quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ORATÓRIOS ISLÂMICOS

Mértola, primeiro, o controverso edifício de Idanha-a-Velha, mais tarde, foram, durante muitos anos, OS exemplos conhecidos de espaços religiosos islâmicos do período medieval. Claro que muitas mesquitas estavam documentadas das mais variadas formas. Mas nada de palpável, em termos de terreno.

Os trabalhos arqueológicos realizados nas últimas décadas têm vindo a proporcionar um apreciável conjunto de dados. Para além do ribat de Arrifana, certamente o conjunto mais espetacular, há oratórios escavados em Lisboa e no Alto da Vigia, perto da Praia das Maçãs. E este, no Cerro da Mina, perto de Almodôvar (publicado por Fernando Jorge Robles Henriques, André Pereira, João Carlos Lopes Nunes, Telmo Filipe Alves António). O facto mais curioso prende-se com a modesta área dos espaços de oração. Ou seja, nenhum deles é exatamente uma mesquita, muito menos uma aljama. Curiosamente, apresentam todos uma razoável coerência planimétrica. Que nada tem a ver com a herança das basílicas urbanas da Antiguidade Tardia. Mais achas para a fogueira de um livro em redação...

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

MANUAL DE DESTRUIÇÃO

É das piores coisas que nos podem acontecer. Nada mais dramático que a sensação de impotência ante desmandos legais. A cidade de Coimbra parece detestar o seu património. Já não bastava a chacina da Cidade Alta. Agora é na área ribeirinha.

Um trabalho final do curso de doutoramento, que ontem tive de arguir, na Universidade Nova, deu-me a dimensão de uma operação urbanística, que simboliza a mais acabada vaidade autárquica. Aspeto positivo, o trabalho de investigação da candidata é de grande qualidade e promete dar origem a uma tese de alto nível. Para o arguente, é sempre melhor assim...

De muito menos qualidade é a demolição de contornos haussmanianos. Um bota-abaixo com laivos de avanço em direção a qualquer sítio. O traço a vermelho dá nota da vergonha rasgada a estilete na Baixinha. Vai haver modernidade. E vias de circulação. Vai haver progresso. Olá se vai.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CHUVA NA ALDEIA, POR CARLOS MONTES

Há muitos anos, ofereceram a um jovem casal esta tela de Carlos Montes, pintada em 1967. Chama-se Chuva na aldeia, mas desde sempre olhei para ela como sendo um fogo de artifício.

Carlos Montes era de Beja e morreu muito novo, aos 43 anos. Era operário da construção civil e artista autodidata. A uma vida inacabada correspondeu um talento inacabado. É um Alentejo feérico e colorido o do Carlos Montes, mesmo quando os temas têm contenção. Tenho uma curiosidade que nunca esclareci: quem terá tido a inspirada ideia de oferecer esta pintura ao jovem casal mourense? O quadro ainda está em casa deles, em sítio de merecido destaque.

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa

Ver:



domingo, 9 de dezembro de 2018

DIAS AMPLOS, VASTOS E DIVERSIFICADOS

Dias de pausa no blogue.

Se há coisas com graça na vida são elas a enorme diversidade de coisas, o leque de pessoas tão diferentes que a nossa atividade nos permite conhecer, a multiplicidade de tarefas que temos de enfrentar. Isso é fácil de conciliar? Nem sempre, mas assim ainda mais estimulante se torna.

Ora deixa cá ver, em jeito de crónica mértolo-mourense:
Quinta-feira houve um interessantíssimo e participado debate sobre Património Mundial, em Mértola. Uma conversa direta e sem rodeios. Em dado ponto, alguém disse que falo da forma que falo porque "tenho as costas largas". Fiquei siderado. Respondi que não sei o que é ter costas largas. Que do meu estatuto de "outsider" digo o que penso. Sempre o fiz. Isso tem um preço. Que sempre me dispus a pagar. Em relação a este processo, dei a minha opinião. Que passarei a escrito, por solicitação da Câmara de Mértola.

