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terça-feira, 1 de setembro de 2020

CAMINO VERDE

As sucessivas passagens pelo Minho (Alto e Baixo) evocam-me, sempre!, uma velha copla celebrizada por Antonio Molina. Por el camino verde, camino verde, que va a la ermita, é o que ouço, curva após curva, do Baião para Felgueiras, depois Penafiel, depois Gondomar. Sempre tudo verde.

Aqui fica um tema imortal (lembram-se o que "lhe fez" Herman José?), na interpretação de outro grande da música espanhola, Angelillo (1908-1973). Aqui no filme "Suspiros de Triana", de 1955. Não sei quem é vamp encostada ao piano, que faz lembrar vagamente Anna Magnani. A encenação é gira, a fazer lembrar o "foi você que pediu um Porto Ferreira?".

Hoje há mais camino verde.



sexta-feira, 28 de agosto de 2020

POESIA NA LOURINHÃ

Retomo o périplo arquitetónico. No meio dos projetos e das fachadas, há outro Portugal que surge. Mesmo a chegar à Lourinhã, encontro esta placa:










LENHA BATATA

PARA AGRIA E DOCE

LAREIRA


No verso lê-se:

BATATA LENHA

AGRIA E DOCE PARA

LAREIRA


Em tempos que já lá vão o Jornal de Letras publicava coisas assim. Os autores eram apresentados como novos valores da poesia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

HYDRA

Na televisão, passa uma série filmada em Corfu. Creio que é em Corfu, mas não me dei ao trabalho de confirmar. Recuo 14 anos e desemboco em Hydra e no Mosteiro do Profeta Elias, perto da cidade em linha reta, mas lá bem no alto.

Essa é uma memória de Hydra. As outras:

Que éramos bem mais novos (nós 43, a Luísa tinha 9, o Manuel ainda não chegara aos 13);

O porto;

Uma ilha sem carros;

Uma cidade que não é branca de postal turístico;

A árvore no meio da praça;

O restaurante Manolis, cuja dona nos atendia e depois recuava sem nos virar as costas, parecendo que deslizava sobre rodas;

A trovoada medonha que se abateu sobre a ilha;

Um poema de Sophia.

Há na manhã de Hydra uma claridade que é tua
Há nas coisas de Hydra uma concisão visual que é tua
Há nas coisas de Hydra a nitidez que penetra aquilo que é olhado por um deus
Aquilo que o olhar de um deus tornou impetuosamente presente -

Na manhã de Hydra
No café da praça em frente ao cais vi sobre as mesas
Uma disponibilidade transparente e nua
Que te pertence

O teu destino deveria ter passado neste porto
Onde tudo se torna impessoal e livre
Onde tudo é divino como convém ao real


Hydra, Julho de 1970


sexta-feira, 19 de junho de 2020

O DETALHE ESTÁ NO RADAR...

Para quem hoje usa o autocarro Lisboa-Paris na TAP (na Easy Jet nunca fiz este percurso e recuso-me a entrar na Ryanair) este menu do início dos anos 60 parece uma coisa de conto de fadas. Mas o pormenor mais divertido no menu é o solene aviso "Em Super Constellation com radar". Não fosse o viajante desconfiar que andavam às apalpadelas para encontrar o caminho.

Mas vale a pena ler a lista de iguarias. Parece um casamento.

Tal como vale a pena ver o blogue https://restosdecoleccao.blogspot.com


domingo, 24 de maio de 2020

MÚSICA GUINEENSE

É assim que me soa o crioulo, a uma toada musical. E é assim que arranca o livrinho:

Marjen di riu i un tapadu di tarafi. Marjen di riu i un linha ki ka kortadu. Tris ora dipus di ianda na iagu na metadi di tarafi, di seu fungulidu ku di mar fungulidu, barku tchiga Bulama. Na mar no ka na odja sidadi. No na odja son puntu, ku pekaduris manga del suma kakris na kabas.

