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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DUARTE DARMAS - O SITE E OS APOIOS


Aos poucos, o projeto (promovido pela MULTICULTI, e do qual sou autor) toma forma. O site agora tem o formato definido, com as cinco secções que o compõem. Dos 20 castelos, estão registados 13 (até final do mês de agosto essa tarefa estará terminada).

Para já, está aberta a secção onde se reproduzem as imagens desses 20 castelos, segundo foram vistas por Duarte Darmas, há cerca de 500 anos. Quais são os sítios abrangidos?

Alandroal
Alpalhão (Nisa)
Arronches
Assumar (Monforte)
Campo Maior
Castelo de Vide
Elvas
Juromenha (Alandroal)
Mértola
Monforte
Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
Montalvão (Nisa)
Moura
Mourão
Nisa
Noudar (Barrancos)
Olivença
Ouguela (Campo Maior)
Serpa
Terena (Alandroal)

O site tem também uma secção consagrada aos apoios. Ou seja, às entidades que tornaram possível este projeto e a quem é devido reconhecimento e agradecimento:

Apoios financeiros
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo
Caixa Geral de Depósitos
Turismo de Portugal
Direção Regional de Cultura do Alentejo
Continente
Cafés Delta
Câmara Municipal de Barrancos
Câmara Municipal de Campo Maior
Câmara Municipal de Castelo de Vide
Câmara Municipal de Elvas
Câmara Municipal de Mértola
Câmara Municipal de Mourão
Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
Câmara Municipal de Serpa

Parcerias institucionais
Arquivo Nacional da Torre do Tombo / DGLAB
Turismo do Alentejo / ERT
Resialentejo
  

sábado, 30 de maio de 2020

INVESTIMENTO PÚBLICO NA ANTIGUIDADE TARDIA

Um livro em preparação (o quinto de 2020, um impresso, dois já maquetados, um em fase de maquetagem e não se consegue terminar nada a 100% "derivado" ao covid...) levou-me a sair para o terreno para testar ângulos de imagens e possibilidades de trabalho. A NIKON D70, do alto dos seus 17 anos, deu excelente conta do recado. A lente não é extraordinária, mas também é nenhuma sucata.

O primeiro "ponto de ataque" foi a torre do rio, em Mértola. É um dos cerca de 40 ou 50 locais a registar. Questão: como evoluem e como desaparecem os sítios e os seus ícones ao longo dos séculos?

A torre é uma estrutura monumental, datada do século V ou do século VI, que se destinava a controlar a entrada na vila. O espavento desta obra, contemporânea do criptopórtico, dos mosaicos e da basílica do Rossio do Carmo só pode ser explicada pela apropriação dos meios do produção por parte de uma elite local. Os recursos da região foram transformados em investimento público. Ou seja, quando uma autarquia é, também, autarcia.

domingo, 5 de abril de 2020

sexta-feira, 3 de abril de 2020

DUARTE DARMAS - DIA 5 (17 HORAS)

O endereço ao qual é necessário aceder é este, para uma conversa (com imagens, desenhos e fotografias), em direto e ao vivo:

https://us04web.zoom.us/j/708675946?pwd=SXNXbUJMbmtISXkvQVBaNmRCTWdudz09

Dia 5, domingo
17 horas
Duração - 20 a 25 minutos.

Moura era assim em 1510. O que ficou da vila de então?


quarta-feira, 1 de abril de 2020

MOURA - PATRIMÓNIO HISTÓRICO NA NET (1)

No próximo domingo, 5 de abril, às 17 horas, farei a primeira de uma série de quatro apresentações sobre o património histórico do concelho, a partir da plataforma zoom.

Cada apresentação terá uma duração aproximada de 30 minutos, podendo depois quem estiver a assistir fazer perguntas, se assim o desejar. No final da semana darei indicações sobre o endereço na net ao qual se terá de aceder. Gratuitamente, como é óbvio.

Tema da primeira conversa: QUE MOURA VIU DUARTE DARMAS QUANDO ESTEVE NA NOSSA TERRA EM 1510. Será uma leitura do espaço urbano, e dos seus principais edifícios, comparando-se com o que existe na atualidade.

