quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CÂMARA ABERTA - TRABALHO, INVESTIMENTO, EMPREGO (DIA 2)

Segundo dia da Câmara Aberta. O destaque principal foi para os investimentos públicos e para os efeitos, da mais variada ordem, que os mesmos causam, ou podem causar na economia. Aquilo em que a Câmara Municipal tem apostado, ao longo dos últimos anos tem um objetivo: o desenvolvimento no concelho. As obras na zona industrial, a construção do pavilhão das Cancelinhas, o Parque de Leilão de Gado e, agora, o Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura são passos nesse caminho.

 Encontro com um empresário da Zona Industrial. Um novo investimento em vista.

 Visita à empresas Aromas d'Amareleja. Ervas para exportação.

 Na obra do Pavilhão das Cancelinhas. Os trabalhos retomam dentro de duas a três semanas.

 Parque de leilão de gado. Um investimento ao serviço da economia local, a abrir em 2015.

 Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura. Há uma empresa instalada. Outras se seguirão, muito em breve.


Encontro com empresários. A ausência, por motivos de saúde, do jornalista
Nicolau Santos, transformou a sessão numa reunião de trabalho.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CÂMARA ABERTA - TRABALHO, INVESTIMENTO, EMPREGO (DIA 1)

Câmara Aberta, primeiro dia. Com destaque para os projetos privados que, de uma forma ou de outra, contaram com o apoio da Câmara Municipal. Numa altura em que se avolumam os problemas há empresários dispostos a dar passos importantes. A autarquia acompanha esse esforço, de forma ativa. O trabalho de renovação da zona industrial começa a dar frutos. De forma bem visível.

 Centro de Inspeção de Veículos. Em fase de arranque, estará ao serviço do público no próximo outono.

AMBIMOURA. Projeto no domínio do ambiente, desenvolvido em terreno infraestruturado e cedido pela CMM.

 Centro de Medicina Física e de Recuperação. Obra realizada em terreno cedido pela CMM.
Foi também a autarquia a intervir nas infraestruturas.

Reunião com a Caixa Geral de Depósitos. A expansão da zona industrial em cima da mesa.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

JE SUIS LUISINHA CARNEIRO

"Ah, esta abominável influência da distância sobre o nosso imperfeito coração! Bem recordo uma noite em que, numa vila de Portugal, uma senhora lia, à luz do candeeiro, que dourava mais radiantemente os seus cabelos já dourados, um jornal da tarde. Em torno da mesa, outras senhoras costuravam.Espalhados pelas cadeiras e no divã, três ou quatro homens fumavam, na doce indolência do tépido serão de Maio. E pelas janelas abertas sobre o jardim entrava, com o sussurro das fontes, o aroma das roseiras. No jornal que o criado trouxera e ela nos lia, abundavam as calamidades. Era uma dessas semanas também em que pela violência da natureza e pela cólera dos homens se desencadeia o mal sobre a terra.
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Ela lia as catástrofes, lentamente, com a serenidade que tão bem convinha ao seu sereno e puro perfil latino. «Na ilha de Java, um terramoto destruíra vinte aldeias, matara duas mil pessoas …». As agulhas atentas picavam os estrofos ligeiros; o fumo dos cigarros rolava docemente na aragem mansa; e ninguém comentou, sequer se interessou pela imensa desventura de Java. Java é tão remota, tão vaga no mapa! Depois, mais perto, na Hungria, «um rio transbordara, destruindo vilas, searas, os homens e os gados…». Alguém murmurou, através de um lânguido bocejo: «Que desgraça!». A delicada senhora continuava, sem curiosidade, muito calma, aureolada pelo oiro da luz. Na Bélgica, numa greve desesperada de operários que as tropas tinham atacado, houvera entre os mortos quatro mulheres, duas criancinhas…
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Então, aqui e além, na aconchegada sala, vozes já mais interessadas exclamaram brandamente: «Que horror!... Estas greves!... Pobre gente!...» De novo o bafo suave, vindo de entre as rosas, nos envolveu, enquanto a nossa loura amiga percorria o jornal atulhado de males. E ela mesma então teve um oh de dolorida surpresa. No sul da França, «junto à fronteira, um trem descarrilado causara três mortes, onze ferimentos…». Uma curta emoção, já sentida, já sincera, passou através de nós com aquela desgraça quase próxima, na fronteira da nossa península, num comboio que desce a Portugal, onde viajam portugueses… Todos lamentámos, com expressões já vivas, estendidos nas poltronas, gozando a nossa segurança.
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A leitora, tão cheia da graça, virou a página do jornal doloroso e procurava noutra coluna, com um sorriso que lhe voltara, claro e sereno… E, de repente, solta um grito e leva as mãos à cabeça:
– Santo Deus!...
Todos nos erguemos num sobressalto. E ela, no seu espanto e terror, balbuciando:
– Foi a Luísa Carneiro, da Bela-Vista… Esta manhã! Desmanchou um pé!

