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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

AO JEITO CAMPOMAIORENSE

Desce-se uma rua, depois sobe-se outra, depois outra ainda. Depois, contorna-se o castelo. As certezas tremem e desaparecem. Afinal, parte do que o sr. Duarte Darmas desenhou mantém-se, sim. Outra parte foi levada pelos baluartes modernos.

O castelo tem quartéis, do mesmo género dos que tem Moura, mas menos espaventosos. Não menos bonitos, por certo. Quem mora no castelo é a comunidade cigana. No calor das 13 horas, um homem de fato claro, gravata, pasta castanha numa mão, um dossiê com desenhos na outra, deve parecer estranho. Um cão não gostou de mim. Uma pequenita, dos seus 10/12 anos, intrigada, não resiste e pergunta "você é dos Jeovás?". Mesmo junto ao castelo fica a Rua Direita. A placa toponímica dá-lhe outro nome, bem mais divertido.

domingo, 9 de agosto de 2020

DE VLAMINCK, REVISTO E SEM COR

Dir-se-ia que não tenho mais nada que fazer, e não é verdade. Mas andando à volta dos fauvistas, encontrei uma obra de Maurice de Vlaminck (1876-1958) que me levou ao ocioso exercício de "como será hoje?". O sítio, em Bougival, não é difícil de encontrar. O colorido, ao jeito de Olinda, da paleta de De Vlaminck, deu lugar a uma realidade menos festiva.

Este exercício comparativo, e a arqueologia visual dos sítios, estão no centro de vários trabalhos. Resultados a publicar nos próximos meses.


domingo, 5 de julho de 2020

ADIAMENTO...

Ainda não é desta...
Este livro está "difícil", apesar de impresso há vários meses.
Será dentro de dias, como devidamente se anunciará. O programa segue dentro de momentos.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A OUTRA LÍNGUA

Quase podemos pensar noutro país, quando entramos em Miranda do Douro e damos com as placas informativas bilingues: português e mirandês. O mirandês ganhou, há perto de duas décadas, estatuto de língua oficial. Tem um som que me é estranho. E que me soa melodioso, quando o ouço. E que mergulha as suas raízes em falares medievais asturo-leoneses. As fronteiras são, aqui, administrativas e recentes.

Miranda fica longe de Moura e de Mértola. Mas não é o topo setentrional deste projeto. Ainda me faltam Montalegre e Melgaço. "Isto" vai a 22% do total. No final da semana passa a 33%, no final da seguinte a 45%.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

SINES – ALI NÃO HÁ NADA DO PERÍODO ISLÂMICO...

No final dos anos 70 do século passado, a arqueologia medieval era, tal como a televisão que nos entrava em casa, ainda a preto e branco. Era tudo muito sim ou sopas, de certeza ou nem pensar nisso. Num país sem arabistas portugueses dignos desse nome – creio que, hoje em dia (e pedindo desculpa por qualquer involuntária falha) apenas António Rei pode ser referido – os estudos islâmicos faziam-se a partir de dados físicos. Da arqueologia de terreno, que balbuciava as primeiras sílabas em Silves e, sobretudo, em Mértola. As limitações eram evidentes. Algum negacionismo imperava quanto à presença islâmica em vários sítios do sul, “há o período romano, depois não há mais nada até depois da Reconquista”.

Sem entrar aqui em detalhes inúteis, a verdade é que há, a sul do Tejo, muitos sítios romanos que conheceram ocupações importantes na Alta Idade Média, que se prologaram pelo período islâmico. Numa contabilidade grosseira, um pouco mais de dois terços dos fragmentos arquitetónicos da Antiguidade Tardia – muito tardia, por vezes... – concentram-se em três locais: Beja, Mértola e Sines. As duas primeiras conheceram importante ocupação no período islâmico, já para Sines se dizia “ali não há nada dessa época...”.