E, antes que alguém pergunte, NÃO, isto não é nenhuma brincadeira de 1 de abril.

sábado, 18 de janeiro de 2020

DRAGÃO NO ESPETO

Arte medieval, sempre atual.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

DUARTE DARMAS - IN ENGLISH

Foi através do meu colega Daniel Alves que tomei conhecimento deste projeto. Diz o site:

The aim of this project is to spatially reconstruct an exceptional architectural source from early modern Portugal called the “Livro das Fortalezas” (Book of Fortresses). This bound volume was created by a Portuguese squire named Duarte de Armas in 1509-1510. It includes a set of perspective drawings from two vantage-points of over 50 castles on the border between the kingdoms of Portugal and Spain and a second set of measured plans for each site.

Vale a pena espreitar, pelos modelos de reconstituição que cria. A falta de conhecimento físico do sítio leva a erros, mas isso é o menos importante. É um instrumento lúdico muito interessante. Aqui fica a imagem de Moura:


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

MOURA NO SÉCULO XVI, ANTES DA TELEVISÃO A CORES

Na verdade, trata-se de uma aguarela de 1642, de Brás Pereira. Está na Biblioteca Nacional, em Lisboa. Retoma o célebre  "Livro das Fortalezas», de Duarte Darmas, de inícios do século XVI. Só nos chegou esta perspetiva, não se sabendo se a outra chegou a ser feita. Do ponto de vista da identificação do urbanismo ou dos edifícios de Moura, Brás Pereira não acrescenta nada ao desenho anterior. Mas é verdade que esta representação é um pouco mais flashy, com os telhados em verde...

Reparem num detalhe no escudo: a Lenda da Moura Salúquia já era conhecida no século XVII.

sábado, 30 de novembro de 2019

ESCHER NA ÍNDIA

Relatividade é o título deste trabalho de M.C. Escher, datado de 1953. É difícil acreditar que o tenha feito sem ter visto ou pensado no poço com escadas de Chand Baori, no Rajastão. É um dos tais sítios que gostaria de poder ver, um dia... A obra levou quase um milénio a completar. São 3.500 degraus em 13 andares. Escher é menos exuberante, mas não menos impressivo.


terça-feira, 19 de novembro de 2019

O PAVÃO

É uma peça de cerâmica - parte dela, na verdade -, recolhida há quase 40 anos no Castelo de Moura. Sempre que a vejo, com aquelas penas em tons de amarelo e de verde penso em pavões. Acho que é uma invulgar taça-pavão a que nos coube em sortes. Gabriela Mistral também teve um pavão assim, fugidio como o nosso.

Que sopló el viento y se llevó las nubes 
y que en las nubes iba un pavo real, 
que el pavo real era para mi mano 
y que la mano se me va a secar, 
y que la mano le di esta mañana 
al rey que vino para desposar. 
¡Ay que el cielo, ay que el viento, y la nube 
que se van con el pavo real!

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A SEQUÊNCIA DOS DIAS

A semana que acaba. O verão que acaba. Subitamente, tudo se renova. Pego no enésimo moleskine e faço as contas aos dias que hão-de vir. Volto a Rui Cinatti, poeta tranquilo e personalidade multifacetada. E à suas palavras, lunares e solares.

O outono começa na segunda-feira, às 8:50.


AGARREI NO AR 

Agarrei no ar um véu
esmaecido de azul,
igual ao azul do céu
iluminado pela lua.

Eu passo a vida a sonhar
iluminado pela lua.


Rui Cinatti (1915-1986)

Tzompantli no Codex Ramírez - séc. XVI

segunda-feira, 10 de junho de 2019

FAUVISMO MERTOLENSE

"O menino não tem jeito para o desenho". E eu olhava para a minha tentativa de fazer qualquer coisa parecida com um desenho como se fosse uma doença, "o menino tem um sopro no coração", "o menino é asmático". Só muitos anos mais tarde percebi que o jeito para o desenho, para a música, para a literatura, não é bem uma coisa inata. Assim como o Mozart, que tocava piano aos quatro anos e compunha peças musicais aos seis. Nunca desenhei, tal como nunca aprendi música. Mozart é uma raridade, difícil de explicar. Mas, também nunca tive uma professora como Nádia Torres. Hoje, dei com trabalhos de alunos seus na net. São miúdos de 13/14 anos. Algum deles virá a ser um pintor consagrado? Provavelmente não. Ou talvez sim. Mas o mais importante é que desenham com alma, com cor e com talento.

