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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

KID CREOLE: PARABÉNS SR. AUGUSTO!

O nome é mesmo Thomas August Darnell Browder, mas ficou conhecido como Kid Creole. Fez parte do meu panteão musical de juventude e foi fonte de inspiração para as minhas camisas. Aquela mescla de sons latinos, africanos e caribenhos tinha lugar cativo no meu espaço radiofónico na Associação de Estudantes de Letras. Um programa de escasso sucesso e de vida breve.  Fresh Fruit in Foreign Places (1981) e Tropical Gangsters (1982) ainda andam cá por casa. Hoje é dia de saírem à cena, para festejar os 70 anos do sr. August Darnell. Parabéns ao Kid Creole.

Não consegui encontrar um vídeo de jeito de "Musica americana", de Coati Mundi. Aqui fica o There's something wrong in paradise, com um som assim um bocadinho à Malcom McLaren.



sábado, 1 de agosto de 2020

SOZINHO NA RUA, NO DIA 1 DE AGOSTO DE 1970

Andava brincando no Jardim da Porta Nova, quando chegou a noite. Os dias de verão eram todos uns iguais aos outros. Felizes, tranquilos e iguais. Voltei para casa. Bati à porta. Nada. Nem um som dentro de casa. O postigo fechado, coisa rara. Rumei a casa dos meus tios, a escassos 50 metros. Nada também. Ninguém em casa. Já era noite cerrada. Fui à Sociedade dos Azeites, onde o meu avô era porteiro. Nada também. A porta da casa estava fechada, coisas que nunca acontecera. Intrigado e sem saber que fazer (aos 7 anos não temos grande experiência de vida...), regressei ao jardim. Pacatamente, sentei-me num banco. Fiquei à espera, não sei bem de quê. "Onde terão ido todos, assim ao mesmo tempo?". Nem a minha irmã, que só falava espanhol na altura (o que me dava sempre jeito, para a atazanar, mas naquele momento até eu falaria na língua da família de lá com ela), dava sinais de vida. Passou uma hora, depois outra. Eu sempre pacato e silencioso, no banco do jardim. Nem Manoel de Oliveira se lembraria de uma coisa assim.

Já seriam umas onze da noite, quando apareceram todos de roldão no jardim. Em passo apressado, que na altura ninguém tinha carro. Nascera o meu primo Pedro e tinham ido todos para o Hospital de Moura, ver a criança. Deixar de ter protagonismo e passar a ser ator secundário é isto.

Foi no dia 1 de agosto de 1970. Faz hoje 50 anos.

Parabéns, Pedro!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

ÁGUA - PATRIMÓNIO DE MOURA: A REABERTURA DO MATADOURO

Faz hoje 5 anos que abriu ao público a exposição Água - património de Moura. Foi um dos raros momentos em que, durante aquele mandato autárquico, meti as mãos na massa e dirigi diretamente um projeto na minha área de trabalho. Isso aconteceu por razões que não vêm agora ao caso.

Do ponto de vista conceptual, creio que muitos museus locais têm muito a ganhar com abordagens "não-diacrónicas" das coleções ou do património local. Embora possa e deva haver sempre documentação disponível sobre a história do sítio e do território. Mas isso é tema que dava pano para mangas.

Durante dois anos, Água - património de Moura esteve patente ao público. Houve outras exposições temporárias que se lhe associaram, houve debates e conferências, o local foi visitado por colegas autarcas de Portugal, Espanha, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Claro que cabe aqui especial menção a visita do Presidente da República Portuguesa. Tal como cabe destaque para os vários prémios com que a exposição foi distinguida.

