sexta-feira, 3 de maio de 2013

DO LAZER E DO TRABALHO

Anteontem, o dia foi mais de lazer que de atividade política. Ao final da manhã, rumei a Santo Aleixo, onde um grupo de amigos teve a simpatia de me convidar para um convívio. Uma associação sem existência formal, que se reúne para discretas festas sob o signo de Baco e de Abundantia. Nada mal.

Ainda no domínio gastronómico, mas de âmbito geograficamente mais vasto, coube-me a apresentação do livro Migração dos sabores, uma iniciativa da COMOIPREL. Uma recolha de grande mérito, de uma equipa quase 100% feminina. A responsabilidade técnica foi de Antónia Vilar Baião e de Susana Carvalho e a recolha histórica de Miriam Lopes. O livro teve a colaboração de Ana Luísa Dimas e grafismo de Luís Pedro.

Um dia de placidez, longe dos rumores religiosos das manifs. Há dias assim, em que nos apetece preguiçar e mandar quase tudo às urtigas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

23 ANOS DEPOIS

Início da noite passado no ambiente fervoroso da Casa do Benfica, em Mértola.

O blogue entra em festiva hibernação até às 20h. de amanhã, quando o Dr. Passos Coelho nos ler mais um capítulo da sua conhecida obra literária "Ó meu Deus, como eu odeio estes fulanos improdutivos da Função Pública".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MÚSICA - GRUPO 6 (ATENEU MOURENSE)

Há um par de anos tive a grata surpresa de encontrar o grupo coral do Ateneu Mourense na Roda, no concelho de Mação. Chegam longe as vozes desta terra.

Ontem foi a vez do Ateneu Mourense marcar presença no dvd musical. A presença obrigatória na Assembleia Municipal impediu-me de assistir à gravação. Recuperarei mais tarde esse contacto. O cante ao Menino pode ser ouvido aqui. Mas não foi esse tema que gravaram, mas sim um inédito (!) do inesquecível José Pires.

terça-feira, 30 de abril de 2013

VIVA LAS VEGAS

Não é meu hábito colocar dois filmes no blogue na mesma semana. Mas os acontecimentos na Pátria justificam a escolha. Não percebo grande coisa de Finanças, mas estes esquemas de swaps, negociatas, juros e apostas só me devolvem o nome de uma cidade: Las Vegas. Andam suas excelências OS ESPECIALISTAS com a cabeça às voltas por causa da decisão do Tribunal Constitucional quando se descobre que OUTROS ESPECIALISTAS andaram a fazer de croupiers financeiros. O buraco já vai em 3.000.000.000 de euros. Viva Las Vegas, pois então.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

UM RELÓGIO AMIGO

O RELÓGIO DA AMIZADE

Em cada relógio há sempre um amigo
que nos acorda, que suavemente nos percorre
os interstícios da alma, que nos assombra
com sinais discretíssimos de fraterna luz
ou que nos deixa, mesmo em minuto frágil,
um arco triunfal com tâmaras de afecto.
Nesse relógio há um lírio comestível
ou uma plena árvore com seus braços
de deslumbre, ou a mais ínfima erva
que por ele sobrevive à estrondosa queda
do granizo, à dissolução (inevitável) de casas
e areias, e mesmo ao advento da loucura.
É sempre tal relógio um rio profundo
onde a cor dum sol cheio, tantas vezes
reposto, tantas vezes presente em acenar
de címbalos e de búzios, pode acordar
em tons de uma aridez sombria, pode
deixar-nos tristes, sós e desolados,
numa gruta de horror frente ao deserto
- num recanto de sono e desalento.
Nesse amigo de sempre, um tal relógio
- com seus ponteiros de murta ou de veludo,
que saltam como lebres sobre as horas
ou são nichos de abrigo e cestos de avelãs –
é puro movimento e azul que estremece
o fio de cada dia, o voo do coração.
Mesmo em zonas de fogo e exaltação,
nesses lugares de praia mais sensíveis
(como o esplendor do corpo em combustão,
como o fremir da vaga e do desejo),
existe tal relógio, ó engrenagem mágica,
ó tiquetaque nítido, tão cúmplice.

