sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

GEORGES ROUAULT

As obras de Arte atuais de temática religiosa são raras. As que têm qualidade são ainda mais raras. Os motivos são sobejamente conhecidos.

Um dos últimos autores a privilegiar a religião foi Georges Rouault (1871-1958), artista de profunda devoção. Esta representa o batismo. Intitula-se Nous ...c'est en sa mort que nous avons été baptisés e foi pintado entre 1940 e 1948. Pertence ao Centro Pompidou, em Paris.

Rouault mostra-nos que para pintar é preciso saber pintar.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

TENHO BARCOS, TENHO REMOS


A paixão por esta moda é antiga. Em 1983 ou 1984 comprei um "
single", em segunda mão, numa loja da Rua da Prata que se dedicava a esse tipo de vendas. Era uma gravação do Grupo Coral da Casa do Povo de Serpa.

Ouvi-a, fora disso, muito poucas vezes. E sempre na Feira do Vinho da Amareleja. Em 10 de dezembro de 2011 cantada pelo Grupo Coral da Recreativa. Cinco anos volvidos (10.12.2016, precisamente), num momento especialmente emotivo, o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento teve a extraordinária simpatia de me dedicar a moda, interpretando-a de seguida de forma absolutamente magnífica. Depois fui-me um bocadinho abaixo, mas ainda bem que ninguém reparou.


Tenho barcos, tenho remos

Quem embarca, quem embarca?
Quem vem p'ró mar, quem vem?
Quem embarca, quem embarc'olé, minin'ólé?
Quem vem p'ró mar, quem vem?

Quem embarca nos teus olhos,
que linda maré que tem.
Quem embarca nos teus ólé, menin'ólé,
que linda maré que tem!

Tenho barcos, tenho remos,
tenho navios no mar!
Tenh'um amor tão catit'ólé, menin'ólé,
não mo dexõ namorar.

Não mo dexõ namorar,
Não mo dexõ compar'cer!
Se eu com ele não casar, olé, menin'ólé
com outro não há-de ser!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

AMANHÃ, NO "EL CORTE INGLÉS"

Mais uma apresentação do projeto.

Prossegue a "tournée" 😊.



terça-feira, 24 de janeiro de 2023

VAGA DE FRIO

A recente "vaga de frio" (mínimas de 2, 3, 4 graus..., que só podem ser mesmo problemáticas para os sem-abrigo) trouxe-me à memória a inusitada animação ocorrida em Mértola há uns bons 15 ou 16 anos. Equipas femininas do Leste Europeu vinham estagiar para cá porque o tempo era bom. Efetivamente, o final de inverno mertolense andava pelos 16/17 graus, ao nível de um verão setentrional. Muitas das atletas não perdiam a oportunidade de um bom banho de sol em trajes diminutíssimos nas varandas da residencial, para espanto e gáudio de quem passava.

Inverno em Portugal? Olhem para estas entusiastas do clube de natação de Novosibirsk...


NÃO HÁ LONGE NEM DISTÂNCIA?

O ponto mais próximo entre Europa e África é de 14 quilómetros e mais uns metros.

Em escala mourense: da ribeira de Toutalga a Safara.

Em escala lisboeta: da estação de Santa Apolónia a Santa Iria da Azóia.

Ali morre gente. Todos os dias. Uma lástima. Uma dor sem fim.

De Juan Ramón Jiménez:

El viaje definitivo

… Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando;
y se quedará mi huerto, con su verde árbol,
y con su pozo blanco.

Todas las tardes, el cielo será azul y plácido;
y tocarán, como esta tarde están tocando, 
las campanas del campanario.

Se morirán aquellos que me amaron;
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y en el rincón aquel de mi huerto florido y encalado, 
mi espíritu errará nostáljico…

Y yo me iré; y estaré solo, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco, 
sin cielo azul y plácido…
Y se quedarán los pájaros cantando.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

JOSÉ MATTOSO

Hoje, são 90 anos e 1 dia. Completou ontem 90 anos o professor José Mattoso, um nome maior da nossa historiografia e das nossas letras.

