quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

O TOP 10 DE UM BLOGUE

Ao longo de 13 anos, muitos foram os textos (quase 7000) e muitos os temas. Os dez mais lidos estão listados mais abaixo. O mais lido de todos teve a ver com a reabertura do espaço Sheherazade. Uma grande iniciativa do mandato autárquico 2005/2009, conduzida, na sua maior, parte pelo José Maria Pós-de-Mina e pelo Rafael Rodrigues.


Em resumo:

1º. Publicado em 3.setembro.2009

2º. Publicado em 23.maio.2010

3º. Publicado em 29.março.2018

4º. Publicado em 6.maio.2017

5º. Publicado em 2.novembro.2017

6º. Publicado em 14.setembro.2018

7º. Publicado em 9.setembro.2016

8º. Publicado em 13.janeiro.2020

9º. Publicado em 10.maio.2017

10º. Publicado em 31.maio.2018




TREZE ANOS

13 anos de blogue. Arrancou às 00:23 de dia 8 de dezembro de 2008. 

Por enquanto, não me apetece parar.

Neste ano tive 290.000 leituras (vai em 2.162.110), uma média de 795/dia, que não deixa de me causar surpresa.


terça-feira, 7 de dezembro de 2021

O PATRIMÓNIO CULTURAL DA MINHA TERRA, O GRUPO "MOURA" E A CÂMARA DE MOURA

Publiquei, há dias, um texto no meu blogue, que depois difundi no facebook. Enviei-o, como sempre faço com os temas locais, para o grupo MOURA, onde se publicam temas de interesse mourense.

O meu texto era/é uma denúncia séria e fundamentada sobre a forma (errada) como as questões do Património têm vindo a ser tratadas desde outubro de 2017. Há, sobretudo, uma total falta de critério e de definição de princípios.

Os administradores do grupo MOURA entenderam não publicar o texto. Um direito que lhes assiste, naturalmente. Aparentemente, agora não é possível nem desejável fazer denúncias que atinjam a Câmara de Moura. Cuja incompetência atinge níveis nunca vistos. Trata-se de uma óbvia alteração de "política editorial". Já que até 2017 nunca deixaram de publicar opiniões e críticas quanto à atuação então seguida no Município.

Já agora, entre 2 e 3 de dezembro o blogue teve 16.700 visualizações. As pessoas estão atentas "e é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, / E quanto isso me basta".


"DIÁLOGO NA SÉ" EM DESPEDIDA

O projeto arrancou em 2013, salvo erro. Teve vários formatos e vários locais, dentro da Sé. Depois parou. Foi retomado em 2018. Abriu ao público em outubro de 2020. Teve a pandemia. Antes e depois.

O desafio foi colocar em diálogo os "Cristos" de Moita Macedo com as peças do tesouro da Sé Patriarcal. Um projeto que foi menos simples do que, a princípio, imaginaria. Não tanto do ponto de vista técnico, mas pelas limitações de agenda de todas as pessoas envolvidas. Fica, para o futuro, um catálogo com três textos: de D. Manuel Clemente, do Pe. Vitor Melícias e meu.

A visita de hoje, do Presidente da República, marcou o fim de um ciclo. Enquanto coordenador da exposição - agora diz-se curador... - viro uma página e fecho um ciclo.

Muito longe vão os dias, em 1980/1981, em que queria ser cineasta e fiz um documentário sobre a obra de Moita Macedo. Cineasta não seria, mas o filme foi terminado. Termina agora também o seu percurso este "Diálogo na Sé".


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O QUE É UM CACE? E PORQUE DIZEMOS CACE?

Não sou linguista nem filólogo. Ou seja, este texto é um enorme atrevimento. A palavra “cace” tem um uso mais ou menos regional. Quando, fora do nosso Alentejo, dizemos “passa-me aí o cace!”, as pessoas estranham ou riem-se. Frequentemente, as duas coisas. Tenho bem presente a hilaridade que provocava nos meus tempos de estudante que dizia cace e não concha. Palavra que, neste contexto, não uso. Em caso algum. Há variantes, como caço, usado noutras partes do Alentejo, ou mesmo mais a norte.

