segunda-feira, 18 de junho de 2018

A ALTOMETÔRA PRA LESBOA


Esta é a altometôra que veio de Beja, ontem ao fim da tarde. A CP cuida da nossa saúde. Assim, em vez de irmos gastar dinheiro ao spa e à sauna, tivemos a sauna incluída no belhete. Eu não sou de esquisitices, mas aquilo estava assim um bocadinho pro quente. E eu até nem gosto de ares condicionados. Mas aquela caixa de lata, fechada e sem se poder abrir uma janelinha, tava quente (acho que já disse isto). Ficámos à espera na Casa Branca. Bom, agora vem aí o intercidades e agora é que vai ser. Não vai. Veio outra altometôra. Elétrica e com ar condicionado e tal, mas lenta pa caraças. Ao menos era uma altometôra democrática. Nã há cá primeiras nem segundas classes. Isto é tudo 'mocrático e igual. Resultado, pudemos ver melhor a paisagem. Chegámos com meia hora de atraso. Foi uma forma de nos compensarem. Pagámos o mesmo e tivemos mais tempo de viagem.

A CP é como aqueles bares chunga onde vamos e dos quais nunca desistimos. A gente ama porque sim. E não desiste.

domingo, 17 de junho de 2018

VELAS E MAR


Vi há pouco esta fotografia de Margaret Bourke-White (1904-1967), de uma regata em 1934. No meio da ociosidade, lembrei-me de Ricardo Reis. Vai-se o domingo, inutilmente parecendo grande.

Inutilmente Parecemos Grandes

O mar jaz; gemem em segredo os ventos 
          Em Eolo cativos; 
Só com as pontas do tridente as vastas 
          Águas franze Netuno; 
E a praia é alva e cheia de pequenos 
          Brilhos sob o sol claro. 
Inutilmente parecemos grandes. 
          Nada, no alheio mundo, 
Nossa vista grandeza reconhece 
          Ou com razão nos serve. 
Se aqui de um manso mar meu fundo indício 
          Três ondas o apagam, 
Que me fará o mar que na atra praia 
          Ecoa de Saturno? 

In "Odes" 

sábado, 16 de junho de 2018

HAGIOGRAFIA: 15 DE JUNHO (DIA DE S.RONALDO)


Ir longe? Só por milagre, e com a ajuda de S Ronaldo. A seleção portuguesa deu o seu melhor e fez o que era possível. E o que é possível é isto: ele mais dez.

MESQUITA DE CÓRDOVA

Um expressiva reconstituição da forma como evoluiu a mesquita de Córdova. A tecnologia permite hoje coisas assim. Dá-nos a possibilidade de, com razoável fiabilidade, ter acesso a informação útil. E didaticamente relevante.

O pior é quando ficamos por aqui. Ou seja, quando se acha que os multimedia são a solução em termos de exposições e no que à comunicação diz respeito. Não são tal. São um recurso. Estão ao serviço de um discurso. Não são O discurso.

Dito isto, tanto vezes que penso "back to basics!". Regresso às fichas de leitura, aos manuais de História da Arte, aos dicionários, à escrita à mão, com caneta de tinta permanente. Pensa-se melhor à mão... Faço sempre assim as correções, em cima de textos impressos. Com setas e diagramas. Está a ser o destino do livro sobre a Mouraria de Moura...


sexta-feira, 15 de junho de 2018

SOFISTICAÇÃO EBORENSE

Sofisticação é a única palavra que me ocorre para descrever tanto a cidade como o sítio. A sede da Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCALEN), na Rua de Burgos, alberga uma bonita galeria de exposições. Um ambiente manuelino e cheio de luz. É ali que vai ser exibido um conjunto de fotografias minhas. Quem tem a seu cargo a curadoria (use-se a palavra na moda)? O prof. Jorge Calado, de quem partiu a ideia da exposição. Quando vai ser? Em outubro, provavelmente na segunda quinzena.

O acolhimento e apoio logístico são da DRCALEN. O catálogo conta com o apoio mecenático da Fundação Millenniumbcp.




