segunda-feira, 13 de abril de 2026
TODD WEBB
sexta-feira, 10 de abril de 2026
CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - 150 ANOS
Há bancos mais antigos, claro. Mesmo em Portugal! Mas este é público.
Fui convidado a estar presente no encontro que assinalou a data. Um acontecimento muito interessante. Pelo que foi dito e, por vezes, como foi dito. Mas isso ficará para mais tarde.
Para já assinalam-se os 150 anos da Caixa Geral de Depósitos. Uma efeméride importante.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
ARTE ISLÂMICA EM MOURA
Há temas recorrentes... Este "persegue-me" há quatro décadas. Houve uma primeira publicação em 1994. Dei o assunto por encerrado. Até que, há cerca de 15 anos, duas plaquinhas em osso relançaram o assunto. Não havia uma arqueta do final do período islâmico, havia duas! E com a mesma representação geométrica. E, aposto eu!, são coisas de produção local.
Que fazer?, para recordar uma pergunta "clássica". Recomeçar. Uma vez e outra. De momento, as plaquinhas estão no Instituto José de Figueiredo, em Lisboa, para análise de pigmentos. Não se esperam grandes surpresas, mas é o procedimento canónico. Depois retomaremos (o José Gonçalo, a Vanessa Gaspar e eu) um manuscrito que está meio e publicaremos o estudo. Edição bilingue português/inglês da MULTICULTI. Quando? Lá para o outono. Deste ano...
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
FIDEL CASTRO
“Quanto mais o tempo passa, mais cresce a minha admiração por Fidel Castro. Pela coragem, pela capacidade de resistência, pelo desafio, pela tentativa de criação de um modelo alternativo, por ter criado em tantos de nós a ideia de que a utopia era possível. E quanto mais vejo tantos políticos de pantufas, acomodados e sem uma chispa de entusiasmo ou de imaginação, mais essa admiração cresce”. Escrevi isto em dezembro de 2024. Mais o escreveria agora.
No dia 8 de janeiro de 1959, Fidel Castro entrou em Havana. Triunfava um dos mais improváveis sonhos do século XX. Há uma célebre fotografia do desfile triunfal, onde estão Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos. Cienfuegos morreu poucos meses mais tarde, Che faleceu em 1967, Fidel em 2016. A revolução perdeu a sua aura romântica? Sim. Teve momentos e atos com não concordo? Sim, sem dúvida. Mas nunca deixará de nos fazer sonhar. E veio mostrar que a vontade dos povos deve ser mais forte que o imperialismo.
Poucos meses depois desse desfile, em abril de 1959, Castro foi visitar os Estados Unidos. Eisenhower não lhe passou cartão (“esnobou” dizem os brasileiros, e a palavra é fantástica) e foi jogar golfe. O resto da História é conhecida, porque essa viagem se revelaria decisiva. Pico, plagio, copio, sem vergonha e com orgulho, dois excertos de um magnífico texto publicado por Miguel Urbano Rodrigues no “Avante!” e no “Granma”, em 2006. Um texto sem rugas e pleno de verdade:
“A Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade.
Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos”.
O que Cuba fez, ao longo de décadas, foi um combate extraordinário de David contra Golias. O rejeitar a ilha-paraíso-bordel dos vizinhos do lado e o tentar construir uma realidade alternativa. O percurso não foi isento de contradições, nem de erros.
Depois de seis décadas de um bloqueio ilegal (e isso que importa, para quem é a justiça a oeste de Pecos?), o sufoco torna-se quase total. Algo irá mudar, nos próximos tempos. Não será nada de decente… Ter estudado História é, neste caso e assim suponho, uma vantagem. Porque nos remete para o passado e nos dá uma leitura mais abrangente das coisas. E a história recente da América Latina é um longo estendal de ingerências americanas e uma longa luta entre liberdade e opressão. E onde há fome e não há educação nem cuidados de saúde, não há democracia e não há liberdade. Há, em tudo isto, um sim e um não.
