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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DUARTE DARMAS - O SITE E OS APOIOS


Aos poucos, o projeto (promovido pela MULTICULTI, e do qual sou autor) toma forma. O site agora tem o formato definido, com as cinco secções que o compõem. Dos 20 castelos, estão registados 13 (até final do mês de agosto essa tarefa estará terminada).

Para já, está aberta a secção onde se reproduzem as imagens desses 20 castelos, segundo foram vistas por Duarte Darmas, há cerca de 500 anos. Quais são os sítios abrangidos?

Alandroal
Alpalhão (Nisa)
Arronches
Assumar (Monforte)
Campo Maior
Castelo de Vide
Elvas
Juromenha (Alandroal)
Mértola
Monforte
Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
Montalvão (Nisa)
Moura
Mourão
Nisa
Noudar (Barrancos)
Olivença
Ouguela (Campo Maior)
Serpa
Terena (Alandroal)

O site tem também uma secção consagrada aos apoios. Ou seja, às entidades que tornaram possível este projeto e a quem é devido reconhecimento e agradecimento:

Apoios financeiros
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo
Caixa Geral de Depósitos
Turismo de Portugal
Direção Regional de Cultura do Alentejo
Continente
Cafés Delta
Câmara Municipal de Barrancos
Câmara Municipal de Campo Maior
Câmara Municipal de Castelo de Vide
Câmara Municipal de Elvas
Câmara Municipal de Mértola
Câmara Municipal de Mourão
Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
Câmara Municipal de Serpa

Parcerias institucionais
Arquivo Nacional da Torre do Tombo / DGLAB
Turismo do Alentejo / ERT
Resialentejo
  

domingo, 7 de junho de 2020

TODA A CRIATIVIDADE DA TOPONÍMIA

Sempre gostei de registar toponímia criativa. Tenho apanhado de tudo um pouco. Ontem à noite, foi a vez deste nome. RUA DA CASINHA DO CONSUMO? É todo um leque de especulativas possibilidades que se se abrem. Não há ali nenhum supermercado, em todo o caso.


sábado, 30 de maio de 2020

INVESTIMENTO PÚBLICO NA ANTIGUIDADE TARDIA

Um livro em preparação (o quinto de 2020, um impresso, dois já maquetados, um em fase de maquetagem e não se consegue terminar nada a 100% "derivado" ao covid...) levou-me a sair para o terreno para testar ângulos de imagens e possibilidades de trabalho. A NIKON D70, do alto dos seus 17 anos, deu excelente conta do recado. A lente não é extraordinária, mas também é nenhuma sucata.

O primeiro "ponto de ataque" foi a torre do rio, em Mértola. É um dos cerca de 40 ou 50 locais a registar. Questão: como evoluem e como desaparecem os sítios e os seus ícones ao longo dos séculos?

A torre é uma estrutura monumental, datada do século V ou do século VI, que se destinava a controlar a entrada na vila. O espavento desta obra, contemporânea do criptopórtico, dos mosaicos e da basílica do Rossio do Carmo só pode ser explicada pela apropriação dos meios do produção por parte de uma elite local. Os recursos da região foram transformados em investimento público. Ou seja, quando uma autarquia é, também, autarcia.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

ARQUEOLOGIA E POLÍTICA - DA TEORIA À PRÁTICA

A conversa de arqueólogos não será só sobre Moura. Mas é evidente que o percurso arqueológico (de 1989 até hoje) e o político (1993-2017) serão a parte principal do que se vai falar. Como se fez, porque se fez, como se financiou, porque se optou daquela forma e não de outra.

Porque é que a reabilitação urbana tem de ser parte central de uma atuação? E não só ao domínio patrimonial me refiro.

Logo, às 19 horas (18 h nos Açores), no facebook:
https://www.facebook.com/FundacaoSousaDOliveira

sexta-feira, 17 de abril de 2020

MURALHAS DE MOURA NA NET: DOMINGO, ÀS 17 HORAS

Onde ficavam as muralhas de Moura, construídas pouco depois de 1650?
O que é que delas resta?
Onde ficavam as portas da muralha?
O que é muralha e o que não é?
Porque é que se chama Brecha da Jardim a um dos locais da nossa terra?
É em volta desses temas que terá lugar a nossa conversa de domingo, dia 19. Às 17 horas, como de costume.