SEBASTIANISMO

Hoje há Portugal-Espanha. Há, mas podia não haver. É que a independência perdeu-se em 1580. Foi recuperada em 1640, vá lá que escape, como se diz na minha terra. É que D. Sebastião morrera em 1578, em Alcácer Quibir. Desapareceu aos 24 anos sem deixar descendência. Aqui fica uma passagem de um texto de António Caetano de Sousa. Que nos dá a imagem de um rei muito dado às montarias.

«Saía de noite às dez horas a passear à praia só sem companhia, e no bosque de Sintra do mesmo modo. Esperava em Almeirim posto sobre uma árvore um javali, e aplicando a vista viu um vulto, e descendo-se com pressa investiu com ele: ao estrondo acudiram alguns monteiros, imaginando seria fera; acharam porém o Rei lutando com hum negro boçal, que havia largos dias que fugindo a seu amo habitava com as feras daquele monte.» (António Caetano de Sousa, Do rei D. Sebastião, cap. XVII).

E QUANDO O SISTEMA INFORMÁTICO FALHA DEPOIS DE TERES ESTADO A FAZER UMA AVALIAÇÃO DURANTE DUAS HORAS...


quinta-feira, 14 de junho de 2018

MUSEOLOGIA


Diálogo ocorrido num museu nacional entre uma museóloga da velha guarda, algo corporativista, e um ainda jovem historiador:

Ela - Onde é que teve aulas de museologia?
Ele - Eu não tive. Os meus alunos é que têm.

Sempre gostei desse colega, dado a respostas sardónicas e sibilinas.

AMARELEJA, UMA JORNADA SENTIMENTAL


Recordava, no outro dia ao almoço, com Jorge Calado, a produção do livro “Amareleja”. O Jorge, que só ali foi, pela primeira vez, em 2016, apanhou depressa o pulsar da aldeia [chamemos-lhe assim, como gostam muitos amarelejenses]. “É uma terra forte e com grande orgulho e identidade”, dizia, convicto. O Jorge gostou imenso da Amareleja, o que facilmente se percebe pelo texto que escreveu.

Ao longo de quatro anos vivi, com especial intensidade, a relação com a Amareleja. Sem grande suporte político, e contando com um punhado de amigos, fui passando pela aldeia uma vez e outra. Uma atitude muito criticada por vários mourenses das minhas relações “eles não ligam a ninguém, o que é que lá vais fazer tantas vezes?”. Discordei sempre dessa perspetiva. E ia à Amareleja porque gostava de lá ir. Porque nunca gostei de pessoas que dizem que sim só porque sim. E os amarelejenses nunca dizem que sim só porque sim, para fazerem o frete e por bem parecer. Tive, entre 2013 e 2017, momentos duros. Alguns bastante difíceis. Decidi que nunca desistiria. Porque gostava muito da Amareleja. Porque gosto muito do sítio e das pessoas desse sítio. Nunca promoveria e participaria num livro sobre um sítio que me fosse indiferente. Por isso escrevi que “é a paixão dos fortes feita rua e gente”. E também que “a aldeia é um sítio e muito mais do que um sítio. A Amareleja espraia-se em linhas longas e contínuas, Ferrarias abaixo, Alto de Bombel acima. Não há declives fortes ou cortes abruptos. A Amareleja estende-se num suave ondular, numa geografia toda feita de recortes e de imprecisões. Como suave é o andar das mulheres com quem nos cruzamos. O poder ordenador das leis e do urbanismo chegou tarde às terras mais escondidas. As amarelejas do interior habituaram-se a tomar conta de si. O ziguezaguear das ruas e a improvisação dos limites são a marca de sítios assim”.

Quando esse convívio regular terminou, alguma coisa me ficou a faltar. No dia 24 irei recuperar um pouco, nem que seja só um pouco, do tempo perdido nos últimos meses. Irei ao Alto de Bombel? Certamente. E ao bar da música. E ao do GDA, seguramente. E à sociedade do terreiro, sem dúvida. E haverá viagem à Lua. E à do Vela. E ao Barriga Cheia. E ao Moreira. E ao novo Xico Mota. E por aí fora, tarde fora, noite dentro. E acho que o dia se me fará curto para tanto sítio.

