terça-feira, 18 de julho de 2017

HORIZONTE

HORIZONTE

En una tarde clara y amplia como el hastío,
cuando su lanza blande el tórrido verano,
copiaban el fantasma de un grave sueño mío
mil sombras en teoría, enhiestas sobre el llano.

La gloria del ocaso era un purpúreo espejo,
era un cristal de llamas, que al infinito viejo
iba arrojando el grave soñar en la llanura...
Y yo sentí la espuela sonora de mi paso
repercutir lejana en el sangriento ocaso,
y más allá, la alegre canción de un alba pura.

Antonio Machado veio em meu auxílio. Aproxima-se a linha do horizonte. Mais dois meses  e meio e este percurso  autárquico está encerrado. O texto evoca-me Golden Gate, uma fotografia de Richard Misrach (ou vice-versa). Não quero pensar em leituras maliciosas. Basta-me um qualquer quiet gate... 


segunda-feira, 17 de julho de 2017

DIA DA MEMÓRIA - 20.7.2017

Valorizar o passado e perspetivar o futuro.

É essa a finalidade do DIA DA MEMÓRIA, que terá lugar na próxima quinta-feira. O programa segue mais abaixo. Fecham-se dossiês (Pátio dos Rolins, igreja de Safara...) e iniciam-se outros. Sublinha-se, em particular, a importância do passado desta nossa terra. Um momento especial será o da apresentação do livro do Joaquim Oliveira Caetano. Um estudo de elevada qualidade, que valoriza ainda mais a igreja do Espírito Santo.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

CASA DOS POÇOS

Os bocais de poço em exposição nesta casa têm origem nos do período islâmico. Dois deles pertenciam a habitações e foram encontrados no local de utilização. O outro foi encontrado durante a realização de trabalhos arqueológicos. Os motivos decorativos deste último, de tradição antiga (alguns são semelhantes aos que encontramos em peças dos séculos IV-III a.C.) foram gravados com uma estampilha de madeira.
Estes três bocais datam dos séculos XIV-XV. Tratam-se, provavelmente, de peças de fabrico local. Podem também ser provenientes de olarias andaluzas. A importação de cerâmica era comum neste período. Foram encontrados em Moura materiais de fabrico granadino e valenciano, com datação entre os séculos XII e XIV.

Há paralelos conhecidos para os poços de Moura em Córdova, em Sevilha e num museu em Buenos Aires.





O texto que acima reproduzi é um dos que integra os painéis da Casa dos Poços (projeto desenvolvido conjuntamente com as colegas Marisa Bacalhau e Vanessa Gaspar). Inaugura dia 20, à noite. Para tirar partido da luz da Mouraria e da iluminação do sítio.

Projeto - arq. Nuno Moquenco.

terça-feira, 11 de julho de 2017

THIS SPORTING LIFE (sporting, mas não muito...)

Houve prática desportiva, mas alheia, na realidade...

Foram, em todo o caso, dias muito preenchidos. Mantenho, desde o primeiro dia, a ideia que é obrigação os eleitos estarem disponíveis a 100%. E estarem sempre presentes nos atos, de maior ou de menor envergadura, que se realizam no concelho.

De quinta a domingo:

Caminhada - Liga Portuguesa Contra o Cancro

Exposição fotográfica - ERVANÇUM

Com o camarada e amigo João Ramos.

Corrida de carretas - eis o vencedor: Luís Dionísio.

À do Zé Rocha.

Entrega de prémios - torneio de futebol organizado pelo Povoense.

Com a equipa vencedora (Padaria Neves).

Com os segundos classificados (Café Ginja).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

UM NOVO CARMO

Dia 10 de julho, 11 horas. Foi assinado o memorando de entendimento entre cinco entidades (Direção-Geral do Tesouro e Finanças, Direção-Geral do Património Cultural, Direção Regional de Cultura do Alentejo, Turismo de Portugal e Município de Moura) que permite avançar com um projeto de reabilitação para o Convento do Carmo. É o início de um caminho que espero ver concluído dentro de uns anos. Já não me atrevo a apontar um término para este processo, mas seria excelente que estivesse concluído em 2021 ou 2022.  Veremos... Fizémos o que nos competia. Isso mesmo foi sublinhado pela Secretária de Estado do Turismo que referiu que a iniciativa tomada pela Câmara de Moura foi decisiva. Disse ainda, e esse ponto é importante para a autarquia, que fomos o primeiro município no País a ter um imóvel incluído no REVIVE. Até então só os edifícios do Poder Central integravam este programa. Foi uma coisa que gostámos de ouvir.