Faço questão de assinalar a data. Porque aquele 30 de julho de 2015 não foi um dia como os outros. Nem para mim, nem para o Município, nem para todos os que estiveram envolvidos no projeto.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

MONOTONAMENTE

O melhor texto sobre a morte do ditador fascista é, na minha opinião, o de Miguel Torga, no seu Diário:

"Coimbra, 27 de Julho de 1970 - Morreu Salazar. Mas tarde demais para ele e para nós, os que o combatíamos. Para ele, porque não morreu em glória, como sempre deve ter esperado; para nós, porque o não vimos morrer na nossa raiva, na nossa humilhação, na nossa revolta. Viveu a frio conscientemente, envolto numa redoma de severidade gelada, a meter medo, e acabou por morrer a frio inconscientemente, numa preservada agonia amolecida, a meter dó. A doença desceu-o de super-homem a homem, e, a duração dela, de homem a farrapo humano. E, quando há pouco chegou a notícia de que se finara de vez, nenhum estremecimento abalou o País. Nem o dos partidários, nem o dos adversários. Para uns, a sombra definitiva do cadáver sobrepôs-se apenas à bruxuleante luz do ídolo; para os outros, o sentimento de piedade cobriu cristamente o ressentimento sectário. A obra de domesticação nacional estava realizada há muito por uma tenacidade dominadora que utilizava apenas as qualidades negativas do português, e não tinha outra sabedoria do tempo senão a lição da rotina sancionada nos códigos do passado. A fome de aventura, a inquietação da liberdade, o alento da esperança, o orgulho, o brio, a alegria e a coragem - tudo fora sistemática e impiedosamente apagado na lembrança da grei. Daí que se não vislumbrem quaisquer sinais de tristeza aterrada, e, menos ainda, de euforia redentora. A Nação inteira passou, sem qualquer sobressalto, de respirar monotonamente com ditador, a respirar monotonamente sem ele".

sábado, 16 de maio de 2020

JOSELITO EL GALLO - 100 ANOS DEPOIS

Foi uma das tardes mais trágicas da tauromaquia do século XX. Aos 25 anos morria, em Talavera de la Reina, Joselito el Gallo. Que, apesar da sua juventude, se afirmava como toureiro de exceção. Há, claro mais relatos escritos que imagens, ilustrando o seu breve e glorioso percurso.

Não vale a pena repisar os momentos dramáticos, e todas as más coincidências, daquela tarde. Basta-nos assinalar o dia. Completava o cartel o seu cunhado Ignacio Sánchez Mejías (1891-1934), num mano-a-mano de mau prenúncio. Com eles estava Enrique Berenguer «Blanquet» (1881-1926), o bandarilheiro que pressentia a morte.


O maestro Joaquín Taboada Steger (1870-1923) comporia, em sua honra, o pasodoble Pobre Joselito.

Federico García Lorca (1898-1936) escreveu um poema imortal, Llanto por Ignacio Sánchez Mejías. Aquele que começa:

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.


A tragédia de Talavera, no ABC

sexta-feira, 15 de maio de 2020

ESCOLA PROFISSIONAL DE MOURA: 20 ANOS

Faz hoje 20 anos a Escola Profissional de Moura. Um projeto erguido contra ventos e marés, e contra a vontade dos que hoje querem fazer esquecer o que ontem fizeram. Ao menos, que assinalem a data.

Recordo o que aqui escrevi há exatamente 5 anos:
Foi assim. Uma sessão breve, mas muito emotiva. Assinalaram-se hoje 15 anos de Escola Profissional de Moura. Um projeto arrancado a ferros. Erguido graças a uma Câmara CDU. Que contou, é justo dizê-lo, com o apoio do PSD. Apenas e só, do ponto de vista político. E contou com o entusiasmo de muitos cooperantes e de muita gente de boa vontade. Os primeiros anos foram muito difíceis. Depois, a Escola Profissional ganhou alguma estabilidade. Lançou laços de cooperação. Fez do seu caminho um percurso sólido. A formação tem a qualidade que hoje os alunos do curso de restauração demonstraram.

