terça-feira, 28 de setembro de 2021

ERA UMA VEZ UMA CASA

Ao subir, no outro dia, a ladeira (os de fora dizem a Avenida, nós dizemos a ladeira) fui surpreendido com esta visão estranha. A casa onde vivi, entre 1963 e 1966, já não existe.Tenho imagens difusas da casa. Recordo o corredor onde dei os primeiros passos, a cozinha ao fundo à direita. Assim como o poço e o quintal, mais para lá do poço.

Ao lado da porta, do lado de dentro da porta, que já não existe, puseram o Calçadinho, o rafeiro velho e quase cego, que morreu atropelado e que foi o meu primeiro companheiro de brincadeiras.

A máquina do tempo funciona sem sequências palpáveis, e só por fragmentos. Tinha 2 ou 3 anos e já lá vai mais de meio século. Da casa resta o solo. Curiosamente, tenho ideia dos tetos de caniço, mas não me lembro do chão.

Era uma vez uma casa.



segunda-feira, 27 de setembro de 2021

CADA UM TEM O JOKER QUE MERECE

Espalham promessas e atiram notas e garantias de coisas que hão-de vir. Mimetizam comportamentos e roupas. São os jokers dos nosso dias.

Provavelmente não deveria dizer isto, mas acho que ainda me vou rir mais do que o joker.


PROLETARIADO(S)

O Alentejo já não tem proletariado rural.

A Margem Sul já não tem proletariado industrial.

O proletariado mudou de ramo. Está nas grandes superfícies, nas empresas de trabalho temporário e a "consciência de classe" é boa para os manuais clássicos.

Explicação simplista? Sim, mas não anda longe da realidade.



domingo, 26 de setembro de 2021

16,4

A nota mais alta de "entrada" em História é a da FCSH, na Nova. A casa onde dou aulas. Sendo oriundo de outra faculdade (a de Letras) fui, desde sempre, recebido na Nova de forma fraterna. É motivo de orgulho ser ali professor convidado. Amanhã inicio novo ano letivo. Com a responsabilidade acrescida de saber que terei como alunos os que melhor nota de acesso tiveram.



ONTEM FOI DIA DE REFLEXÃO

24 horas a refletir. Uma bizantinice hoje sem sentido. Quando é que se põe termo a este arcaísmo? Admitamos que, nos primeiros atos eleitorais em democracia (1975, 1976, 1979, 1980...), esse dia de "reflexão" poderia fazer algum sentido. Hoje é um dia dispensável. Ganharíamos todos se houvesse um pouco de pragmatismo.


sábado, 25 de setembro de 2021

SOLIDARIEDADE

Para com os meus amigos André Linhas Roxas e Luís Xinha, a quem vandalizaram os carros nas últimas 48 horas. Para quê? Porquê? E quem faz estas barbaridades?


35

O tempo voa, dizem. Faz hoje 35 anos que entrei para a Função Pública. De acordo com as regras então em vigor, iria reformar-me no dia 25 de setembro de 2022. Daqui a um ano. Não vai ser bem assim e ainda bem, que é muito cedo. A data avançou uns anitos e agora é final de setembro de 2029, o que se calhar também é demais. Para já...

Em todo o caso, têm sido anos bons em termos de carreira profissional. Já lá vão estas "passagens":
Câmara Municipal de Mértola, o sítio mais importante na minha vida do ponto de vista técnico.
Câmara Municipal de Moura, onde estive poucos anos como técnico, mas foi o sítio mais decisivo do ponto de vista político e onde mais me empenhei (2005-2017)
Câmara Municipal de Lisboa
Universidade do Algarve
Universidade de Coimbra
E, agora, a Direção-Geral do Património Cultural.

35 já cá cantam.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

E TERMINA A CAMPANHA

Faço as contas às voltas dadas pelo concelho em autárquicas: 1989, 1993, 1997, 2001, 2005, 2009, 2013, 2017, 2021. Vão nove campanhas. Hoje termina mais uma. Em clima de confiança e de esperança.

Segunda-feira retomo a minha rotina. Começam as aulas, há livros para terminar, o Panteão Nacional vai ter atividade mais intensa. Se soubesse cantar, cantaria: Al dolce guidami castel natio, / ai verdi platani, al quello rio.


