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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

SQUIDS E GRILLED LIZARDS, NUM CERTO RESTAURANTE

Os romanos acreditavam no espírito do lugar. O genius loci. Aquele restaurante tinha um. Em tempos, o dono resolvia tirar, ao vivo, as dúvidas sobre tradução dos pratos em língua inglesa usando os parcos conhecimentos do autor do blogue. Ante um casal de séniores da pérfida Albion resolveu tirar dúvidas:

- Santiago, como é que se diz lulas?

- Squids.

Ato contínuo, virava-se para os ingleses e anunciava, cerimonioso:

- We have squids.

E depois, para mim:

- Então, e bacalhau?

- Codfish.

- We have codfish.

Eu ria até às lágrimas. Então, o proprietário, sempre sorridente e cerimonioso, apontou na minha direção e anunciou:

- He, mayor.

Só me lembrei do "Me, Tarzan, you, Jane" e ía tendo uma apoplexia, ante o olhar atónito dos bifes, que deviam pensar "pois, o Mediterrâneo é esta farra e esta desgraça".

Tempos depois, o restaurante mudou de gerência. Ia a entrar no estabelecimento, quando o novo dono, um jovem simpático e jovial, me mostrou a ementa: "já viu? traduzi para inglês!". Olhei o menu à porta, com atenção. Estaquei num ponto. Havia grilled lizards. Havia o quê? Lagartos grelhados... Supostamente, o meu amigo queria anunciar aquela parte do porco a que chamamos "lagartos". Publicitava, contudo, algo de completamente diferente. Ou seja lagartos, dos verdes mesmos, na grelha. Aconselhei-o "tira isso daí, antes que tenhas aqueles ingleses, que acham que somos todos uns bárbaros, à perna". Tirou e passou anunciar uma mais banal grilled meat, ou algo assim.

Foi há um par de anos. É por estas e por outras que uma certa terra da margem esquerda do Guadiana me dá cabo do sentido.



quinta-feira, 30 de julho de 2020

ÁGUA - PATRIMÓNIO DE MOURA: A REABERTURA DO MATADOURO

Faz hoje 5 anos que abriu ao público a exposição Água - património de Moura. Foi um dos raros momentos em que, durante aquele mandato autárquico, meti as mãos na massa e dirigi diretamente um projeto na minha área de trabalho. Isso aconteceu por razões que não vêm agora ao caso.

Do ponto de vista conceptual, creio que muitos museus locais têm muito a ganhar com abordagens "não-diacrónicas" das coleções ou do património local. Embora possa e deva haver sempre documentação disponível sobre a história do sítio e do território. Mas isso é tema que dava pano para mangas.

Durante dois anos, Água - património de Moura esteve patente ao público. Houve outras exposições temporárias que se lhe associaram, houve debates e conferências, o local foi visitado por colegas autarcas de Portugal, Espanha, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Claro que cabe aqui especial menção a visita do Presidente da República Portuguesa. Tal como cabe destaque para os vários prémios com que a exposição foi distinguida.

Faço questão de assinalar a data. Porque aquele 30 de julho de 2015 não foi um dia como os outros. Nem para mim, nem para o Município, nem para todos os que estiveram envolvidos no projeto.


sexta-feira, 17 de julho de 2020

MANTOS DE LUZ

A fotografia de cima é de ontem à noite, em Moura. Houve celebração, nas Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo, em tempos de pandemia. A ideia foi muito feliz e resulta lindamente. Cobrir o chão com luz dá aquele tapete e ilumina o tempo que há-de vir.

A de baixo pertence ao projeto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003.

E, de Fernando Pessoa,

NÃO QUERO IR ONDE NÃO HÁ A LUZ,


Não quero ir onde não há a luz,
Do outro lado abóbada do solo,
Ínfera imensa cripta, não mais ver
As flores, nem o curso ao sol de rios,
Nem onde as estações que se sucedem
Mudam no campo o campo. Ali, no escuro,
Só sombras múrmuras, êxuis de tudo,
Salvo da saudade, eternas moram;
Região aos mesmos íncolas incógnita,
Dos naturais, se os tem, desconhecida.
Ali talvez só lírios cor de cinza
Surgirão pálidos da noite imota.
Ali talvez só gelo com as águas,
Como a cegos, serão, e o surdo curso,
No côncavo sossego lamentoso,
Se acaso à vista habituada aclare,
Será como um cinzento tédio externo.

