segunda-feira, 13 de julho de 2015

SÓ UMA DÚVIDA...

A imprensa online tem estado a dar a notícia, desde há horas. A Grécia não sai do euro. Tsipras aceita a criação de um fundo de bens patrimoniais. A dúvida é essa... Quais os bens patrimoniais que são dados como garantia? E vão ser geridos a partir do exterior? Que a comunidade internacional se comporte como um grupo de prestamistas não nos dá garantias nenhumas quanto ao futuro. Ainda vamos chegar à conclusão que o estimado Lord Elgin foi um precursor.

Outra coisa: o Syriza foi pelo cano. Aparentemente, os analistas ainda não deram por isso.

sábado, 11 de julho de 2015

BARCA DO AMEIXIAL

Um sítio mítico para os mourenses: a Barca do Ameixial. O ponto de passagem é antigo e é mencionado em textos medievais. A barca já não existe, os moinhos também não. A menos de três semanas da abertura da exposição Água - património de Moura deixo aqui um teaser: estas imagens vão lá estar. A de cima é uma fotografia feita pelo geógrafo Jorge Gaspar, em 1969. Pertence ao arquivo do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. A de baixo é um quadro do artista mourense José Mendes Alves (Zé Nela). Diferentes visões de um mesmo sítio.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

LES BIJOUX

De uma recordação se vai a outra. Ao acordar recordei-me, vá lá saber-se porquê, de um filme visto há muito, O retrato de Dorian Gray. A evocação tem o seu quê de absurdo: não penso vender a alma ao Diabo, nem a eterna juventude me interessa. De uma recordação se vai a outra. No filme, Lord Henry Wotton (George Sanders) entretém-se a folhear Les fleurs du mal. Nem o livro nem o seu autor, Baudelaire, são propriamente literatura infanto-juvenil. A subtileza de Imogen Cunningham (1883-1976) é um bom contraponto à quase crueza das palavras.

La très chère était nue, et, connaissant mon coeur,
Elle n'avait gardé que ses bijoux sonores,
Dont le riche attirail lui donnait l'air vainqueur
Qu'ont dans leurs jours heureux les esclaves des Mores.

Quand il jette en dansant son bruit vif et moqueur,
Ce monde rayonnant de métal et de pierre
Me ravit en extase, et j'aime à la fureur
Les choses où le son se mêle à la lumière.

Elle était donc couchée et se laissait aimer,
Et du haut du divan elle souriait d'aise
À mon amour profond et doux comme la mer,
Qui vers elle montait comme vers sa falaise.

Les yeux fixés sur moi, comme un tigre dompté,
D'un air vague et rêveur elle essayait des poses,
Et la candeur unie à la lubricité
Donnait un charme neuf à ses métamorphoses;

Et son bras et sa jambe, et sa cuisse et ses reins,
Polis comme de l'huile, onduleux comme un cygne,
Passaient devant mes yeux clairvoyants et sereins;
Et son ventre et ses seins, ces grappes de ma vigne,

S'avançaient, plus câlins que les Anges du mal,
Pour troubler le repos où mon âme était mise,
Et pour la déranger du rocher de cristal
Où, calme et solitaire, elle s'était assise.

Je croyais voir unis par un nouveau dessin
Les hanches de l'Antiope au buste d'un imberbe,
Tant sa taille faisait ressortir son bassin.
Sur ce teint fauve et brun, le fard était superbe!

— Et la lampe s'étant résignée à mourir,
Comme le foyer seul illuminait la chambre
Chaque fois qu'il poussait un flamboyant soupir,
Il inondait de sang cette peau couleur d'ambre!


POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DO PASTEL DE BACALHAU!

Vem aí mais uma chuva de candidaturas a Património da Humanidade. Espero que não se esqueçam do pastel de bacalhau... Insuperavelmente lusitano e multicultural.

UM PRESIDENTE DADAÍSTA

Evo Morales ofereceu ao Papa um Cristo encastrado numa foice e num martelo. Se o gesto é de eficácia e de oportunidade duvidosas, quanto à peça em si não tenho dúvidas: é órrivel.

