quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O ENGENHEIRO CINÉFILO

Ía, há dias, a caminho de um festival de cinema ("o senhor é o realizador do filme xis, não é?", perguntou-me a senhora à entrada e eu consegui ficar sério) quando, no estacionamento, reparei no caminho indicado para os peões. Uma estrada de tijolos amarelos. Não é um acaso, de certeza. A estrada dos tijolos amarelos é a grande imagem de um filme extraordinário: O feiticeiro de Oz.  Um engenheiro poeta, decerto. E dado à cinefilia.

"Follow the yellow brick road! Follow the yellow brick road!". Eu segui. Eu segui. Mas ainda não cheguei a Oz.



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

LABIRINTO...

Labirinto ou não foi nada


Talvez houvesse uma flor 
aberta na tua mão. 
Podia ter sido amor, 
e foi apenas traição. 

É tão negro o labirinto 
que vai dar à tua rua ... 
Ai de mim, que nem pressinto 
a cor dos ombros da Lua! 

Talvez houvesse a passagem 
de uma estrela no teu rosto. 
Era quase uma viagem: 
foi apenas um desgosto. 

É tão negro o labirinto 
que vai dar à tua rua... 
Só o fantasma do instinto 
na cinza do céu flutua. 

Tens agora a mão fechada; 
no rosto, nenhum fulgor. 
Não foi nada, não foi nada: 
podia ter sido amor. 




O poema de David Mourão-Ferreira (1927-1996) veio depois de ter visto este Labirinto, pintado em 1984 por Jorge Martins. Cores fortes, ainda que a composição pareça datada. Interessou-me pelo título, por ser uma bonita tela e por ser contraditória quanto ao texto do poema. Cor e sombras no labirinto. E quem pode ter a certeza quanto aos labirintos?

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

UM DIA NA PRESIDÊNCIA

A iniciativa terá esta designação  e será destinada a jovens dos níveis mais avançados do Ensino Secundário. Seis vezes por ano, um aluno desses graus de ensino acompanhará um dia de trabalho da presidência. O que faz um autarca, quais são os compromissos que tem de cumprir, quais as reuniões a quem tem de estar presente, um dia a ser preenchido com a experiência do quotidiano do um político com responsabilidades locais.

A ideia foi lançada ontem, durante o MOURALUMNI, e será apresentada com detalhe nos próximos dias.

A política tem de se aproximar dos cidadãos? Sem dúvida. De todas as maneiras. Esta é uma delas.


ALUMNUS IV

Mais um antigo aluno da Escola Secundária de Moura com um percurso relevante. Carlos Valente é engenheiro mecânico de formação (FCT - Universidade Nova de Lisboa) e é hoje diretor-geral da PIONEER PORTUGAL. Tivémos a presença dele na sessão nº. 4 do MOURALUMNI. A longa experiência na direção de pessoal e na condução de reuniões foi decisiva para o sucesso dos encontros. Que é sintomático do êxito do MOURALUMNI. Muito interesse e muitas perguntas. A nossa terra precisa do contributo dos seus antigos alunos. E os atuais precisam de saber com os de outras gerações se sairam bem. Mesmo em condições adversas. O percurso do Carlos Valente é disso exemplo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

BOAS FESTAS!



Votos de Boas Festas da Câmara Municipal de Moura!

CENTRO DE INSPEÇÃO DE VEÍCULOS EM MOURA

Dia importante neste ano de 2015, e falando na perspetiva do autarca e do cidadão. Abriu ao público o novo Centro de Inspeção de Veículos, em Moura. Um investimento importante, e que permite aos munícipes recorrerem localmente a um serviço fundamental. Na intervenção de abertura, o sr. Carlos Pinto, responsável pelo investimento, referiu a disponibilidade e rapidez de toda a vereação e dos serviços camarários no tratamento das questões referentes ao investimento. Uma nota que registei com agrado.

