terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MERYL STREEP

Os óscares, Cannes, Berlim, os globos de ouro são importantes? Seguramente que sim, e Meryl Streep, a melhor atriz do mundo ocidental (já que falamos tanto em multiculturalismo, recordemos que os padrões de representação não são universais) é, sendo comedido, extraordinária. Desde há muitos anos.

Tão impressionante como isso foi o discurso que fez há dias, e que aqui deixo, sem mais considerandos.

Meryl Streep queixou-se da falta de voz. Sei o que isso é. Tem-me acontecido um par de vezes. A última vez foi no Sobral da Adiça, no dia 18 de dezembro...



(legendas em espanhol; é só seguir as indicações)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UMA QUESTÃO DE FORMATO


“Como é que se tornou presidente da câmara?”, disparou o Luís Martins às 16:55 do dia 14 de dezembro de 2016. Faltavam cinco minutos para a reunião de câmara e aproximava-se o fim de mais “Um dia na Presidência”. A iniciativa, que arrancou em janeiro do ano passado, destina-se a mostrar a jovens do concelho o que é o quotidiano de um autarca. Tem sido uma experiência gratificante e enriquecedora. Pautada por muitas surpresas.
            Achei a pergunta do Luís muito interessante e decidi “cinco minutos não dá, voltamos aqui depois da reunião de câmara”. Obviamente, não era o facto eleitoral que motivava a pergunta, mas sim o interesse em saber que percurso se faz até aqui se chegar. Tive a maior dificuldade em lhe explicar as razões. Até final de 2012 nunca tal me ocorrera. Sempre pautara o percurso por outros interesses. Nunca me interessara dirigir o caminho nesta ou naquela direção, no intuito de “chegar” onde quer que fosse. Lembrei-me, sem tal dizer ao Luís, do tapete 9, o local onde, em tempos, se recolhia a bagagem fora de formato, no Aeroporto de Lisboa.
            A minha dificuldade nunca foram os dossiês ou o trabalho técnico ou o debate político. Mas sim formatar-me a uma tarefa que requer, à partida, rigidez e sisudez. “Não deves disfarçar-te no carnaval, que pareces o Alberto João Jardim”, “fica mal ao presidente beber copos em tabernas”, “aquela coisa de imitares o Usain Bolt é uma péssima ideia”, “porra, pá, um tipo doutorado e professor universitário tem necessidade de dar o flanco?”, “que ideia é aquela das poesias eróticas no blogue?”  etc. etc. Ao que parece, ser presidente requer alguma pose e alguma distância. É o que, por vezes, (me) dizem. Disposto a ser um ser humano como os demais e nunca tendo frequentado nenhum curso “como ser presidente de câmara em 10 lições” mantive-me fiel a velhos princípios. E à minha maneira de ser.
            Defini alguns princípios, ainda antes de ser eleito: 1) tentar resolver problemas e ter um bom desempenho técnico-político; 2) dignificar o Município que represento; 3) ser ousado e, em conjunto com a equipa, inovar e lançar novos projetos; 4) ter em atenção os problemas sociais, a começar pela habitação; 5) não ser subserviente em relação aos “poderosos”. No meio de tudo isto, mantive-me fiel a velhas amizades, aos sítios onde gosto de ir, a calcorrear as ruas da minha terra, a dar a cara pelos problemas e a concretizar o que me/nos diziam ser impossível. O balanço far-se-á. Não agora, mas dentro em breve. Seguimos o percurso atrevidamente e com firmeza. Defenderei o desempenho da Câmara Municipal e explicarei, com clareza, as opções tomadas. Quem não deve não teme.

