segunda-feira, 20 de agosto de 2018

CONTOS DA BARBEARIA

De José Craveirinha (1922-2003), o poema BARBEARIA:

Na barbearia às escuras
Júlio Chaúque foi barbeado
quando voltava da machamba de milho.

Os que viram
dizem que Júlio foi escanhoado
até às carótidas do colarinho
em requintes de gilete
dos facões de mato.

Os barbeiros do Chaúque
deixaram em toalhas de folhas secas
congruentes nódoas roxas.



Às voltas pelo instagram,  dei com um conjunto de interessantes trabalhos de Isaac West. Num deles, está um cabeleireiro. Arriscava dizer que Isaac West está a citar uma conhecida tela orientalista de Léon Bonnat (1833–1922). Le barbier nègre à Suez foi pintado em 1876.

domingo, 19 de agosto de 2018

LUZ SOBRALENSE, AO JEITO DE RUÃO

O barulho era mais que muito e não valia a pena tentar conversar... As luzes projetadas nas paredes do lado oposto iam dando uns efeitos engraçados. Fui usando o telemóvel, enquanto não chegou a beleza do silêncio.

A mudança rápida das cores nas paredes evocou-me a série de telas que Claude Monet dedicou à Catedral de Ruão. A manipulação da luz fazia-se ao vivo, sem photoshop, apreendendo as reverberações da cor.

De Ruão ao Sobral da Adiça são 1434 quilómetros. Tão distante como o que separa a genialidade de Monet e a banalidade de uma brincadeira feita num recinto de festa.








Ronda de los colores (Gabriela Mistral)

Azul loco y verde loco 
del lino en rama y en flor. 
Mareando de oleadas 
baila el lindo azuleador.
 
Cuando el azul se deshoja, 
sigue el verde danzador: 
verde—trébol, verde—oliva 
y el gayo verde—limón.
 
  ¡Vaya hermosura! 
  ¡Vaya el Color!
 
Rojo manso y rojo bravo 
—rosa y clavel reventón—. 
Cuando los verdes se rinden, 
él salta como un campeón.
 
Bailan uno tras el otro, 
no se sabe cuál mejor, 
y los rojos bailan tanto 
que se queman en su ardor.
 
  ¡Vaya locura! 
  ¡Vaya el Color!
 
El amarillo se viene 
grande y lleno de fervor 
y le abren paso todos 
como viendo a Agamenón.
 
A lo humano y lo divino 
baila el santo resplandor: 
aromas gajos dorados 
y el azafrán volador.
 
  ¡Vaya delirio! 
  ¡Vaya el Color!
 
Y por fin se van siguiendo 
al pavo—real del sol, 
que los recoge y los lleva 
como un padre o un ladrón.
 
Mano a mano con nosotros 
todos eran, ya no son: 
¡El cuento del mundo muere 
al morir el Contador!

sábado, 18 de agosto de 2018

UNIPLACES

Detesto o filme Forrest Gump!
Detesto a UNIPLACES!
Destesto a chulice neocapitalista!
Desapareçam-me sff da frente com este tipo de "ofertas"!

já enviei mail a exigir que não me mandem mais lixo

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ESCÂNDALO EM ALVALADE

Dois homens, um destino. Não são Butch Cassidy e Sundance Kid. Temos o já desaparecido Peter Finch e Vítor Espadinha, que não tendo desaparecido veio aqui fazer prova de vida. 

I'm mad as hell and I'm not going to take this anymore...

De Network (Escândalo na TV) a Alvalade.




JANELAS DAS PERSIANAS AZUIS

E vai o mês a meio. A "nova vida" permite a escrita. Nada mal, para desenferrujar e retomar o ritmo. São, ainda, longos meses de acumulação. Depois da exposição fotográfica, com catálogo, no outono, regresso aos livros. Um está terminado, outro anda pelos 80%, outro ainda está no início. Serão editados lá mais para a frente.

