quarta-feira, 10 de maio de 2017

MARINE

L’Océan sonore
Palpite sous l’oeil
De la lune en deuil
Et palpite encore,

Tandis qu’un éclair
Brutal et sinistre
Fend le ciel de bistre
D’un long zigzag clair,

Et que chaque lame,
En bonds convulsifs,
Le long des récifs
Va, vient, luit et clame,

Et qu’au firmament,
Où l’ouragan erre,
Rugit le tonnerre
Formidablement.



Sempre gostei de contrastes. O poema de Paul Verlaine (1844-1896) não remete para a placidez da paisagem vista e sentida por Léon Detroy (1857-1955) em Vue baie d'Agay ou St. Tropez. Em todo o caso, e agora que a chuva se foi e o céu ficou limpo dá vontade de aqui colocar coisas assim, luminosas e que falam de luz.

FEIRA DE MAIO - 2017

E eis-nos na feira. Tive essa responsabilidade operacional, enquanto vereador, nos anos de 2005 a 2013. Não é segredo para ninguém, aqui na Câmara Municipal, que foi das tarefas a que me entreguei com maior afinco e prazer. Nos anos seguintes, acompanhei a organização de forma menos presencial, mas não menos interessada. A feira de maio de 2017 está ao nível do que, felizmente, se foi tornando habitual no concelho de Moura.

Este ano temos uma pequena novidade: o Salão dos Premiados. Um reconhecimento devido a empresários deste concelho.

Ver - http://www.feirasdemoura.pt/maio2017.html

AUTÁRQUICAS/2017 - JOSÉ MARIA PÓS-DE-MINA É CANDIDATO EM MOURA

Nota da Coordenadora Concelhia de Moura da CDU:

José Maria Pós-de-Mina é o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Moura.
A candidatura, depois de um amplo e democrático processo de escolha, foi aprovada ontem, 8, por unanimidade, pela Comissão Concelhia de Moura do Partido Comunista Português.
Com o anúncio do cabeça de lista à Câmara Municipal de Moura, a CDU inicia a apresentação dos seus candidatos, tendo em vista as eleições autárquicas de 1 de Outubro próximo.
No concelho de Moura, a CDU apresentará cerca de 150 candidatos a todos os órgãos do município e das freguesias.
Com provas dadas na intervenção no Poder Local ao longo de décadas, com a justeza do seu projecto autárquico – norteado pelo lema “Trabalho, Honestidade, Competência” –, com a qualidade dos seus candidatos e com grande confiança no futuro, a CDU reúne todas as condições para novas vitórias, ao serviço do desenvolvimento do concelho de Moura e de um cada vez maior bem-estar das populações.  
De 58 anos, gestor de empresas, José Maria Pós-de-Mina é actualmente eleito na Assembleia Municipal de Moura, presidente da assembleia geral da empresa municipal Lógica, presidente do Conselho Fiscal da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), membro da Comissão de Parceria do Sistema Público de Águas e Saneamento do Alentejo, presidente do órgão de gestão do Grupo de Ação Local da Margem Esquerda do Guadiana e membro do Conselho Consultivo da Associação Transfronteiriça de Municípios Terras do Grande Lago.
José Maria Pós-de-Mina foi presidente da Câmara Municipal de Moura entre Janeiro de 1998 e Outubro de 2013. Antes, foi vereador e eleito na Assembleia Municipal de Moura.
Foi presidente do Conselho da Região do Alentejo, da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, membro do Conselho Diretivo e vice-presidente da Mesa do Congresso da ANMP e ainda do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Foi também membro da Unidade de Gestão do PEDIZA 1 e 2, e das Comissões de Acompanhamento de diversos Programas Comunitários, incluindo o Agro e o Inalentejo.
Foi ainda presidente do Conselho de Administração da Amper Central Solar SA, da Lógica – Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, SA-EM, da Herdade da Contenda, EM e presidente da direção da Comoiprel – Cooperativa Mourense de Interesse Público de Responsabilidade Limitada.

No Partido Comunista Português, é membro do Comité Central, da Direção Regional do Alentejo, da Direção da Organização Regional de Beja, integrando ainda diversos grupos de trabalho de âmbito nacional e regional.

Nota pessoal: é o candidato que apoiarei, naturalmente.

terça-feira, 9 de maio de 2017

PEREGRINOS DE MOURA

De Nelson Bartolo, e em nome de um grupo de peregrinos do concelho, recebi esta extraordinária mensagem:

Bom dia Sr. Presidente. Directamente do Vimieiro, hoje prestamos-lhe esta homenagem. Cumprimentos dos peregrinos de Moura.

