quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O PASTOR

Ontem foi dia de pastoreio. Inauguração da escultura concebida por Francisco Hermenegildo. Foi uma das peças principais da exposição que esteve patente na Igreja do Espírito Santo. Está agora à entrada de Moura, na rotunda da feira.





«Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?»

«Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?»

«Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram.»

«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.»

Alberto Caeiro, pois claro...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

DESTINO - AMARELEJA

Houve regresso e uma festiva ida à Amareleja, ontem. Que terminou muito tarde, ou muito cedo, consoante a perspetiva.

Fiquei a saber ontem, de modo informal, os resultados do concurso de fotografia organizado pela Junta de Freguesia. Os vencedores não são oficialmente conhecidos, pelo que só lhes darei os parabéns, com todo o gosto, na devida altura. Não faço parte do grupo.

Tive o prazer de participar na iniciativa. Foi interessante descobrir outras leituras da Amareleja. Aqui ficam três imagens que apresentei.



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

DESTINO - BAYONNE


O porto de Bayonne já não é assim. Esta vista data de 1755, quando Claude Joseph Vernet passou pelo sítio. Bayonne é o destino de hoje, em representação do Município. Ir e vir rapidamente (1900 kms. de rajada), que na dia 14 à tarde já terei de estar na Amareleja. Trata-se de um compromisso antigo, e o cansaço vai ter outras compensações. E quem corre por gosto...

Já agora, é de Claude Vernet um célebre retrato do Marquês de Pombal, que pode ser visto no Museu da Cidade, em Lisboa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

NA AMARELEJA, AO SOL E À LUA

De 11 a 15 de agosto, descobre-se outra Amareleja. São as festas da vila, que todos os anos se fazem e se renovam. A retrospetiva de um ano de iniciativas diz bem do que foi preciso andar para aqui chegar. A palavra “party” surge inúmeras vezes. A criatividade foi intensa e as festas foram para todos os gostos. Houve a da Beer, a da Spring, a Sunset Color, a Mistery, a Gin, a White e a Shot. Palavras inglesas que fazem parte da linguagem habitual dos mais novos. Nós talvez estranhemos, mas é melhor habituarmo-nos. É que estas festas fazem-se sob o signo da juventude. A começar pela própria Comissão de Festas. Se alguém duvida da capacidade de iniciativa e de organização dos jovens, aqui estão eles a demonstrar exatamente o contrário.

Mais uma vez, o programa é intenso e resulta de um laborioso trabalho de construção iniciado no verão do ano passado. Virão artistas de fora, com nomes sonantes nos cartazes. Mas não faltarão os nossos, os da vila. Que não ficam atrás de ninguém em qualidade. A Filarmónica e Tony das Carreiras por cá andarão. Mais os DJ locais. Disse-o no ano passado e repito-o neste: “a juventude amarelejense não vai ter descanso e não nos vai dar descanso”.

A animação é, sobretudo, noturna, as celebrações religiosas têm lugar durante o dia. O paganismo casa com a lua, a crença fá-lo com o sol. O sol é uma das imagens de marca da Amareleja. O vinho é outra. Acrescentemos agora a lua da Amareleja, que é também clara e luminosa, e diferente das demais.

De outro calor se faz também a festa. Porque calorosa é também a receção a quem visita a vila por estes dias. A forma de receber e o brio dos amarelejenses marcam estas dias e deixam marcas a quem nos visita.

A Festa de 2017 começará, dentro de dias, a ganhar contornos. O tempo não pára. A Amareleja também não.

Amareleja, 19 de julho de 2016
Santiago Augusto Ferreira Macias
Presidente da Câmara Municipal de Moura


Texto redigido para o programa da Comissão de Festas de Amareleja / Santa Maria 2016. Fotografia do blogue http://amareleja40grausasombra.blogspot.pt

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

PASSAGEM PARA A ÍNDIA

Não sei bem porquê, mas lembrei-me hoje deste filme, visto há já muitos anos. Passagem para a Índia foi o derradeiro filme de David Lean (1908-1991), tinha o realizador 76 anos. É uma obra fora do tempo (daquele tempo, ao menos), barroca  e solene. Não é um filme paternalista nem saudosista. Mas é mais convencional do que parece. Uma peça de poesia, devidamente sublinhada pela música de Maurice Jarre. Passagem para a Índia, de 1984, é o filme desta semana.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

BISSAU REVISITADO

Dia de pausa no quotidiano habitual. Pretexto para um "regresso" a Bissau, motivado por conversa recente com dois amigos de Santo Amador: José Coelho e José Barras. A memória deles desta cidade invulgar e apaixonante recua ao princípio dos anos 70. A minha é um pouco mais recente.