Lembro-me dele assim, em 1990, quando foi meu professor no Mestrado de História Medieval. Tinha ele 57 anos e parecia-me num homem muito velho. Não o era, claro. Leccionava um seminário com o "terrorífico" nome de Representações Mentais do Invisível. Pior, muito pior, eu era o único aluno do seminário. Não tinha fuga possível. Aulas individuais, dadas em tom grave e sem concessões: "já leste isto? já leste aquilo? estes parágrafos que escreveste não valem a pena, não vale a pena descobrir o que está descoberto". Rigor, exigência e disciplina. Foram meses decisivos na minha vida. Levou-me a fazer um trabalho razoavelmente complexo de comparação de ritos e rituais funerários (que prolongamentos teve a Alta Idade Média no Islão Peninsular, perguntava-me ele) e que me ainda hoje me traz gratas e saborosas recordações.

José Mattoso forma, com Cláudio Torres, António Borges Coelho e Pierre Guichard, o quarteto de luxo com que me cruzei na minha carreira. Sou um tipo cheio de sorte.

Parabéns professor e até sexta.

QUANDO O VOTO VAI PARA O LIXO E NÃO SERVE PARA NADA

De surpreendente, isto nada tem.

Um oportunista será sempre um oportunista. Tenho é pena - pena mesmo, nada mais - de ver tanta gente, e por um bom par deles tenho sincera estima ou amizade, correndo atrás desta fraude. Porque Ventura é isso: uma fraude sem soluções.

Também tenho pena que tenha sido um órgão de informação nacional a assinalar este facto, e não a imprensa regional ou local.


domingo, 22 de janeiro de 2023

FORMATO? MAS QUAL FORMATO?

48 seleções??? Isto é o "formato rebaldaria". E o futebol submetido, de vez e sem retorno, aos interesses das grandes multinacionais.

1986 - 24 equipas

1998 - 32 equipas

2010 - 32 equipas

2022 - 32 equipas

Em 2034 como será? 96 equipas???

sábado, 21 de janeiro de 2023

AOS ANDALUZES DE JAÉN

As oliveiras foram pintadas por Van Gogh durante a sua estada em Saint-Rémy-de-Provence, em 1889. O quadro está hoje no MOMA, em Nova Iorque. Jáen fica mais perto.

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién,
quién levantó los olivos?

 

No los levantó la nada,
ni el dinero, ni el señor,
sino la tierra callada,
el trabajo y el sudor.

 

Unidos al agua pura
y a los planetas unidos,
los tres dieron la hermosura
de los troncos retorcidos.

 

Levántate, olivo cano,
dijeron al pie del viento.
Y el olivo alzó una mano
poderosa de cimiento.

 

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
decidme en el alma: ¿quién
amamantó los olivos?

 

Vuestra sangre, vuestra vida,
no la del explotador
que se enriqueció en la herida
generosa del sudor.

 

No la del terrateniente
que os sepultó en la pobreza,
que os pisoteó la frente,
que os redujo la cabeza.

 

Árboles que vuestro afán
consagró al centro del día
eran principio de un pan
que sólo el otro comía.

 

¡Cuántos siglos de aceituna,
los pies y las manos presos,
sol a sol y luna a luna,
pesan sobre vuestros huesos!

 

Andaluces de Jaén,
aceituneros altivos,
pregunta mi alma: ¿de quién,
de quién son estos olivos?

 

Jaén, levántate brava
sobre tus piedras lunares,
no vayas a ser esclava
con todos tus olivares.

 

Dentro de la claridad
del aceite y sus aromas,
indican tu libertad
la libertad de las lomas.

Miguel Hernández (1910-1942) é um nome grande da poesia espanhola e de todo o mundo. O concelho de Moura guarda a duvidosa "honra" de ter sido aqui que Miguel Hernández foi preso ao tentar atravessar a fronteira, poucos dias depois de terminada a Guerra Civil de Espanha. Levado para o Rosal de la Frontera e depois para Huelva terminou os seus dias na prisão, vitimado por uma tuberculose. Estes aceituneros têm tudo a ver com este mundo em que vivemos..


sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

CORO NO PANTEÃO: DOMINGO

É o terceiro concerto do segundo ciclo "Música no Panteão".

A dimensão do coro, e as características do espaço, levam a que este concerto, como outros do mesmo género, tenha lugar no espaço central do monumento.

A lotação é maior, mas não ilimitada: 250 lugares sentados, mais uma pequena margem de tolerância para quem queira ficar de pé.

SANTO ALEIXO? ALDEIAS? ORA, ORA...

Pergunta: como é que se decide a data de uma feira?

