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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A VINGANÇA DE SNOOP DOGG

Uma antiga embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas garante que Biden e os democratas querem transformar o país num estado socialista.

Socialista??? E depois o Snoop Dogg é marijuana a toda a hora, etc. e tal...


sábado, 15 de agosto de 2020

SEPPUKU

Como já não tivéssemos problemas de sobra, eis que o PSD, um partido importante e necessário, resolve abrir as portas à extrema-direita. Que já começou a engolir o CDS e se prepara agora para alargar o território. Temos vento nefasto pela frente. E um pobre coitado à frente do PSD.


terça-feira, 11 de agosto de 2020

SPUTNIK

Um professor do Técnico ficou célebre, no final dos anos 50 do século XX, por demonstrar, com abundantes argumentos técnicos, que era impossível os russos terem posto um satélite em órbita. Puseram mesmo, e o professor foi alvo de chacota generalizada.

Agora, é anunciada, pelos russos, uma vacina contra o covid. Sintomaticamente, deu-se-lhe o nome de SPUTNIK. O primeiro a dar sinal de vida foi José Milhazes. Aquilo é tudo propaganda, diz ele. Milhazes arrisca-se a ser o Varela desta história.

Aguardo, com natural interesse, o desenrolar dos acontecimentos. Oxalá a vacina resulte. A bem de todos nós. E, também, para ver a cara de José Milhazes.


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

LA LOGIQUE DE LA POMME DE TERRE

Que é como quem diz, a lógica da batata.

Esta descoberta do "Jornal de Notícias" é fantástica. As maior parte do nosso tecido económico está no litoral. Portanto...


segunda-feira, 27 de julho de 2020

MONOTONAMENTE

O melhor texto sobre a morte do ditador fascista é, na minha opinião, o de Miguel Torga, no seu Diário:

"Coimbra, 27 de Julho de 1970 - Morreu Salazar. Mas tarde demais para ele e para nós, os que o combatíamos. Para ele, porque não morreu em glória, como sempre deve ter esperado; para nós, porque o não vimos morrer na nossa raiva, na nossa humilhação, na nossa revolta. Viveu a frio conscientemente, envolto numa redoma de severidade gelada, a meter medo, e acabou por morrer a frio inconscientemente, numa preservada agonia amolecida, a meter dó. A doença desceu-o de super-homem a homem, e, a duração dela, de homem a farrapo humano. E, quando há pouco chegou a notícia de que se finara de vez, nenhum estremecimento abalou o País. Nem o dos partidários, nem o dos adversários. Para uns, a sombra definitiva do cadáver sobrepôs-se apenas à bruxuleante luz do ídolo; para os outros, o sentimento de piedade cobriu cristamente o ressentimento sectário. A obra de domesticação nacional estava realizada há muito por uma tenacidade dominadora que utilizava apenas as qualidades negativas do português, e não tinha outra sabedoria do tempo senão a lição da rotina sancionada nos códigos do passado. A fome de aventura, a inquietação da liberdade, o alento da esperança, o orgulho, o brio, a alegria e a coragem - tudo fora sistemática e impiedosamente apagado na lembrança da grei. Daí que se não vislumbrem quaisquer sinais de tristeza aterrada, e, menos ainda, de euforia redentora. A Nação inteira passou, sem qualquer sobressalto, de respirar monotonamente com ditador, a respirar monotonamente sem ele".

terça-feira, 21 de julho de 2020

HÁ SÓ UM LUÍS FILIPE COSTA

Li, há pouco, que morreu Luís Filipe Costa. Tinha uma voz nasalada e inconfundível. Só o conheci pela rádio e pela televisão. E tenho por ele enorme respeito.

Fez carreira no cinema e no jornalismo. Emprestou a voz a anúncios (recordo um, da pasta dentífrica SIGNAL 2, com hexaclorofeno) mas, muito mais que isso foi dele, e de Joaquim Furtado, a voz do 25 de abril. Teve um magazine televisivo chamado "O caso da semana" e coordenou um programa sobre questões ambientais e de cidadania, chamado "Há só uma terra". Isso foi há quase 50 anos. Ainda o tema não estava na moda e não éramos fustigados com as gretas da treta. O programa de Luís Filipe Costa abanou um jovem de 11 anos, autor deste blogue. Tenho a certeza que causou o mesmo efeito em muitos outros da minha geração. Fazer a diferença é isto. Ser melhor e maior que os outros é isto.