            No meio de tudo isto, ainda estou no tapete 9. Não me sinto obrigado a formatos. Poses imperiais? A quem estiver interessado no tema, recomendo a leitura das “Embaixadas a Bizâncio”, de Liuteprando de Cremona, ou a famosa “História Secreta”, de Procópio de Cesareia. Aí se explica como viviam e se comportavam Justiniano e Constantino Porfirogeneta. A lógica oriental da representação do poder reflete-se, como um eco distante, na Rússia de hoje. Não sou nem isso nem um chefe africano nem um caudilho ibérico. Apenas um homem comum, que desempenha convictamente funções numa autarquia do interior português. Que o faz com empenho e total entrega. Sem sair do tapete 9.

Crónica publicada hoje em "A Planície".

domingo, 8 de janeiro de 2017

ANTÓNIO TERESO (1927-2017)

No site do PCP:
O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português informa com mágoa e tristeza, do falecimento hoje dia 7 de Janeiro aos 89 anos, de António Tereso. Militante comunista que dedicou a sua vida à luta dos trabalhadores e do povo português pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo.
Na prisão de Caxias desempenha complexo e destacado papel na preparação e concretização da fuga de oito destacados dirigentes e militantes comunistas do Forte de Caxias no carro blindado de Salazar, a 4 de Dezembro de 1961.

No blogue O tempo das cerejas, de Vítor Dias, texto importante sobre este herói do Povo Português:
«Foi com sacrifício que aceitei a tarefa de “rachar”. Foi o que mais me custou na vida», afirmou, visivelmente emocionado, António Tereso. Por indicação de José Magro, viveu juntamente com o inimigo durante dezanove meses. O objectivo era encontrar uma hipótese de fuga.
A ruptura com os seus camaradas – de que apenas um pequeno número de dirigentes sabia tratar-se de uma encenação – deu-se durante um almoço.
«Atirei com um prato de arroz à cara de um preso, mas ele, em vez de se virar a mim, começou-se a rir, o que me dificultou a tarefa.» De rompante, começou a esmurrar a porta gritando que queria sair daquela sala. Dezanove dias depois mudou-se para a «sala dos trabalhos». Até conseguir a transferência, ficou na sala com os seus camaradas. Esses dias, recordou, foram «muito difíceis».
«Eram todos meus amigos», confessou.
Começava assim o seu percurso de «rachado», ao serviço dos carcereiros. Tereso contou como conseguiu ganhar a confiança dos inimigos. Havia que esperar que «eles precisassem de nós. Foi essa a minha vitória». «Um dia chego ao pé do director, o Gomes da Silva, e disse-lhe: se precisar do carro lavado, eu lavo-lhe o carro», recorda António Tereso. O director concordou. Antes de trabalhar como motorista da Carris tinha lavado carros e fazia aquilo bem. «Ficou muito contente e ganhei um cliente», ironizou.
A confiança que ganhou foi tanta que chegou a conduzir o director fora da prisão e este deu-lhe permissão para ir ao seu gabinete sempre que necessário. Daí para a frente, recordou, os «carcereiros quando queriam alguma coisa vinham ter comigo para eu ir ver ao gabinete do director se ele estava lá. Eu tinha esta liberdade toda».
Também o guarda Lourenço, um PIDE reformado, foi conquistado pelo falso «rachado». Numa ocasião, ao lavar o seu carro, Tereso encontra um pequeno coração de ouro. «Depois de lhe lavar o carro, devolvo-lhe o coraçãozinho. Ele respondeu: “há dois anos que procurava isso, é da minha netinha”.». Após contar à mulher o sucedido, esta responde: «esse homem é sério demais para estar preso.»
A confiança era tanta que lhe é oferecido um lugar como motorista da PIDE, a ganhar 1 500 escudos. Tereso comunica o sucedido ao Partido. A resposta, recorda, foi «não há fuga para ninguém, agarra-me isso com as duas mãos». Faltavam três meses para sair em liberdade…
Um dia, passeava com o director pela prisão e depara-se com o carro, estacionado numa garagem. O desafio vem do próprio responsável da cadeia. «Há-de me pôr este carro a trabalhar», disse-lhe. «Quando ele me diz isso, eu esqueci os meses e a liberdade, esqueci tudo», lembrou. Nessa noite, comunicou ao Partido: temos fuga!»