Fiquei entre o emocionado e o divertido, mais emocionado que outra coisa, admito. Comecei a fazer isto por brincadeira, em homenagem, aí sim!, a Usain Bolt, um atleta acima dos mortais e próximo dos deuses, para usar a imagem de Homero. E se a brincadeira não reúne consenso, a verdade é que se me colou, sem que fosse essa a intenção. Que um grupo de de peregrinos de Moura disso se tivesse lembrado é coisa que jamais me passaria pela cabeça.

Que cheguem bem ao destino e que regressem com segurança e em Paz é o que lhes desejo.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

MÉRTOLA POR... - 20 ANOS DEPOIS

Não consigo precisar a data, mas o lançamento ocorreu na primavera, abril ou maio de 1997. Mértola foi fotografada por José Manuel Rodrigues, Luís Pavão, António Cunha e Mariano Piçarra. A edição, do Campo Arqueológico de Mértola e por mim coordenada, teve receção gélida a nível local. Foi, tanto quanto me lembro, um dos mais notórios fracassos da minha carreira. Teve, creio (mas não não posso jurar!), uma recensão favorável de Vasco Medeiros Rosa, no Independente. O livro, demasiado branco e demasiado esotérico, nunca foi um sucesso. Ainda assim, há ali um punhado de fotografias que ficarão para a História da Fotografia em Portugal.

Há muito que os barcos deixaram de subir o Guadiana. O Luís Moreira gostou do meu texto, que começava assim. Na altura não achei o texto mau, hoje não gosto dele...





Fotografia - Luís Pavão

domingo, 7 de maio de 2017

LA GRANDEUR DE LA FRANCE...

De Gaulle era um estadista.
Pompidou também.
Miterrand também.
Chirac? Hummmm, pois...
Os que vieram a seguir nem por isso. Hollande serviu de capacho aos americanos. De Gaulle deve ter dado voltas no túmulo.
Agora chega Macron, eleito com um encolher de ombros.

Jean-Marie Le Pen teve 17% em 2002.
Marine Le Pen teve, há pouco, 34 %.

É preciso dizer mais?


CARTA ANÓNIMA - O MOMENTO CMTV DO BLOGUE

Este blogue existe desde dia 8 de dezembro de 2008. Com regularidade diária - são pouquíssimas as ausências - vou publicando textos sobre matérias que me interessam. Há muitas pessoas que têm a simpatia de ir seguindo o que escrevo. Até hoje, houve cerca de 4400 publicações. Por onde ando? Pela política local, bem entendido. Mas também pela poesia, pela pintura, pelo cinema, pelos livros, pela fotografia. O concelho de Moura, a História, o Património, estão sempre em pano de fundo.

Isso interessa? Provavelmente, sim. Mas rende muito mais reproduzir uma carta anónima. O dia de ontem foi o recordista, a larga distância do registo anterior. Em mais de 3000 dias de blogue, qual o top? Uma carta anónima. Um momento digno da CMTV.

Amanhã, isto volta ao normal. Com o registo de um livro editado há 20 anos.


sábado, 6 de maio de 2017

SÍRIA - OUTUBRO DE 2003


O local? Palmyra, na Síria.
A data? Outubro de 2003.
O fotógrafo na imagem é o António Cunha. A autora da fotografia uma amiga de Madrid, Paloma Canivet.
O nosso motorista, Fahd Kanara, fazia-se desentendido e não queria ir ao castelo, na hora que pretendíamos.
Puxando da memória já longínqua das aulas de árabe, arrisquei algo que soou como ILA QASR GRUB AL-SHAMS. O amigo Fahd deu um salto e exclamou, numa gargalhada convicta, VEEEERY GOOD! VERY GOOD ARABIC.
Fomos ao castelo, ao pôr do sol.

"a algumas jornadas do mar fica o oásis de Palmyra e, mais para leste, a imensidão da Mesopotâmia".

E PORQUE NEM TUDO SÃO TRISTEZAS... HÁ EXTRA-TERRESTRES ENTRE NÓS!





São pouco mais de oito minutos de pura diversão. A primeira vez que vi isto pensei "mas coisa tão engraçada! isto é mesmo cómico!", etc.. Só depois percebi que se trata de uma "tese".