Fica o dadaísmo do gesto.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ENSAIO DE ORQUESTRA

É um dos filmes menos "considerados" de Federico Fellini (1920-1993). Foi a sua 19ª longa-metragem. Os músicos de uma orquestra rebelam-se contra o maestro e entram em greve. O filme é marcado pelo caos. Na cena final, o maestro não se coibe de impor a sua vontade, de forma dura. Acaba o discurso gritando ordens em alemão, na mais completa obscuridade. Algo que me faz lembrar os dias que correm.

O filme, Ensaio de Orquestra, tem um valor extra: a banda sonora do extraordinário Nino Rota (1911-1979). Fellini, Rota, o cinema italiano são a minha escolha desta semana.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

ELETROCARDIOGRAMA SEXISTA

Tive hoje, pela manhã, um inesperado momento de descontração. Ao ir buscar o eletrocardiograma feito há semanas (estava tudo bem, para minha surpresa) reparei que a capa era azul. Nada de mais, não se desse o caso dos eletrocardiogramas das senhoras terem capa rosa. Um sexismo com graça e algo fora do tempo.

Uma lógica antiga: azul para os meninos, rosa para as meninas. Ainda assim, o nú de Matisse é azul... É azul, não é? Nu bleu - souvenir de Biskra, assim se chama esta tela de 1907. Uma senhora, visivelmente é uma senhora, pintada por Matisse. Biskra fica na Argélia, já perto do deserto, e a gente não sabe que andou Matisse a fazer em Biskra. Em todo o caso, ficaram-lhe recordações como esta...

O quadro está hoje no Baltimore Museu of Art. O eletrocardiograma de capa azul anda, triunfante, no meu bolso.

terça-feira, 7 de julho de 2015

MANUEL ANTÓNIO VITORINO MESTRE (1950-2015)

"É com profundo pesar que a Câmara Municipal de Moura anuncia o falecimento, ocorrido hoje, de Manuel António Vitorino Mestre.

Nascido a 21 de janeiro de 1950, natural de Sobral da Adiça, Manuel Mestre foi presidente da Câmara Municipal de Moura entre 1991 e 1997, eleito pelo Partido Socialista, do qual era militante. Desempenhou ainda funções de vereador e de membro da Assembleia Municipal e da Assembleia de Freguesia do Sobral da Adiça. Dignificou, no exercício dessas funções, os cargos para os quais foi eleito, contribuindo para a construção do Poder Local democrático no concelho de Moura.

Em 1994, por inerência do cargo de presidente da Câmara, foi membro efetivo do conselho consultivo da Comissão Instaladora da empresa do Alqueva.

Engenheiro civil de profissão, Manuel Mestre foi também professor na Escola Secundária de Moura.

A Câmara Municipal de Moura apresenta sentidas condolências à família de Manuel António Vitorino Mestre.

Moura, 7 de julho de 2015

O GABINETE DE COMUNICAÇÃO E RELAÇÕES PÚBLICAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA"


Cito o texto da nota, distribuída há pouco pela Câmara Municipal de Moura. As bandeiras foram colocadas a meia-haste, em memória e homenagem ao ex-autarca. Nunca mantive relações de grande proximidade com o eng. Manuel Mestre, com quem me cruzei, de forma breve, na Câmara de Moura, era ele vereador e eu funcionário. Tive o prazer de o convidar a participar nas comemorações do 40º aniversário do 25 de abril. Falámos mais longamente no meu gabinete, durante um encontro que me pediu, no verão passado. Ficou aprazada nova conversa que, infelizmente, já não ocorreu.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

ALGUMAS NOVIDADES AQUI DA ALCAIDARIA

Início de semana em visita a obras. O verão vai ser de trabalho intenso. Há obras que têm prazos de execução curtos, para interferirem ao mínimo com o normal funcionamento das escolas. Noutros casos, avança-se no sentido do término de empreitadas. Há ainda empreitadas que agora vão ter início. É assim. Com todo o empenho e, sobretudo, com todo o prazer.