Há perto de 30 anos, criou-se “um facto arqueológico”. Cláudio Torres identificava Sines como sendo a Marsa Hashim das fontes islâmicas. Sendo que, desde Lévi-Provençal (1894-1956), se fazia coincidir esta última localidade com Castro Marim. O ponto de partida é um texto de al-Himiary, um autor magrebino do século XIV que se baseou em escritos anteriores. A sua obra tinha o extraordinário título de “O livro dos jardins perfumados” e dava-nos esta colorida descrição: “perto de Mértola, junto ao mar, encontra-se Marsa Hashim. É uma fortaleza antiga, onde se encontram ruínas antigas, assim como uma grande igreja que foi construída sob o reinado de César Diocleciano (Kasliyan). É ao reino deste imperador que remonta igualmente a igreja de Toledo”. Com desarmante simplicidade, Cláudio Torres baseava a hipótese da correspondência entre Sines e Marsa Hashim em dois argumentos: o filológico e o histórico-artístico. Em relação ao primeiro, a explicação era bem direta: marsa é porto em árabe e sines/hashim deriva do latim sinu- (enseada). O segundo era não menos claro. A enorme quantidade de fragmentos arquitetónicos de qualidade indiciava a nobreza de um edifício que ali existira.

E depois? Depois, nada. Cláudio Torres ouviu um nutrido coro de assobios e a sua proposta foi desvalorizada. Não faltou quem ridicularizasse a argumentação apresentada. Afinal, nunca se encontrara nada islâmico em Sines... Intimamente pensei “ele tem razão” e passei a citar o local da costa alentejana como Marsa Hashim. Era pouco lógico que um dos raros pontos de abrigo seguros entre Tróia e o Cabo de S. Vicente tivesse sido, pura e simplesmente, abandonado.

Em tempos recentes, a arqueologia tem vindo a detetar ribats (pequenos espaços fortificados destinados à oração e à vigilância da costa) no litoral: junto à praia da Maçãs, perto de Lisboa e perto de Arrifana, no concelho de Aljezur. A estes dois ribats, há que juntar outro, em Sines. Acabado de construir em maio de 1009, conforme atesta uma lápida descoberta junto ao castelo da cidade. A inscrição repõe a verdade e a lógica das coisas. Marsa Hashim é Sines. E não só o sítio teve ocupação em época islâmica, como era um sítio relevante.

Cláudio Torres bem podia recordar o célebre dito “quem ri por último...”. Não creio que perca tempo com isso.

Crónica publicada hoje, no "Diário do Alentejo"

segunda-feira, 27 de abril de 2020

quinta-feira, 23 de abril de 2020

DA PRATA DA ADIÇA À MOURA SALÚQUIA: O PERÍODO ISLÂMICO NO CONCELHO DE MOURA, DOMINGO ÀS 17 HORAS

Memórias, lendas e factos do nosso concelho. Começando pela Moura Salúquia, que é, também, título de uma valsa.

Qual a maior riqueza do concelho de Moura, há 1000 anos?
Onde ficava o mítico sítio de TOTALICA?
Porque é que Moura se chamou, pelo menos entre os séculos VI e X, LACANT?
O que quer dizer SALÚQUIA?

Temas da quarta, e última, conversa sobre o património da nossa terra. Domingo, às 17 horas, via zoom:
https://us02web.zoom.us/j/81328493349?pwd=d1JTanc3d3U4ZUNYQWVVZnBPSnQ4UT09


quarta-feira, 22 de abril de 2020

AZUL MEDIEVAL, NA GRANJA

O nome técnico é Chrozophora tinctoria. É uma planta que existe na orla mediterrânica, no Médio Oriente, na Índia, no Paquistão e na Ásia Central. Investigadores portugueses descobriram recentemente a estrutura química do corante natural usado na produção do bonito azul das iluminuras medievais. E que é feito a partir dessa planta.

Qual a particularidade desta planta? É que o único sítio onde está localizada, em Portugal, é na Granja (Mourão). A fascinante história desta investigação está contada, por Isabel Salema, no "Público" do passado sábado (v. aqui - conteúdo para assinantes).

sexta-feira, 3 de abril de 2020

E AGORA, MAIS DIFÍCIL AINDA...

Diziam isso, antigamente, nos espetáculos, quando um acrobata executava um número arriscado. Parte da tarde de hoje foi ocupada com um júri de tese de mestrado. Num registo inédito, com presenças muito distantes, fisicamente. Acabou por se divertido. Aquele ritual do "entra o candidato", "entra o público", "agora o júri vai reunir numa sala à parte", foi cumprido. Havia salas virtuais e houve até, no final, uma fotografia de família, em versão printscreen.