Mito urbano: a Câmara Municipal não dá importância ao investimento.
Realidade: a Câmara Municipal despendeu, nos últimos anos, cerca de 2.000.000 € na concretização e/ou melhoria de infraestruturas  de apoio à atividade económica. 

Designadamante:
* infraestruturas da UP 11 (nova zona industrial)
* infraestruturas da UP 1 (antiga zona industrial: loteamentos A e B)
* apoio e dinamização do Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura
* construção de novo estacionamento (UP 1 de Moura)
* aquisições de terrenos



domingo, 13 de dezembro de 2015

PECADOS CAPITAIS - LUXÚRIA

"Quando se fala do consumo e da tese da procura interna para eventualmente aumentar as importações estamos a assistir a mais uma cabala, a um embuste. Não nos venham com o papão que as importações é um problema porque só são um problema para a vinda de carros de luxo, e também de joias e outros produtos de ostentação e luxúria”, afirmou o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos. (10.12.2105)


Arménio Carlos referia-se, creio, à importação de maçãs. Um produto que, desde a noite dos tempos, só tem dado chatices...

DEVE UM ESTUDANTE TERMINAR A LICENCIATURA NUMA SEXTA-FEIRA, 13?

Pois. Foi isso mesmo que aconteceu. Entreguei o último trabalho da minha licenciatura em História (variante em História da Arte) no dia 13 de dezembro de 1985. Faz hoje 30 anos. A cadeira tinha um nome complicado: História da Arte do Maneirismo, Barroco e Rococó (geral e em Portugal). O meu último ano de faculdade não foi menos complicado... Não posso relatar alguns eventos ocorridos, porque os protagonistas já faleceram há muito. E porque o que aconteceu não foi nada edificante. Mas ajudou um puto de 22 anos (eu), no seu processo de crescimento.

No dia 13 de dezembro, entreguei a 2ª versão de um trabalho que fora classificado na primeira época, acho que injustamente, com 14 valores. Um segundo esforço valeu mais um valor, o que foi suficiente para assegurar a média final que tinha como objetivo. Continuei a achar o trabalho subavaliado, mas já não insisti. 

Raras vezes senti uma tão forte amargura ao ver uma nota numa pauta (a outra foi a de História da Arte Contemporânea, um episódio triste da minha carreira de estudante). Porque senti que o esforço e o resultado não batiam certo com a classificação.


Acabei por publicar uma versão resumida desse estudo no livro Fortificações Modernas de Moura, assinado em conjunto com Vanessa Gaspar e dado à estampa em 2007. É trabalho de que não me envergonho e que só foi possível concretizar porque nos “tempos bárbaros” em que estudei havia disciplinas anuais. Uma coisa “arcaica” que foi banida, aniquilando de vez a possibilidade dos jovens estudantes começarem a fazer trabalho de investigação nos tempos de faculdade.



O anfiteatro I da Faculdade de Letras. Sítio de algumas aulas plenárias, de realização de testes (daquelas cadeiras em que se fazia um teste para várias turmas e depois éramos às centenas dentro da sala), de conferências (recordo uma, memorável, de Jacques Heers), de sessões de cinema e, sobretudo, de reuniões gerais de alunos e de assembleias de escola. Com a sala à cunha e em grandes conflitos verbais. Um sítio de aprendizagem fundamental, portanto.

sábado, 12 de dezembro de 2015

FRANCIS ALBERT

Frank Sinatra nasceu há 100 anos. Foi um fenómeno à escala planetária. Nat King Cole e Ella Fitzgerld cantavam muito melhor que ele. Mas eram negros e nunca tiveram a mesma notoriedade. Uma injustiça que a História reparará.

Sinatra tem grandes interpretações. Que passam de geração em geração. Há uns anos, fui dar com um jovem nascido em 1993 a ouvir um disco da fase Capitol do cantor americano. Estavam entusiasmado com o tom e o swing da voz. Ora nem mais...