Obras de reabilitação em três escolas de Moura (Bombeiros, Sete e Meio e Fojo) - 158.450 € (conclusão: final de agosto)
 Escola dos Bombeiros

 Escola dos Bombeiros


Estacionamento junto ao Lar de S. Francisco - 155.000 € (conclusão: final de setembro)



Reabilitação do Pátio dos Rolins (2ª fase) - 235.300 € (início em setembro)



Pavilhão das Cancelinhas (Amareleja) - 789.400 € (conclusão: agosto)


Fazem ainda parte deste lote de iniciativas a iniciar nas próximas semanas a cobertura da Ribeira de Vale de Juncos, a construção do campo de futebol de praia na EBI da Amareleja, a inauguração da exposição sobre a água (no antigo matadouro), a reparação dos arruamentos em Moura, Amareleja e em Santo Aleixo, a reabilitação da cobertura do Pavilhão Gimodesportivo, a continuação dos projetos de habitação social e a entrada em serviço da nova viatura de recolha do lixo.

Investimento global destas iniciativas (que não são as únicas em curso) - 2.000.000 €

AH, SIM, POIS, CLARO, EVIDENTEMENTE, SEM DÚVIDA...

domingo, 5 de julho de 2015

ERVANÇUM 2015

OK, OK, já se sabe, ainda não acabou. Mas que é aposta ganha desde há muito, isso também se sabe. A organização é conjunta da ADASA, uma associação cultural da aldeia, e da Câmara Municipal de Moura. Têm sido dias e noites de pouco sossego em Santo Amador.

Música, a exposição de escultura de Leandro Sidoncha, animação de rua. Ontem, a noite teve o ponto alto num concerto em três tons: a banda dos Amarelos, o Grupo Coral Feminino da ADASA e a fadista Inês Gonçalves.

Hoje, haverá teatro e música. O regresso será no dia 1 de julho de 2016, se as contas não me falham... A menos que haja mudança de calendário. Ou outras opções. Logo se vê.



O CAMARADA PÉPÉ LOPI, NOS 40 ANOS DE CABO VERDE

O vocalista, Ildo Lobo, morreu há mais de 10 anos. Ele os Tubarões foram para mim, durante muitos anos, sinónimo de Cabo Verde. Cabo Verde celebra hoje o 40º aniversário de país livre e independente. O colonialismo já lá vai, o paternalismo pós-colonial nem tanto e nem sempre.

Em homenagem a Ildo Lobo, aos Tubarões, à minha outra cidade (Ribeira Grande de Santiago) e, sobretudo, à independência de Cabo Verde, aqui fica uma coladeira, desse ano de 75. Como não sei crioulo, andei à procura do significado das palavras. A letra é deliciosamente pedagógica. Aqui ficam os conselhos ao camarada Pépé Lopi.

sábado, 4 de julho de 2015

PANTEÃO NACIONAL

Quem está no Panteão Nacional?

Almeida Garrett (1799-1854), escritor e político;
Amália Rodrigues(1920-1999), fadista
Aquilino Ribeiro (1885-1963), escritor;
Eusébio da Silva Ferreira (1942-2014),futebolista;
Guerra Junqueiro (1850-1923), escritor;
Humberto Delgado (1906-1965), opositor ao Estado Novo;
João de Deus (1830-1896), escritor;
Manuel de Arriaga (1840-1917), presidente da República;
Óscar Carmona (1869-1951), presidente da República;
Sidónio Pais (1872-1918), presidente da República;
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), escritora;
Teófilo Braga (1843-1924), presidente da República.

O Panteão Nacional abriga ainda os cenotáfios de D. Nuno Álvares Pereira, do Infante D. Henrique, de Pedro Álvares Cabral e de Afonso de Albuquerque.

Os critérios parecem-me algo difusos. Mandaria a prudência que se esperasse algum tempo para avaliações mais tranquilas e ponderadas. Pergunta objetiva: com toda a estima que Guerra Junqueiro nos merece, justifica-se o Panteão?