Com o mês a meio, aturde-me a luz do dia. Regresso a Henrique Pousão, pintor amado e tão cedo desaparecido. Estas janelas são em Capri, Eram assim, em 1882.


A something in a summer's Day

A something in a summer's Day
As slow her flambeaux burn away
Which solemnizes me.

A something in a summer's noon—
A depth—an Azure—a perfume—
Transcending ecstasy.

And still within a summer's night
A something so transporting bright
I clap my hands to see—

Then veil my too inspecting face
Lest such a subtle—shimmering grace
Flutter too far for me—

The wizard fingers never rest—
The purple brook within the breast
Still chafes its narrow bed—

Still rears the East her amber Flag—
Guides still the sun along the Crag
His Caravan of Red—

So looking on—the night—the morn
Conclude the wonder gay—
And I meet, coming thro' the dews
Another summer's Day!

O poema data de 1859 e é de Emily Dickinson.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ASSÉDIO SEXUAL

Ele é gay.
Ela é lésbica.
Ele acusa-a de assédio sexual. Pela multiplicidade de exemplos e situações, ele parece (sublinho parece) ter-se deixado assediar. A histórica tem coisas difíceis de entender. Inocência parece haver pouca. Siga-se o link do NYT:

https://www.nytimes.com/2018/08/13/nyregion/sexual-harassment-nyu-female-professor.html

Facto não inocente: a imprensa israelita apresenta-a como "professora judia". Não há nada como criar mártires...

LOULÉ - 2/5

Redundância viária e toponímica.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

CRÓNICAS OLISSIPONENSES - XIV

Eram 8:44 (a fotografia foi feita ontem, na esquina da Rua de O Século). A Calçada do Combro estava deserta. Dois ou três turistas e nada mais. Foi das mudanças mais sensíveis que notei em relação aos já longínquos tempos de estudantes. A cidade acordava muito mais cedo. E havia um torpor de gente que percorria o centro de Lisboa. As repartições abriam às nove. As lojas também.

Isso acabou. Agora há cada vez mais horários desfasados e alargados. E há uma cidade que é mais vespertina que matutina. E com muito mais turistas. Oitocentos metros mais à frente, na Travessa do Pasteleiro, lá encalhei com mais um par de tróleis.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

ESQUIFE À BEIRA TEJO

Havia bichas em toda a parte: no Mosteiro dos Jerónimos, no Museu Nacional de Arqueologia, no Padrão dos Descobrimentos, no Museu de Marinha, nos Pastéis de Belém... Da Torre de Belém vinha uma chusma de turistas.

No meio está, abandonado, o Museu de Arte Popular. Tem três exposições: uma de M.C. Escher, outra sobre a agricultura lusitana, outra ainda sobre os projetos a concurso para o Museu da Resistência, a instalar no Forte de Peniche. Não é aqui o sítio para as comentar. A primeira tinha alguns visitantes, as outras estavam desertas. O público passa ao lado e nem se dá conta que o sítio existe. Existe pouco, entalado entre contentores de lixo, carros estacionados aos magotes, ervas no passeio e um ar triste e de descuido. A arquitetura em si não é muito estimulante, um edifício no mais puro "português suave", da autoria de António Reis Camelo e João Simões, dois dos expoentes do género. Hoje, contudo, o "português suave" nem é o problema, na sua naïveté fora de época... Falta o resto, faltam uma lógica e uma programação para aquele espaço, bem amplo e com todas as condições para ser um sítio vivo.

O Museu de Arte Popular ficou congelado e morto. Um esquife, sem príncipe encantado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

QUANDO ESCHER PASSOU POR MOURA

Esta oliveira retorcida está, M.C. Escher assim o garante, no sul de Itália. Bem se parece com outra, que em tempos esteve na Estrada dos Machados e que hoje está à entrada do Jardim das Oliveiras, em Moura.

