quinta-feira, 12 de outubro de 2017

OS ESTADOS UNIDOS E A UNESCO

Um despacho de Reuters dá conta do planeado, mas ainda não confirmado oficialmente, abandono da UNESCO pelos Estados Unidos. A história não é nova. Há 34 anos, um representante diplomático norte-americano verberou o senegalês Amadou-Mahtar M'Bow, então diretor-geral da organização, por discordar da política que a UNESCO tinha em prática. Os termos não terão sido os mais adequados, ao ponto de Amadou-Mahtar M'Bow ter respondido "não pense que está a falar com um preto norte-americano". A partir daí as coisas descambaram. Reagan deu ordem para os Estados Unidos se retirarem.

A história repete-se. Já em 2011, os Estados Unidos (sob a direção de Barack Obama, tão adorado pela nossa esquerda light) tinham cortado o financiamento à UNESCO. Qual o motivo? O facto de a Autoridade Palestiniana ter sido aceite como membro de pleno direito na organização...

A História é, por vezes, de uma monotonia absurda...

Nos tempos de construção da sede da UNESCO...

A espiral, de Alexander Calder, à entrada da UNESCO.
Um nome apropriado...

Veja-se este artigo do New York Times:
http://www.nytimes.com/1983/12/30/world/us-is-quitting-unesco-affirms-backing-for-un.html

MEMÓRIAS DO MANDATO - EM MENOS DE UM MINUTO

Pode uma reunião de câmara demorar menos de um minuto? Pode, não é comum mas pode. Foi o que aconteceu no dia 13 de setembro de 2017. Ainda por cima com três assuntos importantes para deliberação. Os temas iam bem preparados e isto arrumou-se sem hesitações. Não sei se é recorde nacional, mas deve andar perto disso.


Eis o que se decidiu, por unanimidade:
Isenção ao pagamento de almoço para os alunos do pré-escolar e do 1º ciclo de ensino básico com o 2º escalão do abono de família – ano letivo 2017/18

Atribuição do Prémio de Mérito Escolar


Empreitada de reabilitação do Bairro do Carmo – aprovação do relatório final do concurso público nº 4/2017

AS MÍTICAS 4 L À CONQUISTA DE MOURA

É já depois de amanhã. Um passeio organizado pelo SLOW FOOD ALENTEJO. E que conta com apoio da Câmara Municipal de Moura. Chegam a Moura às 15 horas:

15:00 – Recepção e visita guiada a Moura (e.g. Castelo, Mouraria, Jardim das Oliveiras, Lagar de varas do Fojo)
17:00 – Introdução à prova de azeites (Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos)
18:00 – Visita e prova de cervejas (Cerveja Artesanal Magana)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

E AGORA, A ECONOMIA...

Estes são dos melhores momentos no trabalho de autarca. Quando um grupo de miúdos "nos faz uma espera" e nos pede uma entrevista. E é para falar de economia, de investimento, de projetos, do que se conseguiu, do que não se conseguiu. Foram algo cerimoniosos, mas não hesitaram nas perguntas. MAINADA. Gostei do estilo e do encadear de questões.

No fim, o clássico "queremos fazer uma fotografia consigo, pode ser?". Antes disso, fizeram a pergunta habitual "porque é que não se candidatou?". Oh pá, nesta altura do campeonato...


PRÉMIO VASCO VILALVA

Aqui se divulga uma importante iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. O Prémio Vasco Vilalva destaca intervenções na área do Património.