No próximo dia 24 irei estar na inauguração do bar do Campo das Cancelinhas, na Amareleja. Retomarei, nem que seja só por umas horas, a minha jornada sentimental. Numa terra que é a paixão dos fortes. E que se não existisse, eu também não existiria.

Crónica publicada hoje, em "A Planície".

E AS MARCHAS, SENHOR?

O Santo António já passou. E Alfama ganhou, de novo.

As marchas foram "inventadas" por um cineasta ligada ao Estado Novo. José Leitão de Barros foi, por sinal, uma grande cineasta.

Depois do 25 abril desapareceram. Regressaram nos anos 80. Com visível sucesso. Por serem um produto do fascismo deveriam ter desaparecido de vez? Deveriam ter sido transformadas numa reflexão sobre a alienação das massas? Pergunto isto porque, à luz da interminável polémica à volta do Museu da(s) Descoberta(s), todos estes símbolos deveriam ser erradicados. Certo? Não, errado. Pela parte que me toca, não gosto de fascismos, mas gosto das marchas. Lisboa é linda? É.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO LOCAL


Declarações de Álvaro Azedo, Presidente da Câmara Municipal de Moura, à Rádio Pax, sobre o encontro “Moura – estratégia de Desenvolvimento Local: o urbano e o rural”:

"Esta iniciativa vai decorrer em várias sessões e esta primeira sessão tem a ver com a estratégia que nós pretendemos criar e concretizar para o concelho de Moura. Um cenário e uma estratégia para o desenvolvimento local, quer em perímetro urbano quer no rural. Daí a necessidade de começarmos a conversar com as pessoas, com os técnicos, com a população, com todos aqueles que, à partida, podem contribuir para esta estratégia de desenvolvimento. Nesta primeira sessão vamos ter entre nós um conjunto de arquitetos que têm trabalhado com o Município de Moura, conhecem o território, conhecem o nosso concelho, conhecem a nossa cidade e que, dentro daquilo que é a sua sensibilidade para o desenvolvimento do nosso território, trarão certamente contributos muito interessantes para que nós em Moura façamos esse percurso de aprimorar a nossa estratégia e de fazermos com que esta realmente seja uma estratégia que promova o desenvolvimento do concelho de Moura. O encontro é aberto à população, vai realizar-se no edifício de receção ao turista. É um espaço muito interessante para acolher esta iniciativa. Estas sessões estão abertas ao público, pelo que contamos com a participação de quem se quiser juntar a nós e contribuir para esta estratégia local." (fim de citação)

Sublinho duas ideias:
A existência de "um conjunto de arquitetos que têm trabalhado com o Município de Moura, conhecem o território, conhecem o nosso concelho, conhecem a nossa cidade (...)".
O facto de o edifício de receção ao turista ser "um espaço muito interessante (...)".

A TORRE


I pace upon the battlements and stare
On the foundations of a house, or where
Tree, like a sooty finger, starts from the earth;
And send imagination forth
Under the day's declining beam, and call
Images and memories
From ruin or from ancient trees,
For I would ask a question of them all.

Imagem da obra da Torre do Relógio, em Amareleja. A obra vai. Fico contente por ir assim, firme e bonita. Já não tardará muito. Um percurso iniciado há anos aproxima-se, assim, do fim. Depois será tempo de a usar. Como deve ser, nestas coisas. O texto acima, em língua bárbara, como dizia a minha professora de Jornalismo, é um excerto do poema The Tower, de W. B. Yeats.

terça-feira, 12 de junho de 2018

STARDUST MEMORIES Nº 20: GENTRIFIBAR

Pensava que tinha fechado. Não foi bem isso. Falando ontem com um veterano, esclareceu-me "agora é um bar turístico". Engoli em seco. A gentrificação entrou, de vez, na ordem do dia. Primeiro, gentrificar. Agora, gentrifibar. Não creio que volte ao Estádio. Já lá não estão os símbolos de uma distante juventude. O jukebox (com músicas do Teixeirinha, o rei da canção gaúcha) desapareceu, os azulejos foram cobertos com madeira, do pinball ficou só a memória.