Pensada em 2012, anunciada em abril de 2013, está perto do final esta saga teimosa sobre Bolama. Há dias, um escritor guineense, Geraldo Marinho Pina, enviou-me a tradução do texto. Vamos ao financiamento do que falta.

domingo, 3 de maio de 2020

LEPTIS MAGNA - ROLO 274, NEGATIVO 10


WHERE towers are crushed, and unforbidden weeds
O’er mutilated arches shed their seeds,
And temples, doomed to milder change, unfold
A new magnificence that vies with old,
Firm in its pristine majesty hath stood
A votive column, spared by fire and flood;

Não era bem a Coluna de Trajano, do poema de William Wordsworth, que ali estava. Antes parecia uma serpente, no meio das ervas de Leptis Magna, a meio daquela tarde, na primavera de 2008.

No meio das arrumações, procurei a origem da imagem que estava guardada no computador. Tinha quase a certeza que a tinha visto, e copiado, na net. Não era nada disso. Nem tudo é digital. Fui dar com o original nos negativos p/b: rolo 274, negativo 10.

Como estará Leptis Magna? Que terá acontecido em todos aqueles sítios?



sábado, 18 de abril de 2020

30º DIA

Ao 30º. dia de isolamento dia "voaram" umas centenas de CD, com duplicados e triplicados de relatórios. Mais umas dezenas de dossiês de trabalhos concluídos ou de temas que não retomarei.

Na parede do fundo do gabinete de trabalho, agora transitável e utilizável, há três fotografias, duas compradas em Tânger, uma no Cairo. Da loja na Rua Abd El-Khalik Tharwat para casa veio esta imagem:


Vi uma igual, há dias, à venda por 200 euros. Custa a crer, mas é assim que se faz especulação. Esta de Mértola não sai. Fotografia de Rudolf Franz Lehnert (1878-1948) e Ernst Heinrich Landrock (1878-1966).

quinta-feira, 5 de março de 2020

ENFIM, BOLAMA

Parecia uma história sem fim. O livro foi, sucessivamente, anunciado aqui no blogue em:

23.4.2013
12.8.2013
22.3.2015
25.5.2019

A rápida visita a Bolama aconteceu em 2012. O problema não foi a maqueta, nem as fotografias, mas sim o texto. Não gostei da primeira, nem da segunda, nem da terceira versão que tentei fazer. Às 23:08 de hoje ficou terminado o texto. Está muito perto do que gostaria de ter feito. Mas já não retomarei a caminhada. São 5 páginas de texto e 24 fotografias.

Como epígrafe usarei um excerto de Ibn Idhari al-Marrakushi:

“deixaram-no negro e desabitado como a superfície do deserto, tanto que o desconheceram os olhos e o habitaram os corvos”

Próximo passo? Financiar a impressão.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

DO CURDISTÃO PARA SILVES

Tenho-me lembrado muitas vezes, por estes dias, da pequena aldeia de Qalb Lozeh, no Curdistão sírio. Fui lá propositadamente por causa de uma majestosa basílica do século V. Que me deixou a certeza, final e irreversível, que o mundo oriental é outra realidade.

Uma fotografia de Qalb Lozeh será exposta, em novembro, em Silves. Um terra com um toque oriental, no extremo ocidente.

O que será feito da aldeia?
O que terá acontecido à basílica?
Onde andarão aquelas crianças, que terão agora 20 e poucos anos?




Eia, Abú Bacre, saúda os meus lares em Silves e pergunta-lhes
se, como penso, ainda se recordam de mim.

Saúda o Palácio das Varandas da parte de um donzel
que sente perpétua saudade daquele alcácer.

Ali moravam guerreiros como leões e brancas gazelas.
E em que belas selvas e em que belos covis!

Quantas noites passei divertindo-me à sua sombra
com mulheres de cadeiras opulentas e talhe fatigado,

brancas e morenas, que produziam na minha alma
o efeito das espadas refulgentes e das lanças obscuras!

Quantas noites passei, deliciosamente, junto a um recôncavo do rio
com uma donzela cuja pulseira rivalizava com a curva da corrente!

O tempo passava e ela servia-me o vinho do seu olhar
e outras vezes o do seu vaso e outras o da sua boca.

