Um dia diferente no Gargalão (Sobral da Adiça). Uma incursão, com duas vitórias, no jogo da malha abre-me a expetativa de participar, um destes dias, na Champions da modalidade. Imagino que não seja esta uma forma canónica de celebrar o 1º de maio. Mas foi a minha. A convite da Associação de Trabalhadores da Câmara de Moura.
domingo, 1 de maio de 2016
TRANSALENTEJO
O transiberiano é um combóio. TRANSALENTEJO é a pé. Percursos pedestres do Alqueva é uma iniciativa do Turismo do Alentejo. O percurso de Moura tem como tópico essencial a água. A apresentação foi feita esta manhã. Recebi o grupo de caminhantes, capitaneado pelo meu amigo Ceia da Silva, junto ao castelo da cidade. O percurso vai até Porto Mourão, na margem esquerda do Ardila. O regresso é feito pelo cerro da forca, cruzando os terrenos da várzea, até se entrar em Moura, na zona das Sete Casas. São 8,5 km., por caminhos conhecidos por todos os "calêros", mas que outros irão agora descobrir.
Ver - www.visitalentejo.pt/transalentejo
sábado, 30 de abril de 2016
TEM A PALAVRA O SR. JOSÉ PRESCINDO
A reunião já ia longa e as intervenções, maioritariamente inúteis, sucediam-se. Um dia inteiro numa sala, ainda para mais com o mar à vista, era tortura violenta. Há quem ache aquelas coisas fundamentais. Deve escapar-me algo, escapa seguramente, mas tenho aquele tipo de encontros como o epítome do tédio. Há, contudo, momentos que me fazem hesitar em tão radical apreciação. Pelo motivo que se segue.
A dada altura, quem dirigia os trabalhos anunciou:
- Tem de seguida a palavra o sr. José Marreiros.
O visado disse, alto e bom som:
- Prescindo.
O speaker, amavelmente, corrigiu:
- Peço desculpa, tem a palavra o sr. José Prescindo.
O resto das palavras foi abafado pelas gargalhadas dos presentes. Ainda hoje me resta a dúvida se foi lapso mesmo ou um modo de animar a sala e abreviar a sessão.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
NEM TÁXIS, NEM UBER...
... nem a magana da mana deles (como se diz aqui na margem esquerda). Tenho as PIORES recordações dos táxis do aeroporto de Lisboa. E muito más recordações, em termos gerais, do serviços de táxis em Lisboa. Má vontade (experimentem pedir para serem transportados a Alvalade...), maus modos e "filosofia" política de raíz salazarista (em 80% dos casos). É coisa que uso muito raramente. Em Lisboa prefiro, claramente, os transportes públicos coletivos. Sou cliente habitual do metro, dos autocarros, dos elétricos.
A "luta" de hoje passa-me ao lado. Fisicamente, porque não vivo em Lisboa. Politica e emocionalmente, pelo que escrevi mais acima.
A "luta" de hoje passa-me ao lado. Fisicamente, porque não vivo em Lisboa. Politica e emocionalmente, pelo que escrevi mais acima.
VERDES SÃO OS CAMPOS (E AS ERVAS NA RIBEIRA)
Verdes são os campos
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
A lírica camoniana em começo de dia e em final de semana. Este é um dos meus poemas preferidos. Lembrei-me dele ao fotografar, há semanas, no Ardila.
Os computadores permitem hoje estas conversões: cor ou preto e branco? A imagem partiu de um erro de leitura meu. Esqueci-me, fotografando em manual, de ajustar a abertura: f/13 a 1/250 deu isto, uma imagem escura, quase impercetível. Optei por a manter. Ficou melhor do que se tivesse ficado bem...
quinta-feira, 28 de abril de 2016
DO BANCO DE TEMPO AO TEMPO QUE FOGE
Abriu em Moura, na passada segunda-feira, uma agência do Banco de Tempo. É provável que alguns achem o conceito algo abstrato, meio urbano e difícil de aplicar ao interior do Alentejo. O tempo (sim, o tempo) o dirá. Ficar parado de pouco vale. A iniciativa tem mérito e é inovadora. Temos de procurar, sempre, caminhos novos e diferentes. Enquanto é tempo.