Aproveito para publicar esta fotografia (tirada em fevereiro de 2010) de uma belíssima mulher. Era vendedora e vinha todos os duas de Safim para trabalhar na Praça do Império (e, sim!, já sei que este não é o nome oficial, mas é assim que toda a gente a conhece...).

Completa o dia um poema de Odete Semedo. Que não conheço pessoalmente, e que teve a imensa gentileza de traduzir um livrinho meu sobre duas cidades do sul.


POEMAR

Poemar é amar o mar
Poemar é revestir o ser
Com o próprio pensamento
É trazer à superfície
O subconsciente
É ser vidente
É ser viandante
É amar a dor
E dar calor
Ao frio da noite.
Poemar é dar prazer ao ser
É estar contente
Por poder amar
E poemar é amor
Poemar é amar
Quando ao luar
O mar e a mente se entrelaçam
Quando a dor e o calor se confundem...
Poemar é amor
É amar
É mar
E é dor também

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

TELMA MONTEIRO - MEDALHA 1

Telma Monteiro - medalha de bronze (judo: - 57 kg.)

1000 E POUCOS DIAS DE MANDATO (balanço em 1.8.2016)

O texto saiu hoje, em A Planície. É a derradeira "avaliação intermédia", antes do balanço de mandato, a publicar na primavera/verão de 2017. Usa-se, muitas vezes, a expressão de Marguerite Yourcenar "o tempo, esse grande escultor". É mais interessante reproduzi-la por inteiro: Le temps, ce grand sculpteur parle du changement, de l'usure que les siècles apportent même aux statues. Julgo que a expressão é apropriada ao tipo de trabalho que se faz, às leituras que ele tem no momento e num tempo mais longo. Coisas de historiador, mas como há dias afirmava a economista Teodora Cardoso, "Hoje em dia, mais do que nunca, há duas coisas a que os economistas têm de ter muito mais atenção. Uma, é a História. É preciso perceber História para perceber Economia". Pois é...

Fotografia - Zambrano Gomes



1015 DIAS MAIS TARDE

Este texto deveria ter sido publicado no dia 15 de julho, à beira de se completarem 1000 dias de mandato autárquico. Optei nessa altura por remeter à Planície a nota de apresentação que consta no livro das Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo. O balanço que agora se faz só será retomado no final da próxima primavera, quando se fizer uma leitura global do que foram estes anos. Atualizemos, portanto, dados que consideramos relevantes. Eis uma visão rápida do que foi feito entre 20 de outubro de 2013 e 31 de julho de 2016.

Que inaugurações mais relevantes devemos destacar? A da Escola Básica e Jardim de Infância de Santo Aleixo (1.12.2013); a da sede da Herdade da Contenda, em Santo Aleixo (2.2.2014); a da renovação do Edifício dos Quartéis, em Moura (14.6.2014); a da delegação da Câmara Municipal, em Santo Aleixo (4.8.2014); a do Parque da Ribeira de Vale de Juncos (20.2.2015); a da exposição “Água, património de Moura”, que marcou a conclusão da primeira fase das obras no matadouro (30.7.2015); a do parque de estacionamento da Zona Industrial (29.9.2015); a do Pavilhão das Cancelinhas (22.11.2015); a do Centro Náutico da Estrela (7.5.2016); a do Parque de Leilão de Gado (12.5.2016).

A vida de uma Câmara Municipal não se resume a inaugurações. Muitas outras intervenções tiveram lugar. Sem ser exaustivo, valerá a pena recordar obras como: a reabilitação da muralha da Boavista, a reabilitação do muro sobranceiro ao Parque Infantil no Jardim Dr. Santiago, a conclusão da obra de requalificação da zona industrial, as obras de cobertura parcial da Ribeira de Vale de Juncos, os melhoramentos em escolas de ensino básico do concelho, a repavimentação da entrada de Moura (estrada do Sobral), a reabilitação do Pavilhão Gimnodesportivo, as repavimentações de arruamentos em Moura, Amareleja e na Póvoa de S. Miguel, a reabilitação da Piscina Coberta, os novos passeios na Rua dos Lameirões e na ligação ao Parque de Municipal de Feiras e Exposições, a ligação dos esgotos à ETAR, a concretização do campo de jogos na EBI de Amareleja, as obras de saneamento e de repavimentação na Rua dos Açores e na Rua da Santo António e junto à EBI de Amareleja ou o novo arranjo da rotunda da feira (com um trabalho escultórico da autoria de Francisco Hermenegildo).

