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segunda-feira, 9 de março de 2026

C.N.C.D.P.

No sábado passado tive como memória recorrente a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Extinta em 2002 às ordens do governo de Durão Barroso. Aquele processo de extinção é um verdadeiro manual de como-não-fazer. A C.N.C.D.P. foi uma verdadeira escola de quadros e de produção de conhecimento. Saber aproveitar esse potencial teria sido importante para o nosso País. Infelizmente, isso não aconteceu.

quinta-feira, 5 de março de 2026

RUA MOITA MACEDO

Às 17:41 de hoje descerrou-se a placa toponímica. Um vento gelado varria o Lumiar. Entre as Ruas Pina Bausch e Querubim Lapa criou-se espaço para Moita Macedo, o poeta, o pintor, o militante comunista. Uma justa homenagem e uma semente para o futuro. As brilhantes palavras de Mário Avelar explicaram tudo e tudo iluminaram. Lá estive, entre amigos e memórias. Que se me repetiram, uma vez e outra, no regresso a casa. Uma muito feliz tarde fria.

Da esquerda para a direita:

Carlos Moedas (Pres. CML), Ricardo Mexia (Pres. J.F. Lumiar), Maria Rosário Macedo e Paulo Macedo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

DO ARCO DO CEGO A SANTA APOLÓNIA

Aguardava a conclusão de um trabalho à porta de uma casa de fotocópias, na Rua Dona Filipa de Vilhena. Ia trocando impressões com o meu amigo André Linhas Roxas, enquanto via passar os jovens da escola secundária ali ao lado. Eram 10 horas da manhã. Passa um grupo, munido de refrigerantes e folhados pré-fabricados. Daí a pouco outro grupo, com mais refrigerantes e bolicaos e outras trampas do género. Depois, daí a minutos, mais rapaziada, artilhada com refrigerantes e donuts ou algo parecido. Tinham, todos, ar de excesso de peso.

Não deixei de pensar no tema, durante toda a manhã. À hora do almoço, e tendo de rumar à Baixa, parei na "Maçã Verde", mesmo junto à estação.

"Hoje temos um prato dietético", disse-me o empregado, com ar de boa disposição.

"Qual?", perguntei, meio-desconfiado.

"Rancho à transmontana". Foi isso, mais um copo de vinho tinto, pão e café.

Um almoço excelente, ainda que solitário. Ainda há sítios assim, onde o lixo pré-fabricado não entra.











Receita em:

https://gracatruquesdicas.pt/

domingo, 25 de janeiro de 2026

AO DESCONCERTO DO MUNDO

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Ao re(ouvir) o poema de Camões na sexta de manhã, no Panteão Nacional, notei a sua espantosa atualidade e pertinência. A cada dia que passa se tomba mais a balança. Manda quem pode...



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

TOMARA QUE CHOVA

"Atrás de nós os assentos de betão iam-se enchendo compactamente. à frente, para lá da trincheira, a areia da arena estava cilindrada a preceito, muito amarela. Parecia um pouco empapada pela chuva, mas estava seca ao sol e firme e lisa".

Este excerto, e as páginas que se lhe seguem, são, verdadeiramente, a parte de que gosto do "O sol nasce sempre" (1926), de E. Hemingway (1899-1961). O resto do livro soa-me bastante irritante.

Falámos de Hemingway ontem à noite, por causa dos touros, da boémia e de Cuba. Quando regressei a casa, com um novo guarda-chuva na mão, só pensei "tomara que chova".


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O HOBBY DOGGING OU QUANDO EU ERA EUSÉBIO...

Aquela cena marada de andar a passear cãezinhos imaginários fez-me recuar a 1970 ou 1971. Tinha uns 7 anos e aprendera a ler relativamente depressa. A narrativas épicas do Jornal do Benfica (o primeiro jornal que li) levavam-se a recriar os jogos europeus numa partida a solo. Ou seja, eu era o Benfica e o Real Madrid em simultâneo. Ou seja, eu era 22 jogadores... E jogava sozinho, para trás e para a frente, em desarmes temerários, em passes infalíveis e em golos espetaculares, marcados por Eusébio.

Um dia, no meio de uma animada partida, reparei que os homens que carregavam o bagaço da azeitona, na Sociedade dos Azeites, riam daquele bailado solitário. Envergonhado, abandonei o terreno de jogo. Assim terminou, aos 7 anos, o que podia ter sido uma carreira promissora.

Ah, mas se me virem agora passear algum cãozinho imaginário ou fulminar Junquera com um indefensável remate, podem internar-me sff.



sábado, 6 de dezembro de 2025

O CADUM, O ROLEX E A TROTINETA

Em Portugal, quase tudo tem um toque revisteiro ou de farsa.