Em 2/3 do País diz-se concha.  No terço restante (nós) é um cace. Ainda há tempos, ao almoço e num restaurante em Lisboa, ouvi um patrício dizer "um cozido de grão e nem um cace trouxeram...".

Cace “não existe”, tal como “não existe” acarro, expressão à qual voltarei um destes dias. São palavras que estão fora dos dicionários formais.

Não é fácil encontrar a origem da palavra usada entre nós. Segundo uns a palavra caço (cace não aparece nos dicionários, creio) tem “origem obscura”, noutros dá-se como possível raíz o grego kýathos, “concha para tirar líquido de um recipiente”. Com o devido respeito, mas a sonoridade de cace soa muito pouco a kýathos (pronúncia: kīə thos′). Em árabe cálice (no sentido de copo) é ka’s (v. grafia mais abaixo), soando exatamente como nós dizemos. Creio ser esse ka’s a origem da palavra que nós usamos. A menos que haja outra explicação devidamente "certificada", que desconheço.

Incluo aqui uma imagem do conhecido "Qissat Bayad wa Riyad", uma história de amor de finais do século XII/inícios do século XIII. O manuscrito relata episódios do oriente, mas sabe-se ter sio produzido na Península ibérica, provavelmente na região de Valência. A cena sugere vagamente uma daquelas inaugurações com momento musical, mas é na realidade uma situação habitual na vida da corte: um grupo ouvindo música, de ka’s na mão. Ou seja, bebendo um copo de vinho. O manuscrito está na Biblioteca do Vaticano.

Crónica em "A Planície"


domingo, 5 de dezembro de 2021

QUASE A TERMINAR 21 E A PENSAR EM 22

A pequena sala de concertos estava cheia, hoje ao final da tarde. Estou, naturalmente, satisfeito por a programação do Panteão estar a tomar forma e a conseguir resultados. As exposições - Artur Pastor e o quadro da Infanta - foram um motivo de interesse e o número de visitantes cresceu de forma significativa. Oxalá o covid não nos obrigue a um recuo drástico.

Em 22 haverá exposições (quatro, pelo menos, incluindo as que transitam) e concertos (sete, pelo menos) e publicações e um plano abrangente e inclusivo e um programa ligado à realidade do monumento. E haverá PRR, bem entendido.

Tédio não haverá.

NOITE DE CELEBRAÇÃO

A imagem é do final do jantar de ontem. O da Gala dos 50 anos do Real Grupo dos Forcados Amadores de Moura. Canta-se, como sempre, o hino do grupo. O Carlos Morgadinho puxa pela rapaziada e o resto vai atrás. Fui de propósito a Moura por causa deste jantar e teria tido muita pena se tivesse falhado. A noite foi mais curta - muito mais curta - do que o costume, mas valeu bem a pena.

Já não estarei no centenário. Se tiver sorte, muita sorte mesmo, poderei estar nos 75. Mas o melhor mesmo é estar com o Grupo, celebrar os seus êxitos e esperar, em 2022, uma grande temporada. Cá estaremos.


sábado, 4 de dezembro de 2021

UM GOLO, HÁ 60 ANOS

António Gervásio (1927-2020) gritou "golo!". Era a senha para a fuga. Oito militantes do topo da estrutura do PCP, presos em Caxias, precipitaram-se para o Chrysler com blindagem que estava no pátio da prisão e arrancaram em direcção ao portão. O qual não resistiu ao embate, deixando passar para a liberdade quem ia dentro da viatura. Suprema humilhação: o carro pertencia ao Governo e tinha sido usado com regularidade por Oliveira Salazar.

