sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

MUSEU ALBERTO GORDILLO - ANO 10

Não tenho o hábito de repetir na íntegra textos já publicados. Abro uma exceção para recordar a abertura do Museu Gordillo, ocorrida no dia 26 de fevereiro de 2011. Era um sábado.

O processo que levou à construção deste museu (tecnicamente falando, chama-se Centro de Joalharia Cotemporânea, por imperativos de ordem legal...) será contado no meu livro. Desde a definição do programa - que incluiu uma "inversão" dos pisos - passando pela escolha de Rui Afonso Santos para a realização do catálogo e culminando nos inúmeros detalhes que foi preciso ultrapassar, é um projeto feliz e bem concretizado.

Foi esse museu feito em Moura num tempo em que se procuravam soluções e se avançava. Um tempo bom, de procura de soluções e de trabalho oficinal.


No dia 26.2.2011 foi assim:

DE HESÍODO A ALBERTO GORDILLO

Hesíodo (séc. VIII a.C.) falava, na Teogonia, das Hespérides que, para lá do Oceano, guardavam maçãs e outros frutos dourados. Diodorus Siculus (séc. I a.C.) escreveu uma História Universal,onde mencionava os regatos de prata da Ibéria.
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O extremo ocidente do mundo então conhecido era célebre pela riqueza das suas minas e pela prosperidade que elas garantiam. O trabalho dos metais está presente, desde épocas recuadas, nos nossos territórios. O tesouro do Álamo foi descoberto na freguesia do Sobral da Adiça e é hoje um dos mais conhecidos tesouros nacionais.
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Talvez essas marcas e essas memórias estejam presentes na origem dos trabalhos de Alberto Gordillo. E na luminosidade dos seus trabalhos. Um homem que, estando há muito longe de Moura, nunca de lá saiu.
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A inauguração do Museu Gordillo, que ontem teve lugar, faz com que o concelho de Moura passe a dispor de mais um equipamento de excecional qualidade. O Presidente da Câmara sublinhou bem, no seu discurso, a ligação entre Cultura, Turismo e Desenvolvimento Económico. Um ponto em que temos batido ao longo dos últimos anos. Contra ventos e marés e contra os pessimistas profissionais, sempre tão lestos a levantarem objeções. Espero bem que as suas palavras tenham sido atentamente ouvidas.
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O Alberto Gordillo fez questão, na sua intervenção, em destacar o meu contributo aquele projeto e para o impulso dado ao museu. Não era mesmo nada necessário, como lhe disse depois. Contribuí e contribuo, como tantas outras pessoas, para que as coisas avancem. Continuarei, com a mesma convicção, a rematar processos que foram abertos e que cremos serem cruciais para o bem-estar das populações e para o desenvolvimento do concelho.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

A PROPÓSITO DE UMA NOTA INFORMATIVA DA CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA

Entendeu a Câmara Municipal de Moura desejar-me "as maiores felicidades no desempenho das novas funções como Diretor do Panteão Nacional".

Uma atitude que seria normal e de saudar. Li, contudo, o texto duas ou três vezes e, não fosse a referência ao Panteão Nacional, cheguei a duvidar que me dissesse respeito.

Deve ser um acaso, mas a nota não refere que fui presidente da câmara. Aparentemente, o lugar de presidente da câmara não é coisa importante.

Deve ser uma casualidade, mas a nota também não diz que fui presidente da assembleia municipal. Se calhar, o lugar de presidente da assembleia também não é relevante.

Deve ser uma coincidência, mas sou referido como historiador e não se menciona que escrevi livros, um par deles, sobre Moura e que dirijo as escavações arqueológicas no Castelo de Moura.

Deve ser outro acaso, mas a nota consegue não dizer que, enquanto autarca, tive responsabilidades (com José Maria Pós-de-Mina, Rafael Rodrigues, Maria José Silva, José Oliveira, Céu Rato, José Gonçalo Valente e Joaquim Simões) em projetos como o da Mouraria, do Castelo, dos Quartéis e do Matadouro. Foram trabalhos premiados a nível nacional.

Eu não sei se a Câmara de Moura tem vergonha que eu tenha sido autarca. Mas eu senti vergonha alheia ao ler a nota, supostamente elogiosa, que a Câmara de Moura me dedica.


 




PANTEÃO NACIONAL - PRÓXIMO DESAFIO

Acaba de sair, no site da Direção-Geral do Património Cultural, a indicação dos novos diretores de um conjunto de museus, monumentos e palácios nacionais.

Concorri, no passado mês de julho, para o Panteão Nacional. Na sequência do concurso, fui designado diretor desse monumento. Ocuparei o lugar a partir do próximo mês de abril.

É um desafio muito interessante, num sítio de prestígio e que considero crucial para a nossa memória coletiva. Apresentei, nesse sentido, um plano de trabalho que agora me empenharei em concretizar, com o apoio dos que ali trabalham e dos outros colegas da DGPC.

Agradeço ao júri e à DGPC a confiança que em mim depositaram.

Bem entendido, Moura, Mértola e a arqueologia continuam em pano de fundo.

Ver - http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/news/museus-monumentos-e-palacios/futuros-dirigentes-dos-museus-monumentos-e-palacios-nacionais/


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

QUANDO NOS REFORMAMOS?

