sexta-feira, 23 de agosto de 2013

DE SOMBRA, SOL Y MUERTE

Admito que este é um post um pouco preguiçoso, mas há muito que andava para publicar esta belíssima fotografia do matador António Barrera, na Maestranza de Sevilha. Não sei o seu autor. O poema que se segue é de Rafael Alberti.

As imagens e as palavras estão de acordo com estes dias de verão.


De sombra, sol y muerte, volandera
grana zumbando, el ruedo gira herido
por un clarín de sangre azul torera.

Abanicos de aplausos, en bandadas,
descienden, giradores, del tendido,
la ronda a coronar de los espadas.

Se hace añicos el aire, y violento,
un mar por media luna gris mandado
prende fuego a un farol que apaga el viento.

¡Buen caballito de los toros, vuela,
sin más jinete de oro y plata, al prado
de tu gloria de azúcar y canela!

Cinco picas al monte, y cinco olas
sus lomos empinados convirtiendo
en verbena de sangre y banderolas.

Carrusel de claveles y mantillas
de luna macarena y sol, bebiendo,
de naranja y limón, las banderillas.

Blonda negra, partida por dos bandas,
de amor injerto en oro la cintura,
presidenta del cielo y las barandas,

rosa en el palco de la muerte aún viva,
libre y por fuera sanguinaria y dura,
pero de corza el corazón, cautiva.

Brindis, cristiana mora, a ti, volando,
cuervo mudo y sin ojos, la montera
del áureo espada que en el sol lidiando

y en la sombra, vendido, de puntillas,
da su junco a la media luna fiera,
y a la muerte su gracia, de rodillas.

Veloz, rayo de plata en campo de oro
nacido de la arena y suspendido,
por un estambre, de la gloria, al toro,

mar sangriento de picas coronado,
en Dolorosa grana convertido,
centrar el ruedo manda, traspasado.

Feria de cascabel y percalina,
muerta la media luna gladiadora,
de limón y naranja, remolina

de la muerte, girando, y los toreros,
bajo una alegoría voladora
de palmas, abanicos y sombreros.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

FINANÇAS DESTRUIRAM PAPÉIS ESSENCIAIS PARA AVALIAR SWAPS

No Público de hoje:

A Inspecção-Geral de Finanças destruiu documentação que produziu em 2008 relativa aos contratos swap e que seria essencial para avaliar o controlo feito à subscrição destes produtos pelas empresas públicas. Na auditoria que a ministra das Finanças solicitou e a que o PÚBLICO teve acesso, revela-se que, dos oito dossiers necessários para analisar a actuação do organismo em relação à celebração destes derivados, apenas dois não foram eliminados.


O ARQUIVO

A DESTRUIÇÃO DE DOCUMENTOS

Visto de fora, Portugal deve parecer um sítio engraçadíssimo.

AS RECEITAS REVERTEM A FAVOR DO LAR DE NOSSA SENHORA DAS NECESSIDADES

É isso que lemos no cartaz e foi também isso que nos levou a apoiar, financeira e logisticamente, esta iniciativa do Real Grupo de Forcados Amadores de Moura e da Junta de Freguesia de Santo Aleixo da Restauração.

Amanhã à noite lá estaremos, apoiando a iniciativa, apoiando as Festas e Santo Aleixo e apoiando os nossos valores culturais.

Sexta, sábado e domingo iremos santoaleixar.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

DA EMPRESA PARA OS EMPRESÁRIOS

Correria entre a igreja do Convento do Espírito Santo, o restaurante Celeiro (passe a publicidade) e o bar Moment's (passe a publicidade, bis).

O colóquio de apresentação ao público do trabalho de restauro da igreja contou com mais de quarenta pessoas. Houve gente que veio, para meu espanto e satisfação, de muito longe.

Da empresa de restauro de uma igreja se passou para um encontro, noutro local, com empresários do concelho. Iniciativa de campanha, para uma conversa com pessoas de vários quadrantes políticos. Mais de quarenta presenças. Um ambiente descontraído e que proporcionou uma agradável troca de impressões. Deixou-nos, ainda mais, a certeza que a dinâmica do concelho de Moura passa, e muito, pela energia dos mourenses.

A noite terminaria com uma incursão pelo Moment's, o único sítio que conheço, num raio de muitos quilómetros, onde há kir royal.



SCOOP SEXAGENÁRIO

A CIA vem admitir, 60 anos depois, que esteve envolvida no golpe de estado que derrubou o líder iraniano Mosaddeq.