Estão em curso a reabilitação do Pátio dos Rolins e a conclusão das obras na área envolvente da Ribeira da Perna Seca (Sobral), intervenção difícil e levada a cabo com financiamento exclusivo da Câmara Municipal. Estão em início de obra a reparação do caminho municipal da Freixeira e o processo de remoção das coberturas com amianto em escolas do primeiro ciclo. Preparam-se processos de lançamento de obras na Ponte do Coronheiro e na igreja de Safara. Aprovou-se uma proposta de apoio à reabilitação da igreja de Santo Amador, a ser concretizada durante o corrente ano. O projeto, já concluído, do Picadeiro da Póvoa, aguarda financiamento. Estão perto do início obras mais pequenas, mas não menos importantes, no Cineteatro Caridade e no Parque de Feiras e Exposições, sendo que neste último vão ser instalados sanitários para pessoas com mobilidade reduzida. Têm sido, sistematicamente, vindo a ser feitos trabalhos no sentido de eliminar barreiras arquitetónicas que dificultam a vida a essas pessoas. Mais adiante terão lugar os concursos para a reabilitação do Bairro do Carmo e da Torre do Relógio (Amareleja). Tomaram forma intervenções, orçadas em mais de 100.000 euros, de apoio à habitação, através no gabinete instalado na Ágora Social.

Prepara-se, bem entendido, o futuro. Os projetos com financiamento comunitário garantido ultrapassam 6.000.000 de euros, com a obra de reabilitação do antigo Grémio da Lavoura à cabeça.

Mencionemos brevemente a aprovação de planos (de urbanização e de pormenor, na Póvoa e em Amareleja), a celebração de acordos de execução, de contratos interadministrativos e de acordos de cooperação com as freguesias do concelho e a eliminação de dívidas aos Bombeiros e à RESIALENTEJO. Foi estabelecido um plano de pagamentos, que está a ser cumprido, com a Águas Públicas do Alentejo.  Foi adjudicada a parte final do processo de revisão do PDM.

Foram delineadas e postas em prática iniciativas como a Câmara Aberta (seis edições realizadas), o Fórum 21 (sete edições), Mouralumni (sete edições), Um dia na Presidência (três edições) e Presidentes de Câmara do distrito em Moura (oito edições). Como traço de ligação sublinha-se a proximidade entre eleitos e eleitores, a discusssão de temas de interesse comum e a preocupação em afirmar a realidade do nosso concelho. Cabe destaque para a designação do Presidente da Câmara de Moura como membro do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, bem como para a participação da Câmara Municipal nas reuniões da CIMBAL, da RESIALENTEJO e da Assembleia Distrital de Beja. A cooperação do Município de Moura abrange, nesta altura,  Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Promoveram-se homenagens a Álvaro Fialho e a antigos autarcas (Manuel Mestre e Romana Ângelo). Moura tornou-se ainda mais visível com a visita do Presidente da República, ocorrida na última primavera.

Escolas e movimento associativo foram vetores importantes de atuação. Salientamos aí a atribuição do Prémio de Mérito Escolar, a criação de novas bolsas de estudo, em cooperação com empresas do concelho, as múltiplas iniciativas levadas nas/com as escolas e que envolveram a Ludoteca, a Biblioteca e o Museu. Atribuiu-se a Medalha de Honra do Município à Escola Secundária de Moura. De entre um vasto leque de iniciativas que tiveram lugar, permitimo-nos ainda destacar o Carnaval das Escolas, as comemorações do Dia da Mulher, a Feira do Livro e a Árvore da Partilha. Continuaram os programas de cooperação com a COMOIPREL, com as empresas municipais Lógica e Herdade da Contenda. O movimento associativo viu consolidado o apoio concedido, com valores que ultrapassam 1.000.000 de euros.

O reconhecimento externo do trabalho do Município foi motivo para distinções de prestígio nacional, atribuídas pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, da Entidade Regional de Turismo e a da Associação Portuguesa de Museologia. Sítios como a igreja do Espírito Santo tornaram-se pontos de visita obrigatórios, com uma programação de exposições que privilegia autores locais.

O apoio à atividade empresarial foi traduzido na cedência de lotes infraestruturados (um deles com obras já em curso), no apoio à instalação do CIV e na entrega de espaços e entrada em funcionamento do Centro de Acolhimento a Microempresas de Moura. Está em curso um processo de revitalização do antigo Campo Maria Vitória, que será destinado a atividades económicas. A Câmara Municipal continuou a apostar na realização de feiras e na presença na Bolsa de Turismo de Lisboa.

