quarta-feira, 10 de agosto de 2022

MOURA NUM ATLAS ITALIANO DO SÉCULO XVII

Não é a mais rigorosa planta de Moura. Tem nomes trocados e outros inventados. Não adiante muito ao conhecimento das muralhas. Com uma exceção: reafirma a existência de uma linha defensiva antiga, que deveria ser muito precária e que circundava toda a localidade. É um testemunho bonito da fortificação. Não o conhecia. "Dei" com ele durante a visita conduzida pela arq. Margarida Valla à sua exposição "Restauração e a fortificação moderna - Nicolau de Langres e as praças do Alentejo".

O original, da autoria de Lorenzo Possi, está no Museo Galileo, em Florença. Pode ser consultado online: https://opac.museogalileo.it/imss/resource?uri=301911&v=l&dcnr=7


terça-feira, 9 de agosto de 2022

RAZÕES PARA AMAR PORTUGAL: MAIS UM EPISÓDIO

O metro até pode só aparecer de 10 em 10 minutos. Até pode andar a abarrotar. Em troca, temos citações de Deleuze, de Heraclito e de Nietzsche nas paredes. É o toque de classe final a caminho da Reboleira ou de Santa Apolónia.

Como diria, se é que não disse já, Pedro Chagas Freitas, "Portugal é do caraças".








segunda-feira, 8 de agosto de 2022

LI - CRÓNICAS OLISIPONENSES: PANORÂMICO DE MONSANTO

Regressei ontem, passados 29 anos, ao Panorâmico de Monsanto. O edifício é usado como miradouro sobre Lisboa. À hora do almoço andavam(os) por ali umas 15 ou 20 pessoas. Estrangeiras, na quase totalidade.

Um trabalho fotográfico de Francisco Seixas compara, com eficácia antes e depoishttps://www.memoriasdelisboa.pt/?foto=panoramicomonsanto

O edifício é uma quase ruína e isso só me causa espanto e aquela dor de vivermos num País que deixa de lado tanta coisa que vale a pena e tem potencial. O Panorâmico de Monsanto foi projeto de um discreto arquiteto camarário, Carlos Oldemiro Chaves Costa (1922-1990), e é uma obra da qual sempre gostei.

Não percebo como é um que sítio tão fascinante, e com a vista que tem, pode estar como está...


domingo, 7 de agosto de 2022

MENEZ & SOPHIA

Este trabalho de Menez sobre Sophia de Mello Breyner Andresen está em exposição na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. É um estudo original para o "Memorial comemorativo do centenário" da poetisa. Foi feito em 1991 e pertence à Galeria Ratton. 

O memorial, com projeto do arq. Tiago Montepegado, foi concretizado junto à Estação Fluvial de Belém.

Uma exposição, a inaugurar no outono, associará, na entrada, os nomes da pintora e da poetisa.


sábado, 6 de agosto de 2022

STARDUST MEMORIES Nº. 62: MÉRTOLA EM LISBOA

A inauguração, a que o pequeno filme se reporta, foi no dia 7 de julho de 2009. Já lá vão 13 anos e 1 mês. Estávamos todos um pouco mais magros e com menos cabelos brancos.

Fui "empurrado" para aqui enquanto procurava elementos para um projeto a desenvolver no Panteão em 2023. Este "Mértola - o último porto do Mediterrâneo" foi o meu penúltimo trabalho de fundo no Campo Arqueológico de Mértola  "correu seca e meca" e contou com produção da TERRACULTA. Um casamento virtuoso.

Ao consultar a página da Fundação Millenniumbcp acabei por saber que a galeria de arte da Fundação teve como primeira iniciativa esta exposição. Não fazia disso a mais pequena ideia...






sexta-feira, 5 de agosto de 2022

RUAS TROTINETIZADAS

Mais de 30 (trinta !) trotinetas e bicicletas às 9:05, à porta da estação de Santa Apolónia. Um atravancamento. Os peões como eu fazem gincana pelo meio da "modernidade". Mas, claro, eles são "modernos" e "ecolocoisos" e "alternativos" e "têm direitos". Poisevidentemente...