Sério? Tss, tss, que surpresa. Nunca ninguém imaginou ou insinuou tal coisa...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

UMA CASA EM RUÍNAS

Uma única porta
No último muro de uma casa em ruínas.
Cuidado
Quem atravessar essa porta, à noite,
Pode ficar para sempre no Outro Mundo!


Logo hoje, em que poderemos ver, na igreja do Espírito Santo, o que outrora foi uma ruína, me fui lembrar deste curto poema de Mário Quintana. A fotografia tem um toque de mistério, como convém. É do francês François-Xavier Gbre (n. 1978) e foi mostrada nos célebres Recontres de Bamako

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MUSEU DE MOURA - SITE

Está online o site do Museu de Moura.

Uma forma de chegar aos museus só com a ponta do dedo. Um modo mais rápido de ter informação pertinente sobre o nosso Património.

E antes que os mesmos de sempre atirem mais umas opiniões, por norma sem qualificação, sobre a minha atividade enquanto autarca ("é só museus blabla é só arqueologia blablabla"), devo esclarecer que o referido site é da inteira responsabilidade do Museu Municipal, área de que não sou responsável. Ou seja, sou alheio, do ponto de vista técnico, ao projeto e aos seus conteúdos. Embora, evidentemente, fique satisfeito por o site existir. 


O COMPLIQUÊS DO POLITIQUÊS, DITO EM PORTUGUÊS

Passos Coelho, no Pontal, referindo-se ao que foi enviado para o Tribunal Constitucional e que visa a Função Pública:

Ora, se algumas destas medidas tiverem contingências constitucionais que se venham a materializar não será fácil ultrapassar esta situação. (...) não posso garantir que não haja, do ponto de vista constitucional, riscos que não se possam materializar.

Perceberam? Querem uma explicação, por um politólogo? Mandamos chamar o inesquecível Manuel Machado?

ATENAS, POR ANGELOPOULOS

Athina, epistrofi stin Akropoli, qualquer coisa como Atenas, regresso à Acrópole (com a ajuda de google, que não sei grego). É um dos filmes que procuro, de forma incessante, há muitos anos. Cheguei a contactar o produtor, que me respondeu dizendo estar para breve uma edição em DVD. Nada de nada. Encontrei agora esta versão original, no youtube. Os textos que acompanham o filme são poéticos e filosóficos.

Vi este documentário na RTP. É um trabalho de Theo Angelopoulos (1935-2012) sobre a sua cidade. O filme resultou de uma encomenda destinada a divulgar as capitais culturais da Europa. Neste caso, poesia e turismo entram um pouco em contradição. Há gente que se deve ter arrepelado de arrependimento, mas o filme de Angelopoulos é muito bonito. 40 minutos de declaração de amor a uma cidade.

sábado, 17 de agosto de 2013

DO DIA PARA A NOITE

O Mediterrâneo é o mundo da luz. Mas a verdade é que as noites são a outra face das nossas vidas. E, portanto, vive-se tanto noite dentro como pelo dia fora. Em sítios onde as pessoas têm um certo sentido festivo da vida (v.g., o concelho de Moura) as noites são, desde há semanas, de animação ininterrupta. Festas de todo o tipo e com todos os enquadramentos possíveis. Moura, Safara, Santo Amador, Amareleja têm feito parte desse percurso recente. Hoje é a vez do Sobral. Na próxima semana será Santo Aleixo. Depois haverá a feira. E por aí adiante, até o outono lançar um pouco de frescura no corpo e no espírito.

A visão lírica da noite de Cesare Pavese dá-nos um bom contraponto para tanta agitação.

Nas fotografias (de cima para baixo): a noite de poesia na sede de campanha da CDU, a Festa do Emigrante, em Moura, e uma rua da Amareleja, esta madrugada.




Ma la notte ventosa, la limpida notte
che il ricordo sfiorava soltanto, è remota,
è un ricordo.
Perdura una calma stupita
fatta anch'essa di foglie e di nulla. Non resta,
di quel tempo di là dai ricordi, che un vago
ricordare.

Talvolta ritorna nel giorno
nell'immobile luce del giorno d'estate,
quel remoto stupore.


Per la vuota finestra
il bambino guardava la notte sui colli
freschi e neri, e stupiva di trovarli ammassati;
vaga e limpida immobilità. Fra le foglie
che stormivano al buio, apparivano i colli
dove tutte le cose del giorno, le coste
e le piante, e le vigne, eran nitide e morte
e la vita era un'altra, di vento,di cielo,
e di foglie e di nulla.