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

IGREJA DE SÃO JOSÉ DOS CARPINTEIROS: PRÉMIO GULBENKIAN PATRIMÓNIO - MARIA TERESA E VASCO VILALVA

Teve ontem lugar a cerimónia de entrega do Prémio Gulbenkian Património. Transcrevo, do site da Fundação:

A reabilitação da Igreja de São José dos Carpinteiros/Casa dos Vinte e Quatro, em Lisboa, levada a cabo pelo Atelier RA Rebelo de Andrade Studio, foi distinguida com o Prémio Gulbenkian Património – Maria Teresa e Vasco Vilalva.

Trata-se de um monumento relevante e com grande peso histórico – a igreja, que data de meados do século XVI, albergou, após o terramoto de 1755, a Casa dos Vinte e Quatro, um órgão deliberativo cuja origem remonta a 1384.

Na sua deliberação para a atribuição do prémio – no valor de 50 mil euros – o júri destacou a localização do edifício – “um bairro que mantém ainda hoje uma vivência muito particular” –, a abertura do espaço “à comunidade de que o monumento faz parte”, a “tenacidade dos promotores” e a “pluridisciplinaridade e elevado nível de qualificação da equipa” responsável pela intervenção. “Finalmente, mas não menos importante”, salientou ainda “a tocante exposição de homenagem, patente ao público, a Gonçalo Ribeiro Telles, morador no bairro, recentemente desaparecido”, referiu ainda o júri.

Para a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, “com este prémio, a Fundação reafirma, ano após ano, o seu compromisso com a conservação, recuperação, valorização ou divulgação de património privado de inquestionável valor cultural”. Desde 2007, a Fundação distinguiu “dezenas de intervenções exemplares, em bens móveis e imóveis, de norte a sul do país”, referiu ainda Isabel Mota.

Nesta edição do prémio, atribuído anualmente pela Fundação Calouste Gulbenkian, foi ainda distinguida, com uma menção honrosa, a intervenção no edifício do gaveto da Rua dos Douradores com a Rua de Santa Justa, também em Lisboa, realizado por José Adrião, Arquitetos. O júri realçou a “coerência e sensibilidade do projeto, destinado a habitação”, o facto de o arquiteto ter sabido “tirar partido das pré-existências, fazendo-o com rigor conceptual e encontrando soluções adequadas à realidade dos nossos dias”, e o “trabalho de recuperação (sem restauro) de pinturas a fresco nas paredes”.

Candidataram-se a esta 13ª edição do Prémio 16 projetos, de norte a sul do território continental, tendo o júri, composto por António Lamas (presidente), Raquel Henriques da Silva, Gonçalo Byrne, Santiago Macias e Rui Vieira Nery deliberado estas duas atribuições por unanimidade.

O Prémio Gulbenkian Património – Maria Teresa e Vasco Vilalva foi criado em 2007 com o intuito de distinguir um projeto de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património cultural português, imóvel ou móvel.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

TERÃO LIDO O LIVRO?

Confesso que não percebi bem a intenção...

Parto do princípio que leram as "Novas cartas portuguesas", que tanto brado deram em 1972. Assim sendo, qual a ideia? Ou foi só o sound-byte? É um cartaz muito Bairro Alto e muito pouco Serpa. Parece-me...



DUQUE DE OSUNA, O DESTRUIDOR

O ano de 1707 foi terrível para os castelos de Moura e de Serpa. A Guerra da Sucessão trouxe as tropas do Duque de Osuna até à margem esquerda do Guadiana. Em Moura, a fortificação seiscentista foi minada em diversos pontos, deixando aberturas nos panos de muralha. Em Serpa, o castelo sofreu danos consideráveis. Não podemos, contudo, deixar de admirar o impacto visual e escultórico desta mole de pedra e argamassa.

Foi a última fotografia de um livro em conclusão. Às 11:58 de hoje.





domingo, 19 de setembro de 2021

BANDA SINFÓNICA DO EXÉRCITO - breve reportagem sem som

Mais de 150 pessoas passaram, ontem, pelo adro do Panteão Nacional, para o concerto da Banda Sinfónica do Exército. Um final de tarde de grande qualidade, com uma excelente banda e com a música de Amilcare Ponchielli, de Clifton Williams, de Marcos Romão dos Reis Júnior e de Joly Braga Santos. Dirigiu o maestro Renato Tomás (alf.).