Há duas pessoas, em especial, que quero aqui saudar: José Maria Pós-de-Mina e Antónia Baião.


sábado, 29 de fevereiro de 2020

ALBERTO RIBEIRO - 100 ANOS

Aqui se reproduz um pequeno excerto do filme "Capas negras", de 1947. O filme em si é pior-que-o-Deus-me-livre. Mas foi um sucesso colossal. Ainda o é. Em grande medida, graças a Amália Rodrigues. E, também, a Alberto Ribeiro (1920-2000). Tinha uma voz poderosa e límpida, de tenor, e boa presença. Tivesse nascido nos Estados Unidos ou em França e teria conhecido uma carreira internacional de sucesso. No Portugal de pequena paróquia em que viveu não teve essa abertura. Acabou por se retirar prematuramente da vida artística.

Alberto Ribeiro nasceu há exatamente 100 anos. Fico com curiosidade para ver/ler o eco que a efeméride vai ter.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

HOJE, NO DIÁRIO DO ALENTEJO...

Foi uma "encomenda" de última hora. Fazer a cobertura de uma iniciativa... Que levei a efeito com prazer, e recordando outros tempos em que tinha colaboração mais próxima com o "Diário do Alentejo". Acho que não saiu mal.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

FELLINIANO

Um homem, nascido há 100 anos, deu origem a um adjetivo. Federico Fellini (1920-1993) é quase inclassificável. Volto, com muita regularidade, a Fellini. Divertido, polémico, circense, caloroso, fantasioso, apaixonado, podíamos gastar horas adicionado qualificativos. Fellini nunca ganhou nenhum Óscar (envergonhados, deram-lhe um honorário...), nem ganhou em Berlim nem em Veneza. Vá lá, 8 1/2 valeu-lhe uma Palma de Ouro. Que importa? Os filmes de Fellini "ameaçam" tornar-se eternos. Amarcord talvez seja, no seu memorialismo, um dos mais fellininanos. É um dos que mais gosto. Fica aqui o trailer. Viva Fellini!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

#HASHTAGS EM ARTE ANTIGA

Podia criar uma carrada de hashtags a partir da reunião da passada semana:

#badanas
#gramagem
#couché
#mate
#chromocard
#lombada
#plastificação
#semi-mate
#gráficas
#revisão

E, acima de tudo,
#prazos

Foi um projeto quase inesperado. “Nasceu” depois de se olhar, vezes sem conta, para um quadro, com pouco mais de 500 anos. O Joaquim tinha pensado numa coisa, eu noutra, afinal eram coincidentes. Acabámos visitando Travassô e a procissão em honra dos mártires. Não foi propriamente uma epifania, mas às vezes até me parece que sim. Estamos em V2 – para falar em termos aeronáuticos – e, daqui até junho de 2020, isto é um instante... Guerreiros e mártires à vista.


Os "olhares" são de uma exposição anterior...

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

SPANISH BOMBS

Falei de London Calling há exatamente dez anos. O disco tinha saído em 1979. Dos 30 chegámos aos 40. O duplo ainda está cá por casa. Em 2009, o jovem Manuel ficou espantado por eu conhecer os Clash. Oxalá ele ainda se lembre deles, digo eu agora.

O espanhol de Joe Strummer não é bem canónico. Mas quem quer saber disso, não é verdade?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

JORGE DE SENA

O centenário que passou à margem de Portugal.

Beirut, por Koudelka


OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS


Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

27.9.1979 - A MORTE SAIU À RUA

Foi há 40 anos. Recordo-me do dia com se fosse hoje. Dois trabalhadores da UCP Bento Gonçalves, no concelho de Montemor-o-Novo, foram mortos a tiro, durante uma ação de protesto. António Casquinha, de 17 anos, e José Geraldo "Caravela", de 54, militantes comunistas, já não voltaram casa, nessa trágica quinta-feira.

A força da GNR disparou para ar... Era primeira-ministra Maria de Lurdes Pintasilgo. Era Ministro da Agricultura Joaquim da Silva Lourenço. Era Ministro da Administração Interna Manuel Costa Brás. Era Ministro da Justiça Pedro Sousa Macedo, mais tarde presidente do Supremo. Não houve conclusões. Ninguém foi acusado. Ninguém foi responsabilizado.