O Estádio era um sítio difícil de classificar. Foi aí que passei alguns dos melhores momentos dos tempos de estudante. Na altura, há quase 30 anos, era sítio frequentado por estudantes tesos, boémios profissionais, putas na reforma e alguns vencidos da vida. Não havia beautiful people nem gente à procura de ambientes exóticos ou de emoções fortes. Bebia-se, fumava-se e conversava-se, numa ambiente caótico.

Foi lá que conheci o Cabeça de Vaca, um dos mais reputados boémios de Lisboa. Foi-me apresentado pelo companheiro daquela noite, com quem irei almoçar hoje.

O Cabeça de Vaca finou-se há mais de 30 anos. Morreu em pleno Estádio, no verão de 1986. Logo ao almoço beberemos à memória de um sítio que foi e que não voltará a ser.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

A CIMEIRA TEM UMA GRIFFE...

... Isabel Queiroz do Vale, dir-se-ia noutros tempos.

O que irão discutir? Para além de lacas e fixadores, bem entendido.


UMA JANELA PARA MOURA

É a minha janela mourense. A vila, logo pela manhã. Enquanto tomo café, de pé, como sempre, tenho direito a este panorama. Um privilégio pessoal. Depois o dia começa. Com saudades da vila? Sempre. Com menos adrenalina que antes? Bom, na verdade quase nenhuma. Mas com o enorme prazer do regresso à investigação, à(s) escrita(s) e à fotografia.

Revejo e retomo os anos de 2002 a 2005. Foram tempos de "acumulação". Enquanto não terminava a tese, mergulhei num trabalho de preparação que só deu resultados mais tarde. Regresso a essa fase. Em 2018 quase nada publicarei (dois textos para a "Monumentos", um para o "Arts Journal", uma colaboração com o Padrão dos Descobrimentos, creio que nada mais). Haverá uma exposição fotográfica com catálogo e será tudo. Depois se verá. Entretanto, vou começando os dias olhando para Moura, por uma janela distante.


domingo, 10 de junho de 2018

THE OTHER SIDE OF...

The other side of the wind está terminado.Ou quase. Foi começado em 1970. Tem estado, desde então, mergulhado num imbróglio sem fim. Parece que ainda falta a música. E parece que será mesmo estreado no outono. Vi, há muitos anos, um rush que dava a ideia de estarmos ante mais uma extravagância à Orson Welles. Mas aqueles dois minutos, apresentados durante uma homenagem do American Film Institute eram só um relâmpago. Oxalá se confirme.

Lembrei-me deste filme, que está para o ser ao escrever, há dias, um plano que começa, justamente, com as palavras The other side. Não do vento, mas de outra coisa. Espero que não demore 48 anos. Até porque, seguramente, já não terei esse tempo.

WIM WENDERS, AO JEITO CORIN TELLADO

Melhor dizendo, era uma mistura de Corin Tellado e de Steven Seagal. Nunca tinha visto um filme mau de Wim Wenders. A estreia chegou esta madrugada, com uma história folhetim chamada Submersos. Logo no início há uma citação explícita à tela O viajante sobre o mar de névoa, de Caspar David Friedrich. Pensa-se que o filme vá por aí, entre aqueles maneirismo tão típicos de Wenders. Não vai. O folhetim começa. Uma parte é passada num navio oceanográfico. Nem sim nem sopas. A outra parte é passada na Somália, mete al-Qaeda, fanáticos e uma espessura dramática digna de qualquer filme de pancadaria. À saída, hesitante, fui confirmar se o filme era mesmo de Wenders. Era...

sábado, 9 de junho de 2018

NATALIDADE ZERO

A conclusão é uma evidência.

Isto é assim tão difícil de entender?

Irão alguns continuar a investir em demagogia barata?