O interior do Panteão de Roma, no século XVIII, por Giovanni Paolo Panini. Foi o modelo de outros e é, tenho disso a certeza!, uma das mais belas peças de arquitetura do mundo.

O interior do Panteão de Lisboa.

GRÉCIA

Going Back Home from Greece

Well, we’re nearly there, Hermippos.
Day after tomorrow, it seems—that’s what the captain said.
At least we’re sailing our seas,
the waters of Cyprus, Syria, and Egypt,
the beloved waters of our home countries.
Why so silent? Ask your heart:
didn’t you too feel happier
the farther we got from Greece?
What’s the point of fooling ourselves?
That would hardly be properly Greek. 
 
It’s time we admitted the truth:
we are Greeks also—what else are we?—
but with Asiatic affections and feelings,
affections and feelings
sometimes alien to Hellenism. 
 
It isn’t right, Hermippos, for us philosophers
to be like some of our petty kings
(remember how we laughed at them
when they used to come to our lectures?)
who through their showy Hellenified exteriors,
Macedonian exteriors (naturally),
let a bit of Arabia peep out now and then,
a bit of Media they can’t keep back.
And to what laughable lengths the fools went
trying to cover it up! 
 
No, that’s not at all right for us.
For Greeks like us that kind of pettiness won’t do.
We must not be ashamed
of the Syrian and Egyptian blood in our veins;
we should really honor it, take pride in it.



Tróia, Esmirna, Éfeso, Mileto. O mundo grego na Ásia Menor. A moeda do leão, cunhada na Lídia. No meio de tanta confusão quase nos esquecemos que o nascimento da moeda foi uma criação helénica.

Não encontrei tradução portuguesa para este poema de Kavafis. Mas é com melancolia que leio a frase "the beloved waters of our home countries". Que trará o dia de amanhã?

Ver: http://www.cavafy.com

sexta-feira, 3 de julho de 2015

MARABUTO

A palavra evoca silêncio e oração. O soldados nos limites dos territórios muçulmanos não deviam contar com muito mais que isso. Recordo-me sempre da passagem de Ibn Arabi (Les soufis d'Andalousie) onde alguém parte para a fortaleza da Juromenha, situada na fronteira, para aí fazer a guerra santa.

Marabuto lembra sítios de contemplação, misticismo e as sepulturas de homens santos. À volta dos marabutos organizam-se pequenos cemitérios, como em Arzila. Foi o que passou, para o mundo islâmico ocidental, das inumações privilegiadas da Alta Idade Média cristã. As ramificações estenderam-se, África fora, a passo de camelo e até onde as caravanas do comércio chegaram. Uma pista que valeria a pena seguir. Talvez um dia...


Amareleja, 2015 - Não é um marabuto, ainda que a forma recorde um desses sítios. O silêncio da morte perpassa por este local. Em volta há calor e algumas árvores. Mesmo ao lado fica o cemitério da vila.

Arzila

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PRESIDÊNCIA - MODOS DE VER

“Escreves pouco sobre política”, “até parece que não és presidente da câmara, só fazes crónicas sobre sítios marados” etc.. São comentários recorrentes que ouço aos amigos de sempre, e a outros mais recentes.

Sempre achei, e ainda não mudei de opinião, que a minha relação com os leitores de “A Planície” não passa por um registo relacionado com a atividade política. Ou que esta não deve desempenhar aqui um papel primordial. Ainda menos agora, que desempenho as funções de Presidente da Câmara.

Alguns amigos escandalizam-se com a minha falta de resposta às críticas ou ataques com que regularmente sou fustigado. Lá vou explicando, não sem dificuldade, que se perder tempo a responder às críticas que em “A Planície” são publicadas (há uns cómicos que defendem que este jornal está ao serviço do Partido Comunista e, quem sabe, do bolchevismo internacional...) não faria mais nada. Pior ainda, se usar tempo a responder às manifestas baboseiras que sobre a pessoa do Presidente se debitam nas redes sociais aí nem com dias de 48 horas teria tempo...