O carro está hoje no Museu do Caramulo. A fuga ficou para a História. Foi no dia 4 de dezembro de 1961. Faz hoje 60 anos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

SIM, ISTO EXISTE

"Isto" está no twitter. Está identificado. Sei que este tipo de anormais quer mesmo é publicidade. Dai ter cortado fotografia e nome. Os tempos vão perigosos. Porque a impunidade e a arrogância crescem a cada dia. Tal como a profunda estupidez de coisas como esta.


TARRAFAL PONTILHISTA

Ao ver, há dias, esta imagem de uma casa no Tarrafal lembrei-me dos impressionistas e, em especial, do pontilhismo de Georges Seurat (1859-1891). Um paralelo preciso não é possível, uma vez que a paleta nórdica é mais discreta que a tropical. Que uma alma pontilhista andou pelo Tarrafal, isso é certo.

Bateaux amarrés et arbres, de 1890, está no Philadelphia Muséum of Art. Ver: https://www.philamuseum.org



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

IGREJA DE S. FRANCISCO (MOURA): PARA QUANDO UMA SOLUÇÃO?

Foram colocadas, no final do mandato 2013/2017, umas baias de proteção junto ao altar-mor da igreja de S. Francisco, em Moura. É um monumento que está oficialmente classificado, desde abril de 2013 (interesse públicohttp://dre.pt/pdf2sdip/2013/04/071000000/1197011971.pdf). Conheço bem o dossiê, que acompanhei de perto entre 2005 e 2013.

A igreja teve uma importante beneficiação, orçada em 555.000 euros. Uma intervenção mais que necessária, destinada a garantir a solidez da construção. Durante o verão de 2017 (não sei precisar a data) notaram-se alguns elementos de fragilidade no altar, que levaram a que se tomassem medidas de emergência. E a que se começasse a preparar uma intervenção.

Já lá vão mais de 4 anos. Pergunta: estão à espera que a estrutura caia?


CRAVO NO PANTEÃO

Segundo concerto desta série.
O sucesso do primeiro justifica que se insista no modelo. Cravo e música do século XVII.
Lá estaremos.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

LUZ PERPÉTUA

A manhã trouxe-me à memória esta peça de György Ligeti. Com ela termina um filme de Kubrick, num eterno retorno. Comprei o CD há muitos, muitos anos, numa tabacaria de um aeroporto...



terça-feira, 30 de novembro de 2021

PRÉMIO VILALVA 2022

Abriu o processo de candidaturas, com ligeiras modificações no regulamento. Têm sido premiados projetos e intervenções de reconhecido mérito.

Candidaturas até 31 de janeiro de 2022.

Ver: https://gulbenkian.pt/fundacao/premios/premio-vasco-vilalva/




segunda-feira, 29 de novembro de 2021

BOMBAIM-SUR-TAGE

Dizia-me, em tempos, um amigo, que os semáforos em Bombaim eram (ainda serão?) como as árvores de natal. Muito coloridas, muito faiscantes, mas só de efeito decorativo. E isso será só em Bombaim? Não. A tendência lisboeta nesse domínio é crescente. Já não se passa com o amarelo ou com o vermelho acabado de cair (o que não se pode, mas enfim...). É mesmo com o sinal fechado. Ontem, na Rua da Venezuela, ultrapassou-me um carro que passou por um vermelho, fechado há longo segundos. A rua estava vazia, é certo. Mas que esta moda está a ficar perigosa, lá isso está.


 

domingo, 28 de novembro de 2021

TRINTA ANOS MAIS TARDE

Hoje à tarde haverá livro, na Feira de Mértola: Relatório circunstanciado de uma vida a dois. Escrito pela Manuela. Só o vou "encontrar" na quarta-feira, quando rumar a Mértola, para um início de mês à beira-Guadiana.