Talvolta ritorna
nell'immobile calma del giorno il ricordo
di quel vivere assorto, nella luce stupita.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ENTRE O NORTE ALENTEJANO E MOURA, COM PASSAGEM POR ESTREMOZ



Dia agitado. À procura de respostas para vários temas. À procura de caminhos para o futuro.


Manhã e início de tarde em Campo Maior, nas Jornadas Técnicas de Olivicultura. O meio da tarde, e antes de rumar ao Sobral e à Amareleja, em Estremoz, olhando os Quartéis, com datação próxima dos de Moura. O edifício não está ainda reabilitado, mas é de um extraordinário interesse. Mais acima fica a cadeia medieval, cujo uso pode servir de padrão de qualidade para os bares que ficarão nos Quartéis de Moura.

Os usos e as rentabilizações do património construído estão em pano de fundo.

Ver, sobre a cadeia de Estremoz: http://www.cadeiaquinhentista.com/


FORCADOS AMADORES DA AMARELEJA - 10 ANOS

Final de tarde na Amareleja. Comemoração do 10º aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Amareleja, em iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Moura. Estiveram presentes antigos e atuais membros do grupo. Intervieram Milton Raimundo, cabo fundador, António Quadrado, o atual cabo, o Presidente da Câmara e Maria José Honrado, madrinha do grupo.

Uma cerimónia simples e apropriada. Uma forma de assinalar com dignidade a data que se celebra.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O OCASO DA PRIMAVERA


Repito, e a propósito da guerra civil no Egito, parte de um texto aqui publicado em 20 de junho de 2012:

No meio de entusiásticos fora, de tanto debate e de tantas declarações de amor ao Mediterrâneo há detalhes que ainda não mereceram grande atenção aos analistas e aos politólogos. E que eu gostava de entender. Que medidas concretas foram tomadas para o combate à pobreza? O que se passa com a juventude desses países? Como estão os direitos das mulheres? O que é feito das minorias cristãs? O que vai ser da minoria cristã na Síria, já agora? Que desenvolvimento teve o dossiê palestiniano, o mais sensível e mais doloroso de todos os assuntos? Haverá primaveras sem pão?

HASSAN II E JENS STOLTENBERG

O senhor da fotografia é Hassan II (1929-1999), rei de Marrocos. Conta-se que tinha o hábito de sair do Palácio Real disfarçado para deambular sozinho pelos mercados e pelos bairros populares de Rabat, para ouvir o que as pessoas diziam. Que comentários faziam, que opiniões tinham sobre a sua governação. Avisadamente, preferia esse esporádico contacto direto às análises dos politólogos, aos conselhos dos conselheiros e à ditadura dos técnicos de marketing.

A penosa história de Jens Stoltenberg e do seu cinema-verité de contacto com as massas dentro de um táxi é apenas uma confirmação. Governar, ou querer governar, com espalhafato mediático não dura muito. A verdade acaba sempre por vingar. E passos em falso, como o de Jens Stoltenberg, tornam mais evidentes os aprendizes de feiticeiros.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

OLIVEIRA DA FIGUEIRA

Post de homenagem a uma figura dos livros do Tintim, pela qual tenho especial apreço: o sr. Oliveira da Figueira. É, salvo erro, o único português que aparece naquelas aventuras.

O sr. Oliveira da Figueira é um "artista", capaz de vender gelo no Polo Norte. Da sua mala saem todos os artefactos, todas as ofertas e todas as promessas. Dificuldades? Essa palavra não existe no léxico fácil do sr. Oliveira da Figueira...

O que é engraçado é que, mais cedo ou mais tarde nas nossas vidas, acabamos por conhecer alguém assim. 

MANUEL ACIÉN ALMANSA

"O Acién já cá não está", dizia a SMS recebida há pouca. A certeza foi-me dada quando, poucos segundos depois liguei ao Fernando Branco Correia. Um aneurisma levou, subitamente, Manuel Acién Almansa, historiador e arqueólogo brilhante. Acima de tudo, um ser humano extraordinário.

Conheci o Mane em 1991, num congresso em Rabat. Ele era já um historiador prestigiado. Isso não impedia de nos vir perguntar, aos putos, "acham que correu bem? é que eu estava nervosíssimo". Achava imensa graça aquela quase ingenuidade. Que estava de acordo com a sua timidez e com uma simpatia a que não dava descanso.

