quinta-feira, 4 de junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
DAMNATIO MEMORIAE
Ao ler os documentos do Panteão Nacional não pude deixar de ficar intrigado com a ausência do nome do arquiteto que finalizou o projeto da cúpula (Luís Amoroso Lopes) nos textos que assinalam o final dos trabalhos. Que se terá passado para tão drástico esquecimento? Alguém disso se encarregou... O tempo se encarregou de remeter ao anonimato quem o quis apagar. Hoje é o nome do arquiteto que surge quando se fala do monumento e não o de outras pessoas.
A expressão que me ocorre é “damnatio memoriae”. Significa “condenação da memória”. Equivalia, em Roma, a apagar qualquer traço ou vestígio que pudesse lembrar uma pessoa que tivesse sido votada ao esquecimento. Como se ela nunca tivesse existido.
A História é fértil em episódios assim. Um dos meus preferidos é o da lápide mandada fazer para assinalar a construção de uma torre no castelo de Silves, no verão de 1227. Quem veio a seguir, mandou apagar o nome do construtor. Uma atitude banal. E tão menor quanto banal.
Na terceira linha da inscrição foi, como se pode ver na imagem, intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que o arabista Lévi-Provençal identificou como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yaqub al-Mansur. Especula-se que o nome do construtor possa ter sido mais tarde apagado por ordem de Ibn Mahfuz, que ali se rebelou contra os almóadas.
Esta tentação de apagamento da memória é tanto mais intencional e violenta, quanto menores são os autores das perseguições. Tal como Ibn Mahfuz tentou apagar a memória de quem o antecedera e tinha construído a torre, há sempre pequenos protagonistas e autores menores que se esforçam por apagar o passado. Como se a História tivesse começado com eles e antes deles nada houvesse. Ora, quem estuda História, como é o caso do autor destas linhas, sabe muito bem que as coisas não são assim.
É sempre uma luta de polos opostos. Entre as atitudes positivas e as negativas. Entre escrever e apagar a escrita. Entre a construção da memória e a sua destruição. Entre o que tem luz e o que a não tem. Como nos filmes, nas óperas, nos bailados de final feliz, em que o bem triunfa sobre o mal, também nas tentativas de apagamento da memória é a verdade que teima sempre em triunfar. É tudo uma questão de tempo e de não se deixar que a memória do passado seja apagada.
Crónica em "A Planície"
domingo, 31 de maio de 2026
NOVE REPETENTES
Faz hoje 65 anos que o Benfica conquistou, pela primeira vez, a Taça dos Campeões Europeus. Dos nove bicampeões restam vivos dois: Mário João e José Augusto.
Alberto da Costa Pereira (1929-1990) Mário João (n. 1935) |
Germano de Figueiredo (1932-2004) |
Ângelo Martins (1930-2020) |
Fernando Cruz |
José Augusto (n. 1937) |
José Águas (1930-2000) |
Mário Coluna (1935-2014) |
Domiciano Cavém (1931-2005) Vem isto a propósito da final de ontem. Cada vez mais as equipas multimilionárias mandam nisto tudo. Veja-se a origem dos campeões das últimas 10 edições: Espanha - 4 Inglaterra - 3 França - 2 Alemanha - 1 Clubes vencedores - 6 Creio ser mais ou menos evidente que um Estrela Vermelha, um Steaua ou mesmo um Porto são coisas irrepetíveis. É pena, mas é assim. |
quinta-feira, 28 de maio de 2026
SACO AZUL
É uma expressão cuja conotação cromática sempre me escapou... Seria por causa do papel selado, que era azul? [o que será papel selado, perguntará um leitor mais jovem que por aqui passe] O significado era bem claro: o de uma contabilidade paralela, de dinheiro "escondido" ou oficialmente inexistente. No Brasil diz-se Caixa 2.
