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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O VENTO MUDOU: EDUARDO NASCIMENTO (1944-2019)

A melhor homenagem a Eduardo Nascimento (1944-2019) veio com o tempo. A ele e a Nuno Nazareth Fernandes (n. 1942), que compôs O vento mudou. A música ficou esquecida durante quase 20 anos, até ser resgatada pelos Delfins, em 1984. Depois, têm-se multiplicado as "versões". Diferentes, mais ou menos inspiradas, mais ou menos próximas, mas a partir de um original inesquecível. A que mais gostei foi uma que ouvi na Amareleja, pelos Amor Electro. Não há gravação.

Delfins
Da Vinci
Grande Orquestra de Luís Gomes
UHF
Namorados da Cidade
Ricardo Oliveira



terça-feira, 19 de novembro de 2019

SER SOLITÁRIO

Foi talvez no início de 1980 a única vez que vi José Mário Branco atuar ao vivo. Foi no Teatro Aberto, numa tarde de domingo. Falava-se na altura do espetáculo Ser solidário. Devo ter lido alguma crítica no semanário Se7e, cuja leitura não dispensava, por essa altura. O disco foi editado, coisa impensável nos nossos dias, com a participação dos espetadores que quiseram contribuir. E que, claro, tiveram depois direito a um exemplar.

Tenho, curiosamente, imagens muito vivas desse espetáculo, apesar de terem passado quase 40 anos. Recordo-me de José Mário Branco ter cantado a marcha "Qual é a tua, ó meu?", que tinha sido chumbada num concurso promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, na altura dirigida pelo Eng. Krus Abecasis. A marcha tinha como estrofes coisas como:

Com tanta Ladra no mundo 

O teu Rato andava à caça 
de Sapadores 
Quanto mais a dor Dafundo 
Menos a gente acha Graça 
Aos ditadores 

ou


Não é possível meter 

Águas Livres numa Bica, 
Como tu queres 
Quem pensa assim, podes crer, 
Campo Grande onde Benfica 
É nos Prazeres

O refrão era:

Qual é a tua, ó meu? 
Andares a dizer "quem manda aqui sou eu"? 
Qual é a tua, ó meu? 
Nesse peditório o pessoal já deu.

Quando acabou de cantar, José Mário Branco fez um ar (falsamente) compungido e disse baixinho: "não sei porque é que não gostaram da minha marchinha...".


Vi-o, algum tempo depois, como ator de uma peça intitulada Cogumelos, no desaparecido Teatro Vasco Santana. Era uma colagem de textos, encenada por Jorge Listopad, em que, às tantas havia uma rábula sobre a conquista de Lisboa, na qual um cabide se transformava em cruz e havia uma procissão. Uma farsa inolvidável.

E agora? Agora, vamos ouvir José Mário Branco. Que foi solidário, solitário e um digno outsider.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CAI A CHUVA NO PORTAL

O post de hoje, quase privado, é dedicado a um grupo de velhos amigos. Eles, e eu, sabemos a razão.

Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.
Lídia Jorge

terça-feira, 13 de agosto de 2019

ENTÃO, QUANDO É QUE TE FARDAS?

Era sempre assim. A noite já ia bem entrada quando o amigo Manuel Grilo deixava o protocolo de parte e me perguntava "então, mas afinal quando é que te fardas?", para depois me intimar "tens que te fardar!". Em 2016, para preocupação dos colegas da vereação e para preocupação ainda maior da família decidira-me a aprender música. Frequentei disciplinadamente a escola de música da Banda de Safara - o Flávio Robles fez-me uma certeira e mais que inteligente crítica, a propósito da minha personalidade... - até chegar à lição 20 e me darem um clarinete para praticar. No meio disto, estava um fraterno Manuel Grilo. Não me recordo de o ver de má catadura. A fotografia que a banda hoje colocou nas redes sociais reflete bem o seu estilo. Descontraído, amigável e paciente para com os mais novos. E sempre jovial. Quando me via com as partituras debaixo de braço, encolhia os ombros e soltava uma gargalhada.

Foi com imensa pena que li hoje a notícia da sua derradeira partida. Na próxima vez que for a Safara, já não o poderei ver. Tal como já não me cruzarei com ele nas procissões. Também já não falaremos um pouco, como sempre fazíamos depois das festas. E não poderei repetir, como da última vez, "sabe, amigo Manel, isto da música não é para quem quer, é para quem sabe...". Uma coisa tenho como certa, na minha memória ele ficará sempre.

domingo, 7 de julho de 2019

JOÃO GILBERTO (1931-2019)

Em dois ou três anos reinventou a música brasileira. E a nossa. Nada voltaria a ser como antes. Ninguém compunha assim. Ninguém cantava assim, em sussurro e sem desafinar. Ninguém foi recluso assim. Ninguém foi lírico assim. Vão começar as coletâneas e as homenagens. A lenda já tinha começado em vida. Nós ficamos mais pequenos.

