terça-feira, 14 de março de 2017

MOURA EM LISBOA: 72 HORAS FORA DE PORTAS

Ação de promoção de Moura em Lisboa. Divulgação da realidade do concelho. Promoção da Feira do Peixe do Rio e do Pão. Ações de rua. Os artistas do concelho que expuseram a sua arte (obrigado pelo reparo, Jacinto Romão!). Os fadistas do concelho. As nossas bandas filarmónicas. Os nossos grupos corais. As empresas que estiveram presentes. As outras que nos ajudaram a montar este evento. A apresentação de um livro. A música dos mais jovens. A caldeirada de peixe do rio. De tudo isto se fez a Câmara Aberta (a nona do mandato). Foi especialmente gratificante ouvir os elogios à organização montada pela equipa da Câmara Municipal.
















segunda-feira, 13 de março de 2017

VII


Gozo VII

São as tuas nádegas
na curva dos meus dedos

as tuas pernas
atentas e curvadas

O cravo – o crivo
sabor da madrugada
no manso odor do mar das tuas
espáduas

E se soergo com as mãos
as tuas coxas
e acerto o corpo no calor
das vagas

logo me vergas

e és tu então
que tens os dedos
agora
em minha nádegas

O que tem o poema a ver com esta imagem feita em Lausanne com um telemóvel? Nada, rigorosamente nada. Mas nem tudo tem que ter a ver com outras coisas... Gosto muito da poesia erótica de Maria Teresa Horta. E a fotografia não é má de todo.

A MANIA DO MIKADO OU A SORTE DE NÃO SER PRESIDENTE DA CÂMARA DE XINZHENG

Ri, com gosto, esta manhã. Seis cidades sobrepostas? 12 metros de escavação? Coitado do meu colega de Xinzheng... A cidade tem museu, já agora... ARQUEOLOGIA E MUSEUS? LOL assim tipo muitas vezes.

domingo, 12 de março de 2017

DUAS CIDADES

Já há muito tempo que não fazia este percurso. Na sexta-feira repeti um caminho de tempos idos. Em vez de apanhar o metro ou descer a Avenida da Liberdade, escolhi a via paralela (há coisas que não se fazem por acaso e esta mania dos caminhos paralelos é coisa antiga...). Desci as ruas dos três santos: Marta, José e Antão. O percurso é suavemente sinuoso, sobrepondo-se a uma antiga via medieval, que saía da cidade pelas Porta de Santo Antão. Na Avenida da Liberdade há marcas: Gucci, Loewe, Trussardi, Boss... Na rua paralela há pessoas. Uma outra Lisboa resiste, ainda e sempre. Igrejas setecentistas, o espalhafato romano da sede dos CTT, à mistura com casas simples, operários, funcionários de baixa patente, restaurantes modestos e deliciosamente barulhentos. Ali, ainda não chegou a gentrificação, mas vai chegar, e já não tardará muito. Os turistas ainda não se aventuram para norte do Largo da Anunciada. Acharão que naquela rua estreita e com pouca luz não há muito para ver. Puro engano. Basta ouvir os sons e ver o movimento para se perceber que aquela Lisboa, a outra cidade, é melhor e mais viva que a outra, feita em linha reta. Os caminhos paralelos são sempre melhores e mais coloridos. Constatei isso mesmo na sexta-feira, à hora do almoço, quando repeti caminhos de há mais de 30 anos.



sexta-feira, 10 de março de 2017

O EGITO REVISITADO

POIS DEUS ABANDONA A ANTÓNIO

Quando de repente, à hora da meia-noite, se ouvir
passar a turba invisível
com músicas requintadas, com vozes –
a tua sorte que já cede, as tuas obras
que falharam, os planos da tua vida
que deram em equívoco, não os deplores em vão.
Como preparado há muito, como corajoso,
despede-te dela, da Alexandria que se vai embora.
Sobretudo não te enganes, não digas que foi
um sonho, que foram defraudados os teus ouvidos;
tais esperanças vãs não te rebaixes a aceitar.
Como preparado há muito, como corajoso,
como convém a ti que mereceste tal cidade,
aproxima-te resoluto da janela,
e ouve com emoção, mas não
com as súplicas e as queixas dos covardes,
qual último deleite, os sons,
os instrumentos requintados da turba oculta,
e despede-te dela, da Alexandria que perdes.