Via zoom em:
https://us04web.zoom.us/j/73659346650?pwd=dHFqb2h0cUhrampNc29MUHQ0S3Zodz09

Imagem - Daniel K

segunda-feira, 13 de abril de 2020

PATRIMÓNIO DE MOURA - 2º. TEMA

Segunda de quatro conversas sobre Património Cultural. Ontem, foi a vez da Mouraria. Vídeo disponível em:
https://www.facebook.com/santiago.macias.58/videos/10217722009183744/



Representação do bairro na planta de Nicolau de Langres,
de meados do século XVII.
A verde - o que se conservou, até hoje.
A rosa - os quarteirões sacrificados, para dar lugar à construção da Muralha Nova.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

MOURARIA DE MOURA NA NET: DOMINGO ÀS 17 HORAS

Domingo será tempo para falar um pouco da Mouraria, às 17 horas em ponto. Via zoom, que é o que pode ser...

Como nasceu o bairro? Quem lá vivia? Que evolução teve?

Aqui fica o link:
https://us04web.zoom.us/j/983705345?pwd=LzlUSjZEUDR1THpNMHNTam5LRXp6UT09

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

NÃO É MARQUÊS DE POMBAL QUEM QUER

Ao fim de todo este tempo, ainda não percebi, e sem ponta de ironia o digo, qual a agenda e o caminho do Ministro do Ambiente. O discurso é, com frequência, errático e disparatado. A última ideia apresentada, defendendo a mudança de aldeias de sítio, é o exemplo acabado da sobranceria urbana. Muito antes de se emitirem juízos de valor sobre a localização de aldeias nas margens do Mondego, haveria que reequacionar a localização da maior parte das urbanizações à volta de Lisboa. O que aconteceu em 1967 e, em menor grau, em 1983, não foi fruto do acaso. As inundações cíclicas nas baixas do Porto, de Águeda ou de Albufeira ainda não levaram a que se equacionasse um mudança de sítio de qualquer dessas cidades. Que há erros de planeamento acumulados é coisa de que não se duvida. Que sejam os aldeãos das margens do Mondego a pagar as favas é que não me parece lá muito justo.

Registei também, com grande interesse, a celeridade do governo em reparar os diques e repor a situação antes existente. Não tivemos a mesma fortuna, no Sobral da Adiça. A obra ficou, toda ela, a cargo da Câmara de Moura. Um processo marcante e que (me) deixou fundas cicatrizes.

João Matos Fernandes, um especialista em transportes, vai fazer tudo o que se propôs? Da reparação dos diques, falaremos daqui a dois meses. Quanto à mudança das aldeias, é pouco provável que aconteça. Afinal, não é Marquês de Pombal quem quer.

Obra de  Louis-Michel Van Loo (1705–1771) e de Claude Joseph Vernet (1714–1789).
Está na Câmara Municipal de Oeiras

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

REGRESSO AO GEAEM, 35 ANOS VOLVIDOS

Não foi bem um regresso. Precisava consultar plantas do século XVIII no Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar. Uma fantástico arquivo, preservado com rigor castrense. Já não me lembro como lá cheguei, no início de 1984. Mas as plantas de Lippe, de Miguel Luiz Jacob e de outros foram-me utilíssimas nos estudos sobre urbanismo.

Ontem, enviei um mail pedido a disponibilização de um nutrido conjunto de plantas de várias fortificações, para uma investigação na fase V2, para usar o jargão aeronáutico. Esperava eu que me marcassem um dia para ir ao local, o Palácio Lavradio, no Campo de Santa Clara. Em tempos era assim, com o diretor, um coronel muito idoso (assim me parecia, mas devia ter pouco mais anos do que eu tenho agora) a atender-nos.

Não tive tempo sequer de apanhar o 12. Recebi um mail a dar duas opções: ou usava a imagem digitalizada que o site disponibiliza ou pedia, em formulário próprio (que me facultaram), as plantas com maior resolução. Aguardo agora o envio. Não devo chegar a apanhar o 12.

O outono corre assim, morno e manso. Como o outono e as codornizes de Sakai Hōitsu.

Para ver plantas de fortalezas:

terça-feira, 10 de setembro de 2019

MEMÓRIA DA FALAGUEIRA E AS SAUDADES DE SALAZAR...