Deixamos aqui de lado tudo aquilo que diz respeito ao funcionamento dos equipamentos municipais (pavilhão, piscinas etc.), à atividade diária e às respostas a inúmeras solicitações, feitas a cada momento. Deixamos aqui também de lado as múltiplas ações levadas a cabo pelos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura (a começar pela recolha do lixo e a terminar na manutenção de redes de água, de jardins, etc.), sem os quais tudo o que foi listado não teria sido possível. Adquiriram-se novos equipamentos para o setor operacional, alterou-se o mapa de pessoal e mantiveram-se os horários de 35 horas. Comprou-se um novo terreno para expansão do estaleiro municipal.


Mais de 1000 dias já lá vão. Muitos obstáculos nos foram levantados. Outros tantos foram removidos. Continuaremos com a mesma determinação. Os próximos 12 meses serão de atividade intensa. A avaliação final cabe(rá) aos mourenses.

domingo, 7 de agosto de 2016

LA CITÉ DES 4000

Na realidade, são mais de 4000 os textos publicados desde o começo do blogue, em dezembro de 2008. São 4000 os que se contabilizam neste momento, mas houve 10 ou 15 que tiveram de ser eliminados, derivado a um vírus...

Um blogue é, apenas, um trabalho de planeamento e de disciplina. Uso uns 15 a 20 minutos diários, mais duas ou três horas por mês a escolher temas e a recolher dados.

Espero que os meus 4000 sejam mais venturosos que a Cité des 4000 (projeto de Clément Tambuté e de Henri Delacroix: 1956-1966), um bairro de La Courneuve (junto a Paris), que devia ser uma solução de alojamento e se tornou um imenso quebra-cabeças político e social. À falta de outra solução, os blocos estão a ser demolidos.

Os meus 4000 textos também se empilham, mas pacificamente.

sábado, 6 de agosto de 2016

ANTÓNIO GUTERRES - CANDIDATURA À ONU

De fácil a campanha nada terá. À segunda votação, António Guterres continua a liderar. O candidato a secretário-geral da ONU parece consolidar posições. Nada está garantido, contudo. O embaixador Francisco Seixas da Costa chama, com subtileza, a atenção para diversas nuances no seu blogue.

Oxalá dê certo. A seriedade deve ser valorizada. E há uma manifesta diferença entre Guterres e criaturas como Barroso e Portas. Isso deve ser sublinhado. Digo eu, que pertenço a outra família política e fico, sem complexos tolos, torcendo por ele.


PONTE SOBRE O TEJO - 50 ANOS


Admito que possa ser discutível usar um poema de Mario Benedetti (El puente) para assinalar os 50 anos da Ponte sobre o Tejo. Mas a ponte, que é muito bonita, isso merece. Quando era pequeno tinha pavor ao cruzar a ponte. Talvez por isso hoje goste tanto do poema e da passagem "ahí está el puente / para cruzarlo o para no cruzarão / yo lo voy a cruzar / sin prevenciones".


Para cruzarlo o para no cruzarlo

ahí está el puente
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país

traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar

vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
las tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra

nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco

ahí está el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yo lo voy a cruzar
sin prevenciones

en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DE COMO O OFFICER CRABTREE REENCARNOU NUM REPÓRTER DE CMTV

Diálogo entre um repórter da CMTV e um emigrante, que não é emigrante.

Repórter:
Eu agora ia pedir ao capitão para ver se consegue mandar parar o próximo, o próximo que é francês. O próximo aí.
Olá, boa tarde. Para a CMTV, em direto. Vem de onde?

O francês, que é mesmo francês:
Francia [não se deve ter dado conta que já estaba em Bilar Formojo].

Repórter:
Cantes hores à conduir duran le viaje?

O francês, que é mesmo francês e que não percebeu pevas da pergunta:
On a conduit depuis Salamanca.

Repórter:
Vá lá, merci.
Capitão, ia pedir-lhe outro, que este é mesmo francês.

Link - https://youtu.be/3p_Meat99A8

OBRIGADO, CMTV!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SALLÚQUIA - A BELLA MOURA

A edição acaba de ser apresentada pela Câmara Municipal de Moura. A peça foi executada ao vivo pelo Prof. José Azevedo de Souza.

É pertinente um Município publicar valsas? Decerto. Esta peça, composta por Alfredo Keil por volta de 1905 foi uma encomenda da empresa Água Castello. Decidiu agora a Câmara de Moura gravar um CD, divulgando mais esta peça do nosso património.

Interpretação - Mauro Dilema

Está no youtube: https://youtu.be/pUg6oPUDYcs

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

TRÊS DIAS??? JURA!!!