Em cima: a nossa Comissão de Festas, convidados especiais na cerimónia.
Em baixo (da esquerda para a direita): Teresa Monteiro (vice-presidente do Turismo de Portugal),
Pe. José Manuel Guerreiro Fachadas, Ana Mendes Godinho (Secretária de Estado do Turismo),
o autor do blogue, Ana Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alentejo) e
Francisco Cerejo (Presidente da Assembleia Municipal).

domingo, 9 de julho de 2017

O DEUS DE DRUMMOND

Esta fotografia gera unanimidade. Ninguém gosta dela. Bom, eu gosto. Não por ser minha, mas por recordar o momento solitário em que a fiz e em que, ao contrário do que é hábito, decidi que a escureceria até deixar visíveis só os juncos iluminados pela luz do fim da tarde. Lembrei-me dela ao ler há pouco alguns poemas de Drummond de Andrade.


Deus Triste

Deus é triste. 

Domingo descobri que Deus é triste 
pela semana afora e além do tempo. 

A solidão de Deus é incomparável. 
Deus não está diante de Deus. 
Está sempre em si mesmo e cobre tudo 
tristinfinitamente. 

A tristeza de Deus é como Deus: eterna. 

Deus criou triste. 
Outra fonte não tem a tristeza do homem. 

Carlos Drummond de Andrade in "As impurezas do branco"

ERVANÇANDO

Noites coloridas no ERVANÇUM. Todas as cores do arco-íris nas noites e nos espetáculos do certame. Música, mas não só. Fotografia, gastronomia e, daqui a pouco, uma corrida de carretas. Acaba hoje e, assim esperamos, em julho de 2018 haverá novo ERVANÇUM.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

TREBLINKA

Vou movido pela curiosidade e pelo interesse no Cinema. E pela amizade com o Sérgio Tréfaut. Hoje é dia de ante-estreia em Lisboa. Treblinka. Tudo acontece outra vez? Como, quando e porquê? São as perguntas que me faço. Não espero respostas. Mas procurarei algumas.



Treblinka Trailer PT from Faux on Vimeo.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

ASTÉRIX EM TANCOS

Tirada do velho militar desleixado no livro Astérix na Córsega. Que ao ser interpelado por um subalterno, que detetou uma situação estranha, responde: "Aquilo tudo, o quê? Chega um barco, três tipos saltam do barco, que fica deserto e explode. Outros tipos chegam a nado. Tudo isto é banal. Nem sequer há com que fazer um relatório".


Não sei se toda esta leveza vos faz recordar alguma coisa. A mim faz...

terça-feira, 4 de julho de 2017

EIS A FESTA

A cidade renova-se e reiventa-se. Em cada dia e em cada ano. A festa em honra de Nossa Senhora do Carmo segue, há muito esse ritmo. Não há duas festas iguais, como não há momentos que se repitam. As festas são o nosso espelho. E são, também, o orgulho de todos nós.
As comissões são a generosidade transformada em esforço, em trabalho e em brilho. Os festeiros que agora terminam funções deram um ano das suas vidas a esta terra. Alguns mais do que isso, por serem repetentes. Ao longo de um ano organizaram dezenas de eventos, estiveram em feiras e mercados, venderam rifas, montaram espetáculos e festivais. A cada momento nos recordaram “estamos cá, e contamos convosco”.
Depois de um ano de trabalho intenso, eis a Festa. Que terá o brilho de sempre. Que contará, como sempre, com um programa apertado de celebrações. Estaremos todos. Os que aqui vivemos e os que estão fora. A festa é uma celebração e um espaço de encontro. Com os nossos amigos, com as nossas famílias, com as ruas da nossa terra, com as nossas memórias.
Este ano, a igreja e o convento do Carmo estarão, ainda mais, no centro das nossas atenções. As perspetivas, que agora se abrem, para a recuperação de um sítio que tanto nos diz, terão de ser levadas a cabo num futuro próximo. É uma responsabilidade coletiva, porque a igreja e as festas são de todos nós.
A Câmara Municipal de Moura participa na festa da padroeira. Apoiamos e estamos presentes. Fizémos e fazemos de uma proximidade que é permanente a nossa linha de conduta. Tal como nos anos anteriores, engalanaremos os Paços do Concelho para assistir à passagem da procissão. É a forma simbólica que escolhemos para estarmos ainda mais perto.
Escrevi no programa do ano passado, a respeito dos festeiros, “são eles os guardiões da alma de todos nós. São eles quem ajudará a perpetuar o espírito do lugar”. Em 2018 haverá, decerto, nova comissão. Cá estaremos para, com eles, participarmos na construção de uma festa que, a cada ano, se renova e se reinventa. E que é de todos nós.

Santiago Augusto Ferreira Macias

Presidente da Câmara Municipal de Moura


Arranca lento, o meu julho. O blogue está de regresso. Com o texto que tive o prazer de escrever para o livro das festas. A festa está aí. A partir de dia 13.