Os momentos de convívio - quase sempre nas horas mortas dos congressos - confirmaram a certeza de estar ante um académico excecional. Uma visita ao castelo de Mula confirmaria, em definitivo, essa ideia. O seu sentido lúdico das coisas prolongou-se, nessa noite, quando nos arrastou para um bar perdido de Murcia. A incursão a "Los Embajadores" (el bar de los noctámbulos de la ciudad, dir-me-ia, com divertida convicção) foi um dos muitos momentos de descontração.

Sempre me surpreendeu, no Mane, essa capacidade de se divertir, de uma forma discreta, tímida mesmo, que tinha contraponto no rigor intelectual que o levava a escrever obras como Entre El Feudalismo Y El Islam : Omar Ibn Hafsun en los historiadores. A sua extensa bibliografia é um exemplo de rigor, inteligência e capacidade de análise. Nos últimos anos encontrei-o menos vezes. Mas não esquecerei, nunca, os seus comentários certeiros e a sua sabedoria pouco ostentatória. E aquela bondosa simplicidade que tanta falta nos fará.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

IGREJA DO ESPÍRITO SANTO - REABILITAÇÃO E GESTÃO DE EDIFÍCIOS HISTÓRICOS

Pode um armazém de madeiras ser transformado em galeria de arte? Não só pode, como deve. Tratando-se de uma igreja no centro histórico de Moura é quase uma obrigação.

Quanto é que esta intervenção custou aos cofres do Município? 52.500 €. O resto foi garantido por fundos comunitários, aos quais a Câmara Municipal concorreu.

A igreja do Espírito Santo esteve, durante muitos anos, num estado de degradação extrema. Foi, há algum tempo, adquirida pela Câmara Municipal e vai agora ganhar nova vida. A obra está concluída. O edifício não será inaugurado antes de final de setembro.

Está, contudo, na altura de se mostrar o trabalho de reabilitação e os frescos que foram postos a descobertos e devidamente tratados por técnicos de restauro. Está, sobretudo, na altura, de se discutir o futuro. É esse o objetivo do colóquio sobre Reabilitação e Gestão de Edifícios Históricos, que terá lugar, na própria igreja, no próximo dia 20, pelas 18.30.

Participantes:
Ana Paula Amendoeira * presidente da comissão nacional do ICOMOS.
António Prates * galerista e CEO do Centro Português de Serigrafia.
António Vasques * técnico da EMPRIPAR.
Joaquim Caetano * historiador de arte.
Santiago Macias * vereador da Câmara Municipal de Moura.
Vítor Mestre * arquiteto e co-autor do projecto de reabilitação da vmsa arquitectos.





PAVILHÃO DAS CANCELINHAS EM CONCURSO

Uf, foi desta. Um processo longo e difícil. As razões serão explicadas no local  e no momento próprios. Está a decorrer o prazo de entrega de propostas para este equipamento, a construir na Amareleja. Uma parte do logradouro da Escola das Cancelinhas será utilizada como pavilhão multiusos. Feira da Vinha e do Vinho? Sim. Mas também servirá para apoio à prática desportiva, bem como para a organização de eventos culturais. Um projeto arrojado e inteligente de Victor Mestre e Sofia Aleixo.

O prazo de entrega de propostas vai até 23 de agosto. Data de inauguração (para quem se preocupa com estas coisas)? Na primavera de 2015, se contarmos com todas as burocracias e procedimentos. 

Empreitada de construção de Pavilhão Solar na Escola das Cancelinhas (Amareleja)
D.R.: nº 140 (série II, de 23-07-2013)
Valor do preço base: 1.220.381,36 EUR
Prazo: 365 dias 

AUTÁRQUICAS 2013 - notas de campanha (nº 2)

1.
Nos últimos dias têm-se repetido as insinuações por parte de cabeças de lista do PS em Moura. Foram publicadas no jornal "A Planície" e no facebook. Em que consistem? Na acusação de que os mesmos de sempre andam a promover um clima de intimidação e ameaça para que as pessoas não votem PS. Mais ainda, que os mesmos de sempre andariam a dizer que, caso o PS ganhasse as eleições, seriam despedidas.
São acusações e insinuações às quais não é dada corpo. São feitas criando um clima de suspeição. O que é de uma extrema deselegância.