A imagem de cima é do fotógrafo Alfredo Cunha. Data de 1974. Não tenho forma de saber onde foi feita a fotografia. Mas junto à Estrada da Falagueira, em torno do curso de água que vem do norte, da Serra da Mina, as coisas ainda eram assim em 1983/1984. O autocarro que apanhava em Queluz, em direção a Sete Rios, circundava o largo e seguia, em direção à Venda Nova. Tenho presente, com toda a nitidez, a imagem das barracas amontoadas sobre a ribeira, a mistura de água e de esgoto, o ar mais que precário de tudo aquilo. Tal como tenho presente o que sempre me ocorria, quando via os moradores, a certeza de que com uma enxurrada como a de 1967, muita gente morreria.

O largo tem, hoje, o aspeto que a imagem de baixo mostra. Quase basta isso para explicar a diferença entre o salazarofascismo e a democracia. Entre o antes e o depois do 25 de abril de 1974. Há gente que insiste em não perceber coisas básicas. Vamos ter de insistir na explicação. Uma vez e outra.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 9/13

A experiência que tive, como vereador na área do urbanismo e dos fundos comunitários, foi das mais interessantes por que passei, a nível profissional. O desafio era grande - executar os projetos com financiamento comunitário - e não admitia falhas. Implicou a mobilização de vários executivos camarários, num verdadeiro trabalho de equipa.

Ainda hoje ouço a voz de uma técnica da Câmara de Moura, que insistia repetidamente "o que nos está a pedir é impossível". E lá vinha com uma catadupa de fluxogramas e de termos de referência. Não era assim, e não só foi possível, como fomos mais além, recuperando verbas em overbooking. Facto muito criticado, dentro e fora de portas, recorremos a equipas exteriores para a execução de projetos e para a fiscalização de obras. O resultado foi, globalmente, muito positivo. Dele se deu conta, numa publicação de síntese, editada em 2013. Um antes e um depois do que se concretizou. Muito para além de protocolos e acordos assinados, bem entendido. Uma reflexão desses anos verá a luz do dia em 2020.

Download em:
http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/Moura_Regeneracao_Urbana_2013.pdf


A complementar com:
http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/revista_12_2015.pdf

http://santiagomacias.org/AUTARQUIA/revista_08_2017.pdf


Moura - parcerias para a regeneração urbana
Autores: Santiago Macias, José Maria Pós-de-Mina, Célia Gomes, Vanda Fialho e Maria de Jesus Mendes
Formato - 27 x 21
Nº de páginas - 64
Ano de edição - 2013
Classificação CDU - 711.5(469.521)

domingo, 12 de maio de 2019

REN

Foi no Alentejo, há uns anos. O senhor que me recebia mostrava-me as marcas bem evidentes do seu sucesso. Às tantas, exibiu um pequena tira de terreno, que fazia as vezes de local de aterragem para ultra-leves. Intrigado, e tendo em conta onde estávamos, perguntei "isto aqui não é REN (reserva ecológica nacional)?", ao que ele respondeu, com ar de triunfo, "não, isto aqui é meu".

A nossa relação com as normas não é fácil. Uma fotografia posta a circular nas redes sociais mostra um edifício plantado em cima de uma igreja. Gera-se um enorme clamor. Há uma torrente de piadas fustigando a autarquia. Nunca tinha visto as imagens antes. A única coisa que me surpreendeu é que só agora o assunto tenha vindo a lume. A construção que está, literalmente, em cima da igreja data dos anos 60 ou 70 do século XX...

Coisas destas acontecem? Sim, no Mediterrâneo até acontecem com frequência.


Agia Dynami (Atenas)

quinta-feira, 11 de abril de 2019

LISBOA ROMANA ACIMA

Passagem vespertina pelo Teatro Romano. Arranca o projeto Lisboa Romana. Passa-me ao lado, tecnicamente falando. Mas nele participa um conjunto de colegas e de amigos por quem tenho grande consideração e respeito. O programa é amplo e prolonga-se por vários anos. Irei acompanhando, com todo o entusiasmo.