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A FRAUDE FOI HÁ 60 ANOS

As eleições presidenciais em que Humberto Delgado foi candidato tiveram lugar no dia 8 de junho de 1958. Faz hoje 60 anos. Humberto Delgado seria assassinado pela PIDE menos de sete anos depois desta data.

ELEMENTOS - FOGO 1

Aqui se recorda o projecto Caligrama, que a artista plástica Eva Lootz montou no Khan Assad Pasha, na cidade velha de Damasco, no Outono de 2003. O antigo espaço otomano viu o seu solo, e as escadas, preenchidos por centenas de pequenos pontos de luz, que davam ao sítio um ar ao mesmo tempo acolhedor e fantasmagórico. Não vem aqui ao caso como conheci Eva Lootz, nem como fui "desembarcar" na instalação, justamente no dia em que esta era inaugurada.

As imagens que se publicam provam bem que a criatividade e a imaginação da artista criaram um projecto de excepcional qualidade com meios muito modestos. A fotografia de cima é do site da artista. A de baixo é minha (não tinha tripé e restava-me apenas um rolo de baixa sensibilidade, que "estiquei" ao máximo...) e aqui a deixo, porque gosto de luzes e de sombras.


CRÓNICAS OLISSIPONENSES - IX

Tardei alguns dias em me habituar aquele trrrruc-tuc-tuc-trrrruc. Lisboa é a cidade da luz? Sim, e do lioz, e do Santo António, e das sete colinas. E das marchas e do Tejo. Mas é, cada vez mais, a cidade dos trolleys. Há magotes de turistas por toda a parte. São sobretudo franceses. É pena, porque assim há menos alemães com peúgas brancas. Mas os franceses, ah, ils adorent Lisboa. Et Pêssóá, bien sûr. Et les azulêjôss. Ah, ils adorent la Mádrágôá. E assim, todos os dias, me vou cruzando com magotes de franceses, na Travessa do Pasteleiro e na Rua das Madres. Todos eles puxando pesados trolleys. A avaliar pelo arrastar do trrrruc-tuc-tuc-trrrruc são pesados, de certeza.

TOY STORY

Trailer para um amigo especial:



E em espanhol e tudo 😁.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

DA COLMATAÇÃO ESTRATÉGICA AO FEITICEIRO DE OZ

Private joke (para alguns amigos da caleiragem).

O que será a colmatação estratégica? Ora deixa cá ver, deixa cá ver...


"O retorno ao campo. O retorno ao sentido de pertença ao lugar onde se habita". Ou, em versão O feiticeiro de Oz:

(...) close your eyes and tap your heels together three times. And think to yourself, 'There's no place like home'.

PRÉMIO VASCO VILALVA - SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DAS PRECES

O Prémio Vasco Vilalva foi atribuído um "projeto [que] vai recuperar, conservar e valorizar os jardins que envolvem o Santuário de Nossa Senhora das Preces, localizado na aldeia de Vale de Maceira, em plena Serra do Açor, bastante afetados pelos incêndios de outubro do ano passado". Uma justíssima distinção, que destaca "o exemplo e estímulo que representam para a região, aplaudindo também a capacidade para envolver as estruturas locais, como é o caso da Associação para o Desenvolvimento Integrado da Serra do Açor, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e a Junta de Freguesia da Aldeia das Dez".

Tive o prazer e a honra de integrar o júri do Prémio Vasco Vilalva, atribuído anualmente pela Fundação Calouste Gulbenkian. O júri foi constituído por António Lamas, Gonçalo Byrne, Raquel Henriques da Silva, Luís Paulo Ribeiro, Teresa Portela Marques, por Rui Esgaio e por mim próprio.