Ao ver, hoje, este "fauvismo" e uma exuberante celebração da cor fiquei a pensar "caramba, o que eu gostava de ter tido, em desenho, uma professora assim...".


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

PENÉLOPE EM PATERNA

Mergulhado na cerâmica de Paterna (uma localidade que fica cinco quilómetros a noroeste de Valência e que foi um centro oleiro de extraordinária importância na Idade Média), vou avançando em leituras, paralelos e tipologias. Não é tanto este "regresso ao passado" que é a melhor parte da investigação, mas sim o facto de permitir (mais) uma releitura do estatuto social das minorias muçulmanas.

A tese inédita de Anna McSweeney apresenta uma extenso catálogo de materiais, quase todos recolhidos no Museo Nacional de Ceramica y de las Artes Suntuarias Gonzalez Marti, em Valência. Muitas das peças apresentam padrões gráficos, como se de tapetes se tratasse. Foram alguns desses desenhos que recolhi. Que fiz e refiz, ao jeito da manta de Penélope. Que é o tema de um bonito e sugestivo poema de David Mourão-Ferreira.

Site do Museu - http://www.mecd.gob.es/mnceramica/home.html


PENÉLOPE

Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: ESTEVA

Poucos odores são, no nosso Mediterrâneo, tão marcantes como o da esteva. De poucas plantas me lembro sempre tanto como das estevas. É pena que as suas extraordinárias flores não sirvam para decoração. São de uma efémera, mas autêntica, beleza.


Desenho de William Curtis, de final do século XVIII. E que canta La Niña de la Puebla (En los montes llenos de jarales) tem a ver com tudo isto. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

QUANDO ESCHER PASSOU POR MOURA

Esta oliveira retorcida está, M.C. Escher assim o garante, no sul de Itália. Bem se parece com outra, que em tempos esteve na Estrada dos Machados e que hoje está à entrada do Jardim das Oliveiras, em Moura.

Escher não teria feito o percurso que concretizou sem aquela passagem pela costa amalfitana. Escadas e cúpulas serviram de mote, até ao fim.

Há anos, em novembro de 1987, veio a Moura uma delegação do Ajax. O MAC jogava, para a Taça de Portugal, com o Porto e houve lugar à "espionagem" da praxe. Os holandeses, adversários do FCP na Supertaça Europeia, estavam deveras impressionados com as montanhas (a Serra de Portel, que não é exatamente o Evereste...). Imagino que Escher, apesar do seu cosmopolitismo, deva ter pensado o mesmo nas deambulações pela Calábria.

A exposição sobre a obra de Escher é boa, sem ser excecional (as traduções, valha-me nossassenhoradocarmo...) e põe a nu a decadência do Museu de Arte Popular. E a nula estratégia que existe para aquele local.



terça-feira, 22 de maio de 2018

CRISTO(S)

Parece que foi ontem, mas o momento de arranque deste projeto ocorreu em fevereiro de 2015. Na verdade, com outros afazeres, não havia muito "espaço". Uma primeira seleção de quadros ficou terminada no sábado. São quatro dezenas e meia de obras sobre esta temática: Cristo. De um só pintor. Depois, achei que deveria alargar a escolha. Porque há muitas pinturas que, de forma explícita ou implícita, nos remetem para a mãe. Melhor dizendo, para a Theotokos. E depois para a cruz, para os cavaleiros, para os pastores. Por aí andamos. Não tardará muito que a proposta final tome forma.