Aqui fica uma composição que não é dele. Gostaria de ter escolhido "Saudade da Bahia", porque ninguém cantou Caymmi como ele. Mas a gravação ao vivo que encontrei foi esta, interpretando outro génio, Ary Barroso:




segunda-feira, 1 de julho de 2019

MORDILLO (1932-2019)

"Descobri" os desenhos de Mordillo em 1976, quando estava a iniciar o 8º ano. Foi através de uma colega de turma que era, já então, grande fã do humorista argentino. O traço característico, o colorido e um sentido de humor marcado, muitas vezes, pelo absurdo, tornavam inconfundíveis os desenhos de Mordillo. Aqui fica a homenagem. E a recordação dos já distantes dias do liceu.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

DORIS DAY (1922-2019)

Mais uma heterodoxia, de entre muitas: gostar de Doris Day. Gosto da voz de Doris Day, elegante e cheia de swing. Gostava menos do programa musical dela, que "dava" às quintas-feiras, entre as 13.30 e as 14.00. Em 1973/74, andava eu no Ciclo e achava-a uma chata. Depois, passei a gostar. Primeiro, mais ou menos. Depois, muito.

Doris Day partiu hoje, aos 97 anos. Gosto muito do Fly me to the moon.

terça-feira, 16 de abril de 2019

RICARDO CHIBANGA (1942-2019)

Recordo-me de o ver tourear em Moura, no início dos anos 70. As corridas eram sempre mistas, inevitavelmente com a dupla rival José Mestre Batista-Luís Miguel da Veiga e depois ou Ricardo Chibanga ou Mário Coelho ou outros cujos nomes já não recordo. Chibanga passou pelas maiores praças do mundo e conseguiu assinaláveis sucessos. Fica para a História com um bom toureiro e ganha ainda o galardão do único matador africano.

No dia em que nos deixou, recordo alguém que lutou até ao fim pela Festa e que sempre nela acreditou.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

ACIMA DO ARCO-ÍRIS

Sunset é o livro que se vê e que ainda está por terminar. O filme acaba assim. E ouvimos o Somewhere over the rainbow, na interpretação de Israel Kaʻanoʻi Kamakawiwoʻole. Hoje comecei a ouvir esta música às 16:15. Durou o resto do dia.


sábado, 3 de novembro de 2018

MARIA JOSÉ MOURA (1937-2018)

Texto da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas no facebook:

Faleceu hoje Maria José Moura. Com ela, desapareceu um dos últimos fundadores da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD).
Há poucos dias realizámos o 13.º Congresso BAD, no Fundão. Durante as sessões, nos corredores e nos momentos mais informais o seu nome era pronunciado e a sua falta notada. Foi o primeiro Congresso a que a associada n.º 12 faltou. Foi o Congresso em que, ausente, foi aplaudida de pé por todos os congressistas.
Esta ausência tão presente de Maria José Moura é o corolário de uma vida inteiramente dedicada à causa das bibliotecas, ao reconhecimento e valorização dos seus profissionais, e à defesa do associativismo.
É com pesar e tristeza que escrevemos estas palavras, mas também com a certeza de que o legado deixado deve ser - vai ser - continuado.


Não me lembro de Maria José Moura assim, como está na fotografia, claro está. A imagem é de 1972. Conheci-a em 1986, quando a Câmara de Moura candidatou para financiamento o projeto de ampliação da biblioteca municipal. O contrato seria assinado em finais de 1987.

Recordarei, sobretudo, o convicto combate que manteve em prol da Leitura Pública. E o seu trabalho naquela que foi a mais importante revolução cultural feita do nosso País no século XX. Protagonistas? Teresa Patrício Gouveia, José Afonso Furtado, Teresa Calçada, Ana Paula Gordo, Joaquim Portilheiro e Maria José Moura. O País deve imenso, sem o saber, a Maria José Moura. É isso que é importante reter.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

HELENA ALMEIDA (1934/2018)

Tenho verdadeira admiração pela obra de Helena Almeida. Foi tema de dois textos, em 2010 e em 2015. Portugal ficou ontem um pouco mais pequeno. Discreta e silenciosa, a sua partida é coisa de pouco notoriedade. O tempo lhe dará o destaque. Não é para já, será daqui a uns anos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

RACHID TAHA (1958/2018)

Nunca tinha ouvido falar em Rachid Taha, até ir a Argel. Foi o senhor Mustafá, o motorista da embaixada, quem nos iniciou nestas sonoridades. Mal entrávamos no carro e tínhamos direito ao Ya rayah... Que não era um original seu, mas sim de Dahmane El Harrachi. Em todo o caso, a sonoridade vibrante de Rachi Taha conquistou-me. A canção anda em volta de um exilado, de alguém que quer voltar a casa.