A COR DOS CAMPEONATOS

Começa hoje. Em tempos era o Campeonato Nacional da 1ª. Divisão. Haviam também o da 2ª. e o da 3ª. Depois vieram as ligas e as super-ligas. Hoje, perco-me.

Em tempos havia equipamentos às cores e todos diferentes. Eram todos bonitos. Podíamos/devíamos gostar mais dos nossos, mas eram todos bonitos. Depois, vieram os do marketing e os das empresas de materiais desportivos. E balburdiaram tudo. Uma pena...

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

DICK FARNEY - 35 ANOS DEPOIS

Repito um texto antigo, sobre um cantor fora de moda:

"O que é que andas a ouvir?", perguntou o Carlos José Almeida. "Dick Farney", respondi, quase a medo e quase escondendo o LP. "O Di-ck Far-ney?", soletrou devagarinho, antes de se desmanchar a rir. Fui alvo da troça dos elementos da direção da associação de estudantes de Letras que por ali andavam. Por sorte, eram só mais dois ou três.

O episódio ficou-me gravado. Na altura (1984 ou 1985) não estava muito na moda ouvir crooners brasileiros (ainda por cima, o Carlos José era um fã convicto de Milton Nascimento). O confesso prazer em ouvir Dick Farney não ajudou nada à minha reputação musical, marcada por heterodoxias "pouco sérias", que incluiam os Heróis do Mar, os Delfins, os Specials, Kid Creole, António Machin, Los Panchos, Pepe Marchena, El Cabrero, Carlos Ramos, Amália, Perez Prado, Xavier Cugat etc. Eu dava o flanco e a rapaziada da UEC caía-me em cima sem dó nem piedade.

Continuei a ouvir Dick Farney pela vida fora. Muitas vezes fiz o percurso entre Mértola e Moura ao som de Sábado em Copacabana, de Nick Bar, de Este seu olhar e do extraodinário dueto com Lúcio Alves, que imortalizou Tereza da praia.

Dick Farney chamava-se, na verdade, Farnésio Dutra e Silva (!). Deixou-nos faz hoje 35 anos.


O FIM DOS TEMPOS, A BESTA E O APOCALIPSE - VERSÃO 1949

Era assim em 1949. Um fato de banho era comparado à parra bíblica. E estava-se a um passo do nudismo. E "aquilo" era afrodisíaco.

É tudo uma questão de contexto. E de tempo.


quarta-feira, 3 de agosto de 2022

ONDE ANDA A ORQUESTA MONDRAGÓN, AGORA QUE PRECISAMOS DELA?

O que é que isto vos faz lembrar? Um paraíso circense? Ou o nosso quotidiano?

De las hermosas historias
Que les vamos a contar
Viaje con nosotros
Y podrá encontrar
Atactivos monstruos
Que le sonreirán
Y disfrute
Del gusto que da
Y disfrute
De la amistad de sirenas
Y de serpientes de mar

En su viaje los romances abundarán
Y en sus brazos los dragones se arrojarán
Serán suyos
Marlène y Tarzán
Serán suyos
Quien compra nuestro billete
Compra la felicidad
Con nosotros viaja el sueño y la novedad
La alegría, la sorpresa y el carnaval
Todos juntos
Iremos allá
Todos juntos
Quien compra nuestro billete
Compra la felicidad



SEM PINGO DE VERGONHA

Escreveu, em "A Planície", António José Gomes, ex-vereador do PS em Moura:

"a CDU no final do último mandato [2013-2017] acabou por determinar o encerramento da empresa [LÓGICA]".

Tem sido prática corrente de responsáveis do PS em Moura. Inventar coisas no passado para justificar a pobreza da atuação mantida ao longo dos últimos cinco anos.