Ou seja, segundo Glenn Campbell, a rede de escolas dos United World Colleges espalhada pelo mundo corresponde a 17 bases de extra-terrestres. Porque é que isto me interessa? Bom, tenho uma jovem amiga que andou dois anos no UWC no Novo México. Não me parece bem que ela tenha andado tu-cá-tu-lá com extra-terrestres... 

Ou seja, querendo ser sério, o "documentário" ainda se tornou mais divertido.

Highligts do vídeo:
3:45 - a apresentação da teoria segundo a qual debaixo do solo há 67 níveis da base dos extra-terrestres;
5:40 - "está um helicóptero a passar; não creio que nos tenha visto, por agora estamos seguros" (é o momento Maxwell Smart);
6:10 - mostra o "radiation helmet", para o proteger das radiações ómega e, para assim, não se deixar dormir.

Alucinação total ou, como diz o meu amigo Joaquim, "está minado".

Conclusão: depois da carta anónima e disto (escolha cinéfila da semana!), o melhor é mesmo ir para a romaria de Santo Aleixo...

TODA A POESIA DE UMA CARTA ANÓNIMA




Recebi há dias uma carta anónima. Recebo cartas destas com regularidade. Vão parar ao lugar merecido. Neste caso abri uma exceção. A missiva, que acaba com votos de morte, fez-me recordar, no seu ritmo, uma passagem da novela "Cavaleiro andante", de Almeida Faria.

Reza assim a missiva:

CABO CANASTRO - fico triste ao ver tu vindo de uma familia de ditadores tal como tu um comunista ditador xulo ladrão e corrupto, senão vejamos o que fizeste por moura só museus, arranjar a tal variante que se fala há anos nem vela, arranjar buracos das ruas já foi o bairro 25 de abril está a decadas para o pavimento ser arranjado e nada portanto como tu comunista ladrão e xulo nada fizeste a não ser explorar a camara quem paga as tuas deslocacões aos fim de semana nos carros da autarquia

Agora para acabar com chave de ouro tu e os comunista dizem que os outros partidos se vendem ao grande capital, e tu xulo que foste vender um terreno que foi doado à camara não te vendeste ao Belmiro de Azevedo (Sonae) quanto meteste ao teu bolso com este negocio, junto às escolas se o transito já era uma merda agora vai ser inferno, mas voces comunistas de merda, gastaste o dinheiro e carros e carrinhos só tens um nome xulo ladrão corrupto.

Por fim mais havia para dizer, mas só espero que vais embora MORRER LONGE SE possivel contra um chaparro.

ladrão xulo
corrupto
comunista de merda
vai-te fuder

Há algo de James Joyce na estrutura do texto e na forma indisciplinada de escrita. Um intelectual, sem dúvida. Até pelo grafismo e pela aproximação à poesia visual de Alberto Pimenta. Remeto para capítulo "REVOLUÇÃO E LINGUAGEM", da obra acima citada de Almeida Faria. Leiam e comparem sff.

Nota final - Canastro é a alcunha da minha família, na Amareleja (mesmo em Moura, há amigos que assim me tratam). Cabo Canastro era o nome pelo qual o meu avô, Francisco Ferreira (1910-1989), era conhecido.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CALIGRAFIAS


Um amigo achou que as fotografias que faço, sem pretensão de ser fotógrafo, são geométricas e caligráficas. Eu poderia acrescentar mecanicistas, mas por outras razões. À procura de uma escrita, e sem a ter encontrado, aqui ficam uma fotografia caligráfica feita na Líbia, na primavera de 2008, e a escrita de Hassan Massoudy. O calígrafo já por aqui andou, em novembro de 2009.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

34 FUTUROS AUTARCAS?

Não sei se serão 34 futuros autarcas, mas espero que esta série de Um dia na presidência, que hoje terminou, tenha sido útil para eles. Para mim foi útil, estimulante e divertida. Perguntas provocadoras, dúvidas, ideias, propostas, de tudo um pouco ouvi, ao longo destas onze sessões. Um traço comum: de um primeiro encontro matinal muito formal se passou a um registo muito mais próximo no final do dia.

A parte (sempre) mais engraçada? "A gente não tinha ideia que se fazia tanta coisa". Pois...

Aqui fica o registo de um dia particularmente cheio:

08:05 - Visita às oficinas.

08:30 - Despacho de correspondência, ordens de pagamento etc..

09:00 - Reunião de coordenação.

09:45 - Visita às obras do multibanco

10:00 - Casa dos Poços: um novo projeto na Mouraria.

10:15 - "Água - património de Moura", a poucas semanas de encerrar.

