Estas placas toponímicas, assim repetidas, sempre me fizeram lembrar qualquer coisa. Há dias, fez-se(-me) luz: Astérix na Helvécia!
A Rua Óscar Lopes fica na Buraca, concelho da Amadora.
Estas placas toponímicas, assim repetidas, sempre me fizeram lembrar qualquer coisa. Há dias, fez-se(-me) luz: Astérix na Helvécia!
A Rua Óscar Lopes fica na Buraca, concelho da Amadora.
Do site da Fundação Calouste
Gulbenkian:
Reabilitação da Quinta de Crasto vence Prémio Gulbenkian Património 2026
O prémio distingue este ano a qualidade do restauro da Quinta de Crasto (Vila do Conde), mas também a sua adaptação a um centro de investigação ligado à biodiversidade.
A intervenção, destaca ainda o júri, é o resultado de uma colaboração multidisciplinar entre arquitetos (coordenados por Nuno Valentim), paisagistas (sob coordenação de Paulo Farinha Marques), engenheiros, designers gráficos, conservadores, restauradores e cientistas (sob a coordenação científica de Nuno Ferrand de Almeida, diretor do Biopolis), refletindo um compromisso comum com o rigor e a responsabilidade cultural.
As Menções Honrosas
Além do projeto vencedor, o júri do
Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva, composto por
António Lamas (Presidente), Gonçalo Byrne, Raquel Henriques da Silva, Rui
Vieira Nery e Santiago Macias, propôs ainda a atribuição de três menções
honrosas:
Projeto de reabilitação da Casa
Cedo, na Rua da Cedofeita, Porto.
Reabilitação da Casa d’Abreu Neto
(Siza Vieira), em Matosinhos.
Reabilitação do antigo Telheiro do
Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda – Sala Estúdio Valentim de Barros, em
Lisboa.
Conheci a Ana em pequena, mas não muito bem. Fui viver para Mértola teria a Ana uns 6 ou 7 anos. Mantinha relação de amizade com João Cordovil, o pai da Ana. Uma amizade que o tempo consolidou. O João ia-me contando do percurso dela. Da Safara natal para um colégio internacional, em Itália, depois para Princeton, uma das universidades de topo americanas. Só voltámos a falar dela quando a minha filha mais nova tomou o caminho do mesmo colégio internacional (não em Itália, mas nos Estados Unidos). Fui depois sabendo do percurso da vida da Ana, da carreira fora de portas, do casamento, dos filhos.
Um mundo plácido e feliz, sacudido em julho de 2024 por um caso de polícia. O marido de Ana, de nacionalidade peruana, ausentou-se com os filhos, levando pelo caminho as poupanças da família. O que se passa a partir daí é uma pesada novela policial. De início houve algumas notícias, alguma movimentação, mas na voragem das informações de tudo e de nada e do bombardeamento mediático dos nossos dias, as coisas passam depressa.
Afinal, o pai das crianças levara-as para o seu país de origem. Ana foi no seu encalço. Processos em tribunal, o apoio da família e dos amigos, e o ter de enfrentar uma família (a do marido) poderosa e influente, numa América do Sul onde tudo é demasiado caudilihista e onde os mesmos clãs dominam, agora como sempre. A coragem deu alguns frutos, mas Borges gostaria de ter conhecido Ana e a sua história. Que decorre em círculos. Ou num labirinto que teima em não levar a lado nenhum. Como no conto “El inmortal”: “Un laberinto es una casa labrada para confundir a los hombres; su arquitectura, pródiga en simetrías, está subordinada a ese fin. En el palacio que imperfectamente exploré, la arquitectura carecía de fin. Abundaban el corredor sin salida, la alta ventana inalcanzable, la aparatosa puerta que daba a una celda o a un pozo, las increíbles escaleras inversas, con los peldaños y la balaustrada hacia abajo. Otras, adheridas aéreamente al costado de un muro monumental, morían sin llegar a ninguna parte (…)”. O tribunal peruano deu razão a Ana e a guarda dos filhos, mas não a autorização para se ausentar com eles do Peru. As autoridades portuguesas pouco fazem e escudam-se na soberania. Cinismo e cobardia são irmãos gémeos.