Coube-me a parte menos "simpática" (ser arguente da tese), mas tudo se passou bem. Pormenor importante: a candidata, Zabya Abo Aljadayel, estava a prestar provas a partir de Masyaf, na Síria. A 3.915 quilómetros de Mértola. O tema do trabalho, Fatimid material culture in Al-Andalus: presences and influences of Egypt in Al-Andalus between the Xth and the XIIth centuries A.D. é um ponto de partida. O caminho, para a Zabya, está agora a começar.

Da esquerda para a direita:
Susana Gómez-Martínez (diretora da tese), o autor do blogue e Catarina Tente, da FCSH (linha de cima)
Francisco Caramelo (presidente do júri e diretor da FCSH) e Zabya Abo Aljadayel (linha de baixo)

sexta-feira, 27 de março de 2020

A MOURARIA DE MOURA NO "DIÁRIO DO ALENTEJO"

Texto sobre o livro que a pandemia "congelou". Sai hoje no Diário do Alentejo. No meio da pouca normalidade destes dias, a cada minuto se tenta recuperar, tanto quanto possível, um quotidiano que se perdeu. E que, temo, não voltará tão depressa. De qualquer maneira, o trabalho de Carlos Lopes Pereira dá mais um empurrão ao trabalho de investigação em curso, ao divulgar a investigação que tem sido feita.

Moura é tema de outros estudos em curso.“Stvdia Historica & Archaeologica – Ossa Islamica”, anunciado no início deste mês, arranca agora. Mais depressa do se pensava, por força das "limitações físicas" por que passamos.


domingo, 22 de março de 2020

A MINHA ILHA DESERTA

Que livros levar? Na verdade, isto foi um pouco às avessas... Que livros trazer para Mértola... Não estou em nenhuma ilha (espero estar um dia, com Trás os Montes a leste e a baía à frente) e, em todo o caso não iria ler para a praia. Pelo menos, livros. Detesto ler livros na praia, com o sol a queimar as páginas, o cheiro ao papel quente, a areia a meter-se entre as folhas.

Desde manhã cedo que estou noutra ilha. Os livros que trouxe marcarão parte dos dias que se seguem - só pequena parte, que há tarefas prioritárias no domínio da comunicação e da conceção de conteúdos -, porque não atiro a toalha ao tapete e me recuso a desistir de trabalhos em curso. Não se concretizam em abril ou em maio? Depois será. Por agora, navego entre catálogos de museus, mais as obras de Idrisi, os estudos sobre o ribat da Arrifana e a poesia de Verlaine, que também dá uma ajuda, por fora.

sexta-feira, 13 de março de 2020

SERÁ QUANDO PUDER SER

Um decisão em dois tempos:

Primeiro (9:10), telefonei ao José Manuel Albardeiro, de "A Planície", pedindo para retirarem a informação do facebook e para não passarem a entrevista que dei à rádio. Objetivamente, a iniciativa não poderia ter lugar.

Segundo (10:00), em conversa rápida com o Jorge Liberato, acertámos os "termos do adiamento". Não se anula, faz-se quando houver condições. Tudo tranquilo, nesse aspeto.

Depois de encerramentos de escolas, e de medidas que afetam bares e restaurantes, seria pouco sensato continuar com esta apresentação.

O livro está impresso. Fica para depois.

terça-feira, 10 de março de 2020

LIVRO SOBRE A MOURARIA - DIA 14, EM MOURA

Algum dia teria de ser, depois de vários adiamentos.

Ao final da tarde de sábado, haverá a apresentação de um livro sobre a Mouraria. E mais um pouco de conversa. E um copo ou dois.

No que se refere ao ano de 2020, é o arranque (mais tardio do que gostaria) para um um plano editorial pessoal, que já tem mais duas datas marcadas: 26 de março e 4 de junho.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