Achei graça à coincidência. Repito o que já por aqui se escreveu, há muitos anos:

Eram cerca das 22.30 da última quinta-feira de Novembro de 1991, que era dia 28. O telefone do Campo Arqueológico tocou. Às voltas com um texto, para o Círculo de Leitores, cuja entrega se atrasara, trabalhava no único computador existente lá na casa. Levantei o auscultador. Reconheci, do outro lado, a voz grave do Prof. José Mattoso "sabes onde está o Cláudio?". Fiquei quase gelado. Era o texto atrasado, seguramente. O prof. José Mattoso era o diretor da obra a publicar. O Cláudio tinha ido para Córdova e ninguém sabia se já regressara. Não havia telemóveis. Tranquilizei-o "professor, se é por causa do texto fica terminado depois de amanhã" (não ficou). Que não, não era isso, tinha mesmo de falar com ele.

Só no dia seguinte quando um descontraído Cláudio Torres entrou pelo Campo Arqueológico e me atirou um "se eu te disser que sou eu o Prémio Pessoa deste ano acreditas?" é que percebi o significado da conversa da noite anterior. O telefonema fora feito de Seteais, onde o júri estava reunido.

A surpresa foi total. Na Feira do Livro de Mértola desse ano o convidado de honra era José Saramago, que ali iria estar no domingo. Toda a gente apostava que seria ele O Pessoa. Afinal não.

Trinta anos já lá vão. Espero poder repetir este texto dentro de dez.

A fotografia que aqui se mostra é do jantar da entrega do prémio, no Palácio de Queluz. No sentido dos ponteiros do relógio: Abdallah Khawli, Miguel Rego, Manuel Passinhas da Palma, Jorge Revez, Joaquim Boiça, Maria de Fátima de Barros, Virgilio Lopes, Rui Mateus, Carlos Pedro e o autor do blogue.


sábado, 27 de novembro de 2021

CANTAR DE AMIGOS

Um belo meio de tarde com muita gente na sala (50 pessoas, nos dias que correm, a um sábado à tarde assim meio frio é muita gente) com dois amigos de Mértola: o Miguel e o José Miguel. Um cantar de amigos, por entre as palavras da Liberdade. Que o mesmo é dizer por entre as palavras da Esperança. O tempo da tarde passou depressa. Espero que se repita.


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

MÁSCARA Nº. 2: OUGUELA

 Uma máscara entre o grego e Wes Craven. Ou estarei a imaginar coisas?




















Ouguela (Campo Maior)

18.12.2020 (12:13)

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

N'A FAMÍLIA HUMANA

Não sou fotógrafo. Não tenho essa veleidade. O contacto que me foi feito pelo Jorge Calado surpreendeu-me. Para integrar uma exposição e um catálogo. "Euu, Jorge? Sim, você!". Mais fiquei quando, ao chegar a Vila Franca de Xira, me vi em ilustres companhias (António Pedro Ferreira, Kees Scherer, Pierre Verger. José Manuel Rodrigues, Édouard Boubat, etc.). Não fiquei nem vaidoso, nem orgulhoso, nem convencido que sou fotógrafo. Fiquei, só, imensamente divertido, "caramba! esta é daquelas que nunca me teria passado pela cabeça". É mesmo daqueles momentos excecionais que nos acontecem, de forma inesperada e que são mais engraçados por isso mesmo.

Ontem, fui buscar os meus exemplares do catálogo. E visitei, uma vez mais, o Museu do Neorrealismo, um espaço excelente e com uma programação que continua, sem hiatos, de calendário ou qualidade, há muitos anos. Disse isto à vereadora Manuela Ralha e não foi por simpatia de circunstância.


terça-feira, 23 de novembro de 2021

MÚSICA X 9

Começa no domingo e vai até julho de 2022. É o ciclo "Música no Panteão", com direção artística de Paulo Amorim (Conservatório Nacional). Esta é uma das três vertentes de intervenção preconizadas para o monumento: programação / infraestruturação / investigação. O concerto seguinte é já no dia 5 de dezembro.


KETTY LESTER, EM 1962

Foi um grande êxito na voz de Ketty Lester (n. 1934). Há outras versões, mas gosto mais desta. Love letters straight from your heart.



segunda-feira, 22 de novembro de 2021

ESTA LUSITANA PAIXÃO POR NOMES E NOMENCLATURAS...