Mais informação em:
https://gulbenkian.pt/noticias/premios/premio-vasco-vilalva/premio-vilalva/

quarta-feira, 6 de junho de 2018

POESIA CONTÍNUA



Camões lendo "Os Lusíadas" aos Frades de São Domingos, tela de António Carneiro (1872-1930), datada de 1927. A poesia está presente no nosso quotidiano, nesta Pátria de poetas que somos. Recentemente, um município alentejano (é irrelevante referir qual) tornou público um despacho sobre a jornada de trabalho contínua. O texto é relevante. Além da jornada contínua, temos direito a poesia contínua. Aqui vos deixo alguns excertos:

Recorrentemente, vem à liça a temática do tempo de trabalho por iniciativa de um vasto conjunto de trabalhadores (…), concretamente no que respeita à adoção da modalidade de horário de trabalho em jornada contínua, nos meses de verão.

Sustentam o requerido, razões de ordem climática e de assiduidade aos serviços por banda dos utentes, especialmente no período da tarde.

Esta linha de raciocínio leva-nos a priorizar os justos anseios dos nossos colaboradores, sobretudo quando os mesmos estão alicerçados em razões empiricamente demonstradas.

Não obstante, sendo certo, como é, de que na fixação de horários de trabalho, deve ter-se em atenção os interesses dos utentes e de que o público alvo é diversificado em função dos serviços que prestamos, importa estabelecer exceções, sem prejuízo da sua reapreciação, num futuro próximo.

O presente despacho é válido para o corrente ano e produz efeitos no dia 15 de junho.

CRÓNICAS OLISSIPONENSES - VIII

Na paragem do 50:


Isto é derivado ao tempo estar frio, certo?

terça-feira, 5 de junho de 2018

ASSIM, AINDA NOS DEIXAM VAIDOSOS...


Razões de ordem profissional impedem-me de ir a Moura no dia 7 de junho. A Câmara Municipal promove um encontro com o expressivo título de 
“Moura – estratégia de Desenvolvimento Local: o urbano e o rural”. Um tema sempre interessante. Tal como interessantes são os oradores. Facto curioso, todos eles estiveram comprometidos na estratégias de reabilitação que a Câmara Municipal de Moura prosseguiu ao longo de vários mandatos. Ora deixa cá ver (e por odem alfabética):

João Nunes (PROAP):
Arranjos exteriores dos Quartéis - concretizado
Projeto de reabilitação da Ribeira de Vale de Juncos (Amareleja) - concretizado

Nuno Lopes:
Revisão ao regulamento do Plano de Salvaguarda de Moura - concluído e em vigor
Projeto de reabilitação do Bairro do Carmo - em obra (contrato assinado no mandato passado)

Tiago Mota Saraiva:
Projeto do novo cemitério de Moura - projeto concluído e com financiamento para a primeira fase
Projeto da Zona Industrial da Amareleja - projeto concluído
Torre do Relógio (Amareleja) - em obra (contrato assinado no mandato passado)

Victor Mestre [e Sofia Aleixo]:
Reabilitação da Igreja do Espírito Santo - concretizada
Pavilhão das Cancelinhas (Amareleja) - concretizado
Reabilitação do antigo Grémio - projeto concluído e com financiamento assegurado
Reabilitação da antiga estação da CP - projeto concluído e com financiamento assegurado

Todas estas equipas trabalharam ativamente em Moura, a partir de 2006. O que antes, nos mandatos da CDU, se fazia era péssimo. Agora já é ótimo.

Em resposta a uma amiga de Moura: estas mudanças de posição não são "política", como tu dizes. Têm a ver com caráter.

No meio disto tudo, ainda nos deixam vaidosos. Fico feliz (sem ponta de ironia) com estas iniciativas. Não há nada como os nosso adversários reconhecerem o nosso trabalho.


IFTAR إفطار

Um convite inesperado, há dias, para o Iftar. Ou seja, para a refeição do dia em que se quebra o jejum que dura desde o nascer do sol, durante o Ramadão. Um ambiente descontraído e fraterno. Porque poucas coisas serão tão importantes como a partilha de uma refeição. Viagem rápida ao outro lado do Mediterrâneo. Com chorba, dolmas, burek e cuscuz. E, sobretudo, amizade.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

CARLOS NOGUEIRA

É um sítio chave para o conhecimento da Fotografia. É certo que muitíssimo deve a Luísa Costa Dias (1956-2011). Não é menos verdade que o proliferar de sítios e de iniciativas lhe retirou alguma "visibilidade". Ainda assim, continua a ser palco de importantes exposições. A de Carlos Nogueira vai ser, creio, prejudicada pela sua discrição. Nem por isso é menos importante, num registo muito "gráfico" e "geométrico".