Assombrado pelo tempo (se fosse filósofo era esse tema a que me dedicaria), vejo os dias passarem com rapidez, cada vez mais rápidos. E dou-me agora conta que o tempo não é imutável... Quando era criança, achava que tudo corria aborrecidamente devagar. Estou agora mais perto do ómega que do alfa. Foi isso que me levou à escultura romana. E ao crismon, omnipresente da arte paleocristã. E ao poema de Emily Dickinson. Look back on time with kindly eyes? Todos os dias isso fazemos. Todos nós.
Emily Dickinson (1830–86)
Assombrado pelo tempo (se fosse filósofo era esse tema a que me dedicaria), vejo os dias passarem com rapidez, cada vez mais rápidos. E dou-me agora conta que o tempo não é imutável... Quando era criança, achava que tudo corria aborrecidamente devagar. Estou agora mais perto do ómega que do alfa. Foi isso que me levou à escultura romana. E ao crismon, omnipresente da arte paleocristã. E ao poema de Emily Dickinson. Look back on time with kindly eyes? Todos os dias isso fazemos. Todos nós.
Part Four: Time and
Eternity
VIII
LOOK back on time
with kindly eyes,
He doubtless did his
best;
How softly sinks his
trembling sun
In
human nature’s west!
Emily Dickinson (1830–86)
Representação simbólica da Ressurreição (meados séc. IV)
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
AMADEO EM PARIS, OU A CAPACIDADE DE PROMOÇÃO QUE NOS FALTA
Os franceses, com regularidade, "descobrem" e promovem um pintor mais ou menos desconhecido, de preferência da viragem do século XIX para o século XX, que depois disso Paris foi chão que deu uvas e quem passou a mandar foram os americanos. Muitos deles são génios de terceira ordem. Mas vendem bem, há marketing e merchandising e assim. Que tenham agora "descoberto" a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso é um quase milagre. O comissariado da exposição coube à historiadora Helena de Freitas. Um momento único, pela importância do sítio e, sobretudo pelo génio, precocemente desaparecido, do pintor nortenho.
Voltarei ao tema.
Ver - http://www.grandpalais.fr/fr/evenement/amadeo-de-souza-cardoso
25 DE ABRIL, QUASE SEMPRE...
Quase sempre, porque se todos os dias tivesse esta agitação...
Depois da visita do Presidente da República, entrou-se no 25 de abril. Resumo telegráfico de três dias pelos cantos do concelho:
1. Apresentação da corrida de touros da feira de maio (23.4 - 12 h)
2. Almoço do Moto-Clube (23.4 - 14 h)
3. Espetáculo no Centro Cultural de Santo Amador (23.4 - 15 h)
4. Colóquio na Casa do Povo de Amareleja (23.4 - 16 h)
5. Festa de aniversário do Grupo Desportivo Amarelejense (23.4 - 23 h)
6. Espetáculo "Al Traste" (24.4 - 1 h)
7. Almoço no Centro Cultural de Santo Amador (24.4 - 13 h)
8. Visita às filmagens de "Seara de Vento" (24.4 - 17 h)
9. Espetáculo musical (24.4 - 22 h)
10. Içar da bandeira (25.4 - 9 h)
11. Entrega de material aos escuteiros - iniciativa BVM/CMM (25.4 - 9h 30)
12. Homenagem aos autarcas falecidos, em Santo Amador (25.4 - 12 h)
13. Jogo da malha (25.4 - 13 h)
14. Homenagem a Manuel Mestre, presidente da câmara entre 1991 e 1997 (25.4 - 15h)
15. Homenagem a Manuel Romana Ângelo, presidente da câmara entre 1979 e 1985 (25.4 - 15h 30)
Para ano, outro 25 de abril.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
AGORA QUE MALICK SIDIBÉ NOS DEIXOU...
O tempo passa e foi há cinco anos e meio que Malick Sidibé passou aqui pelo blogue. O grande artista maliano deixou-nos no dia 14 de abril.
Fotografia de estúdio (quase) pura e dura. Aquele (quase) hieratismo deixou marcas e, se não criou escola, ensinou outros a criarem cenários. Um dos que segue o espírito de Malick Sidibé é o alemão Rainer Elstermann. Que, curiosamente, usa em muitas fotografias modelos negros. A melhor homenagem é a da continuidade, creio eu.