Na sexta-feira, a ida à Feira do Vinho, na Amareleja, deu direito a uma noite animada e de boa disposição. Deu, sobretudo, direito a matar saudades. Uma coisa fundamental, numa terra que me é querida. E onde, afinal, deixei mais amizades do que supunha...

Sábado, o registo foi outro. O jantar do Real Grupo de Forcados Amadores de Moura teve lugar em ambiente fraterno. Prolongou-se noite fora e madrugada dentro. Não é só o ambiente de aficionados que me toca. Mas também, e muito, o rever amigos de longa data - de alguns, como o Francisco Derriça da Mouca, fui vizinho, há quase cinco décadas - e outros mais recentes. Aquela mistura de veterania e de juventude são a chave deste (e de tantos outros) sucesso.

Amanhã, regressa o ritmo olisiponense.




sábado, 8 de dezembro de 2018

AVENIDA DA SALÚQUIA, 34: 2008/2018

E assim se passaram dez anos, como se diz no bolero. Visitas? Mais de 1.600.000. Uma média diária de 438. Nada mau, para um outsider.

Não tinha a intenção, de início, de fazer isto assim. Pensava apenas publicar uns textos de vez em quando. Rapidamente, passei a um registo diário. Mantido desde dia 8 de dezembro de 2008. 5300 publicações foram acontecendo. Almoçando, há um par de meses, na "Varina da Madragoa", com um amigo blogger, surgiu a dúvida "como e quando terminar?". Não sei, sinceramente.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

TOP 10 NOS 10 ANOS DE BLOGUE

Este blogue faz amanhã 10 anos. Quais foram os textos mais lidos? Uma nota sem surpresas: Moura "está" em oito dos dez mais lidos.



Eis o top aqui da casa.
1. REAL MADRID OU A MÁQUINA TRITURADORA (23.05.2010) 10006

2. BOLSA DE ESTUDOS DR. ALBERTO FERNANDES (29.03.2018) 8568

3. TODA A POESIA DE UMA CARTA ANÓNIMA (6.05.2017) 7349

4. AINDA DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE O PRÓS E CONTRAS (2.11.2017) 7235

5. VICE-PRESIDENTE DO SPORTING É DA SALÚQUIA (14.09.2018) 5073

6. UM NOVO FUTURO PARA O ANTIGO CAMPO MARIA VITÓRIA (9.09.2016) 4431

7. QUAL A MOURA QUE QUEREMOS? - nº 4 (10.01.2017) 4403

8. AUTÁRQUICAS/2017 - JOSÉ MARIA PÓS-DE-MINA É CANDIDATO EM MOURA (10.05.2017) 4338

9. CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE MOURA (31.05.2018) 4300

10. ANA PRAZERES, UMA MOURENSE EM AMESTERDÃO (11.03.2018) 4213

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ELEMENTOS - FOGO 6

À procura de imagens que acompanhassem as palavras, encontrei algumas fotografias de um fogo que devastou uma localidade norte-americana, em 1908. As casas foram varridas pelo fogo. Eis o poder do fogo, por isso detido pelos deuses.

Repito o Fire and ice, de Robert Frost:

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

MÉRTOLA - PATRIMÓNIO MUNDIAL EM DEBATE

Amanhã haverá debate em Mértola, em torno da candidatura a Património Mundial. Neste domínio, como em tantos outros, não há receitas milagrosas, nem soluções definitivas.

Regresso a Mértola, para reflexão conjunta com amigos de longa data, para tentar lançar mais alguns contributos para o complexo processo de construção patrimonial de Mértola.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE NOVEMBRO DE 2018: FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Sem surpresas, no top das leituras esteve este texto, com 811 acessos diretos. Constato, também sem surpresas e com agrado, que sempre que escrevo sobre o meu concelho, o interesse dispara. Isso também é bom.