Arranca, assim, a programação do monumento, com um plano que se estende até final de junho.

Regresso, amanhã de manhã, a Moura, para o resto da campanha.





sábado, 18 de setembro de 2021

REPÚBLICA RITIMBANA

O jogo tinha a ver com a conquista do poder numa imaginária república das bananas (já nos bastam as verdadeiras...) chamada República Ritimbana. Não me recordo dos detalhes mas havia golpes de estado, fugas em helicóptero e combates nas ruas. O grafismo do jogo era mais que sumário e usávamos um SPECTRUM, ligado a um televisor. A capacidade do "computador" era 64k! Uma coisa fantástica, claro.

Assim passei boa parte do meu verão de 1983, entre idas à piscina e as tardes em casa do Francisco Emiliano, na Primeira Rua da Mouraria.

Obrigado, Sir Clive Sinclair.




quinta-feira, 16 de setembro de 2021

AMBIENTE E TRADIÇÃO

De uma coisa tenho a certeza. Só o Mediterrâneo seria capaz de produzir esta cor e este ambiente. Andanças pela Moura mediterrânica levaram-me a esta obra de Nicolas de Staël (1914-1955), datada de 1952/53. Foi feita na zona de Marselha, mas podia ter sido feita algures por cá.

Segunda de manhã, regresso ao Mediterrâneo.




CAMPANHA NO TERRENO

Passeio simpático e de excelente acolhimento no Centro Histórico de Moura. O André Linhas Roxas afirmou-se (há muito!) como alguém muito capaz de dirigir os destinos da Câmara Municipal. Isso é visível e sente-se na forma como inúmeras pessoas se lhe dirigem, para conversar, tirar dúvidas e pedir conselhos.

Do ponto de vista pessoal, este regresso é um retomar de uma caminho bem conhecido (fui candidato, pela primeira vez, em 1993, já lá vão quase 30 anos).

No meio da visita, uma senhora queixou-se a um dos membros da comitiva "com este que lá está não se consegue conversar, quase nunca atende ninguém; o anterior [apontou para mim] era tipo 'tendeiro', atendia toda a gente em toda a parte". Devo dizer que ouvi, mais tarde, este relato com especial prazer e com o sentido do dever cumprido.



terça-feira, 14 de setembro de 2021

MESQUITA OU A CORAGEM DE FAZER COISAS DIFÍCEIS

Início de dia, e de semana, visitando uma escavação, na Mesquita (Mértola). Um projeto internacional com base na Universidade de Granada e apoiado pela Câmara Municipal de Mértola. Um programa de trabalho desafiante e de grande importância. Que teve por base as colunas que estavam à entrada da igrejinha e que apontavam para cronologias antigas (para nós, isto quer dizer Alta Idade média). Os dados agora trazidos à luz do dia, que são só um começo, levantam já várias pistas, todas elas relevantes e que se prendem com:

* Modelos de habitação (cf. infra a planta de Alcaria Longa);

* Ocupação e abandono de sítios (e papel desempenhado pela Reconquista);

* Revisão de cronologias de materiais;

Etc.

Boa sorte, Tucha e Bilal!



segunda-feira, 13 de setembro de 2021

TALVEZ ASSIM SE TENHA CONSCIÊNCIA DA GRAVIDADE DO QUE ESTÁ A SER CRIADO

O Presidente da Assembleia da República foi, ontem à tarde, alvo de uma inadmissível ação de coação promovida por um grupo de negacionistas. Para além do chorrilho de insultos, chamou-me a atenção o conjunto de ameaças feito ao restaurante onde Ferro Rodrigues almoçava.

Já nem precisamos de imaginar a serpente dentro do ovo. Ela já aí está. Cria-se o caos e depois vem a redenção. Temos dias muito perigosos pela frente.




CORO GULBENKIAN NO PANTEÃO NACIONAL - dia 22.9.2021 (20 HORAS)

O Panteão Nacional vai ser palco, no dia 22 de setembro, de um evento muito especial: a atuação do Coro Gulbenkian (bilhetes à venda a partir de hoje, pela Fundação Calouste Gulbenkian - ver aqui).