Quando é que estamos velhos? Não me refiro ao bilhete de identidade, mas sim à nossa capacidade de intervir na sociedade. Um político com 70 ou 80 anos está na idade de se reformar? De arrumar as botas e de se "meter em casa"? Não necessariamente. Nem de perto, nem de longe.

Recordo com muita nitidez a imagem de Tierno Galván, alcaide de Madrid, bebendo copos nas discotecas e impulsionando a movida da sua cidade, aos 61 anos. Tal como me lembro muito bem de um exultante Sandro Pertini, com 84 anos, na final do Mundial de 1982, aos saltos na bancada, festejando a vitória de Itália sobre a. Alemanha.

Há mais? Há mais.

Giorgio Napolitano foi um equilibrado e competente Presidente de Itália. Tinha 81 anos quando tomou posse, 90 quando deixou o cargo.

Mohamed Beji Caid Essebsi foi presidente da Tunísia entre os 88 e os 92 anos. Teve um papel importantíssimo na estabilização do país.

Winston Churchill foi primeiro-ministro, pela derradeira vez, entre os 75 e os 79 anos.

Strom Thurmond deixou o cargo de senador dos Estados Unidos aos 98 anos.

Velhos são os trapos. Conheço muitos políticos na casa dos 40 que não dão uma para a caixa, que só repetem as mais horríveis banalidades e que, com voz xaroposa e bem modulada, sabem fazer pose. Já trabalhar e apresentar resultados é que nem por isso.

Ou seja, nem a idade é prova de cansaço, nem a juventude prova de capacidade.

Isto é alguma declaração de intenções? Não é, estou só a dizer.











terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

PAÍS DE BRANCOS COSTUMES

PRETO FDP, berra a bojarda racista na parede da casa de Ibraim Cassama. Ibraim Cassama é um cidadão português que joga futebol num clube de Massamá. Não é a primeira vez que ouço falar dele. Há meses, dedicou-se a um projeto de solidariedade para com futebolistas-não-estrelas a quem a pandemia deixou numa situação miserável. Uma atitude nobre.

Portugal é um país com muita gente racista. A vandalização da casa deste nosso compatriota é (só) mais uma prova de que muita gente na sociedade portuguesa precisa de se ver livre das teias de aranha coloniais. Um combate que, temo, ainda vai ser longo.









MAIS DE 500 AO DIA

Há coisas que não consigo mesmo explicar.

Este blogue, quase um diário pessoal, tem uma média de 400 visualizações diárias. É assim desde há mais de 12 anos.

Subitamente, nos últimos 2 meses, "isto" disparou. Vai claramente acima de 500 visualizações em média. Tem dias de passar as 1.000...

Que se passará? Afinal, 2021 nada tem tido de particular. Salvo a persistente pandemia.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

O PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS

Não há nada como dizer meia dúzia de disparates "disruptivos" para ganhar atenção e notoriedade. O líder de um partido fascista fez isso, meses a fio. Com sucesso. Para não haver exclusivos, um pouco conhecido membro do Parlamento veio agora lançar a ideia de demolição do Padrão dos Descobrimentos. Tornou-se uma "overnight sensation".

O Padrão dos Descobrimentos (a fotografia que uso é de Mário Novais) é um monumento que foi construído, em Lisboa, junto ao Tejo. Foi primeiro uma construção precária, depois ganhou forma definitiva. Foi desenhado por um bom arquiteto, Cottinelli Telmo (1897-1948). E contou com o trabalho de um bom escultor, Leopoldo de Almeida (1898-1975).

Durante muitos anos não teve grande préstimo, além de ali estar, marcando a chegada a Lisboa. Ultimamente, uma inteligente gestão do seu espaço fez do Padrão um local por onde tem passado uma programação de grande interesse que, com frequência, se tem debruçado sobre o passado colonial.

Se gosto do Padrão? Arquitetonicamente, não é genial. Mas é, pelo menos, interessante e tornou-se um ícone de Lisboa.

Se me revejo no elogio da brava gesta dos heróis? Nem por sombras. Mas tem feito mais pela crítica do colonialismo a programação do Padrão que faria qualquer demolição.

Se me parece aceitável a demolição? Sou totalmente contra.  Se formos negar /demolir / destruir tudo aquilo que ofende as nossas convicções e se formos, a cada momento, padronizar o passado à luz dos nossos conceitos atuais, bem pouco sobrará. Estes gestos radicais interessam, sobretudo, os especialistas de fim de semana e, como um dia disse Dali, os "amadores de Arte e de caldos Knorr".

Em relação ao Padrão, bem mais útil é mantê-lo e não darmos pretextos aos saudosistas que querem fazer de cada símbolo um regresso ao glorioso passado.

Ver - https://padraodosdescobrimentos.pt



domingo, 21 de fevereiro de 2021

PREVERENGES - QUATRO ANOS PASSADOS

Uma amiga de Moura colocou ontem esta fotografia no facebook, recordando uma deslocação da Câmara Municipal à Suíça. Uma embaixada local, ao encontro dos nossos emigrantes da região de Lausanne, ocorrida há 4 anos. Soube depois, entre o aturdido e o comovido, que houve quem fizesse mais de 300 quilómetros para ali estar. Foram dois dias muito cheios e muito intensos. Fomos recebidos com calor e amizade e ouvi/vi coisas que não esquecerei.