Recordo um episódio do início dos anos 70. Houve um assalto a uma igreja em Lisboa (na Sé Catedral, se não me falha a memória). Roubaram a caixa das esmolas. À saída, lavaram as mãos na pia da água benta com sabonete Cadum. Nem numa comédia de Mario Monicelli se imagina algo assim.

Há seis meses (foi em 6 de junho) assaltaram uma ourivesaria e fugiram numa trotineta. Até hoje.






quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

COR NUM DIA CINZENTO

Recordando a cor de Trinidad. Com saudades de Trinidad e de Havana...

Que o sol de lá é melhor que a chuva de cá.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

RANGEL 45 ANOS

Não é o meu meio habitual, mas o convite para estar presente nas celebrações dos 45 anos do Grupo Rangel deu-me oportunidade para, durante algumas horas, entrar noutra realidade. O percurso do fundador do grupo, o Comendador Eduardo Rangel é, no mínimo, invulgar. Pudesse a tenacidade ser clonada.


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

OS DIAS QUE SE SEGUEM

Retomo o que ficou interrompido.

Com a convicção de sempre. Com o entusiasmo de sempre.

O que se segue?

Trabalho no Panteão, aulas na NOVA-FCSH (ano derradeiro, por decisão minha), a conclusão de dois livros que ficou suspensa nas últimas semanas... e, bem entendido, o regresso a Moura dentro de semanas.


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

MARATONA

Diálogo desportivo na Festa do Avante! com um amigo de Moura:

eu: - Vais estar em Moura no dia xis?

ele: - Não, vou estar em Maratona!

eu: - Turismo?

ele: - Não, vou a correr de Maratona para Atenas.

eu: - Eh pá, não é preciso; no século V a.C. não havia autocarros, mas agora já há; e o bilhete não deve ser caro.

Depois de alguns momentos de boa disposição lá me esclareceu que é a NONA prova da maratona que vai fazer. Minhanossassenhora...

Para quem estiver interessa, aqui ficam os horários do autocarro. Do local da batalha (que teve lugar há precisamente 2515 anos) até à acrópole são 35 quilómetros em linha reta. Terá sido esse o percurso feito pelo mítico Filpíades para anunciar a vitória.










sábado, 6 de setembro de 2025

MÁSCARA N°. 29: DUBLIN

Um prato em bronze do século II, que terá vindo de Kildare, 50 quilómetros a sudoeste de Dublin.

A peça está no fantástico Museu de Arqueologia e olha-nos assim.


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

MEDITERRÂNEO - MODO DE USAR

Quase não vale a pena dizer mais nada sobre mapa. Ele fala por si. E diz muito sobre modos de vida.

Gosto de viver no Mediterrâneo. Cada vez mais.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

O CONDE D'AGUILAR

Momento onírico-mágico...
No outro dia sonhei que estava  assistir a um espetáculo de magia do Conde de Aguilar. Há condes de Aguilar em Espanha, mas este ilusionista não era conde. Chamava-se Saul Fernandes de Aguilar (1909-1988) e teve grande notoriedade nas décadas de 40, 50 e 60. Vi-o atuar numa feira em Moura (1970 ou 1971) e todo aquele estilo e cerimonial me causou viva impressão. O Conde d'Aguilar atuava com um ar distante e sobranceiro (ou se é conde ou não se é, que diabo...), fazendo os truques mais improváveis.

Esperei que aparecesse na feira de setembro seguinte, mas não... Aquela vez foi a única, para mim.


Homenagem ao Conde de Aguilar, ilusionista

conde da guarda
conde da foz
conde de foulques de maillé
conde da folgosa
conde de fijó
conde da ervideira
conde de castro marim
conde castro
conde de castelo mendo
conde de castelo melhor
conde de castelo branco
conde de casteja
conde de carnide
conde de caminha
conde de cabral
conde de botelho
conde da borralha
conde do bonfim
conde de bonfils
 conde de bobone
conde de belmonte
conde de barcelona
conde da barca
conde da bahia
conde da azarujinha
conde de avilez
conde de ávila e bolama
conde dos arcos
conda das antas
conde do ameal
conde de alvor
conde de alvellos
conde do alto-mearim
conde de almeida araújo
conde de almarjão
conde de almada
conde das alcáçovas
conde de albuquerque
)conde de aguilar(
conde de águeda

Alexandre O'Neill (1979)

sexta-feira, 2 de maio de 2025

O MUNDO AGORA ANDA PARA TRÁS...