O concerto vai ser gravado pela RTP, para posterior transmissão televisiva.

Seguem-se, em outubro, a exposição e o arranque de um ciclo de conferências sobre Aristides de Sousa Mendes, a sessão solene de homenagem a este diplomata, a atuação de Pan Daijing (no âmbito da Bienal de Arte Contemporânea) e o começo do ciclo de concertos "Música no Panteão".


domingo, 12 de setembro de 2021

REPORTAGEM DO EXTERIOR

Literalmente do exterior, porque foi na esplanada da Taberna do Liberato que fizemos o lançamento público de um livrinho contendo dois pequenos ensaios sobre o Bairro da Mouraria, em Moura. Um evento ainda condicionado pela pandemia, mas em condições que não seriam imagináveis há seis meses.

Um ambiente fraterno e entre gente próxima. Foi para nós (José Gonçalo, José Finha e eu) uma compensação por tanto tempo de espera.

Em breve se inicia outro trabalho do mesmo género, versando um tempo específico da arqueologia islâmica local.

Vista parcial da plateia.


Os autores e Jorge Liberato, dono da taberna.


Os autores com a segurança privada do evento.


Sessão de autógrafos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

JORGE SAMPAIO (1939-2021)

A partida do Presidente Jorge Sampaio é um momento triste. Foi um Homem que marcou a nossa vida política com a sua seriedade, sentido ético e de serviço à República.

Ficaram célebres as suas hesitações e os seus discursos algo "redondos". Mas o que ficará para a História serão o combate pela Liberdade e a forma íntegra como passou pela política.

Presenciei a sua deslocação a Moura, na primavera de 2004, para a cerimónia de reabertura do castelo. Um momento importante, pautado pela intervenção do Presidente, que obrigou os seguranças a devolverem uma faixa de protesto, exibida por pacíficos manifestantes. Uma atitude que me marcou.

Gosto especialmente destas duas imagens do Presidente Jorge Sampaio: em março de 1962, aos 22 anos, num descontraída atitude de desafio à Ditadura (com aquele ar de "sim, nós podemos e vamos conseguir") e o seu retrato oficial, de uma muito pouco convencional Paula Rego.

Um Presidente para a História.


quinta-feira, 9 de setembro de 2021

50 ANOS DE REAL DE MOURA

"Você estava lá no dia 9 de setembro de 1971? Oh, porra, então está a ficar velho". A afirmação, assim de rajada, hoje pela manhã, vinda do Valter, fez-me soltar uma gargalhada. Que remédio... São duas verdades. Eu estava na Praça de Moura, nessa tarde de verão de 1971 (ver corridas de touros desde muito pequeno "não me fez mal ao sentido") e não estou a ir para novo.

Telefonei-lhe para lhe dar os parabéns. Que se estendem a tantos e tantos que construíram o grupo e fizeram dele um símbolo da nossa terra. Uma história de 50 anos não é coisa pouca. Amanhã e depois lá estarei. Para lhes agradecer.

Escola de Valores e Amizade? Que belo lema, caramba!




BANDA SINFÓNICA DO EXÉRCITO - DIA 18.9.21 (18 HORAS)

A Banda Sinfónica do Exército irá atuar no Panteão Nacional, no próximo dia 18 de setembro, às 18 horas.

O monumento tem vindo a estreitar a colaboração com o Exército Português, estando já previstas novas ações em parceria. Neste caso concreto, o concerto de dia 18 (dirigido pelo Maestro Alferes Renato Tomás) marcará o arranque da programação de outono do Panteão Nacional, que será oportunamente divulgada.




terça-feira, 7 de setembro de 2021

MOURARIA DE MOURA, NO DIA 11 DE SETEMBRO

De 13 de março de 2020 a 11 de setembro de 2021 foi um instantinho. Dezoito meses estranhos. E muitos de nós cheios de sorte. E todos nós a termos direito à vacinação.

Passado este tempo, vamos começar a retomar outras coisas.