É por isso que estou com Lula da Silva e com João Goulart e não com Jair Bolsonaro ou com Costa e Silva. Sim, mil vezes sim, com Chávez e jamais com Pérez Jiménez (cujos esbirros acabaram como acabaram...) ou com Andrés Pérez. Sim com Salvador Allende e nunca com Augusto Pinochet. Sempre com Juan José Torres e com Evo Morales e nunca com Hugo Banzer. Sempre com Rafael Correa e nunca com Lenin Moreno. Sim a Velasco Alvarado e não a Morales-Bermúdez.
Quanto a Fidel Castro, a sua luta perdurará. Sabiamente disse, há quase 73 anos, “a História me absolverá”. Não só já o absolveu, como reconhecerá muito mais que isso.
Crónica em "A Planície"
quarta-feira, 1 de abril de 2026
LUSTRO EM SANTA ENGRÁCIA
Faz hoje cinco anos que iniciei as minhas funções como diretor do Panteão Nacional. Um lustro. Creio que só os 50+ sabem o que é um lustro, ou um quintal, ou uma grosa.
Ao longo destes cinco anos, o foco esteve na atividade, no programação, na investigação, na procura de soluções para reabilitação do monumento. Não me cabe nem quero fazer qualquer auto-avaliação.
Posso dizer que, do ponto de vista pessoal, têm sido anos bons. O balanço há-de fazer-se depois.
segunda-feira, 30 de março de 2026
KITABU UMDATI
domingo, 29 de março de 2026
UM CONTO DE AMOR E MORTE
Nunca tinha visto "ao vivo"... Todo o arrebatamento do amor e da morte, em especial neste momento do segundo ato.
Esta gravação tem mais de 30 anos e não envelhece. "Tristão e Isolda" também não.
quinta-feira, 26 de março de 2026
PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO
Ao escrever hoje um texto, Bertolt Brecht (1898-1956) foi imagem recorrente. Uma vez e outra. Quem constrói as coisas, é o que me pergunto?... E quem tem direito aos nomes? E para quê? Josef Koudelka (n. 1938) e as suas ruínas vieram em meu auxílio.
Nos livros vem o nome dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram os seus pedreiros? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
só tinha palácios
para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas.
segunda-feira, 23 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
POESIA GEOMÉTRICA
Uma fantástica peça no Museu de Silves - quase avant-garde ao jeito ao século XI, com todo o seu matemático geometrismo - levou-me direto a este poema:
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
quinta-feira, 19 de março de 2026
UMA TRAGÉDIA GREGA NO CINEMA
segunda-feira, 16 de março de 2026
SILVES, DAQUI A DIAS
sábado, 14 de março de 2026
quinta-feira, 12 de março de 2026
PANTEÃO NACIONAL - MODOS DE VER
A inauguração foi ontem, ao fim da tarde.
Uma recolha longa de imagens, que pode ser vista até final de junho.
Aqui reproduzo o texto de abertura da exposição:
O título da exposição evoca, e apenas isso, uma conhecida obra de John Berger. Não são as perspetivas ideológicas da Arte que aqui nos motivam. Mas sim, de forma muito explícita, os vários modos como o Panteão tem sido olhado.
A parte central da exposição mostra todas as propostas de remate do monumento que, ao longo dos séculos XIX e XX, foram sendo traçadas. São imagens de um panteão que, verdadeiramente, nunca existiu.
“Panteão Nacional – modos de ver” propõe um percurso marcado por uma deliberada diversidade. Abrange os registos mais antigos do monumento (telas, painéis de azulejos...), as representações do Panteão na publicidade, as perspetivas que gerou em artistas contemporâneos ou os momentos históricos de que foi protagonista. A banda desenhada, a televisão, os discos, aproximam o monumento dos “media” dos nossos dias.
“Panteão Nacional – modos de ver” não é uma monografia sob a forma de imagens. Nem apresenta uma narrativa histórica. É antes um convite à descoberta das diferentes representações que o monumento tem motivado. É também um desafio aos visitantes, que podem, a partir daqui, criar o seu próprio modo de ver o Panteão.
segunda-feira, 9 de março de 2026
C.N.C.D.P.