Ana tenta refazer a vida e sair do seu labirinto. O que se traduz em viver, em lutar, em recomeçar, a 9.135 quilómetros de Safara. Como Ana relata no seu site “sou confrontada permanentemente com a pressão e ameaças do pai dos meus filhos e da sua família, que contam com recursos materiais avultados e o recurso a redes de influência (no sistema judicial, nos meios mediáticos, etc.), num país com altos índices de corrupção e de insegurança”. As últimas notícias nos jornais portugueses saíram no “Expresso”, há uns meses. Não sei se a “A Planície” chegou a tocar na história de Ana. Admito que sim, mas não me recordo.
830 dias terão decorrido no labirinto sul-americano, no dia em que este jornal sair. Não é muito tempo numa vida. E é, ao mesmo tempo, demasiado tempo assim passado numa vida. E agora? O caminho não tem sido fácil, mas a situação é, apesar de tudo, um pouco melhor que no início de todo este processo. O tempo passa, duramente, mas sem desespero. E agora, repito? Agora é a deixa de Ariadne, como na mitologia. Desenrole-se o fio que há de levar à saída do labirinto. E à vitória do Bem.
Crónica em "A Planície"
Mosaico de Teseu e do Minotauro ( Kunsthistorisches Museum Wien)
Alberto Ascari (1918-1955) sagrou-se campeão de Fórmula 1 em 1953. Faleceu foi anos depois, num acidente em Monza.
Foi preciso esperar 73 anos, 2 meses e 29 dias até que outro italiano, Kimi Antonelli, lograsse o mesmo feito.
Dia de muertos, em jeito mexicano. Entre a Embaixada (a fotografia de cima é um detalhe do meu outfit) e o Museu Nacional de Etnologia, onde acaba de ser uma inaugurada uma notável exposição/instalação.
Com um poema de Juan Ramón Jiménez.
LA MUERTE BELLA
¿Que me vas a doler, muerte?
¿Es que no duele la vida?
¿Porqué he de ser más osado
para el vivir esterior
que para el hondo morir?
La tierra ¿qué es que no el aire?
¿Porqué nos ha de asfixiar,
porqué nos ha de cegar,
porqué nos ha de aplastar,
porqué nos ha de callar?
¿Porqué morir ha de ser
lo que decimos morir,
y vivir sólo vivir,
lo que callamos vivir?
¿Porqué el morir verdadero
(lo que callamos morir)
no ha de ser dulce y suave
como el vivir verdadero
(lo que decimos vivir?)
Não sabia da existência deste sítio fantástico e, portanto, não o visitei.
O Cine Lutgardita fica na Av. Rancho Boyeros, na estrada do Aeroporto José Martí, em Havana. Uma jóia de art-déco, com um claro pendor orientalista e centro-americano.
A fotografia, de 2023, é de José Manuel Ballester. Pode ser vista, até dia 6 (de segunda a sexta), na exposição "Neoprecolombianas", na Casa da América Latina, em Lisboa.
Algures no início de 1999, andávamos a preparar uma exposição sobre Portugal e Marrocos. O local de montagem seria Tânger. Era preciso arranjar peças que pudessem fazer a ponte entre os dois lados do Estreito de Gibraltar. Foi assim que fomos parar ao depósito de materiais do departamento de arqueologia tingitano. Surpresa! Havia muitas peças das escavações de Charles Redman, em Alcácer Ceguer. Mas o melhor de tudo eram uma janela manuelina, provavelmente proveniente da catedral, e uma fantástica lápide funerária. Fazia parte dela esta máscara, que só me faz lembrar a de Jim Carrey... Tinham-me, há anos, que a lápide funerária, gravada num português toscamente cursivo, estava desaparecida. Não está. Acabo de saber que se encontra em exposição no Museu de Tânger.
Tânger 1999 foi uma das melhores e mais decisivas experiências da minha vida profissional.
Andei, há uns anos, a trabalhar num projeto que a falta de vontade política acabou por atirar para um limbo onde ainda se encontra. Recolhi uma série de imagens do Castelo de S. Jorge, peça central do projeto. Não conhecia esta, que vi há semanas no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz. Uma peça notável, datada (num duplo sentido) do início da década de 70.
Pode ser que um dia...
É um sítio assombroso e, segundo me parede (oxalá esteja errado!) não tão conhecido como devia. Regressei lá há semanas, para escolher materiais e para recolher informações para uma exposição. Aturdido fiquei quando me disseram que há 7.000 (sete mil) cores para serem escolhidas durante a execução de uma tapeçaria.
