segunda-feira, 3 de junho de 2013

O CAVALO MALUCO DE PARIS

Este texto é dedicado a uma amiga minha, há longos anos radicada em Paris.

O pretexto é o Crazy Horse, um célebre cabaret onde, segundo ouvi dizer, há um espetáculo com semi-nudez em regime soft, música e fantasia, algo apropriado para um público de meia idade. O ambiente é, ao que consta, preenchido por turistas e por casais de meia idade e ar próspero. O Crazy Horse é um dos símbolos da Cidade-Luz desde 1951.

Um espetáculo que chamou a atenção do grande documentarista americano Frederick Wiseman. É a escolha cinematográfica deste dia.

FINALMENTE, O BENFICA


Depois de sucumbir ante o Reus (1969), o Barcelona (1973 e 1980) e o Igualada (1993 e 1995), o Benfica sagra-se campeão europeu de hóquei em patins. Pela primeira vez. No Dragão Caixa. Ante o Porto. E no prolongamento. Momentos verdadeiramente especiais.

domingo, 2 de junho de 2013

QUERO IR PARA PORTUGAL


Ouvi, ontem à tarde, Pedro Passos Coelho falar de um País onde os funcionários públicos são valorizados e respeitados. Onde o seu trabalho é incentivado e onde se procura a melhoria de resultados. Fiquei interessado. Logo a seguir teve umas tiradas lacrimejantes sobre os professores. Que gosta muito de professores e que são muito importantes e tal. O discurso, com a espessura teórica de uma conversa de café, foi por aí fora. A dada altura percebi que Passos Coelho estava a falar de um País chamado Portugal. Estou interessado em ir viver para esse País. Alguém me sabe dizer onde é que dão os vistos?

 
Quando PPC foi candidato à Câmara da Amadora. Não sabem do que se livraram...

MÚSICA - GRUPOS 18 A 20: CORAL, POP E BANDA

As diferentes perspetivas das imagens correspondem, também, às diferentes maneiras de sentir a música: só voz (Grupo Coral do Sobral da Adiça), voz e instrumentos (Dúvida Pública), só instrumentos (Banda de Os Leões). As atuações têm sido, sempre, um misto de aplicação e prazer. Chegámos agora às duas dezenas de grupos. O projeto avança.

sábado, 1 de junho de 2013

REAL MADRID OU A MÁQUINA TRITURADORA (atualização)

 
Miljan Miljanic, responsável vitorioso no Estrela Vermelha de Belgrado e que esteve quase a ser treinador do Benfica em 1974;
Alfredo di Stéfano, que ganhou campeonatos na Argentina e em Espanha;
Leo Beenhakker, que vencera o campeonato holandês;
Fabio Capello, que se saiu muito bem em Itália;
Guus Hiddink, que deixou saudades na Holanda;
Vanderlei Luxemburgo, com passado de prestígio no futebol brasileiro;
Juande Ramos, com obra feita em Sevilha;
Manuel Pellegrini, que venceu na América do Sul.
.
Que têm estes nomes em comum? Todos orientaram o Real Madrid. Alguns até venceram provas de destaque. Nenhum deles venceu a Liga dos Campeões. Todos foram arrasados pela máquina de triturar treinadores do Real Madrid. José Mourinho é o alvo que se segue. Jorge Valdano já deve estar a olear a espingarda.
 
O texto que acima se transcreve foi publicado neste blogue em 23 de maio de 2010. Houve, na altura, quem achasse que eu estava a "antecipar", de forma sarcástica, o futuro de Mourinho, ficando contente com a sua (previsível) queda. O meu textinho não tinha tal intenção ou desejo.
 
Nem essa queda me daria ou dá satisfação, nem era muito difícil prever uma vida complicada a Mourinho no Real Madrid. Valdano acabou por sair, não sem antes fazer estragos. Mas Mourinho tinha a vida dificultada num clube à volta do qual tantos interesses giram. O texto do jornalista do El País José Sámano, publicado em 20.12.2010, onde atacava, de forma violenta, Mourinho, era uma antecipação de tudo o que passou a seguir (v. aqui).