Ao final da manhã de sábado da feira, haverá a apresentação de um livro sobre a Mouraria. E mais um pouco de conversa. E um copo ou dois.




segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A TIRIRIQUIZAÇÃO DO DEBATE POLÍTICO

Está dado o mote. És candidato, vais a um debate televisivo e soltas a bojarda "tivemos um ano e meio de merda". Pelo meio atiras umas jonglerias "corto nos funcionários, porque estimula empresas, ganha-se em velocidade blablablabla". A vacuidade e o desconhecimento convertidos em ideário político. É giro, pá, e dizes coisas em estilo mesa de café.

A tiriquização do debate é a parte visível de uma mal generalizado. Que não vem de agora. A berlusconização das televisões fizeram da Política, da Cultura, da Informação um chavascal de ordinárias banalidades. O CHEGA é parte fascizante dessa realidade. O candidato do partido-queque é o lado B, um pouco (mas só um pouco) mais civilizado, deste disco.




JEAN-PIERRE ADAMS (1948-2021)

Morreu aos 73 anos mas, na verdade, só viveu 34 anos. Um erro clínico atirou-o, em março de 1982, para um estado de coma do qual nunca recuperou. Jogou em vários clubes de futebol franceses e foi, mais de 20 vezes, internacional gaulês. Lembro-me bem de o ver atuar, ao lado de Marius Trésor.

A história é conhecida e tem contornos rocambolescos e inacreditáveis. Um dos mais espantosos foi o facto de a família ter tido que lutar nos tribunais durante 12 anos para assegurar a sua sobrevivência. A mulher de Jean-Pierre, Bernardette, ficou ao lado dele durante estes 39 anos.

Jean-Pierre Adamos partiu hoje, depois de um longo e estúpido sono. Nunca chegou a ver os filhos crescer- Bem entendido, nunca conheceu os netos.



domingo, 5 de setembro de 2021

UMA TERRA SEM AMOS

Passagem pela Festa do Avante!, neste domingo. Poderia falar de muitas coisas, a começar pela excecional organização, passando pelo espírito de militância de entrega de tanta gente e terminando na capacidade de mobilização que o PCP demonstra, ano após ano. Coisa que enerva muito boa gente. Ardo em curiosidade para saber o que vão dizer os telejornais...

Fui ter ao Alentejo, com os de Moura. Um pequeno vício sem cura. Passei um excelente dia, com gente solidária. E encontrei muitos camaradas e amigos, como sempre sucede nestas ocasiões.


























sábado, 4 de setembro de 2021

BARBOSANIA GRACILIROSTRIS

Gostei muito de ter ido esta tarde, ao Museu de História Natural, em Sintra, para uma sessão de homenagem ao escritor e pintor Miguel Barbosa (1925-2019). Conheci o Miguel nos anos 80. A pedido de um seu primo fotografei alguns dos seus quadros, retratei-o e fiz depois uma reportagem durante uma inauguração numa galeria algures em Lisboa. Aos 20 anos somos de um imenso descaramento...

Fui-me cruzando com o Miguel ao longo dos anos, não tantas vezes quantas gostaria que tivesse acontecido. Era um pintor e um poeta de temas românticos, ainda que a sua forma de expressão fosse bem atual. Sempre achei extraordinária a sua enorme bonomia e a sua simplicidade. Viajou por todo o mundo, sem nunca narrar aventuras com jactância. Uma vez, num almoço, disparou-me esta "em Marrocos vou sempre para hotéis baratos; os pobres nunca incomodam nem assaltam os pobres". Fiquei boquiaberto, para mais me espantar quando me contou que uma vez no Norte de África o obrigaram a ir buscar o passaporte ao hotel para lhe servirem uma refeição, em pleno Ramadão. A sua tez escura e o cabelo encarapinhado faziam-no passar por africano. Rematou a narrativa com um "estas coisas são giras, não são?".

Uma das paixões de Miguel Barbosa eram os fósseis. Várias vezes saí lá de casa com trilobites no bolso "tome, leve lá esta que é gira". Tinha uma coleção imensa, que se recusou a vender e que legou ao Museu de História Natural, em Sintra. Um homem de uma generosidade sem limites, e que a Câmara Municipal hoje homenageou.