MÁRIO SOARES (1924-2017)

Valerá a pena fazer um dia, daqui a uns anos, a releitura das reações à morte de Mário Soares. Tenho seguido, com grande interesse, os panegíricos e as homenagens emocionadas dos que lhe eram próximos, pessoal ou politicamente. Tenho lido, com não menos interesse, as mensagens de conveniente pesar doutros quadrantes políticos. Evito ler júbilos lamentáveis e outros insultos, que brotam à esquerda e à direita. O curto testemunho de António Barreto foi, até agora, o texto mais interessante qe li (v. aqui).

O papel de Mário Soares na construção do País que hoje somos é inquestionável, estejamos de acordo ou não com o modelo que temos. Foi ele um dos principais fautores da ocidentalização de Portugal. Do ponto de vista do funcionamento do modelo da democracia que temos e na perspetiva económica. O País rural e atrasado de 1973 pouco tem a ver com o de hoje. Isso não foi coisa pouca. Outros desiquilíbrios se fomentaram... Mário Soares, intuitivo e com leitura de curto prazo, acreditava que Portugal seria arrastado pela dinâmica dos grandes e atingiria assim um desenvolvimento pleno. Isso não aconteceu, como bem sabemos.

Foi um português determinante na História do século XX em Portugal? Foi. Não deixava as pessoas indiferentes? De facto, não. Antes isso, que os de "saia rodada" que por aí abundam...

Retrato oficial, por Júlio Pomar (1992)

sábado, 7 de janeiro de 2017

AGRIPPINA


Eis mais uma prova de como a ópera nada tem de aborrecido.

Georg Friedrich Händel (1685-1759) compôs esta ópera em 1709-1710. O contexto é marcadamente político. Mas da Itália imperial passa-se a Mussolini e a Berlusconi. A encenação de Robert Carsen tem ressonâncias que recordam a arquitetura de Aldo Rossi e as telas de De Chirico.





A versão integral de "Agrippina", de Händel, pode ser vista aqui:
http://www.dailymotion.com/video/x49nrvn

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

COM OS MOURENSES, DENTRO E FORA DE PORTAS

De Lausanne ao Palácio Alverca (Casa do Alentejo). Duas Câmaras Abertas literalmente fora de portas. Suiça e Lisboa.

Reuniões com entidades, encontros com os nossos emigrantes, debates sobre os problemas de quem vive longe da sua terra, visitas a coletividades e manifestações culturais preencherão os programas das duas edições da “Câmara Aberta”.

Datas apontadas: fevereiro (Suiça) e março (Lisboa).


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

NA ESFERA DE ONAN...

Ontem, no Globo, e seguramente pensando nos que dizem que a política é uma coisa aborrecida e sem graça:
"Marcelo Aguiar, deputado federal pelo DEM de São Paulo, entrou numa cruzada contra a pornografia e a masturbação. Apresentou um projeto à Câmara propondo que as operadoras telefônicas criem uma maneira de vetar "conteúdos de sexo virtual, prostituição e sites pornográficos".
Na justificativa ao projeto, Aguiar diz que há "viciados em conteúdo pornô e na masturbação". Explica o deputado na justificativa do projeto: "Estudos atualizados informam um aumento no número de viciados em conteúdo pornô e na masturbação devido ao fácil acesso pela internet e à privacidade que celular e o tablet proporcionam.
Os jovens são mais suscetíveis a desenvolver dependência e já estão sendo chamados de autossexuais – pessoas para quem o prazer com sexo solitário é maior do que o proporcionado, pelo método, digamos, tradicional."
Woody Allen, teórico da autossexualidade
Don't knock masturbation. It's sex with someone I love (no filme Annie Hall, de 1977).

