domingo, 28 de junho de 2026
MEL BROOKS 100
sexta-feira, 26 de junho de 2026
CLAQUES E POESIA
A cena passou-se no início da década de 80. As músicas do PREC ainda por ali (aqui) andavam. Um delas era de José Jorge Letria, que musicara um poema de Hélia Correia.
A claque do Benfica - eram claques improvisadas, nada como as dos dias de hoje - resolveu celebrar a conquista de um título cantando / adaptando parte de um poema de Hélia Correia.
Era assim:
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
Benfica é campeão.
Parece mentira mas, juro!, aconteceu mesmo.
Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.
Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.
Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão
segunda-feira, 22 de junho de 2026
WATERLOO SUNSET
O passado não é melhor que o presente. Mas tenho saudades de ver bons filmes na RTP1, ao sábado à noite. Procurei este telefilme da BBC durante muito tempo. A "solução" era fácil, mas não me ocorreu que o nome fosse o de uma canção que é cantada, logo no início: "Waterloo sunset", dos Kinks.
De que trata este telefilme absolutamente maravilhoso? É a história de uma senhora idosa, que resolve fugir do lar, e regressar ao sítio de origem. Acaba por, acidentalmente, conhecer uma comunidade de jovens jamaicanos, que a "adota". Resultado: copos, charros, reggae, festas. A história não tem um final feliz. O filho, um "atinadinho", vai resgatá-la dos "perigos" e remete-a, de novo, ao lar. Onde lhe garante que será feliz.
"Waterloo sunset" foi rodado em 1978 e tem um argumento excecional de Barrie Keeffe (1945-2019), de grande ternura e inteligência. E conta com uma soberba interpretação de Queenie Watts (1923-1980), falecida pouco depois da rodagem. O pior é o sotaque cockney dela... Nada fácil de seguir sem legendas.
O filme integrava uma série de peças para televisão (foram gravadas mais de 300!, entre 1970 e 1984), intitulada Play for today.
Gosto do final, quando ela vai no carro, insultando mentalmente os "bourgeois fascists".
Passou na RTP, em 1983 ou 1984. Nunca se me apagou da memória:
Play for Today - Waterloo Sunset (1979) by Barrie Keeffe & Richard Eyre
sábado, 20 de junho de 2026
LUMUMBA
quinta-feira, 18 de junho de 2026
UM CLUBE MUITO EXCLUSIVO
Esta é a Jules Rimet, uma bonita peça art-deco, ganha de vez pelo Brasil em 1970. Não tem nada a ver com o atual troféu, uma horrenda criação, muito típica dos anos 70.
Até agora, oito países entraram neste clube muito exclusivo:
Alemanha
Argentina
Brasil
Espanha
França
Inglaterra
Itália
Uruguai
O mais recente a ingressar no clube foi a Espanha, em 2010. Sete poderão repetir o feito. E cinco já ganharam neste século.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
SOMBRAS
Adger Cowans (n. 1939) é um fotógrafo norte-americano. Quando vejo as fotografias dele penso sempre "é isto mesmo". Como neste Três sombras, de 1960. Uma enorme simplicidade neste jogo de luzes e sombras.
sábado, 13 de junho de 2026
FROM MOURA TO AYAMONTE
A primeira parte da história tem uns anos:
Num restaurante de Moura o dono, um jovem simpático e jovial, mostrou-me a ementa: "já viu? traduzi para inglês!". Olhei o menu à porta, com atenção. Estaquei num ponto. Havia grilled lizards. Havia o quê? Lagartos grelhados... Supostamente, o meu amigo queria anunciar aquela parte do porco a que chamamos "lagartos". Publicitava, contudo, algo de completamente diferente. Ou seja lagartos, dos verdes mesmos, na grelha. Expliquei o equívoco e aconselhei-o "tira isso daí, antes que tenhas aqueles ingleses, que acham que somos todos uns bárbaros, à perna". Tirou e passou anunciar uma mais banal grilled meat, ou algo assim.
A segunda parte:
O episódio foi revivido há semanas, numa esplanada de Ayamonte. A Luísa, uma jovem amiga, apontou-me a ementa do bar: "já viste aquilo?". Tinham traduzido "raia com pimentão" por "risca com parrika". Dois erros: raya é risca em espanhol (daí o stripe), e pimentão é/pode ser paprika (não parrika) em inglês. Ah, e raia é fishbase 😁😁😁
Imagino o ar intrigado de um inglês a olhar para aquele stripe in parrika... (what the hell do they eat in Spain?...)
quinta-feira, 11 de junho de 2026
COMEÇA O MUNDIAL...
Começa o Mundial.