Em homenagem, aqui fica um link para um dos meus temas preferidos: My way. Por razões pessoais. Numa interpretação que é a melhor de todas: a dos Sex Pistols, banda do glorioso punk de há quase 40 anos.


SORAIA DOMINGOS

Aqui se deixa a referência a uma exposição que não foi objeto de texto em devida altura. Há meses, teve lugar em Moura uma mostra de uma jovem artista plástica, Soraia Domingos.

Cores quentes e sugestões orientais, nos temas geometrizantes e no horror vacui. Soraia é nome de origem persa. Vai bem com a exposição.


Um autor persa que já aqui citei é Umar-i Khayyam. Aqui fica um excerto dos Ruba'iayt, na versão de Alfredo Braga:

Como o rio, ou como o vento,
vão passando os dias.
Há dois dias que me são indiferentes:
O que foi ontem, o que virá amanhã.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

FRAU BLÜCHER

Já vos aconteceu? Dizerem um nome e isso causar reações invulgares? De certeza que as reações nunca foram tão violentas como quando a palavra Blücher era dita no filme Frankenstein Junior, de Mel Brooks. Ao ouvirem o nome da azeda Frau Blücher os cavalos relinchavam furiosamente e até os elementos se manifestavam. Comédia delirante de 1974, este filme foi um dos meus ícones de juventude. Ainda hoje a talentosa Madeline Khan, que representava sempre o papel de uma mulher espalhafatosa e de apetites sexuais desenfreados, me arranca gargalhadas...

Ora vejam a chegada do Dr. Frankenstein ao castelo do seu avô, mas já depois do gag dos "knockers"...


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

LISBOA, ENTRE TERRA E MAR E TERRA

Deambulação matutina, à espera da hora de uma reunião. A zona ribeirinha de Lisboa ganha nova vida. Entre a Av. Ribeira das Naus e a Rua do Arsenal há novas áreas por onde se pode passear. Trabalhos arqueológicos trouxeram à luz do dia restos de um cais, ou de um estaleiro, memória de uma cidade que já não existe. Infelizmente, não há nenhuma informação sobre o que se vê. Onde houve rio, há agora terra, mas por aí nos ficamos.

Dobrando a esquina vamos em direção ao sítio onde, em tempos, foi a Rua Nova dos Mercadores, atrás do que hoje é o Terreiro do Paço, entre o início da Rua do Ouro e da Rua dos Fanqueiros.  Uma investigação recente terá identificado essa rua numa pintura de um autor anónimo holandês de finais do século XVI ou dos inícios do século XVI (v. aqui). A tela é uma fantástica cena de rua. A parte que mais achei curiosa - e isto deve ser deformação causada pelo cargo... - foi a presença de "inibidores". Uma parte da rua tem acesso condicionado. Preocupações no ordenamento que ainda hoje tanta gente rejeita e combate.

Virei para um Terreiro do Paço de luz coada e amena. Evocação rápida de uma cidade amada, com a companhia da arquitetura, da pintura e das palavras de Ana Hatherly.

Já agora, e lembrando as já muito longínquas aulas de iniciação à língua árabe, as palavras arsenaltercena têm étimo na mesma expressão: dâr sinâ'a, casa da indústria ou casa da oficina.



O Terceiro Corvo
Oh Lisboa
como eu gostava de ser
o terceiro corvo do teu emblema…
estar implícita na tua bandeira
negra e branca
como tinta e papel
como escrita e espaço!
Ser teu desenho
tua nova lenda
invenção deste século
que já não inventa
e se interroga:
donde vieram estes corvos?
Como tu, Vicente,
eu também não sou de cá
não sou daqui
não pertenço a esta terra
e talvez nem sequer a este mundo…
Porém estou aqui
nesta dolorosa praia lusitana
cheia de um tumulto inútil
que enegrece as tuas areias
e polui o ventre do rio
que os golfinhos há muito desertaram
E olhando as nuvens dedilhadas pelo vento
sentindo a terna dor do teu sentir sentido
peço-te, Lisboa:
surge de novo bela
reinventa
a santidade perdida do teu emblema
Ana Hatherly, in Em Lisboa sobre o mar, Poesia 2001-2010





DE ODIVELAS A MONTEZUMA

Um post (ainda) mais pessoal. Duas fotografias para dois amigos que tenho visto pouco. As imagens têm a ver com esses amigos. Ou estão perto disso.