No sábado passado tive como memória recorrente a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Extinta em 2002 às ordens do governo de Durão Barroso. Aquele processo de extinção é um verdadeiro manual de como-não-fazer. A C.N.C.D.P. foi uma verdadeira escola de quadros e de produção de conhecimento. Saber aproveitar esse potencial teria sido importante para o nosso País. Infelizmente, isso não aconteceu.
sábado, 7 de março de 2026
AMÁLIA POR THURSTON HOPKINS
quinta-feira, 5 de março de 2026
RUA MOITA MACEDO
Às 17:41 de hoje descerrou-se a placa toponímica. Um vento gelado varria o Lumiar. Entre as Ruas Pina Bausch e Querubim Lapa criou-se espaço para Moita Macedo, o poeta, o pintor, o militante comunista. Uma justa homenagem e uma semente para o futuro. As brilhantes palavras de Mário Avelar explicaram tudo e tudo iluminaram. Lá estive, entre amigos e memórias. Que se me repetiram, uma vez e outra, no regresso a casa. Uma muito feliz tarde fria.
Da esquerda para a direita:
Carlos Moedas (Pres. CML), Ricardo Mexia (Pres. J.F. Lumiar), Maria Rosário Macedo e Paulo Macedo.
quarta-feira, 4 de março de 2026
ÚLTIMO DIA
segunda-feira, 2 de março de 2026
MEIN DONALD, I CAN WALK!
Sem nenhuma vontade de rir, nem de sorrir, recordo o final de um filme de Stanley Kubrick.
domingo, 1 de março de 2026
O TURISMO E OS OUTROS, QUE SOMOS NÓS
“Olha para isto! Olha para isto!”, acotovelava-me Cláudio Torres. Andávamos algures entre a cidade antiga de Tânger e a zona nova. Era perto da hora do almoço e uma multidão de gaiatos saia da escola. Uma torrente de juventude e de alegria varria as ruas da cidade marroquina. “Já viste? Isto lá já acabou. São estes é que nos vão salvar”. Vivia-se o verão de 1999 e tanta juventude (só veria algo semelhante, anos mais tarde, na Guiné-Bissau) começava a rarear por cá. Aquela frase “são estes é que nos vão salvar” só anos mais tarde me faria total sentido, mas o Cláudio sempre teve aquela particularidade de ver muito longe.
Nos tempos de juventude, gostava de vagabundear, solitariamente, horas a fio, pelos bairros antigos de Lisboa. Corri, muitas vezes, as ruas de Alfama. Ao ali regressar, em 2021, para me fixar no meu local de trabalho (no limite entre Alfama e a Graça) constatei, com consternação que a cidade antiga quase morrera. Crianças não há, os velhos são poucos, os portugueses uma raridade. Há alojamento local, há turistas, há edifícios em obras. Os operários são, maioritariamente, imigrantes. As coletividades definham, as velhas tabernas desapareceram para dar lugar a tretas de “wine and food”. O génio do lugar desapareceu e não voltará.
Ao passar, há dias pela Rua de S. João da Praça, entrei no túnel do tempo. Recuei 30 anos. Conduzia um grupo de amigos franceses, mais velhos, pelas ruas de Alfama. Ao acaso, ainda não havia lojas para turistas e eram poucos os “restaurantes típicos”. Em plena rua estava um grelhador com sardinhas. O cozinheiro não estava à vista. E ei-lo que sai, quase em passo de corrida, do seu estabelecimento, de tesoura ainda em punho, para, num golpe rápido, mandar uns borrifos de água para o grelhador e virar as sardinhas. Era o barbeiro que, no meio do atendimento, preparava o almoço. Depois regressou, para dentro da barbearia, no mesmo passo rápido.
Os amigos franceses ficaram extasiados, como os grupos de excursionistas sempre ficam, quando desembarcam em sítios longínquos e exóticos e veem coisas que, nos países civilizados, fazem parte dos livros de histórias.