Ao saber, há pouco, do falecimento de Rachid Taha vieram-me à memória as palavras de Jacques Berque, no notável Mémoires des deux rives. Durante um regresso ao Cairo (e atrevo-me a traduzir) interroga-se "pergunto-me, para minha grande surpresa, se não seria aqui que eu me deveria radicar até ao fim dos meus dias...". Rachid Taha faleceu em Paris, longe da sua Sig natal. Escolher o sítio do exílio final foi fortuna que não teve.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: HORTELÃ DA RIBEIRA


É uma planta do Mediterrâneo Ocidental. A hortelã da ribeira (mentha cervina) tem outros nomes: alecrim-do-rio, erva-peixeira, hortelã-crespa, hortelã-dos-campos, hortelã-dos-pântanos e menta-peixeira. O sabor e a textura da hortelã da ribeira fazem parte das nossas vidas. Não há nenhum fado sobre a hortelã da ribeira. No dia em que partiu Celeste Rodrigues (injustamente na sombra...) aqui fica, à falta de hortelã, este verde limão.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

ROBERT INDIANA (1928-2018)

O homem de LOVE vivia em reclusão, há vários anos. Tido como de temperamento difícil (um expressão que tardo em descodificar), viu a sua obra injustamente ofuscada por uma só palavra e por um só trabalho. Ainda há dias referi a juventude das suas criações. Robert Indiana partiu agora, levando LOVE e HOPE.

JÚLIO POMAR (1926-2018)

Dois cidadãos que geraram unanimidade: António Arnaut e Júlio Pomar. Este último percorreu longas décadas, num percurso coerente, solidário, sério. Evoluiu das margem do neo-realismo para uma pintura poética e hedonista. Como neste Le bain turc, d'après Ingres. O quadro tem 50 anos. Mas não parece.




De uma entrevista a Júlio Pomar, ontem desaparecido, no D.N.:

O que ensinava?
Desenho, desenho geométrico. Mas em menos de um mês tinha ordem de despedimento. E foi um bem. Tenho a agradecer muito ao Salazar e aos seus acólitos, que cuidavam da boa reputação dos ensinantes. Fiquei um bocado atrapalhado na altura, mas foi uma coisa muito boa que eles me fizeram. Eu podia ter-me habituado, como era o caso dos meus colegas que acabavam em professores, e depois bonecos era uma coisa que se fazia quando se era estudante, na escola. Na melhor das hipóteses, ia-se à Brasileira. Estou a fazer graça, mas no fundo é muito a sério. Não me parece que eu tivesse uma massa diferente dos outros. Se eu tivesse continuado, aquilo tomava o tempo e o tempo rareava para outras coisas, acontecia-me a mesma coisa. Havia grandes probabilidades. Foi ótimo. Por mal fazer, bem haver.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

AS LÁGRIMAS DE ARNAUT

Foi uma das imagens televisivas que me causou mais impacto, numa já longínqua adolescência. À saída de uma visita à Mitra, o Ministro dos Assuntos Sociais foi-se abaixo e começou a chorar. Foi prestando declarações aos jornalistas, enquanto fumava um cigarro e (se) tentava acalmar.

António Arnaut foi ministro durante sete meses, em 1978. Sempre defendi que não é duração da permanência nos cargos que torna a ação relevante, et pour cause... 

O Serviço Nacional de Saúde, de cuja arquitetura tem a paternidade, foi aprovada apenas em setembro de 1979. Viviam-se os dias do 5º. Governo Constitucional. Era ministro Alfredo Bruto da Costa, outra figura notável do nosso País.

O Serviço Nacional de Saúde cresceu e afirmou-se. Há falhas? Há. Há insuficiências? Sim. Há atrasos? Também. Falta de pessoal? Sem dúvida. Ainda assim a qualidade do serviço que há em Portugal não tem comparação com a realidade de há 40 anos. Em termos globais, foi dos setores em que houve mais se progrediu em Portugal. E que melhor serviço é prestado. Fui disso testemunha, enquanto utente ou amigo ou familiar de utentes, ao longo dos anos.