Não quero o pátrio sol de toda a terra
Deixar atrás, descendo, passo a passo,
A escadaria cujos degraus são
Sucessivos aumentos de negrume,
Até ao extremo solo e noite inteira.

Para que vim a esta clara vida?
Para que vim, se um dia hei-de cair
Da haste dela? Para que no solo
Se abre o poço da ida? Porque não
Será sem fim (...)

quinta-feira, 16 de julho de 2020

O QUE FAZ FALTA

Não sei bem quando o ritual deste almoço da sexta-feira da Festa começou. Talvez em 2011 ou em 2012. Foi mantido, sem falhas, até ao ano de 2020. Será retomado em 2021, no sítio de sempre. No Malato, na Rua do Poço. Nas feiras, também se juntava este grupo. As razões são precisas e do foro pessoal. "Aquilo" foi sempre um momento de grande descontração e era/é o prenúncio dos grandes dias que viriam. A fotografia data de 2017 e estou de mangas compridas porque houve, de manhã, uma daquelas reuniões-de-gravata.

Olhando para cima? Coisas do André Linhas Roxas, durante uma ida ao Porto, no dia em que foi assinado o contrato do Continente, em 2016.

Moura faz-me falta? Faz, sempre. A vila e o concelho. Estes momentos, eles, os da fotografia, e muitos mais como eles, fazem-me falta.

domingo, 28 de junho de 2020

A MOURARIA NO FACEBOOK - DIA 5 DE JULHO, ÀS 18:30

Como a situação pandémica anda mais que desanda, resolvemos (o José Gonçalo, o José Finha e eu) avançar com a apresentação do nosso livrinho sobre a Mouraria de Moura. A sessão terá lugar no próximo domingo, às 18:30. Serão intervenientes o Prof. André Teixeira (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas / Universidade Nova de Lisboa) e os autores. Será uma sessão curta, entre 20 a 30 minutos. E que marcará o fim da quase-saga que este livro foi.

Vamos ter livro em dois tempos:
1. Esta apresentação virtual, via facebook;
2. O lançamento, real e ao vivo, na Taberna do Liberato, logo que possível. Esperemos que o mais depressa possível.

domingo, 21 de junho de 2020

TRIPLA CELEBRAÇÃO

Foram três dias num só, duas datas privadas e mais a ida à Igreja de São João, em Moura. A recolha de imagens para o projeto Duarte Darmas levou-me a pedir ajuda ao Pároco de Moura, Padre José Manuel Guerreiro. Não só tive todas as facilidades, o que implicou uma ofegante subida ao campanário da igreja, para fazer fotografias, como pude constatar a magnífica organização da missa. A imagem, tirada do coro alto, atesta-o. Sempre tive a convicção que é possível manter calendários, iniciativas e celebrações. Não pode é isso ser feito com multidões, com pessoas aos magotes, na base do improviso ou na lógica do "antes". O "antes" vai tardar a regressar, convençamo-nos disso.

domingo, 14 de junho de 2020

COMO MORRE UM CASTELO

Um artigo do El Pais, sobre a morte de um castelo andaluz, avivou-me um episódio pouco conhecido em Moura, sobre o desaparecimento das chamadas "muralhas árabes".

A perda de funções militares do castelo, no início do século XIX, levou a que essas muralhas fossem vendidas. As razões foram de ordem prática. Feitos na chamada taipa militar - com forte incorporação de cal -, davam azo à formação de imenso salitre. O que se passou, de seguida, foi rápido, prático e dramático. Sendo o salitre essencial à "indústria da guerra" foi decidido usar como matéria-prima as muralhas mais antigas de Moura. Em poucos anos, instalou-se uma fábrica na cidade, que "transformou" as magníficas muralhas do século XII em pó. Literalmente. Restou o grande torreão que está por cima da biblioteca.

Vale a pena ler o precioso livro de João Manoel Cordeiro, que explica como tudo se passou.




Ver - https://books.google.pt/books?id=Dj9YAAAAcAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-PT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

E também:

http://www.santiagomacias.org/publi.php?livros

segunda-feira, 18 de maio de 2020

AZEITE ANGÉLICA - A NOVIDADE QUE NÃO É NOVIDADE

É uma bela notícia que, felizmente, não traz nada de novo. Gonçalo Rosa da Silva e o seu Azeite Angélica têm presença regular em grandes prémios internacionais. Assim se premeia o esforço, o mérito e a qualidade.