O único detalhe divertido nisto tudo é o facto de o Real não ganhar a Taça dos Campeõs há mais de uma década. O último treinador a conseguir esse feito foi (por duas vezes) Del Bosque. Acabou dispensado, por não ter uma visão moderna do futebol, e substituído por Carlos Queirós...

Ainda por cima, o antiquado Del Bosque venceu depois, à frente da seleção espanhola, os campeonatos da Europa e do Mundo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

MIN TABIRA ILA BAJA


De Tavira até Beja. Conferência em Tavira às 14.30, no núcleo islâmico do museu, encontro em Beja ao fim da tarde. A conferência em Tavira teve como pretexto a exposição Mértola, o último porto do Mediterrâneo, que ficará na cidade algarvia até ao fim do verão. A exposição foi apresentada ao público em 14 de fevereiro de 2006. Ainda por aqui anda... Em outubro será instalada no Museu de Olhão. A CCDRA, principal entidade financiadora, será disto devidamente informada.

Cinquenta pessoas encheram a sala e deixaram-me de coração quente com o seu entusiasmo. A tarde culminou com o projeto A construção revela-se à cidade. Uma grande intervenção da Universidade de Coimbra em Beja. Não só se revela o passado da urbe, como se instalam peças de arqueologia da cidade em 23 (!) casas comerciais. Uma forma de aproximar as pessoas do seu património e de levar Beja ao encontro do seu passado. Obrigado, Maria da Conceição Lopes.

FLAGRANTES DA VIDA REAL - I

Numa pequena cidade do interior português:

Durante a realização da feira anual multiplicam-se as multas por estacionamento indevido. Um condutor autuado pega no papel que tinha no pára-brisas e dirige-se ao chefe da polícia, que por ali andava:
- Isto é um multa?
- É.
- São só nove euros??
- Só nove euros, confirma o sub-comissário, de sorriso largo. Estamos em promoções.

É por essas e por outras que gosto das pequenas cidades do interior.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

VERMELHO

Dois Rumos


Mentir, eis o problema: 
minto de vez em quando 
ou sempre, por sistema? 

Se mentir todo dia, 
erguerei um castelo 
em alta serrania 

contra toda escalada, 
e mais ninguém no mundo 
me atira seta ervada? 

Livre estarei, e dentro 
de mim outra verdade 
rebrilhará no centro? 

Ou mentirei apenas 
no varejo da vida, 
sem alívio de penas, 

sem suporte e armadura 
ante o império dos grandes, 
frágil, frágil criatura? 

Pensarei ainda nisto. 
Por enquanto não sei 
se me exponho ou resisto, 

se componho um casulo 
e nele me agasalho, 
tornando o resto nulo, 

ou adiro à suposta 
verdade contingente 
que, de verdade, mente.



A cor vermelha domina nesta tela de Félix Vallotton (1865-1925). Intitula-se, vá lá saber-se porquê, A mentira. Isso levou-me, em linha reta, a um poema de Drummond de Andrade, que anda à volta do mesmo tema.

Primeiro post de uma série à volta das cores em pintura e daquilo que elas sugerem.

O quadro está no Baltimore Museum of Art: http://www.artbma.org/

terça-feira, 28 de maio de 2013

MÚSICA - GRUPO 17

Hoje passei pelo Ardila sem o ver. Ou melhor, vi o grupo musical Ardila mas não ouvi a gravação. Uma reunião quase à mesma hora da sessão marcada para o Cine-Teatro Caridade levou a que passasse por lá a correr. Verei depois o resultado no DVD.

O Ardila foi o 17º grupo a entrar no projeto.

ANIKI BOBÓ

Um filme septuagenário nesta semana. Foi estreado em dezembro de 1942. Os jovens atores são hoje senhores de idade avançada.