QUINTA COLUNA Nº. 9: AUGUSTO E TIBÉRIO NO SÉCULO XXI


O imperador Augusto morreu em 19 de agosto de 14. Há mais de 2.000 anos. É do tempo deste homem de Estado a versão mais antiga do fórum de Beja. Com num jogo de “mikado”, as ocupações foram-se sucedendo no sítio mais alto, e mais importante, da cidade de Beja. Passos de maior destaque nesse longo processo de construção? A ocupação da Idade do Ferro, as imponentes construções de época romana, os vestígios do período islâmico e a extraordinária Casa da Moeda quinhentista.
Abel Viana tateou um pouco os terrenos do fórum de Beja. Os tempos eram outros e, para além da recolha de alguns materiais e de um esquiço do local, pouco mais se fez. Foi preciso esperar 50 anos para que um longo processo de resgate dessa memória da cidade se pusesse em marcha. A partir de 1997, e sob a direção de Maria da Conceição Lopes, professora na Universidade de Coimbra, começaram as escavações. A arqueóloga defenderia, pouco depois, uma tese de doutoramento sobre Beja e o seu território. Um trabalho corajoso e de difícil concretização. A cidade romana de Beja: percursos e debates acerca da "civitas" de Pax Ivlia é estudo com duas décadas que continua atualíssimo e que, ante os recentes ataques de que o Património em áreas rurais tem vindo a ser alvo, mais pertinente se torna.
A partir de 2008, as escavações ganharam outro fôlego e começaram a emergir dados de grande relevo sobre a cidade romana. A par com a descoberta de uma Casa da Moeda, da qual se pode dizer que é verdadeiramente única. Os tempos mais recentes foram marcados por alguns sobressaltos. Notícias menos boas – escavações interrompidas, degradação de estruturas, etc. – mereceram o destaque que as notícias menos boas sempre têm.
Na passada semana, teve lugar a apresentação do projeto para reabilitação do sítio do fórum romano de Beja. A esperança renasce. Pelo menos, foi essa a ideia com que fiquei. Dão-se, objetivamente passos para a reabilitação de uma área com cerca de 2.000 m2. Ainda que haja acertos a fazer – e aspetos a incorporar, em termos arqueológicos -, a reversibilidade / adaptação modular do centro de interpretação é um achado e lança pontes de diálogo para o futuro.
Que perspetivas se abrem, a partir daqui?
·      A concretização do projeto e a valorização das estruturas;
·      A possibilidade de monumentalização das ruínas, via anastilose - (re)construção a partir de elementos previamente existentes -ou outros métodos;
·      A necessidade de uma articulação do futuro centro de interpretação + centro de arqueologia com o restante património da cidade, nomeadamente o Museu Regional, a Rua do Sembrano, a igreja de Santo Amaro e o sítio de Pisões. Caso contrário, a lógica dispersiva e capelística dominará;
·      Uma desejável conclusão do processo de escavações, seguido da sua publicação.
Em 21 de junho de 2019, escrevi, neste mesmo jornal, um artigo sobre o fórum romano de Beja. Reitero o que então disse. Em seis meses, houve avanços significativos. Termino com as mesmas palavras que então: “A tomada de decisões sobre o património, na perspetiva da sua reabilitação, nem sempre é ‘simpática’. Nem imediata. É mais fácil ‘feirizar’ a História, criar ‘eventos’ e complementá-los com iniciativas folclóricas. Dá muito menos trabalho e rende mais, no curto prazo. Ora, como bem sabemos, e tendo em conta o que nos resta do fórum, o Património é matéria para o longo prazo”.

Hoje, no "Diário do Alentejo"

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

INVESTIGAÇÃO ALARGADA

Por uma espécie de curiosidade masoquista fui ver os limites físicos e geográficos de um trabalho de levantamento em curso. A sul, Funchal, a leste, Miranda do Douro, a norte, Melgaço, a ocidente, Horta. É um trapézio com 4.500 quilómetros. Farei muito mais que isso, bem entendido, dentro do trapézio. Um projeto em objetiva olho de peixe, por assim dizer. Mas com resultados muito menos distorcidos. Haverá livro no início de 2021.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

JAGHBUB

De tempos a tempos, lá vem o palavrão: jaghbub. Os gráficos ficam de cabelos em pé, porque não há alternativa ao uso desta fonte. Ou melhor, há, mas com base em "truques" morosos e que esgotam a paciência ao mais pintado...

O que é o jaghbub? É uma variante do times new roman. E a única fonte que permite fazer as transliterações fonéticas do alifato. Trocando por miúdos, e dando um exemplo: o som "ch" em árabe corresponde à consoante ش . Que é transliterada com um "s", com um acento circunflexo invertido (ver penúltima linha do texto). O problema maior é que instalar isto num PC não é fácil. Resultado, tenho de andar a passear o meu macbook da biblioteca para o gabinete, enquanto acabo um texto. Que terei de entregar amanhã, acompanhado com um pdf. Porque já sei que vai "desconfigurar" e os gráficos, entre arrepelões de cabelos, vão ter de cotejar os textos. Ou seja, o jaghbub é uma chatice necessária e cientificamente correta...