Recupero coisas passadas do blogue. Dos meses de maio e agosto de 2009. Uma fotografia minha e um poema de Konstandinos Kavafis (1863-1933), que data de 1911 (tradução de Joaquim Manuel Magalhães e de Nikos Pratsinis). Evoca a noite anterior à batalha de Alexandria (30 a.C.), após a qual Marco António se suicidou.

Gosto especialmente deste texto, tal como gosto desta minha fotografia, feita no Cairo na primavera de 2007. Há sítios que (me) estão sempre em pano de fundo. Como o Cairo, Argel, Ghadames ou Pasárgada.

quinta-feira, 9 de março de 2017

OITAVO DIA NA PRESIDÊNCIA

E vão oito iniciativas destas. Ontem, foi a vez do Frederico Marques, da Rita Rosado e da Vanessa Rosado. Mais três jovens simpáticos, que se embrenharam pelos caminho do poder autárquico. Idas e vindas entre vários pontos do concelho.

Um dia denso, com mais perguntas que respostas.



08:00 - Visita aos estaleiros

08:30 - Primeira reunião no meu gabinete: correspondência e fundos disponíveis

09:00 - Reunião de coordenação com a vereação e a equipa de apoio

10:15 - Visita ao Campo Maria Vitória

10:45 - Visita à Ribeira da Perna Seca (Sobral da Adiça)

11:15 - Visita à obra da igreja de Safara

11:45 - Passagem pelo Pavilhão das Cancelinhas (Amareleja)

12:00 - Explicação do projeto da Torre do Relógio (Amareleja)

14:15 - A reabilitação das escolas: como começou (Santo Amador)

14:30 - Do centro cultural à obra na igreja (Santo Amador)

15:00 - Reunião com funcionários: o que está em curso e o que vai começar

15:30 - Comemorações do Dia da Mulher

17:30 - Depois da reunião de câmara

quarta-feira, 8 de março de 2017

CAMPO MARIA VITÓRIA - 60 DIAS MAIS TARDE

Dois meses depois do início da obra, é este o "estado da questão". O antigo Campo Maria Vitória ganha uma nova vida. Depois da fase treinadores-de-bancada passamos ao mundo real. A vida é assim, feita de avanços, de recuos, de vitórias, de derrotas, mas sempre sem paragens.

Terei, em breve, todo o prazer em discutir estas e outras opções urbanísticas, em função dos resultados obtidos. Moura está diferente e para melhor. A realidade é essa.

terça-feira, 7 de março de 2017

EDUCA, PERO MUY POCO...

E vai daí e um amigo meu comprou um jogo "educativo" ao filho. E vai daí o jogo é daqueles antigos, com cartões e dados, como devem ser estes jogos.

Desgraçadamente, há erros. O mais espetacular é representar-se o chamado Templo de Diana em Évora com um desenho que corresponde a um monumento em Mérida que tem a mesma designação...

E a maior central fotovoltaica do mundo é em Serpa, sabiam?

Educa, assim se chama a empresa. Educa, pero muy poco.


O MILAGRE DE SANTA ZITA


Tenho uma especial ternura pelos disparates de Zita Seabra. Em comum, temos apenas o facto de também eu gostar de ir à Pastelaria Versailles. Para não gastar muito tempo recupero dois textos antigos deste blogue.

6.8.2011
Os melhores textos humorísticos são, com frequência, fruto de atos involuntários. A "reportagem" que o Expresso publicou hoje, assinada por Zita Seabra, ilustra bem essa ideia. "Como é que se pode mudar tanto?", perguntava-me, ingenuamente, uma amiga. A verdade é que Zita não mudou. O fanatismo e o dogmatismo de outrora são os mesmos.