A Forma e o Conteúdo. O que é importante é o nome. Pois claro. Se não se chamar Faculdade ou Universidade é porque não é sério. Nomes antigos e bonitos como Escola de Belas-Artes ou Instituto Nacional de Educação Física assim desapareceram. Durante muitos anos, a França resistiu a essa vaga e tinha escolas com nome improváveis como École des Ponts et Chaussées (literalmente Escola de Pontes e Pavimentos) ou École de Commerce (Escola de Comércio). Eram os grandes estabelecimentos de ensino gauleses. Ao primeiro já acrescentaram o "tech", ao segundo o "business school". Deve ser mais sério, assim... Resistem, ainda, a École Nationale d'Administration, a École Polytechnique (de alta qualidade, apesar de serem apenas escolas) e algumas mais. E, entre nós, o Instituto Superior Técnico, que não não se chama faculdade nem universidade...

Ah! E temos as Autoridades! Essa lusitaníssima macaqueação das Authorities amaricanas.

domingo, 21 de novembro de 2021

STARDUST MEMORIES Nº. 58: HÓQUEI EM PATINS E UM JOGO EM 1982

O jogo passivo de anteontem, entre a Espanha e a França, que tanta irritação causou, trouxe-me à memória um escândalo ocorrido no Mundial de 1982. Lembro-me, com toda a nitidez, de ter visto esse jogo. Tal como me recordo que, depois da Alemanha ter marcado o golo que lhe garantia o apuramento (tal como apurava a Áustria), e assistir depois a 80 minutos de futebol inexistente. Bola para cá, bola para lá, à espera que aquilo acabasse. O apuramento das duas implicava a eliminação da Argélia, que ganhara na primeira partida à poderosa Alemanha.

Foi no dia 25 de junho de 1982. A partida ficou conhecido como "o jogo da vergonha". Verdade se diga que não voltei a ver coisa semelhante.

Os alemães pelo meio ainda eliminaram a França nas meias-finais, com o guarda-redes (Schumacher) a quase mandar para o outro mundo, com uma entrada assassina, Battiston. Foi dentro da área, partiu-lhe dentes e costelas e nem falta foi marcada. O árbitro era Charles Corver, um vizinho holandês.


ESTA LUSITANA PAIXÃO POR EXPRESSÕES ABSURDAS...

Um concurso já não um concurso. É um procedimento concursal.

E o boletim de vacinas já não se chama assim. É uma ficha vacinal. Recebi no outro dia a minha ficha vacinal. Fiquei desvanecido com a criatividade do nome.

Pergunto-me sempre, mas sempre mesmo: quem serão os obscuros e imerecidamente desconhecidos poetas do burocratês que inventam tão sublimes expressões?

sábado, 20 de novembro de 2021

O ALCAIDE DE NOUDAR CHEGOU A LOURES

Um clássico intemporal. 

Luis D'Antas tomou posse do castelo de Noudar no dia 3 de junho de 1516. O cerimonial de entrega e o inventário que o novo alcaide fez são bem conhecidos dos historiadores e estão transcritos no texto "Auto d'uma posse do Castello de Noudar e inventário do que lá exisitia no século XVI", de Pedro de Azevedo. O texto foi publicado no vol. V de "O archeólogo portuguêz", de 1900.

Que relata Luís D'Antas?

Que "a casa que está em cima da dita torre [de menagem] está derribada e no chão, e toda a água que nela cai cala a torre e vai abaixo".
Que há um portado "com duas portas com duas armelas e sem ferrolho nem fechadura e uma delas tem a couceira quebrada".
Que há "sete armaduras de cabeças muuito antigas e quebradas".
Que há "uma faldra e gossete de malha grossa muito ferrugenta e quase podre"
Que há "seis bocetes da mesma sorte e ferrugentos".
Que há "uma alpartaz (?) de malha muito ferrugenta e podre".
Que "na primeira casa que serve da câmara [há] duas janelas com suas portas sem aldrabas (...) e esta casa [está] mal reparada do telhado". E "na dita casa [há] uma tripeça de pau da Guiné quebrada de um cabo e dois bancos velhos e um taipal velho".