COM OS TRABALHADORES

Reuniões dentro de portas. Repetição de uma prática antiga: explicar em primeiro lugar, e de viva voz, aos trabalhadores quais as opções tomadas e a tomar. Inevstimentos, obras em curso ou a iniciar, custos e implicações dos processos de decisão.

Descontração e ação direta. A mensagem passou e a receptividade foi mais que positiva.

08:00 - Estaleiros municipais

16:30 - Sala de sessões

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O REALIZADOR ESTETA: COMO CASPAR DAVID FRIEDRICH NOS ENTROU EM CASA ÀS 20:25

Via as notícias distraidamente quando, subitamente, reparei no fundo do écran. Falava-se da tragédia do Bolama. A imagem escolhida para ilustrar a situação foi Das Eismeer (O mar de gelo), uma tela de Caspar David Friedrich pintada em 1823-24 e que se reporta ao desastre de um navio britânico. "Ilustrar" um nebuloso naufrágio com uma pintura romântica é, no mínimo, insólito. Mas a criatividade não parece ter limites na RTP.

A obra de Caspar David Friedrich já por aqui passou, em 14.3.2011.



SCOOP FUTEBOLÍSTICO

Um amigo mandou-me há pouco este desenho, garantindo ser o esquema tático de Nuno Espírito Santo, ontem à noite. Esse meu amigo está a aldrabar. Acho que a tática do FCP não era assim tão boa...

MAESTRO JOSÉ COELHO - DAQUI A UM MÊS

Falta cerca de um mês para ser lançado CD de homenagem ao maestro José Coelho,  figura querida dos mourenses e autor do imortal hino Nossa Senhora do Carmo (haverá um só natural desta terra que não saiba a letra?). Na mesma altura, estará terminada a reabilitação do monumento na praceta que tem o nome do popular compositor.

Valorizar a memória dos que ajudaram a construir esta terra é tarefa da Câmara Municipal mas é, sobretudo, uma obrigação coletiva. É isso que faremos com a apresentação do CD e com mais esta forma de perpetuarmos o legado do maestro José Coelho.

Não podendo divulgar ainda a capa do CD, aqui fica um registo de Quim Barreiros e do Trio Guadiana, recordação de um velho 45 rotações (o que será um 45 rotações, perguntarão os mais novos...). Neste disco, de 1973, o quarteto interpreta Nossa Senhora do Carmo (ouvir aqui).

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

JOHN BERGER (1926-2017)

Um recente Fórum 21, que teve a participação de Alexandre Pomar, Jorge Calado e José Manuel Rodrigues intitulou-se Fotografia - modos de ver, em homenagem à célebre obra de John Berger. O ensaísta britânico, ontem falecido em Paris, não precisaria do meu reconhecimento para nada... Mas é autor de uma das dez obras que mais me marcaram (v. aqui).

Reproduzo o texto de uma publicação feita no blogue, em 14 de setembro de 2010.


John Berger usava duas páginas do livro Modos de ver para exemplicar como se manipula uma imagem. Numa página apresentava o quadro com o título, Seara com corvos. Virava-se a folha e a mesma imagem surgia com nova legenda: O último quadro que van Gogh pintou antes de se suicidar. É evidente que, com esta identificação, o pintura passa a ter outra leitura e ganha uma sombria carga dramática.

E, tanto quanto se sabe, Seara com corvos nem sequer foi a derradeira obra de Van Gogh...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

REGRESSO À ILHA



SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo. 
Perguntas impossíveis não pergunto. 
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando. 

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.


O regresso ao trabalho, depois de dois dias de pausa, foi marcado por intenso planeamento. O dia, cinzento, ventoso e frio, puxava à melancolia. Voltei atrás, a Cecília Meireles e a uma ilha. A poesia tem, por vezes, um efeito cauterizador. Fotografar em solidão também o é.

domingo, 1 de janeiro de 2017

POEMA SINFÓNICO PARA 100 METRÓNOMOS

"Tu gostas de Ligeti??", espantou-se o Joaquim. Admiti que sim, quase envergonhado. Quando falamos com músicos, podemos de estar a gostar dos autores "errados". Afinal era só surpresa. Não há nada de mal em gostar de Ligeti...