Mais informações em:
https://gulbenkian.pt/iniciativas/premios/premio-vasco-vilalva/

10.ª edição – Distinção para a recuperação e valorização do património

A décima edição do Prémio Vasco Vilalva apresenta uma novidade no regulamento em relação aos anos anteriores, ao privilegiar uma área de intervenção particular. Nesta edição, referente a 2016, o tema em destaque será os Jardins, não estando excluídas, no entanto, candidaturas de projetos referentes a outros bens móveis e imóveis. A partir deste ano o Prémio passará também a homenagear a viúva de Vasco Vilalva, recentemente desaparecida.
Candidaturas abertas de 15 setembro até 30 de outubro 2017.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

AGORA QUE O TEMPO SE DESDOBRA

Eadweard Muybridge é a inspiração do dia. O tempo ganha agora outra dimensão. Os dias tornam-se longos. Algo que não me acontecia há muitos anos. Dentro de dias entregaremos ao novo executivo um dossiê detalhado do estado da questão. Há que continuar a ultrapassar barreiras. E seguir em frente. Ainda há compromissos para dias 14, 15, 16, 18, 19. Depois acaba. Tenho o pensamento colocado nos dias que virão.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

BLANCO VERDADERO, BLANCO

Blanco, primero; de un blanco
de inocencia, ciego, blanco,
blanco de ignorancia, blanco...

Luego verdea el veneno;
sus ventanas abre el cuerpo;
lo blanco se pone negro.

¡Guerra de noches y días!
El viento mata a la brisa,
la brisa al viento...

La brisa
torna, conquistado, el blanco;
blanco verdadero, blanco
de eternidad, blanco, blanco...



Durante muito tempo procurei, sem sucesso, imagens do fotógrafo Jellel Gastelli. Tenho em casa um livrinho seu, catálogo de uma exposição em Toulouse, comprado há muitos anos. Fiquei fascinado com esta série branca. Descobri, há dias, que tem um site, onde estão alguns dos seus trabalhos. Jellel Gastelli volta ao blogue, depois de uma das suas fotografias aqui ter passado, em 20.11.2009.

Vêm estas fotografias a par da brancura e do lirismo, que tantas vezes me parece lusitano, de Juan Ramón Jiménez.

Ver - http://www.jellelgasteli.com

domingo, 8 de outubro de 2017

IGREJA DE SAFARA - PROCESSO CONCLUÍDO

Assisti, hoje de manhã, à missa em Safara. No final, o padre Mário Capa teve a simpatia de me chamar para a zona em frente ao altar, para explicar a intervenção que foi efetuada na igreja. As obras de reabilitação compreenderam trabalhos de reforço estrutural, uma importante reparação no telhado e a caiação de todo o monumento. O exterior da capela-mor vai ser objeto de estudo (os grafitos justificam-no sobejamente), avançando-se depois para a sua caiação. Mais de 200.000 euros foram investidos nesta intervenção. Ao todo, e em dez anos de atenção dada ao património religioso do concelho, foram dispendidos cerca de 1.200.000 euros. Onde? Em Santo Aleixo, em Moura, na Estrela, em Safara, em Santo Amador. O que falta? A reparação de duas coberturas: Estrela e Santo Aleixo. Faltam, na prática, uns 150 a 200.000 euros.

Era perto do meio-dia quando descerrei uma pequena e discreta placa comemorativa, na sacristia da igreja. "Missão cumprida", não pude deixar de pensar. Saí pela porta lateral e fiquei longamente à conversa com o meu amigo Pedro Acabado. Saí em paz, posso dizê-lo...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

UM GABINETE DE PORTAS ABERTAS

Muitas vezes me têm perguntado de que vou ter saudades. De muita coisa e de nada em especial. Há um espaço onde gostei muito de trabalhar: o gabinete para onde mudei as instalações da presidência, em novembro de 2013. O sítio causa verdadeira inveja a quem o visita pela primeira vez. É um privilégio raro ter um gabinete cujas portadas dão diretamente para o castelo. Ou seja, um gabinete com dois hectares de jardim...

A maior parte do ano trabalho de portas abertas (juro que não é piada! apenas um facto). Os visitantes do castelo inquirem com frequência que departamento da câmara é este. O momento de top foi quando um ruidoso grupo de excursionistas de Vila Nova de Famalicão entrou de rompante pelo gabinete para me cumprimentar, exigindo de seguida que me juntasse a eles para uma fotografia no relvado. Também já serviu de improvisado gabinete médico a uma turista brasileira que se sentiu mal com o calor. E um senhor espanhol pediu-me um boligrafo emprestado... Um sítio animado, com obras de arte (pertença do Município) e uma cadeira Corbusier.