João Rui de Sousa



Não sei se é exatamente o relógio da amizade, mas é uma companhia amiga que agora regressa. A torre do relógio ostenta o nome há dezenas de anos, mais que isso até. Em 1984, creio não me enganar no ano, um temporal destruiu o velho relógio. A recente recuperação da torre deu o mote e levou à pergunta "vamos voltar a ter relógio, não vamos?". Pois...

Aquele relógio é-me companhia certa desde há muito. Quando morava na Rua Nova da Estação e descia a Rua da Parreira e ía para a escola. Quando o espreitava do alto da Palácio da Justiça. Quando o ouvia dar as doze badaladas e a D. Jacinta nos mandava sair. Quando o via na ladeira da Salúquia.

O relógio da torre está de volta. Ainda bem.

MÚSICA - GRUPOS 4 E 5 (AMARELEJA)



Eu sou devedor à terra.
A terra me ‘stá devendo.
A terra paga-m’ em vida,
eu pago à Terra em morrendo.

Não foi propriamente um convite à valsa, como sugere esta tela de Columbano. Mas as vozes, femininas e masculinas, dos grupos da Casa do Povo da Amareleja, dançaram esta noite. Sozinhas e em conjunto. Mais uma boa jornada de gravações do DVD musical do concelho de Moura.

domingo, 28 de abril de 2013

AR LIVRE


José Fanha, clamando por ar livre, na Feira do Livro, em Moura. O poema é de Miguel Torga.

Ar livre, que não respiro! 
Ou são pela asfixia? 
Miséria de cobardia 
Que não arromba a janela 
Da sala onde a fantasia 
Estiola e fica amarela! 

Ar livre, digo-vos eu! 
Ou estamos nalgum museu 
De manequins de cartão? 
Antes o caos que a morte… 
De par em par, pois então?! 

Ar livre! Correntes de ar 
Por toda a casa empestada! 
(Vendavais na terra inteira, 
A própria dor arejada, 
-E nós nesta borralheira 
De estufa calafetada!) 

Ar livre! Que ninguém canta 
Com a corda na garganta, 
Tolhido da inspiração! 
Ar livre como se tem 
Fora do ventre da mãe, 
Desligado do cordão! 

Ar livre, sem restrições! 
Ou há pulmões 
Ou não há! 
Fechem as outras riquezas, 
Mas tenham fartas as mesas 
Do ar que a vida nos dá! 

sábado, 27 de abril de 2013

HOMENAGEM AOS JOVENS DO CONCELHO DE MOURA QUE PERDERAM A VIDA NA GUERRA COLONIAL


O silêncio regressou ao Largo dos Quartéis, no fim da tarde. Horas antes tivera lugar nesse local uma cerimónia, simples e emotiva, de homenagem aos jovens do concelho de Moura que perderam a vida na Guerra Colonial.

A iniciativa partiu da Câmara Municipal de Moura e contou com a presença do Gen. Luís Araújo, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, de representantes dos três ramos das Forças Armadas, bem como do Gen. Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes. Foi o culminar de um conjunto de contactos entre a autarquia e o gabinete do CEMGFA. Foi a forma adequada de render homenagem aos jovens do nosso concelho. Foi, também, a forma simbólica de perpetuar a memória castrense junto ao edifício dos Quartéis, cuja obra de reabilitação se aproxima do final.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

EVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA


Acreditem ou não (espero que acreditem, claro), esta acumulação toponímica existe mesmo. O Largo General Carmona, que também é General Humberto Delgado, que também é Rua da Liberdade, fica no Sobral da Adiça, uma freguesia do concelho de Moura.

Curiosidade à parte, registe-se a evolução democrática dos nomes dos largos e das ruas, fenómeno tão corriqueiro no pós-25 de abril. Olhando o panorama atual e vendo os ataques descabelados ao Poder Local - conquista fundamental da Democracia - ficamos com a sensação que se deveria ter um pouco além da maquilhagem das placas.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

FREEDOM

Richie Havens partiu ontem. Ganhara a imortalidade aos 28 anos quando abriu o festival de Woodstock com este vibrante Freedom. Aparentemente, Havens só deveria atuar mais para a frente, mas os outros músicos estavam atrasados. Este improviso marcou-o e converteu-se num símbolo para o documentário sobre o mítico festival. O filme de Michael Wadleigh abre assim.