Sempre tive uma certa ternura por estes estudos. Tais como por outros, os que dizem que o chocolate é bom e é mau, que o café faz bem e faz mal, que amendoim faz isto e faz aquilo.

Essa de só trabalhar três dias por semana... Bem feitas as contas, e como tenho 53 anos, acho que já devo ter tempo para a reforma. Uns divertidos, estes australianos...


terça-feira, 2 de agosto de 2016

PORTUGAL E OS PORTUGUESES VISTOS POR DENTRO MAS DE FORA - IV/X: TOD PAPAGEORGE


O Tejo, Belém, fotografia de 1989. Muitos fotógrafos descobriram o "exótico português" nos anos 50 e 60. Tod Papageorge (n. 1940) faz este registo no final dos anos 80. É um Portugal diferente do que Koudelka ou Cartier-Bresson registaram. O preto das roupas ainda dá um ar meridional. Mas por aí se fica esse recuo no tempo.

É sempre interessante a imagem que outros constroem de nós. Embora eu não tenha a certeza de que somos exatamente assim.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

MOURA - 25 ANOS MAIS TARDE

No dia 1 de agosto de 1991 mudei-me, de armas e bagagens, para Mértola. Uma decisão acertada e que condicionou a minha vida. Na altura, pensava apenas terminar o mestrado e fazer carreira académica. O destino decidiu de outro modo, num tempo em que ser autarca não fazia parte das minhas mais remotas intenções. Voltei para Moura em 2005, a minha vida passa agora por esta terra. A hora do balanço ainda vem longe. Limito-me a recordar aquela quinta-feira de agosto, na qual pensei - pensa-se cada coisa na vida... - que acabara de comprar um bilhete só de ida para Mértola. No fundo, nunca daqui saí. De Mértola, de outro modo, também não. Ah, quanto do meu passado / Foi só a vida mentida / De um futuro imaginado!, é mais ou menos isso...


O Andaime


O tempo que eu hei sonhado 
Quantos anos foi de vida! 
Ah, quanto do meu passado 
Foi só a vida mentida 
De um futuro imaginado! 

Aqui à beira do rio 
Sossego sem ter razão. 
Este seu correr vazio 
Figura, anônimo e frio, 
A vida vivida em vão. 

A ‘sp’rança que pouco alcança! 
Que desejo vale o ensejo? 
E uma bola de criança 
Sobre mais que minha ‘s’prança, 
Rola mais que o meu desejo. 

Ondas do rio, tão leves 
Que não sois ondas sequer, 
Horas, dias, anos, breves 
Passam — verduras ou neves 
Que o mesmo sol faz morrer. 

Gastei tudo que não tinha. 
Sou mais velho do que sou. 
A ilusão, que me mantinha, 
Só no palco era rainha: 
Despiu-se, e o reino acabou. 

Leve som das águas lentas, 
Gulosas da margem ida, 
Que lembranças sonolentas 
De esperanças nevoentas! 
Que sonhos o sonho e a vida! 

Que fiz de mim? Encontrei-me 
Quando estava já perdido. 
Impaciente deixei-me 
Como a um louco que teime 
No que lhe foi desmentido. 

Som morto das águas mansas 
Que correm por ter que ser, 
Leva não só lembranças — 
Mortas, porque hão de morrer. 

Sou já o morto futuro. 
Só um sonho me liga a mim — 
O sonho atrasado e obscuro 
Do que eu devera ser — muro 
Do meu deserto jardim. 

Ondas passadas, levai-me 
Para o alvido do mar! 
Ao que não serei legai-me, 
Que cerquei com um andaime 
A casa por fabricar. 

Fernando Pessoa - "Cancioneiro" 

MONIZ PEREIRA (1921-2016)

Conheceu uma carreira longa e marcada por sucessos. Grande parte dela, quase toda em boa verdade, foi desenvolvida no Sporting, o seu clube de sempre. Atleta, campeão, treinador e fazedor de campeões, Mário Moniz Pereira deixou-nos ontem. Carlos Lopes terá sido a sua mais conhecida "criação", mas é injusto resumir a um só atleta - ainda que de extraordinária qualidade - décadas de trabalho.

Se um aspeto marca a carreira deste português incomum é ter contribuído para arrumar na prateleira das inutilidades a imagem do lusitano bem comportadinho, mas sempre destinado a lugares secundários. Se hoje temos campeões e gente que se afirma no desporto, em muito o devemos ao Prof. Moniz Pereira.

Facto lateral, mas não menos importante, Moniz Pereira foi um talentoso compositor de fados. Valeu a pena? Claro que valeu a pena, senhor professor.