Escher não teria feito o percurso que concretizou sem aquela passagem pela costa amalfitana. Escadas e cúpulas serviram de mote, até ao fim.

Há anos, em novembro de 1987, veio a Moura uma delegação do Ajax. O MAC jogava, para a Taça de Portugal, com o Porto e houve lugar à "espionagem" da praxe. Os holandeses, adversários do FCP na Supertaça Europeia, estavam deveras impressionados com as montanhas (a Serra de Portel, que não é exatamente o Evereste...). Imagino que Escher, apesar do seu cosmopolitismo, deva ter pensado o mesmo nas deambulações pela Calábria.

A exposição sobre a obra de Escher é boa, sem ser excecional (as traduções, valha-me nossassenhoradocarmo...) e põe a nu a decadência do Museu de Arte Popular. E a nula estratégia que existe para aquele local.



NELSON ÉVORA - THEN WE TAKE BERLIN...

Ontem, Nelson Évora bem pode trautear Leonard Cohen... O campeonato da Europa era o título que lhe faltava. Isso aconteceu aos 34 anos. Nelson Évora tinha poucos meses quando Carlos Lopes ajudou Portugal a sair do nacional-coitadinhismo... Foi no dia 12 de agosto de 1984. Lopes não era o super-favorito, Évora também não. Isso ainda torna as vitórias mais deliciosas.

domingo, 12 de agosto de 2018

CASAS - UMA COM 4000 ANOS, OUTRA COM 800 ANOS

A tabuinha de cima representa a planta de uma casa em Ur, na Mesopotâmia (c. 2000 a.C.). Tem pátio central, certamente descoberto. E tem uma entrada que protege a intimidade da casa. Quem passa na rua não vê o pátio. Nos desenhos da escavação, de finais dos anos 20 do século passado, nota-se também que não há portas de casas em frente umas das outras. O princípio do at-tankib, que Ibn Sahnun legislaria muito mais tarde, está já ali presente. Eis o urbanismo mediterrânico, muito antes de ser teorizado.

Em baixo, temos dois desenhos do bairro islâmico de Mértola. Um deles é da mesopotâmica casa X. Foi construída há pouco mais de oito séculos. Foi destruída em meados do século XIII. Foi escavada há cerca de duas décadas.


sábado, 11 de agosto de 2018

ELEMENTOS - FOGO 3

Não é exatamente arquitetura de fogo. Mas sem fogo esta arquitetura não existiria. Foi o vulcão dos Capelinhos que levou, muitos anos depois das suas ruidosas e bem visíveis manifestações, à construção deste centro de interpretação. Na série elementos do blogue tem lugar mais que justificado esta bela peça da autoria de Nuno Ribeiro Lopes.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ANIMISMO - CAP. I


Série de objetos com alma e vida própria. Começando por Oliveira do Hospital e pelo Santuário da Senhora das Preces.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

PEDRO SANTANA LOPES, DE BRAÇO DADO CONSIGO MESMO

LEMBRAM-SE DO PETGÓLEO VEGDE?

Sim, os eucaliptos. Eram a salvação. Assim o garantia o ministro Miga Amagal.

Viu-se...

UM COMUNISTA TAMBÉM SE EMOCIONA???

Compra um cidadão o folhoso pra isto. Para saber que um comunista também se emociona. Ó valhamedeus... O Público em onda facebook.

HOJE À NOITE

E, sem mais, lá estaremos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A EXTINÇÃO DO IICT - UM ATO CRIMINOSO

Ainda esta manhã falei do assunto com um responsável de um departamento governamental, agora que passaram três anos sobre esta data triste. Duas coisas são claras:
* A extinção do IICT foi um ato criminoso e sem perdão.
* Se houvesse, e não há, a coragem necessária o IICT já teria sido refundado.
É uma instituição essencial na vida cultural do nosso País. E com uma decisiva importância estratégica, numa ótica de política externa.
O último presidente do IICT foi Jorge Braga de Macedo. Um inútil, doutamente analfabeto...