E mais:
"todas as outras casas do dito castelo todas derrubadas e sem telhados" [com exceção de uma, que servia de estrebaria...].
"em todas as portas da vila não há nenhumas portas, senão uma só quebrada, que jaz no chão".


etc. etc.

Ou seja, o novo alcaide fazia um relato catastrófico do que o antecessor lhe legara. Uma forma de justificar o que vem a seguir.

Em Loures, a história repete-se, pela enésima vez. Ameaça-se com auditorias e com o Ministério Público e com supostas matérias criminais. Vou aguardar, com muitíssima curiosidade. No mínimo, muitíssima curiosidade.


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

ARCO-ÍRIS MATISSIANO: VIOLETA

Notre-Dame, une fin d'après-midi data de 1902. Matisse viu assim a catedral. Sorte nossa, que ele viu mais e melhor que nós. Espantosamente colorida, coisa difícil no céu quase sempre cinzento daquela cidade. Uma Notre-Dame violeta e assim meio misteriosa.

O quadro está na Albright–Knox Art Gallery, um museu de arte situado em Buffalo, no extremo ocidental do estado de Nova Iorque. Site: https://www.albrightknox.org

Fecha-se o arco-íris de Matisse.

ARQUITERROR AVEIRENSE

Se uma página me causa assombro no facebook é esta:

Também está na net e podemos mandar fotografias:

Lembrei-me disto durante a rápida jornada aveirense. A Av. Lourenço Peixinho deve ter sido uma alameda extraordinária. Da estação ferroviária até à antiga capitania são 1000 metros. As fotografias antigas mostram-nos um boulevard de toque parisiense. Muita arquitetura fin-de-siècle e algumas coisas modernistas de ótima qualidade, como a Garagem Atlantic (assim mesmo) ou o prédio de habitação no nº. 29. E depois há o terror arquitetónico:

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

AMOR ELECTRO - PONTO FINAL

Acabam os Amor Electro. Gostava muito da originalidade deles e, creio, ainda mais dos covers que faziam. Como este, a partir de José Cid. Só tenho pena que não tenham gravado "O vento mudou". Ouvi essa versão deles e gostei muito.

Tiveram um grande sucesso, o "Juntos somos mais fortes". Os Amor Electro acabam agora. Isto anda tudo ligado 😉.



MULHERES MECENAS: DO COLÓQUIO À MESA-REDONDA

O colóquio da próxima semana terá, no seu encerramento, uma mesa-redonda. Com a presença de senhoras que, de uma forma ou de outra, têm responsabilidades na área do mecenato:

* Dra. Maria Cândida Rocha e Silva (Presidente do Banco Carregosa)

* Dra. Maria João Carioca (Administradora Executiva da Caixa Geral de Depósitos)

* Dra. Vera Pinto Pereira (Presidente do Conselho de Administração da Fundação EDP)

* Profª. Doutora Maria João Neto (Instituto de História da Arte - Fac. de Letras de Lisboa), que será a moderadora.

Que caminhos futuros para o mecenato? Dia 26, às 17 horas, no Palácio dos marqueses do Lavradio.

Programa completo em:

https://coloquiomulheresmecenas.dgpc.pt/


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

LUZES, SOM... AÇÃO!

E pronto! Dezassete (17) anos depois de, pela primeira vez, ter pensado nisto, eis que o livro começa a ser impresso. Ontem, foi dia de escolher o pantone das guardas. E de corrigir, pela quinta vez, a página 52.