10:30 - Atendimento a uma munícipe.

10:35 - Rotura na praça...

10:40 - Ponto de situação no Pátio dos Rolins.

10:50 - Um novo projeto de habitação social na Rua da Romeira.

11:00 - Reabilitação da Ponte do Coronheiro.

11:20 - Diálogo com moradores da Estrela.

11:30 - Visita ao Centro Náutico.

11:45 - Mais uma intervenção ÁGORA SOCIAL.

12:00 - Caminho da Freixeira.

12:30 - Pavilhão das Cancelinhas.

13:00 - Reabilitação da igreja de Safara.

14:15 - Obras em início na entrada do Sobral.

14:30 - Ribeira da Perna Seca: passado e presente.

15:00 - Futuro terminal rodoviário.

15:15 - Parque infantil na Porta Nova, ao qual outros se seguem.

15.30 - Desencaminhando a juventude, no Jardim das Oliveiras.
A culpa foi do José Infante Barras...

16:00 - Skate park junto ao Continente.

16:30 - Revendo projetos no gabinete.

16:50 - Fotografia de grupo.

17:15 - Depois da reunião de câmara.

terça-feira, 2 de maio de 2017

ALUMNA XII


Diretora do Serviço de Pediatria do Instituto Português de Oncologia (IPO), Maria Filomena Pereira nasceu em Beja a 24 de janeiro de 1955, tendo vindo para Moura com apenas alguns dias de vida.
O ensino primário foi feito no Externato Nossa Senhora do Carmo, passando depois para o Externato Paula Vicente, que frequentou até ao quinto ano do ensino secundário. Concluiu o liceu em Beja.
Em 1972 iniciou o curso de Medicina, numa altura marcada por grandes convulsões sociais e estudantis. As disciplinas iam sendo feitas “a par de confrontos com a polícia de choque e atividades mais ou menos clandestinas de difusão de informação”. Com o 25 de Abril, as atividades académicas “passaram, ainda mais, a ter de competir com o trabalho em associações várias, grupos de trabalho e campanhas de tudo e nada”. O curso ficou concluído em 1978.

Maria Filomena regressou ao Alentejo em 1979 para o ano de estágio de Saúde Pública. De regresso a Lisboa, e após mais dois meses de Internato Geral, entrou para a especialidade de Pediatria no Hospital de Santa Maria, em janeiro de 1981.
Em 1988, iniciou funções na Unidade de Hemato-Oncologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria, onde esteve até 1995, altura em que passou para o Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, integrando o Serviço de Pediatria, trabalhando exclusivamente em Oncologia Pediátrica.
Em 2009, assumiu as funções de Diretora desse Serviço, posição que mantém até hoje.


Maria Filomena Pereira - 12ª participante neste projeto.
Esteve em Moura no dia 27 de abril.

XI FÓRUM 21 (5.6.2017)

Já há data, já há tema, já há cinco intervenientes confirmados. Haverá cartaz e haverá, em breve programa final. Para já, aqui fica o teaser:

5 de junho - Moura, um território no Mediterrâneo.

Capa do CD Até onde chegam as oliveiras (2006),
um dos projetos que mais prazer tive em poder acompanhar.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O LIRISMO, DITO E OUVIDO

"a montanha é um beijo atirado ao céu na volúpia da lava"

Frase dita, a propósito da montanha do Pico, numa cerimónia pública ocorrida há dias. A poesia lírica portuguesa está salva.