Resposta: cumprindo o respetivo regulamento municipal.

Pergunta: quando deveria ter lugar a Feira de Maio deste ano?

Resposta: de 11 a 14 de maio.

Porque é que foi alterada a data? Por causa de uma feira em Jaén, que fica a 435 quilómetros de Moura.

É mais que discutível que uma feira a centenas de quilómetros interfira com a OLIVOMOURA.

Tanta atenção a isso e tanta desatenção e tanta falta de consideração para com as pessoas de Santo Aleixo da Restauração, que fica a 30 quilómetros e celebra a Festa de Santo António nos dias 5, 6 e 7 de maio.


AMILCAR CABRAL, 50 ANOS DEPOIS

Recordo esta imagem de uma biografia sobre Amílcar Cabral (1924-1973) escrito pelo jornalista soviético Oleg Ignatiev. Gosto da fotografia e do ar de desafio.

Amílcar Cabral foi assassinado há 50 anos. A independência da Guiné-Bissau seria declarada oito meses volvidos.

A morte de Cabral, com a guerra colonial sem ponto de retorno, foi uma perda para todos nós.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

CAIRUÃO

Não vou há muitos anos a Cairuão. Uns 13 ou 14 talvez. Foi um sítio marcante, na primeira viagem à Tunísia, no verão de 2002. Tenho um par de fotografias da mesquita. Nada que se compare, ou remotamente se aproxime, ao esplendor do que Paul Klee (1879-1940) nos deixou, depois de visitar a cidade, em 1914.

Instante

Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio

(Sophia de Mello Breyner Andresen)




quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

MEMORIAL DA ESCRAVATURA

Há coisas que, em Portugal, nunca perceberei.

Decidiu-se, e bem, que haveria um memorial sobre a escravatura.

Foi decidido que haveria um concurso para escolher o melhor projeto.

Ganhou o concurso o artista angolano Kiluanji Kia Henda. A instalação proposta, em torno das plantações de açúcar (e do sofrimento nelas vivido), parece interessante.

Depois nada. O processo parou. Aguardemos que a plantação nasça.


ONTEM, NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE MOURA

Seis dezenas de pessoas numa sessão destas - num final de tarde em que se celebrava o 81º. aniversário do MAC - não é nada mau. Quarto ponto na peregrinação do projeto DUARTE DARMAS. Foi muito agradável este regresso à Secundária de Moura. Pelas presenças de muitos amigos, pelo convívio e pela possibilidade de explicar este projeto. Entre os cálamos que eu levava no bolso e o drone que o Daniel Capa trouxe, tudo ficou mais claro.

Segue-se Serpa, em fevereiro.






terça-feira, 17 de janeiro de 2023

TELE-EVANGELISMO: VERSÃO LUSITANA

Uma animadora de televisão enche um pavilhão com 10.000 pessoas (19 euros a entrada), que vão ouvir um chorrilho de banalidades sobre sapatos caros e imagens da Virgem Maria. Uma parte das elites ri-se, outra desdenha.

Tendo em conta os exemplos recentes dos tele-evangelismos, eu não me riria tanto...


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

STARDUST MEMORIES Nº. 65: A ESCOLA INDUSTRIAL E SEVERO PORTELA

A fotografia deve ter uns bons 55 ou 56 anos. Foi feita no antigo átrio da Escola Industrial e Comercial de Moura. Estão os meus pais. A minha irmã, recordo-o perfeitamente (como é que é possível lembrar-me com tanta clareza?...), estava a moer-me o juízo.

Ao falar hoje com o meu amigo Jorge Pais disse-me "este painel é um trabalho de Severo Portela". Não fazia a mínima ideia dessa autoria.

A "escola industrial" é um sítio de memórias pessoais fortes. Quanto mais o tempo  passa, mais fortes se tornam.

domingo, 15 de janeiro de 2023

2023 - MOMENTO 3

Foi o terceiro momento de trabalho do ano (depois de uma visita oficial a 4 e de uma filmagem a 9): casa cheia para receber Cristina Paiva e Fernando Ladeira, num momento excecional de leitura de textos de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Os primeiros seis meses estão, tranquilamente, programados. O resto se verá.




sábado, 14 de janeiro de 2023

AL-USHBUNA

Última aula do semestre. Ao vivo. Entre as 10:30 e as 13:00, pelos limites da Lisboa Islâmica. Começando pelo castelo, e indo em ziguezague, dentro e fora da cidade, até ao Campo das Cebolas, que antes era praia e agora já não é. Um percurso curto, de 2150 metros, entre ruas, muralhas, locais de culto e memórias de uma urbe mediterrânica.

