais longo, que trabalho de forma mais concentrada e mais horas (!), porque nada mais há para fazer, vou olhando as redes sociais - os conteúdos para as ditas é coisa que faz parte do meu trabalho - e retomando o Instagram. Ontem, pus lá uma curta-metragem, do ano de 2015.

Um amigo, que está na Arábia Saudita, mandou esta mensagem "este filme está qualquer coisa de espectacular". É sempre bom saber que houve 1 (uma) pessoa que gostou do filme.

Foi então que me lembrei dos cinemas de reprise, uma memória arqueológica de uma coisa que durou, em Lisboa, até final dos anos 70. Havia cinemas de estreia - onde os filmes estavam três ou quatro semanas, por vezes muito mais (Emmanuelle, um porno softcore sem qualquer interesse, segundo ouvi dizer, esteve um ano em exibição no Avis, com três sessões diárias...). Os filmes passavam depois, numa segunda fase, para os cinemas de reprise. A maior parte deles já desapareceu. Recordo o Paris (em ruínas, na Rua Domingos Sequeira), o Europa (hoje biblioteca e espaço cultural, na Rua Francisco Metrass), o Cinearte (hoje sede de um grupo teatral, no Largo de Santos), o Restelo (na Av. da Torre de Belém, substituído por um super-mercado), o Promotora (atual videoteca da Câmara Municipal de Lisboa) etc.

Portanto, em jeito de reprise, e com um abraço para as bandas do Golfo Pérsico, aqui vai:

sábado, 28 de março de 2020

ZOOM

Foi um recurso muito popular em determinada altura (anos 60, em particular). Nunca gostei especialmente de zooms nem de panorâmicas. Menos ainda, horror!, da prática de alguns cineastas italianos de rematar uma panorâmica com um zoom. Por vezes, justifica-se como forma de acentuar o dramatismo de uma sequência. A maior parte das vezes é dispensável. Resulta melhor, assim me parece, o uso de planos fixos. Ou os planos sequência em que a visão do espectador acompanha, em paralelo, a ação. Como na cena da piscina, de "Nostalgia" (Tarkovsky), que até finaliza com um zoom, mas que ali faz sentido...

A que propósito vem isto? É que, desprezando tanto eu o zoom, agora dependo dele quase em permanência.

Reuniões diárias (duas, três...) via zoom.
Aulas do mestrado dadas por zoom.
Reuniões de um projeto em curso com recurso ao zoom.

Como "zoomar"? https://zoom.us

Travelling em "Taxi driver"

quarta-feira, 18 de março de 2020

GOURMET VIRTUAL

Nos últimos dias tem-se multiplicado a divulgação de sites, dando conta da existência de museus virtuais, de visitas à distância a monumentos, de acesso a bibliotecas e a documentos digitalizados etc. Curiosamente, ainda antes da crise, foi o tema de uma das minhas aulas. Os instrumentos de trabalho de que hoje dispomos são um mundo de ficção científica comparado com a realidade de há 30 ou 40 anos. Antigamente-é-que-era-bom? Não me lixem...

Esta "recriação" do mundo, feita à distância, trouxe-me à memória uma cena de um filme dos irmãos Taviani (São Miguel tinha um galo, obra já aqui referida em 6.1.2013). Um prisioneiro faz das horríveis refeições que lhe são servidas pretexto para descrições delirantes, que as transforma em pratos requintados. Um mundo virtual à sua mesa.

segunda-feira, 9 de março de 2020

COMO ENTERRAR ALGUÉM...

É uma comédia absolutamente sensacional. Foi realizada pelo veterano Charles Crichton (1910-1999), quando tinha quase 80 anos. Foi, de resto, o seu último trabalho.

Lembrei-me hoje de um diálogo do filme, ao ouvir as declarações de António Oliveira a propósito de uma eventual/hipotética não participação do FCP nas competições europeias do próximo ano. O teor dessas declarações provaria (se tal fosse necessário) o estado a que chegou o futebol pátrio. Todo ele, sem diferença de cores.

A forma como Oliveira enterrou o clube do qual é acionista não é coisa inédita. Há também pessoas que, para ajudar e oferecendo os seus préstimos, ajudam a enterrar os que supostamente querem salvar. Isso acontece a todos os níveis. Do parlamento aos clubes, das empresas às assembleias municipais. Um clássico.

No filme, Wanda trai descaradamente o antigo namorado, a quem era suposto dar cobertura...

Archie: Quando diz cinco para as sete, Menina Gershwitz, como é pode ter tanta certeza?
Wanda: Porque olhei para o relógio. E disse para mim mesma, onde é que o George irá aos cinco para as sete com uma caçadeira de canos serrados? 
Archie: Querida!
Juiz: Sr. Leach, "querida"???
Archie (para o juiz): Sim, querido?
George: Sua puta!



sábado, 29 de fevereiro de 2020

ALBERTO RIBEIRO - 100 ANOS

Aqui se reproduz um pequeno excerto do filme "Capas negras", de 1947. O filme em si é pior-que-o-Deus-me-livre. Mas foi um sucesso colossal. Ainda o é. Em grande medida, graças a Amália Rodrigues. E, também, a Alberto Ribeiro (1920-2000). Tinha uma voz poderosa e límpida, de tenor, e boa presença. Tivesse nascido nos Estados Unidos ou em França e teria conhecido uma carreira internacional de sucesso. No Portugal de pequena paróquia em que viveu não teve essa abertura. Acabou por se retirar prematuramente da vida artística.

Alberto Ribeiro nasceu há exatamente 100 anos. Fico com curiosidade para ver/ler o eco que a efeméride vai ter.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

FELLINIANO

Um homem, nascido há 100 anos, deu origem a um adjetivo. Federico Fellini (1920-1993) é quase inclassificável. Volto, com muita regularidade, a Fellini. Divertido, polémico, circense, caloroso, fantasioso, apaixonado, podíamos gastar horas adicionado qualificativos. Fellini nunca ganhou nenhum Óscar (envergonhados, deram-lhe um honorário...), nem ganhou em Berlim nem em Veneza. Vá lá, 8 1/2 valeu-lhe uma Palma de Ouro. Que importa? Os filmes de Fellini "ameaçam" tornar-se eternos. Amarcord talvez seja, no seu memorialismo, um dos mais fellininanos. É um dos que mais gosto. Fica aqui o trailer. Viva Fellini!