O OURIÇO

À procura de ilustrações científicas para um trabalho, e pesquisando em várias línguas, fui dar com este bonito desenho e com este bonito poema. Do desenho não sei a origem exata, o poema é de um grande autor mexicano, José Emilio Pacheco (1939-2014).


EL ERIZO
El erizo tiene miedo de todo y quiere dar miedo
en el fondo del agua o entre las piedras.
Es una flor armada de indefensión,
una estrella color de sangre,
derruida en su fuego muerto.

Zarza ardiente en el mar, perpetua llaga
resiste la tormenta en su lecho de espinas.
El erizo no huye: se presenta
en guerra pero inerme ante nuestros ojos.

Al fondo de su cuerpo la boca, herida abierta, discrepa
de su alambre de púas, su carcaj
de flechas dirigidas a ningún blanco.

Testigo vano de su hiriente agonía,
el erizo no cree en sí mismo ni en nada.
Es una esfera
cuya circunferencia está en el vacío.
Es una isla
asediada de lanzas por todas partes.

Soledad del erizo, martirio eterno
de este San Sebastián que nació acribillado.
El erizo nunca se ha visto,
no se conoce a sí mismo.
Tan sólo puede imaginarse a partir
de los otros erizos,su áspero prójimo,
su semejante rechazante.

Bajo el mar que no vuelve avanza el erizo
con temerosos pies invisibles.
Se dirige sin pausa hacia la arena
en donde está la fuente del silencio.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

JOÃO ABEL MANTA - HOMENAGEM


Dizer que João Abel Manta (n. 1928) foi o cartoonista do 25 abril é redutor para tão genial obra (que foi muito para lá destes desenhos). Do ponto de vista pessoal, foi dos autores mais importantes na minha aprendizagem plástica, cívica e política. Assim, tudo ao mesmo tempo. Os seus cartoons foram um poderoso, ácido e inteligente elemento de denúncia. Fizeram-nos sorrir, de forma um pouco triste. E ajudaram-nos a tomar consciência. Não há 25 de abril sem João Abel Manta. Viva ele, neste Dia.

segunda-feira, 26 de março de 2018

AUTOR - PROCURA-SE

Com as arrumações in fine fui dar com este postal, que uma amiga me enviou, em outubro de 1989. Estava então à venda na loja do Museu Nacional de Arte Antiga. Fez parte do concurso "Um tesouro para descobrir, promovido pelo Instituto Português do Património Cultural. Que tem especial? Três coisas:

1) O desenho é muito bonito;
2) Retrata a torre do relógio, no Castelo de Moura;
3) O/a autor/a era aluno/a da então Escola Preparatória de Moura.

Fica a questão: quem fez tão bonito desenho?

quarta-feira, 7 de março de 2018

QUE SAUDADES DO MARQUÊS DA PRAIA

Dei comigo, na noite de ontem, a ler um texto de Alfonso de Valdés (c. 1490-1532). Eis um excerto de Diálogo en que particularmente se tratan las cosas acaecidas en Roma el año de 1527, a gloria de Dios y bien universal de la República Cristiana:

Tantas igrejas, tantos mosteiros, tantos hospitais, com que Deus soía ser servido e honrado, destruídos e profanados! Tantos altares, e a própria igreja do príncipe dos apóstolos, ensanguentados! antas relíquias roubadas e com sacrílegas mãos maltratadas! Para isso juntaram os seus predecessores tanta santidade naquela cidade? Para isso honraram as igrejas com tantas relíquias? Para isso lhes deram tão ricos atavios de oiro e de prata, para que viesse ele com as suas mãos lavadas a roubá-lo, a desfazê-lo, a destruir tudo? Deus soberano! Será possível que tão grande crueldade, tão grande insulto, tão abominável ousadia, tão espantoso caso, tão execrável impiedade fiquem sem mui rijo, sem mui grave, sem muito evidente castigo? Não sei como aqui o sentis, e se o sentis, não sei como assim o podeis dissimular.

Arcidiano, falando sobre o saque à cidade de Roma, ocorrido em 6 de maio de 1527. Gravura de Hans Holbein, o Jovem (1497/8-1543). Retrata um grupo de lansquenetes em ação.