2.
Na passada quarta-feira os vereadores do PS votaram contra o contrato-programa a estabelecer entre a Câmara Municipal e a LÓGICA, empresa municipal.

A embirração do PS com o projeto da energia solar não é de hoje e assume contornos de obsessão.

Reconheça-se, contudo, alguma coerência ao Partido Socialista:
Votaram (dois vereadores) contra a constituição dos órgãos sociais da LÓGICA (26.09.2007).
Votaram contra a desanexação dos terrenos do baldio das Ferrarias (24.10.2007).

Abstiveram-se quando foi necessário tomar decisões sobre o zonamento da UP 11, onde hoje se encontra a fábrica de painéis solares (19.7.2006).
Abstiveram-se na venda de ações à ACCIONA (24.8.2006).
Abstiveram-se nas versões preliminar e final do contrato com a ACCIONA (3.1.2007 e 18.1.2007, respectivamente). 
Abstiveram-se no licenciamento da 1ª fase da central fotovoltaica (12.9.2007).
Abstiveram-se no licenciamento da 2ª fase da central fotovoltaica (16.1.2008).
Abstiveram-se na ratificação do Plano de Pormenor da central fotovoltaica (7.11.2007).

É caso para dizer que aqui é que não há mesmo mudanças. Continuam a ser os mesmos de sempre...


Porquê Andy Warhol e as suas sopas? Porque achei que a repetição da imagem colava bem com conversas que se repetem. Sempre na base do diz-que-diz. Sempre iguais. Sempre sem nada para dizer.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

BOCEJO



The black-haired girl
with the big
                          brown
                                          eyes
on the Queens train coming
                          in to work, so
opens her mouth so beautifully
                          wide
                                       in a ya-aawn, that
two stops after she has left the train
I have only to think of her            and I
                                                                   o-oh-aaaww-hm
                                                                      wow        !



Não sei quem é a rapariga que assim, tão nua, boceja. Quem a pintou foi Edvard Munch, que tinha 50 anos nesse ano de 1913. O poeta americano Paul Blackburn (1926-1971) também viu um bocejo. Também anónimo. E, que eu saiba, sem data.

O yawn de Blackburn está num livro. O da moça pode ser visto em Bergen. Está na Rolf Stenersen Collection.

BOLAMA: A COSTA É UMA MURALHA DE MANGUE

A costa é uma linha contínua. A costa é uma muralha de mangue. Três horas depois de uma navegação entre o mangue, o céu pardacento e o mar pardacento, o barco chega a Bolama. Do mar ainda não vemos a cidade. Vemos apenas o molhe, à nossa frente. 

O barco apita três vezes, como se de um filme se tratasse. A cidade é uma clareira na costa e no mangue. Está à nossa frente, atrás do mangue e dos poilões. Pressente-se, colina acima, mas não mais que isso. Quem olha a cidade, lá do alto, são os jagudis. Um voo preguiçoso, ao ritmo do barco e do calor. 

Do mar não vemos a cidade, nem vemos as ruínas. No calor da tarde, Bolama começa a tomar forma. Plantas antigas dão-lhe uma ordem, que agora desaparece, por entre os prédios em mau estado. As ruas coloniais são, agora, terreno lavrado pela chuva e pela incúria. O pavimento original desapareceu há muito. Passa um jipe, levantando nuvens de pó. Há silêncio e há pó, um pó vermelho, silencioso e perene, que tudo cobre. 

À direita do porto ergue-se um obelisco. Ai caduti di Bolama, homenageou Mussolini. O monumento existe desde o ano IX da Era Fascista. Mussolini acreditava governar para a eternidade. Falhou em toda a parte, menos em Bolama. Até hoje, a memória dos quatro aviadores que ali morreram permanece gravada na pedra. 

As cidades existem, isso é bem sabido, enquanto símbolos do poder. A arqueologia mostra-nos como as cidades e os seus edifícios mudam quando o poder desaparece ou se torna fraco. Quanto mais forte é o poder, mais visíveis são os sinais da sua decadência. Anfiteatros romanos que são ocupados por igrejas, teatros que se transformam em espaços de habitação, ruas que são cortadas ou privatizadas, de tudo um pouco as escavações nos contam, dando voz aos que tomaram a vez de quem mandava. Tal não aconteceu em Bolama. Quando os brancos saíram, e Bolama era deles e para eles, a cidade saiu de si própria. 