Hoje em dia, o sentido praticamente desapareceu. Tudo se tem tornado mais sofisticado. Acho que foi por isso que me lembrei do "saco azul".
segunda-feira, 25 de maio de 2026
SARDINHAS 2026
É uma das iniciativa das EGEAC - Lisboa Cultura de que mais gosto. Estre concurso das sardinhas tem um sucesso impressionante - e à escala global (3.128 propostas de 66 países).
As (cinco) vencedoras deste anos são, todas elas, excecionais. Mas, de entre as cinco, a minha preferência vai para o azulejo, de Martín Narciso.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
MANUEL BRAVO
JORGE JESUS
segunda-feira, 18 de maio de 2026
AO BRUNO MONTEIRO
Foi com muita pena com soube da saída do Bruno Monteiro da atividade política. Fico com a esperança que não seja de vez e para sempre. Como, aliás, lhe disse ao telefone durante a tarde de ontem.
Conheci o Bruno em 2013, quando foi candidato à Junta de Freguesia. Um candidato-surpresa que ganhou a Junta para a CDU. Foi, durante 12 anos, um brilhante autarca. Sei do que falo, porque acompanhei de perto o seu percurso. Em particular entre 2013 e 2017, quando foi Secretário da Vereação. Um lugar que desempenhou com profissionalismo e seriedade. E com um estilo próprio e pensando pela sua cabeça. Não era um yes-man. "Olha lá, boss [era esse o tratamento que me reservava], não estou de acordo contigo". Assim se forjou uma amizade, franca e leal, que já vai em mais de uma década.
Ir ao Sobral passou a ser "estar com as pessoas de lá". Passei a ser presença assídua em muitos momentos, sempre com ele, enquanto presidente da junta, a enquadrar-me no sítio e a apresentar-me a toda a gente. Fazendo, no fundo, com que passasse a sentir-me em casa. Foi isso que aconteceu, mesmo depois de eu ter deixado a presidência da câmara.
Trabalho, dedicação e inteligência marcaram esse percurso. Em mais de uma década de presidência construiu um caminho, procurando soluções, inovando, fazendo a diferença e liderando. Foram muitas as intervenções, as obras concretas, numa presença permanente e em diálogo aberto. Mesmo com os que combateram de forma desleal. No momento em que, por razões de ordem pessoal, deixa a presidência da Assembleia de Freguesia, faço questão de deixar aqui este testemunho. Nada que o Bruno não saiba, mas há coisas que vale a pena escrever. Até porque espero que este possa não ser o capítulo derradeiro. O concelho de Moura precisa de homens como ele. Que façam a diferença e que façam mais do que a banalidade a que assistimos.
Tal como ontem dissémos "até ao S. Pedro, se não for antes".
domingo, 17 de maio de 2026
AMOR MÍO...
Amor mío é uma das canções que cantava e de que mais gosto. Uma canción por bulería cheia de sentimento e de palavras com alma.
Arriscaria dizer que era praticamente desconhecido em Portugal. Chamava-se José Domínguez Muñoz (1944 – 2026), mas era conhecido como El Cabrero. Que o era, de facto. Nasceu em Aznalcóllar, uma vila perto de Sevilha. A serra era o seu mundo. Anarquista, esquerdista, irreverente e pouco respeitador do status quo, teve problemas recorrentes com o Poder. Grande Homem!
A sua voz é, sem exagero, uma das mais importantes da cultura mediterrânica. Ele era O flamenco. Ouça-se aqui: https://www.youtube.com/watch?v=OuO-PudhAw8
sábado, 16 de maio de 2026
JOÃO ABEL MANTA
Dir-se-ia eterno. É-o, de certo modo. João Abel Manta (1928-2026) foi/é uma figura mais marcante do que a rapidez das coisas permite que se entenda. Foi o mais importante e comprometido desenhador da Revolução.