Amanhã é Dia da Liberdade. Uma razão, também, para recordar Richie Havens, para celebrar Freedom, bem como o documentário Woodstock, um filme que tão importante foi na minha adolescência. Vi-o, no Lido (Amadora), com um conhecido político de direita da atualidade, depois de uma tarde de imperiais no Minabela, junto aos Quatro Caminhos. Continuamos amigos. Mas já não poderemos beber imperiais no Minabela, que agora é um McCoiso qualquer, segundo me disseram...

Woodstock é o meu filme da semana.

terça-feira, 23 de abril de 2013

BOLAMA


Agora é a vez de Bolama. Daqui a meses haverá livrinho sobre Bolama, a cidade que outrora foi capital da Guiné-Bissau. Um sítio pouco vulgar. E onde as emoções são fortes. Aqui se mostram a capa e a contra-capa do livro. A maquetagem é um magnífico trabalho da TVM Designers.

O texto ainda não tem final. Mas já tem começo: A costa é uma muralha de mangue.

Espero estar, minimamente, à altura de Bolama.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

FIM DE FESTA


Post mertolense. Ambiente de fim de festa, no sábado, em Mértola. Não está a equipa atual toda, mas aqui fica a identificação dos que posaram, no pátio da Casa Amarela. Da esquerda para a direita: Germano Vaz, Isabel Magalhães, Bruno Almeida, José Bento, Cláudio Torres, Lígia Rafael, Rute Fortuna (na linha da frente), Maria Armanda Salgado, Virgílio Lopes, Guilhermina Bento, Santiago Macias, Nélia Romba, Tucha Palma, José Rui (da ACERT, na linha da frente), Paula Rosa, Adriano Fernandes, Clara Guerreiro, Susana Gómez Martínez e Filipe Gomes.

UM CATÁLOGO SOBRE ALCARIA DOS JAVAZES

Há histórias que parecem destinadas a não ficarem concluídas. O núcleo museológico de Alcaria dos Javazes parecia estar incluída nesse grupo. Mas não. O pequeno museu avançou (v. aqui) e foi inaugurado (v. aqui). Na passada 5ª feira teve lugar, na Biblioteca Muncipal de Mértola, a apresentação do catálogo. Textos e imagens sobre a aldeia e sobre a coleção que ali se reuniu. Só então pude pensar "missão cumprida".

O museu tem página no facebook:  https://www.facebook.com/pages/N%C3%BAcleo-Museol%C3%B3gico-de-ALCARIA-DOS-JAVAZES/212986682071558?ref=ts&fref=ts

domingo, 21 de abril de 2013

AO CLÁUDIO


Um painel que dificilmente se repetirá, nos próximos tempos. Da esquerda para a direita: Joge Alarcão, José Luís de Matos, Hermenegildo Fernandes, Cláudio Torres, José Mattoso e Borges Coelho. Foi durante a homenagem ao Cláudio, na passada 6ª feira, no anfiteatro I da Faculdade de Letras de Lisboa.

Cruzei-me, durante os dias da homenagem (19, em Lisboa, 20, em Mértola) com centenas de colegas e amigos. Participei, com todo o empenho, nas sessões que se realizaram. A homenagem, mais que justa, teve um toque de fraternidade, bem sublinhada nas palavras do Reitor, António Sampaio da Nóvoa.

Muito tem sido feito por muita gente ao longo destes 35 anos.  Os resultados estão, aos mais variados níveis, à vista. Falta-nos reconquistar Mértola (e não é das eleições autárquicas que estou a falar).

NINA SIMONE

Nina Simone partiu há dez anos. Motivo para recordar a voz de alguém que fez as coisas à sua maneira. Até na decisão de posar nua para o fotógrafo cubano Mario Algaze (n. 1947), que produziu esta extraodinária imagem. Nem erotismo, nem glamour, apenas a coragem de mostrar um corpo igual a tantos outros. Quantas/quantos se atreveriam a fazê-lo?

sábado, 20 de abril de 2013

MOURA - FEIRA DO LIVRO E SALÃO MOURA BD

Razões de ordem profissional fazem com que "apanhe" a 33ª edição da Feira do Livro e o 18º Salão Moura BD só no dia 24. Ainda vou a tempo e até já encomendei um livro por SMS. Estamos juntos. A programação, intensa e de qualidade (ou vasta, ampla e diversificada, como diz um amigo meu), pode ser consultada no blogue de Zélia Parreira (v. aqui).