O deste ano "promete". Quase 50 (!) seleções, milhares de quilómetros em viagens, seleções policiadas, delegações revistadas à chegada, Infantino, um árbitro expulso, um repórter fotográfico idem, jogos da treta para ver em sinal aberto, uma seleção com a camisola vetada, Infantino, o jogador suíço que não foi aceite (!), balbúrdias com os bilhetes e os transportes, e mais o racismo, sempre o racismo. E o mundo de gatas antes um governo abjeto.
Tem muito para correr mal.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
SANTIAGO CUBIDES
sábado, 6 de junho de 2026
CARIOCA
Uma conversa à volta de um filme - Do fundo do coração - trouxe para cima da mesa um música de 1933. Que se ouve fugazmente nesse filme, e que sempre tive como memória cinéfila de Francis Ford Coppola.
Trata-se de "Carioca", e foi composta para o filme Flying down to Rio. Era cantada por Alice Gentle, Movita Castaneda e Etta Moten. Vale a pena ouvir e ver a cena em que Fred Astaire e Ginger Rodgers a dançam.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
PANTEÃO SENSÍVEL
terça-feira, 2 de junho de 2026
DAMNATIO MEMORIAE
Ao ler os documentos do Panteão Nacional não pude deixar de ficar intrigado com a ausência do nome do arquiteto que finalizou o projeto da cúpula (Luís Amoroso Lopes) nos textos que assinalam o final dos trabalhos. Que se terá passado para tão drástico esquecimento? Alguém disso se encarregou... O tempo se encarregou de remeter ao anonimato quem o quis apagar. Hoje é o nome do arquiteto que surge quando se fala do monumento e não o de outras pessoas.
A expressão que me ocorre é “damnatio memoriae”. Significa “condenação da memória”. Equivalia, em Roma, a apagar qualquer traço ou vestígio que pudesse lembrar uma pessoa que tivesse sido votada ao esquecimento. Como se ela nunca tivesse existido.
A História é fértil em episódios assim. Um dos meus preferidos é o da lápide mandada fazer para assinalar a construção de uma torre no castelo de Silves, no verão de 1227. Quem veio a seguir, mandou apagar o nome do construtor. Uma atitude banal. E tão menor quanto banal.
Na terceira linha da inscrição foi, como se pode ver na imagem, intencionalmente destruído o nome de quem mandou fazer a construção e que o arabista Lévi-Provençal identificou como tendo sido Abu l-Ula Idris, filho de Yaqub al-Mansur. Especula-se que o nome do construtor possa ter sido mais tarde apagado por ordem de Ibn Mahfuz, que ali se rebelou contra os almóadas.
Esta tentação de apagamento da memória é tanto mais intencional e violenta, quanto menores são os autores das perseguições. Tal como Ibn Mahfuz tentou apagar a memória de quem o antecedera e tinha construído a torre, há sempre pequenos protagonistas e autores menores que se esforçam por apagar o passado. Como se a História tivesse começado com eles e antes deles nada houvesse. Ora, quem estuda História, como é o caso do autor destas linhas, sabe muito bem que as coisas não são assim.
É sempre uma luta de polos opostos. Entre as atitudes positivas e as negativas. Entre escrever e apagar a escrita. Entre a construção da memória e a sua destruição. Entre o que tem luz e o que a não tem. Como nos filmes, nas óperas, nos bailados de final feliz, em que o bem triunfa sobre o mal, também nas tentativas de apagamento da memória é a verdade que teima sempre em triunfar. É tudo uma questão de tempo e de não se deixar que a memória do passado seja apagada.
Crónica em "A Planície"
domingo, 31 de maio de 2026
NOVE REPETENTES
Faz hoje 65 anos que o Benfica conquistou, pela primeira vez, a Taça dos Campeões Europeus. Dos nove bicampeões restam vivos dois: Mário João e José Augusto.
Alberto da Costa Pereira (1929-1990) Mário João (n. 1935) |
Germano de Figueiredo (1932-2004) |
Ângelo Martins (1930-2020) |
Fernando Cruz |
José Augusto (n. 1937) |
José Águas (1930-2000) |
Mário Coluna (1935-2014) |
Domiciano Cavém (1931-2005) Vem isto a propósito da final de ontem. Cada vez mais as equipas multimilionárias mandam nisto tudo. Veja-se a origem dos campeões das últimas 10 edições: Espanha - 4 Inglaterra - 3 França - 2 Alemanha - 1 Clubes vencedores - 6 Creio ser mais ou menos evidente que um Estrela Vermelha, um Steaua ou mesmo um Porto são coisas irrepetíveis. É pena, mas é assim. |
quinta-feira, 28 de maio de 2026
SACO AZUL
É uma expressão cuja conotação cromática sempre me escapou... Seria por causa do papel selado, que era azul? [o que será papel selado, perguntará um leitor mais jovem que por aqui passe] O significado era bem claro: o de uma contabilidade paralela, de dinheiro "escondido" ou oficialmente inexistente. No Brasil diz-se Caixa 2.