Este desenho, de 1972, está mais atual que nunca. A eternidade é isso.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
PORTUGAL ATLÂNTICO
quarta-feira, 13 de maio de 2026
INÊS D'OREY
Foi uma escolha declaradamente pessoal. Refiro-me ao convite feito a Inês d'Orey para fotografar o Panteão Nacional. Quase parece contraditório que uma artista por vezes tão despojadamente "nipónica" seja desafiada a abordar o barroco e o neo-barroco do monumento.
O interesse da proposta está aí. E acredito num grande resultado final.
terça-feira, 12 de maio de 2026
ALMA MINHA...
O jornal "Expresso" lançou um conjunto de quatro livros com poemas de Camões. São, em grande maioria, sonetos. Tiveram a boa ideia ideia de filmar atores, cantores, declamadores, interpretando poemas. As imagens andam pelas redes sociais, e o conjuto do que foi filmado pode ser visto no Panteão Nacional.
Interpretação preferida? Esta, dolorida, de Sofia Alves.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O CHIC-NIC
· Que um jardim público seja privatizado, ainda que por umas horas, para usufruto de uns quantos;
· Que o acesso ao local seja, por isso, limitado;
· Que o evento tenha financiamento público (75.000 euros), daí resultando que o que a todos pertence só para alguns reverta;
· Que não haja um mínimo de sensibilidade social e se passe ao lado dos problemas do mundo real (numa cidade, a capital, de está de pernas para o ar);
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O POEMA DO DIA
7 de maio
Negra negríssima ilha
sobre a pedra negra acendem-se os lampiões
ratos enormes cruzam a latrina
detêm-se a ouvir o megafone
olham-nos nos olhos sem pressa
depois partem calmamente.
Carneiros esfolados pendem
sobre o nosso sono.
Poema de Yannis Ritsos (1909-1990), no livro "Diários do exílio", traduzido por José Luís Costa e por Rui Miguel Ribeiro. A fotografia é de Edgar Martins (n. 1977), da série Siloquies and Soliloquies on Death, Life and Other Interludes (2016)
sábado, 2 de maio de 2026
O DESPOVOAMENTO DO "INTERIOR": DO SÉCULO XVI ATÉ AOS NOSSOS DIAS
A cópia (melhor dizendo, o rascunho) do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas está na Biblioteca Nacional de Espanha. Está classificado como manuscrito MSS/9241 e pode ser consultado online: https://bnedigital.bne.es/bd/es/viewer?id=bf5fbebc-a7d6-4e49-9bb8-a9edcb68bbc3 . Foi o que fiz ontem à tarde, cotejando informações "laterais".
Uma das notas mais curiosas reporta-se à fortaleza de Portelo, no concelho de Montalegre. Anota Duarte Darmas o abandono do sítio (nem o alcaide ali vivia...):
"Alcayde nom no vy por que achey a fortaleza soo sem ningem".
Portelo faz fronteira com Espanha. Ficava a 370 quilómetros da capital do reino. Em 2011 a freguesia de Padornelos tinha 124 habitantes. O abandono é antigo.
Ver fotografia atual do sítio em:
quinta-feira, 30 de abril de 2026
CHICa maroca
"Uma pouca de chica maroca" era a expressão usada noutros tempos para classificar algo que não valia nada. Numa versão mais forte, ganhava equivalência escatológica.
Um chicnic? (querendo ser chique, o nome é poroso) Privatizando espaço público?? Com dinheiros públicos? Com que direito?
A imagem representa um chicnic com Maria Antonieta. O último não correu lá muito bem. Foi na Praça da Concórdia...
segunda-feira, 27 de abril de 2026
ÉVORA 27
Espero, ardentemente, estar enganado (espero mesmo, porque sou alentejano e não gosto de ver a região com imagem negativa), mas a suspeita que tenho é que isto não vai correr mesmo nada bem. Falta pouco mais de meio ano e a indefinição é mais que muita.