O que António José Gomes diz é falso e foi escrito sem um pingo de vergonha. No seu currículo recente estão afirmações extraordinárias como eu supostamente ter "escondido" faturas (!) na contabilidade do Município. Uma afirmação que nunca provou. As insinuações e as falsidades têm-se avolumado.

Quanto à LÓGICA, sempre procurei / procurámos soluções de futuro. Nunca, nos mandatos da CDU se determinou o encerramento da empresa. O trabalho desenvolvido sempre teve por objetivo a viabilização da LÓGICA. Se necessário, TODOS os trabalhadores da LÓGICA (cerca de uma dezena) deveriam ser integrados nos quadros do Município. E em caso algum haveria um dispersar dos bens da LÓGICA. Ao contrário do que tem acontecido nos últimos meses.



terça-feira, 2 de agosto de 2022

ARQUEOLOGIA MEDIEVAL - ONLINE E À BORLA

O Campo Arqueológico de Mértola acaba de colocar à disposição dos interessados, sem custos, os números 1 a 14 da revista "Arqueologia Medieval". Uma atitude meritória e importante, em termos de divulgação.

Ver - https://www.camertola.pt/info/publicacoes?tid=33

Acompanhei, enquanto coordenador, a história da "Arqueologia Medieval" ao longo de 24 anos.

Nº. 1 - 1992

Nº. 2 - 1993

Nº. 3 - 1994

Nº. 4 - 1996

Nº. 5 - 1997

Nº. 6 - 1999

Nº. 7 - 2001

Nº. 8 - 2004

Nº. 9 - 2005

Nº. 10 - 2008

Nº. 11 - 2010

Nº. 12 - 2012

Nº. 13 - 2016

Nº. 14 - 2018

Nº. 15 - 2020

Conheço bem a história da revista. Em 1991, o Cláudio colocou-me nas mãos um conjunto de originais "temos que avançar com a revista de arqueologia". Fui designado "coordenador". A partir daí foi um desassossego. Nunca tal tinha feito... Era preciso arranjar editora (ficou a Afrontamento), montar o esquema de financiamento e preparar o lançamento. O contributo de Marcela Torres e de Paula Viana revelar-se-ia decisivo. Enquanto o nº 1 tomava forma, avancei para o pedido de originais para o segundo volume.

Quando, nos inícios de novembro de 1992, a revista "Arqueologia Medieval" surgiu nos escaparates, ouviu-se um coro de assobios dos velhos do Restelo. Estava tudo mal: o grafismo (meu Deus, onde já se viu semelhante coisa?, nem parece uma revista científica...), o modelo de financiamento e de distribuição (pff, aguenta dois números, queres apostar?), a falta de um comité científico (aquilo é o Santiago e mais dois ou três rapazes como ele), a ausência de normas de redação (só mesmo aqueles freaks do Campo Arqueológico é que se lembrariam de editar uma revista sem normas precisas) etc. A revista aguentou-se, foi saindo sem data precisa e tornou-se uma referência obrigatória no meio. Colaborei até ao 13º volume, já não participei no 14º. Porque o meu tempo nesse projeto se esgotou, porque as coisas mudam, porque a renovação permanente mantém os projetos vivos. Não me arrependo do tempo, nem por um só segundo!, que usei trabalhando na revista.

A avaliação dos artigos tinha uma malha bastante larga. Aceitámos textos apenas "suficientes", porque havia neles algo de interessante ou porque tratavam de um tema inédito, mesmo que não fossem excelentes ou, sequer, bons. Só uma vez, uma única vez me arrependi (e muito) de ter aceite a publicação de um texto. É coisa que agora não vou revelar...