A fotografia de um presidente de câmara agarrado a uma vassoura, deu origem a vários comentários, muitos deles pícaros (era ano de eleições autárquicas e aquilo poderia fazer parte da "campanha"; não era nada disso, era o a man for all seasons, quando se está faz-se como os demais, não há cá pedestais nem "pessoas importantes", numa atitude que foi, de resto, a de toda a equipa, vereadora, técnicos, acompanhantes, etc.).

O Isaurindo Sempão escreveu depois que eu até me ajeitava com a vassoura. Tenho algumas dúvidas, o talento é fraco, mas a vontade muita e para uma varridela estou sempre disposto a ajudar.

Um curto resumo ficou aqui:

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2017/02/50-horas-em-lausanne.html










SAÚDE - UM EXEMPLO PRÁTICO DE ECONOMIA POLÍTICA

Foi notícia, mas sem causar especial comoção, o episódio de uma cidadã que deu uma queda num hospital privado. Que não a tratou, enviando-a para um hospital público. O que é mais que evidente é a desumanidade da atitude. Não sei se ainda fazem aquela coisa do Juramento de Hipócrates. Se o fazem, não se percebe lá muito bem para que serve.

Na verdade, não recusaram socorro. Disseram que o socorro custava 600 euros (300 para suturas, mais 300 para exames). Estamos esclarecidos quanto ao que querem para o sistema de saúde. Tens dinheiro e tens seguro, tens direito a tratamento. Não tens dinheiro, vai morrer longe. Literalmente.

Para os mais distraídos: é exatamente este sistema que o tal CHEGA advoga. Ou seja, não cabe ao Estado financiar a Saúde. Mas sim arbitrar um sistema totalmente privado. Não é interpretação minha, está escrito.


sábado, 20 de fevereiro de 2021

BEM DIZER POESIA

Dizer poesia é um desafio.

Dizer bem poesia é um desafio enorme e difícil. Digo-o eu e sei do que falo. Porque, com imensa pena minha, é coisa que não sei fazer. Nunca me atreveria (na verdade, aconteceu em dois atos políticos, e com propósitos políticos)...

Gosto de ouvir ler bem, em tom pausado e com boa dicção. E com alma. Como faz Cristina Paiva. Ou Gisela Cañamero. Já me emocionei ao ouvir Paulo Autran dizer o Profundamente, ou Luís Lima Barreto com Deus abandona António, ou o próprio José Manuel Mendes com Mar de Arzila. É preciso ter voz e dicção e alma.

Soa assim, como Luís Miguel Cintra a dizer Ruy Belo:


Está clara a diferença entre "dizer" ou "não dizer", certo?

MUSEU DE MÉRTOLA - NOVA PÁGINA WEB

Há novo site do Museu de Mértola. Um instrumento utilíssimo. Com informações importantes sobre os núcleos que podem ser visitados, sobre a instituição em si, sobre as publicações que ao longo de 40 anos, Câmara Municipal e Campo Arqueológico foram promovendo.

O Património à distância de um clique? Sim. Mértola dando cartas? Sim, também. Mesmo à distância, que é só mesmo a de um clique, vou acompanhando e sentido de perto as coisas.

Telefonei à minha colega Lígia Rafael, a quem dei os parabéns e com quem comentei aspetos técnicos. E a quem deixei um pedido/sugestão: que as publicações sejam colocadas gratuitamente para descarga. Pelo menos algumas. O que se perde em termos financeiros ganha-se em divulgação.

Ver - https://www.museudemertola.pt




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

OS EXTRAORDINÁRIOS BANHOS ÁRABES DE SEVILHA

Parece mentira, mas não é. Ao longo oito séculos, um edifício de banhos da Sevilha almóada (sécs. XII-XIII) esteve à vista de toda a gente, sem que quase não se desse por eles. E digo quase porque há uns anos o sítio já tinha sido identificado. O que é espantoso são as pinturas parietais e, caso mais raro, nas abóbadas. Bem como as mais de oito dezenas de clarabóias. Não é a primeira vez que coisas assim acontecem. Em que se está, anos a fio, a olhar para um sítio, ignorando que temos o passado mesmo à nossa frente.

Em Espanha tem sido notícia de âmbito nacional, telejornais incluídos. Com toda a justificação, diga-se.

Ver - https://elpais.com/cultura/2021-02-16/las-obras-de-un-bar-de-sevilla-desvelan-un-bano-islamico-del-siglo-xii-decorado-en-su-totalidad.html?ssm=FB_CC&fbclid=IwAR2A_O1iBelmC4lfg41xEuCaFk_sS3ggENzaSt-Hw5VCESdopyOr-BtSfhQ



O MANUSCRITO 159 DA CASA FORTE DA TORRE DO TOMBO

Ao recordar, há dias, a velha Torre do Tombo (com uma sala de leitura com 20 lugares e bicha à porta...) contei a um colega este episódio, impensável nos dias de hoje. Não recordo exatamente o ano (1984? 1985?), mas o episódio sim.