Uma cidade não costuma morrer de uma só vez. Uma cidade definha. Agora um muro cai, logo a seguir tomba um troço de telhado, depois outro. A morte de uma cidade é uma arqueologia às avessas, uma escavação feita da base para o topo. 

No princípio do fim tudo parece imutável. Os prédios são quase os mesmos, estão quase intactos. Estão feridos de morte, mas tal não é visível. Alguns anos depois começam a ser visíveis os sinais da doença. O processo é cada vez mais rápido, cada vez mais irreversível. Algumas décadas mais tarde, a história da cidade só é feita por velhos bilhetes-postais. As telhas misturam-se com a densidade das ervas e dos arbustos. Os canos de água, podres e inchados pela ferrugem, saem dos muros, sem préstimo. Primeiro é a água que se insinua nos muros, começando a atacar o ferro, que cresce e ganha volume. Depois, a argamassa salta e o processo acelera-se. Mais tarde, notam-se já com clareza as frestas e o interior dos muros. É o começo da ruína final. Bolama desmaia ma i ka murri, diz-se por lá, mas a realidade desafia a tradição. 

Bolama foi a capital da Guiné Portuguesa. Hoje, entre escombros, ferrugem e o esquecimento, é um cenário fantástico, entre Greene e Conrad. A cidade, lá nos trópicos, é fácil de encontrar (11º 20’ 0’’ N, 16º 5’ 0’’ W). Mas não é fácil de lá sair. Um dia mais tarde explicarei porquê.



Mais um passo no livrinho que há-de sair sobre Bolama. Mais uma tentativa de encontrar o caminho para esta extraordinária cidade tropical. O texto foi publicado em "A Planície" de 8 de agosto.

domingo, 11 de agosto de 2013

DAR A OUTRA FACE...

Mario Girotti? Carlo Pedersoli? Sim, claro, Terence Hill e Bud Spencer...

Mais filmes de humor pouco requintado e com muita pancada à mistura. Costumava vê-los no Cine-Teatro Caridade, onde, sempre que podia, ficava no lugar A-10 do 2º balcão (aka o galinheiro).

Na altura (1976?1977?), gostei muito deste Os dois missionários, que no original se intitulava Porgi l'altra guancia. Havia porrada de criar bicho, os bons e os maus, o calor das Caraíbas, interpretações muito peculiares do Evangelho e uma música a roçar o calypso. Aqui fica a minha escolha cinéfila da semana.

sábado, 10 de agosto de 2013

A CURVA DA POESIA

Soubesse eu declamar e oferecia-me para participar na iniciativa que um grupo de camaradas da CDU está a organizar. E que terá lugar em Moura, no próximo dia 13, em mais uma das noites na sede (v. aqui).


Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.


Não sei quem está para lá do vidro. Mas sei que a fotografia é de André Kertész (1894-1985). O poema é de Alberto Caeiro e já por aqui andou, em abril de 2012.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

GONÇALO LAMPREIA

Só ontem soube da vitória deste jovem safarense num concurso nacional de guitarra clássica. A surpresa foi ainda maior porque me cruzo regularmente com os pais do Gonçalo e nunca se tinha falado em tal.

Há a natural satisfação de ver um jovem conterrâneo na alta roda. E há também um desafio: o primeiro disco vai ter de chamar Safara ok? Como fez um tal Paco de Lucía, que intitulou uma das suas obras Castro Marim, em homenagem à terra da sua mãe.

URBANO TAVARES RODRIGUES (1923-2013)

Texto hoje enviado à comunicação social pela Câmara Municipal de Moura:

A Câmara Municipal de Moura expressa o seu profundo pesar pela morte de Urbano Tavares Rodrigues, hoje, em Lisboa. Contava 89 anos de idade e encontrava-se doente há algum tempo.

Professor universitário e um dos grandes escritores portugueses contemporâneos, Urbano Tavares Rodrigues passou a sua infância e parte da juventude no concelho de Moura, terra que amava e considerava sua. Nos seus romances e novelas há frequentes referências ao Alentejo e ao seu povo trabalhador.

Urbano Tavares Rodrigues foi há alguns anos homenageado pela Câmara Municipal de Moura, que editou um livro sobre o escritor.

Democrata, Urbano Tavares Rodrigues foi perseguido pela ditadura fascista, tendo conhecido as prisões salazaristas e, mais tarde, sido forçado ao exílio. Regressou a Portugal depois da Revolução do 25 de Abril e continuou a escrever e a ensinar, prosseguindo até ao final da sua vida o combate por um País mais justo, fraterno e desenvolvido.