UM LONGO ADEUS

E pensava eu que ia ter um dia calmo e distante de tudo... Qual! Sucedem-se os encontros e as despedidas, frequentemente as duas coisas ao mesmo tempo. Dia 4 de setembro prometera que a despedida aos trabalhadores da Câmara Municipal de Moura teria lugar um mês depois. Assim fiz. Em duas sessões. A meio da manhã teve lugar a sempre emotiva sessão de entrega de diplomas na EPM. De tarde, tiveram início as atividades da Universidade Sénior. Nada mau para um dia em que "não havia nada".

08:00 - Oficinas municipais

10:30 - Entrega de diplomas na Escola Profissional

11:30 - Fotografia de família na Escola Profissional

15:00 - Abertura das atividades na Universidade Sénior

16:30 - Cineteatro Caridade

terça-feira, 3 de outubro de 2017

E LA NAVE VA (DE NOVO)

É o final do filme. O navio afunda-se. Em grande estilo e em ritmo operático. Ouve-se correr o vento e depois a tragédia afinal não o é. É um dos mais belos finais de filme de toda a História do Cinema. No final da sequência damo-nos conta que é tudo ilusão. Vejam porquê.

É uma sequência apropriada para se encerrar o ano de 2010. Ao som da Traviata, com a imagem do navio que se afunda, em tom jocoso e com a convicção que tudo não passa de uma infinita ilusão.

E la nave va tem um tom crepuscular. Datado de 1983 é o último dos grandes filmes de Fellini. É um dos meus preferidos, devo dizer. Talvez pelo tom de crepúsculo.

(repete-se um post de 31.12.2010, e isto não ter a ver com as eleições... é só por ser bonito)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

VIRAR DE PÁGINA

Tinha prometido ao José Manuel Albardeiro que a crónica não teria qualquer ligação com as eleições autárquicas do passado domingo. Achei depois que seria melhor deixar em letra de forma algumas coisas que me ocorrem, nesta segunda-feira de mudanças.

Virar de página num percurso político, a título pessoal. Depois de 24 anos ligado à vida autárquica mourense decidi, há meses, que este caminho estava terminado. Quatro anos na presidência da câmara, mais quatro na da assembleia, mais oito anos de vereação e ainda outros oito nas bancadas da assembleia municipal. É tempo mais que suficiente, em que muita coisa familiar ficou para trás. Arrependimento? Nenhum, do ponto de vista profissional. Foi uma perda de tempo? Nem por sombras, tendo em conta a oportunidade que tive de colaborar em tantos projetos que reputo de importantes. A leitura e a avaliação deste tempo  que passou far-se-á mais tarde, com calma e ponderação. Tenho a ligeira sensação que as palavras “arqueologia” e “museus” ainda me farão rir. Muito.

Virar de página na vida profissional. O projeto de escavações no Castelo de Moura continuará (ou não…). Ora deixa ver, Santiago Augusto, que tens pela frente? Uma exposição sobre os “cristos” de um pintor do século XX, a montar na Sé de Lisboa. Intenção formulada e várias vezes adiada, vai ser desta. Vai mesmo. Segue-se outra exposição, desta feita com fotografias da minha autoria, com curadoria de Jorge Calado. Sem data nem sítio definidos. As velhas Leica (a adorada M6 e a R7) voltam às lides. E há livros. Um sobre a Mouraria de Moura, outro sobre estes 24 anos de experiência na política local. Um para meados de 2018, outro lá mais para a frente. O regresso à docência está previsto. Um ensaio sobre cemitérios islâmicos será retomado. E outros trabalhos de investigação? Sim, decididamente. Tenho prazer em pensar nisso. O futuro profissional andará pela margem esquerda do Guadiana, mas não em Moura, obviamente. E há toda a família, que me espera, ao fim destes anos, de porrete na mão. Nada que eu não mereça. E os amigos. Alguns. Os autênticos.