Um belo dia, resolvi insistir que havia um dado em falta na publicação de João de Almeida, a tal de 1943. Não sei porquê, mas convenci-me que havia qualquer coisa, também já recordo qual, omissa... Tanto insisti que, às tantas, me trazem da casa forte o manuscrito. Esse!, o original de Duarte Darmas. Que me foi posto à frente, para eu consultar. O arquivista, porventura sensibilizado com o descaramento do jovem estudante (não teria mais que 22 anos), recomendou-me suavemente "tenha cuidado e não demore muito". Não demorei, tive cuidado e pedi depois desculpa pelo lapso, pensando "para a próxima, confirma as coisas devidamente, para não dizeres asneiras".

Nunca contei esta historieta ao Bernardo de Vasconcelos e Sousa ou ao Silvestre Lacerda. Estou a vê-los a lançarem as mãos à cabeça...



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

SEM CÓLERA TE ESPANCAREI...

O HEAUTONTIMOROUMENOS

 

Sem cólera te espancarei, 
Como o açougueiro abate a rês, 
Como Moisés à rocha fez! 
De tuas pálpebras farei, 

Para meu Saara inundar, 
Correr as águas do tormento. 
O meu desejo ébrio de alento 
Sobre o teu pranto irá flutuar 

Como um navio no mar alto, 
E em meu saciado coração 
Os teus soluços ressoarão 
Como um tambor que toca o assalto! 

Não sou acaso um falso acorde 
Nessa divina sinfonia, 
Graças à voraz Ironia 
Que me sacode e que me morde? 

Em minha voz ela é quem grita! 
E anda em meu sangue envenenado! 
Eu sou o espelho amaldiçoado 
Onde a megera se olha aflita. 

Eu sou a faca e o talho atroz! 
Eu sou o rosto e a bofetada! 
Eu sou a roda e a mão crispada, 
Eu sou a vítima e o algoz! 


Beaudelaire e a importância de um bom poema.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

STARDUST MEMORIES Nº. 47: MÉRTOLA E MOURA, EM 2001

Foi o Paulo Brites quem me mandou o link de um programa televisivo da primavera de 2001. Já lá vão 20 anos.

Tenho uma vaguíssima ideia do programa. Mas lembro-me bem do contexto em que trabalhava. Eram infindáveis levantamentos e medições do que viria a ser o volume 3 da minha tese. Muitos temas ficaram para trás, no meu trabalho, outros são abordados esporadicamente, outros ainda irão ser retomados um dia.

O Património e o Mediterrâneo sempre na linha do horizonte.

Ver: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/alentejo-profundo/?fbclid=IwAR3ZewO5lzW42W7VMYhSzBmjb8-Ad28ZaXmLanhAWLEBc09uEB-2fG_il4w



 

PRESIDENTE, À LA MANIÈRE DE FRANCE...

O telefone tocou anteontem à tarde "boa tarde, presidente, como está?". Dei uma valente gargalhada e respondi "não é comigo que você quer falar". Ouço um pedido de desculpas. Volto a gargalhar "não tem importância nenhuma, mas o meu nome é Santiago; oh pá, mude lá isso". Seguiu-se uma curta conversa de trivialidades, a saúde, a família, etc.

Foi a segunda vez com a mesma pessoa, nos últimos meses. Caramba, ao fim de quase quatro anos...

Só me lembrei de França, onde o tratamento se mantém, ao longo da vida (mas apenas nos que habitam o Eliseu): "une fois President, toujours President".

Em pose de quem dirige, mas é só pose carnavalesca.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

ENRIQUE ROMERO SANTANA: DE LEPE PARA CHICAGO

Foi de modo completamente fortuito que fui dar à obra hiperrealista de Enrique Romero (n. 1947). Um trabalho cenográfico de grande interesse e maior reconhecimento. Realidades que se cruzam e se refletem, e vão mais além do registo fotográfico.

Os hiperrealistas (Ernest Meissonier não conta...) já por aqui passaram: em 11.2.2014. e em 13.1.2020. Em tempos que já lá vão tinha um gabinete com um quadro desses mesmo à entrada do local onde trabalhava.






















Chicago River from Madison Bridge - 2001

O COVID É PERIGOSO? O VÍRUS DA ESTUPIDEZ, ENTÃO...

Custa a crer, palavra de honra...

Um canal televisivo resolve lançar um programa informativo e anuncia-o, orgulhosamente, como A noite das facas longas. Vão participar dois políticos. Vai moderar um antigo jornalista do "Expresso".

“Como o próprio nome indica, a ideia é fazer um programa que fale dos bastidores, que espreite por trás da cortina, que analise com liberdade os temas e com opiniões que não represente as dos partidos”, explicou Anselmo Crespo.

Como o próprio Anselmo Crespo indica, dar um nome destes a um programa televisivo é sinónimo do mais completo analfabetismo histórico.

"A Noite das Facas Longas" foi uma operação de limpeza dentro do Partido Nazi. Ocorreu na noite de 30 de junho para 1 de julho de 1934. O alvo principal foi Ernst Röhm, outrora o principal aliado de Hitler. Na purga foram eliminados centenas de pessoas.

Que a TVI, com a complacência de dois comentadores e de um moderador, dê um tal nome a um programa é um (mau) sinal dos tempos.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

CARNAVAL SEM CARNAVAL

Memória dos carnavais recentes.

2021 é ano de interregno. Teremos que retomar, pois claro. É que isto faz mesmo falta. O melhor é preparar já 2022.