Várias vezes falei de Jaime Martins Barata (1899-1970), das suas representações da conquista de 1147, tal como várias vezes mencionei o extraordinário livro "A cerca moura de Lisboa", de Augusto Vieira da Silva (1869-1951).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

HERÓIS DE CHAIMITE

Vai haver uma nova linha de metro, na zona norte de Lisboa.

Vai haver novas estações. Uma delas tem o nome de HERÓIS DE CHAIMITE. Pode ser só impressão minha, mas algo me diz que "isto" não vai correr bem.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

SOPHIA NO PANTEÃO

Depois de amanhã as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen serão ditas no Panteão Nacional. É mais uma iniciativa que está no terreno para promover e divulgar o legado de uma das homenageadas no monumento.

MEDIA & CULTURA

Manhã - entrevista para a SIC no Palácio da Calheta, para um programa a difundir daqui por uns meses.

Tarde - entrevista na Rádio Observador: um três em um, Moura + Fotografia + Duarte Darmas.

A decisiva importância da divulgação naquilo que fazemos. A imprescindível presença dos media na nossa vida profissional.


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

AMANHÃ, NA RÁDIO OBSERVADOR (19:15)

Uma entrevista dois-em-um (projeto Duarte Darmas & Panteão Nacional) por João Paulo Sacadura, no seu programa "Convidado Extra". Amanhã, em direto, a partir das 19:15.

Ouvir em - https://observador.pt/radio/player/


LUZ

A luz da nave, ao início da noite, era quase festiva. Pelo menos quando comparada com o sol difuso que, ao longo de todo o dia, por ali andou. A luz dos cenotáfios estava acesa. O solo, preparado para receber os visitantes de terça, tinha sido encerado com afinco. O monumento é bonito aquela hora.

O poema é de Manuel António Pina.


















Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

ÁGUA - PATRIMÓNIO DE MOURA: UMA MEMÓRIA

Na limpeza de um computador encontrei este vídeo, feito para a exposição "Água - património de Moura". Foi em 2015. A exposição em si foi um momento interessante, tanto do ponto de vista profissional, como pelo que, à sua volta, movimentou.

Muitas vezes pensei no trabalho desses meses. Apesar do enorme "stress" que tudo aquilo causou - era o comissariado de uma exposição em cima das tarefas autárquicas - sublinhou(-me) convicções:

1. É necessária imaginar;

2. É necessário planear;

3. É necessário executar;

4. É necessário divulgar.

Em pano de fundo está o conhecimento. Ou seja, a importância da investigação como base do trabalho de divulgação.

domingo, 8 de janeiro de 2023

ESPANTO E TRISTEZA

As imagens que nos chegam do Brasil são claras. Tal como clara é a classificação que a GLOBO atribui aos que hoje se movimentam em Brasília, passando de BOLSONARISTAS RADICAIS para VÂNDALOS TERRORISTAS. A face da democracia que só vale quando se ganha. Ou quando se mobilizam as forças que têm meios financeiros para um combate à margem de todas as regras.

A loucura generaliza-se. Num almoço, há dias, pessoas mais velhas e de ar responsável diziam que obviamente que tinha havido manipulação nos resultados eleitorais norte-americanos e brasileiros. Para evitar males maiores, optei por um preocupado silêncio. Se isto é nas elites...

 O que se vai seguir é imprevisível. Mas vai deixar marcas. E não só no Brasil.


RAMAL DE MOURA

Anos 70 do século XX. Cinco chegadas e cinco partidas diárias. Saía-se para Beja (e Lisboa) às 5.45, às 9.30, às 12.40, às 19. 15 e às 23.10 (!). As chegadas eram às 9.11, às 12.29, às 17.59, às 22.46 e às 00.03. Havia três ligações a Lisboa. O percurso Beja-Moura era vencido em 80 minutos. As automotoras eram ruidosas, lentas, desconfortáveis e cheiravam a gasóleo queimado.

Havia bilhetes de gare - os mais abonados iam esperar familiares e amigos na gare, os outros ficavam a espreitar pelos vidros - e muita gente usava o combóio porque havia muito menos carros particulares.