Durante algum tempo, sobretudo entre o final do mandato passado e o início deste, houve quem se divertisse a lançar sobre o cidadão Santiago Macias todo o tipo de epítetos. A campanha ainda por aí continua, desesperadamente e sem resultados à vista: “arrogante”, “surdo”, “ignorante”, “prepotente”, etc.. Também não perco tempo a dar resposta a tais disparates. Quem comigo contacta diretamente constata o contrário do que a má-língua, a desonestidade intelectual e as falinhas mansas e de ar piedoso de adversários pouco qualificados querem fazer passar junto da opinião pública.   Continuo a fazer o meu percurso, em conjunto com os colegas da vereação. Com firmeza e determinação. Assim foi e asssim será.

No passado dia 24 de junho, num almoço com os trabalhadores da Câmara Municipal, deixei a garantia que irá ser publicado, em outubro, um balanço da primeira metade do mandato autárquico. Aí poderemos constatar o que foi feito e a forma como tem resultado o esforço de toda uma equipa. O resto é conversa fiada. O tempo, “esse grande escultor”, dirá quem tem razão.


Crónica publicada hoje, em "A Planície".

O meu caminho é, desde há muito, este. Basta ler a edição de hoje de "A Planície" para para se perceber, através de vários artigos de "opinião" (um deles é um atentado violento à Língua Portuguesa) o desconforto que este estilo de liderança provoca na oposição. Continuarei/mos no mesmo caminho: proximidade - procura de soluções - concretização de obras. Mesmo com as dificuldades financeiras que temos e que refletem a situação no País. Opiniões avulsas? Não responderei a tais coisas. Em outubro, quando sair o balanço de meio do mandato, falaremos.

terça-feira, 30 de junho de 2015

PARIS, LOGO PELA MANHÃ

Um jovem amigo perguntou-me se conhecia "isto". Claro! Isto passa de geração em geração. É um atrevido clássico de Claude Lelouch (n. 1937). Um Mercedes-Benz 450 SEL 6.9 lançado a alta velocidade pelas ruas de Paris. Único truque aparente: o som é o de um Ferrari 275GTB. A curta-metragem está envolta em várias lendas urbanas. Uma curta-metragem invulgar, com um carro conduzido pelo próprio realizador.

Não faço ideia quanto é que se pagava na altura por não parar num sinal vermelho, mas a brincadeira não deve ter ficado barata...

Um filme francês, com ritmo e tudo, como escolha cinéfila da semana.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

TEMOS OS COFRES CHEIOS

... temos os cofres cheios ... blablabla ... Portugal não é a Grécia ... blablabla ... não sofremos risco de contágio ... blablabla ... uma saída limpa ... blablabla

(ainda bem que temos governantes em quem podemos confiar... uf!)


OS ECONOMISTAS DEVIAM SABER MAIS HISTÓRIA

Isso dizia hoje um economista, na Antena Um. É verdade. Tomar decisões sem conhecer um pouco do passado dá mau resultado.

Basta olhar para este mapa, que reflete a divisão do Império Romano (Teodósio - 395 d.C.), para se perceber melhor o terramoto à nossa volta. Olhe-se o mapa da Líbia, já agora, e recorde-se o que aconteceu no início da crise, com Benghazi a assumir a liderança da luta contra Tripoli.

domingo, 28 de junho de 2015

SANTOS POPULARES - NOITE E DIA E LUZ E COR E SOM

Os mastros e as marchas fizeram parte destes dias. Quer olhássemos o céu ou o chão. Houve música um pouco por toda a parte e cor e animação em todos os cantos do concelho.

Foram dias (ainda) mais intensos e exigentes. Ao descer esta madrugada a brecha do jardim, lembrei-me, vá lá saber-se porquê!, de um poema de Manuel Bandeira (Vou-me embora pra Pasárgada), que pensava já ter posto no blogue. Daí a Dorival Caymmi e a Maracangalha foi um pulinho de memória. Desci o resto da rua trauteando a música, baixinho, para ninguém ouvir.

Nada. Nem Pasárgada, nem Maracangalha. Limitei-me a rumar à Salúquia...

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.