De que se trata, então? De revisitar a Rússia pós-soviética. Não se pedia que Zita tivesse o talento de Bruce Chatwin ou de Ryszard Kapuściński. Mas a passeata de Zita rio acima é, em termos informativos, incompreensível. O Dr. Balsemão, que tem fama de forreta, lá saberá como investe os seus capitais. Mas esta reportagem liceal não terá retorno, seja ele qual for.

O primeiro problema são os adjetivos. As paisagens são "fantásticas", o percurso "inesquecível", os palácios "fascinantes", as igrejas "espantosas" e "monumentais", as cúpulas "coloridas", as basílicas "belas" e as catedrais "belíssimas". Uf, suspira-se no fim, ficando nós a pensar que a falta de qualidade da escrita é "catastrófica".

O segundo, e mais grave, problema é a incultura de Zita Seabra. Facto que me surpreendeu. Escrever que "esta mania de construir grandes obras públicas com mão de obra forçada tem uma forte tradição na Rússia" (a escriba referia-se tanto a Pedro, o Grande, aos últimos czares e a Stalin) revela um total desconhecimento do que é a estrutura do poder nas sociedades do oriente europeu. E a forma como elas foram contaminadas pelo mundo bizantino. Não se trata de uma "tradição". Estamos a falar de um dos pilares do poder naquele país. Cultivado até hoje.

Zita não resiste à inovação, quando, a propósito da construção de S. Petersburgo, afirma que a cidade ficou "cheia de prédios e palácios europeus, neoeuropeus, digo eu (neoclássicos, neorromânticos, neogóticos)". É uma descoberta fascinante. Nos inícios do século XVIII Pedro I terá, segundo Zita, antecipado tanto os revivalismos como o romantismo. Uma tese importante e a merecer desenvolvimento.

Zita também suspira de alívio ao constatar que viu "muitas dezenas de belas basílicas e alguns mosteiros e só encontrei uma foice e martelo". Confessa, no mesmo parágrafo, ter ficado sem palavras com a Catedral da Transfiguração, "toda feita de madeira, sem um prego". Não é clara a ligação com a falta de martelos, mas parti do princípio que se tenha tratado de uma coincidência.

Em terceiro lugar, Zita rima com candura. É isso que lhe permite, sempre à mistura com o ódio pelo comunismo (uma questão pessoal, que não me merece comentários), escrever com convicção os mais rematados disparates. O melhor de todos é o que revela que o arcaísmo da liturgia ortodoxa, ainda hoje praticada, está relacionado com a interrupção, em 1917, do sínodo que a ía renovar. O patriarcal Kirill deve estar a arrepelar as suas longas e brancas barbas...

Voltei lá, diz Zita. Ainda bem. O sábado adivinhava-se soturno. Com este texto o dia melhorou bastante.


10.8.2012
Zita Seabra resolveu fazer uma denúncia espetacular: o PCP espiava instituições do Estado Português, instalando microfones em aparelhos de ar condicionado montados pela FNAC, à época (anos 80) liderada pelo então militante comunista Alexandre Alves. Zita Seabra descobre uma tardia vocação de agente secreto. Uma coisa me preocupa. Das duas uma: ou os aparelhos de ar condicionado não tinham manutenção ou os tipos que faziam a dita era uns nabos do piorio, incapazes de identificarem um microfone.

Os delírios de Zita são frequentes e parecem ter-se agravado com a aproximação à Opus Dei. As suas intervenções merecem tudo, menos credibilidade e julgo que o PCP fez bem em dizer apenas "as afirmações dessa pessoa, nesta como noutras matérias, não merecem qualquer crédito ou comentário".