QUINTA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2018

FAKE NEWS NA CÂMARA DE MOURA

Não pretendo roubar espaço ao jornal, nem tempo a eventuais leitores. Mas há uma coisa que não posso deixar passar em claro, pelas responsabilidades que tive no Município de Moura. É a mentira continuada, que pode colar. Assim, e muito sucintamente:
Foi/é motivo de orgulho ter estado ao serviço do meu concelho, designadamente pela oportunidade de ter trabalhado em projetos que considero cruciais. Em relação a um texto assinado no jornal “A Planície”, pelo atual executivo, tenho a esclarecer o seguinte, por serem matérias que dizem respeito ao meu mandato:
1.       Bairro do Carmo – segundo o atual executivo, “o orçamento não contemplava um metro quadrado de reboco”. Isto não é verdade. O projeto contemplava reboco nas novas construções, naturalmente. E a colocação de reboco nas zonas onde houvesse intervenções que implicassem a sua reposição. O reboco em bom estado não teria necessidade de ser substituído. Sendo uma obra de custos controlados, o essencial era garantir condições de habitabilidade e melhorar a qualidade das casas. Foi para isso que o projeto se fez. O único erro grosseiro é a afirmação do Sr. Presidente Álvaro Azedo.
2.       Torre do Relógio (Amareleja) – “acrescentámos o projeto de iluminação a esta obra”. Isto não é verdade. O projeto de iluminação decorativa foi entregue à Câmara Municipal em 16 de novembro de 2016, pelo eng. Vitor Vajão, e tem estimativa de custos. A sua adaptação à obra em curso era mais que possível. A larguíssima experiência do autor tornaria isso numa tarefa fácil. O Sr. Presidente Álvaro Azedo pode atirar dinheiro à rua, encomendando o que já estava feito. Não pode é dizer que os projetos não existem.
3.       Centro Documental da Oliveira – “é um projeto que valorizamos”, diz o texto do atual executivo. Mas a verdade é que não o vão executar. A intervenção tinha um custo de 2.770.000 euros, dos quais a Câmara Municipal iria pagar 15%. A obra comportaria a reabilitação total do antigo edifício do grémio. Agora, a obra é só na fachada e no telhado O Sr. Presidente Álvaro Azedo opta por deixar o projeto de lado e concretizar apenas uma pequena parte. Não haverá Centro Documental nem nova Biblioteca. É uma opção de gestão. Poucochinha e sem ambição. Que registo.
4.       Gare Rodoviária – “o projeto não contemplava a zona de embarque e desembarque de passageiros e paragem de autocarros”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. O que quererá isto dizer? É que o projeto comportava todos os aspetos necessários a um adequado funcionamento. E foi resultado de uma ampla e complexa negociação com a Infraestruturas de Portugal (empresa que herdou o património da CP). O concurso podia ter sido lançado em final de 2017, como estava previsto. A menos que se ponham a fazer bonitinhos e floreados nos projetos, implicando mais dispêndio.
5.       Dívida da água – “os executivos da CDU não pagaram as faturas de fornecimento da água”, afirma o atual executivo, liderado por Álvaro Azedo. Esta afirmação é uma mentira grosseira. O acordo de pagamento da dívida da água com a ÁGUAS PÚBLICAS DO ALENTEJO foi aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal em 2014. O PS votou a favor desse acordo. O qual foi posto em prática de imediato. E foi cumprido. Verbas pagas, tanto do acordo, como da faturação corrente? 1.139.000 euros em 2015, 1.251.000 euros em 2016, 1 188.000 euros em 2017. Começou o mandato do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Valores pagos? 535.000 euros, nos primeiros dez meses de 2018. Que se passou? O novo executivo fez, em final de 2017, um novo acordo de pagamento. Do qual pagou ZERO. Ou seja, os 535.000 euros dizem apenas respeito à faturação corrente. Se a dívida se acumulou, a responsabilidade é do Sr. Presidente Álvaro Azedo. Que devia assumir essa responsabilidade, e não atirá-la para cima de executivos anteriores.

Outras questões da carta do executivo são opinativas e não me merecem perda de tempo. Percebo, humanamente, a necessidade de tentar apagar os projetos anteriores, fingindo que o que agora se apresenta é coisa nova. Não é.
                Ao executivo da Câmara Municipal diria que é preciso mais e melhor trabalho, mais dedicação, mais esforço, para dirigir os destinos de um concelho como o nosso. Continuar o que já estava iniciado é-nos lisonjeiro, mas não chega.