2020 - No Tapas


2019 - No Pavilhão da Comissão de Festas

2018 - No Dallas

2017 - No Tarro


2016  - No Tapas



domingo, 14 de fevereiro de 2021

A TAÇA DAS BARRACAS

Quem tiver menos de 58/60 anos não perceberá o significado da expressão "para o ano vais jogar na taça das barracas". Nos anos 60, havia três competições europeias de futebol, ao nível dos clubes:

A Taça dos Clubes Campeões Europeus;

A Taça dos Vencedores de Taças;

E a Taça das Cidades com Feira (que depois deu origem à Taça UEFA), onde participavam equipas que não ganhavam o campeonato, mas ficam nos lugares imediatos. Porque das Cidades com Feira? Porque podiam participar equipas de cidades com feiras de comércio. Feiras, logo barracas...

Ou seja, quermecá parecer que este ano nem à taça das barracas...



MOURA: ORGULHO EM NÓS, NUM FILME DE 2014

O filme data de janeiro de 2014. Tem um pouco mais de 7 anos. Nele se refletem vários projetos apoiados pelos fundos comunitários e pelo Turismo de Portugal: O que se vê? O Museu Gordilho, o Jardim das Oliveiras, o Castelo e a Torre de Menagem, a Mouraria, a Igreja do Espírito Santo, a Igreja de S. Francisco, os Quartéis, o Lagar de Varas e o Pátio dos Rolins. Um conjunto de sítios onde houve intervenções, concluídas entre 2011 e 2017.

Orgulho em nós? Sim, naquilo que é a nossa terra e naquilo que nela conseguimos concretizar.

Foi fácil? A facilidade e a dificuldade não são valores absolutos. Dependem do conhecimento que se tem e do empenho que nas coisas se põe.




sábado, 13 de fevereiro de 2021

TÃO BOM QUE ISTO ERA...

A entrevista do arq. Gonçalo Byrne ao "Expresso" é muito interessante. Não sendo exatamente um documento biográfico tem dados importantes. Sobre a arquitetura e sobre muitos outros temas. O murro no estômago chega à quinta pergunta:

Que vida era a de uma criança naquele tempo e naquela região [1947/48, Canas de Senhorim]?

(...) Os meus colegas da escola primária, tirando alguns que eram filhos de engenheiros da mina, eram os habitantes locais, numa altura em que havia fome. A miséria era muita. Lembro-me de colegas que iam descalços. Às vezes iam de calções e levavam no bolso calhaus enrolados em papel de jornal. Deixavam-nos durante a noite no braseiro da lareira onde cozinhavam e de manhã estavam quentíssimos. Enrolavam-nos e punham-nos nos bolsos para aquecerem e manterem as mãos quentes.

Tão bom que isto era... Que fantástico era viver durante o governo de Salazar... Que curta é a memória de alguns...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

UM AMIGO A MENOS

Não pude deixar de notar, nas redes sociais, as inúmeras mensagens de pesar pela partida de António Patinhas. Um mourense discreto e cordial que, durante muitos anos, conheci apenas de longe. O Toi seguiu, como tantos e tantos, os caminhos da emigração. Quem vive fora, sabe o que custa estar sempre fora. Quando esse fora se multiplica por milhares de quilómetros, deve ser muito pior.

Finalmente regressado, dedicou-se à vida empresarial. Depois a uma merecida reforma. Foi nos anos em que estive em Moura que conheci melhor o Toi. Inúmeras vezes nos cruzámos. Um homem tranquilo e sempre positivo. Que fazia da boa disposição um modo de vida. O seu "senta-te lá aqui, não abales já" era-me familiar. Ali se ficava, quase sempre à do Jorge, em conversa calma, entrecortada por gargalhadas.

São dias estranhos e negativos, estes por que passamos. Na próxima vez que andar por lá, encontrarei os seus parceiros habituais, o Mário e o Finha. E a Ana, claro. Mas o Toi Patinhas já lá não estará. E o convívio dele faz-nos falta. Como todas as pessoas que valem a pena.

Que dias tristes estes. Que tempos dispensáveis estes.




 



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

MORMAÇO

Ontem de manhã, na Antena 2, passou Adélia Prado (n. 1935). Uma poesia longínqua e, decididamente, não-portuguesa. Este seu poema, talvez pelo mormaço, lava pra longe. Ao lê-lo só me ocorreu São Luís do Maranhão. Não sei explicar porquê, mas foi a única cidade de que me lembrei.

Choveu toda a santa manhã, entre Mértola e Lisboa, sem parar. Precisamos do mormaço, abrandando ou não.

Fragmento
Bem-aventurado o que pressentiu
quando a manhã começou:
não vai ser diferente da noite.
Prolongados permanecerão o corpo sem pouso,
o pensamento dividido entre deitar-se primeiro
à esquerda ou à direita
e mesmo assim anunciou o paciente ao meio-dia:
algumas horas e já anoitece, o mormaço abranda,
um vento bom entra nessa janela.