Talvez por isso, e pelo que custa (e ainda bem que custa) ao Estado, tenhamos de ler coisas como esta:

"Até que idade faz sentido que o Estado garanta cuidados de saúde caríssimos que prolongam vidas já com pouca qualidade?" (José Manuel Fernandes - Observador - 5.4.2018). Nesta pergunta, de um jornalista próximo da extrema-direita, está a essência do combate ao S.N.S. Quem quiser saúde que a pague. Exatamente o contrário do que pensou, e fez, António Arnaut.

terça-feira, 15 de maio de 2018

RAÚL MIGUEL ROSADO FERNANDES (1934-2018)


Não tínhamos afinidades e só o conheci pessoalmente nos anos 90, quando pertenci a uma comissão no âmbito do Ministério do Planeamento e da Administração do Território. Não éramos nem fomos próximos, mas tivémos, a partir daí uma relação de grande cordialidade. Que se reforçou na altura em que nos foi atribuído (a Cláudio Torres e a mim, ex-aequo com o matemático Jorge Buescu, o Prémio Rómulo de Carvalho). Sem grande cerimónia, pedi-lhe que me traduzisse para latim o título de duas exposições fotográficas ("ó homem, para que é você quer isso numa língua que já ninguém fala?", exclamou entre sonoras gargalhadas). Foi assim que apareceram Lux et umbra meridianaeA riuis Anatis fluminis extremum mundi uideri potest (qualquer erro é da minha responsabilidade, bem entendido...). Pessoas como ele fazem-nos falta. Pela independência e pela liberdade de espírito que tinha. Pela erudição e pela qualidade como académico.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

NO ADEUS A ABBAS

O desaparecimento de Attar Abbas (1944-2018), ontem ocorrido, não vai ter grande impacto por estas bandas. Com a exceção que os seguidores da Fotografia irão ser. As imagens deste repórter iraniano estão ao alcance de um clic. A muitas delas se aplica, com toda a propriedade, a ideia que uma imagem vale por mil palavras. Estas duas, do Irão e da África do Sul do apartheid valem por si.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

HEIDI

Morreu o realizador da série Heidi. Que Isao Takahata (1935-2018) descanse em paz.

Verdade se diga, eu detestava a série, tal como odiei o livro. Uma treta xaroposa oitocentista. Detesto tretas xaroposas. Ainda por cima, os bonecos eram uma fraude, desenhos sem animação em que só se mexia a boca ou o cenário.

Às vezes, em momentos de boa disposição, ainda dou comigo correndo no mesmo sítio, de braços abertos e gritando: "bodzita! bodzita!" (pelo menos era isso que ela parecia dizer quando chamava o avozinho). É o meu momento Heidi.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

ANTÓNIO AUGUSTO MARQUES DE ALMEIDA (1936-2017)

Foi meu professor de Matemática para as Ciências Sociais e Humanas no ano letivo de 1981/82. A primeira aula foi no dia 7 de dezembro, na sala 7. Recordo o sorriso meio irónico com que entrou na sala e deparou com a turma, silenciosa e aterrorizada. Matemática?? A cadeira era obrigatória. Com sensibilidade e inteligência, o Prof. Marques de Almeida levou a "coisa" por outros caminhos. Interessou-nos por Bento de Jesus Caraça, pela matematização do real, pela visão qualitativa e não quantitativa. As aulas eram espaços de liberdade e Marques de Almeida obrigava-nos a improvisar. Uma das componentes obrigatórias era a "apresentação oral". Tinhamos de falar durante 10 ou 15 minutos sobre um tema à nossa escolha. Optei pelo cinema português e pela visão que os estrangeiros colhiam de Portugal através dos filmes. Com aquele pequenos exercício, Marques de Almeida queria que nos disciplinássemos e que puséssemos o cérebro a trabalhar cronometricamente. Lembrei-me do seu austero "tens 10 minutos para terminar" muitas vezes ao longo da vida. Orientou-me nas leituras, obrigou-me a ler o Capitalismo monárquico português, de Manuel Nunes Dias, fez-me trabalhar sobre a feitoria portuguesa de Antuérpia e, sobretudo, ajudou-me.

Perdido em dúvidas filosóficas, sozinho e sem vontade especial de estudar História, teria errado se não fosse o apoio que me deu. A generosa nota com que terminei Matemática foi um impulso decisivo para a carreira que mais tarde escolhi. Marques de Almeida parecia-me um homem quase idoso. Constato agora que tinha apenas 45 anos... Faleceu ontem. Vi-o a última vez há uns bons quatro ou cinco anos.


Coincidências e ironias do destino: doutorei-me, em Lyon, no amphithéâtre Benveniste. O nome de judeu que motivou a criação pela família Benveniste, em 1996, de uma cátedra na Universidade de Lisboa. Primeiro diretor dessa cátedra? Marques de Almeida.

Professores importantes no meu percurso de aprendizagem?
António Augusto Marques de Almeida
Cláudio Torres
Eduardo Borges Nunes
João B. Serra
Manuel Rio-Carvalho
Muito poucos, em quatro anos.
De entre o que foram meus professores sem me terem dado aulas não posso esquecer António Borges Coelho e José Luís de Matos.