O filme é para adultos, embora os seus protagonistas sejam crianças. Pelo menos assim me parece. Na verdade, só comecei a gostar de Aniki Bobó na idade adulta. Quando era miúdo detestava-o. Há coisas que mudam com o passar dos anos. Gostar de Puccini ou de Wagner foi coisa que só chegou com anos em cima. Gostar de algum Manoel de Oliveira também.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

CONTENDA FORA DE PORTAS


Chegou-me há dias, pela mão de Mário Almeida, a notícia da atribuição de melhor montaria do ano à que foi organizada na Herdade da Contenda no passado dia 8 de dezembro. A iniciativa da distinção partiu dos Monteros de la Cabra.

Para quem não saiba, a Herdade da Contenda fica no concelho de Moura e é gerida por uma empresa municipal. Mário Almeida foi, até há pouco, membro do Conselho de Administração da Herdade.

Ver: http://www.herdadedacontenda.pt/

domingo, 26 de maio de 2013

CAMARÕES - 150º


E eis que o blogue chega a esse país de estranho nome conhecido como Camarões. Ou Crevettes, segundo outras versões (v. aqui).

MÚSICA - GRUPOS 13 A 16

Das 10 às 18, com várias pausas. Dia de gravações para o dvd sobre a atividade musical no concelho de Moura. Mais quatro grupos, hoje: a Banda de Safara, o grupo Sons da Campina, o Coral Feminino de Safara e os Raízes do Sul. Mais quatro dezenas de praticantes da música que usaram este domingo para um projeto coletivo.

Nota-se, em todos os grupos, curiosidade pelo resultado final. Ora bem, setembro está aí ao virar da esquina.

TRÊS VEZES QUASE

O Campeonato esteve quase.
A Liga Europa esteve quase.
A Taça de Portugal esteve quase.

Em 2012/13 o Benfica ganhou o campeonato do quase.

sábado, 25 de maio de 2013

PÓS-DE-MINA À ASSEMBLEIA MUNICIPAL - SESSÃO DE APRESENTAÇÃO

É amanhã a sessão de apresentação de José Maria Pós-de-Mina como candidato à Assembleia Municipal de Moura. "Mas o José Maria precisa de ser apresentado?", ironizou uma amiga. De facto, o grau de (re)conhecimento que tem dispensa apresentações. Mas a iniciativa em si é importante.

Haverá quatro intervenções: a de Inês Cardoso,  representante da JCP, a do candidato à presidência da Câmara (o autor deste blogue), a de José Maria Pós-de-Mina e a de João Dias Coelho, da Comissão Política do Comité Central do PCP.

Daqui até às eleições vão quatro meses intensos. Estamos juntos neste combate, firmes quanto aos objetivos e seguros quanto à eleição.

Sessão de apresentação durante o almoço concelhio a ter lugar amanhã, às 12.30, no pavilhão I do Parque Municipal de Feiras e Exposições.

Cartaz do stand do PCP na feira de maio

OLHA, ENTÃO NÃO É QUE GANHOU O "VAITEMBORA"...

Foi um ano tramado para Jupp Heynckes. Caiu na Luz cheio de boas intenções e de boas expetativas. Vinha de ganhar a Taça dos Campeões Europeus pelo Real Madrid (quebrando um jejum de 32 anos) e tinha ainda no currículo de treinador dois campeonatos da Alemanha.

Mas aquele ano de 1999/2000, Deus meu... O 3º lugar no campeonato foi fracote, a eliminação nos oitavos-de-final da taça andou pela mesma onda sofrível, mas pior foram os 7-0 do Celta na UEFA. A verdade é que, com o plantel que tinha, nem o S. Heynckes teria sucesso. Recordo algumas das "estrelas" da época: Paulo Madeira, Ronaldo Guiaro, Bruno Basto, Chano, Luís Carlos, Kandaurov, Tote, Pepa etc.

O terceiro anel vaiava Heynckes. Gritava-se "vai-te embora! vai-te embora!". Agastado, o treinador chegou a dizer, numa conferência de imprensa, "si quieren que me vaya, yo me voy".