Do telhado da Sé vê-se o teatro. A ideia da cidade-matrioska ganha daqui ainda mais sentido. Sobreposições e mais sobreposições. Olhamos para baixo. A cidade islâmica está a 10 metros. A Idade do Ferro a uns 15. A topografia medieval não existe refletida nos dias de hoje. Por muito que gostemos de imaginar que sim.



domingo, 20 de janeiro de 2019

TODA A POESIA DE UM ABRIGO DE CONTENTORES EM ÁGUEDA

De Stijl lusitano? Um Vantongerloo em Barrô? Não, mas a espontaneidade tem destas coisas.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXIII

Os bairros funcionavam como pequenas aldeias. No nº. 7 da Rua Vicente Borga, a escassos 130 metros do meu local de trabalho, perdura esta fachada. Foi, e já não é, a Fábrica de pão de Francisco Lourenço. É uma casa de habitação. Da antiga função nada resta, a não ser esta memória. Dentro de menos de cinco meses, deixaremos o bairro. Que é cada vez menos bairro (ainda há senhoras idosas e isoladas, mas cada vez menos) e cada vez mais alojamento local. E, palavrão horrível, gentrificação.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

URBANISMO ÁRABE

Post a partir da leitura da Visão online.

É um dos meus disparates favoritos. Refiro-me à classificação dos traçados desordenados, ou não retilíneos, como característicos de um urbanismo árabe ou muçulmano. Que não são coisas equivalentes, mas quando dá para a asneira, vale tudo...

A ausência de um poder com capacidade de imposição ou sem resposta para as necessidades das populações tem este resultado. Ou seja, o improviso, o secretismo, o sentido da auto-defesa. Dois exemplos, um hard, outro soft. Nenhum é árabe ou muçulmano: Port-au-Prince e a Cova da Moura.


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

CASBAH DE ARGEL - UMA PROPOSTA DE "REVITALIZAÇÃO"...

Reproduzo mais abaixo, na íntegra, o texto publicado no L'Humanité de 20 de dezembro passado. O ataque ao bairro histórico de Argel é feito à descarada. Em Portugal, bastou a seráfica Cristas para, com beneplácitos municipais, intensificar um processo de gentrificação que transforma as cidades em cenários para usufruto burguês. Se bem se conhecem os antecedentes de luta de Argel, aquilo vai acabar mal. A intervenção francesa é o mais acabado exemplo de neo-colonialismo, com a benção das autoridades locais. Não vai ser nada pacífico. E os da "revitalização" não levarão a deles avante. Felizmente.