A minha surpresa do dia foi deparar com um fóssil denominado Barbosania gracilirostris. Um reconhecimento merecido, a alguém que anonimamente se dedicou à Ciência e nos legou fósseis, que são a expressão da vida, muito mais que da morte.


A história da descoberta dos fósseis do Barbosania até ser oficialmente batizado é bem antiga: tudo começou com o português entusiasta em paleontologia, Miguel Barbosa, que ao longo da vida colecionou diferentes fósseis vindos de todas as partes do mundo. Em uma viagem ao Brasil, na década de 70, ele adquiriu uma placa grande que continha um fóssil sem identificação, que permaneceu com ele por mais de 40 anos. Em 2009, um amigo alemão fotografou a placa e enviou as fotos a especialistas do Museu de Karlsruhe, na Alemanha, que logo perceberam que a placa continha fósseis de um animal novo.


Pediram-na, e a placa foi cedida por Miguel Barbosa aos paleontólogos do museu alemão, que trabalharam por dois anos com o material e concluíram se que tratava de uma nova espécie de pterossauro. Barbosania foi batizado no ano de 2011, pelos paleontólogos alemães Ross Elgin e Eberhard Frey.






sexta-feira, 3 de setembro de 2021

MOURA NO RIO DE JANEIRO

O catálogo digital da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro inclui, entre muitos outros materiais de interesse para a região alentejana, este curioso desenho, ao qual se atribui datação seiscentista. É possível que o seja. Trata-se de uma cópia do desenho da alcáçova do Castelo de Moura, feita a partir do manuscrito existente na Torre do Tombo.

As legendas foram suprimidas, tanto as que descrevem alguns aspetos do local, como as que fornecem as medições dos panos de muralha.

Porque fizeram este cópia e quando, e porque foi parar ao Rio de Janeiro, são perguntas a que não consigo responder.

Ver:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_cartografia/cart1078099/cart1078099.jpg

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_cartografia/cart1078099/cart1078099.html




ARTUR PASTOR - MAIS UMA DE MOURA

O trabalho de preparação de uma iniciativa para o Panteão Nacional levou-me à procura de um conjunto de imagens de Artur Pastor (1922-1999). Há várias fotografias do Castelo de Moura que são bem conhecidas. Esta, contudo, tinha-me escapado. Surge quase no final de um documentário da Videoteca de Lisboa. Um trabalho de grande qualidade de Fernando Carrilho.




quinta-feira, 2 de setembro de 2021

DESCULPEM-ME, MAS ISTO NÃO ME PARECE NADA BEM!

A favor da prática desportiva? Claro que sim.

A favor da proximidade? Também.

Mas há sítios adequados para fazer desportos de praia. Junto a um monumento, e desta forma, claro que não.

O desnorteio e a gestão avulso dão para tudo. Até para uma iniciativa destas, depois de não se ter realizado nada de relevante nos últimos 4 anos, nos Quartéis.

É a política do espalhafato inconsequente, a diversão sem resultado palpável, o abarracamento de uma das grandes obras de arquitetura vernacular do século XVIII do nosso País.

Só há uma, e triste, atenuante. É que não sabem mais que aquilo.



terça-feira, 31 de agosto de 2021

UM DIA NA PRESIDÊNCIA

Perguntam-me, por vezes (e mais vezes do que eu esperaria), “o que mais o marcou na sua experiência autárquica”? A resposta poderia parecer complexa, mas não é. Foi uma iniciativa denominada “Um dia na presidência”. Pela intensidade a que me obrigou, pela extraordinário interesse no contacto com aqueles jovens, que não tinham idade para votar, pelo imenso e inesperado interesse deles em coisas práticas da política local. Foram dias invulgares, emotivos e importantes (para mim foram-no, espero que para eles também).


Tudo começou no dia 14 de dezembro de 2015, na Escola Secundária de Moura, durante a quarta edição do MOURALUMNI, para a qual tínhamos convidado o eng. Carlos Valente. Às tantas um aluno dispara-me esta pergunta, só aparentemente banal: “diga-me uma coisa, o que é que faz um presidente da câmara?”. Fiquei mudo e sem saber por onde começar. Comecei a dar uma resposta lenta, “bom, há coisas que é difícil explicar por palavras, só vendo-as na prática”. Aí parei, pensando “é exatamente isso”. E anunciei que iria convidar alunos a acompanharem-me num dia de trabalho.