A si, Sr. Presidente Álvaro Azedo, não lhe reconheço conhecimentos, preparação, experiência ou currículo para me passar atestados de incompetência. Como, de resto, a sua ação tem vindo a demonstrar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CRÓNICAS OLISIPONENSES - XXII

É a "minha" estação dos CTT. Fica a 400 metros do local de trabalho. Na passada semana, aproveitei a hora do almoço para enviar uma série de cartas, que já estavam "atrasadas". Reparei, ao olhar o carimbo, que a estação ainda tem o nome de Cortes. Ou seja, o nome que tinha a Assembleia da República antes de ser da República. Veio 1910, chegou 1974 e nada. Cortes era e Cortes ficou. Um delicioso arcaísmo, que ninguém se lembrou de mudar. E ainda bem. Espero que assim se mantenha.

domingo, 2 de dezembro de 2018

REGRESSO A SANTO ALEIXO

Há muitos meses que não ía a Santo Aleixo. Regressei ontem, por ocasião de uma data especial.

Tenho ido ao meu concelho espaçadamente. Como se impunha, depois de anos tão intensos. Recomeço agora a regressar. Espaçadamente, como é natural. Com um prazer renovado e diferente. Foi assim na passada semana. É assim nesta, e assim será na próxima. Num ritmo tranquilo, e por entre o convívio com amigos. Como ontem aconteceu. Dou-me agora conta que, ao longo dos anos, se estabelecem mais relações de amizade e de proximidade do que esperaria. Uma boa surpresa, nestes tempos mais virados a interesses imediatos.

sábado, 1 de dezembro de 2018

SIM ÀS CORRIDAS DE TOUROS!

SIM!

         Quando vi a primeira corrida de touros devia ter uns 6 ou 7 anos. Em 1969 ou em 1970, seguramente. Ainda o Real de Moura não existia… Não mais esqueci a cor e o som daquela tarde, a enorme vibração de uma praça cheia, o calor daquela tarde de setembro. Fiquei conquistado. Desde esse dia, e para sempre.
A recente polémica em torno do IVA das corridas de touros é bem mais que um detalhe fiscal. A receita do Estado não deverá ter um acréscimo substancial à custa destes atos culturais. O que se quis dar foi um sinal. Ou seja, quem está no Poder quis separar as águas: de um lado estão os civilizados (eles), do outro os incivilizados (nós, os que gostamos de corridas). De um lado está o Progresso (eles), do outro os Retrógrados (nós). É uma atitude de insulto ante a nossa Cultura, que não me dou ao trabalho de rebater. As coisas do fundo da Alma não as discuto. Por isso, sim! Sim à tauromaquia! Sim às corridas! Sim, mil vezes sim, aos nossos forcados! Um dia, há já muitos anos, escrevi isto a propósito de uma lide de Enrique Ponce: “debaixo do capote de Enrique passaram, em poucos minutos, a lenda do minotauro, as feras dos circos romanos e a vaca que matou um califa, numa noite cálida de Marrakech. O touro de que Enrique agora se esquiva já foi mil vezes retratado. É ele que está pintado nos vasos áticos, é ele que, desde há milhares de anos, dá colorido aos frescos das paredes e aos mosaicos dos chãos. Já se chamou Pocapena, Islero, Avispado. Foi ele quem matou de morte horrível Manuel Granero e El Yiyo. Foi ele quem aniquilou a arte de Joselito e a de Manolete. Foi ele quem inspirou as mais trágicas páginas de García Lorca”. As corridas de touros são Arte e Poesia numa arena. As corridas de touros são uma cultura milenar dentro de um ruedo. Os frescos do palácio de Knossos, onde se vêem recortadores e uma lide de um touro, têm 3500 anos.
         A temeridade dos forcados é tão antiga como o solo que pisam. São gestos antigos que cruzam o nosso sul. São gestos que vivem do nosso sol. Que são antigos e que devem ser eternos. Marcou-me, do ponto de vista pessoal, o modo fraterno como me trataram, ao longo dos anos. Estou e estarei com eles. Na defesa do que é nosso.
         A defesa do Património Cultural não pode, por isso, ser marcada por gestos de circunstância e consoante as conveniências do momento. Não é assim numa altura e assado na outra. Como fazem alguns políticos, com tanto de oportunistas como de hipócritas. A tauromaquia é, desde maio de 2012, por proposta que subscrevi, Património Cultural de Interesse Municipal. Estou, e estarei, na defesa deste nosso Património. Agora e para sempre.