Uma grande notícia para o Gonçalo e para Moura. Se bem recordo, a primeira medalha de ouro que ganhou neste certame foi em 2015.

Ver - https://bestoliveoils.com

domingo, 17 de maio de 2020

STARDUST MEMORIES Nº. 34: O VELOCÍMETRO DO AUSTIN

E já que se fala em normalização, aqui vão coisas antigas e fora das normas.

O meu tio comprou um Austin 1300 em setembro de 1971. Na altura, os carros eram todos diferente uns dos outros. Aquele modelo tinha um detalhe inesquecível: o velocímetro não era como os outro. Não havia ponteiro. Uma fitinha vermelha (1) avançava da esquerda para a direita indicando a velocidade a que se circulava.

Havia também uma patilha (2), para "puxar o ar". Ou seja, diminuia-se o volume de ar na combustão, o que impedia que o carro "fosse abaixo", enquanto estava frio (o meu amigo ALR não esperava tanta sapiência...). O que me faz lembrar um episódio ocorrido em 1972 ou 1973, cuja veracidade não posso atestar.

In illo tempore, os carros podiam circular no centro de Moura nos dias da festa. Num sábado de manhã, uma senhora levava o seu Austin Rua da Jopal fora. Ao aperceber-se que havia um magote de homens na esquina do Prazeres, e temendo deixar o carro morrer e ouvir uma risota, resolveu aplicar "medidas de emergência". Ou seja, ao aproximar-se do cruzamento, puxou a partilha do ar e acelerou ligeiramente. Bom, ela achava que tinha sido ligeiramente. O barulho do motor aproximou-se do de um Boeing 707 no momento da descolagem. O que provocou um fingido pânico no grupo masculino, que se escondeu rapidamente, enquanto um gritava FUUUJAAAMMM. A ser verdade, terá sido um daqueles casos em que a emenda foi pior que o soneto.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

PATRIMÓNIO DE MOURA X 6.000


No início de abril comprei dois meses de "zoom". Era a maneira mais prática de continuar a dar as aulas. O método funciona, ainda que saiba a pouco. É um pouco como aquelas rodas estreitinhas que os carros agora têm quando temos um furo. Dão para desenrascar.

Resolvi aproveitar o zoom, o trabalho acumulado sobre Moura e projetos em curso para quatro curtas conversas à volta do Património. Tive a surpresa de contar, ao todo, com mais de 6.000 visualizações. Esperava umas centenas, vá que chegasse ao milhar.

O mérito não é meu, é da terra. E dos que lá nasceram ou vivem e que gostam de Moura. E do interesse que os temas suscitam.

Aqui ficam os links e os temas:

COMO DUARTE DARMAS VIU MOURA EM 1510
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217653092060859/

A MOURARIA DE MOURA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217722009183744/

AS MURALHAS MODERNAS DE MOURA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217799001228497/

DA PRATA DA ADIÇA À MOURA SALÚQUIA
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217871808568635/

quarta-feira, 29 de abril de 2020

AMORAS

Há muitos dias que não saía de casa. Foram 40, para ser preciso.

Ontem e hoje quebrei essa rotina. Quebrámos, em dueto solitário. Até ao Além-Rio, depois junto à Achada de S. Sebastião. Subitamente, "olha, amoreiras com amoras". As amoreiras em frente à escola costumam estar varridas. A rapaziada da escola trata delas. Tanto melhor para eles. Agora, sem escola, nem clientes, as amoreiras estão bem compostas. Regressei a outros tempos e a outros sítios. As amoras não se apanham, por cá, como no quadro de Elizabeth Forbes (1859-1912). Pouco importa. O que conta é o gesto e o momento. Ontem pintalguei, convicto e feliz, uma camisa. Em certas alturas, a felicidade momentânea está nos ramos de uma amoreira.


You ate that first one and its flesh was sweet
Like thickened wine: summer's blood was in it
Leaving stains upon the tongue and lust for
Picking, como no poema de Seamus Heaney.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

MURALHAS DE MOURA NA NET: DOMINGO, ÀS 17 HORAS

Onde ficavam as muralhas de Moura, construídas pouco depois de 1650?
O que é que delas resta?
Onde ficavam as portas da muralha?
O que é muralha e o que não é?
Porque é que se chama Brecha da Jardim a um dos locais da nossa terra?
É em volta desses temas que terá lugar a nossa conversa de domingo, dia 19. Às 17 horas, como de costume.