LIVROS VOANDO SOBRE AS PISCINAS


Iniciativa com pés e cabeça, que se repete, ano após ano. As bibliotecas em democracia direta. No nosso distrito aderiram, em 2018, três concelhos: Aljustrel, Almodôvar e Mértola. Acho bem e acho pouco. O nosso distrito merece mais.

AS CONTAS DO MUNÍCIPIO DE MOURA E A LÓGICA DE MERCEARIA

Continuam os eleitos pelo Partido Socialista fascinados com a minha humilde pessoa. Semana sim, semana não, lá vem mais um ataque ou mais uma crítica ao que fiz ou deixei de fazer. Nove meses depois de terem começado um mandato autárquico já era altura de se preocuparem com outros temas. Até porque os balanços e as comparações virão mais tarde.

Desta vez (“A Planície” de dia 15 de julho) foi António Gomes (ex-vereador) a tomar conta das hostilidades. A minha resposta será curta e direta, para não maçar os leitores.
Fala António Gomes na necessidade de ser sério. Claro que sim, temos de ser sérios em política. António Gomes, que já foi candidato pela APU, pelo PRD, pelo PSD e que estacionou agora no PS terá de fazer o favor de explicar a expressão “ser sério”.

O valor da dívida e o seu significado
Falar em números de milhões, no caso 9 milhões (o valor indicado está errado: eram 7.781.000 €), significa para a esmagadora maioria das pessoas um valor elevado quando comparado com o seu orçamento familiar. 

Ora as dívidas não se medem em valor absoluto (monetário), mas sim em valor relativo. 
A dívida municipal é medida em relação à média da receita corrente, considerando-se saudável a dívida dos municípios que no seu total não ultrapasse os 100% e em que a dívida não financeira (a que não resulta de empréstimos) não ultrapasse os 75%. E, dadas as necessidades considera-se que não existe desequilíbrio conjuntural (curto prazo) se for inferior a 150% e não existe desequilíbrio estrutural se situar abaixo dos 225%. Em 30 de setembro de 2017 a dívida total do município de Moura era de 61,6 % da média da receita corrente e a dívida não financeira era de 14%. Ou seja, 14% para um limiar de 75%. E desde 2012 os valores da dívida total em relação à média da receita corrente foram sucessivamente de 93%; 98%; 100%; 97%; 68% e 61,6%. Ou seja, quando o novo executivo tomou posse, tinha o valor mais baixo dos últimos anos. Os números são claros e falam por si. A dívida baixou. Esquece António Gomes que o PS chumbou um pedido de empréstimo (não foram dois, foi o mesmo apresentado duas vezes, seja lá sério) e aprovou outro (o do cemitério), no valor de 1.500.000 euros.

Investimento e seu financiamento
Durante o período de 2009 a 2017 a gestão CDU realizou investimentos (ditos não prioritários tais como rede de águas, parque escolar, reabilitação de património,reequipamento do parque de máquinas...) no montante de 31 milhões de euros.Desses 22% foram garantidos pelo recurso a fundos comunitários e à venda das ações da Central Fotovoltaica (o tal projeto que o PS não queria, lembra-se António Gomes?).Ora, garantir que mais de 1/5 do investimento fosse financiado por estas duas fontes de financiamento exige trabalho e competência. Prestarei oportunamente contas sobre o que foi feito e como foi feito.


Custos Fixos de 65%?
Duas notas
O desenvolvimento do País por intervenção do Poder Local reflete-se no investimento que tem sido realizado ao longo dos mandatos (e por isso o fizémos e o classificamos como prioritário), sendo certo que daí tem resultado um crescimento nos custos de manutenção em detrimento dos meios libertos para investimento. É por esta razão que a Lei de Finanças Locais sofreu uma profunda alteração em 2014. O que estava disponível para investimento, no caso de Moura passou de 3,6 milhões de euros em 2011 para 908 mil em 2017. As dificuldades começam aí e não na nossa suposta má gestão.