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

HEURÍSTICA DA MÚSICA PIMBA

Foi há mais de dez anos, numas Festas da Vila, em Mértola. Um amigo comentava-me, enquanto Quim Barreiros evoluía no palco: “já viste isto?... uma coisa sem qualidade...”. Bem-disposto e muito animado, respondi, em tom trocista, “é verdade! a Orquestra Filarmónica de Berlim esta semana não estava disponível...”. E continuei a saltitar, num estilo “coreográfico” que uma amiga designa como “uma tábua abanando ao vento”.
Continuo a pensar que cada coisa tem o seu sítio. E que nessas festas de verão sentiria a falta de Ana Malhoa, de Emanuel, de Toy, de José Malhoa, de Micaela, de Tony Carreira, de Quim Barreiros e de todos os outros que, empenhadamente, espalham animação e alegria por todo o País. Emanuel imortalizou a designação. O “pimba” é uma opção? É. Recordo, com prazer, o dia em que Emanuel, música com formação a sério, explicou, coloridamente, ao maestro António Victorino de Almeida como fazia as suas músicas. Entretendo-se em mostrar vários tipos de arranjos – jazz, blues, flamenco – para o que se chama música “pimba”. Diverti-me a sério e fiquei rendido. Tony Carreira foi distinguido pelo governo francês com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras. Tem como pares nomes como Jackie Chan, Shakira, Eduardo Lourenço, Idrissa Ouédraogo ou Maïa Plissetskaïa. Um exemplo de diversidade e abrangência bem ao gosto gaulês. O snobismo nacional olhou com despeito e sobranceria a condecoração.
Ao longo dos anos habituei-me a dar cada vez maior importância ao sítio específico para cada coisa. E à convicção que há espaço para tudo e para todos. O que me faz balançar, sem problemas, entre a RTP2, as óperas no MET e as festas de verão, onde espero sempre ver aqueles cantores que referi mais acima e ainda bandas de camião como Século XXI ou Função Pública. Por isso, nas Festas de Verão reajo sempre com entusiasmo quando são anunciados os bons músicos populares. Pimbas ou não pimbas.
Recorde-se ainda que os chamados cantores pimba são, muitas vezes, os nossos embaixadores junto dos portugueses – de primeira, de segunda, de terceira gerações – que vivem em Cergy-Pontoise, em Champigny-sur-Marne, em Lausanne, em Preverenges ou em a Epesses. Esses são os sítios onde os cantores populares estão entre o povo e se sentem como em casa. Desempenham um papel inestimável de ligação entre cá e lá. Não é por acaso que as salas por onde passam esgotam e são tratados de forma amiga e fraterna. E fazem girar à sua volta verdadeiras máquinas de produção, que dão trabalho a muita gente.
No caso de Quim Barreiros temos, em Moura, um dado suplementar de reconhecimento. Em 1973 gravou, em conjunto com o Trio Guadiana, a “Nossa Senhora do Carmo”. O vídeo está no youtube e tem mais de 63.000 visualizações: https://www.youtube.com/watch?v=A7-K2pAMmN0.
Porquê “heurística da música pimba”? Heurística tem a ver com descoberta. E um título assim chama sempre a atenção.

Crónica publicada hoje em "A Planície"








STARDUST MEMORIES Nº. 61: AYAMONTE

Há já uns anos que não passava por Ayamonte. Antes (este antes tem 50 anos) era ponto de peregrinação obrigatória no verão. Os carros iam dentro do barco. As embarcações mais pequenas levavam seis viaturas, arrumadas como se fossem legos.

O ponto de paragem habitual era o Paseo de la Ribera. Lembro-me de uma tarde de verão, em 1967, em que ali esperámos horas a fio pela camioneta, a caminho de Payomogo. Era la feria. Para festejar condignamente, enfiaram-me uma fatiota de flamenco, em lã. Muito apropriada ao clima... A minha cara de felicidade está registada nas fotografias.

Desta vez, a passagem foi mais rápida. O bulício era grande e a da vilória de outrora pouco resta. Havia vendedores africanos, que tentavam impingir bugigangas. Os bares de tapas estavam sob pressão, o que se fazia sentir na qualidade. Do Paseo de la Ribera resta o sítio. Agora com um arranjo marcadamente "brega". Regressarei no inverno.






domingo, 31 de julho de 2022

COISAS QUE A GENTE GOSTA DE LER, ANTES DE ATACAR AGOSTO

A entrevista de Magalhães e Silva é interessante, por nos dar uma imagem dos corredores do poder a partir de dentro. Vale a pena a leitura de uma ponta à outra.