Publicado hoje, em "A Planície"

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ALDRABA - Nº 24

Final da tarde de quarta-feira na Casa do Concelho de Góis. Lisboa fora, vão resistindo "focos" de regionalismo. Fui participar na sessão de apresentação do número 24 da revista ALDRABA. Um exemplo de persistência e de dinamismo. Era já tarde quando a apresentação terminou. Nada a que não me tenha habituado.

Fico agradecido pelo convite e pela amizade de muitos companheiros que ali fui encontrar. Até breve.



Sumário da revista ALDRABA, nº 24:

EDITORIAL 
As oliveiras milenárias, um património ímpar 
João Coelho

OPINIÃO 
O espírito inovador de Francisco Grandella
Ana Isabel Veiga e Luís Filipe Maçarico 

PATRIMÓNIO IMATERIAL
As minhas brincadeiras
Romão Trindade

LUGARES DO PATRIMÓNIO 
Museu Nacional: Memória e lamento
Diana Alves

A história de um encontro do património transfronteiriço
Luís Filipe Maçarico

Viajar, sonhar, reviver…
Luís Cangueiro e Andreia Gomes Martins

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO
Historial do Orfeão da Comenda “Estrela da Planície”
Manuel Morais

RITUAIS, TRADIÇÕES E REALIDADE 
Rocha Peixoto: o etnógrafo estudioso dos “ex-votos”
J. Fernando Reis de Oliveira 

ARTES E OFÍCIOS
João Pintassilgo - mestre oleiro João Mértola do Redondo
Paulo Silveira

SONS COM HISTÓRIA
Os carrilhões de Mafra: do desconhecimento à incompreensão de um património
José Nelson Cordeniz

MEMÓRIAS DO TRABALHO
Comenda, Castelo Cernado, Ferraria e Vale da Feiteira - terras de carvoarias e carvoeiros
Jorge Branco

OS AMIGOS E A MEMÓRIA 
Memórias dispersas
Rosa Honrado Calado 

ALDRABA EM MOVIMENTO 
Maio a Outubro de 2018

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

PARABÉNS, LURDES!

Tínhamos falado disto no verão. Durante um almoço na esplanada do Rubro (passe a publicidade) disse-me que estava com alguma esperança. Mas não mais que isso. Transmitiu-me um pouco aquele sentimento do pode-ser-que-sim-mas-não-tenho-a-certeza. Conheço a Lurdes há mais de 30 anos e uma coisa eu sabia. Se tinha apresentado uma proposta, esta era de qualidade. Contou-me os detalhes do exigente processo de avaliação. E disse-me que até final de novembro haveria novidades. Houve. E boas. Transcrevo do site da Nova:

Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, ERC), distinguiu Maria de Lurdes Rosa, Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH) e investigadora do Instituto de Estudos Medievais, com uma bolsa de 1,6 milhões de euros. Esta bolsa é a primeira Consolidator Grant na área da História atribuída pelo ERC a um investigador português.
O financiamento permite continuar a estudar a história dos morgados nos séculos XIV a XVII, numa perspetiva comparada, em Portugal, seus espaços atlânticos, e outras sociedades da Europa do sul.
Ao trabalho, Lurdes. E muitos parabéns!