DOS MELHORES ANOS DA MINHA VIDA

Retomo, com uma pequena mas substancial alteração, o título de um belo filme de William Wyler, de 1946. A decisão de não continuar, comunicada em carta ao PCP no passado dia 2 de março, coloca ponto final neste percurso político. Fui candidato a órgãos autárquicos desde 1993, integrei primeiro a Assembleia (1993/2005), depois a Câmara (de 2005 até hoje). Nunca, por um só momento, nem mesmo nas ocasiões mais difíceis me arrependi da opção tomada. Afastei, quase sempre com impaciência, frases que me eram dirigidas (continuam a não fazer sentido coisas como “andas aqui a perder o teu tempo com isto”, “deixaste a carreira universitária e agora já é tarde…” etc.). Repito o que há meses escrevi: “(sou) um homem comum, que desempenha convictamente funções numa autarquia do interior português. Que o faz com empenho e total entrega”.
Depois de oito anos na vereação, tomei posse como Presidente da Câmara em 20.10.2013. Foram estes três anos e meio dos melhores da minha vida. Voltaria a tomar as mesmas opções? Sim, a maior parte delas seguramente. Apesar das dificuldades externas e internas que foram sendo criadas.
Sem fundos comunitários e com menos meios que antes, que caminhos tomar? Conferir ainda maior rigor à área financeira, diminuir dívidas, terminar obras (Zona Industrial e Quartéis em 2014, Parque de Vale de Juncos e Matadouro em 2015, Centro Náutico da Estrela, Parque de Leilão de Gado e Ribeira da Perna Seca em 2016), intervir nas escolas, reequipar o parque de máquinas do Município, dinamizar a economia local, foram algumas das áreas de intervenção. No fundo, dar continuidade ao trabalho anterior, tornando-o mais próximo e mais personalizado.
Foi com prazer que me desloquei, com regularidade e intensidade, a todas as freguesias. Ouvi frases simpáticas (“o presidente está em todas”) e até divertidas (“não leve a mal, mas faz lembrar o Marcelo”). Foi interessante fazer reuniões de câmara fora de portas (junto aos depósitos de água, em S. Lourenço, na Herdade dos Machados, duas vezes na Feira do Livro, no Pavilhão das Cancelinhas etc.). Tal como foi importante juntar às já existentes câmaras abertas projetos como o MOURALUMNI, o Fórum 21, Um dia na presidência, os Presidentes de Câmara do distrito no concelho de Moura, os prémios de mérito escolar ou as colchas nas janelas. A proximidade aos mais novos foi linha de conduta desde o primeiro dia. A amizade com os grupos de forcados é algo que me marcará para sempre. O acompanhamento constante, quase obsessivo, da vida do concelho, não me deixou por um só dia. Nos próximos meses encerram-se dossiês como o do Campo Maria Vitória, do Pátio dos Rolins, da Ponte do Corinheiro e da igreja de Safara.
Entreguei-me, com prazer, com profundo prazer, a esta tarefa. O mesmo gosto que me deu concluir e concretizar intervenções é o mesmo que tenho no lançamento de obras e projetos que serão terminados no futuro. Aí se incluem a recuperação do antigo grémio, a Torre do Relógio (Amareleja), o futuro terminal rodoviário, a reabilitação do Bairro do Carmo, a construção do novo cemitério e a consolidação das muralhas modernas. Cá estarei, como cidadão desde concelho.
Os próximos meses serão intensos e, do ponto de vista pessoal, emotivos. Reitero o que há poucos meses disse numa cerimónia pública: " e uma coisa tenho hoje a certeza. As soluções e a força estão em nós. Em todos nós. Não há salvadores da pátria, nem profetas nem homens ou mulheres providenciais. Estamos todos nós, com o nosso empenho, o nosso sentido de luta e a nossa capacidade de concretização. Estamos nós e, como diz um velho amigo meu, a ‘infinita liberdade do espírito’. É a essa a minha firme convicção".
Que estes foram, por todas estas e muitas outras razões, dos melhores anos da minha vida, disso não tenho dúvidas. Em final de 2018 editarei um pequeno livro, onde se explica todo este percurso.
Crónica publicada hoje, em "A Planície".

State Road 64, no Novo México, na direção de Tres Piedras

Do início do poema Roads de Edward Thomas:
I love roads:
The goddesses that dwell
Far along invisible
Are my favorite gods.

31 DE ABRIL



O "25 de abril, sempre!" foi genialmente parodiado por Herman José. Brincadeiras à parte, os dias 22, 23, 24, 24, 25, 26, 27, 28, 29 e 30 fizeram parte dessa celebração. Para não fugir à regra dos últimos tempos, foram dias "fora da caixa", com idas e vindas entre muitos locais no concelho (na última semana só Santo Amador me "escapou"). Dias felizes e fraternos, no que ao concelho diz respeito. Entre o vermelho da bonita decoração a Biblioteca Municipal e o verde da festa do GDA, deixo um momento especial: o preciso instante em que, no último pénalti, a bola entra na baliza e o Grupo Desportivo Povoense se qualificou para a final do INATEL. Que teve de relevante? A "intimação" feita à hora do almoço: "olhe lá, tem que vir à bola, que são as meias-finais". Faz também parte daquilo que é o Poder Local a proximidade e o prazer em estar perto das pessoas. É disso que terei saudades, muito mais do que de outras coisas. E é claro, e uma vez que me convidaram, que espero poder ir à final, queridos amigos da Póvoa de S. Miguel.