Veja-se a iniciativa “À mesa é que a gente se entende”, que reúne à mesma mesa os artistas que integram a programação de Évora_27 e as populações de todos os concelhos do Alentejo Central e principais cidades alentejanas. Não sei o que se entende por principais cidades alentejanas. Não estão as dos distritos de Portalegre e de Beja... Portanto é só o Alentejo Central, não o Lateral.
sábado, 25 de abril de 2026
MAR DE ABRIL
Um mar de gente e um mar de juventude na Avenida da Liberdade.
O 25 de abril, o dos cravos vermelhos está vivo. Valha-nos a juventude. E mais o entusiasmo deles.
Isto poderá dar muitas voltas. Ao ponto de partida já não volta.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
EQUUS
O cavalo (Natália Correia)
Teus poros exalam o fumo
Do lar dos deuses de onde vieste.
Rompante de espuma e de lume
És sol quadrúpede ou mar equestre?
Desfilando derramas o ouro
Do teu rio inacabável,
Desmedido relâmpago louro
De um deus equídeo possante e frágil.
Tudo existiu para que fosses
No contraluz desta madrugada
Mitológica proporção perfeita
Em purpúrea bruma recortada.
Pois que te é divino mister
Humanos olhos extasiar
A dúvida é só perceber
Se vieste do sol ou do mar.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS
Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.
A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.
Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.
Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.
O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.
sábado, 18 de abril de 2026
MÔDE??? MONDE???
No outro dia dei comigo a pensar em palavras e expressões "que se vão perdendo". Que não fazem sentido nos nosso dias, ou que foram cilindradas por novos usos, pelas redes sociais, pela padronização da estupidez televisiva...
Subitamente, apareceu-me uma expressão quye não ouço há décadas. E que a minha avó Joaquina do Ó Ferreira (1909-1975) usava: môde [por mor de... por causa de...]. O uso era quase sempre interrogativo: "atão isso é môde quê?". Noutras pessoas ouvi o môde passar a monde. Na minha juventude ainda se usava, já mais em tom de brincadeira que outra coisa. Hoje em dia, diria que desapareceu.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
MOURA EM SANTA ENGRÁCIA
Terminou há pouco a missa solene, na Igreja de Santa Engrácia (na Calçada dos Barbadinhos, não no monumento do Campo de Santa Clara), celebrada por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa.
Fui convidado, pelas funções que atualmente desempenho. O momento mais emocionante ocorreu(-me), perto do final. O coro interpretou a Nossa Senhora do Carmo, adaptada, claro está, a Santa Engrácia. Fiquei contente por uma pessoa vir ter comigo, por saber que sou de Moura. E mais contente fiquei por saber que o autor de Nossa Senhora do Carmo era/é o Maestro José Coelho.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
TODD WEBB
sexta-feira, 10 de abril de 2026
CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - 150 ANOS
Há bancos mais antigos, claro. Mesmo em Portugal! Mas este é público.
Fui convidado a estar presente no encontro que assinalou a data. Um acontecimento muito interessante. Pelo que foi dito e, por vezes, como foi dito. Mas isso ficará para mais tarde.
Para já assinalam-se os 150 anos da Caixa Geral de Depósitos. Uma efeméride importante.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
ARTE ISLÂMICA EM MOURA
Há temas recorrentes... Este "persegue-me" há quatro décadas. Houve uma primeira publicação em 1994. Dei o assunto por encerrado. Até que, há cerca de 15 anos, duas plaquinhas em osso relançaram o assunto. Não havia uma arqueta do final do período islâmico, havia duas! E com a mesma representação geométrica. E, aposto eu!, são coisas de produção local.
Que fazer?, para recordar uma pergunta "clássica". Recomeçar. Uma vez e outra. De momento, as plaquinhas estão no Instituto José de Figueiredo, em Lisboa, para análise de pigmentos. Não se esperam grandes surpresas, mas é o procedimento canónico. Depois retomaremos (o José Gonçalo, a Vanessa Gaspar e eu) um manuscrito que está meio e publicaremos o estudo. Edição bilingue português/inglês da MULTICULTI. Quando? Lá para o outono. Deste ano...