CÂMARA ABERTA - EDIÇÃO Nº 9


A 9.ª Câmara Aberta, da Câmara Municipal de Moura, decorre entre 9 e 12 de março, na Casa do Alentejo, em Lisboa.
Depois da Suíça, onde a iniciativa foi um sucesso, o município realiza agora esta edição na capital do país, local onde se encontram muitos mourenses – os que migraram e por lá ficaram, e os jovens que lá estudam.
À semelhança da anterior, o executivo procura com esta iniciativa debater os problemas de quem vive longe e conhecer a visão de quem está fora sobre o seu concelho.
Além disso, esta Câmara Aberta servirá também para promover os produtos regionais, a gastronomia, o artesanato e a música do nosso concelho, ao mesmo tempo que será divulgado o Festival do Peixe do Rio e do Pão, que se realiza este ano de 9 a 11 de junho, em Moura.
A Câmara Aberta “Moura em Lisboa” será ainda ponto de encontro para os naturais do concelho que se encontram a viver na capital do país – num primeiro convívio, quinta-feira, 9 de março, às 19:00, para os jovens; e sábado, 11, a partir das 16:00, para todos os que residem na zona.

PROGRAMA:
DIA 9, QUINTA-FEIRA
10:00
Exposição de trabalhos de pintura, escultura, fotografia e banda desenhada de artistas do concelho de Moura
Mostra de artesanato ao vivo
Mostra de produtos regionais do concelho de Moura
(com a presença de empresas de hotelaria e turismo)
19:00
Cerimónia de abertura da Câmara Aberta
Encontro com jovens do concelho de Moura
Sunset com animação musical – Agostinho Lourinho, Alexandra Moita, Francisco Sales, Isabel Almaça, Luís Beirão, Maria Infante e Pedro Beirão.

DIA 10, SEXTA-FEIRA
10:00
Divulgação do Festival do Peixe do Rio e do Pão 2017
Mostra de artesanato ao vivo
Mostra de produtos regionais do concelho de Moura
(com a presença de empresas de hotelaria e turismo)
10:00 – 12:00 | 15:00 – 17:00
Workshop sobre Bordados
11:00 | 15:00 | 17:00
Workshop sobre Azeite Aromatizado
12:00 | 16:00 | 18:00
Workshop sobre Bolos de Azeite
13:00
Divulgação do Festival do Peixe do Rio e do Pão 2017
Prova de caldo do peixe do rio
Animação musical com “Sons da Salúquia”
21:00
Noite de fados com Fernanda Oliveira, Inês Gonçalves e João Limpo.

DIA 11, SÁBADO
10:00
Mostra de artesanato ao vivo
Mostra de produtos regionais do concelho de Moura
(com a presença de empresas de hotelaria e turismo)
11:00
Arruada com as bandas filarmónicas do concelho (seguida de concerto):
– Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”
– Círculo Artístico Musical Safarense
– Sociedade Filarmónica União Musical “Os Amarelos”
16:00
Encontro com mourenses residentes na zona de Lisboa
Tarde musical:
– Grupo de música tradicional VádeModas
– Grupo Ideal Alentejano
Lanche convívio com produtos da região

DIA 12, DOMINGO
10:00
Mostra de artesanato ao vivo
Mostra de produtos regionais do concelho de Moura
(com a presença de empresas de hotelaria e turismo)
11:00
Arruada com grupos corais do concelho (seguida de atuação):
– Grupo Coral da Sociedade Recreativa Amarelejense
– Grupo Coral Feminino Brisas do Guadiana (Moura)
– Grupo Coral Feminino da ADASA (Santo Amador)
– Grupo Coral Feminino Sol da Vida (Santo Aleixo da Restauração)
15:00
Apresentação do livro “Vivências”, de Ana Benedita Caro
Momento com o grupo Trio Sabóia – A Música e o Cante do Alentejo.

ALUMNUS XI

Kim Cachopo foi o segundo convidado de 2017 do MOURALUMNI.

A 11.a edição do Mouralumni teve lugar ontem.
O ator Kim Cachopo veio falar aos alunos mourenses sobre o seu percurso de vida em duas sessões: na Escola Secundária e na Escola Profissional de Moura.