TEXAS

Estava a passar num canal televisivo um filme sobre Lyndon Johnson, ontem à noite. O "colorido" da linguagem de LBJ fez-me encolher os ombros "é do Texas...". Depois, contei a uma amiga a forma como, há já muitos anos, os passageiros foram recebidos pelo comandante do voo da Continental, de Nova Iorque para Dallas. "Sejam bem-vindos a bordo"? Frio. "Boa noite, senhores passageiros"? Gelado. Apenas e só "good evening, folks", algo como "boa noite, rapaziada". Já não estranhei quando, no dia seguinte, uma colega texana desafiou um grupo para bebermos um copo. Ante o assentimento generalizado, manifestou o seu júbilo como se estivesse a reunir gado "iiiiiiiiiihhhhh ááááááá´".

Viva o Texas.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

STARDUST MEMORIES Nº. 46: À ENTRADA DA ESCOLA INDUSTRIAL

A fotografia data de 1964 ou 1965, muito provavelmente. Curiosamente, tenho mais facilidade em reconhecer os mais velhos que os mais novos. Do Dr. Maltez tenho uma vaguíssima ideia. Recordo o pesar profundo com que foi recebida a notícia do seu falecimento. Reconheço ali o Eng. Manso, o sr. Pina, a Cidália Estevas, o José Maria da Mouca, o sr. arquiteto (nunca soube o nome dele, apenas que era de Fialho e tinha um carocha) a minha tia Elisa, a minha mãe...

Nesta altura, teria 1 ou 2 anos. Fui-me habituando aquela casa e aos seus rituais, durante alguns anos. A que a minha mãe me entregasse às alunas mais velhas. A que "contratasse" os mais velhos para irem andar nos carrinhos de choque comigo, na altura da feira. Nunca ali estudei, nem ensinei. Mas é um sítio que faz parte das minhas memórias pessoais mais remotas.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

GUERREIROS E MÁRTIRES - ON LOCATION

A pandemia não desarma. Nós também não. Hoje, mais entrevistas e mais filmagens em "Guerreiros e Mártires", no Museu Nacional de Arte Antiga. Para a RTP e para as redes sociais do próprio museu. Quando isto acabar ainda escrevemos uma saga.

"Uma exposição tão bonita, é uma pena ter que estar fechada...", comentava um desconsolado técnico do MNAA. Pois, é a vida, lá dizia o outro senhor.



domingo, 7 de fevereiro de 2021

O MISTÉRIO DOS PAINÉIS

Artigo importante de José Alberto Seabra Carvalho, hoje no "Público". A última frase do texto resume o essencial da questão: "passado mais de um século, o enigma permanece praticamente inalterado". Quem pintou, quando pintou, para onde forma pintados, quem lá está representado? Descobertos em 1883 numa sala de S. Vicente de Fora e publicados pela primeira vez por José de Figueiredo, em 1910, têm sido objeto de um permanente interesse e estudo. Muitas dezenas de trabalhos se lhe têm dedicado.

O historiador não menciona, no seu artigo, o documentário de Manoel de Oliveira. Ainda bem.

O Museu Nacional de Arte Antiga volta ao restauro dos Painéis. A partir de terça-feira haverá o site que acompanhará este processo. Que conta com o apoio mecenático da Fundação Millenniumbcp e que será divulgado pelo "Público".

A apresentação do projeto é pública:

https://www.publico.pt/aovivo/detalhe/apresentacao-paineis-s-vicente-casa-restauro-44



sábado, 6 de fevereiro de 2021

OCIDENTOCENTRISMO - VERSÃO VACINA

"Despenhou-se um Tupolev, de fabrico soviético". Quando ocorria uma tragédia, era este o mote das notícias, nos anos 60, 70, 80... As agências noticiosas eram agências de propaganda. Não me recordo de alguma vez ter lido "caiu um Boeing 737, de fabrico americano".

Num tempo em que rareiam os jornalistas - estão cada vez ao serviço dos grandes interesses económicos... - volta-se à carga, agitando velhos fantasmas. Durante meses, vi serem postas em causa as vacinas anti-covid, que resultaram da investigação de cientistas russos e chineses. Agora, com a bênção ocidental, "parece que são fiáveis", leio, divertido, aqui e além.

Se não resultasse lá teria que ler "falhanço das vacinas de fabrico soviético, perdão russo".





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

A CHUVA, ENTRE VERLAINE E PESSOA

O meu amigo Jorge Liberato pôs ontem, no seu facebook, um poema de Fernando Pessoa, que cita outro, de Paul Verlaine. Ambos já por aqui andaram. Recupero agora o de Verlaine, na tradução doce de Manoel Bandeira. E com uma fotografia de Havana, por Keith Cardwell.

Chora em meu coração

Chora em meu coração

Como chove lá fora.

Que desolação

Me aperta o coração!

 

Oh a chuva no telhado

 Batendo em doce ruído!

Para as horas de enfado,

Oh a chuva no telhado!

 

Chora em ti sem razão,

Coração sem coragem.

Se não houve traição,

Teu luto é sem razão.

 

Certo, é essa a pior dor:

O não saber por que

Sem ódio e sem amor

Há em mim tamanha dor.




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

XLV - CRÓNICAS OLISIPONENSES

Hoje, às 8:40, ouvi numa estação de rádio uma frase que me pareceu de outros tempos: "o trânsito está a fluir com dificuldade no Batista Russo". Achei a frase "otimista". Quantas pessoas saberão hoje onde é o Batista Russo?