Então a sala inteira se alvoroçou num tumulto de surpresa e desgosto.As senhoras arremessaram a costura; os homens esqueceram charutos e poltronas; e todos se debruçaram, reliam a notícia no jornal amargo, se repastavam da dor que ela exalava!... A Luisinha Carneiro! Desmanchara um pé! Já um criado correra, furiosamente, para a Bela-Vista, buscar notícias por que ansiávamos. Sobre a mesa, aberto, batido da larga luz, o jornal parecia todo negro, com aquela notícia que o enchia todo, o enegrecia.
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Dois mil javaneses sepultados no terramoto, a Hungria inundada, soldados matando crianças, um comboio esmigalhado numa ponte, fomes, pestes e guerras, tudo desaparecera – era sombra ligeira e remota. Mas o pé desmanchado da Luísa Carneiro esmagava os nossos corações… Pudera! Todos nós conhecíamos a Luisinha – e ela morava adiante, no começo da Bela-Vista, naquela casa onde a grande mimosa se debruçava do muro dando à rua sombra e perfume.

"Eça de Queirós in Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (1907)


Da abominável chacina de Paris aos repetidos massacres na Nigéria (2000 mortos em Baga) há dois passos de distância: um é geográfico, o outro é cromático.

UMA CIDADE E O SEU MUSEU: 9/20 - DALLAS

Foi há muitos anos. Mais de 15. Havia um gigantesco congresso, com mais de 2000 participantes. No final de um abafado dia de dezembro os conferencistas foram convidados para um cocktail, no Dallas Museum of Art. Desse encontro, barulhento e animado, recordo a "perseguição" movida por um senhora, na casa dos 50, que queria, à viva força, saber se eu era "islamic". Nem o par de whiskey sour que bebi a convenceu.

Do Dallas Museum of Art ficou um pouco mais que isso. Numa cidade-automóvel desinteressante, ficou-me a imagem da riqueza da coleção de arte e, sobretudo a riqueza dos materiais pré-coloniais provenientes da América Central. E ainda a variedade e abundância dos sponsors do museu. Eram sobretudo empresas...

site do museu: https://www.dma.org/

domingo, 11 de janeiro de 2015

STANLEY KUBRICK ou A PERFEIÇÃO DA PERSPETIVA

Ontem, isto caiu-me no facebook. Achei interessante a perspetiva sobre a perspetiva. O perfecionismo de Stanley Kubrick (1928-1999) é lendário. Ainda assim, não pensei que levasse o rigor dos enquadramentos a este ponto quase obsessivo. E a esta sistemática repetição.

Depois de 2001, o resto da filmografia quase poderia não ter existido. Laranja mecânica ainda merece um sim. Barry Lyndon apenas o talvez (com sentido pictórico e o uso de lentes especialmente pensadas para o filme), os dois seguintes o não, até se chegar ao crepuscular De olhos bem fechados. Um filme ácido, que gostei imenso de ver. Termina a obra derradeira de Kubrick com uma peça de Dmitri Shostakovich (ninguém!, mas ninguém mesmo, soube construir acompanhamentos musicais como Kubrick) e com um diálogo pouco vulgar na obra do cineasta:

Alice Harford: I do love you and you know there is something very important we need to do as soon as possible.
Dr. Bill Harford: What's that?

sábado, 10 de janeiro de 2015

FRIO

O quadro e o poema têm pouco a ver um com o outro. Ligam-nos o frio, o crepúsculo e a sensação de fade-out. Nestes dias de vários frios são, assim me parece, uma citação apropriada. Henri Le Sidaner (1862-1939) e Mark Strand (1934-2014) fazem a primeira subida pela Avenida da Salúquia. Le jardin blanc au crépuscule, de 1912, e I had been a polar explorer, de 2006, são duas das baias do meu dia. A preparação do filme Chegar a casa será a outra.