O "Arrufo", de Júlio Pomar, lá seguiu caminho, em direção ao Panteão Nacional.
Bendita Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.
https://www.mtportalegre.pt/pt/
O Consulado de Portugal em Sevilha, o Pavilhão Carlos Lopes e a ampliação do Museu Nacional de Arte Antiga têm a mesma assinatura: Rebelo de Andrade. Um neo-barroco muito ao gosto da época. O estilo / enquadramento é o mesmo. E não me queiram convencer do contrário, que me irrito.
Foi ontem à tarde. Partilhei espaço com o meu camarada e amigo Carlos José Almeida. Foi na Casa do Comum, na Rua da Rosa (Bairro Alto). O tema foi Gaza e todo o horror que se vive em Gaza. Da destruição de vidas, num continuado genocídio, à deliberada e programada demolição do Património. Ante o silêncio dos governos europeus (com raras e honrosas exceções, onde Portugal não está).
Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar.
São Benedito, o mouro, viveu na Sicília entre 1526 e 1589. Foi canonizado em 1807. É celebrado no Brasil no dia 5 de outubro (hoje mesmo).
Esta escultura, que está no Museu Santos Rocha, na Figueira da Foz, "desmente" um pouco a letra de um célebre bolero, imortalizado por António Machín.
Pintor nacido en mi tierra
Con el pincel extranjero
Pintor que sigues el rumbo
De tantos pintores viejos
Aunque la virgen sea blanca
Píntame angelitos negros
Que también se van al cielo
Todos los negritos buenos
Pintor, si pintas con amor
Por que, desprecias su color
Si sabes que en el cielo
También los quiere Dios
Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros
Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro
Pintor de santos y alcobas
Si tienes alma en el cuerpo
Porque al pintar esos cuadros
Te olvidaste de los negros
Siempre que pintas iglesias
Pintas angelitos bellos
Pero nunca te acordaste
De pintar un ángel negro
Hora di bai? Sim, “hora da partida”, em caboverdiano. (Re) verifiquei, quase com espanto, há semanas, que me faltam, em termos oficiais, menos de três anos para o final da minha carreira profissional. Dela não tenho razão de queixa, que os ziguezagues feitos foram por opção própria. Por vezes, por escolhas demasiado solitárias.
Quando terminei a licenciatura, em julho de 1985, tinha colegas que apostavam que faria carreira universitária. Um deles comentava o meu estilo de condução - prudente e não muito veloz - dizendo “tens condução de professor da faculdade”. Uma frase divertida e absurda. A Academia, naquela altura, não me seduzia nem um pouco. Mas também não a rejeitava. O mestrado, na Nova, e o doutoramento, em França, fizeram parte desse caminho. Depois houve a carreira autárquica (12 anos, zero de arrependimento), depois a direção do Panteão (já lá vão cinco anos e meio) e agora há a clepsidra, que avança sem cessar. Regresso, como sempre, a “Memórias de Adriano”: “dizer que os meus dias estão contados não significa nada; sempre assim foi; é assim para todos nós”. E, como sempre, retomo o trabalho.
Quando vier o outono de 2029 - é essa a “hora di bai”, se entretanto não for alterada e partindo do princípio que lá chegarei - a bússola apontará para um sítio entre 120° e 130° do local onde me encontro. “Nha sonho” está 215° a sudoeste.
Toda a nossa vida é uma geografia. De terras, de pessoas, da família, dos amigos. E dos outros, também. A passagem pelos sítios e os contactos com as pessoas são um lento cerzir de histórias. Misturam-se cores e padrões, como num tapete berbere. E, às vezes, muitas vezes, dá vontade de voltar às origens. E de nunca mais delas sair. Viajei pouco, ao longo destes 63 anos. Somam-se alguns sítios, num percurso sentimental curto. De que tenho sempre saudades? De Roma, de Tunis, de Damasco, de Argel, do Cairo, de Tadmur, de Hydra, de Atenas, de Granada. E, claro, do Tarrafal. Moura e Mértola serão sempre casos à parte.