O nome oficial era Rotunda de Cabo Ruivo, na interseção das Avenidas Infante D. Henrique e Marechal Gomes da Costa. A presença imponente de um stand e oficina de automóveis BMW fez com que, durante décadas, o local fosse conhecido como a Rotunda do Batista Russo. O edifício era/é marcante, e a arquitetura original, de Joaquim Ferreira (1911-1966), bem melhor que o lifting dos nossos dias.

Ampliando a fotografia surgem detalhes de um mundo desaparecido:

* Um logotipo antigo da MOBIL;

* Uma agência do Totta & Açores;

* Uma cabine telefónica em amarelo e vermelho (as cores estão lá, juro);

* Uma paragem de autocarro, devidamente coberta;

* Um Hillman (pelo menos, parece...).







O FIM DO FASCISMO COMEÇOU HÁ 60 ANOS

No meio de todas as contradições do fascismo, que mais cedo ou mais tarde cairia, a luta de libertação dos povos africanos revelou-se decisiva para a nossa própria libertação. A data crucial foi o dia 4 de fevereiro de 1961. Quando se rebelaram contra o regime colonial os trabalhadores da COTONANG (Companhia Geral dos Algodões de Angola). O que se seguiu é bem conhecido de todos.

Faz hoje 60 anos.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

O FRACO REI FAZ FRACA A FORTE GENTE

Camões? Sim, Camões. Os clássicos dão sempre grande ajuda a enquadrar o mundo e são um auxílio decisivo para se perceberem as coisas. A quem se refere esta passagem do Canto III dos Lusíadas? A D. Fernando, “o brando, remisso e sem cuidado algum”.


O exercício do poder reflete o que as pessoas são. E reflete-se nas pessoas sobre as quais se exerce. Houve, na nossa História, monarcas e dirigentes como aqueles que Camões caracteriza. De reis fracos e hesitantes tivemos alguns exemplos na nossa História. D. Fernando sem dúvida que foi um deles. Poderíamos juntar-lhe D. Afonso VI, que acabou os seus dias destituído da coroa, num exílio interno forçado e à margem do mundo. Ou o bizarro e dúbio D. Sebastião. De sexualidade equívoca, perdido em delírios e alucinado com a grandeza imperial, atolou o País na tragédia de Alcácer Quibir.


Ser historiador levou-me, muitas vezes, a pensar sobre estas realidades. E a escrever uma par de vezes sobre elas. Ao longo dos anos, uma convicção se me foi firmando. Precisamos de palavras e de ação e não de conversa e de propaganda. Porque os que só falam e dizem que vão fazer e que “agora é que vai ser”, nunca daí passam. Não é, nem será, porque não sabem fazer nem para tal estão preparados.


Nesse sentido, quem nos fez falta? O Marquês de Pombal mais que Frei Manuel Pereira, Fontes Pereira de Melo muito mais que João Franco, o Conde de Castelo Melhor muito mais decisivo que o Cardeal da Mota. De que precisamos? De ação, de empreendimentos e de iniciativas. De menos cortinas de fumo, de menos fuga à responsabilidade (a culpa é sempre “dos outros”…), de menos conversa fiada dos que estão contra Lisboa quando falam no Alentejo, e que estão pacatamente com Lisboa quando se tomam decisões importantes.


Lembro-me sempre, quando olho para fracos dirigentes, de um documento do século XVI, transcrito no texto "Auto d'uma posse do Castello de Noudar e inventário do que lá existia no século XVI", publicado por Pedro de Azevedo. Em vez de apresentar soluções, o novo alcaide fazia um relato catastrófico do que o antecessor supostamente lhe legara. Quaisquer paralelos com a realidade atual não são coincidência. É um clássico da política do truquezito. Primeiro, fazem-se promessas irrealistas. Depois, já no Poder, age-se à Luís D'Antas, o tal alcaide de Noudar: afinal não pode ser, porque isto estava tudo espatifado. E precisamos de auditorias, porque é preciso sabermos tudo... E embrulha-se tudo na suspeita, que é sempre a melhor solução quando não se tem solução concreta para os problemas. E adia-se, uma vez e outra, entre festas e festarolas e promessas e mais promessas.


São assim os reis, os ministros, os autarcas que fazem pela vida. Que não resolvem. Que se perdem em desculpas e em propaganda. E que fazem fraca a forte gente.


Crónica em "A Planície"



















Um rei fraco, na obra de Cristovão de Morais


terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

NEM LUZ NEM COR NEM CALOR

Começa fevereiro e deveria ter ido a Mourão e não fui. Em 2020 estive na Festa da Senhora das Candeias e estava longe de imaginar o cenário dos dias de hoje. Não sei o que é mais estranho, se a rapidez dos percursos (de casa à faculdade em 10 minutos, só em sonhos), se as ruas quase desertas, se o ar de incerteza. Nunca tinha passado um inverno assim em Lisboa. Hoje cheguei cedo, num dia de luz fraca e saí já a noite chegara a Lisboa.

Dei comigo à procura de cor. Fui cair na arte degenerada dos expressionistas. É o contrapeso certo a este começo de fevereiro. Taciturno, mas com a família por perto, e bem. Valha-me isso.

Este Dr. Rosa Schapire foi pintado em 1919 por Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976). Está hoje na Tate, em Londres.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

MOURA - CIDADE HÁ 33 ANOS

A CDU encontrou esta fórmula original de celebrar os 33 anos da elevação de Moura à categoria de cidade. Antes que comece a lamúria do costume - o que é que ganhámos com isso? etc. - conviria recordar que a categoria de cidade é honorífica. Nada mais.