Gostei, em especial, desta passagem.


O SUL, EM LINHA RETA

Ontem, às 12:34, passou este barco junto à praia. Olhando para ele, estava a ver o sul.

Em linha reta:

394 km. - praia de Ain Sebaa (Marrocos), que fica mais perto do que Aveiro.

3580 km. - Greenville (Libéria)

8270 km. - Tristão da Cunha, um dos sítios mais solitários do planeta.




sábado, 30 de julho de 2022

PRAIAS - PINTURA VI

Outra praia. Menos lúdica, certamente. Mas não menos importante. Uma obra de Júlio Pomar, com quase 70 anos.

Reproduzo, do site do Centro de Arte Moderna / Fundação Calouste Gulbenkian:

A preocupação do movimento neo-realista com o acesso do povo à arte levou a que certos meios artísticos, como a gravura e o mural, fossem alvo de especial atenção, já que a primeira permitia uma maior difusão devido à sua reprodução técnica e o segundo permitia uma contemplação de massas e a saída da arte dos seus circuitos tradicionais. Contudo, devido ao contexto ditatorial português, o neo-realismo teve poucas possibilidades de expressão através da pintura mural, já que esta dependia de encomendas e ficava posteriormente sujeita à censura. A tapeçaria apresentava-se, assim, como uma alternativa possível.

Nesta tapeçaria realizada em 1953 Júlio Pomar regressa ao tema do mar, presente em várias das suas pinturas e gravuras. Numa linguagem pós-cubista com afinidades com Almada Negreiros, as formas resolvem-se em volumes geométricos, de contornos nítidos e onde a cor é parte crucial na definição dos volumes e na animação geral da composição. Em primeiro plano observamos duas personagens sobre o areal, em segundo plano um barco e formas piramidais e em terceiro plano as ondas do mar. As ligar e fundir os diversos planos, encontramos elementos decorativos e rimas entre os diversos tons empregues: uma meia lua cuja cor se sintoniza com o amarelo da areia, flores ou estrelas do mar sobre a mancha de azul que desce em diagonal sobre a personagem da esquerda, o ritmo das manchas de azul a dinamizar a horizontalidade de composição.

Porém, se compararmos esta tapeçaria, por exemplo, com o óleo de 1950 Mulheres na Praia (também pertencente à colecção do CAM), apercebemo-nos que a carga dramática que permeava as suas obras anteriores é aqui substituída por um decorativismo mais ameno. Nas palavras do próprio autor, esta fase da sua produção neo-realista caíra num “lirismo complacente”, onde a “procura das soluções formais começa a sobrepor-se ao vigor do conteúdo”.* Rostos e paisagens não contêm já a mesma urgência de denúncia social e política, não obstante o alheamento da expressão facial. Todavia, entre a forma semicircular colocada sobre a personagem da esquerda e a estrela recuada no canto superior direito podemos sempre ler um símbolo político camuflado. Para quem assim o queira interpretar.

* Júlio Pomar, “A tendência para um novo realismo entre os novos pintores” in O Comércio do Porto, 22.12.1953. Texto consultado em A Arte Portuguesa nos Anos 50, Beja, Câmara Municipal, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1992, p. 49  

Luísa Cardoso (Fevereiro de 2015)


sexta-feira, 29 de julho de 2022

ADOBE NÃO É TAIPA. A PROPÓSITO DO LIVRO DE UM HOMEM QUE NÃO GOSTA DO ALENTEJO

Comprei o livro distraidamente, para iludir as manhãs no areal. Só ao ler me dei conta que aquele era O livro da polémica de há uns anos. Não o tinha lido, nessa altura. Tinha assistido a uma aflitiva entrevista na televisão.