I had been a polar explorer in my youth
and spent countless days and nights freezing 
in one blank place and then another. Eventually,
I quit my travels and stayed at home,
and there grew within me a sudden excess of desire,
as if a brilliant stream of light of the sort one sees 
within a diamond were passing through me.
I filled page after page with visions of what I had witnessed—
groaning seas of pack ice, giant glaciers, and the windswept white 
of icebergs. Then, with nothing more to say, I stopped 
and turned my sights on what was near. Almost at once, 
a man wearing a dark coat and broad-brimmed hat 
appeared under the trees in front of my house.
The way he stared straight ahead and stood, 
not shifting his weight, letting his arms hang down
at his side, made me think that I knew him. 
But when I raised my hand to say hello, 
he took a step back, turned away, and started to fade
as longing fades until nothing is left of it.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

CÂMARA ABERTA: TRABALHO, INVESTIMENTO, EMPREGO EM MOURA

Iniciativa sobre Trabalho, Investimento e Emprego, Câmara Aberta a ter lugar entre os próximos dias 12 e 15 de janeiro:

12 de janeiro, segunda-feira
14:00 – Visita ao terreno do Centro de Inspeção de Veículos
15:00 – Visita à AmbiMoura
16:00 – Visita ao Centro de Medicina Física e de Recuperação de Moura
17:00 – Reunião com a Caixa Geral de Depósitos

13 de janeiro, terça-feira
09:00 – Visita às obras da Zona Industrial de Moura
11:00 – Visita à empresa Aromas d’Amareleja
12:00 – Visita às obras do Pavilhão das Cancelinhas
15:00 – Visita ao Parque de Leilão de Gado
16:00 – Visita ao Centro de Acolhimento de Microempresas de Moura
19:30 – Encontro com empresários. Debate com o Dr. Nicolau Santos, diretor-adjunto do “Expresso"

14 de janeiro, quarta-feira
09:00 – Encontro das direções das empresas municipais
14:00 – Visita ao Centro de Emprego de Moura
15:00 – Reunião com representantes da União de Sindicatos de Beja
16:00 – Reunião com representantes dos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura
17:00 – Reunião de Câmara

15 de janeiro, quinta-feira
09:00 – Visita à Herdade dos Cotéis
10:30 – Visita à Água Castello
11:15 – Visita à empresa Pastelinhos de Safara
12:00 – Visita à Casa Agrícola Santos Jorge
14:00 – Visita à MFS – Moura Fábrica Solar (Jinko Solar)
15:00 – Visita à Fábrica de Alimentos Guadiana
16:00 – Visita à Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos
18:00 – Sessão sobre o microcrédito com entidades bancárias

Trata-se da terceira Câmara Aberta do mandato, depois das de dezembro de 2013 e de março de 2014. A realidade económica e o esforço feito pela Câmara Municipal de Moura em torno do desenvolvimento económico do concelho. Mais o esforço generoso de empresários que ajudam a construir e a moldar a realidade de todos os dias. Mais o papel decisivo dos trabalhadores neste concelho que é de todos.

Fotografia: John Heartfield (pseudónimo de  Helmut Herzfeld: 1891-1968)

BALANÇO DE MANDATO: 440 DIAS DE TRABALHO


Balanço de mandato: 440 dias de trabalho

Santiago Macias - José G. Valente - Céu Rato - Joaquim Simões*

Um recente artigo surgido em “A Planície”, subscrito pelos vereadores do PS, desqualifica, de uma ponta à outra, o trabalho que realizámos no primeiro ano de mandato. Sem dar um único exemplo concreto. Um só, para amostra. Resolvemos, por isso, sem recorrer ao estilo insultuoso de que fomos alvo, por os pontos nos iii e dar aos leitores deste jornal uma visão do que foi este ano, dois meses e 15 dias de trabalho. Vale sempre a pena repor a verdade e fornecer factos.


UM ANO INTENSO
O final de 2013 e o ano de 2014 foi marcado pelo acelerar de obras em curso, algumas das quais foram concluídas e postas à disposição de todos. Cabe aqui natural destaque para abertura da Escola Básica e do Jardim de Infância de Santo Aleixo (1.12.2013) e para a inauguração da sede da Herdade da Contenda (1.2.2014). Momento decisivo neste âmbito foi, decerto, a abertura ao público do Edifício dos Quartéis (14.6.2014). Concluiu-se a importante intervenção de saneamento e de reposição de pavimento na confluência da Rua das Flores com a Rua Nova de Barrancos, em Amareleja, obra que colocou ponto final num problema por solucionar. Avançaram os trabalhos de pavimentação na Zona Industrial, agora praticamente terminados. A reabilitação da muralha da Boavista e do muro sobranceiro ao Jardim Dr. Santiago garantiu segurança aos moradores (no primeiro caso) e permitiu a reabertura do parque infantil (no segundo).