Viva Luís Filipe Costa, sempre!

sexta-feira, 17 de julho de 2020

GO EAST, POR 4827 EUROS

Vão para o interior, com um apoio de 4.827 euros. A medida é penosa, de tão pueril. E revela bem a distância que vai entre quem imagina as coisas e quem as vive. A medida não é nova. Já foi anunciada e novamente anunciada. É o novo estilo de fazer política. Não importa fazer, mas anunciar que se faz.

Go west, diziam os Village People (e os Pet Shop Boys). A mensagem era "outra", bem sei, mas aqui pouco importa. Go east, mas baratinho,  diz o Governo da Pátria...

domingo, 12 de julho de 2020

O JUSTICEIRO DO MEIO DIA

Nem me dei ao trabalho de comprar o jornal ou de procurar o conteúdo online. Verdade, verdadinha, nunca tive grande paciência para egos dilatados. Comentava-me, há dias, um gestor da área financeira "não há jornalistas, há indivíduos que discutem connosco em pé de igualdade, que estão no mesmo patamar de conhecimento que nós; noutra vertente, temos os 'justiceiros', sempre à procura de um qualquer escândalo". José Gomes Ferreira, ele próprio promovido à categoria de estrela, é um dois em um. Sabe, perora e administra justiça. Ao jeito dos melhores treinadores de bancada.

Na capa do i alinhava previsíveis banalidades. O que eu gostava mesmo era que um destes "especialistas" nos viesse explicar, com números e tudo, de que forma esta pandemia veio pôr a nu a miséria social do capitalismo. Os lares aflitivos, os países com sistemas de saúde em que vigora a lei da selva, o salve-se quem puder... Aí é que era.

O justiceiro do meio dia? Foi o único nome que me ocorreu. É uma comédia dos anos 70, em que Franco Franchi parodia um conhecido policial, protagonizado por Charles Bronson.

sábado, 11 de julho de 2020

NÃO MATAR A MEMÓRIA

O alvoroço tem sido constante. E tem vindo num crescendo ruidoso, que se torna difícil de suportar. Exige-se a remoção de estátuas e de outros monumentos em memória de figuras históricas. Chefes militares, políticos, clérigos, todos têm sido alvo da fúria purificadora. Nem o Padre António Vieira escapou...
Se tomarmos como padrão a ética do século XXI, pouco escapará. Camões tinha um escravo, Afonso de Albuquerque foi um facínora, D. João II de perfeito só tinha o cognome e podemos multiplicar os nomes e as figuras. Nenhum corresponde ao padrão de neutralidade em que alguns querem tornar os nossos dias. É tão simples quanto isto: o contexto cultural, económico, social, religioso e político de 1383 ou de 1755 nada têm a ver um com o outro e, muito menos, com os valores dos nossos dias. A esta luz, quase tudo o que outrora se fez ou é ofensivo ou agressivo ou viola os direitos de minorias. Dizia-me, há dias, um historiador de arte, a propósito de um muito assertivo, e absurdamente incensado, grupo de pressão “vais ver que ainda vão armar estrilho à volta dos Painéis de S. Vicente, por haver poucas mulheres representadas...”. Não me espantará se qualquer coisa do género emergir.
Que fazer, então? A solução mais fácil é a do arrasamento. Como fizeram os taliban com os budas de Bamyan. Elimina-se aquilo de que discordamos. O que implica, também, eliminar a memória do que se passou. Ou reescrever ou tentar recriar essa mesma memória, o que é igualmente perigoso.
Foi esse tremendo equívoco que esteve na base do falhanço do abortado Museu da Descoberta (nunca percebi a razão do singular, para ser sincero). Assinalar datas, personagens e factos não implica, necessária e obrigatoriamente, o retomar do discurso nacionalista e da vulgata heróica. Ao contrário, a presença física desses heróis do passado – o Padrão dos Descobrimentos e Afonso de Albuquerque, em Belém; Vasco da Gama, em Angra do Heroísmo, António Raposo Tavares, em Beja – ajudam-nos a explicar factos e a contextualizar atitudes. A maior parte delas condenáveis, à luz da nossa moral.
Por mais que não gostemos de muitas coisas que se passaram, elas aconteceram, são factos que fazem parte do nosso passado e que não podem ser apagados. Mandar fora estátuas, padrões, inscrições, quadros, porque “ofendem” ou são “opressivos” é abrir uma caixa da pandora que será depois quase impossível fechar. Continuo a defender que é preferível a contextualização à destruição, a pedagogia à negação. Porque a outra tentação, a do apagamento, é claramente perigosa. Pode até ser mais simpática e consensual num primeiro momento. Virá depois o vazio e o pôr em risco a memória. Que é, manifestamente, algo de que não podemos prescindir. Nem individual, nem coletivamente.