Fiz mal. O livro está bem escrito. Não é o facto de o autor não gostar do Alentejo que me incomodou. Nem sequer o facto de confundir Alentejo com a zona de Santiago do Cacém. Nem de de dar de nós uma visão algo troglodítica. O que não gostei foi dos sucessivos erros de análise histórica, apresentados com empáfia e uns drifts humorísticos à mistura.

O livro tem um punch-line às avessas, logo na página 20, ao falar da arquitetura vernacular: "as paredes são de taipa (terra misturada com palha)". Terra misturada com palha é nos adobes, não na taipa. Análises de antropotreta dão nisto...


PRAIAS - PINTURA V

Um chapéu de sol, pintado em 1971, por David Hockney (n. 1937). Diverti-me a pensar que, por essa altura, tínhamos um igual lá em casa. Um chapéu, não um Hockney, bem entendido...

Este Umbrella beach foi vendido, em 2016, na Christie's, por mais de três milhões de libras.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

PRAIAS - PINTURA IV

Sur les planches de Trouville foi pintado por Claude Monet em 1870. Tive de ir procurar onde é Trouville. Fica na Normandia. Só de pensar nisso quase me constipo...

O quadro pertence a um particular.


 

PEDRO MOREIRA NA PRESIDÊNCIA DA EGEAC

A imagem de cima é a mais recente (2022), a de baixo evidentemente a mais antiga (1999). Entre a exposição de Tânger e a inauguração do Museu do Tesouro Real passaram 23 anos. Uma bagatela...

Da Comissão dos Descobrimentos, Pedro Moreira passou para a EGEAC, daí para o Turismo de Lisboa. Regressa agora à EGEAC, para um merecido lugar de topo.

Capacidade de trabalho, pragmatismo, conhecimento e seriedade, eis o novo presidente. Toda a sorte do mundo, Pedro.






quarta-feira, 27 de julho de 2022

LOULÉ: BANHOS ISLÂMICOS

Deliberadamente não se mostra o interior dos banhos islâmicos de Loulé. É importante que se veja o resultado desta recuperação. É crucial que se vá ao local. E se perceba como uma "ruína" se converte num poderoso elemento pedagógico ao serviço da comunidade.

Os banhos islâmicos são uma recuperação exemplar? Sim. Um projeto de grande qualidade dos arquitetos Sofia Aleixo e Victor Mestre. É mais fácil criticar e "dizer mal"? É. Não vou por aí.


PRAIAS - PINTURA III

De Homer Winslow, em 1869, a Noronha da Costa, em 1988. O mar não é o mesmo, mas é.


terça-feira, 26 de julho de 2022

PRAIAS - PINTURA II

De Winslow Homer (1836 - 1910): East Hampton Beach, Long Island, pintado em 1874. Já lá vão quase 150 anos. Ou quando se ia à praia completamente vestido.

Hoje, nem despido, que está demasiado calor.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

PRAIAS - PINTURA I

À boleia do site do Museu Nacional de Arte Contemporânea, dirigido pela minha amiga Emília Ferreira:

Exemplo de uma pintura despojada de artifícios, estas Piteiras revelam uma extrema simplificação dos pequenos toques de cor, situação que evoca a qualidade da aguarela. O tema do primeiro plano interrompe e ritma a perspectiva – característica comum a muitas das suas pinturas – com os elementos verticais e agressivos que são as folhas. A presença deste tema em primeiro plano repõe com carácter emblemático o espírito meridional do lugar, aspecto a que a pintura de João Vaz foi sensível.

Pedro Lapa


As piteiras é uma obra de João Vaz (1859-1931). A data é incerta (algures entre 1897 e 1911). O bucolismo é intemporal.


domingo, 24 de julho de 2022

MANUELA BARROS FERREIRA (1938-2022)

A Manuela partiu ontem. Hoje foi o dia da despedida. Triste e silencioso, como são sempre estes dias.