STARDUST MEMORIES Nº 23: VERDES ANOS

Aqui, a referência é mesmo cinéfila. Faz hoje 55 anos que estreou o filme Verdes anos, de Paulo Rocha. Um filme importante na História do Cinema Português. Arriscaria, contudo, dizer, que a música é bem mais conhecida que o filme. Em vez da habitual versão de Carlos Paredes aqui fica outra, mais "radical", dos Tantra. O grupo nunca foi bem a minha "praia", mas a sonoridade aqui criada tem graça. Pelo menos, hoje tem. Pelos Tantra passaram vários Heróis do Mar, mas aí a música é bem outra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

MÉRTOLA EM ÁFRICA, NO PADRÃO

O convite partiu do António Camões Gouveia. A ideia era que cada membro do comissariado científico escolhesse uma peça e sobre ela falasse e a integrasse num discurso sobre África. Visto de fora? Naturalmente, nós não somos africanos.

O caso da peça de Mértola é um "extremo", por não se tratar de uma peça fabricada em África. Como se diz no texto:

A rota de ouro do comércio mediterrânico começava em Sevilha, tocava os portos da Tunísia e ia terminar lá longe, em Alexandria ou em Antioquia. Era um percurso que todos os mercadores conheciam e que várias vezes ao longo do ano tinham que percorrer. À Península Ibérica vinham buscar a prata que faltava no Oriente. Para a Península Ibérica traziam os tecidos, os perfumes e os artigos de luxo para as elites andaluzas. Esta peça de luxo, produzida no al-Andalus, com influências tunisinas, espelha bem essa rota. Representa uma cena de caça, em que um galgo e um falcão atacam, em simultâneo, uma gazela. A excecionalidade da peça reflete também o caráter exclusivo que a caça de volataria tinha.

Passei hoje pelo Padrão dos Descobrimentos. Para ali constatar a originalidade com que o António resolveu a diversidade de abordagens. E para ser surpreendido com o nome de alguns amigos que também estão neste Contar Áfricas!


terça-feira, 27 de novembro de 2018

UNIVERSIDADE DE LISBOA - PRÉMIO 2018

Feliz final de tarde, o de ontem. A cerimónia de entrega do Prémio Universidade de Lisboa de 2018 teve lugar no salão nobre da Reitoria. António Borges Coelho recebeu a distinção das mãos do Reitor, António Cruz Serra, e do Presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo. Foi o quinto premiado, desde que, em 2014, se começou a atribuir este galardão. Antecederam-no Adriano Moreira, Nuno Teotónio Pereira, Jorge Calado e Maria de Sousa.

Continua, aos 90 anos, a escrever com o sentido poético de sempre. Continua com o rigor de sempre. Com a mesma fraternidade. Com o mesmo sentido de combate. Pela História e pelos Homens.


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

QUANDO O RACISMO É SUBLIMINAR...

Há um jovem português a brilhar no basquetebol universitário americano. Os pais são guineenses. Ele chama-se Neemias Esdras Barbosa Queta. Nas primeiras notícias apareceu mencionado como Neemias Queta. Que é o nome dele e é o que surge no twitter onde se anuncia a sua contratação. Ora bem, Queta não soa a "português". Nem soa a branco. Resultado? Agora o jovem é apresentado como Neemias Barbosa...

Quantas faces tem o racismo?


domingo, 25 de novembro de 2018

MESQUITAS / المساجد

Domingo cinzento e murcho. O silêncio tomou conta de Mértola. Nem tudo é mau. Isso dá espaço para retomar um velho projeto. Estão agora, 15 (quinze) anos depois de ter sido sugerido, criadas condições para ser concretizado.

Nem foi por causa da (nula) complexidade do projeto. Mas sim pela vertigem dos anos 2005/2017. Revisitemos então as mesquitas. Percorramos de novo o silêncio dos muros e o branco das salas de orações. Entremos nas mesquitas. Nas do Mediterrâneo e nas do Médio Oriente. Com uma incursão ao Mali.

De momento, é o habitual caos de negativos, provas de contacto, esquemas de paginação, ampliações e notas de todo o tipo. Haverá livro, em maio de 2019.

sábado, 24 de novembro de 2018

CIDADE AZUL / CIDADE ROSA

O quadro está na antecâmara da sala de sessões da Câmara Municipal de Lisboa. Não é uma grande obra, mas tem um estilo otimista e um pouco pompier, que me agradou. O azul do céu reflete-se nas calçadas e aquela luz única, entre o dourado e o rosado, está nas paredes de Lisboa. Por isso gostei do quadro.