Muito mais importante é recordar o decisivo papel que a CDU teve na transformação de Moura, entre 1979 e 1989 e entre 1997 e 2017. Aqui se deixam 33 exemplos - um por cada ano - e muitos mais tiveram que ficar de fora. Acompanhei de muito perto, entre 1993 e 2017, esse processo. E participei, com orgulho, em várias intervenções aqui listadas.

Foram tempos de trabalho e não de propaganda (às vezes, de menos, admito). E em que alcatroar ruas não era apresentado como imagem de desenvolvimento local.

domingo, 31 de janeiro de 2021

CORONAVÍRUS: INFORMAÇÃO NA RÁDIO RENASCENÇA

Já agora, e como este blogue tem umas largas centenas de leitores diários, aqui fica o sítio onde melhor e mais atualizada informação se encontra sobre a evolução da pandemia em Portugal:

https://coronavirus.rr.sapo.pt - ver aqui (Rádio Renascença) informação detalhada e rigorosa.



MOURA NA OBRA DE DIOGO MARGARIDO

É um nome pouco conhecido, o deste fotógrafo nascido no Escoural, em 2.2.1932. Tem vindo a ser descoberto aos poucos. Vantagens do facebook (tem algumas...), a sua página Fotógrafo Diogo Margarido - https://www.facebook.com/FotografoDiogoMargarido - tem imensas fotografias de grande qualidade. Encontrei quatro (haverá outras, provavelmente), referentes a Moura. Todas datadas de 1958. São peças de grande valor documental e de elevada qualidade plástica. Gosto especialmente do toque grego dos gatos e dos vasos de flores expostos, numa casa do castelo (ainda as havia) ao jeito de festão ou de uma grinalda, como se de um templo clássico se tratasse. São imagens de um mundo diferente e já longínquo. Aos saudosistas - tanto que nós perdemos (nunca percebi exatamente o que é que perdemos dessa Moura dos anos 50 ou 60...) - chamo a atenção para um detalhe: as crianças descalças, numa das fotografias. Tantíssimo que nós perdemos, de facto...







sábado, 30 de janeiro de 2021

NÃO É POR MAL? NUNCA É POR MAL...

Li hoje um importante e sentido texto de Eunice Tiago. Conheço bem a família da Eunice, que é da Póvoa da S. Miguel, e sou amigo de muitos dos seus parentes. Um deles contou-me, há não muitos meses, os ataques e as piadas racistas que sofreu, quando estudava na Secundária de Moura. Fu que fui buscar ao instagram e aqui reproduzo, ipsis verbis:

São os ciganos agora, mas há 44 anos atrás, se com o meu avô tem vindo metade da minha família negra para a Póvoa S. Miguel não seriam os ciganos, mas seriamos nós, os pretos. 
Porque lá está , tem que haver um bode expiatório. 
O meu avô é branco e a minha família paterna direta é 50% negra e 50% branca. A minha mãe também é "branca", mas toda a vida fomos os pretos. 
Eu sou filha do Luís preto (que muito me orgulho), os meus primos são filhos do X preto. 
Não somos filhas da Manuela...somos filhas da Manuela que está casada com o Luís preto. 

É duro pessoas, mas é isto. 

Nós damos de barato, porque " há não é por mal".

Pessoas: por bem não é. Já é hora de pararmos com estes epítetos raciais. Acho eu. Não sei...

Já agora o nosso apelido é Tiago. 

E tenho muitas mais histórias de quando os meus avós chegaram à Póvoa depois da guerra, que vos arrepiavam os cabelos. 

Mas vamos ás que eu vivi:
O meu filho nasceu branco, é loiro. 

Ás vezes em tom retórico (porque não creio que esperem resposta a este tipo de perguntas) dizem-me: "aiii o menino tão branquinho, não sai à mãe, não?" ao que respondo em tom de ironia e escárnio "pchiuuu, pulei a cerca! Não contem ao pai dele." E as pessoas riem-se, mas não se mancam. 

Numa feira de Natal, há cerca se 1 ano, uma senhora da Póvoa que conheço (com uns 50 e poucos anos) disse-me: 
"aiii tão lindo o menino, ainda bem que nasceu branco."
Ao que indaguei incrédula: "então porquê Dna não sei das quantas?! eu gostava muito que ele fosse molatinho se tivesse que ser." 
Ao que ela responde:" cá agora! O rapaz havia de ser mais bonito preto não?!"

Eu achei que não valia a pena a conversa...Quem estava comigo e presenciou isto, só olhou para o chão também sem querer acreditar nesta conversa.

Ofensas comuns, não fazem muito parte do meu reportório de criança/adolescente. Para me ofender (pensavam) bastava o preta de merda ou preta do caralho, volta para tua terra. 

Eu nasci aqui, sou tão portuguesa como outro português qualquer.

Posso contar muitas mais...mas por agora CHEGA!

Mais explícito não podia ser. 




O que é que a fotografia mostra? Um célebre episódio, ocorrido em St. Augustine (Florida, EUA), em junho de 1964. Basta procurar no google algo como MONSON POOL EPISODE...