A Câmara Municipal de Moura transmitiu já  à família de Urbano Tavares Rodrigues condolências pelo seu desaparecimento.
 
  

Urbano Tavares Rodrigues foi presença solidária em Moura, ao longo de muitos anos. Intelectual de grande craveira teve, em vida, o reconhecimento que merecia. A Câmara Municipal de Moura está já a preparar uma sessão evocativa deste nosso conterrâneo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CONVERTEU-SE-ME EM NOITE O CLARO DIA


Apolo e as nove Musas, descantando
Com a dourada lira, me influíam
Na suave harmonia que faziam,
Quando tomei a pena, começando:

Ditoso seja o dia e hora, quando
Tão delicados olhos me feriam!
Ditosos os sentidos que sentiam
Estar-se em seu desejo traspassando!

Assim cantava, quando Amor virou
A roda à esperança, que corria
Tão ligeira, que quase era invisível.

Converteu-se-me em noite o claro dia;
E, se alguma esperança me ficou,
Será de maior mal, se for possível.


Camões em pleno verão e cheio de cor. Camões entre o dia e a noite. Camões em dia de leitura de textos medievais. Sim, isso mesmo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O REGRESSO DE LUÍS EURIPO

Ontem lembrei-me de Luís Euripo, o nome português de Big Ben Bolt.

Ao ver a atuação ao vivo do bloguista Pedro Lomba e o KO que aplicou, em direto, ao (agora) ex-Secretário de Estado Pais Jorge lembrei-me dos livros de quadradinhos dos dias de juventude.

Se eu fosse Secretário de Estado de Qualquer Coisa punha-me a pau com Pedro Lomba. Isso sim.

MOURA - A NOSSA EQUIPA

Novos cartazes nas ruas e praças de todo o concelho.
Fotografias dos primeiros quatro da lista da CDU à Câmara Municipal de Moura.

1. Santiago Macias
50 anos, historiador (Universidade de Coimbra)

2. José Gonçalo Valente
34 anos, arqueólogo (Câmara Municipal de Moura)

3. Maria do Céu Rato
53 anos, professora (Agrupamento de Escolas de Moura)

4. Joaquim Simões
36 anos, músico (Conservatório Regional do Baixo Alentejo)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

VELHOS E NOVOS NO ALENTEJO

Nas campanhas eleitorais as ideias avulsas brotam como cogumelos. Algumas fazem o seu caminho. Há dias alguém (a pessoa em causa tem responsabilidades na candidatura local do PS) emitiu umas aflitivas opiniões sobre o envelhecimento da população do concelho de Moura. Isso e a fuga dos jovens seriam culpa da gestão CDU.

O problema do envelhecimento é um drama de toda a faixa interior do País. Tem raízes não em gestões municipais, mas sim em graves problemas estruturais.

Ainda assim, e excetuando as capitais de distrito, Évora e Beja, Moura é o município que tem o mais baixo índice de envelhecimento. Ou seja, é o 3º (em 28) onde há, percentualmente, mais jovens.

Os factos são esses e não aquilo que algumas pessoas querem que sejam. 

CDU - MOURA/2013, MAIS UM PASSO

O prazo terminou ontem, mas as nossas listas foram entregues no dia 29 de julho.

A CDU é a única força política que concorre a todos os órgãos autárquicos municipais e de freguesia do concelho de Moura. Apresenta um total 150 candidatos – 14 à Câmara Municipal; 42 à Assembleia Municipal; 26 à União das Freguesias de Moura (Santo Agostinho e S. João Baptista) e Santo Amador; 18 à União das Freguesias de Safara e Santo Aleixo da Restauração; 18 à Assembleia de Freguesia de Amareleja; 16 à Assembleia de Freguesia de Póvoa de S. Miguel; e 16 à Assembleia de Freguesia de Sobral da Adiça.


Da esquerda para a direita, eis o grupo que esteve no tribunal no ato de entrega das listas: Nelson Mendes, Joaquim Simões, Bruno Monteiro, José Gonçalo Valente, Zélia Parreira, José Maria Pós-de-Mina, Antónia Baião, Ana Farinho, Maria de Jesus Mendes, Helena Romana, Santiago Macias, Céu Rato, Lúcia Dias, Gabriel Ramos e Maria José Silva.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DAS MARGENS DO GUADIANA VÊ-SE O RESTO DO MUNDO

O projeto foi inicialmente desenvolvido para a Câmara Municipal de Mértola, em 2010. Recupero-o agora, no âmbito da candidatura da CDU para as eleições autárquicas.