Texto publicado ontem, no "Diário de Alentejo"

sexta-feira, 3 de julho de 2020

PARA ONDE FORAM TODOS?

 O colorido mapa que o “Jornal de Negócios” apresentou no passado dia 20 de junho diz bem da desgraça em que o interior do País se tornou. Entre 2011 e 2019 a população diminuiu em 86% dos concelhos de Portugal. Todos os concelhos do Alentejo perderam gente. Moura baixou em 8,58% o número de habitantes. Somos hoje menos de 14.000. O concelho mais interior que ganha população é Vila Nova da Barquinha (Santarém), que está a 60 quilómetros da costa. Para dentro, é a desolação.
É espantoso como um país com cerca de 200 quilómetros de largura conseguiu criar a ideia de “interior”. Pior, foi fazer com que sítios como Vila de Rei (a 150 quilómetros da capital) ou Sousel (à mesma distância) pareçam locais remotos, num sertão longínquo.
Um trabalho em curso tem-me feito percorrer todo a raia. Comecei em Mourão, passei depois para o limite norte do Alentejo, depois a Cova da Beira, de seguida a encosta oriental da Serra da Estrela, agora o planalto mirandês. À medida que percorro as estradas, dia após dia, num registo interessante, mas cansativo, vou-me perguntando “para onde foram todos?...”. Passo por aldeias perdidas e sem gente, por sedes de concelho onde, a espaços, vejo um ou outro jovem. O mais extraordinário é constatar, sem esforço, nem favor, que este interior nada tem a ver com a raia miserável dos anos 50 e 60. Que há infraestruturas de qualidade e prontas a funcionar. Sítios como Trancoso, Redondo, Celorico da Beira, Nisa, Sabugal, Penamacor estão bem arranjados e são muito agradáveis. Assim vazios, parecem um salão de festas à espera que os convidados apareçam. Para onde foi toda a gente?, pergunto-me, temendo saber a resposta.
As estradas que percorro são as da angústia. Não há gente, porque o Poder Central abandonou vastas faixas do território à sua sorte. Quando vêm inaugurar feiras – este ano, nem isso... – lá vem a revoada de banalidades elogiosas aos autarcas, ao esforço das populações, à autenticidade do país real. “It kills me”, como dizia o personagem de “Catcher in the rye”, quando elogiam a autenticidade. Parece que estão em visita a uma reserva de criaturas exóticas.
Há 20 anos prometiam-se benesses a quem fosse viver para o tal interior. Não deu em nada. Duas décadas volvidas criou-se uma fantasia, simpática e inofensiva, chamada “Unidade de Missão para a Valorização do Interior”. Não deu em nada, nem dará em nada. Por uma razão simples. Lisboa e Porto elegem 98 deputados. Beja, Évora, Portalegre, Guarda e Viseu elegem, em conjunto, 19 deputados. Somos uma aposta curta. Temos o Património e o Turismo. E isso é pouco.
Entretanto, fecham escolas, postos de correios, quartéis da GNR, num desinvestimento global e programado. De forma discreta, vai-se passando a mensagem que a batalha está perdida. Não está, assim nós queiramos fazer o contrário. Para baralhar, há presidentes de câmara que nos querem convencer que a devolução da taxa variável do IRS, ou a simpatias para com os recém-nascidos, são um estímulo à atração da população. Não atraem coisa nenhuma.
Falta-nos e falha-nos o Estado. Agora mais que nunca. “¡Pobre México, tan lejos de Dios y tan cerca de Estados Unidos!”, dizia o presidente Porfirio Díaz (1830-1915). Penso muitas vezes nestas palavras. Estamos perto de Lisboa, cada vez mais perto. As viagens são cada vez mais curtas. O resto, todo o resto, é um abismo que cresce.

Crónica em "A Planície"

sábado, 27 de junho de 2020

VAMOS VER O POVO, VAMOS VER O POVO...

"Ser rico deve ser uma coisa porreira...", disse aquele meu amigo, bem mais velho que eu, e soltou uma sonora gargalhada. Estávamos em casa dele, na Lapa, e na televisão passava um documentário sobre a rodagem do "Apocalypse now". Francis Ford Coppolla, deus ex machina, regia aquele exército num jeito barroco. Os meios eram impressionantes. A cena dos helicópteros foi filmada em tempo real, e sem recurso a computadores. Uma coisa de ricos.