As cordas do seu alaúde, feridas pelo plectro, estremeciam-me
como se ouvisse a melodia das espadas nos tendões do colo inimigo.

Ao retirar o seu manto, descobriu o talhe, florescente ramo de salgueiro,
como se abre o botão para mostrar a flor.

Al-Mutâmide (1040-1095) e a sua Evocação de Silves. Um poema e a não menos poética tradução de António Borges Coelho.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

MARRAQUEXE EXPRESS

Ao procurar imagens para um projeto em desenvolvimento, fui dar com um conjunto de fotografias antigas de Marraquexe, ponto central do tema que nos ocupa. Ainda desabafei para o meu colega, e amigo há quase 40 anos, "ainda vamos ser acusados de promotores do exotismo ou de orientalistas filhos do pós-colonialismo, vais ver a barraca...". Embora não pareça, ele tem muito mais juízo que eu e não (me) ligou nenhuma. Há muitos anos (seis, para ser preciso) que não vou a Marraquexe. Mas a imagem perene será, sempre, a daquele setembro de 1981, quando alguns sítios da cidade se pareciam ainda um pouco com o cliché orientalista.

E, isso sim, lembro-me de irmos no autocarro, estrada fora, enquanto na minha cabeça soavam os Crosby, Stills and Nash:

Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
Would you know we're riding
On the Marrakesh Express
All on board that train


terça-feira, 20 de agosto de 2019

TRUJILLO

Não ia a Trujillo desde 1974. Ou, talvez, 1975. Só recordava, vagamente, a Plaza Mayor. Juraria que a estátua de Francisco Pizarro estava no centro. Afinal, não está. Também tinha a ideia de um sítio muito bonito. Uma recente passagem por Trujillo, sim é um bonito cenário, gerou a mesma sensação de desconforto que outras cidades me tinham provocado. Arrisco-me a ser defenestrado ao dizer que me asfixiam sítios como Úbeda ou Cáceres... Demasiados palácios, demasiados brasões, fachadas cegas, arquitetonicamente irrepreensíveis, mas mudas e opacas. Demasiada aristocracia, muitos marqueses. Falta gente, falta povo, sobra sobranceria. Podemos passar, mas não ficar.

Os palácios? Viraram boutique hotel ou alojamento de luxo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

BIBLIOGRAFIA MOURENSE - UM REGISTO PESSOAL: 7/13

Uma viagem a Bissau, no início de 2010, foi o pretexto para uma frenética recolha de imagens. As peripécias não foram poucas, durante os quatro ou cinco dias em que permaneci sozinho na cidade... O extraordinário interesse do sítio motivou o resto. Que se traduziu na proposta, ao presidente da câmara José Pós-de-Mina, para que se preparasse um pequeno livrinho, com umas dezenas de fotografias, a editar por ocasião da passagem por Moura do Eng. Armando Napoco, em maio desse ano.

A ideia de fazer uma edição bilingue esbarrou na dificuldade da tradução. Mesmo os colegas guineenses que falam o crioulo de forma corrente hesitam na forma de verter as palavras na sua forma escrita. Valeu-me o meu amigo Domingos Soares Semedo (Mingó), que convenceu a sua mulher, Odete Semedo (antiga Ministra da Educação), a fazer a tradução. O livro saiu mesmo. Aqui fica, em duas versões, o primeiro parágrafo do meu texto.


As cidades são um palimpsesto. As cidades escrevem-se no tempo e são a escrita do tempo. As cidades escrevem-se devagar, ao longo de séculos ou de milénios. Os séculos mudam-nas, apagam e reescrevem as suas páginas. Que são refeitas vezes sem conta. De dia e de noite, porque as cidades são, como as consoantes do alifato, solares e lunares. Os dias de Bissau e as noites de Moura fazem parte dessa escrita, que nem sempre é linear. E que nunca é silenciosa.