O momento foi imortalizado por João Hogan. A extraordinária tela pertence à Câmara Municipal de Cuba. Foi ocultada entre 2001 e 2013, por opção do presidente da câmara de então. Está hoje em lugar digno e apropriado.


A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada, há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação

(José Afonso)

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

IMPROVISAÇÃO 33

Não é bem uma improviso e só voltarei a assinalar este dia em 2021 (35 anos) e em 2026 (40 anos). Se lá chegar. Faz hoje 33 anos que entrei para a Função Pública. Improvisation 33 (Orient 1) é o título do quadro que Wassily Kandinsky (1866-1944) pintou em 1913.

Dia 25 de setembro de 1986 calhou a uma quinta-feira. Aos 23 anos, 3 meses e 22 dias tornava-me Chefe da Divisão Sócio-Cultural da Câmara Municipal de Moura. Iria penar um tanto...

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

JORGE - 50

Só conheci, pessoalmente, o Jorge no ano de 2005. Tinha acabado de chegar à Câmara de Moura e um dia o Rafael desafiou "e se fossemos até à do Liberato?". Nos primeiros momentos, senti-me um pouco intruso, merecendo um tratamento algo cerimonioso e distante. Cordial, mas distante. O "desconforto" durou pouco. Na televisão passava um programa sobre a vida selvagem. Às tantas, o Jorge vira-se para mim e, com um ar muito pensativo, tem esta tirada: "desculpe lá, o meu amigo é vereador e deve saber destas coisas; quantas leiras de coentros serão precisas para fazer um petisco com a orelha daquele elefante?". Apanhado de surpresa, desmanchei-me a rir. O resto da taberna fez o mesmo.

A taberna é um sítio popular, onde o Jorge foi dando largas à sua criatividade e boa disposição. A taberna tornou-se ponto de referência em Moura. Por mérito do Jorge e da sua família. Aproveitei essa onda e a TSF fez dali um programa à escala nacional. O Presidente da República esteve lá, cortando presunto e bebendo vinho tinto.

A dada altura, o Jorge passou a identificar-se como Bastonário da Ordem dos Taberneiros. Um título que ninguém reclamara e que bem lhe assenta. Entre 2005 e 2017, perdi a conta ao número de vezes que entrei na Taberna do Liberato. Do simples conhecimento com a Alice e com o Jorge passou-se à simpatia, daí à amizade. Foram muitas horas de conversa ao longo de uma dúzia de anos. Foi a certeza de estar ante gente franca, solidária e séria. E que foi enfrentando as agruras da vida com coragem e boa disposição. A passagem do Jorge Liberato pelos Bombeiros é outra dessas facetas fundamentais, e onde continua a dar provas de empenho e de vontade de ajudar.

Tive, do ponto de vista pessoal, tocantes provas de amizade. De uma delas, no final de setembro de 2013, não me esquecerei. A partir de outubro de 2017, a minha vida mudou de coordenadas. A única coisa de que sinto falta é do convívio com as pessoas (nem tão poucas como eu imaginaria, nem tantas como outros pensarão...). De pessoas como a Alice e como o Jorge, sem dúvida. Um ponto da minha peregrinatio a Moura é a taberna. Para poder estar com os proprietários do sítio e mais com alguns habitués de longa data.

Como, há meses, escrevi:

Més que un club, dizem os adeptos do Barcelona da sua agremiação. Os que, ao longo de muitos anos, temos vindo a passar pelo Liberato podemos proclamar, com convicção “mais que uma taberna”. Bebemos copos? Sim. E ouvimos e contamos histórias? Claro, nem outra coisa seria de esperar. Sobretudo, temos a presença da Alice e do Jorge. Nos últimos tempos, uma nova faceta se veio juntar às muitas outras da Taberna do Liberato. Nasceram as Tertúlias dos Templários. À animação habitual, à música ocasional, à permanente boa disposição veio juntar-se a História. Num registo descontraído, mas nem por isso menos rigoroso. A Taberna do Liberato é uma taberna? É, e é muito mais que uma taberna. É um sítio com alma.