O segundo equívoco é mais complexo, e mais difícil de entender a argumentação de António Gomes. Para o resultado líquido de 5 milhões de euros negativos a componente educação tem um contributo de 17% (844 mil euros), dos quais 114 mil euros provenientes de amortizações do parque escolar em resultado dos tais investimentos ”não prioritários”.
Ossetores da água, saneamento e resíduos, que são serviços essenciais, tem um contributo de 70% (3,5 milhões de euros) no total do resultado negativo. Para atingir o nível de equilíbrio, pretendido pelo Governo, seria necessário agravar as tarifas da água, saneamento e resíduos em mais de 200%. Será este o caminho que António Gomes pretende para garantir o tão falado desequilíbrio operacional, ou será que acabará por reconhecer que a gestão consciente da CDU ao não seguir esse caminho, tomou opções fundamentais para garantir qualidade de vida aos seus munícipes, suportando nas contas do município défices operacionais de 5 milhões ao ano?

Caro António Gomes, não me faça perder tempo… Tenho trabalhos e projetos em redação. Trate/tratem de fazer algo que se veja, em termos de investimento. E não se perca o balanço na área da regeneração urbana, que tão bons frutos deu. Estão em execução ou previstos projetos que iniciámos e cujo financiamento garantimos: Torre do Relógio, Bairro do Carmo, Terminal Rodoviário, Muralhas… Parece-me bem. É só avançar. E criar outros. Façam lá isso.

Crónica publicada hoje, em "A Planície"

terça-feira, 7 de agosto de 2018

E NÃ ABALEM SEM PAGAR...

É uma história antiga e foi-me contada por amiga, natural do concelho alentejano onde aquilo se passou. Havia uma prova desportiva e, com dificuldade, lá se encaixaram os participantes nos locais de alojamento disponíveis. Um deles foi brindado com este discurso de receção:
- O quarto é o número seis; o pequeno-almoço é das 7 às 9; e nã abalem sem pagar...

Recordei-me deste episódio ao transportar uma familiar a um hospital privado para uma pequena cirurgia. Foi-lhe dito algo como "a intervenção é às 11; não se esqueça de trazer o dinheiro". Sim, não fosse ela dar a banhada. Imaginei-a, nos seus atléticos 60 anos, correndo Avenida de Berlim abaixo, com o pé ligado, perseguida por uma multidão de médicos e de enfermeiros.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

VEGAN POR UMAS HORAS

Fui indecentemente gozado pelos juniores lá em casa, quando contei a "aventura". Às voltas pelo aterro (n'Os Maias fala-se desta zona) e com pouca vontade de almoçar os menus do costume fui dar a uma daqueles restaurantes "saudáveis". Tudo detox, sem gluten, muitos chás, nada de corantes nem conservantes, uns paposecos roxos etc e tal. Optei pela salada vegan. Com tofu. Nada sabia a nada. O tofu tem uma consistência de borracha, o resto era pior ainda. Ao fim de duas horas, cheio de fome, alinhei numa cena um pouco menos detox: bifana e imperial.

RENOVANDO O SITE - www.santiagomacias.org

Paguei ontem a anuidade ao webdesigner. Durante mais um ano, pelo menos, manterei este espaço. O curriculum vitae é que não está atualizado, mas a falha é minha...

domingo, 5 de agosto de 2018

HÁ MAIS ARTE EM NÓS

Escrevi em 28 de abril: a "obra Concorde, Walden I and Walden II, de 1971. Tom Phillips (n. 1937) estava a antecipar, sem o saber o logo da NOS. Há Pop-Art em nós? Em todos nós, decerto". Também há pós-pop, e um design perto do anúncios da NOS, na coleção da Caixa Geral de Depósitos. Há arte em NOS.