Foram meses de esforço e de consolidação. Com a competência e dedicação dos trabalhadores municipais. Fizemos duas “Câmaras Abertas” e organizámos duas sessões de debate (com o título de “Fórum 21”). Terminámos o Plano da Zona Industrial de Amareleja e o Plano de Urbanização da Póvoa de S. Miguel. Fizemos aprovar oito novos regulamentos municipais. Assinámos acordos de descentralização de competências com quatro freguesias e contratos interadministrativos e programas de apoio às localidades do concelho com cinco freguesias. Este programa de apoio, não obrigatório por lei, tem uma dotação global de 120.000 euros.

O ano terminou com a atribuição do prestigiado Prémio do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana à intervenção realizada no Bairro da Mouraria. O culminar perfeito de um processo aliou-se, de forma decisiva, à certeza de estarmos no caminho certo.


O FUTURO QUE AÍ VEM
Vivemos tempos de transição entre um quadro comunitário e outro. Ainda não há financiamentos disponíveis para as autarquias, mas há trabalho que continua a ser feito. O tempo não para, a nossa equipa também não. Por um lado, avistamos já a data de conclusão de obras que temos vindo a empreeender: a reparação da cobertura do Lagar de Varas, a obra de ligação de esgotos à ETAR, a reabilitação da Escola Primária da Estrela (futuro espaço de apoio à canoagem), as obras na Ribeira de Vale de Juncos (Amareleja) e na Ribeira da Perna Seca (Sobral), no Pavilhão Multiusos das Cancelinhas (Amareleja), no Matadouro e área envolvente, no Parque de Leilão de Gado. Falamos de intervenções cujo montante global de investimento ronda 4.750.000 euros. Parte significativa desta verba foi garantida através de fundos comunitários, fruto da reconhecida qualidade dos projetos apresentados pela Câmara de Moura.

Há outras intervenções a concretizar? Decerto. Estão já alinhadas e prontas a arrancar, logo que garantida a respetiva componente financeira, a reabilitação da igreja de Safara e a passagem submersível do Ardila, em Santo Amador. Tomam, entretanto, forma os projetos de reabilitação da Torre do Relógio, em Amareleja, e de revitalização do Campo Maria Vitória, em Moura. Está, também, terminado, o projeto de iluminação do Castelo de Moura.

O futuro passa pelo apoio às atividades económicas. A próxima Câmara Aberta, entre 12 e 15 de janeiro, encarregar-se-á de o sublinhar. O novo arranque do Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura é umas das nossas apostas. Apoiámos, e apoiaremos, iniciativas como o Centro de Fisioterapia e o Centro de Inspeção de Veículos.


O PAPEL SOCIAL DE UMA AUTARQUIA
A chamada “área social” é o tema favorito de algumas pessoas, quanto ao caminho a trilhar pela autarquia. Dizemos, sempre dissémos, que há domínios que pertencem ao âmbito do Poder Central e aí devem permanecer. E que a caridade não é nem será a área em que nos movemos. Posto isto, e porque há por aí muita demagogia sem vergonha, aqui ficam os números (puros e duros) da intervenção da Câmara de Moura na área social: 236.000 euros em bolsas de estudo do ensino superior, auxílios económicos, material didático e informático, atividades de animação e apoio à família no pré-escolar (104 beneficiários), refeições (1.º ciclo e jardins de infância), mais 300 beneficiários dos ateliers de verão. Somemos, neste domínio, em 2013 e 2014, 234.000 euros de vários sistemas de apoio a desempregados, num total de 235 beneficiários. Os valores são parciais. A atualização de valores só será possível quando tivermos terminado as contas de 2014..

Impactos sociais? Sem dúvida que incluímos aí os 191.000 em transportes escolares (388 alunos), os 515.000 euros de apoio a associações, os 130.000 euros anuais de apoio aos Bombeiros. E ainda o apoio de 51.500 euros à APPACDM e de 50.000 euros à Fábrica de Igreja da Estrela. Deixamos de fora a Árvore da Partilha e as festas nos lares.

Temos como aposta primordial a habitação social. Iremos reabilitar, para esse fim, o Pátio dos Rolins e realizaremos obras em cerca de duas dezenas de habitações em 2015. É essa a tradução prática do projeto Ágora Social.