Todas estas fotografias, todas as de Malick Sidibé e quase todas de Rainer Elstermann me evocam Vou-me embora para Pasárgada. Vá lá saber-se porquê.
Site - http://www.rainerelstermann.de
Fotografia de estúdio (quase) pura e dura. Aquele (quase) hieratismo deixou marcas e, se não criou escola, ensinou outros a criarem cenários. Um dos que segue o espírito de Malick Sidibé é o alemão Rainer Elstermann. Que, curiosamente, usa em muitas fotografias modelos negros. A melhor homenagem é a da continuidade, creio eu.
Todas estas fotografias, todas as de Malick Sidibé e quase todas de Rainer Elstermann me evocam Vou-me embora para Pasárgada. Vá lá saber-se porquê.
Site - http://www.rainerelstermann.de
sábado, 23 de abril de 2016
MARCELO REBELO DE SOUSA EM MOURA
No passado dia 9 de Março enviei um convite ao Presidente da República para visitar Moura. Demorou menos de um mês e meio que do convite se passasse à concretização. A passagem por Moura deveria demorar 45 minutos. Foram mais de duas horas e meia de passeio pela zona histórica e de confraternização com o povo de Moura.
A visita abrangeu dois tópicos: reabilitação patrimonial e intervenção social. No matadouro, o Presidente da República visitou a exposição Água - património de Moura e Gotas de água (esta última com fotografias de José Manuel Rodrigues). Daí se passou à Mouraria (cujo recuperação teve o Prémio IHRU em 2014). Houve lugar a uma brilhante atuação do coro infantil dos meninos da Escola Básica do Sete e Meio. A visita terminou na Moura Salúquia - Associação de Mulheres do Concelho de Moura. Pelo meio, esteve a população de Moura ("esta gente é muita afetiva", disse-me, a dada altura, o Presidente da República). Se é, garanto eu. Selfies, copos de vinho, autógrafos, houve de tudo um pouco no périplo mourense.
A cidade de Moura tem mais que prestígio suficiente para merecer a visita do Presidente da República Portuguesa. Que veio, hélas, conhecer arqueologia e museus...
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sexta-feira, 22 de abril de 2016
TÓNICA CASTELLO
No final de um dia intenso e com nuvens, estive na sessão de apresentação da Castello - água tónica, no Mercado de Campo de Ourique. Ousadia e inovação saúdam-se. Tal como merece destaque a rotulagem com um toque retro. O design remete para as garrafas de outrora e tem um toque de classe. O piano e o contra-baixo que acompanhavam a cerimónia completavam o ambiente? Fly me to the moon, ouvi a dada altura. Um som apropriado.
O dr. Jorge Henriques, administrador da Mineraqua, teve a simpatia de me convidar a estar presente e a intervir durante a sessão. Isso deu-me a oportunidade de congratular a Água Castello por mais este passo. E permitiu-me também anunciar que a valsa mandada compor pela empresa no início do século XX será editada este ano. Uma peça de Alfredo Keil, interpretada pelo pianista Mauro Dilema.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
MOVIMENTO ILUSÓRIO
Um escultor do movimento. Alexander Calder (1898-1976) tornou-se célebre pelos seus mobiles. Gosto muito deste Lobster trap and fish tail, datado de 1939 e que resultou de uma encomenda do Museum of Modern Art, de Nova Iorque.
Movimiento
Si tú eres la yegua de ámbar
yo soy el camino de sangre
Si tú eres la primer nevada
yo soy el que enciende el brasero del alba
Si tú eres la torre de la noche
yo soy el clavo ardiendo en tu frente
Si tú eres la marea matutina
yo soy el grito del primer pájaro
Si tú eres la cesta de naranjas
yo soy el cuchillo de sol
Si tú eres el altar de piedra
yo soy la mano sacrílega
Si tú eres la tierra acostada
yo soy la caña verde
Si tú eres el salto del viento
yo soy el fuego enterrado
Si tú eres la boca del agua
yo soy la boca del musgo
Si tú eres el bosque de las nubes
yo soy el hacha que las parte
Si tú eres la ciudad profanada
yo soy la lluvia de consagración
Si tú eres la montaña amarilla
yo soy los brazos rojos del liquen
Si tú eres el sol que se levanta
yo soy el camino de sangre
yo soy el camino de sangre
Si tú eres la primer nevada
yo soy el que enciende el brasero del alba
Si tú eres la torre de la noche
yo soy el clavo ardiendo en tu frente
Si tú eres la marea matutina
yo soy el grito del primer pájaro
Si tú eres la cesta de naranjas
yo soy el cuchillo de sol
Si tú eres el altar de piedra
yo soy la mano sacrílega
Si tú eres la tierra acostada
yo soy la caña verde
Si tú eres el salto del viento
yo soy el fuego enterrado
Si tú eres la boca del agua
yo soy la boca del musgo
Si tú eres el bosque de las nubes
yo soy el hacha que las parte
Si tú eres la ciudad profanada
yo soy la lluvia de consagración
Si tú eres la montaña amarilla
yo soy los brazos rojos del liquen
Si tú eres el sol que se levanta
yo soy el camino de sangre
O poema é de Octavio Paz (1914-1998). O post de hoje é dedicado aos que, estando imóveis, julgam mover-se...