Uma fotografia da enorme, em todos os sentidos, Uljana Semjonova (n. 1952). Calça um modesto nº 52, a senhora.

Uma fotografia da igreja de Taos, a noroeste de Montezuma. O autor é Ansel Adams.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

NOTHING GOLD CAN STAY

Quentin Matsys (Quinten Matsijs) viveu entre 1466 e 1530. Pintou este O prestamista e a sua mulher em 1514. O quadro está hoje no Louvre. Há artifícios de imagem, mas o mais curioso é o olhar da mulher, que se desvia de leituras religiosas para o brilho do ouro.


Nature's first green is gold,
Her hardest hue to hold.
Her early leaf's a flower; 
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf,
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day
Nothing gold can stay. 

Robert Frost (1874-1963)


O poema de Robert Frost já por aqui passou, há quase três anos. Há um filme americano em que é citado várias vezes. Lembram-se qual?

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SETE-ANOS-SETE

Já lá vão sete anos. No início, a intenção era só republicar as crónicas que iam/vão saindo em "A Planície". São sete anos de blogue.

Vamos a contas:

Visitas :
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73.173 - 6º ano
60.305 - 7º ano
total: 647.654 (média diária - 254)


Posts:
584 - 1º ano
558 - 2º ano
566 - 3º ano
598 - 4º ano
448 - 5º ano
418 - 6º ano
495 - 7º ano
total: 3667


Seguidores:
46 - 1º ano
42 - 2º ano
34 - 3º ano
18 - 4º ano
4 - 5º ano
11 - 6º ano
5 - 7º ano
total: 160


Dispersão geográfica do blogue:
44 - Europa
38 - África
38 - Ásia
23 - América
03 - Oceânia
total: 146 países (mais 14 territórios) de cinco continente

Cartaz de "Os sete samurais"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

AMARELEJA - DIA 3: RÓTULO

O pavilhão foi mais que suficiente, e permitiu uma circulação desafogada.

A feira precisa de crescer, mas noutro sentido. Precisamos de mais do que 14 expositores de vinhos, temos de introduzir um sistema que limite o consumo de bebida à borla, precisamos de marketing e necessitamos de quem nos ajude a promover os vinhos da Amareleja. Pode ser que seja desta que conseguimos constituir uma associação que promova o vinho feito localmente e que inove. Em todos os sentidos.

UM FERRAGIAL DE SAL, TALVEZ...

História santo-aleixense do dia 1 de dezembro.

Uma orgulhosa habitante da aldeia comentava, no bar do "Pim-Pim": "ontem, ao olhar para a minha mesa, reparei que era tudo produção lá da horta; só não eram coisas minhas o azeite e o sal, e eu até tenho algumas oliveiras".

Comentário sardónico de um dos presentes: "é melhor semeares um ferragial de sal...".

Humor alentejano no seu melhor.

Fotografia - Artur Pastor

domingo, 6 de dezembro de 2015

ET MAINTENANT...

... CE N'EST QUE LE DÉBUT...

AMARELEJA - DIA 2: ROLHA

Do Barriga Cheia ao Piteira, uma peregrinação pelas adegas: Barriga Cheia - Vela - Catrino - Lua - Regato - Piteira. Falhei as duas últimas estações, devido a outros compromissos já assumidos. A boa companhia do "Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento" e do grupo de concertinas "Os Alegres de Castanheira de Pêra" ajudou, num longo princípio de tarde.

Muitas rolhas voaram ao longo do percurso e, em especial, durante a feira. A feira corre animada, mas o modelo precisa de ser revisto. Sob pena de se esgotar.