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
FIDEL CASTRO
“Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce”. Escrevi isto em dezembro de 2024. Mais o escreveria agora.
No dia 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entrou em Havana. Triunfava um dos mais improváveis sonhos do século XX. Há uma célebre fotografia do desfile triunfal, onde estão Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos. Cienfuegos morreu poucos meses mais tarde, Che faleceu em 1967, Fidel em 2016. A revolução perdeu a sua aura romântica? Sim. Teve momentos e atos com não concordo? Sim, sem dúvida. Mas nunca deixará de nos fazer sonhar. E veio mostrar que a vontade dos povos deve ser mais forte que o imperialismo.
Poucos meses depois desse desfile, em abril de 1959, Castro foi visitar os Estados Unidos. Eisenhower não lhe passou cartão (“esnobou” dizem os brasileiros, e a palavra é fantástica) e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida, porque essa viagem se revelaria decisiva. Pico, plagio, copio, sem vergonha e com orgulho, dois excertos de um magnífico texto publicado por Miguel Urbano Rodrigues no “Avante!” e no “Granma”, em 2006. Um texto sem rugas e pleno de verdade:
“A Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.
Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos”.
O que Cuba fez, ao longo de décadas, foi um combate extraordinário de David contra Golias. O rejeitar a ilha-paraíso-bordel dos vizinhos do lado e o tentar construir uma realidade alternativa. O percurso não foi isento de contradições, nem de erros.
Depois de seis décadas de um bloqueio ilegal (e isso que importa, para quem é a justiça a oeste de Pecos?), o sufoco torna-se quase total. Algo irá mudar, nos próximos tempos. Não será nada de decente… Ter estudado História é, neste caso e assim suponho, uma vantagem. Porque nos remete para o passado e nos dá uma leitura mais abrangente das coisas. E a história recente da América Latina é um longo estendal de ingerências americanas e uma longa luta entre liberdade e opressão. E onde há fome e não há educação nem cuidados de saúde, não há democracia e não há liberdade. Há, em tudo isto, um sim e um não.
É por isso que estou com Lula da Silva e com João Goulart e não com Jair Bolsonaro ou com Costa e Silva. Sim, mil vezes sim, com Chávez e jamais com Pérez Jiménez (cujos esbirros acabaram como acabaram...) ou com Andrés Pérez. Sim com Salvador Allende e nunca com Augusto Pinochet. Sempre com Juan José Torres e com Evo Morales e nunca com Hugo Banzer. Sempre com Rafael Correa e nunca com Lenin Moreno. Sim a Velasco Alvarado e não a Morales-Bermúdez.
Quanto a Fidel Castro, a sua luta perdurará. Sabiamente disse, há quase 73 anos, “a História me absolverá”. Não só já o absolveu, como reconhecerá muito mais que isso.
Crónica em "A Planície"
quarta-feira, 1 de abril de 2026
LUSTRO EM SANTA ENGRÁCIA
Faz hoje cinco anos que iniciei as minhas funções como diretor do Panteão Nacional. Um lustro. Creio que só os 50+ sabem o que é um lustro, ou um quintal, ou uma grosa.
Ao longo destes cinco anos, o foco esteve na atividade, no programação, na investigação, na procura de soluções para reabilitação do monumento. Não me cabe nem quero fazer qualquer auto-avaliação.
Posso dizer que, do ponto de vista pessoal, têm sido anos bons. O balanço há-de fazer-se depois.
segunda-feira, 30 de março de 2026
KITABU UMDATI
domingo, 29 de março de 2026
UM CONTO DE AMOR E MORTE
Nunca tinha visto "ao vivo"... Todo o arrebatamento do amor e da morte, em especial neste momento do segundo ato.
Esta gravação tem mais de 30 anos e não envelhece. "Tristão e Isolda" também não.