UMA NOVA CÂMARA, AS DESPESAS, OS EMPRÉSTIMOS E AS DÍVIDAS
“A Câmara gasta dinheiro a mais!”, “A Câmara está-se a endividar!” etc., etc.. É este o teor de muitas críticas da oposição. São críticas injustas e erradas. É esta a nossa posição: 1) a Câmara de Moura não é dada a luxos nem a gastos espaventosos; 2) o dinheiro retirado pelos governos PS e PSD à Câmara de Moura (4 milhões de euros nos últimos anos) torna quase obrigatório o recurso a empréstimos, para fazer face a necessidades urgentes; 3) a autarquia está dentro da sua capacidade legal de endividamento; 4) a Câmara de Moura dá provas, como sempre, de conseguir aplicar os financiamentos da forma mais adequada e em defesa dos interesses da população. A dívida de curto prazo da Câmara Municipal ronda os 2.000.000 euros. Dos quais metade corresponde à água, com plano de pagamento aprovado até dezembro de 2019. Onde vai estão ser gasto o dinheiro do empréstimo atual (990.000 euros): em habitação social (365.000), na obra do estacionamento em frente ao Lar de S. Francisco (155.000), em reparações de pavimentos de ruas (100.000), obras em escolas (186.000) e aquisição de equipamentos (184.000). A passagem submersível em Santo Amador, a igreja de Safara e a habitação social justificarão novo pedido, em 2015.

Há uma nova equipa na Câmara. Que tem lutado por este concelho. Que não aceita nem aceitará chantagens. Que ultrapassará chumbos de orçamentos e outras dificuldades. Que continuará a valorizar o que de melhor temos neste concelho. Sempre em ligação estreita com as populações. Com a certeza que a maioria dos mourenses entende e apoia este esforço.


* Presidente da Câmara e Vereadores eleitos nas listas da CDU

(texto publicado em "A Planície" de 8.1.2015)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

REFLEXÃO SOBRE A CHACINA DE PARIS

Temos, em http://www.odiario.info, uma leitura lúcida e pertinente sobre o massacre de Paris. Aqui a deixo. São editores do site Filipe Diniz, José Paulo Gascão, Miguel Urbano Rodrigues e Rui Namorado Rosa.




Uma onda de emoção, solidariedade e repulsa corre pelo mundo levantada pela chacina de Paris.
É legítima. Doze pessoas foram assassinadas por um grupo terrorista na sede do semanário francês Charlie Hebdo. Entre elas o diretor, quatro cartoonistas e dois polícias. 
O jornal, satírico, progressista, havia sido já alvo de atentados por ter publicado caricaturas do Profeta Maomé.
A dimensão, o motivo e a circunstância contribuem para a repercussão mundial do bárbaro crime.
O facto de os assaltantes terem gritado à saída «Alá é grande e o Profeta foi vingado!» funcionou como estímulo à islamofobia. 
Na última semana, organizações de extrema-direita da Alemanha, dos EUA e da França promoveram manifestações racistas dirigidas contra as comunidades muçulmanas desses países. Tais iniciativas tendem agora a multiplicar-se.
O Presidente François Hollande, ao condenar o monstruoso atentado, afirmou que a França «está em choque». Chefes de estado e de governo de todo o mundo expressam solidariedade e horror.
É lamentável mas significativo que o discurso dos políticos e os comentários dos media sejam omissos quanto a uma questão fundamental. Responsabilizam o terrorismo, reafirmam a determinação de lhe dar combate onde quer que desenvolva a sua ação criminosa, mas abstêm-se de referências às causas do surto de barbárie terrorista.
Obama e os seus aliados europeus, sobretudo Hollande e Cameron, têm telhados de vidro. Não podem confessar que o terrorismo cresceu em escala mundial desde que o imperialismo norte-americano (com o apoio do estado fascista de Israel) iniciou agressões em serie a países muçulmanos.
A guerra do Golfo foi um prólogo. Mas foi após os atentados do 11 de Setembro de 2001, com a invasão e ocupação do Afeganistão, que essa estratégia assumiu, com Bush filho, caracter prioritário.
A segunda Guerra do Iraque, o reforço da presença no Afeganistão, a agressão à Líbia, o apoio na Síria a organizações terroristas configuram crimes contra a humanidade.
Invocando sempre como pretexto para guerras abjetas a democracia e a defesa dos direitos humanos, os EUA mataram centenas de milhares de muçulmanos, destruíram cidades, introduziram a tortura, semearam a miséria e a fome no Médio Oriente e na Ásia Central.