Não podemos, seguramente, desejar um mundo congelado no tempo. Muito menos podemos pensar que seria conveniente que não houvesse turistas. Era só o que faltava. Mas a verdade é que esta avalanche, sem a contrapartida juvenil que África ainda tem, levou tudo à frente. Por aquelas bandas ficámos sem os sítios que são o espelho de nós próprios. E que são a nossa identidade. Como a taberna com colunas de ferro forjado onde acabei por almoçar com o grupo gaulês, perto do Chafariz d'el-Rei. Passei por lá há semanas. O sítio tinha vestido um ar sofisticado. Não entrei. Fui afogar as mágoas prandiais do “Pitéu da Graça”, onde os turistas ainda não chegaram em avalanches. Não servem pizzas, nem lasanha, nem hambúrgueres, nem tacos, nem sushi. Só coisas decentes, como vitela no tacho, filetes de peixe galo, petingas fritas, bacalhau com todos...
Fico sempre a pensar quanto tempo mais teremos sítios assim. E quando é que, à força do turismo, passaremos, de vez, a ser apenas os outros.
Crónica em "A Planície"
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
COLHOADA
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
LS XARUTOS DE L FARAO
Foi com surpresa e entusiasmo que recebi a notícia desta tradução. Afinal, o mirandês é a segunda língua oficial do nosso Pais. Não o falo, claro, embora o leia sem qualquer problema. Como também sou fã dos livros do Tintim isso deu-me cá uma ideia...
sábado, 21 de fevereiro de 2026
DIMYANA, DONA ANA, JILLA E BENAGIL
A toponímia dá pano para mangas.
Retomo dois topónimos: Dimyana e [Qaryat] Jilla. Onde se localizariam? As hipóteses têm sido muitas.
Em relação ao primeiro, recupero uma ideia já com uns anos: Dimyana é um sítio referido no Mujam al-Buldan, de Yāqūt al-Rūmi. O topónimo não foi, até hoje, identificado, embora saibamos que fazia parte de Akshunia (Ocsónoba/Faro). Ou seja, provavelmente o topónimo medieval de Dimyana corresponde à zona da praia de Dona Ana, a curta distância de Lagos e 65 kms. a oeste de Faro. O autor do Mujam al-Buldan, normalmente citado como Yāqūt al-Hamawī (1179–1229) viveu na região da Mesopotâmia. Do seu tratado há uma síntese disponível nos vols. 39 e 41-42 da revista "Studia" (1974 e 1979).
Quanto a Jilla, terra natal de Ibn Qasi, segundo Ibn al-Jatīb, situar-se-ia perto de Silves. Surgiram, ao longo dos anos, diversas interpretações, identificando Jilla com o rio Gilão ou com o topónimo Julia, junto a Alte. Jilla corresponderia ao sítio onde Ibn Qasi mandou construir um ribāt. Prudentemente, Christophe Picard fez questão de sublinhar que este ribāt não coincidia com o de Arrifana. E tinha razão.
Estou hoje convencido que a proximidade fonética entre Jilla e Benagil dá sentido à possibilidade de se ter situado neste local da costa o ribāt mandado construir por Ibn Qasi na primeira metade do século XII.
Dados concretos:Benagil fica 11 quilómetros a sul de Silves e 3,5 quilómetros a leste da Senhora da Rocha. Uma localização perfeita.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
FREDERICK WISEMAN: 1930-2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
PORQUÊ VIRIATO E NÃO REQUIÁRIO OU IBN QASI?
É para depois do Carnaval. Vai ser no dia 20, na minha alma mater. Vai ser interessante este regresso. Até porque há uma pequena e (quase inédita) história em torno de Ibn Qasi que irá ser por mim contada.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
RÁDIO SAUDADE - ÚLTIMA EMISSÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2026
COMPLEXO BRASIL
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
ANATOLE CALMELS & SOARES DOS REIS
Cinco gessos, pouco vistos pelo público, estarão em exposição durante um mês, no coro baixo do Panteão Nacional.
Será o momento para revisitar estas obras de Anatole Calmels (1822-1906) e de Soares dos Reis (1847-1889), dois nomes de grande destaque na nossa escultura do século XIX.