O Panteão Nacional tem-me deixado pouco tempo “pessoal”. Coisa sem solução, ainda menos nesta idade, mergulho sempre demasiado no que faço. Em 2027 haverá mais uns quantos livros - quatro, se as contas não falharem, entre compromissos académicos e outros. O tempo é agora de acalmia. Não é ainda o momento, outra vez Yourcenar, de ver a linha da costa por entre uma névoa luminosa. Mas aproxima-se o momento do balanço, a hora de pensar no que será a vida depois da vida que tenho há 40 anos. Ainda não é hora de parar, o que só acontecerá quando não houver força para mais. Mas começa a ser o momento de planear a “hora di bai”. Que vai incluir uma família mais alargada, e esse é outro fator decisivo na equação sentimental. Voltarei a todos estes temas na crónica de 1 de outubro de 2029.
Crónica em "A Planície"
Ouvido ontem, na cafetaria das ruínas de Conímbriga:
Pessoa 1 - Não vamos ver as ruínas de Conímbriga?
Pessoa 2 - Onde é que isso fica?
Pessoa 1 - Em Conímbriga.
Pessoa 2 - Vamos lá num dia mais fresco, que hoje está muito calor.
Cai o pano.
A cafetaria está virada para as ruínas, que distam do local da "ação" 150 metros.
Duas teses num só momento:
A realidade é sempre melhor que a ficção.
O melhor humor é sempre involuntário.
A inauguração foi ontem. A exposição ficará patente ao público até final de dezembro. Para 2027 já há programação.
Equus? Sim.
Reproduzo o texto que a Isabel Inácio e eu escrevemos para a entrada da exposição:
"Mas tens trabalho fixo?". "Qual é o teu contacto?". "Vais fazer transferências para o estrangeiro, é isso?". Ouvido por mim, numa entidade privada, em Lisboa, há dias. O inquiridor era branco e funcionário da instituição. O inquirido era um homem negro, perto dos 30 anos. Tinha o colete de uma conhecida empresa de obras. A conversa decorria em voz alta. Do outro lado da sala, enquanto aguardava atendimento, eu ouvia tudo com nitidez. O inquiridor tratava o cliente por tu. Percebia-se que não tinham conhecimento prévio. O cliente, manifestamente desconfortável e intimidado, respondia com monossílabos.
Há dois tratamentos por tu: igualdade e superioridade. A questão é que eu não estou a ver o funcionário tratar por tu um jovem yuppie branco com quem nunca se tenha cruzado...
Ai esta terra ainda...
A exposição, da autoria de Bruno Figueroa, Embaixador do México em Portugal, é um notável documento sobre o último carnaval ocorrido em Seul. No dia seguinte ao registo de imagens ocorreu uma tragédia e o carnaval não voltou a ser o mesmo. São essas magníficas imagens (e o elucidativo texto que as acompanha) que podem ser vistas, até dia 1 de novembro:
https://fundacaodomluis.pt/o-ultimo-carnaval-da-coreia/
Aposta do Panteão Nacional para o outono, e no centenário do nascimento de Júlio Pomar. A partir da obra TROPEL escolhemos cerca de dezena e meia de outras peças. Não foi fácil desenvolver este projeto, a partir da baias tão estreitas. Depois, tivemos a ajuda de dois colecionadores particulares. Um golpe de sorte, que permitiu localizar cerca de uma dezena de desenhos/estudos inéditos que estiveram na base do TROPEL.
O compromisso não foi fácil, nem isento de dúvidas. O tema acabou por ser EQUUS. De cavalos e de ecos (16 segundos de reverberação na nave central do Panteão), numa quase homofonia.
O Palácio dos Condes da Calheta, em Lisboa, acolhe a partir de dia 15 de agosto o projeto Open Azulejo, organizado pelo Museu Nacional do Azulejo no âmbito de uma parceria entre a Museus e Monumentos de Portugal e a Universidade de Lisboa.
O Museu Nacional do Azulejo, atualmente encerrado para obras de requalificação, propõe uma nova forma de fruição do património azulejar, convidando o público a descobrir conjuntos conservados in situ.
A iniciativa pretende criar uma rede de locais com património azulejar representativo, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer e apreciar o azulejo em espaços que habitualmente se encontram encerrados ou têm acesso condicionado.
Informações úteis:
Palácio da Calheta, Lisboa | Rua General João de Almeida | Jardim Botânico Tropical
A partir de 15 de agosto até final do ano | 10:00–17:00
Terça a domingo