O catálogo sai no dia 15 de setembro. Quando entrarem na sala e pensarem que está vazia (tive essa sensação), avancem. O melhor vem depois.

Ver:
https://carlosnogueira.com/

e

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

STARDUST MEMORIES Nº 19: ASSISTENTE DE ARQUEOLOGIA MEDIEVAL (1993/94)

Uma antiga aluna da Universidade do Algarve mandou-me esta fotografia, na sequência do encontro dos 40 anos do Campo Arqueológico de Mértola. É de uma visita de estudo da turma de Arqueologia Medieval do ano letivo 1993/94. Não havia fome em Mértola, a despeito do meu aspeto. E o casaco não me foi emprestado por alguém mais forte. Durante muitos anos, tive o hábito de comprar casacos acima do número...

A turma era um grupo muito interessado e muito perguntador. Sei de um ou dois desses tempos. Os outros, perdi-os de vista.

E O IRÃO É A MINHA SEGUNDA SELEÇÃO...

Rima e é verdade. O meu primo Sebastião faz parte do staff. O que se vem a somar à admiração por aquele País e pela sua História.

domingo, 3 de junho de 2018

ONE ART


O filme era de uma mediocridade absoluta e nem o estava a ver. Ia espreitando, enquanto escrevia. Às tantas ouço alguém ler um poema. Que começava "the art of losing isn't hard to master". Aí pensei "eh lá", isto é melhor que o filme. Segui o resto do poema. Era um texto de Elizabeth Bishop. Um poema muito bom. O que tem o arco nabateu de Bosra (Síria) a ver com o poema? Nada. Quase nada. É só a recordação de um sítio extraordinário. Que está perdido.

The art of losing isn't hard to master; 
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

TAKE FIVE

É raro reproduzir aqui este género de clips. Há razões para isso. Ontem falei de Dave Brubeck a um jovem amigo. E há pouco enviei a outro amigo as primeiras notas para um projeto em início. Que tem a ver com takes, imagens e sons. Veremos se lá se chega.

AGENDA DE JUNHO - DAQUI A TRÊS SEMANAS, NA AMARELEJA

Naturalmente, a minha agenda não tem o stress de outros tempos... Isso dá mais tempo para respirar. E para prever o que se passará. Daí que, salvo motivo de força maior, possa dizer que estarei no próximo dia 24 no Campo das Cancelinhas.

Aproveito para deixar aqui um excerto do texto nº. 29 do livro em preparação sobre a experiência autárquica em Moura:


Havia excelentes trabalhos nesta área [desportiva], no nosso concelho. Apontava sempre, e aponto, o exemplo da bela equipa diretiva do Grupo Desportivo Amarelejense. Um grupo coeso, de grande sentido prático e que se esforçava seriamente por recolher fundos e para conseguir melhorar a situação financeira do clube. Se uma coisa me chamava a atenção no GDA era o princípio de “primeiros entre iguais” que a direção punha em prática. Quer se tratasse de um jogo do campeonato, de uma maratona de futsal, de uma festa de início de época, de uma apresentação de novos equipamentos, de uma festa de aniversário sabia que iria encontrar a direção. Pronta a receber a representação da Câmara Municipal, claro está, mas, antes de mais, em fato de trabalho.

TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE MAIO DE 2018: CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE MOURA

Com alguma surpresa, vi este texto ultrapassar as 3.100 leituras. O que significa, por parte dos leitores do blogue, curiosidade e atenção.


QUINTA-FEIRA, 31 DE MAIO DE 2018


CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE MOURA


CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA

Senhor Presidente,

Mantive um quase total silêncio durante os sete primeiros meses do seu mandato. Não me pareceu apropriado, depois de ter sido presidente da câmara até outubro de 2017, por-me a fazer comentários sobre a sua atuação ou sobre as opções do atual executivo.