A reunião foi mais rápida que o meu regresso à Madragoa, a pé, como sempre, pelas ruas de trás, como sempre. O caminho é por terra firme. Tão firme como o percurso dos projetos que vão, felizmente, avançando. Não sem dificuldades, mas sempre em frente.


O autor do quadro é o polaco Edward Dwurnik (n. 1953).

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

MAIS LIVROS E MAIS HISTÓRIAS, MÉRTOLA - 2018

Começa a Feira do Livro de Mértola. A escrita, o livro, os contos, a palavra dita são os temas que estão no centro das atenções. Sempre tive como certo um ponto: uma feira do livro não é um festival cultural onde se vendem livros. É uma festa que tem os livros e a escrita (ou a tradição oral) como ponto essencial. A diferença começa a fazer-se aí, em coisas que são aparentemente evidentes.

Ver - https://www.cm-mertola.pt/municipio/comunicacao-municipal/noticias/item/2843-feira-do-livro-de-mertola-2843

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

CAMARADOS?

Muita gente se indignou com esta saída de Pedro Soares. O qual reagiu, dizendo que "mexeu no vespeiro do politicamente correto". Mais politicamente correto que o neologismo de Pedro Soares não deve haver. Estas e outras invenções deverão ser tema de debate para linguistas. E para linguistos, bem entendido.

Para os distraídos, fica uma pequena nota: esta rapaziada vive disto... A bacorada está logo no início.





GEOMETRIAS AFRICANAS

Na permanente procura de geometrias e de geografias, e à volta do génio de de Malick Sidibé (1936-2016), fui encontrar um fotógrafo que não conhecia, Eliot Elisofon (1911–1973) . Da obra do fotojornalista escolhi este exemplo de pura beleza, uma mulher jarawa (Nigéria), uma imagem com quase 60 anos.

Todas as coisas que há neste mundo

Todas as coisas que há neste mundo
Têm uma história,
Excepto estas rãs que coaxam no fundo
Da minha memória.
Qualquer lugar neste mundo tem
Um onde estar,
Salvo este charco de onde me vem
Esse coaxar.
Ergue-se em mim uma lua falsa
Sobre juncais,
E o charco emerge, que o luar realça Menos e mais.
Onde, em que vida, de que maneira
Fui o que lembro
Por este coaxar das rãs na esteira
Do que deslembro?
Nada. Um silêncio entre juncos dorme.
Coaxam ao fim
De uma alma antiga que tenho enorme
As rãs sem mim.
13-8-1933

O que tem o poema de Fernando Pessoa a ver com a fotografia? Absolutamente nada. É tão bonito quanto ela, nada mais.




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

QUIZZ CINEMATOGRÁFICO

No caos do meu computador fui encontrar esta imagem. As perguntas aqui ficam:

1. Quem é o senhor vestido de militar nazi?
2. Isto é uma cena de que filme (dica: os títulos em inglês e em português não têm nada a ver um com o outro)?
3. Quem é o realizador do filme?
4. O filme, rodado em Portugal, passava-se supostamente noutro país. Qual?
5. E, para 50.000 euros, em que edifício de Lisboa é que esta cena foi filmada?

As primeiras quatro perguntas, e ultrapassada a primeira, são fáceis de resolver. Já a quinta...


terça-feira, 20 de novembro de 2018

ESTRADA NACIONAL 255

Os comentários, os reparos, as críticas, de pouco servem neste momento. Que esta imagem me espantou profundamente, por inesperada e reveladora, isso é certo.

NAS FRANJAS DA EUROPA - DE PETRELIK A GIOIA TAURO

Quase podia dizer que andei pelas fronteiras do cinema atual. Evito cuidadosamente os blockbusters e vejo, hoje em dia, pouco cinema. Dois murros no estômago, bem recentes:

Western, de  Valeska Grisebach
A Ciambra, de Jonas Carpignano.