O ator nasceu em Moura a 6 de dezembro de 1957.
Fez a sua formação académica no Curso Geral de Administração e Comércio na Escola Secundária de Moura e, mais tarde, em Lisboa, no Curso de Equipamento e decoração na atual Escola Artística António Arroio.
Em 1975 fundou o Centro Cultural de Moura onde desenvolveu atividade na área teatral com especial enfoque na animação infantil, através de cursos de expressão dramática, teatro de fantoches e artes plásticas.
Em 1976 integrou o TIL/TL - Teatro Infantil de Lisboa/Teatro Livre, sendo ator na companhia até aos dias de hoje.
Participou em séries televisivas como “Ora agora conto eu”, de Fernando Midões, “Os Mafarricos”, de António Semedo, “Liberato, o rato dos livros”, de José Jorge Letria e Carlos Alberto Moniz, “Polícias”, de Jorge Paixão da Costa, para a RTP, e “Uma Aventura”, de Carlos Coelho da Silva, para a SIC.
No Cinema entrou em “Quem é Ricardo”, de José Barahona, “Street of no return”, de Samuel Fuller e “Voltar”, de Joaquim de Almeida.
Kim Cachopo, como é conhecido no meio artístico, participou ainda em inúmeros filmes institucionais e de publicidade, nomeadamente em campanhas para o Continente, Ok Teleseguro, Mimosa, Nova Rede, entre muitos outros. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

AMAR PELOS DOIS

MILAGRE!

Depois de imensos festivais inenarráveis e da mais completa chungaria, ontem houve músicas a sério no Festival RTP da Canção. Amar pelos dois é uma séria candidata ao último lugar na Eurovisão, onde coisas assim não têm lugar. Mas é uma canção tão bonita... Também achei graça ao ar "desformatado" de Salvador Sobral.

PCP - 96 ANOS

Jornada notável, ontem em Moura. Almoço de aniversário regional do PCP, com a presença do secretário-geral do Partido. 1200 pessoas encheram o pavilhão principal do Parque Municipal de Feiras e Exposições. Entusiasmo, capacidade de mobilização, militância, de tudo isto se fez o almoço comemorativo dos 96 anos do PCP.

E se falo da organização é para deixar homenagem aos camaradas que tomar isto a seu cargo. Por outras razões, não pude dar o meu contributo nesta iniciativa. Além de ter estado presente, bem entendido.

RTP - A GRANDE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA É ASSIM...


Segundo a RTP, o acidente de Camarate aconteceu em 1981 e não em 1980. Uma tese original e a merecer atenção.

A avaliar pelo ambiente de patuscada que vai pelo palco, tudo é possível. Até que Elvis não tenha morrido em 1978 (ou 1977, não se sabe bem) e que esteja escondido algures na Amazónia.

domingo, 5 de março de 2017

DA TERTÚLIA VILA-FRANQUENSE AO PAVILHÃO DE CAÇA



Assisti ontem (acabei mesmo por participar...) a uma ação de formação destinadas a grupos de forcados. Uma iniciativa muito importante, por criar condições para que alguns problemas sejam resolvidos à partida. De Moura, marcaram presença o Real de Moura e os nossos Bombeiros. Uma jornada de convívio e de aprendizagem. Acabei a manhã como cobaia... O dia foi longo, com passagens por várias tertúlias tauromáquicas.

A manhã de hoje foi, em grande parte, ocupada numa solta de perdizes. A dinâmica Associação de Caçadores da Póvoa de S. Miguel convidou-me a estar presente. O pouco tempo dormido teve outra compensações. Um dia, ainda vou ter saudades disto...

FUTEBOL LUSITANO

É isto a imagem do Sporting? Não é.
É a imagem do futebol português. Noutras bandas, mais coisa, menos coisa, é assim...
Estamos nisto: horas a fio de "entrevistas" inenarráveis a presidentes de clubes, a "groupies", a adeptos, a claques, horas a fio de programas tricolores. E muitos etc.
Deu nisto. E vai piorar.

sábado, 4 de março de 2017

PAISAGEM QUASE NOTURNA

A sombra imensa, a noite infinita enche o vale... 
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
- Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua... 
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua...
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
- Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.

Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa 
Das serranias.



O castelo de Portel estava assim, às 08:08. Um toque impressionista, quando o dia ainda não era dia e a noite já não era noite. Manuel Bandeira ajudou e dele transcrevo o início do poema "Paisagem noturna". É um poeta melancólico. É por isso que gosto tanto dele. E gosto daquele castelo, um sítio único e ainda por descobrir.