As obras de György Ligeti (1923-2006) são mais conhecidas por causa de um filme de Kubrick. Bendito cinema. Este Poema sinfónico para 100 metrónomos é uma peça de 1962. Data do momento em que Ligeti se ligou ao movimento Fluxus (qua já andou aqui pelo blogue).

O caráter "datado" do Poema sinfónico para 100 metrónomos não o torna menos interessante. Liga-se bem à ideia de finitude presente no poema do nosso Juan Ramón Jiménez. Melancolia dos sons e das palavras, agora que outro ano começa.



El viaje definitivo
Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando.
Y se quedará mi huerto con su verde árbol,
y con su pozo blanco.

Todas las tardes el cielo será azul y plácido,
y tocarán, como esta tarde están tocando,
las campanas del campanario.
Se morirán aquellos que me amaron
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y lejos del bullicio distinto, sordo, raro
del domingo cerrado,
del coche de las cinco, de las siestas del baño,
en el rincón secreto de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu de hoy errará, nostáljico...
Y yo me iré, y seré otro, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco,
sin cielo azul y plácido...
Y se quedarán los pájaros cantando.

Juan Ramón Jiménez

sábado, 31 de dezembro de 2016

O MOMENTO LUX DA GOVERNAÇÃO SOCIALISTA

O momento Lux da governação socialista ou o chico-espertismo em todo o seu esplendor.


ERA UMA VEZ 2016

Mais um ano com poucos dias de paragem. A função a isso obriga e acho sempre que se pode ir um pouco mais além. Todos os dias, todas as semanas, todos os meses. Destaco os momentos mais relevantes de cada mês, com uma linha ténue entre o público e o privado.
Janeiro (dia 27) - É das iniciativas que mais me entusiasma. Começou este ano e chama-se UM DIA NA PRESIDÊNCIA. Jovens do concelho à descoberta dos meandros da administração autárquica.

Fevereiro (dia 5) - Há muito que não passava um Carnaval em pleno. É claro que esta fotografia deu origem a uma saraivada de críticas (falta de juízo, com essa idade, com as tuas funções etc.), entre os amigos e familiares. É claro que não liguei nenhuma. Na segunda seguinte, usei mesmo uma vistosa máscara veneziana. Mas esta farpela que a Zeza me emprestou tem mais estilo...
Para compensar, a Universidade de Évora convidou-me para um júri de doutoramento. Num ambiente bem mais formal.


Março (dia 5) - Presença na abertura da delegação concelhia da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que ficou instalada em edifício cedido pela Câmara Municipal de Moura. A intervenção social passa por aqui. Ainda neste mês poderia destacar a inauguração da creche ou a presença numa festa mourense, na Casa do Alentejo.

Abril (dia 9) - Num mês marcado pela deslocação a Moura do Presidente da República, o destaque vai, ainda assim, para o lançamento deste livro, escrito em co-autoria com Vanessa Gaspar e com José Gonçalo Valente. Uma obra "sofrida", que resume anos de trabalho no castelo de Moura.


Maio (dia 12) - Enfim, chegou o dia da inauguração do Parque de Leilão de Gado. Um percurso longo e difícil, que assim chegou ao fim. Mais uma peça importante ao serviço do município. Poderia ainda recordar uma significativa ida à Suiça, a abertura do centro de canoagem na Estrela e a deslocação ao Novo México. Mas o grande impacto foi mesmo este arranque da feira. Porque é fundamental fechar dossiês.