Lembrei-me muitas vezes deste episódio, nos últimos três meses. A diferença entre uns e outros está bem espelhada naquele que é um dos palcos evidentes da diferenciação social: os transportes públicos. O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, deixou isso bem claro numa entrevista à Antena Um, a meio da semana. Há mais casos naqueles concelhos - Amadora, Loures, Odivelas etc. - precisamente porque são os sítios onde as pessoas mais usam os transportes públicos e onde não têm alternativas Têm mesmo de ir trabalhar e têm de ir assim. A todos ocorre "ser rico deve ser uma coisa porreira...". É esse o teor, com nuances, de muitas conversas que ouço nos transportes públicos.

As fantasias ambientais que se propagandeiam, as ideias dos transportes limpos, baratos e eficazes, são boas para abrir telejornais e para as páginas da imprensa dominada pelas classes A e B. A realidade, e essa eu conheço bem!, é outra. A outra realidade é a do povo. Que uma certa classe política - não o PCP, que esse está sempre onde está o povo - frequenta, com curiosidade de zoo.



Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está. 


Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006) in Nobilíssima Visão (1959)

sábado, 20 de junho de 2020

UM POUCO DISCRETO CONVITE À REBALDARIA

Escreve Daniel Oliveira no Expresso:

"A paciência acabou esta semana, quando se confirmou que entidades sediadas ou com filiais em paraísos fiscais fora da UE podem concorrer sem qualquer restrição aos apoios extraordinários do Governo. Fogem a pagar os impostos cá, mas têm direito a usar os impostos dos de cá. Com prioridade sobre muitos cidadãos desesperados. 
As perdas fiscais de milhares de milhões anuais não são uma fatalidade, resultam de cumplicidade. Com assinatura: PS, PSD, CDS e IL. E a conveniente ausência do Chega. Fossem uns tostões para beneficiários do RSI e Ventura gritaria presente. Já para aborrecer quem lhe paga...".

É raro que esteja tão de acordo com Daniel Oliveira como hoje. A verdade é que só o PCP, os Verdes, o Livre e o BE estiveram contra esta inacreditável medida. Os nossos impostos vão financiar quem foge aos impostos. Nem o D. Corleone se lembraria de tal coisa.

sábado, 13 de junho de 2020

BRAXTON RUTLEDGE

Passou, há dois dias, num daqueles canais que raramente passam grandes filmes. Sergeant Rutledge (1960), não é um dos melhores John Ford. Os diálogos são piores-que-o-Deus-me-acuda... O remate é quase pueril. Mas o fundo do argumento (a cor de um homem enquanto justificação para atribuir um crime) está mais que atual, 60 anos volvidos. Não duvido que este filme tenha tido grande impacto, social e político, no seu tempo. Que continue tão atual é motivo de preocupação.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

CONTOS DA LOUCURA NORMAL - VERSÃO PATRIMÓNIO

Das duas, uma:

Ou isto foi obra de um brincalhão (fiquei com essa suspeita ao ler século XXVI);
Ou então, estamos muito pior do que se podia imaginar...

QUANDO OS JORNALISTAS QUEREM SER MINISTROS E JUÍZES...

Assisti, no outro dia, a um entrevista a quatro importantes decisores da área financeira. Foi num canal televisivo. Não consigo explicar devidamente o meu espanto. O jornalista tratava os seus interlocutores de igual para igual. Não é que não tivesse de colocar questões incómodas. Era essa a sua missão e até colocou algumas. O que me deixou siderado foi a atitude. De igual-para-igual, numa de "sei tanto quanto tu sabes". Arrogância, pesporrência e magistério. Que, noutra vertente, descamba para o jornalismo justiceiro. Que dá para tudo, numa pesquisa de lixo.

Muitos estão ao serviço de poderes paralelos. Um dos melhores exemplos foi lambe-botismo de tantos no ataque ao PCP e à Festa do "Avante!". E na promoção de um político fascista que, sem a ajuda dos media, teria o silêncio que merece.

Precisamos de um jornalismo forte, atento, qualificado e independente? Sem dúvida. Outra coisa, bem diferente, é que alguns jornalistas se queiram substituir ao Governo e à Justiça. Em nome sabe-se lá de quê.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

A CAIXA DE PANDORA DA ESTUPIDEZ

Claro, era inevitável que acontecesse. Depois das estátuas, vêm os filmes. "E tudo o vento levou" foi retirado de um catálogo porque o racismo blablabla. Depois, virão os quadros e as esculturas. Etc. É um nunca mais acabar. Como é que se explica à trupe de fanáticos que não é apagando a História que ela se explica? Como é que se clarifica que o racismo de "E tudo o vento levou" - por favor, não lhes mostrem "O nascimento de uma nação", de Griffitth, que é do piorio... - não deve ser ocultado, mas sim mostrado uma vez e outra?