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NOMENCLATURA
O Brasil intriga-me. Sinceramente. Uma parte da minha perplexidade está traduzida nesta fotografia... Nenhum dos protagonistas parece levar o seu papel demasiado a sério.
A nomenclatura tem o seu quê de clownesco. Talvez isso ajude a explicar o resto. Como a inacreditável sessão de domingo. Ou os nomes dos representantes da nação, onde alinham Tiririca, Beto Salame, Shéridan, Tampinha, Tia Eron ou Zeca do PT. Não sou muito de poses hieráticas, mas há limites para tudo.
terça-feira, 19 de abril de 2016
JAVIER SOLÍS - 50 ANOS DEPOIS
Faz hoje 50 anos que Javier Solís morreu, com apenas 34 anos. Foi o último dos tres gallos mexicanos a desaparecer, depois de Jorge Negrete (1911-1953) e de Pedro Infante (1917-1957). Todos eles faleceram muito jovens, e de modo mais ou menos inesperado.
Aqui fica a minha homenagem a Javier Solís, grande intérprete de boleros e de canciones rancheras. Os boleros descobri-os há muito anos, através das gravações de António Machín. As cancioes rancheras e de mariachis pela voz de Linda Rondstadt (!), num disco de 1987.
A gravação é, tanto quanto consegui apurar, de 1963.
Aqui fica a minha homenagem a Javier Solís, grande intérprete de boleros e de canciones rancheras. Os boleros descobri-os há muito anos, através das gravações de António Machín. As cancioes rancheras e de mariachis pela voz de Linda Rondstadt (!), num disco de 1987.
A gravação é, tanto quanto consegui apurar, de 1963.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
VIVA VERDI!
Não é bem o que se possa designar por ópera, tendo em conta o nível dos intérpretes. Mas Verdi aparece várias vezes na série Amici miei. Esta cena é, salvo erro, do segundo filme, realizado por Mario Monicelli em 1982. Não é aquilo que se possa dizer uma grande interpretação do conhecido quarteto do 3º ato do Rigoletto... Em todo o caso,
Viva Monicelli!
Viva Verdi!
Aqui vai, na escolha cinéfila da semana, bella figlia dell'amore:
Viva Monicelli!
Viva Verdi!
Aqui vai, na escolha cinéfila da semana, bella figlia dell'amore:
domingo, 17 de abril de 2016
MÉRTOLA, 1996 - MOURA, 2016
Na passada sexta-feira foi inaugurada em Moura a exposição "Gotas de água". São duas dezenas de dezenas de fotografias de José M. Rodrigues (n. 1951), artista consagrado e Prémio Pessoa 1999.
Há exatamente 20 anos estava eu embrenhado na produção do livro "Mértola por José Manuel Rodrigues, Luís Pavão, António Cunha e Mariano Piçarra". Retomava então um projeto que tinha querido concretizar em Moura e que não conseguira levar a cabo. Acabei, de certo modo, por o fazer, em 2001, com "Moura - crónica da festa".
O "livro branco" de Mértola - com uma capa genial desenhada por Luís Moreira - permitiu reunir quatro amigos ligados ao projeto patrimonial da vila-museu. É uma edição da qual gosto muito, embora seja uma obra pouco amada... E que tem um punhado de obras-primas fotográficas. Como o cipreste que rasga a paisagem (fotografia de José M. Rodrigues).