Eu próprio fiquei meio cético logo de seguida “quem é que está para aturar um cota um dia inteiro?”, para depois perceber que havia quem estivesse interessado e que aquilo ia ser uma grande desafio. A política tem de se aproximar dos cidadãos? Sem dúvida. De todas as maneiras. Essa seria uma delas. O primeiro dia na presidência teve lugar no dia 27 de janeiro de 2016. A iniciativa prolongou-se até ao ano seguinte e nela se envolveram cerca de 35 jovens.


Tratava-se no fundo, de responder a isto: o que faz um autarca, quais são os compromissos que tem de cumprir, quais as reuniões a quem tem de estar presente, como se prepara uma reunião de câmara, o que é o despacho da correspondência, como se decidem matérias financeiras, como se acompanha uma obra, como se discutem projetos com os técnicos etc. Todo um dia preenchido com a experiência do quotidiano de um político com responsabilidades locais. A ideia foi recebida ora com entusiasmo, ora com reserva (“mais uma chaladice do Canastro”), mas resultou e mil vezes a retomaria.


Começava-se às 8 da manhã, com uma visita às oficinas municipais, para se terminar a jornada, depois das 17 horas, na reunião de câmara. A democracia em sentido direto e com um sentido pedagógico (para eles e para mim). Num trabalho político que implica proximidade, disponibilidade e sentido de missão.


O início matinal era sempre marcado por alguma cerimónia da parte deles que depois se ia desvanecendo ao longo do dia. As perguntas sucediam-se e o interesse deles era genuíno e manifesto. Ao almoço, a conversa distendia-se e falava-se com descontração de muitas coisas. Uma experiência única e inesquecível, em que a palavra gratidão, da minha parte, é curta para exprimir a experiência humana vivida. Coisas que não se esfumam com o tempo, porque ainda cá estamos (os moços e eu) e porque aqueles dias deixaram marcas que a minha memória não apaga.


Crónica em "A Planície" (1.9.2021).

A fotografia data de 24.6.2017. Participaram nela quase todos os moços que andaram nesta iniciativa.


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

CDU: OS MANDATÁRIOS DE MOURA

Oito mandatários em campanha pela CDU, no concelho de Moura:

João Ramos - mandatário concelhio
Alexandra Caeiro - mandatária para a Juventude
Francisco Farinho - mandatário para o Ambiente e a Agricultura
Francisco Inácio Janeiro - mandatário da Diáspora Mourense
Jorge Pais - mandatário para a Educação e a Cidadania
Luís Filipe Inácio - mandatário para a Juventude
Maria de Fátima Ramalho - mandatária para a Saúde
Santiago Macias - mandatário para a Cultura e o Património


PLANTAS ANTIGAS DE MOURA, NO GEAEM

O arquivo é extraordinário e podemos ter acesso à maior parte da informação sem sair de casa. Em tempos não era assim, mas não há dúvida que o Exército tratou este assunto forma exemplar. O Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar tem material cartográfico da maior importância disponível no site da Biblioteca Digital do Exército:

https://bibliotecas.defesa.pt/ipac20/ipac.jsp?profile=bde#focus

Por evidentes razões pessoais, o meu primeiro interesse foram as plantas de Moura. Que já tinha recolhido em tempos, e que agora releio. Uma ou outra serão recuperadas para livros futuros.

Este desenho, em concreto, é de um edifício que foi quartel e onde hoje está uma IPSS.



domingo, 29 de agosto de 2021

LEONARDO CASTRO FREIRE, EM TORRES VEDRAS

Era um edifício elegante e bonito. O seu autor foi Leonardo Castro Freire (1917-1970), um talentoso arquiteto que partiu cedo.

A agência de Torres Vedras foi o seu único projeto para a Caixa Geral de Depósitos. Um desenho arrojado ao seu tempo e fora do discurso oficial. O que Leonardo Castro Freire pensou é já só uma memória fotográfica. Nos anos 80, uma ampliação/renovação deu uma nova feição ao imóvel.

Foi o edifício n.º 173 a ser fotografado. Caminhada concluída às 15:41 de hoje.