180º

A exposição 360º - Ciência Descoberta vai a meio do seu tempo de abertura ao público. Ou seja, já lá vão 180º.

Do site da Fundação Calouste Gulbenkian (v. aqui):
360º - Ciência Descoberta é uma exposição sobre a ciência ibérica na época dos descobrimentos. Apresenta os desenvolvimentos científicos e técnicos associados às grandes viagens oceânicas de Portugueses e Espanhóis nos séculos XV e XVI, e o impacto que causaram na ciência europeia. A exposição procura mostrar os diversos factores que modelaram as ideias e as práticas dos ibéricos nesse período – o fascínio com as novidades do mundo natural americano e asiático, a crítica do saber antigo, o estabelecimento de novas práticas empíricas, a disseminação de conceitos científicos pelos estratos menos instruídos da sociedade, os melhoramentos técnicos, os processos e as instituições de acumulação e gestão de novos conhecimentos – e como estes aspectos jogaram um papel significativo no nascimento da modernidade científica europeia.

Comissário - Henrique Leitão
Patente ao público até 2 de junho.

360º - Ciência Descoberta é um trabalho deslumbrante. Peças antigas vivem no meio da modernidade. Para que o trabalho de investigação tenha resultado em pleno muito contribuiu a museografia, da autoria de Mariano Piçarra. Um autor que já andou por terras de Moura, refira-se.


Globo Celeste de Christoph Schissler, o Velho, 1575 |  Divisão de Documentação Fotográfica da Direcção Geral do Património Cultural
Sintra, Palácio Nacional de Sintra

quinta-feira, 18 de abril de 2013

MÚSICA - GRUPO 3 (AMARELEJA)


Ontem foi a vez do grupo da Sociedade Recreativa Amarelejense fazer a sua gravação. Um grupo recentíssimo (sete anos apenas), mas com um saber antigo. Um coral em grande forma, que cantou com garbo e pujança a Moda da lavoura. É das que mais gosto de ouvir cantar, por sinal. Nas próximas semanas haverá mais gravações e mais música à moda da nossa terra.

MOURARIA - FIAT LUX


Faça-se luz. A obra de valorização dos espaços públicos da Mouraria de Moura está praticamente terminada. O projeto, da autoria de Pedro Guilherme e Sofia Salema, teve um percurso de avanços e paragens. Até ao decisivo momento do arranque. A iluminação já está a funcionar, dando às paredes e às ruas um ar simpático e renovado.

A Mouraria é um conjunto classificado de três ruas, um largo e uma travessa. Remonta ao século XIII, altura em que nesta zona, no exterior das muralhas, se começou a construir um bairro destinado a albergar a população entretanto expulsa do castelo.

É uma das zonas mais populares e acolhedoras da cidade. Por isso se lhe deu particular atenção no âmbito das Parcerias para a Regeneração Urbana (335.000 €, dos quais a Câmara Municipal pagou apenas 50.000). Um processo difícil e que vai sendo concretizado, com esforço e persistência.

O "dossiê Mouraria" ficará encerrado no final da próxima semana. Será pretexto para uma pequena celebração. Os moradores do bairro merecem isso.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

POR EL CAMINO VERDE...

O filme, Suspiros de Triana, é daqueles que já ninguém se lembra. Eu nem sabia da sua existência. Encontrei-o por mero acaso. Os protagonistas são duas estrelas dos anos 50: Paquita Rico (n. 1929) e Ángel Sampedro Montero, conhecido como Angelillo (1908-1973).

Camino Verde é um tema popularíssimo de Carmelo Larrea. É encenado de modo irrepreensivelmente kitsch. O melhor momento é ao 1:50, quando o pianista martela as teclas e nós ouvimos congas. Um raccord perfeito.

Em todo o caso, gosto da música e, viva la copla!, da maneira de cantar de Angelillo. Por isso, Suspiros de Triana é a minha escolha cinéfila de hoje.