Se estávamos no centro da vila sabíamos se ia chover quando se ouvia chegar a automotora. O vento "soprava de lá" e a água estava a caminho.

E havia a ponte mista - carros e combóios -, em uso até 1977.

Se tenho saudades das automotoras? Não. Mas gostaria, mais do que consigo escrever, de voltar a fazer aquele percurso. E de passar outra vez por Vila Azedo, por Quintos, pelos Machados e, bem entendido, por Vale de Rãs, a cinco minutos de Moura.

Leia-se, sobre o Ramal de Moura:
Memórias soltas do ramal de Moura / Ivan Valério. - Moura : Câmara Municipal de Moura, 2021. - 120 p. : il. ; 21 cm. - ISBN 978-972-8192-68-6




sábado, 7 de janeiro de 2023

UM FILME INESQUECÍVEL

Sim, este. Mulheres à beira de um ataque de nervos, rodado há 35 anos. Hoje, vá lá saber-se porquê, veio-me à memória a última cena do filme. Num filme pícaro, há uma conclusão dramática. Tudo acaba bem, felizmente.




A FACE SÍNICA DAS EMPRESAS

Quando reparo em novas casas comerciais - por norma aqui nas imediações - e constato que o nome é meio bizarro dou comigo a pensar "isto é coisa da empresa na hora...". Por norma, os nomes elaborados, como A Pousada da Sexta Felicidade, O templo do ganso selvagem ou Montanha de Neve Dragão de Jade, evocam de imediato a China.

Esse barroquismo oriental tem agora um sério e divertido rival: https://justica.gov.pt/Servicos/Empresa-na-Hora.

Alguns exemplos de nomes disponíveis, para quem quiser arrancar com um negócio:
ALFABETO SIDERAL
APLAUSOS DRAPEADOS
DOUTRINA APRAZÍVEL
FAÇANHA VENERÁVEL
FALÉSIA CARISMÁTICA
GÉNESE VANTAJOSA
GOMOS OPULENTOS
MOLÉCULA ABASTADA
NEURÓNIO CINTILANTE
QUADRILÁTERO FRUTADO
SEREIAS INTRÉPIDAS
etc.

É o algoritmo? É. Mas é um algoritmo sínico e criativo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

OBRIGADO, DOM LUÍS I

Republicano mais que convicto que sou não posso deixar de reconhecer o papel crucial desempenhado por D. Luís I (1838-1889) numa matéria crucial e sensível. E em que Portugal tem, para o tema, um enquadramento bem mais democrático e civilizado que outros países.

Recordo, em Dia de Reis, o regime jurídico dos terrenos do Domínio Público Hídrico (marítimo e fluvial), originalmente estabelecido no reinado de Dom Luís I, pelo Decreto Régio de 31 de dezembro de 1864. As praias e as margens são de todos.


































D. Luís I na mui académica representação de José Rodrigues (1866) - Palácio de S. Bento.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

ONTEM: DA HOMENAGEM À CULTURGEST

Uma quarta a fundo, como se diz noutros domínios.
Visita de Annalena Baerbock, Ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha ao Panteão Nacional. Homenagem a Aristides de Sousa Mendes. Um protocolo preciso e rigoroso.
Apresentação do projeto de Duarte Darmas na CULTURGEST. Uma casa cheia e a importância de ter amigos.






















quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

VENTO (EM DIA DE SOL)

ALL DAY LONG

ALL day long in fog and wind,
The waves have flung their beating crests
Against the palisades of adamant.
     My boy, he went to sea, long and long ago,
     Curls of brown were slipping underneath his cap,
     He looked at me from blue and steely eyes;
     Natty, straight and true, he stepped away,
     My boy, he went to sea.
All day long in fog and wind,
The waves have flung their beating crests
Against the palisades of adamant.










Este "Waves breaking against the wind" data de c.1840 e foi pintado por Joseph Turner. Está na Tate, em Londres. O poema é de Carl Sandburg  (1878–1967). Quandto mais o tempo passa mais gosto de um e de outro. Vi estas nuvens contra o vento algures, há dias. É um quadro fantástico. Lembrei-me dele hoje, logo hoje que a luz jorra sobre Lisboa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

TANTO QUE ME LEMBRO DE WOODY ALLEN - CAP. 2: EROTISMO MOURENSE

História com mais de 50 anos, numa taberna, em Moura.