Junho (dia 3) - A Câmara Municipal de Moura foi distinguida pela Associação Portuguesa de Museologia. Qual o motivo? O interesse da exposição "Água - património de Moura", que recebeu meses depois o prémio Mais Património, da revista "Mais Alentejo".

Julho (dia 30) - Um ano depois da abertura ao público da exposição "Água - património de Moura" foi lançado um CD com a Valsa da Água Castello, peça composta por Alfredo Keil. Um momento importante na vida cultural do Município. Outro momento alto do mês? A fotografia, a convite deles, com a Comissão de Festas de Nossa Senhora do Carmo.


Agosto (dia 13) - Viagem blitz a Bayonne, para acompanhar o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura. O triunfo do grupo foi muito importante, demonstrando que está entre os melhores. Do ponto de vista pessoal, tocou-me o modo fraterno como me trataram e o convívio que proporcionaram (que se estendeu ao dia seguinte, num memorável jantar, na Amareleja).

Setembro (dia 16) - Conclusão dos trabalhos de reabilitação na igreja de Santo Amador. O património não se mede aos palmos, e tinha-se assumido o compromisso de apoiar a paróquia nesta intervenção. Assim se fez, cumprindo a palavra dada.

Outubro (dia 22) - O XII Campeonato do Mundo de pesca ao achigã em embarcação realizou-se em Moura. Um ambiente festivo rodeou o evento, que marcou de forma positiva o calendário do concelho.

Novembro (dia 25) - Assinatura do contrato referente à nova fase de vida do antigo Campo Maria Vitória. Quase término de um processo complexo, ao qual não foi alheio uma pequena e pouco qualificada polémica. Ficaram-me gravadas algumas frases e expressões curiosas... As obras começam dentro de dias.

Entretanto, a representação institucional da Câmara Municipal continuou. O apoio dado pela Embaixada da Argélia a uma das nossas iniciativas esteve na ordem do dia.
Em Lisboa, com Fatiha Selmane, Embaixadora da Argélia.


Dezembro (dia 18) - Inauguração das obras da Ribeira da Perna Seca, no Sobral da Adiça. Os trabalhos ficaram concluídos 19 anos, 1 mês e 13 dias depois das cheias que levaram à realização do projeto. Um processo traumático, no qual a Câmara Municipal só pode contar consigo e com a boa vontade dos sobralenses. Um dossiê exemplar para a história das relações Poder Local / Poder Central.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A PROPÓSITO DE BETONEIRAS

David Batchelor’s outlining of a encrusted, time-worn concrete mixer with garish green neon transforms a utilitarian object into a magical thing, highlighting its shapely form and drawing attention to its battered material form. Green Pimp, from 2006, also captures something of Blackpool itself in its combination of the earthy and the glamorous. It also reminds us of the labouring bodies and industrial machinery that typified the working worlds  of the places from which millions of tourists flocked to the resort in search of thrills and glitter.

in http://www.lightresearch.mmu.ac.uk/author/tim_edensor


A chegada de equipamentos à Câmara de Moura (e a compilação que ontem comecei a preparar) levou-me a esta obra de David Batchelor (n. 1955). Mais uma vez, a ligação entre o quotidiano e a sua transformação. A técnica no quotidiano que nos rodeia. Recordando Álvaro de Campos: "Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. / Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo". 

Lisbon Revisited (1923)


NÃO: Não quero nada. 
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer. 

Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral! 

Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas 
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — 
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 

Que mal fiz eu aos deuses todos? 

Se têm a verdade, guardem-na! 

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. 
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. 
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? 

Não me macem, por amor de Deus! 

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 
Para que havemos de ir juntos? 

Não me peguem no braço! 
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. 
Já disse que sou sozinho! 
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! 

Ó céu azul — o mesmo da minha infância — 
Eterna verdade vazia e perfeita! 
Ó macio Tejo ancestral e mudo, 
Pequena verdade onde o céu se reflete! 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! 
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. 

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... 
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

(Álvaro de Campos)