Ler - https://www.humanite.fr/casbah-dalger-lettre-ouverte-jean-nouvel-665443



Cher Jean Nouvel,
Le 6 mars 1999, il y a bientôt vingt ans, vous titriez “Boulogne assassine Billancourt” dans les colonnes du Monde; un texte courageux s’indignant avec force de la destruction programmée (et désormais réalisée) du patrimoine historique ouvrier que représentait “le paquebot” de l’Île Seguin dans la proche banlieue de Paris.
Nous débutons cette lettre ouverte en mentionnant ce texte car c’est à la personne qui a écrit celui-ci que nous souhaitons nous adresser. Ce lundi 17 décembre, nous sommes beaucoup à avoir été choqués en apprenant qu’une convention tripartite avait été signée entre la Wilaya d’Alger, la région Île-de-France et vos ateliers afin de, nous dit-on, “revitaliser” la Casbah d’Alger — étymologiquement, “revitaliser” implique redonner de la vie, ce qui nous permet de nous demander si la vie, pourtant vibrante, qui caractérise aujourd’hui les rues sinueuses de ce quartier n’est pas digne d’être considérée comme telle.
La Casbah d’Alger, pour nous, bien avant d’appartenir à l’humanité — celle dont on nous dit qu’elle possède un patrimoine mondial — appartient d’abord à ses habitants, qu’ils possèdent un titre de propriété ou non, ensuite aux Algériens dont la lutte révolutionnaire contre le colonialisme français a régulièrement pris appui sur sa capitale et en particulier, sa Casbah, et enfin aux militants anti-coloniaux de l’Afrique, du Sud Global, mais aussi du Nord, tant la Casbah par son urbanisme et son architecture incarne un symbole puissant des luttes de ceux et celles qui ne peuvent mettre à profit que leur passion et leur environnement face aux forces asymétriques que leur opposent les armées et polices coloniales.
La Casbah, les français l’ont déjà partiellement détruite trois fois. Suivant l’invasion de la Régence d’Alger en 1830, les officiers coloniaux avaient déjà bien compris le danger potentiel de son urbanisme insurrectionnel; ils ont ainsi ordonné la destruction de toute la partie basse de la ville, privant ainsi la Casbah de son accès à la mer. Plus tard, les autorités coloniales y construiront des immeubles haussmanniens, reprenant les tactiques urbanistes contre-insurrectionnelles déjà appliquées à Paris et Marseille. A la fin des années 1930, lorsque les autorités coloniales ont fait “la guerre aux taudis” et ont ainsi détruit le quartier de la Marine. Entre 1956 et 1957, c’est toujours au sein de la Casbah que la fameuse “bataille d’Alger” trouve son paroxysme. Dans la nuit du 10 août 1956, des terroristes français y placent une bombe rue de Thèbes qui détruit plusieurs immeubles et tue 80 habitants. Le 8 octobre 1957, ce sont les parachutistes français qui, après avoir étouffé ce quartier de la ville pendant un an, dynamitent la maison où se sont réfugiés les derniers survivants du FLN à Alger: Hassiba Ben Bouali, Zohra Drif, Ali Ammar dit Ali la Pointe, Petit Omar et Yacef Saâdi. Comme vous l’avez peut-être vue durant votre courte visite, cette maison a été laissée telle quelle ces six dernières décennies afin d’en faire un mémorial, un mémorial sans architecte.
Toute modification de la Casbah qui ne viendrait pas directement de ses habitant·e·s doit ainsi faire preuve d’une connaissance et d’un respect sans faille de son passé et de son présent, bien au delà des instructions que la Wilaya d’Alger puisse elle-même fournir ou comprendre. Des projets qui n’auraient pas à coeur de servir en premier lieu ses habitant·e·s ainsi que le legs historique, politique et culturel de cette ville dans la ville, et qui leur préféreraient des ambitions touristiques ou financières ne sont pas dignes de ce lieu de vie et d’histoire. L’annonce de projets culturels notamment, alors que de nombreuses habitations ne sont pas étanches et que l’évacuation d’eau du quartier constitue aujourd’hui l’un des problèmes majeurs du quartier, nous semble par exemple particulièrement problématique et là encore, déconnectée des préoccupations quotidiennes des habitants. De même, le déblocage d’un budget stupéfiant pour financer cette étude ne peut que contraster avec le peu de moyens criant que le tissu associatif de la Casbah affronte au jour le jour dans ses initiatives.
Aujourd’hui, nous apprenons donc que vous collaborez avec Valérie Pécresse la Présidente de la Région Île-de-France. Devons-nous vous rappeler que les décisions de celle-ci pèsent chaque jour un peu plus sur les résident·e·s précarisé·e·s de la métropole parisienne qui, pour beaucoup, sont des personnes ayant (directement ou par l’intermédiaire de leur histoire familiale) souffert du colonialisme français, en particulier celui-ci qui sévit pendant 132 ans en Algérie? Celle qui, en plus de ses politiques inégalitaires, n’hésite pas à se joindre à une foule islamophobe qui agressent les fidèles musulmans de Clichy lorsque ceux-ci prient dans la rue pour protester contre la transformation de leur salle de prière en bibliothèque par la municipalité (novembre 2017). Celle qui n’hésite pas non-plus à déclarer qu’elle serait favorable à une loi visant à doubler les peines de prisons pour des faits commis dans certains quartiers populaires, au mépris de toute constitutionnalité (octobre 2018). Nous vous laissons apprécier le lien que de telles actions et discours peuvent avoir avec l’histoire coloniale française et sa continuation sous d’autres formes.
La décision qu’a prise la Wilaya d’Alger de “revitaliser” la Casbah, est la sienne, et nous laissons le soin à nos amis en Algérie de combattre celle-ci si ils le pensent nécessaire; là n’est pas notre rôle. Nous, architectes, historiennes, electriciennes, agentes d’entretien, universitaires, artistes, et autres militantes internationaux, pour qui la Casbah continue de représenter l’un des symboles les plus forts d’une architecture révolutionnaire, nous faisons appel à votre conscience politique afin que vous renonciez à ce projet. N’acceptez pas d’être complice d’une quatrième vague de transformation brutale française de la Casbah. Tout architecte se doit d’être complètement responsable des conditions et conséquences politiques des projets qu’iel accepte; toute position qui ferait de lui ou d’elle une simple exécutant·e constituerait une insulte à sa fonction et à sa capacité d’agir. Parfois, cette capacité d’agir politiquement se situe au sein de la conception du projet elle-même; à d’autres moments, elle se trouve plutôt dans le refus ou la renonciation à ce même projet. C’est le cas ici et vous avez ce pouvoir.
Nous vous demandons donc: désistez-vous et recommandez à la Wilaya d’Alger certain·e·s de vos confrères·soeurs algérois·es qui sauront problématiser ce projet de manière à préserver la Casbah et ce que celle-ci signifie, plutôt que de la contrôler, la modifier et la gentrifier.
Nous vous remercions de nous avoir lus et espérons que vous nous avez également entendus.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