Título do texto? O Gharb al-Andalus - cristãos e muçulmanos no século dos almoádas. Um mano-a-mano com Cláudio Torres, recuperando o prazer de escrever a meias com o meu mestre. Nada mau, tantos anos passados sobre a última coisa em conjunto.

Ver - https://org.uib.no/smi/ksv/jaghbub.html


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

AINDA AS JORNADAS EM PALMELA E KANISAT AL-GURAB...

Souvenir das Jornadas em Palmela. Foi uma passagem rápida, antes de rumar a Moura.

Da apresentação feita, e a desenvolver agora, ficou exposta (e aparentemente aceite pelos colegas...) a hipótese da Igreja do Corvo das fontes árabes corresponder não a um sítio na zona do Cabo de S Vicente, mas sim à Ermida da Senhora da Rocha. Tal como me parece possibilidade séria o sítio de Halq a-Zawiya ser o ribat da Arrifana e não em Lagos. Aliás, esta hipótese de Lagos merece-me a classificação de absurda, para ser suave.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

LER A ÁGUA

Está na hora de retomar temas mourenses. O próximo estudo que farei sobre a nossa terra incidirá no tema da água. Vista e perspectivada nas mais variadas dimensões. Retomarei alguns aspetos aflorados em Água - património de Moura (2015/2017) e lançarei novas pistas de trabalho. Será assim, a partir de 2021. Porque o trabalho de base de toda a divulgação é o conhecimento prévio. Caso contrário, é circo mediático. Que dura tanto como um fósforo.

Para além do livro sobre a Mouraria, que está na gráfica e que sairá em fevereiro, está na hora de retomar esse tema. Foi domínio que a minha colega Marisa Bacalhau lançou (e bem!) que se desenvolveu autonomamente. Parte da exposição Água - património de Moura beneficiou das atividades de animação e das visitas que ela coordenou.

O caminho faz-se caminhando. O futuro é sempre em frente.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

EM MODO SENHORA DA ROCHA

Aproxima-se o dia do encontro de Palmela e "regresso", convictamente, à Senhora da Rocha. Que cada vez me faz mais sentido que seja, de facto, a Igreja do Corvo das fontes islâmicas. A descrição de Yaqut é algo difusa, mas ele nunca visitou a Península Ibérica. Ao contrário de Idrisi, que era deste ocidente mediterrânico. E cujo périplo bate certo, com o percurso que proponho.

A única boa planta da igreja está numa obra de Mário Varela Gomes, João Luís Cardoso e Francisco Alves, editada em 1995. É essa que aqui se apresenta. Juntamente com uma planta global do sítio, de finais do século XVIII.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

PARIS, 1972

O veteraníssimo Richard Estes (n. 1932) passou pelo blogue em 2014 e em 2016. Esta tela hiper-realista de 1972 lança-me no tão borgesiano e querido tema dos espelhos. A semana vai andar por aí, entre realidades que se cruzam e se refletem. Isto anda tudo ligado, como gostam de dizer os da teoria da conspiração.


The Other Side of a Mirror
I sat before my glass one day,
     And conjured up a vision bare,
Unlike the aspects glad and gay,
     That erst were found reflected there –
The vision of a woman, wild
     With more than womanly despair.
Her hair stood back on either side
     A face bereft of loveliness.
It had no envy now to hide
     What once no man on earth could guess.
It formed the thorny aureole
     Of hard unsanctified distress.
Her lips were open – not a sound
     Came through the parted lines of red.
Whate'er it was, the hideous wound
     In silence and in secret bled.
No sigh relieved her speechless woe,
     She had no voice to speak her dread.
And in her lurid eyes there shone
     The dying flame of life's desire,
Made mad because its hope was gone,
     And kindled at the leaping fire
Of jealousy, and fierce revenge,
     And strength that could not change nor tire.
Shade of a shadow in the glass,
     O set the crystal surface free!
Pass – as the fairer visions pass –
     Nor ever more return, to be
The ghost of a distracted hour,
     That heard me whisper, "I am she!"
Mary Coleridge (1861-1907)