Nesta hora em que os franceses choram os mortos de Charlie Hebdo é necessário recordar que Sarkozy e Hollande foram cúmplices de muitos dos crimes do imperialismo norte-americano.

E indispensável lembrar que muitos dos assassinos do chamado Estado Islâmico foram treinados pela CIA e por militares dos EUA. Washington fomentou o terrorismo proclamando que o combatia.

OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

UP-PP-PU (SÓ NÃO HÁ UU, MAS OS LEGISLADORES VÃO TRATAR DISSO...)

Depois do PP (plano de pormenor) da UP (unidade de planeamento) 4 da Amareleja, foi aprovado pela Câmara o PU (plano de urbanização) da Póvoa de S. Miguel. Os legisladores adoram estas coisas. Só falta inventarmos um UU.

Os documentos seguiram para conferência de serviços. Mais uns meses e teremos, assim se espera, estes processos encerrados.

Planeando nova legislação

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

GEORGES WOLINSKI (1934-2015)

Não há relativização possível para a barbárie de hoje. Nem contextualização que valha seja a quem for.

Homenagem ao humor desbragado e ao espírito de liberdade do Charlie Hebdo. E, do ponto de vista pessoal, homenagem a um dos meus desenhadores favoritos, o incontrolável Georges Wolinski. Um dos meus desenhos preferidos é o do relicário da Santa Gudula. Infelizmente não o encontrei. Mas esta paródia a Le radeau de la Méduse também não está mal.


ENTENGUIDO

Entenguido. A palavra, de uso meridional, é sinónimo de encolhido com o frio, inteiriçado, como se diz noutras paragens. Foi assim que passei o dia, entenguido. Assim deveriam estar também as mulheres cavando num campo com neve, pintadas por Van Gogh em 1890.

ESCULTURA INFORMAL


Foi há semanas. A preparação do fogo de Natal, em plena praça de Santo Aleixo da Restauração, tornou-se ponto de partida para uma verdadeira instalação, espontânea e criativa. A informalidade e autenticidade das coisas ensina-nos muito, creio, sobre a alma dos sítios.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

TIORIA

Tioria = teoria de um tio.

O artigo, Temos maus professores, de Alexandre Homem Cristo, saiu no Observador, em agosto, mas na altura não reparei nele. Foi-me enviado hoje. Causou, na altura, reações furibundas no site do jornal. Há, agora, comentários ácidos no facebook.

Eis um excerto da prosa:

Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor. Por um lado, veja-se que, enquanto os cursos mais prestigiados mantêm notas de acesso ao ensino superior bastante elevadas, nos cursos de ciências da educação acontece o inverso. Na Universidade de Lisboa, por exemplo, o último aluno a ingressar no curso, em 2013, teve a classificação de 10,9. Ou seja, dito de forma clara: quem hoje vai para professor não são os bons alunos. Por outro lado, quem hoje frequenta os cursos da área da educação são, em média, os que têm níveis socioeconómicos mais baixos e que, por isso, obtêm mais bolsas de acção social. De acordo com os dados para o ano lectivo 2010/2011, 41% dos estudantes desta área de estudos obteve bolsa. Foi a percentagem mais elevada entre todas as áreas de estudos – ou seja, em nenhuma área há uma concentração tão grande de estudantes com baixo nível socioeconómico.
Assim, em termos gerais, quem quer ser professor são os piores alunos, os mais pobres e os menos cultos. Há excepções, e ainda bem. Nos cursos e, sobretudo, nas escolas, onde a regra, felizmente, ainda é a existência de muitos bons e dedicados professores. Mas o perfil médio dos actuais cursos de ensino é este: são alguns dos piores das gerações do presente que estão nas escolas a preparar as gerações do futuro.
Sit-in queque, em protesto contra a entrada de pobres nas escolas

Não fiquei irritado. A reação de Alexandre Homem Cristo é compreensível. É o 24 de abril em toda a sua magnificência. É o elogio do elitismo e das escolas exclusivas e endogâmicas.

Neto de um cabo da GNR e de uma doméstica, que era analfabeta, filho de funcionários públicos de baixa patente, entendo bem a tioria de A. Homem Cristo. Os meus estudos, como de tantos na minha geração são fruto direto da Democracia. E das bolsas e apoios sociais. Antes do 25 de abril, nunca me teria sido permitido o percurso que fui fazendo. Graus académicos e presidências de câmara eram acessíveis a uma casta. A verdade é essa. E é isso que custa a engolir aos homens cristos deste nosso Portugal.

Ah, já agora: tive maus professores, mas os bons e os excelentes foram muitos mais.