Hoje é Dia de Camões. Que era poeta e tinha um escravo negro. E agora? Queimamos os sonetos?

quarta-feira, 27 de maio de 2020

LIBERTY AND JUSTICE FOR ALL

É assim que termina o Pledge of Allegiance, não é?
O que quererão aquelas palavras dizer?
Como é que possível que se repitam coisas como as que aconteceram em Minneapolis?

domingo, 24 de maio de 2020

DOIS BRASIS

O país de gente como Nelson Motta (veja-se a crónica que assinou em "O globo" e que anda por aí a circular) é, também o país de uma criatura inenarrável que ocupa, sabe Deus como, a presidência do Brasil. Assessorado por indivíduos como Ricardo Salles e Abraham Weintraub. O vídeo que mais abaixo se inclui parece uma reunião mafiosa...


ELES E NÓS - Nelson Motta, no Globo.
A piada da vez somos nós, e não Portugal. No domingo vi uma foto do presidente da República de Portugal, o professor e jornalista Marcelo Rebelo de Sousa, de bermudão, esperando na fila de um supermercado em Lisboa, de máscara, guardando a distância regulamentar e respeitando a fila. Nenhum segurança à vista. Um conservador muito educado e cordial, Marcelo tem 86% de apoio e confiança da população. Deu muita inveja.Com 29 912 infectados e 1277 mortos, Portugal está entre os países de menores índices de mortalidade por um milhão de habitantes no mundo. Um terço da Suécia, que tem a mesma população. É apavorante comparar ao Brasil, ainda em acelerada curva ascendente, porque temos 20 vezes mais habitantes do que Portugal, testamos 20 vezes menos e estamos fazendo o contrário do que eles fizeram. Lá eles já estão saindo do isolamento, enquanto aqui o pior está só começando e o antagonismo político, chamado de guerra por Bolsonaro, comanda o espetáculo macabro. Em Portugal, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa, socialista, fizeram a coisa certa na hora certa, guiados pela Ciência: direitistas, socialistas, comunistas e anarquistas se uniram para manter a população em casa e combater o inimigo de todos. Por isso Portugal é um dos primeiros países a sair do isolamento e retomar com segurança as atividades dentro do “novo normal”. Não foi graças à cloroquina ou qualquer droga milagrosa, mas ao isolamento social e à eficiência do sistema público de saúde. E à disciplina da população.
Tudo isso faz lembrar as velhas “piadas de português”, que naturalmente eram replicadas pelas “piadas de brasileiro” em Portugal, em que o mote é sempre a burrice e a estupidez, mas hoje se vê que a piada da vez somos nós. Chegamos ao ponto de desejar o que Chico Buarque e Ruy Guerra lançaram como uma maldição, no tempo da ditadura e do salazarismo:
“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.”
Quem dera, Chico, quem dera.


quarta-feira, 20 de maio de 2020

PRO MEMORIA

O Estado é aquela entidade, só aparentemente abstrata, na qual muitos gostam de bater desalmadamente. E que, por vezes, parece ser uma coutada dos ricos e poderosos. Uma tradição antiga e que a República apenas reformatou.

Ontem, o Governo da República passou a números concretos o apoio aos grandes grupos de comunicação social. O orçamento da Cultura vai, em grande parte, para a RTP. O Património Cultural, que é parte decisiva da nossa memória coletiva, as bibliotecas, o apoio à criação não têm tanta atenção. Veja-se o valor de apoio às Artes, que é pouco superior ao que cabe à IMPRESA. Aguarda-se, com impaciência, o que tem a dizer José Gomes Ferreira.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

OS MUSEUS, NO SEU DIA

Mais baralhado não se pode estar. Justamente os museus, que foram formados para terem público, agora não o podem ter. Ou podem, mas com muitas limitações. As exposições temporárias vão ser repensadas? Decerto que sim. Mas a visita às exposições, os momentos de contemplação e de reflexão não se compadecem com um mundo só virtual.

Voltamos, uma vez e outra, à raíz das coisas. É preciso conservar, inventariar, comunicar, dar a a conhecer e participar na vida dos sítios. O dia tem sido fértil em encontros e debates. De manhã, um promovido pela Fundação Gulbenkian; ao fim do dia, haverá outro (com limite de presenças), organizado por ICOM.

Durante este mês haverá concursos para os lugares de direção nos museus. Um momento importante, que deverá ter seguimento com medidas de fundo.

Memória da primeira exposição que organizei - Moura na época romana (1987)
Com a ajuda e a generosidade inesquecíveis de Rogério Ribeiro