Um ponto ficou por esclarecer e por ele esperei. O senhor por várias vezes aludiu às contas da Câmara Municipal de Moura. Que havia problemas com as contas e que havia questões menos claras nas Finanças do Município.O tempo passou. Entretanto, foram aprovadas as contas de 2017. Não li, em todo o relatório, um único reparo digno de registo. Um só que fosse. Posso dar dados relevantes quanto às contas do anterior mandato. Os pagamentos em atraso (faturas vencidas a mais de 90 dias)eram de 967.780 euros em 31.12.2013. E eram de 89.445 euros em final de setembro de 2017 quando, na prática, o nosso mandato terminou. Durante os meses seguintes (novembro e dezembro de 2017)esses pagamentos baixaram para 70.987 euros. Uma quebra de 20%.A qual vem de trás, até porque o diminuição da dívida foi, ao longo do nosso mandato, de cerca de 90%. Os números estão no relatório que o senhor presidente apresentou.De resto, o senhor presidente, que tanto enfatizou que tinha pago 19.000 euros em dois meses, sabe perfeitamente que uma câmara falida e sem dinheiro não podia ter feito esses pagamentos de um dia para o outro. É que o dinheiro não apareceu de um dia para o outro. Já lá estava, senhor presidente...

Também importa referir os seguintes dados: uma Câmara falida não pode pedir empréstimos à banca.Essa capacidade andou, nos anos de 2016 e de 2017, na casa dos 2.000.000 de euros. Isso também não se consegueem dois meses, como facilmente se entende.

Desmandos? Ilegalidades? As contas de 2017, que o senhor aprovou, foramauditadas por um Revisor Oficial de Contas. O qual escreve coisas como “o Município está em equilíbrio orçamental” (página 64 do relatório).Onde é que estão, afinal, as surpresas e onde é que faltei à verdade?

Vale a pena voltar a perguntar:
Qual foi a resposta da Inspeção-Geral de Finanças ao pedido de auditoria?

Onde está a auditoria que foi pedida à Inspeção-Geral de Finanças?
Quais são os resultados da auditoria ou quando se prevê que estejam disponíveis?
Quais foram as surpresas menos positivas? Onde é que isso está escrito,conforme o senhor prometeu que faria,no relatório e contas referente a 2017 e que, no essencial, diz respeito ao executivo que chefiei?

Não comento, para já, as questões do quotidiano autárquico mourense. Mas uma coisa tem de ficar clara: tem de haver, na política, decência, seriedade,elevação e compostura. E, volto a insistir, preparação. Lançar lama sobre a atuação de quem o antecedeu não corresponde a nenhuma destas exigências. Deixar suspeições é pior ainda. Pelo que aguardo, serenamente, uma explicação da sua parte.

Crónica publicada hoje, em "A Planície".

sábado, 2 de junho de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: TÂMARAS

Só em português a palavra soa a árabe. Em espanhol diz-se dátiles, em francês dattes. As tamareiras fazem parte da paisagem mediterrânica. Um dos nossos "passatempos" de meninice era comermos as tâmaras que caiam ao chão, no jardim de Moura. As mais doces nunca vinham intactas. Imagino que tivessem sido antes debicadas pelos pássaros. Não era coisa que nos perturbasse muito.

A imagem que abaixo se reproduz, de um um homem bebendo água junto a uma tamareira, é do túmulo de Pashedu, célebre artesão do reinado do faraó Seti I (1290–1279 a.C.).

CALIGRAFIAS OUTONAIS

O projeto tinha sido anunciado em maio de 2017. Seria "para breve". Uma expressão que pode ter um sentido lato... Foi retomado há semanas. Será em Évora, no final de setembro, e terá o apoio de uma entidade privada. Na segunda-feira, o coordenador da iniciativa começará a escolha final das fotografias. Serão umas 25. Não tenho a certeza que esta - da mesquita de Ibn Tulun, no Cairo - integre o lote. Uma outra, do mesmo local, certamente que sim.