QUAL A MOURA QUE QUEREMOS? - nº 6

Quando esta obra estava em curso, "ouvi das boas": deram cabo do bairro, onde é que isto já se viu?, estão a destruir a Mouraria etc...

A renovação do espaço público deste conjunto classificado foi tudo menos pacífica. Todas as mudanças são suscetíveis de causar polémica, conforme já aqui disse. Todas, sem exceção. Em determinada altura chegaram a dizer-me (era eu vereador) que a intervenção na Mouraria era tecnicamente impossível de ser concretizada. A vereação fez ouvidos de mercador e o processo seguir em frente. Ainda hoje rio muito quando me recordo desse episódio...

A pergunta que lancei há algum tempo, e que repito constantemente, foi: que Moura queremos? estamos dispostos a investir tempo e dinheiro numa outra imagem de cidade? Repito o que há semanas escrevi algures: governar implica determinação, a procura de soluções e coragem. Não se anda ao sabor das marés nem ao jeito do vento que sopra. O tempo dirá quem tem razão. E o tempo, também, separará o trigo do joio. O que se tem tentado fazer implica conhecimento e não apenas opiniões. É tão simples quanto isso.

O projeto de Pedro Guilherme e Sofia Salema foi um sucesso. Porque tem qualidade mas, tão ou mais importante que isso, porque foi adotado pelos habitantes da Mouraria, que olham para o seu bairro com renovado e justificado orgulho.

A intervenção na Mouraria recebeu duas importantes distinções:

Prémios do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, na variante “Reabilitação de Espaços Públicos"
Prémio Turismo do Alentejo, na categoria "Projeto Público"

Custo da intervenção na Mouraria - 371.172,99 €
Financiamento FEDER - 315.497,04  (85 %)
Financiamento Câmara Municipal de Moura - 55.675,95  (15 %)


Estava melhor assim?


Ou será que é bem melhor assim?


sexta-feira, 3 de março de 2017

AO ENTARDECER

O entardecer estava assim, frio e chato. Antes da pausa rodeiam-me as fotografias para uma exposição em preparação, processos de urbanismo, correspondência para despachar, contas e mais contas, pareceres que confirmam a falta de proficiência e de preparação técnicas de alguns "protagonistas" políticos locais, projetos em curso e a promessa de uma noite longa, longa.

O entardecer de Alberto Caeiro remeteu-me para uma visita feita a um palácio em ruínas, na Rua de O Século, em Lisboa. O poema leva à fotografia e esta ao meu entardecer.


III - Ao Entardecer

Ao entardecer, debruçado pela janela, 
E sabendo de soslaio que há campos em frente, 
Leio até me arderem os olhos 
O livro de Cesário Verde. 
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês 
Que andava preso em liberdade pela cidade. 
Mas o modo como olhava para as casas, 
E o modo como reparava nas ruas, 
E a maneira como dava pelas cousas, 
É o de quem olha para árvores, 
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando 
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ... 

Por isso ele tinha aquela grande tristeza 
Que ele nunca disse bem que tinha, 
Mas andava na cidade como quem anda no campo 
E triste como esmagar flores em livros 
E pôr plantas em jarros...

ISTO ANDA TUDO LIGADO


E diz a menina da CM têvê: "quando chegaram ao local estavam contabilizados 5 feridos, fora aqueles que se queixavam de dores nas costas, nas pernas, nos braços e também noutros membros"... (facebook da minha amiga Lina Pacheco Pereira).

E, prontos, é assim...

quinta-feira, 2 de março de 2017

LIBERTA O JOÃO BRAGA QUE HÁ EM TI


Este é o deputado europeu Janusz Korwin-Mikke, que disse que:


Ou seja, estas "coisas" não são exclusivo lusitano, ok? Espero não desapontar ninguém.