O Jorge chega hoje ao meio século. Daí este texto, que é uma mensagem e um abraço de parabéns. À tua e à da tua família, Jorge. Na feira, aí nos encontraremos!


Recebendo o Presidente da República, em 2016.
Em dezembro do ano passado, tirando partido de uma tranquila tarde.

domingo, 25 de agosto de 2019

ESPOSENDE

A fotografia é de 1971. O autor é Armindo Cachada. Representa a romaria de S. Bartolomeu do Mar. Mostra-nos um Portugal telúrico, antigo e rural. Ao olhar, ontem à tarde, para esta imagem, ocorreu-me que muitos políticos só frequentam estes ambientes em datas pré-eleitorais. Ou que muitos académicos o fazem na perspetiva do voyeurismo.

É a altura das romarias de verão. Por entre o pó, o mar, o calor e a festa genuína. Mais ou menos religiosa, mais ou menos profana.

Dado curioso na fotografia: não está ninguém dentro de água. Parto do princípio que o banho ritual ainda não se iniciara...

domingo, 18 de agosto de 2019

WOODSTOCK

É banal falar, no dia de hoje, de Woodstock. É que passam exatamente 50 anos sobre o fim do festival. Festivais e concertos nunca foram exatamente "a minha praia". Tal como os domínios da "contra-cultura" nunca o foram... Mas gostei muito do filme de Michael Wadleigh, um prodígio de improviso e de capacidade  de montagem.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

OMAR TORRIJOS

Homenagem ao patriota panamiano Omar Torrijos (1929-1981), no ano em teria completado 90 anos e no dia em que passam 38 anos da sua morte, num misterioso acidente de avião. Há um livro que trata, de perto, a realidade política de Omar Torrijos. Foi escrito por Graham Greene e intitula-se Getting to Know the General: The Story of an Involvement.

Torrijos negociou com Carter a devolução do território em volta do Canal. A política do big stick continua ativa. Guess what? Com tanta dimócraci e tantos iuman raites, os territórios panamianos anda não são panamianos. E nem vale a pena recordar como se inventou um país chamado Panamá.

Omar Torrijos, na sua fotografia de que mais gosto: com um grupo de crianças, na represa do rio Bayano (1973)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

SÍNDROME KILAS

Do filme de José Fonseca e Costa (1933-2015) "Kilas, o mau da fita" (1980):

Num instante cresci. Ganhei peso colocando à porta uma placa cheia de pintarola que dizia assim: Rui Ventura Tadeu import / export. Que era para que ninguém me viesse à mão com a história de eu não fazer nenhum e andar a chular a Rita.

Como diz um amigo meu, estas frases definem toda a arte de ser português. No fundo, não se produz grande coisa, anda-se a fingir e o importante é ficar bem na chapa. É assim há mais de 800 anos.

Hoje é Dia de Portugal.


quinta-feira, 6 de junho de 2019

UNIÃO SOVIÉTICA? QUAL UNIÃO SOVIÉTICA?

Comemoram-se os 75 anos do desembarque na Normandia. Que o bloco ocidental queira desvalorizar sagas como o cerco de S. Petersburgo ou a batalha de Volvogrado, é uma coisa. Que se opte por não convidar Putin para este Dia D é outra. Que se queira apagar o papel da União Soviética na derrota da Alemanha nazi é uma atitude penosa e à altura dos líderes que a Europa tem. Que se convide Merkel e se ponha na legenda da fotografia que é uma imagem dos representantes das Forças Aliadas dá imensa vontade de rir.

Putin não é comunista, nem socialista, clarifique-se. Nem, à luz da nossa lógica, particularmente recomendável. É o herdeiro de Bizâncio e representa uma mentalidade imperial. A Rússia é isso. Não é preciso estudar ciência política ou qualquer outro ramo do ocultismo. Eisenstein e um par de livros dão uma ajuda.