Prasas i suma ora ku bu na djubi rostu di fidju, ma bu na odja parsensa di rostu di si mame ku si papi. Sidadis o prasas e ta skirbidu na tempu, ma elis na se po di kurpu i kusa ku skirbidu. Prasa ta skirbidu divagarinhu, pikininu... pikininu, anu fora anu dentru. Anus ku ta muda sidadis, anus ku ta paga, i ta skirbi i torna skirbi mas na si fodjas. Si fodjas ta fasidu i torna fasidu, kantu bias ku ningin ka pudi kaba kontal. Prasas i suma letra di alfabetu, di dia e ta iardi suma sol, di noti e ta lumia suma lun’a. Dias di Bissau ku notis di Moura e fasi parti di e skrita; un skrita ku si kaminhu i ka di kumpridu. Ma tambi i ka di mukur-mukur.

Moura Bissau
Autores: Santiago Macias, José Pós-de-Mina e Armando Napoco
Formato - 16 x 16
Nº de páginas - 46
Ano de edição - 2010
Classificação CDU - 
77 Macías, Santiago
77(469)"19/20"
061.4(469)"2001


sábado, 27 de julho de 2019

REGRAS DE COMUNICAÇÃO

O propósito de um painel à porta de um estabelecimento é informar, certo?

Há caracóis.
Temos pneus novos e recauchutados.
Computadores a partir de xis euros.

Este portão é um naïve e eficaz meio de comunicação. Os serviços da oficina estão ali bem explicados. Menos, para mim, a parte da cama, que me parece meio enigmática.

Ainda existirá? A fotografia data de 2012 e foi feita em Bolama.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

STARDUST MEMORIES Nº. 28: HAWKER SIDDELEY HS 748

Faz hoje 30 anos. Nunca tinha ido a Cabo Verde e aproveitámos a hospitalidade da Maria João e do Carlos. A casa deles era num sítio chamado Terra Branca. Há poucos anos, voltei ao local e foi com dificuldade que reconheci o edifício, hoje rodeado pelo crescimento da cidade da Praia.

A Praia ainda não tinha aeroporto internacional. Isso obrigou-nos a uma razoável seca de sete ou oito horas no Sal. De Lisboa para o Sal o voo era feito pela TAP, num Airbus A 310, um modelo que a companhia não tem há muito. Do Sal para a Praia, os aviões eram estes: os Hawker Siddeley HS 748, um modelo que os TACV também já não têm ao serviço. Bom, a verdade é que 30 anos se passaram...

Nunca escrevi sobre essa viagem, que tantas e tão fundas marcas me deixou. Poderia começar pela viagem no Hawker, onde um trio de animados emigrantes, vindos de Portugal, se entretinha a contar anedotas em crioulo. Não conheço a língua, mas deu para perceber que algumas delas eram sobre alentejanos.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

1757 DIAS E 18.236 KMS. EM TRIÂNGULO ISÓSCELES

Un port est un séjour charmant pour une âme fatiguée des luttes de la vie. L’ampleur du ciel, l’architecture mobile des nuages, les colorations changeantes de la mer, le scintillement des phares, sont un prisme merveilleusement propre à amuser les yeux sans jamais les lasser. Les formes élancées des navires, au gréement compliqué, auxquels la houle imprime des oscillations harmonieuses, servent à entretenir dans l’âme le goût du rythme et de la beauté. Et puis, surtout, il y a une sorte de plaisir mystérieux et aristocratique pour celui qui n’a plus ni curiosité ni ambition, à contempler, couché dans le belvédère ou accoudé sur le môle, tous ces mouvements de ceux qui partent et de ceux qui reviennent, de ceux qui ont encore la force de vouloir, le désir de voyager ou de s’enrichir.


Le port, de Charles Baudelaire, para quem está de regresso.

domingo, 31 de março de 2019

REVIVENDO O PASSADO, EM ALMONASTER LA REAL

Ir a Paymogo era uma aventura. Hoje, são cerca de 70 quilómetros entre Moura e Paymogo. Em 1973, não era assim... Do Rosal ia-se até Cortegana, depois a Almonaster la Real, depois, serra dentro, até Valdelamusa. De seguida Cabezas Rubias, em direção a Puebla de Guzmán (onde o carocha amarelo fez, uma vez, sensação, comentavam uns miúdos "mira qué coche tan bonito...", que os VW eram uma raridade na Espanha franquista). Chegava-se a Paymogo depois de uns longos, lentos e penosos 170 quilómetros.