Deixou-nos uma mulher sensível, de extraordinária inteligência e cultura. O olhar vivo substituía, amiúde, o atento silêncio que era o dela. A fina ironia da Manuela, aliada a palavras certeiras, sempre me impressionou. Confesso que, nos primeiros tempos, me intimidava bastante.

Ao longo de muitos anos, algo como 40, fui conhecendo a Manuela (entreguei-lhe mesmo textos para avaliação, que me foram devolvidos com sábias críticas e anotações), num crescendo de respeito e de admiração.

Fez uma brilhante carreira de investigação, reconhecida pelos seus pares e nos sítios por onde passou. A homenagem de Miranda do Douro, pelo seu trabalho em prol da língua mirandesa, é disso exemplo claro.

Uma mulher do Mediterrâneo, naquele sentido em que toda a casa e a família giravam em seu torno.

Não há insubstituíveis? Há. A Manuela é insubstituível. Tenho essa certeza. 

Aqui reproduzo um texto publicado neste mesmo blogue em 10 de fevereiro de 2014:

Hoje acordei na busca de algo de sublime que me fizesse acordar contente por acordar. Algo entre o ‘já não’ e o ‘ainda não’. Por exemplo, não ser bébé e já não fazer xixi na cama e ainda não ser tão velha que faça xixi na cama. Mas não tive tempo para ficar contente: daqui a pouco a rápida manhã de dedos de rosa encosta-se à tarde e a rapidíssima tarde de dedos de sombra encosta-se à noite cheia de lâmpadas. Felizmente já não e ainda não tenho de escolher entre luz de cera, luz de azeite e luz de petróleo. Nesse tempo que aí vem com passos de coelho, escolherei, dado já não haver fósforos, pirilampos debaixo de um copo.


sexta-feira, 22 de julho de 2022

O MAR! O MAR!

Thalassa! Thalassa! (O mar! O mar!), clamaram os soldados gregos comandados por Xenofonte ao chegarem ao Ponto Euxino.

É esse o ponto de partida para a exposição a organizar em colaboração com a CULTURGEST, que já anunciou a iniciativa no seu site:

https://www.culturgest.pt/pt/programacao/thalassa-thalassa/?typology=4

A exposição de homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen conta ainda com a colaboração da Embaixada da Grécia.

A partir de dia 25 de outubro, no Panteão Nacional.

STARDUST MEMORIES Nº. 60: PRESIDENCIAIS 1986

Maria de Lurdes Pintasilgo arrancou como favorita, mas o resultado final foi um desapontamento. Obteve 7,38% dos votos e ficou em quarto lugar. Participei ativamente na campanha e votei, sem hesitações nem lamentos, em Mário Soares, na segunda volta.

Esse tempo ido reavivou-se hoje de manhã, ao ser conduzido por Maria Antónia Pinto de Matos numa visita à exposição que o Museu da Presidência dedicou à antiga primeira-ministra.

No final só me ficou uma dúvida, que prometi tentar esclarecer. A fotografia oficial de campanha é tida como "de autor desconhecido". Iria jurar que o retrato é de António Homem Cardoso. Sei que o semanário "O Jornal" dedicou um texto a estes aspetos e identifica quem fotografou. Mas falta-me o tempo para uma investigação tão precisa...


quinta-feira, 21 de julho de 2022

NEM UBER NEM BOLT

De início, correu muito bem. Ante um serviço de táxis com muitas insuficiências, estas plataformas começaram por garantir um serviço com qualidade, e a bons preços.

Depois, aconteceu uma coisa muito simples: os táxis subiram (e muito) a qualidade do serviço, os ubers e bolts são agora uma perfeita desgraça. Nem preços, nem resposta, nem nada. No outro dia, tive de ensinar o caminho a um pobre infeliz a quem o gps deixara de funcionar. Que isto de conhecer Lisboa não é com eles.