Petrelik fica a 3500 metros da fronteira com a Grécia, a Traversa a Via Ciambra (o sítio não tem bem direito a nome) fica a 1100 metros do centro de Tauro Gioia, na Calábria. Parecem sítios do outro mundo, e fora do mundo. Na primeira há uma comunidade pobre, que mantém, no filme, uma relação dúbia com emigrantes alemães de ar pouco próspero (também os há); na segunda, vivem ciganos. Tudo, mas tudo mesmo, nos é familiar.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

MONUMENTOS - Nº. 36 (MÉRTOLA)

Ora cá está. Leia-se o texto da D.G.P.C. no facebook:

A Direção-Geral do Património Cultural apresenta a Revista Monumentos nº 36. A sessão de lançamento realiza-se no próximo dia 22, no Forte de Sacavém.

O presente número é dedicado a Mértola, no ano em que o Campo Arqueológico de Mértola (CAM) comemora 40 anos. 

Nos estudos e reflexões que foi possível reunir destaca-se a relevância do trabalho pioneiro do CAM, que é por essa razão homenageado. A Revista faz também um ponto de situação sobre o estado do conhecimento acerca desta vila baixo-alentejana e da sua importância patrimonial.

'Monumentos' é uma publicação técnico-científica anual dedicada à divulgação do património construído, na perspetiva de assegurar a sua valorização e salvaguarda.


Participo com dois textos (um co-autoria, o outro quase a solo). Um deles tem o título, pouco canónico, de 350.000 horas mais tarde. Ou seja, aqui estamos ao fim de 40 anos de Campo Arqueológico, que são as tais horas somadas.

O tempo passa depressa. Mértola é um ponto decisivo na vida de tantos de nós. A imagem da capa é muito bonita. E dá uma imagem de solidez. É disso que os projetos precisam. De solidez, de segurança e de uma produtiva longevidade.


domingo, 18 de novembro de 2018

PARABÉNS, PAULO BARRIGA!

Tanto silêncio nas redes sociais. Vai o homem e ganha um prémio atribuído pela Comissão Nacional da UNESCO. E depois a gente vai "à busca" da notícia e não há, por estas bandas, notícia. Pouco se fala no prémio. Lembro-me, sempre, da frase atribuída ao matemático Victor Puiseux (1820–1883): a inveja é a homenagem que a inferioridade tributa ao mérito.

Enquanto desempenhei funções autárquicas, não devo ter ligado ao Paulo Barriga, diretor de um regional regional, mais que duas ou três vezes. Não me parecia adequado.

Liberto dessas "peias" morais e éticas, telefonei há pouco ao Paulo para o felicitar. Parabéns para ele e para o "Diário do Alentejo".

Ver - https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/

TANTO QUE EU GOSTAVA DE VIVER NA CIDADE DO SENHOR MINISTRO...

O Senhor Ministro do Ambiente garante, do fundo da sua voz Barry White, que anda de elétrico e de metro e que gosta dos transportes públicos. Eu esforço-me por acreditar, mas não acredito lá muito.

Tenho é inveja da cidade onde o senhor ministro vive. Os transportes públicos funcionam bem e não há serviços suprimidos. Sorte a dele. Na cidade onde eu vivo não é bem assim. Há supressões na CP (aí, upa, upa, nas horas de ponta até fervem, o que dá imenso jeito) e no Metro. A Carris tem ritmos caóticos.

Sorte a do Senhor Ministro, que não vive em Lisboa.

sábado, 17 de novembro de 2018

LUCHO GATICA (1928-2018)

Gosto de boleros na mesma proporção em que os não sei dançar. A que propósito vem disto? Da morte do grande cantor chileno Lucho Gatica, desaparecido há dias. Só hoje me dei conta disso. Lembro-me de o ver atua, há muitos anos!, na TVE, por entre o entusiasmo da família de Paymogo. Cantores populares assim eram tão amados nos dois lados do Atlântico como os brasileiros o são por cá.

El reloj, com legendas em grego.