Ontem, a caminho de Aracena, decidi-me por um desvio a Almonaster. Há muito tempo que não visitava a mesquita. Resolvi fotografar o mihrab, para um livro em fase final de produção. Já tenho fotografias de sobra, "pero nunca se sabe..."

De Almonaster tenho sempre presentes as recordações das árvores ao longo da estrada, do ar fresck da serra, do castillo e da placa toponímica. Que teve, até final da década de 70, o símbolo da falange, bem visível à entrada "del pueblo".

Aracena continua bonita, Almonaster está no seu sossego serrano. A falange é, deo gratias, uma recordação mais que arqueológica.


sexta-feira, 15 de março de 2019

MOPTI

Há sítios inspiradores. Mopti foi um desses sítios. Em pouco mais de duas horas, fiz algumas das fotografias de que mais gostei. Não necessariamente as melhores, nem sequer boas fotografias, com toda a probabilidade. Longe da dureza urbana de Bamako, e da poluição de Bamako, o que ficou de Mopti foi o rumor das vozes das pessoas, ao longo das ruas. E a mesquita. E os homens sentados ao longo dos muros da mesquita. À espera não se sabe bem de quê. Do sítio onde estou sentado à mesquita de Mopti, mesmo ao lado do Níger, são 2740 quilómetros. Neste preciso momento, é quase perto.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

HAVERÁ TEMPO...

And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.


Um excerto de um poema que não conhecia, The Love Song of J. Alfred Prufrock, de T. S. Eliot. Haverá tempo ou chegará o tempo. Foi isso que me levou à fotografia da entrada do Mausoléu de Sidi Boumedienne, no limite oriental da cidade argelina de Tlemcen.

Não sei se haverá tempo de lá regressar. Mas gostaria de retornar a Tlemcen. A cidade fará parte de um livrinho em preparação.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

STARDUST MEMORIES Nº 24: ALCÁCER CEGUER

Faz por estes dias 20 anos que fui a caminho de Tânger. A missão não era impossível, mas adivinhava-se difícil. Tratava-se de montar, em oito meses, a exposição que iria acompanhar a Cimeira Luso-Marroquina. O primeiro-ministro António Guterres designara-nos (ao Cláudio e a mim) responsáveis pelo projeto.

Foi um percurso empolgante, no qual foram parceiros de jornada Conceição Amaral, José Alberto Alegria, Francisco Mota Veiga, Pedro Moreira, Jorge Murteira, Luís Campos, João Gabriel Isidoro, Maria da Conceição Lopes, João Soeiro de Carvalho, Ana Maria Rodrigues, Pedro Moreira, Rui Patarrana, Joaquim Romero de Magalhães, entre outros, e falando só na parte lusitana.

Em pano de fundo esteve Alcácer Ceguer. Um sítio inalcançável, para mim. Vários vezes o visitei, sempre com a vaga sensação que o caminho não passaria por ali. É o meu falcão da malta privado.

Na exposição, inaugurada com grande pompa em setembro de 1999, marcaram presença duas peças da antiga catedral da cidade, provenientes das escavações arqueológicas de Charles Redman. Se a janela tem o impacto das coisas que são exóticas por estarem fora de contexto, a lápide funerária é uma peça extraordinária, na qual alguém copiou, sem saber que escrevia, um texto em cursivo. Disseram-me, há dias, que está em paradeiro desconhecido...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

À VOLTA DAS CALIGRAFIAS - DIA 8, EM ÉVORA

Com a exposição quase a terminar, dia 8, às 18 horas, haverá conversa à volta das fotografia e das caligrafias. Participam Ana Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alentejo), Joaquim Caetano (Conservador no Museu Nacional de arte Antiga), Jorge Calado (curador da exposição) e o autor do blogue.

Algumas semanas mais tarde, a exposição irá uns quilómetros para noroeste. Ainda não há data marcada, mas há essa intenção.