O tema é a arquitetura de Roma e os seus reflexos. São cerca de 15 fotografias, feitas em vários locais do antigo império. Por brincadeira pus o título em latim (tradução do Prof. Doutor Raul Rosado Fernandes): A RIUIS ANATIS FLUMINIS EXTREMUM MUNDI UIDERI POTESTDas margens do Guadiana vê-se o resto do mundo.

Re(inauguração) no próximo dia 12, pelas 18 horas, na sede de candidatura da CDU, em Moura (Largo General Humberto Delgado).

sábado, 3 de agosto de 2013

BALBÚRDIA NO OESTE

O cinema de Mel Brooks (n. 1926) nunca primou pela subtileza. A elegância também não é o seu ponto forte... Mas, na década de 70, dirigiu algumas comédias que fizeram história. De entre elas, salientam-se Balbúrdia no Oeste (1973) e Frankenstein Júnior (1974). A primeira tem um final na melhor tradição slapstick. A segunda é um delírio em torno de uma troca de cérebros.

Escolhi, como opção cinéfila para estes dias, a cena da chegada de um sheriff negro à cidade racista de Rock Ridge, de Balbúrdia no Oeste. Em vez de executar um condenado à morte, o governador nomeia-o responsável por um sítio onde os habitantes se encarregariam dessa tarefa...

Numa altura em que precisamos de descontrair, aqui vai um pouco do estilo Brooks:

ENTRE OS FADOS E AS COLOMBINAS, ENTRE MOURA E HUELVA


Um compromisso assumido há muito com amigos espanhóis afastou-me do concelho por umas horas. As SMS que fui recebendo deram-me conta do estrodoso sucesso que foi a noite de fados, organizada pela CDU, em Moura. Centenas de pessoas encheram um dos largos da cidade e demonstraram, uma vez mais, o caráter abrangente desta candidatura. Sublinhe-se, também e uma vez mais, que a Política não faz sentido sem a Cultura.

Entretanto, em La Merced, pude ver, pela primeira vez e depois de muitas tentativas, falhadas, Morante de la Puebla. O relato entusiasmado de Emilio Trigo bate certo com o que se passou: 

Morante de la Puebla paseó el primer trofeo del festejo en el toro que abrió plaza. Lo logró tras 'acariciar' los engaños ante un ejemplar de Jandilla muy noble y de fuerza justa. El toro permitió que Morante disfrutara desde el recibo de capote. La faena tuvo el sello de la suavidad en todo momento. En un bonito saludo capotero sobresalió la media, excepcional y en la muleta, donde el toro quizá pagó una voltereta previa, Morante fue haciéndole poco a poco. Muy parsimonioso en los tiempos y en su toreo, el de La Puebla llevó muy suave al nobilísimo ejemplar de Jandilla, más compactado por el pitón derecho, más suelto al natural. Una estocada en la suerte de recibir fue el preámbulo de la oreja.

En el cuarto Morante cambió la Puerta Grande por una atronadora ovación en los medios tras dos avisos por culpa del descabello. Fue un astado bravo, que exigió de salida en el capote y que se empleó en el caballo. El torero sevillano le construyó una faena muy estética y sobre todo, templada, en la que volvió a mostrar su capacidad de llenar la escena entre tandas. El de Jandilla, aunque tuvo calidad, estuvo falto de un punto más de raza que hubiera generado mayor transmisión. Sin embargo, esto lo suplió Morante con un toreo muy estético y plagado de detalles. Tras oír, mientras toreaba, un aviso, dejó una estocada que parecía más que suficiente pero el cuarto se tragó la muerte y Morante se atrancó con el descabello.

No site mundotoro.com:
Tres cuartos largos de entrada. Toros de Jandilla, manejables en conunto. Morante de la Puebla, oreja y ovación tras dos avisos; Miguel Ángel Perera, ovación y ovación y Alejandro Talavante, oreja y ovación tras petición de oreja. Saludaron en banderillas del segundo toro Juan Sierra y Guillermo Barbero, en el cuarto El Lili y Francisco Javier Sánchez Araujo y en el quinto Joselito Gutiérrez.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

HOJE, NO CAMPO PEQUENO...

... é dia para ver atuar o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura. É sempre bom poder ver o grupo da nossa terra na principal praça do País.