Obra de António Quadros Ferreira (n. 1950), da série Perpetuum Mobile
(coleção Caixa Geral de Depósitos)

sábado, 4 de agosto de 2018

CRÓNICAS OLISSIPONENSES - XIII

Largo de Santos - 8:43

Sinal vermelho. Param, lado a lado, um BMW, imaculadamente branco, e uma mota. A senhora, bon chic, bon genre, vestida de roupas claras, penteado platinado, vistosa. Na casa dos 50. Na mota está um jovem, de trinta e poucos. Olham-se, casualmente. A janela do carro está aberta. Ele levanta a viseira. Cabelos em desalinho, barba de três dias. Ar de bad boy. Diz-lhe, em tom simpático (ronronante, vá lá...) "já hoje lhe disseram que está muito bonita?". Ela atira a cabeça para trás numa gargalhada, surpreendida e agradada. Visivelmente agradada. Caiu o sinal verde. Seguiram cada um o seu caminho.


O quadro intitula-se A aranha e a mosca (!) e é obra do italiano Eugene de Blaas (1843-1931).

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

PEDRO MARQUES E A FERROVIA IMAGINÁRIA

Afinal há mais ferrovias em estado fantasma. Não é só Beja. Como dizemos no Alentejo, o sol a mais dá cabo do sentido às pessoas...

DIA NACIONAL DA CADEIRA

Faz hoje 50 anos que uma simples cadeira de lona fez o que a Oposição não conseguiu durante mais de 40 anos: afastar Salazar do poder. A queda de um ditador devido a problemas de carpintaria só podia ter o seu epílogo numa cena burlesca, ocorrida no velório de Salazar. A dada altura, surgem em cena os homens mais alto e mais baixo de Portugal: Gabriel Monjane e Toninho de Arcozelo. Quando hoje olho a fotografia só me ocorre pensar "quem terá sido o autor de tão brilhante inspiração?". 


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

TEXTO MAIS LIDO NO MÊS DE JULHO DE 2018: ANTÓNIO BORGES COELHO - PRÉMIO UNIVERSIDADE DE LISBOA 2018

Foi no dia da tomada da Bastilha. Divulguei a atribuição do prémio. E telefonei depois ao premiado. As 1194 leituras que o texto teve são mérito de António Borges Coelho. Um dos nomes mais queridos a gerações de alunos, na Faculdade de Letras de Lisboa (e fora dela).

SÁBADO, 14 DE JULHO DE 2018


ANTÓNIO BORGES COELHO - PRÉMIO UNIVERSIDADE DE LISBOA 2018

Do site do Centro de História da Universidade de Lisboa:

O Prémio Universidade de Lisboa 2018 foi atribuído, no passado dia 4 de Julho, a António Borges Coelho, investigador emérito do Centro de História da Universidade de Lisboa e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Citando a deliberação do júri, "António Borges Coelho é um nome singular na historiografia portuguesa contemporânea. A sua obra incide sobre tópicos tão diversos como as raízes da expansão portuguesa, a revolução de 1383, a história da Iniquisição, a multissecular presença árabe no que é hoje Portugal, e a historiografia portuguesa. Este trabalho, inovador nos domínios tratados, culmina numa História de Portugal em diversos volumes, que prossegue, em que o autor cumulativamente delineia uma interpretação global do percurso histórico nacional, das origens à actualidade. Foi, a partir de 1974, professor na Faculdade de Letras de Lisboa, onde atingiu a cátedra. Formou, ao longo de décadas, centenas de alunos, nos quais deixou marcas, pelas suas qualidades humanas e pedagógicas. Para além da relevância do seu percurso científico, muitas vezes prosseguido em circunstâncias adversas, o júri sublinhou a grande erudição e acessibilidade da sua obra, e o seu comprometimento com a cultura e língua, evidenciado no modo como integra na narrativa dos acontecimentos a carcterização detalhada de instituições, informações demográficas, e estruturas económicas, sociais e culturais."