Hoje em dia, o sentido praticamente desapareceu. Tudo se tem tornado mais sofisticado. Acho que foi por isso que me lembrei do "saco azul".
segunda-feira, 25 de maio de 2026
SARDINHAS 2026
É uma das iniciativa das EGEAC - Lisboa Cultura de que mais gosto. Estre concurso das sardinhas tem um sucesso impressionante - e à escala global (3.128 propostas de 66 países).
As (cinco) vencedoras deste anos são, todas elas, excecionais. Mas, de entre as cinco, a minha preferência vai para o azulejo, de Martín Narciso.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
MANUEL BRAVO
JORGE JESUS
segunda-feira, 18 de maio de 2026
AO BRUNO MONTEIRO
Foi com muita pena com soube da saída do Bruno Monteiro da atividade política. Fico com a esperança que não seja de vez e para sempre. Como, aliás, lhe disse ao telefone durante a tarde de ontem.
Conheci o Bruno em 2013, quando foi candidato à Junta de Freguesia. Um candidato-surpresa que ganhou a Junta para a CDU. Foi, durante 12 anos, um brilhante autarca. Sei do que falo, porque acompanhei de perto o seu percurso. Em particular entre 2013 e 2017, quando foi Secretário da Vereação. Um lugar que desempenhou com profissionalismo e seriedade. E com um estilo próprio e pensando pela sua cabeça. Não era um yes-man. "Olha lá, boss [era esse o tratamento que me reservava], não estou de acordo contigo". Assim se forjou uma amizade, franca e leal, que já vai em mais de uma década.
Ir ao Sobral passou a ser "estar com as pessoas de lá". Passei a ser presença assídua em muitos momentos, sempre com ele, enquanto presidente da junta, a enquadrar-me no sítio e a apresentar-me a toda a gente. Fazendo, no fundo, com que passasse a sentir-me em casa. Foi isso que aconteceu, mesmo depois de eu ter deixado a presidência da câmara.
Trabalho, dedicação e inteligência marcaram esse percurso. Em mais de uma década de presidência construiu um caminho, procurando soluções, inovando, fazendo a diferença e liderando. Foram muitas as intervenções, as obras concretas, numa presença permanente e em diálogo aberto. Mesmo com os que combateram de forma desleal. No momento em que, por razões de ordem pessoal, deixa a presidência da Assembleia de Freguesia, faço questão de deixar aqui este testemunho. Nada que o Bruno não saiba, mas há coisas que vale a pena escrever. Até porque espero que este possa não ser o capítulo derradeiro. O concelho de Moura precisa de homens como ele. Que façam a diferença e que façam mais do que a banalidade a que assistimos.
Tal como ontem dissémos "até ao S. Pedro, se não for antes".
domingo, 17 de maio de 2026
AMOR MÍO...
Amor mío é uma das canções que cantava e de que mais gosto. Uma canción por bulería cheia de sentimento e de palavras com alma.
Arriscaria dizer que era praticamente desconhecido em Portugal. Chamava-se José Domínguez Muñoz (1944 – 2026), mas era conhecido como El Cabrero. Que o era, de facto. Nasceu em Aznalcóllar, uma vila perto de Sevilha. A serra era o seu mundo. Anarquista, esquerdista, irreverente e pouco respeitador do status quo, teve problemas recorrentes com o Poder. Grande Homem!
A sua voz é, sem exagero, uma das mais importantes da cultura mediterrânica. Ele era O flamenco. Ouça-se aqui: https://www.youtube.com/watch?v=OuO-PudhAw8
sábado, 16 de maio de 2026
JOÃO ABEL MANTA
Dir-se-ia eterno. É-o, de certo modo. João Abel Manta (1928-2026) foi/é uma figura mais marcante do que a rapidez das coisas permite que se entenda. Foi o mais importante e comprometido desenhador da Revolução.
Este desenho, de 1972, está mais atual que nunca. A eternidade é isso.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
PORTUGAL ATLÂNTICO
quarta-feira, 13 de maio de 2026
INÊS D'OREY
Foi uma escolha declaradamente pessoal. Refiro-me ao convite feito a Inês d'Orey para fotografar o Panteão Nacional. Quase parece contraditório que uma artista por vezes tão despojadamente "nipónica" seja desafiada a abordar o barroco e o neo-barroco do monumento.
O interesse da proposta está aí. E acredito num grande resultado final.
terça-feira, 12 de maio de 2026
ALMA MINHA...