O protagonista dessa época pouco brilhante acaba de ganhar hoje, pela 2ª vez, a Taça dos Campeões. Só Heynckes e mais três (Happel, Hitzfeld e Mourinho) o fizeram em clubes diferentes. Vai-te embora? Os treinadores são sempre o alvo mais fácil, não é verdade?

Para quem estiver esquecido: o Presidente do SLB era Vale e Azevedo.

ÁFRICA


Condição de Ilhéu
Cerro os olhos e observo a paisagem interior:
cumes, rios, valados, desenham-se no espaço,
contornados a dor,
com certezas de régua e de compasso.

Um potro alado acena um adeus necessário.
Uma flor abre em leque a corola macia
e perfuma de pranto o horto imaginário,
onde invento sozinho outra geografia.

Abro os olhos e nada já relembra a paisagem,
tão real e concreta no momento anterior.
Cumes, rios, valados - a sedenta miragem,
que humaniza o deserto em que sou potro e flor.

A fotografia é um daqueles postais da era colonial. Trata-se, creio, de uma mulher senegalesa, de uma beleza sem par. Imagem feliz, porque supera, por mero acaso, o cliché do exótico. O poema é de um grande autor africano, Daniel Filipe.

Faz hoje 50 anos que a Organização de Unidade Africana foi fundada, em Addis Abeba. Em 1985 resolvemos organizar, na Faculdade de Letras de Lisboa, umas jornadas contra o racismo e o apartheid. Participei ativamente nessa iniciativa, juntamente com outros colegas: Carlos Lopes Pereira, Leopoldo Amado, Domingos Semedo, Sow Daouda, Filomena Miranda, Filomena Vieira Martins, Mamadou Mané etc. Mantenho contacto próximo com alguns, de outros vou tendo notícias, de outros nada sei há muito. Ainda assim, estamos juntos, ao fim de todo este tempo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

COISAS DA LUA


 Les méfaits de la lune

Sur mon front, mille fois solitaire,
Puisque je dois dormir loin de toi,
La lune déjà maligne en soi,
Ce soir jette un regard délétère.

Il dit ce regard - pût-il se taire!
Mais il ne prétend pas rester coi, -
Qu'il n'est pas sans toi de paix pour moi;
Je le sais bien, pourquoi ce mystère,

Pourquoi ce regard, oui, lui, pourquoi?
Qu'ont de commun la lune et la terre?
Bah, reviens vite, assez de mystère!
Toi, c'est le soleil, luis clair sur moi!

Hopper na sua última aparição nos próximos tempos aqui pelo blogue. A luz deve ser mais do sol que da lua, mas as palavras de Verlaine no livro Chair soam-me bem.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

SOB O SIGNO DE HOPPER - VII: ARQUEOLOGIA


Não sei se consigo explicar isto, mas o silêncio dos sítios arqueológicos, a sua solidão, a luz de locais como o castelo de Moura ao fim da tarde, são hopperianos. Os enquadramentos das fotografias de uma escavação, de linhas direitas e cirúrgicas, são tão hopper como as imagens de Early Sunday Morning. Sem o génio desta, bem entendido.

Ao olhar hoje as imagens da escavação, no momento de iniciar a maquetagem de um livro não pude deixar de pensar nisso. E de recordar o comentário da Vanessa Gaspar: "estas fotos são frias". Tinha razão.

COMBATER A CRISE COM MÉTODOS CRIATIVOS

OK, haverá esquemas mais eficazes de ganhar dinheiro. Mas este leva a palma a todos, em matéria de criatividade. Enquanto o Prof. Bambo e o Prof. Karamba se ocupam de coisas banais como o mau-olhado, a impotência ou os falhanços na vida profissional, este mago voodoo, Mamadou Ngolo de seu nome, repara computadores por telepatia. No fundo, só pede 100 euros adiantados. É barato, sobretudo se tivermos em conta o grau de especialização que é preciso ter.