Está a passar um filme na televisão. Um par beija-se. Um espectador, de copo de vinho na mão, agita-se "eh pá, que nojo".

Espanta-se outro frequentador, o meu pai por sinal:

"Chico, nunca beijaste a tua mulher na boca??"

"Eu não, amigo Messias, só na fácia".

Por vezes, a reprodução da espécie parece-me um quase-milagre.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

REVISITAR O TEMPO EM PAYMOGO

O meu bisavô chamava-se João Macias. Foi batizado no dia 28 de fevereiro de 1856. Faleceu em 1940. O pai dele, meu trisavô, chamava-se também João Macias e era natural de Paymogo, na Andaluzia. Tinha como avôs paternos João Garcia e Maria do Sacramento Romeiro e como avós maternos Santiago Macias e Marinha Joanna.

O meu avô chamava-se Santiago, o meu pai João. A mim batizaram-me Santiago. Estive para ser João Santiago, o que seria uma síntese perfeita de dois séculos de história. Teoricamente, deveria chamar-me Santiago Garcia.

Ir a Paymogo era uma aventura. Hoje, são cerca de 70 quilómetros entre Moura e a aldeia. Em 1973, não era assim... Do Rosal ia-se até Cortegana, depois a Almonaster la Real, depois, serra dentro, até Valdelamusa. De seguida Cabezas Rubias, em direção a Puebla de Guzmán (onde o carocha amarelo fez, uma vez, sensação, comentavam uns miúdos "mira qué coche tan bonito...", que os VW eram uma raridade na Espanha franquista). Chegava-se a Paymogo depois de uns longos, lentos e penosos 170 quilómetros.

Fiz o caminho há dias, entrando por detrás do “castillo”, na verdade uma fortificação abaluartada dos séculos XV-XVIII. Foi um mergulho rápido no passado. Entre 1967 e 1972 foram muitas as idas a Paymogo, terra dos antepassados paternos. A máquina do tempo compacta as coisas. Constatei isso na curta passagem pela aldeia. O “casino” já não é da família e não me apeteceu entrar. Havia cartazes do Barcelona, do Atlético e do Madrid, que o tio João era democrático e tinha clientes de todos... Já não deve haver o bilhar nem a casa onde se jogava à batota. Recordo a bonomia do tio João, sorrindo detrás das suas múltiplas dioptrias, que lhe permitiram passar, numa noite de inverno, montado num burro, pelo meio de uma alcateia, convencido que eram os cães do monte vizinho que não o tinham reconhecido... Em frente do “casino” ficava o cinema de verão, uma esplanada que pertencia a uma senhora chamada Silvia.

As minhas ruas eram essas: a Calvo Sotelo, que já retomou o nome antigo Del Santo, e a Calle Camioneta, onde o meu pai passou a infância. Mais o “callejón”, por onde me escapulia, quando não queria que a minha prima Maria me “detetasse”, e a Plaza de San Mateo.

Paymogo pareceu-me triste e com sinais de cansaço nas ruas e nos muros. Dos amigos daqueles dias vi o Angel, que está em Sevilha, mas mantém a casa dos pais. Já não há o “casino” nem a “tienda”. Tios e tias descansam hoje no cemitério, por detrás do “castillo”. Ali estão o meu bisavô, o meu avô e o meu tio. Terminei o ano de 2022 com esta peregrinação e com uma visita à minha prima Pepa. Sedimentar o passado é essencial para a construção do futuro. Coisa que nós, historiadores, bem sabemos.

Bom Ano de 2023!











Setembro de 1968.

Na fila de cima: o Paco, a minha irmã Júlia e o António.

Sentados no chão: Eu e o Angel.

domingo, 1 de janeiro de 2023

PANTEÃO NACIONAL: 150.000

Não era um "objetivo". Foi apenas uma marca simbólica a que se chegou. No final do ano, o Panteão Nacional chegou aos 150.000 visitantes. Uma média de quase 500 visitantes diários. Um bom impulso e um bom desafio para 2023.



sábado, 31 de dezembro de 2022

UM DESEJO, A FECHAR O ANO

Um desejo? Uma coisa simples.
Que os DJ do concelho de Moura recebam uma mensagem convidando-os para o III Congresso Municipal de DJ. Uma iniciativa lançada pela CDU e que não teve, infelizmente, continuidade.