Construí uma nova memória do sítio. Fiz novos conhecimentos, muitos dos quais agora se desvanecerão. Participei na construção do concelho. Tive, e tenho, profundo orgulho e enorme prazer nisso. Ficarei atento ao futuro. Nada mais que isso.


Vai ser isto. Vai ser assim.

Texto publicado na edição de 1.10.2017 de "A Planície"
Tela no naturalista Marques de Oliveira (Praia de banhos, Póvoa de Varzim),
hoje no M.N.A.C.
Não tem nada a ver com o texto. Gosto de pinturas naturalistas, só isso.

domingo, 1 de outubro de 2017

CATALUNHA

Bem sabemos que os Estados são construções artificiais.

Também sabem que os desejos secessionistas partem sempre dos mais fortes e excluem, QUASE SEMPRE, a palavra solidariedade para com as regiões mais desfavorecidas.

Depois do veneno que o imperialismo americano meteu nos Balcãs (e que teve um brilhante resultado, como se sabe...), e depois de tudo o que se tem espatifado, custa-me a entender o delírio de boa parte da esquerda em torno do independentismo catalão. Que me causa toda a preocupação e nenhum entusiasmo.

Ou então, é mais um dos meus desvios de direita...

Nota - no meio disto, o governo de Madrid tem primado pela falta de tato, para ser gentil.


STARDUST MEMORIES Nº 12: 20.10.2013


Resolvi, a título transitório, atualizar a minha fotografia no facebook. Escolhi esta, que já por ali passou. Foi tirada perto das 13 horas de dia 20 de outubro de 2013, poucas horas antes de tomar posse como presidente da câmara.

A obra então em curso era a de reabilitação dos Quartéis de Moura. A intervenção ficaria concluída em junho do ano seguinte. Uma parte das iniciativas em que participei entre 2005 e 2017 está resumida em http://www.santiagomacias.org/obrLista.php

Tal como repetidamente tenho escrito um análise e revisão destes anos deverá sair no próximo ano no formato de livro.

Momentos altos nesta caminhada política (do ponto de vista estritamente pessoal):

5.9.2009 - Reabertura do Campo das Cancelinhas
26.2.2011 - Inauguração do Museu Gordillo
12.5.2012 - Inauguração do Jardim das Oliveiras
24.6.2012 - Abertura do núcleo museológico da Torre de Menagem
24.6.2013 - Conclusão da reabilitação dos espaços públicos da Mouraria
24.6.2013 - Inauguração do novo posto de turismo
12.10.2013 - Inauguração da Galeria do Espírito Santo
14.6.2014 - Conclusão da obra dos Quartéis
27.11.2014 - Início de funcionamento do projeto ÁGORA SOCIAL
10.2.2015 - Inauguração do Parque de Vale de Juncos
30.7.2015 - Inauguração da exposição "Água - património de Moura", no antigo matadouro
22.11.2015 - Inauguração do Pavilhão das Cancelinhas
12.5.2016 - Inauguração do Parque de Leilão de Gado
18.12.2016 - Conclusão das obras na Ribeira da Perna Seca
2.6.2017 - Inauguração do CONTINENTE, no âmbito da renovação do Campo Maria Vitória
30.6.2017 - Conclusão da reabilitação do Pátio dos Rolins
28.9.2017 - Conclusão do reforço estrutural da igreja de Safara

Foi assim.

Há, sempre, duas palavras em pano de fundo: REGENERAÇÃO URBANA.

Que se segue?
As obras que tenho feito questão em defender e que vão projetar o futuro:
Centro Documental da Oliveira
Bairro do Carmo
Torre do Relógio
Terminal Rodoviário
Reabilitação das muralhas
Novo cemitério
E mais o desenvolvimento do projeto do Convento do Carmo, no âmbito do REVIVE. Cá estarei para aplaudir quando ouvir dizer plaudite, cives!