Durante a realização de um projecto para um determinado edifício foi-me proposto que parte das chaves fossem substituídas por cartões e por chips. Opus-me, dizendo que preferia manter o sistema convencional, chaves e fechaduras mecânicas. Nem um chip para amostra, por favor. Fui alvo de alguma ironia, por parte de um engenheiro "ah! pois, agora o mundo anda para trás...". Claro que não anda. Mas há coisas de que, com o passar dos anos (esta coisa sacana da idade...), me habituei a desconfiar. Desfiei, de seguida, as minhas razões:

1. O descontinuar dos sistemas;

2. As atualizações de software (se, por alguma razão, se falham os pagamentos, pára tudo...);

3. Os bugs ("ah, isso quase nunca acontece"; pois, pois...)

4. E mais importante, a solução proposta não fazia falta.

Optei por continuar com as fechaduras clássicas para as quais, quando é necessário, nos podemos socorrer de um carpinteiro do bairro.

E não me lembrei eu dos apagões... 


domingo, 27 de abril de 2025

NOVILINGUA

Ela bué tipo não fala mal. É a cena dela.

(ouvido no metro)


quarta-feira, 23 de abril de 2025

CELEBRAR MATTOSO

A inauguração foi ontem. Foi um bom e feliz reencontro com colegas e amigos, antigos alunos de José Mattoso na licenciatura, no mostrado ou no doutoramento. A exposição, entre o pessoal e o académico, é um notável percurso pela vida de uma personalidade marcante. Somo, na minha vida profissional e em diferentes graus, "um par" de felizes cruzamentos: Cláudio Torres, Christophe Picard, Pierre Guichard, José Pós-de-Mina, José Mattoso, António Rosa Mendes, Iria Gonçalves, Paulo Macedo...

A exposição vai estar patente até 17 de junho. Pode ser que o autor do execrável obituário que saiu no "Público" tenha a oportunidade de ir á Torre do Tombo e de perceber que há coisas especiais na vida. Como a aprendizagem com pessoas como José Mattoso.

https://antt.dglab.gov.pt/exposicao-jose-mattoso-fazer-a-historia-repensar-o-arquivo/


segunda-feira, 21 de abril de 2025

JUSTIÇA

Um pedido aos leitores do blogue (sem ironia):

Será que alguém me consegue explicar como é que um cidadão, seja ele quem for, toma conhecimento de que está a ser objeto de uma investigação por parte do Ministério Público através da comunicação social? Se nada lhe ter sido comunicado.

Fico desde já muito agradecido.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

PÁSCOA Ω: CRUCIFICAÇÃO

De alfa para ómega. Mais um desenho de Moita Macedo.

Do Evangelho segundo S. Mateus:

Morte de Jesus (Mc 15,33-41; Lc 23,44-49; Jo 19,25.28-30) – 45A partir do meio-diafizeram-se trevas sobre toda a terra, até às três horas da tardeg46Pelas três horas da tarde, Jesus bradou com voz forte, dizendo: «Elí, Elí, lemá sabakhtáni?»isto é, «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»h47Alguns dos que ali estavam, ao ouvirem isto, diziam: «Está a chamar por Elias». 48E um deles foi imediatamente a correr apanhar uma esponja e, depois de a embeber em vinagre, pô-la numa cana e dava-lhe de beberi49Os outros, porém, diziam: «Deixa! Vejamos se Elias o vem salvar». 50Mas Jesus, bradando de novo com voz forte, entregou o espíritoj.

51Entãoo véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. 52Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de santos que já tinham adormecido ressuscitaram 53e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesusl, entraram na cidade santa e apareceram a muitosm54O centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o terramoto e o que estava a acontecer, ficaram cheios de medo e disseram: «Ele era verdadeiramente Filho de Deus!».


quinta-feira, 17 de abril de 2025

PÁSCOA Α: ÚLTIMA CEIA

A última ceia é um tema pouco frequente na obra de Moita Macedo. Um trabalho fantástico, que já esteve em exposição na Sé de Lisboa. Este, e outro desenho de temática pascal, foram-me oferecidos há uns 40 anos. Têm lugar especial lá em casa.

Do Evangelho segundo S. Marcos:

A ceia do Senhor (Mt 26,20-29; Lc 22,14-23; Jo 13,2.21-26; 1Cor 11,23-25) – 17Ao cair da tarde, chegou com os Doze. 18E, enquanto estavam reclinados à mesa e comiam, Jesus disse: «Amen vos digo: um de vós, que come comigo[4], me há de entregar». 19Começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: «Não sou eu, pois não?». 20Mas Ele disse-lhes: «É um dos Doze, o que põe comigo a mão no prato[5]21Porque o Filho do Homem parte, tal como está escrito acerca dele, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido».

22Enquanto eles comiam, tomou um pão e, pronunciando a bênção, partiu-o, deu-lho e disse: «Tomai, este é o meu corpo». 

23Tomando, então, um cálice e dando graças, deu-lho e todos beberam dele. 24E disse-lhes: «Este é o meu sangue da aliança[6], derramado em favor de muitos[7]25Amen vos digo: não mais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus».