terça-feira, 12 de janeiro de 2016

TSF EM MOURA

Hoje, a TSF estará em direto a partir de Moura. Agrada-me "sentir" a notoriedade do meu concelho.

A TSF Rádio Notícias vai transmitir, na terça-feira, 12, entre as 14:00 e as 15:00 horas, a partir de Moura, um programa sobre a gastronomia alentejana e as atividades do movimento associativo do concelho.
“A Mesa dos Presidentes”, com os jornalistas Fernando Alves, Pedro Pinheiro e António Catarino, será emitido em direto, a partir de “A Taberna do Liberato”, no bairro da Mouraria.
O programa da TSF enquadra-se na campanha da eleição do Presidente da República, cuja 1.ª volta se realiza no próximo dia 24 de janeiro. É transmitido, à hora do almoço e do jantar, de uma localidade de cada um dos 20 distritos do País. Moura foi a cidade escolhida do distrito de Beja.
Para este programa “A Mesa dos Presidentes” – presidentes de coletividades, associações e outras instituições –, foram convidados dirigentes do Moura Vólei Club; da Moura Salúquia – Associação de Mulheres do Concelho de Moura; da Associação de Defesa do Património Cultural de Santo Amador; e da Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense. Participa também o historiador local José Finha.

Ouvir em http://www.tsf.pt


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DO MALAGÓN A TRIPOLI

De um livrinho que publiquei em 2009:

"Nas margens do mar do meio o ritmo da vida é tão antigo como o mar ele mesmo. As quatro estações do ano conhecem ainda uma sequência sem alterações. Os hábitos de vida são ainda quase iguais, mas a cada ano que passa talvez um pouco menos. A carroça feérica de flores de papel em muitas cores que, à força de mula, dá voltas e mais voltas à esquina da rua Umar al-Mukhtar, em Tripoli, é a mesma, a mesmíssima, em que, há muitos anos, fui à romaria lá para os lados do Malagón, em Paymogo. As tradições morrem com lentidão mas de vez, e já ninguém se lembra que o califa al-Mustansir foi fatalmente colhido ao lidar um touro, numa noite cálida de Marrakech… As placas tectónicas separam-se, o sul e o norte também."


A minha amiga Maria da Conceição Lopes fez hoje sair à cena esta fotografia, feita em Tripoli, na primavera de 2008. Lá está a carroça, onde os parzinhos de namorados se passeavam.

ENCONTRO DE MUSEUS RURAIS DO SUL

Mais um regresso rápido ao passado. Dia 21 é a data do 1º colóquio de museus rurais do sul. Fui convidado a participar, tendo em conta o meu envolvimento no projeto de Alcaria dos Javazes, que foi terminado em 2012, já eu ía no segundo mandato na Câmara de Moura. É a vida... É um troço da minha vida. Lá estarei. Até porque o trabalho de reabilitação urbana não se entenderia sem esse passado. E se o dossiê Alcaria dos Javazes está, para mim, encerrado, há outros desafios em perspetiva. Que têm a componente e a dimensão cultural como pedras de toque. 

OS POLÍTICOS DO FUTURO PRÓXIMO

A manhã será passada na Escola Secundária de Moura. O título é chamativo e entusiasma-me: sessão de esclarecimento. Sempre gostei destes fora de debate. É aqui que se inicia a aprendizagem da política... O tema da sessão é crucial para enfrentarmos o futuro: as assimetrias entre o interior e o litoral e a procura de soluções para se ultrapassar um problema estrutural do nosso País.

Vai ser logo mais, às 10 da manhã. Venha de lá o Parlamento dos Jovens!

domingo, 10 de janeiro de 2016

SOB O SIGNO DAS ARTES: DO ACTION PAINTING NOS MACHADOS AO CONCEPTUALISMO SOBRALENSE, PASSANDO PELOS SOLFEJOS DE ARTUR FÃO

Dois dias agitados, mais dois. A meio da tarde, celebravam-se os bons resultados da montaria nos Machados. Os animais eram arrastados, deixando marcas vermelhas nos plásticos, que faziam recordar o action painting e, em especial, algumas telas de Janet Sobel ou de Jackson Pollock. Hoje, passei por uma parede absolutamente notável, no Sobral da Adiça. A espontaneidade do arranjo remetia para as assemblages de Tom Wesselmann. Política, humor, objetos e pin-ups em festiva harmonia.

Pelo meio houve solfejo, uma outra forma de matematização do real.






sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

DIA DE REIS


Memória autárquica do Dia de Reis. No dia 6 de janeiro de 2006, durante uma visita a um decrépito campo de futebol das Cancelinhas, recebi a indicação do meu amigo José Maria Pós-de-Mina para se desenvolver o projeto para um novo espaço desportivo (viria a ser inaugurado no dia 5.9.2009). Foi um dos projetos em que mais aprendi. Por diversas razões e em diferentes domínios... Dez anos depois, afónico e enregelado, tive o prazer de me dirigir a centenas de conterrâneos, no Dia de Reis. A atuação do Grupo Coral e Etnográfico do Ateneu Mourense entusiasmou, justificadamente, o público presente.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

OS CAMPOS DO ALENTEJO, HÁ 1500 ANOS

Perceber o povoamento rural no troço médio do vale do Guadiana entre a Antiguidade Tardia e a Idade Média foi o desafio que o João Marques se impôs. A tese de doutoramento está terminada e aguarda marcação de data. O João é um colega sério, competente e seguro. Isso eu sei.

Fui surpreendido com o convite para integrar o júri de doutoramento do João Marques. Ena! Ao fim de mais de dois anos de alcaidaria ainda há quem se lembre de mim para funções que não são autárquicas. Imagino que seja um bom sinal.

O tema é arqueologia, algo que os meus amigos socialistas de Moura abominam, mas paciência..., a vida é assim...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

JACINTA DA CONCEIÇÃO ACABADO OLIVEIRA PINTO (1929-2016)

O texto que se segue foi lido num jantar de homenagem, no dia 21.12.2008. Foi publicado em A Planície no dia 1.1.2009. E recordado no blogue em 7.10.2009. Republico-o hoje, com mágoa, no dia em que a nossa professora nos deixou. Faço-o com um sentido abraço aos meus amigos Jorge, Rui, Fernando e Lino.

Ter andado numa escola é ficar com essa escola colada à nossa pele para todo o sempre. Ter sido aluno de uma professora durante quatro anos é andar pela mão dessa professora para todo o sempre.

Durante uma parte importante das nossas vidas fomos alunos da Professora Jacinta. As regras eram claras e simples:

Durante quatro anos usaríamos uma bata azul, que teria letras bordadas do lado esquerdo, cuja cor mudaria consoante o ano que frequentávamos;

Durante quatro anos faríamos cópias e ditados, contas e leituras, redacções e tabuadas; uma palavra errada num ditado era um erro, um acento fora do sítio valia um quarto de erro. Era coisa rara que um aluno tivesse mais que dois erros num extenso ditado. Um quase milagre de origem divina nos dias de hoje, uma fonte de arrelias para a Professora Jacinta cujo objectivo era poder dizer “nenhum erro no ditado”;

Durante quatro anos seríamos obrigados a aprender, a fazer trabalhos de casa e a, em cada dia e sem descanso nem retrocesso, a melhorar;

Durante quatro anos ensinou-nos o sentido profundo das palavras de Séneca que, há quase dois mil anos dizia “a ignorância é a causa do medo”. E assim a senhora nos foi combatendo a ignorância e o medo. E despertou em nós a vontade de sabermos mais. E de sabermos mais e melhor.
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O ambiente que a Professora Jacinta impunha nada tinha de medo, temor ou receio, muito pelo contrário. Aquilo que, enquanto alunos sentíamos era simples: teríamos de ser cada vez mais perfeitos, teríamos de nos superar um dia após outro e outro. Treinávamos as provas e os exames uma vez e outra, como os maestros ensaiam afincadamente as suas orquestras. Por isso não esquecemos o ar de orgulho com que a Professora Jacinta constatava que as suas raparigas e os seus rapazes se tinham saído muito bem naquele dia e, por norma, ficavam bem à frente de outras escolas.
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Quando hoje olhamos para trás, e esse para trás começa a ter mais anos do que gostaríamos, ficamos contentes porque a Professora Jacinta nos punha a ler poesia e a dramatizar textos. No nosso ano lemos um livro inesquecível, A menina gotinha de água, de Papiniano Carlos. Noutros anos estou certo que se leram outros textos inesquecíveis. Foi aí que começámos a amar as palavras e a poesia.

Foi nesses anos que nos foram incutidas regras simples e precisas: a importância da pontualidade, a obrigatoriedade de cumprir os deveres, a necessidade de fazermos o nosso trabalho bem feito. E muitas outras normas de ética que a Professora Jacinta queria que nos ficassem para todo o sempre. E que creio que ficaram.

Um belo dia chegou o exame da quarta classe. A vida ia mudar para todos nós. No nosso caso – o da turma 1969/1973 – isso aconteceu no dia 5 de Julho de 1973. O exame da quarta classe era coisa séria. Tínhamos sido devidamente instruídos. Desde o dobrar do papel da prova até à forma de responder aos examinadores tudo era preparado ao mais ínfimo pormenor. Nunca mais tal esquecemos, porque esse exemplo o repetimos vezes sem conta ao longo da vida.

Na escola da Professora Jacinta não havia computadores Magalhães e não se ensinava inglês. A Professora Jacinta limitava-se, coisa se calhar banal, a ensinar a ler e a escrever correctamente numa língua antiga chamada Português. E havia também outra coisa, essa muito menos banal, que era o amor pelo ensino e pelos seus alunos. Essa não tem preço e não há nada na Terra que a pague. Estamos, portanto, perante uma situação difícil, que talvez o seu filho Jorge possa enquadrar num capítulo da Ciência Económica. Temos uma dívida para consigo, sendo que dela nunca nos pediu contas, nós não sabemos qual o montante, nem sabemos como lhe pagar.

Fiquemos, portanto, pela certeza que foi para todos nós, e para os muitos outros que hoje aqui não puderam estar fisicamente, uma época importante e decisiva das nossas vidas o termos sido seus alunos no Externato Júlio Dinis. Que esses dias e essa aprendizagem não ficaram lá atrás no passado e que nos acompanham e acompanharão em todos os dias da nossa vida. E que é para todos nós um motivo de imenso orgulho termos sido e continuarmos a ser alunos da Professora Jacinta.

Texto lido no almoço de homenagem à Professora Jacinta da Conceição Acabado Oliveira Pinto (em 21.12.2008). Publicado em A Planície de 1 de Janeiro de 2009.
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Edifícios onde funcionou o Externato Júlio Dinis: Rua Dr. Garcia Peres, 45 (em cima) e Praça Sacadura Cabral, 13 (em baixo).

Alunos dos anos 1969/1973:
António Manuel Pato Oca
Carlos José Albardeiro Barradas
Carlos Manuel Coelho Brito
Carlos Manuel Ramos Pinto
Fernando Brito Oliveira Pinto
Helder Barqueta Condeça Feliciano
Helder Silva Arsénio
Joaquim Elias Andrade Ventinhas
Joaquim Manuel Moita Araújo
José António Beiras Sinfrónio
José Carlos Oliveira Farinho
Luís José Fonseca Infante
Rui Manuel dos Santos Pires Marques
Santiago Augusto Ferreira Macias
Vanda de Jesus Lopes Oliveira Gomes

Faz hoje 40 anos que entrámos para a Escola Primária.

ATLANTA STOPOVER

A fachada desta garagem tem um toque de instalação. Também costumo arrumar as coisas assim, mas o sucesso artístico é limitado (ouço palavras como "bagunça" ou "lixeira", mas nenhuns aplausos). A fotografia é de Walker Evans. Frontalidade, simplicidade e esplendor.

Atlanta (Geórgia) era assim, há 80 anos. O Hartsfield–Jackson Atlanta International Airport já existia, mas era menos movimentado que hoje.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A GEOMETRIZAÇÃO DO REAL

Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem a brancura do alabastro
ou mais extraordinário ainda

Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome


O meu professor de Matemática para as Ciências Sociais e Humanas (seria esse o nome preciso da cadeira?) insistia muito na matematização do real. Insistia, em especial, que essa matematização não era um mero exercício quantitativo, correspondendo antes a um enriquecimento da realidade à nossa volta. Uma noção que recordo amiúde. E que não me parece incompatível com a necessidade da organização geométrica das coisas. Ou com o sentido imaterial das palavras de José Tolentino Mendonça ou com a desmaterialização da tela de Pedro Calapez... 

IMPUTAZIONE DI OMICIDIO PER UNO STUDENTE

Não tenho a certeza de qual era o título em português desta obra de 1972. Do filme de Mauro Bolognini (1922-2001) não reza a história, a não ser pela banda sonora de Ennio Morricone (ouvir aqui). Lembro-me dele, porque faz hoje 40 anos que o vi. Dia 4 de janeiro de 1976 foi um domingo. Lembro-me desse dia porque foi o dia em que nasceu o João. Do filme só recordo a última sequência, quando o juiz lança ao rio a prova que incriminava o filho.


domingo, 3 de janeiro de 2016

UWC: NORUEGA - SUAZILÂNDIA - NOVO MÉXICO - CHINA

Visto daqui é assim. Os pontos cardeais extremos deste projeto estão nos locais do título. 

Todos os anos os United World Colleges atribui bolsas para estabelecimentos de ensino na Europa, na América, na Ásia e em África. As candidaturas deste ano abrem amanhã e vão até dia 17 de janeiro. O processo é simples e é menos improvável do que parece. E mais aberto do que se imagina. Sei de duas jovens do interior alentejano (uma de Safara, no concelho de Moura, outra de Mértola) que beneficiaram dessas bolsas. Ou seja, a interioridade geográfica não é fator de exclusão.

Faço questão de participar neste processo de divulgação, porque sei da importância que esta iniciativa tem.

As vagas para estudantes portugueses são, neste ano, para os seguintes colégios:

- 1 bolsa de estudo para o UWC Robert Bosch College, Alemanha.
- 2 bolsas de estudo para o UWC Dilijan, Arménia.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Red Cross Nordic, Noruega.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Maastrich, Holanda.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Changshu, China.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Atlantic College.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Costa Rica, Costa Rica.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Adriatic, Itália.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Changshu, China.
- 1 bolsa de estudo para o UWC Mahindra College, Índia.
- 1 vaga sem bolsa para o UWC-USA, Estados Unidos da América.
- 1 vaga sem bolsa para o UWC Atlantic College.
- 1 vaga sem bolsa para o Waterford Kamhlaba.

Os prazos e as condições de candidatura estão em http://pt.uwc.org.

UMA FOTOGRAFIA AO ESTILO DE PINTER



GUS probes his ear with a match.
(Slapping his hand) Don't waste them! Go on, go and light it.
GUS. Eh?
BEN. Go and light it.
GUS. Light what?
BEN. The kettle.
GUS. You mean the gas.
BEN. Who does?
GUS. You do.
BEN (his eyes narrowing). What do you mean, I mean the gas?
GUS. Well, that's what you mean, don't you? The gas.
BEN (powerfully). If I say go and light the kettle I mean go and light the kettle.
GUS. How can you light the kettle?
BEN. It's a figure of speech! Light the kettle. It's a figure of speech!
GUS. I've never heard it.
BEN. Light the kettle! It's common usage!
GUS. I think you've got it wrong.
BEN (menacing). What do you mean?
GUS.They say put on the kettle.
BEN (taut). Who says?


Este excerto da peça The dumb waiter fazia parte do meu livro do 11º ano e servia para explicar uma das funções da linguagem. A peça foi traduzida por Luis de Sttau Monteiro (1926-1993), com o título O monta cargas. O estilo de escrita telegráfico de Harold Pinter (1930-2008) tornou-se uma imagem de marca. Gosto do jogo de palavras e do despojamento. E de uma certa ideia de solidão que se associa a esse despojamento. A fotografia de Slim Aarons (1916–2006), que parece encenada, vai nesse sentido.

sábado, 2 de janeiro de 2016

DE 1981 A 2016

1981-2016

No dia em que este jornal estiver nas bancas já se terá iniciado o novo ano. “A Planície” entrará no 35º ano desta sua segunda vida. No dia do relançamento, que bem recordo, andava eu no 12º ano e, vedadas as possibilidades de fazer jornalismo ou cinema, não tinha ideia nenhuma, mas nenhuma mesmo, do que quereria fazer profissionalmente. A Vida se encarregou de me orientar... Apaixonado sem ser correspondido (estas coisas acontecem a todos, menos aos que nunca perdem), pertencia então à conhecida “Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta”. Uma condição que mantive durante vários anos, ganhando na Faculdade de Letras a injusta fama de “distante”, “monge”, “solitário” e mais uns quantos epítetos que algumas colegas (sim, elas são terríveis...) se entretinham a lançar-me.

Se agora recordo estes dois ou três detalhes de há muitos anos é porque a profissão de historiador me ensinou uma coisa fundamental: melhor se perspetiva o futuro se tivermos um detalhado conhecimento do passado. Foi essa convicção, moldada pela prática, que norteou muitas das minhas opções quando era vereador. É essa experiência acumulada que uso nas metas que traço, em conjunto com os colegas da vereação, procurando sempre ultrapassar problemas de fundo. As questões estruturais prevalecem sobre as conjunturais. Daí a necessidade permanente de lançarmos novos projetos para questões que estão por resolver. Se deixarmos que o quotidiano tome conta de nós, andaremos atrás do quotidiano e o essencial ficará por fazer. Este método, posto em prática de modo assertivo desde há muitos anos, nem sempre é “simpático”. Muito menos consensual. Guardo um arquivo de comentários produzidos sobre as intervenções promovidas pela autarquia, em especial a partir de 2005. Estaria hoje profunda e amargamente arrependido se tivesse/tivéssemos, em tempos, cedido à lógica do “estamos a fazer grandes obras e devíamos era fazer pequenas obras” (quantas centenas de vezes ouvi isto?). Uma falácia absoluta. Não há grandes obras e pequenas obras, mas intervenções que são necessárias e outras que o não são. Sejam elas pequenas, médias ou grandes... Em 2016, não teremos, à partida, grandes obras (leia-se empreitadas de 2 ou 3 milhões de euros). Os cortes financeiros limitam, hoje, a nossa capacidade. Mas haverá outras iniciativas indispensáveis.

Numa altura de grandes dificuldades, e vivendo nós num país pobre com mentalidade de rico, não será 2016 um ano fácil. Não será isso motivo de desânimo. Muito menos de desistência. Os problemas existem? Decerto, e não são poucos. Digamos então como George Mallory, a quem perguntaram porque queria escalar o Evereste, “because it’s there”, porque está lá. As dificuldades existem para serem superadas. Encaro, por isso, o ano que agora começa com a tranquilidade de sempre, à qual não é alheia a certeza da transitoriedade das coisas.

É nessa certeza de atividade intensa que arranca 2016. Para amenizar, terminarei um livro (escrito com mais dois colegas) e tentarei financiar outro, há muito concluído. A ida aos trópicos – a uma cidade que me “persegue” sem cessar... – ajudará a terminar o argumento de “Lethe”, uma ficção cinematográfica que ocupa os poucos minutos livres. Destes devaneios pessoais irei dando conta aos pacientes leitores destas crónicas.


Longa vida para “A Planície”. Um Bom Ano para todos os seus leitores.



Fotografia de Brassaï (pseudónimo de Gyula Halász: 1899–1984)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

NASCER DA LUA SOBRE O MAR

Este nascer de lua tem pouco a ver com o de Ansel Adams, em Hernández, no Novo México. Mas não é menos belo, nem menos poético.

Acontece com muita gente, imagino. Quando olho as telas de Caspar David Friedrich (1774-1840) "ouço" Wagner. E, neste caso concreto, leio Fernando Pessoa.

Ao longo, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

In "Poesia ortónima"


A tela, intitulada Mondaufgang am Meer, data de 1822, e pode ser vista na Alte Nationalgalerie, em Berlim.