MANUAL DE DESTRUIÇÃO

É das piores coisas que nos podem acontecer. Nada mais dramático que a sensação de impotência ante desmandos legais. A cidade de Coimbra parece detestar o seu património. Já não bastava a chacina da Cidade Alta. Agora é na área ribeirinha.

Um trabalho final do curso de doutoramento, que ontem tive de arguir, na Universidade Nova, deu-me a dimensão de uma operação urbanística, que simboliza a mais acabada vaidade autárquica. Aspeto positivo, o trabalho de investigação da candidata é de grande qualidade e promete dar origem a uma tese de alto nível. Para o arguente, é sempre melhor assim...

De muito menos qualidade é a demolição de contornos haussmanianos. Um bota-abaixo com laivos de avanço em direção a qualquer sítio. O traço a vermelho dá nota da vergonha rasgada a estilete na Baixinha. Vai haver modernidade. E vias de circulação. Vai haver progresso. Olá se vai.


sábado, 27 de outubro de 2018

ALIÁS, É ASSIM DESDE 2009...

A Câmara Municipal de Moura presta apoio arqueológico a particulares? Sim, mas isso não começou agora. É assim desde 2009.

Convém explicar porquê. Até porque fui eu o responsável político por essa decisão. É que a realização de obras em áreas classificadas necessita ter acompanhamento arqueológico. O qual pode ser garantido por empresas que atuam nesse setor. Nenhuma delas tem equipas perto de Moura. Ou seja, a realização do acompanhamento arqueológico arriscava-se a agravar sobremaneira o custo da obra. Em certos casos, esse acompanhamento ficaria mesmo mais caro que a obra. Ora, isso não fazia sentido. Desde logo, porque se queremos fixar populações nos seus bairros de origem, há que criar condições para tal. E não fazer ao contrário, agravando o custo das intervenções.

Se bem o decidimos (a ideia teve apoio imediato do José Maria Pós-de-Mina e da restante vereação), melhor o fizemos. O processo foi posto em prática. Como detidamente explico no livro que escrevi.

Punch-line: um técnico da Câmara Municipal insinuou-me, em privado (por isso não posso revelar o nome), que esta iniciativa era ilegal, por traduzir uma forma de apoio a particulares não prevista na lei. Ou seja, estaríamos a financiar privados, de forma indireta. Tive vontade de desatar às gargalhadas, mas contive-me. Em tom cerimonioso, aconselhei-o a denunciar a autarquia junto das entidades competentes. Não sei se o fez.

Este "programa de apoio" continuou. Foi "redescoberto", ao fim de nove anos. Parece-me bem.


domingo, 12 de agosto de 2018

CASAS - UMA COM 4000 ANOS, OUTRA COM 800 ANOS

A tabuinha de cima representa a planta de uma casa em Ur, na Mesopotâmia (c. 2000 a.C.). Tem pátio central, certamente descoberto. E tem uma entrada que protege a intimidade da casa. Quem passa na rua não vê o pátio. Nos desenhos da escavação, de finais dos anos 20 do século passado, nota-se também que não há portas de casas em frente umas das outras. O princípio do at-tankib, que Ibn Sahnun legislaria muito mais tarde, está já ali presente. Eis o urbanismo mediterrânico, muito antes de ser teorizado.

Em baixo, temos dois desenhos do bairro islâmico de Mértola. Um deles é da mesopotâmica casa X. Foi construída há pouco mais de oito séculos. Foi destruída em meados do século XIII. Foi escavada há cerca de duas décadas.