Gosto em especial da frase "formou, ao longo de décadas, centenas de alunos, nos quais deixou marcas, pelas suas qualidades humanas e pedagógicas". Não foi meu professor, do ponto de vista formal, mas foi-o de muitas outras formas.


*****

Ler este início do seu livro Raízes da expansão portuguesa, aos 16 anos, deixou-me marcas inapagáveis:


Ao sul e leste o Saará, a oeste o Atlântico, a norte o Mediterrâneo, a oriente desertos e a estrada natural do norte de África, a estrada das invasões, das especiarias e do Islão: eis Marrocos.

No mapa parece um cavalo deitado voltado para o Mediterrâneo com a garupa nervosa bem recortada sobre o Atlântico. A cordilheira do Atlas com os seus 4000 metros de altitude liberta-o da estepe e dos desertos do Leste. Depois os seus campos vão descendo de planalto em planalto, abrindo sobre o oceano os seus largos terraços de terras úberes. Atlas, o velho gigante, não sustenta o céu com os seus ombros possantes, mas sustém estes açafates mouriscos que podem abarrotar de cereais, de gados e de frutas. Um outro braço de montanhas corre paralelamente ao Mediterrâneo - é a cordilheira do Rif, muralha onde vêm quebrar-se as ondas invasoras.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

NÃO, PROF. RUI RAMOS, NÃO É TUDO IGUAL!


A política é hoje uma via rápida de enriquecimento? Para os do arco do poder, talvez. Para os pseudomoralistas, talvez. Não faço julgamentos. Para os políticos do Partido Comunista Português, decerto que não. É um exclusivo do PCP e da CDU? Não, felizmente! Mas nesse terreno damos cartas.

Olhando em volta (e falo do meu território raiano) penso em autarcas como Carreira Marques, Lopes Guerreiro, Fernando Caeiros, José Pós-de-Mina, Paulo Neto, Fernando Rosa, João Rocha, Abílio Fernandes, António Tereno, em deputados como João Ramos, José Soeiro etc. etc. Uns continuam mais ativos que outros. Mas o estilo de vida continua discreto. Não consta que tenham andado em negociatas durante, ou mesmo depois dos momentos de protagonismo.

Não, caro Prof. Rui Ramos, isto não é tudo igual...

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: HORTELÃ DA RIBEIRA


É uma planta do Mediterrâneo Ocidental. A hortelã da ribeira (mentha cervina) tem outros nomes: alecrim-do-rio, erva-peixeira, hortelã-crespa, hortelã-dos-campos, hortelã-dos-pântanos e menta-peixeira. O sabor e a textura da hortelã da ribeira fazem parte das nossas vidas. Não há nenhum fado sobre a hortelã da ribeira. No dia em que partiu Celeste Rodrigues (injustamente na sombra...) aqui fica, à falta de hortelã, este verde limão.

terça-feira, 31 de julho de 2018

O QUE QUER DIZER PORTUGAL

Um facto curioso, e que merece ser olhado de frente. Muitos emigrantes usam, a par da bandeira nacional, o logotipo da Federação Portuguesa de Futebol como símbolo do País de origem. Ou seja, a seleção de futebol é Portugal. Também é, naturalmente, mas que se sobreponha aos símbolos oficiais torna-se interessante. Decerto que quem está a trabalhar fora de portas admira os astros da bola, e neles se revê (a maior parte dos jogadores também trabalha no estrangeiro). Tenho a certeza que a classe política não tem a mesma popularidade.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

LOULÉ - 1/5

Dias louletanos. Às tantas, dou com esta placa toponímica, referente ao promotor do carnaval civilizado de Loulé. Quando terá sido? E como terá sido? Fico com a vaga suspeita que "antes" era melhor.



Loulé - Carnaval civilizado


Trinidad and Tobago - Carnaval que não parece lá muito civilizado