O CÉU SOBRE O TETO

A caminho da Travessa dos Fiéis estava assim o ar da tarde. Era melhor com o HP5 da ILFORD e a minha Leica M6, mas só tinha o telemóvel à mão. Paul Verlaine socorreu-me horas mais tarde (Verlaine e Baudelaire socorrem-me sempre nestas horas), sem que o dia tivesse melhorado. Mas o começo da noite ficou mais poético.


Le ciel est, par-dessus le toit,
Si bleu, si calme !
Un arbre, par-dessus le toit,
Berce sa palme.

La cloche, dans le ciel qu'on voit,
Doucement tinte.
Un oiseau sur l'arbre qu'on voit
Chante sa plainte.

Mon Dieu, mon Dieu, la vie est là
Simple et tranquille.
Cette paisible rumeur-là
Vient de la ville.

Qu'as-tu fait, ô toi que voilà
Pleurant sans cesse,
Dis, qu'as-tu fait, toi que voilà,
De ta jeunesse ?

quarta-feira, 1 de março de 2017

NA SUIÇA

Um mandato autárquico tem momentos fortes. Não me refiro a festas ou a inaugurações, esses momentos tão do agrado de alguns, mas sim aquelas ocasiões que retemos e que nos marcam de uma forma muito particular.

Um desses momentos, absolutamente inolvidável, teve lugar nos passados dias 17 e 18 de fevereiro, na Suiça. Tinhamos decidido que haveria uma Câmara Aberta dedicada aos nossos emigrantes que residem, muitos deles há largos anos, em terras helvéticas.

Assim fizémos. Preparou-se a logística e organizou-se um encontro com gente do concelho. Haveria um espetáculo musical e eu faria uma curta intervenção. Convidou-se o Cônsul-Geral de Portugal em Genbra a estar presente.

Um pouco cético, pensei que seria um encontro muito interessante, mas cingido a umas 50 ou 60 pessoas, não mais. Seria sempre importante, em todo o caso, estar com os nossos patrícios.

Nem 50, nem 60, nem 100, nem 150. No sábado, dia 18, juntámos cerca de 230 habitante do nosso concelho, num salão de festas em Préverenges, nos subúrbios de Lausanne. Foi um momento fortíssimo e de especial emoção. Encontrei pessoas que não via há mais de 20 anos (um deles ousou tratar-me por você!, antes de eu tal proibir e de nos abraçarmos recordando a infância na Porta Nova), colegas de escola primária, amigos de toda a vida. Porque promovemos esta Câmara Aberta? Porque os nossos emigrantes o merecem. Foi um gesto e atenção para com os que tiveram de partir. É uma forma de lhes dizer que contamos com eles, não os esquecemos, que jamais os esqueceremos.

Poderíamos ter organizado um encontro cá? Sim, mas não teria o mesmo significado, nem o mesmo impacto. No verão, os emigrantes descomprimem, depois de um ano duro de trabalho e têm outros interesses. Estar com eles assim, visitar os sítios onde trabalham, conviver com eles é bem diferente. Os próprios emigrantes mo disseram, uma vez e outra. Ouvi frases que me espantaram (“como é que se o senhor presidente se deu a este trabalho?” foi a mais repetida, quando na realidade a obrigação de um autarca é procurar a proximidade dos munícipes), e a reafirmação da importância desta iniciativa. Que terá de ser repetida no futuro, foi-me expressamente exigido.

Entretanto, iremos pôr em marcha o Gabinete do Emigrante, na Câmara Municipal de Moura. Que se destinará, sobretudo, a informar e orientar quem está longe e precisa de um apoio que é, muitas vezes, bem simples de resolver. Até à Páscoa esta pequena estrutura estará apta a funcionar.


“Todo pasa y todo queda,pero lo nuestro es pasar”, escreveu o grande poeta Antonio Machado. É nesse sentido da rapidez e da transitoriedade das coisas que deixo aqui um reconhecido agradecimento a todos os que se envolveram nesta iniciativa. Só a generosidade de tantos amigos possibilitou o êxito. Que contou com a decisiva participação da “Rádio Planície”.


Crónica publicada hoje, em "A Planície".