Estou de regresso aos táxis.



quarta-feira, 20 de julho de 2022

O GRANDE LOGRO DA "APROPRIAÇÃO CULTURAL"

A apropriação cultural é o mais recente logro do "politicamente correto". Levado aos extremos da histeria. Não podemos utilizar elementos de outra cultura, porque nos estamos a "apropriar". Do ponto de vista pessoal, estou-me nas tintas se um esquimó usa capote alentejano ou se um nigerino canta o fado. Ao contrário, se se "apropriam" de algo que é intrinsecamente da minha cultura, vejo isso como interessante e salutar.

Já agora, e a propósito de "apropriações culturais": têm a certeza que os tecidos e padrões tidos como africanos - que uso, apropriando-me do que gosto e do que acho bonito - são mesmo africanos?


terça-feira, 19 de julho de 2022

AINDA AS ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS NO CONVENTO DO CARMO, EM MOURA

Decorreram, até há pouco, escavações arqueológicas nos terrenos do antigo Convento do Carmo, em Moura.

Sem entrar em detalhes sobre os trabalhos, que serão objeto de publicação próprias, quando tal for oportuno, deixo aqui duas ou três ideias. Que decorrem do meu conhecimento do sítio e que se reportam temas genéricos.

Em primeiro lugar, deve sublinhar-se a importância religiosa do sítio. Há a memória de uma ermida (eventualmente alto-medieval), que se situava a curta distância da atual igreja do Carmo. O templo atual tem pouco a ver com a obra do gótico alentejano que Duarte Darmas desenhou no início do século XVI. O enriquecimento do convento, proporcionado pelas propriedades que detinha na região, criou condições para sucessivas obras de expansão.

Há, em segundo lugar, que destacar a proximidade do cemitério islâmico, ao qual se sucedeu o bairro da Mouraria. Em 1970, foram acidentalmente escavadas várias sepulturas, na Rua da Estalagem, a cerca de 100 metros do adro do Carmo.

Deve, finalmente, ser sublinhada a ocupação agrária do espaço perirubano.

O local onde o convento foi construído é uma vasta plataforma com um ligeiro declive em direção a norte. Toda essa zona beneficiou das águas que saíam do castelo e que irrigaram as hortas em seu redor. No período islâmico haveria aí várias munyas, como o parecem atestar os materiais cerâmicos descobertos em tempos na Rua do Sete e Meio, assim como uma moeda de Hisham II encontrada na mesma área. Não sendo um "arrabalde" de Moura, poderia ser local de fixação de algumas famílias, que aí viveriam em pequenos casais.

Deixo aqui os sítios onde estão disponíveis um artigo (1993) e um livro (2013 e 2016) que lançam pistas sobre estas matérias:

https://www.camertola.pt/sites/default/files/Arqueologia%20medieval%202.pdf

http://www.santiagomacias.org/publi.php?livros


AI, EU GOSTO MUITO DE FOTOGRAFIA A PRETO E BRANCO...

Ouço isto muitas vezes, como se ser a preto e branco fosse um sinónimo de qualidade. Ou seja, é melhor porque é diferente da realidade.

Pobres Davids, Alan Harvey e La Chapelle, só pra recordar dois usos vibrantes da cor.

Gosto de preto e branco? Sim, tal como gosto da cor. 



segunda-feira, 18 de julho de 2022

#AFESTAESTU

Desde 2019 (!) que não era assim. Três anos depois voltaram as Festas da Padroeira, em Moura. Um feito de um punhado de gente esforçada (a Comissão!) a quem todos devemos muito.
Em breve se retomará o ciclo. De 13 a 17 de julho de 2023 contamos lá estar.


UM DIA TRISTE PARA O PODER LOCAL

Cada vez mais atividade rotineira.

Cada vez mais despesa corrente.

Cada vez mais autarcas "penhorados com a visita de Vexa. Senhor Ministro".

Cada vez mais a menoridade face ao Terreiro do Paço.

O Poder Local foi uma das mais belas e decisivas (re)criações do 25 de abril. Começa a decair às mãos do centralismo burocrático e cinzento do Terreiro do Paço.

Podem limpar as mãos à parede.