20 sítios visitados, numa saga de idas e vindas (porque a luz não está no sítio certo, porque foi necessário reverificar a topografia, porque não gostei da primeira versão dos enquadramentos etc.):

Alandroal - quatro deslocações

Alpalhão - três deslocações

Arronches - três deslocações

Assumar - duas deslocações

Campo Maior quatro deslocações

Castelo de Vide - quatro deslocações

Elvas - quatro deslocações

Juromenha - três deslocações

Mértola

Monforte - três deslocações

Monsaraz - quatro deslocações

Montalvão - quatro deslocações

Moura

Mourão - três deslocações

Olivença - duas deslocações

Ouguela - três deslocações

Noudar - três deslocações

Nisa - quatro deslocações

Serpa - quatro deslocações

Terena - quatro deslocações

Nem quero pensar no número de quilómetros andados.

Fotografias (sem incluir as aéreas)? 7.600...

A próxima vez que falar deste livro/projeto será na altura da sua apresentação pública (início de 2022).









terça-feira, 16 de novembro de 2021

DA TORRE 3 PARA A TORRE 4

Artur Pastor na torre 3, a infanta D. Maria no coro alto, junto à torre 4. Entre os vários passados e a construção do futuro vivemos os dias. O trabalho prossegue e tenho confiança que dê (mais) frutos.

Novembro ainda vai ter: dança contemporânea, uma conferência, um colóquio de dois dias, um recital de fado e o primeiro concerto da série "Música no Panteão". A equipa é pequena, a vontade é grande.




segunda-feira, 15 de novembro de 2021

OBJETIVO: AVEIRO

Sexta aveirense. Bem perto (a 150 metros) de um edifício que bem conheço e por onde andei várias vezes (raisparta a luz...) até o conseguir fotografar mais ou menos decentemente.

Cabe-me a intervenção inaugural do encontro. Coisa de pré-velhote 😁.
Título? Teoria e prática: quando o arqueólogo se torna autarca. O que fazer? Como preservar?


domingo, 14 de novembro de 2021

ARCO-ÍRIS MATISSIANO: ANIL

O nu chama-se azul, mas dá-me jeito que seja anil/indigo. Porque é um pouco mais indigo que vejo.

A inesgotável paleta de Henri Matisse, que cruza todo o arco-íris e vai mais além...


OS COMENTADORES, OS MONTY PYTHON E NÓS

Do blogue de Carlos Matos Gomes (https://cmatosgomes46.medium.com), e a propósito do enxame de comentadores, tudólogos e videntes que nos assombram:

Há anos, numa vinda de um papa a Portugal, vi um destes seres comentadores entrevistar um cardeal da comitiva, este com as vestes cardinalícias (um tanto ridículas para o meu gosto, mas não é esse que conta, sim o contexto). Querem acreditar qual foi a primeira pergunta ao hierarca da Igreja, em visita oficial, a criar ambiente: Belo fato! “Nice suit sir!”

Ao nível do melhor John Cleese.

sábado, 13 de novembro de 2021

PARABÉNS JOÃO LUÍS / BILORES - QUEIJO ARTESANAL

Querido amigo João Luís Baixinho Costa, um prémio a nível nacional não é uma coisa qualquer.

O mérito e o reconhecimento a quem o tem. A quem se esforça, a quem trabalha e procura (e consegue) ir mais além. Um abraço de parabéns para ti, para a tua família e para a tua equipa.


sexta-feira, 12 de novembro de 2021

A INFANTA REGRESSA AO PANTEÃO

Em resultado de uma parceria entre o Panteão Nacional e o Museu Nacional de Arte Antiga vai estar exposto, entre 16 de novembro de 18 de dezembro, o quadro A infanta D. Maria em oração à imagem e às relíquias de São Vicente.

A pintura, aqui mostrada no âmbito do V Centenário do nascimento da Infanta, foi recentemente doada ao Museu Nacional de Arte Antiga. É uma produção do ciclo maneirista, executada provavelmente cerca de 1613. A pintura, que talvez tenha como autor o pintor régio Amaro do Vale (m. 1619), é uma obra de grande interesse iconográfico sobre a infanta e sobre o culto do padroeiro da cidade de Lisboa.