O jornal "Expresso" lançou um conjunto de quatro livros com poemas de Camões. São, em grande maioria, sonetos. Tiveram a boa ideia ideia de filmar atores, cantores, declamadores, interpretando poemas. As imagens andam pelas redes sociais, e o conjuto do que foi filmado pode ser visto no Panteão Nacional.
Interpretação preferida? Esta, dolorida, de Sofia Alves.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O CHIC-NIC
· Que um jardim público seja privatizado, ainda que por umas horas, para usufruto de uns quantos;
· Que o acesso ao local seja, por isso, limitado;
· Que o evento tenha financiamento público (75.000 euros), daí resultando que o que a todos pertence só para alguns reverta;
· Que não haja um mínimo de sensibilidade social e se passe ao lado dos problemas do mundo real (numa cidade, a capital, de está de pernas para o ar);
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O POEMA DO DIA
7 de maio
Negra negríssima ilha
sobre a pedra negra acendem-se os lampiões
ratos enormes cruzam a latrina
detêm-se a ouvir o megafone
olham-nos nos olhos sem pressa
depois partem calmamente.
Carneiros esfolados pendem
sobre o nosso sono.
Poema de Yannis Ritsos (1909-1990), no livro "Diários do exílio", traduzido por José Luís Costa e por Rui Miguel Ribeiro. A fotografia é de Edgar Martins (n. 1977), da série Siloquies and Soliloquies on Death, Life and Other Interludes (2016)
sábado, 2 de maio de 2026
O DESPOVOAMENTO DO "INTERIOR": DO SÉCULO XVI ATÉ AOS NOSSOS DIAS
A cópia (melhor dizendo, o rascunho) do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas está na Biblioteca Nacional de Espanha. Está classificado como manuscrito MSS/9241 e pode ser consultado online: https://bnedigital.bne.es/bd/es/viewer?id=bf5fbebc-a7d6-4e49-9bb8-a9edcb68bbc3 . Foi o que fiz ontem à tarde, cotejando informações "laterais".
Uma das notas mais curiosas reporta-se à fortaleza de Portelo, no concelho de Montalegre. Anota Duarte Darmas o abandono do sítio (nem o alcaide ali vivia...):
"Alcayde nom no vy por que achey a fortaleza soo sem ningem".
Portelo faz fronteira com Espanha. Ficava a 370 quilómetros da capital do reino. Em 2011 a freguesia de Padornelos tinha 124 habitantes. O abandono é antigo.
Ver fotografia atual do sítio em:
quinta-feira, 30 de abril de 2026
CHICa maroca
"Uma pouca de chica maroca" era a expressão usada noutros tempos para classificar algo que não valia nada. Numa versão mais forte, ganhava equivalência escatológica.
Um chicnic? (querendo ser chique, o nome é poroso) Privatizando espaço público?? Com dinheiros públicos? Com que direito?
A imagem representa um chicnic com Maria Antonieta. O último não correu lá muito bem. Foi na Praça da Concórdia...
segunda-feira, 27 de abril de 2026
ÉVORA 27
Espero, ardentemente, estar enganado (espero mesmo, porque sou alentejano e não gosto de ver a região com imagem negativa), mas a suspeita que tenho é que isto não vai correr mesmo nada bem. Falta pouco mais de meio ano e a indefinição é mais que muita.
Veja-se a iniciativa “À mesa é que a gente se entende”, que reúne à mesma mesa os artistas que integram a programação de Évora_27 e as populações de todos os concelhos do Alentejo Central e principais cidades alentejanas. Não sei o que se entende por principais cidades alentejanas. Não estão as dos distritos de Portalegre e de Beja... Portanto é só o Alentejo Central, não o Lateral.
sábado, 25 de abril de 2026
MAR DE ABRIL
Um mar de gente e um mar de juventude na Avenida da Liberdade.
O 25 de abril, o dos cravos vermelhos está vivo. Valha-nos a juventude. E mais o entusiasmo deles.
Isto poderá dar muitas voltas. Ao ponto de partida já não volta.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
EQUUS
O cavalo (Natália Correia)
Teus poros exalam o fumo
Do lar dos deuses de onde vieste.
Rompante de espuma e de lume
És sol quadrúpede ou mar equestre?
Desfilando derramas o ouro
Do teu rio inacabável,
Desmedido relâmpago louro
De um deus equídeo possante e frágil.
Tudo existiu para que fosses
No contraluz desta madrugada
Mitológica proporção perfeita
Em purpúrea bruma recortada.
Pois que te é divino mister
Humanos olhos extasiar
A dúvida é só perceber
Se vieste do sol ou do mar.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS
Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.
A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.
Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.
Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.
O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.