Vinte anos depois, o meu amigo José está em Moura. Duplamente. Tem a exposição "Gotas de água" e prepara(mos) o álbum "Amareleja".
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sábado, 16 de abril de 2016
COISAS POR RESOLVER
Há sempre, haverá sempre,
coisas por resolver. Isso mesmo referi no passado dia 9, durante a apresentação
do livro “Castelo de Moura – escavações arqueológicas”. Recordei, de forma
breve, as intervenções realizadas em anos recentes (de 2008 a 2015, em
especial) e que resultaram num número substancial de trabalhos de reabilitação.
A cidade ganhou e ficou diferente? Decerto que sim.
O Centro de Joalharia
Alberto Gordilho, a renovação da Mouraria, a igreja do Espírito Santo, o novo
Posto de Turismo, o Pátio dos Rolins, a igreja de S. Francisco, os Quartéis, o
antigo Matadouro, a sala de exposições na Torre de Menagem fizeram e fazem
parte de uma plano de intervenção, levado a cabo de forma convicta. Se o
presente nos dá razão quanto a estas matérias, o futuro mais razão nos dará.
Que intervenções de
fundo temos, na cidade, por resolver? Duas, neste domínio: os conventos do
Carmo e do Castelo. Retomo, quase “ipsis verbis”, um texto publicado há meses e
que continua, infelizmente, bem atual.
Porque não avança o
Convento do Carmo? Porque não se conseguiu ainda arranjar a parceria para o
fazer. E porque os valores envolvidos – a reconversão em unidade hoteleira, por
exemplo, não é possível por menos de 5/6 milhões de euros – são significativos.
Numa altura de retração do investimento, mais difícil a tarefa se torna.
O Convento do Carmo
vai ser um hotel? Pode ser uma das possibilidades, mas não a única. Depois de
cometida a inacreditável estupidez de se ter de lá tirado o centro de saúde, é
preciso adequar o espaço a novas funções. Por favor, poupem-me a modelos de
gestão do género “centro cultural”, “universidade”, “museu”, etc.. Façam-se
contas, veja-se o País em que vivemos e calculem-se custos de manutenção antes
de se fazerem propostas disparatadas.
Reabilitar o Convento
do Castelo é uma necessidade? É verdade. Então porque não se reabilita?
Primeiro, porque o trabalho de reforço das estruturas foi feito há cerca de
seis anos e orçou em quase 500.000 euros (financiamento governamental: zero);
depois, porque é necessário desenvolver um projeto para o imóvel,
encontrando-lhe um uso adequado e financiando as suas obras. Com tantas obras a
decorrer e com a especificidade desta intervenção, isso não seria possível. Os
valores não serão inferiores a 3 milhões de euros. E recordemos que antes disto
está a recuperação do antigo Grémio da Lavoura, que defendo como a próxima
grande intervenção (com financiamento previsto numa “coisa” chamada PEDU).
São tarefas fáceis?
Não são. Por isso mesmo se tornam mais interessantes e o desafio é maior. Por
isso mesmo nos empenhamos nestes projetos.
Há propostas
concretas e fundamentadas (não me refiro a sugestões e hipóteses) para o
Convento do Carmo ou para o Convento do Castelo? Venham de lá elas. Se forem
viáveis não haverá um segundo de hesitação.
O interior do País
foi deixado à sua sorte. Cabe-nos, por isso, lutar por soluções. De forma
determinada e com conhecimento de causa. Entre outras coisas, porque estas
tarefas não podem ficar à mercê de amadorismos e de especialistas de fim de
semana.
Texto publicado hoje, em "A Planície". A tela de Leonardo Coccorante (1680-1750), hoje no Honolulu Museum of Art, mostra bem o conceito romântico da "ruína".
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sexta-feira, 15 de abril de 2016
REAL DE MOURA - TRIUNFO NO CAMPO PEQUENO
Uma noite verdadeiramente excecional. Tive a felicidade de estar presente e de poder constatar que aquilo que o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura fez está ao alcance de muito poucos. Três pegas à primeira, com um momento alto no quinto toiro da noite (um Veiga Teixeira com 608 kgs.). O cabo Valter Rico foi à cara e mostrou como se faz.
Havia uma pequena multidão de mourenses que, à saída, não disfarçava a satisfação. E era bem caso para isso.
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