MÁSCARA Nº. 1: ARGANIL

Caras na paisagem urbana. Começo de nova série.

 

















Arganil

17.9.2020 (08:57)

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

OBRIGADO, ILHA VERDE!

Os óculos tinham ficado num carro de aluguer, em S. Miguel.

Telefonei para a empresa (ILHA VERDE). Pediram-me a matrícula do carro. Lembrava-me (tenho uma memória imbatível para coisas inúteis...). Não havia óculos. Há dois dias ligaram de novo.Os óculos tinham finalmente aparecido e iam mandá-los. Uns Rayban velhíssimos (1991 ou 1992), que não valem nada, mas que são "de estimação".

Achei fantástico que a empresa tivesse anotado o meu pedido e que tivessem tido a preocupação de resolver um assunto tão insignificante. Eu ganhei os óculos, eles ganharam um cliente na próxima deslocação lá.


STARDUST MEMORIES Nº. 57: ARQUEOLOGIA, TESOUROS E UM PINTO

Apareceram 400.000 euros (!) num muro (!!!) em Penafiel. Eu pensava que coisas assim já não eram possíveis. Eis uma arqueologia rica e que vai dar pano para mangas.

Dinheiro num muro? Já nos aconteceu em Moura. Há uns bons 15 ou 16 anos. Na unidade estratigráfica 110 (um muro) encontrou-se uma moeda de ouro. Um pinto de D. João V, datado de 1728. Nada de grandes excitações, vale menos de 300 euros, em termos comerciais.

Nesse mesma unidade, o Mário Romero encontrou outro objeto, mas esse não pode ser exibido, por razões que se prendem com a moral pública.

Et in Arcadia ego...


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

UM CAMPO DE SANTA CLARA MULTICULTURAL

Uma rápida surtida à zona do antigo Hospital da Marinha proporcionou-me, no regresso, este inusitado cenário. Quatro homens jogavam críquete nas traseiras do Panteão Nacional. Não resisti a meter conversa. Eram imigrantes (claro), do Bangladesh (evidentemente) e passavam os finais de tarde jogando críquete. Um desporto muito mais popular que o futebol na sua terra de origem. Acederam à fotografia, desde que isso não os prejudicasse. Nem por sombras, era só o que faltava.

Há dezenas de nacionalidades nesta freguesia. Uma cidade cada vez mais "de desvairadas gentes".

Em troca, passei-lhes o meu email e convidei-os a visitar o monumento, na próxima semana.




terça-feira, 9 de novembro de 2021

MOURA - CENAS DE UMA COMÉDIA AUTÁRQUICA

1. A União de Freguesia de Moura e Santo Amador foi mal instalada. No fundo, tomou posse duas vezes. Uma vez não valeu, a outra sim. A CDU alertou para a ilegalidade da primeira "tomada de posse", em que os atropelos à lei foram mais que muitos. O PS, em especial o presidente da junta, teve de recuar. Como se lê na página do facebook da CDU Moura: "tendo em conta os acontecimentos e conscientes da necessidade de dar um rumo certo na fiscalização da atividade da freguesia, a CDU decidiu avançar com a candidatura da sua eleita Ana Rita Santos para a Presidência da Assembleia de Freguesia. Entretanto o PS retirou a sua candidatura e foi eleita por unanimidade a Mesa da Assembleia que passou a ser presidida pela CDU, com dois Secretários do PS".

2. A vereadora que foi eleita pelo CHEGA saiu do partido e agora é vereadora independente. As razões são obscuras e difíceis de perceber numa lógica cartesiana.

Cada vez mais a liderança política socialista no concelho de Moura se parece com uma comédia slapstick. Aquilo acaba tudo numa cena de tartes de creme, como nos bons velhos filmes mudos.



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É cada vez mais "à americana". Se tens dinheiro e pagares, tudo bem. Se não tens, vai morrer longe. Drópe déde.