Via zoom em:
https://us04web.zoom.us/j/73659346650?pwd=dHFqb2h0cUhrampNc29MUHQ0S3Zodz09

Imagem - Daniel K

sexta-feira, 10 de abril de 2020

MOURARIA DE MOURA NA NET: DOMINGO ÀS 17 HORAS

Domingo será tempo para falar um pouco da Mouraria, às 17 horas em ponto. Via zoom, que é o que pode ser...

Como nasceu o bairro? Quem lá vivia? Que evolução teve?

Aqui fica o link:
https://us04web.zoom.us/j/983705345?pwd=LzlUSjZEUDR1THpNMHNTam5LRXp6UT09

domingo, 5 de abril de 2020

sexta-feira, 3 de abril de 2020

DUARTE DARMAS - DIA 5 (17 HORAS)

O endereço ao qual é necessário aceder é este, para uma conversa (com imagens, desenhos e fotografias), em direto e ao vivo:

https://us04web.zoom.us/j/708675946?pwd=SXNXbUJMbmtISXkvQVBaNmRCTWdudz09

Dia 5, domingo
17 horas
Duração - 20 a 25 minutos.

Moura era assim em 1510. O que ficou da vila de então?


quarta-feira, 1 de abril de 2020

MOURA - PATRIMÓNIO HISTÓRICO NA NET (1)

No próximo domingo, 5 de abril, às 17 horas, farei a primeira de uma série de quatro apresentações sobre o património histórico do concelho, a partir da plataforma zoom.

Cada apresentação terá uma duração aproximada de 30 minutos, podendo depois quem estiver a assistir fazer perguntas, se assim o desejar. No final da semana darei indicações sobre o endereço na net ao qual se terá de aceder. Gratuitamente, como é óbvio.

Tema da primeira conversa: QUE MOURA VIU DUARTE DARMAS QUANDO ESTEVE NA NOSSA TERRA EM 1510. Será uma leitura do espaço urbano, e dos seus principais edifícios, comparando-se com o que existe na atualidade.

E, antes que alguém pergunte, NÃO, isto não é nenhuma brincadeira de 1 de abril.

sexta-feira, 27 de março de 2020

A MOURARIA DE MOURA NO "DIÁRIO DO ALENTEJO"

Texto sobre o livro que a pandemia "congelou". Sai hoje no Diário do Alentejo. No meio da pouca normalidade destes dias, a cada minuto se tenta recuperar, tanto quanto possível, um quotidiano que se perdeu. E que, temo, não voltará tão depressa. De qualquer maneira, o trabalho de Carlos Lopes Pereira dá mais um empurrão ao trabalho de investigação em curso, ao divulgar a investigação que tem sido feita.

Moura é tema de outros estudos em curso.“Stvdia Historica & Archaeologica – Ossa Islamica”, anunciado no início deste mês, arranca agora. Mais depressa do se pensava, por força das "limitações físicas" por que passamos.


sábado, 14 de março de 2020

MOURA NO "PÚBLICO"

Ou, melhor dizendo, a Mouraria de Moura no "Público". Um texto bonito de Lucinda Canelas falando da minha terra. O ponto de partida foi o livro que está para sair. A reportagem vai além disso e anda em volta da arqueologia, do castelo, da reabilitação urbana, daquilo que a vontade permite concretizar.

Vamos em 31 intermitentes anos de arqueologia no castelo. Com publicações feitas e outras previstas. Mesmo em tempos difíceis como os que correm, a esperança não fica de lado. Nem a combatividade, a que leva as coisas para a frente.

Ora tenham a bondade de ler:

sexta-feira, 13 de março de 2020

SERÁ QUANDO PUDER SER

Um decisão em dois tempos:

Primeiro (9:10), telefonei ao José Manuel Albardeiro, de "A Planície", pedindo para retirarem a informação do facebook e para não passarem a entrevista que dei à rádio. Objetivamente, a iniciativa não poderia ter lugar.

Segundo (10:00), em conversa rápida com o Jorge Liberato, acertámos os "termos do adiamento". Não se anula, faz-se quando houver condições. Tudo tranquilo, nesse aspeto.

Depois de encerramentos de escolas, e de medidas que afetam bares e restaurantes, seria pouco sensato continuar com esta apresentação.

O livro está impresso. Fica para depois.