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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

PENÉLOPE EM PATERNA

Mergulhado na cerâmica de Paterna (uma localidade que fica cinco quilómetros a noroeste de Valência e que foi um centro oleiro de extraordinária importância na Idade Média), vou avançando em leituras, paralelos e tipologias. Não é tanto este "regresso ao passado" que é a melhor parte da investigação, mas sim o facto de permitir (mais) uma releitura do estatuto social das minorias muçulmanas.

A tese inédita de Anna McSweeney apresenta uma extenso catálogo de materiais, quase todos recolhidos no Museo Nacional de Ceramica y de las Artes Suntuarias Gonzalez Marti, em Valência. Muitas das peças apresentam padrões gráficos, como se de tapetes se tratasse. Foram alguns desses desenhos que recolhi. Que fiz e refiz, ao jeito da manta de Penélope. Que é o tema de um bonito e sugestivo poema de David Mourão-Ferreira.

Site do Museu - http://www.mecd.gob.es/mnceramica/home.html


PENÉLOPE

Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: ESTEVA

Poucos odores são, no nosso Mediterrâneo, tão marcantes como o da esteva. De poucas plantas me lembro sempre tanto como das estevas. É pena que as suas extraordinárias flores não sirvam para decoração. São de uma efémera, mas autêntica, beleza.


Desenho de William Curtis, de final do século XVIII. E que canta La Niña de la Puebla (En los montes llenos de jarales) tem a ver com tudo isto. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

QUANDO ESCHER PASSOU POR MOURA

Esta oliveira retorcida está, M.C. Escher assim o garante, no sul de Itália. Bem se parece com outra, que em tempos esteve na Estrada dos Machados e que hoje está à entrada do Jardim das Oliveiras, em Moura.

Escher não teria feito o percurso que concretizou sem aquela passagem pela costa amalfitana. Escadas e cúpulas serviram de mote, até ao fim.

Há anos, em novembro de 1987, veio a Moura uma delegação do Ajax. O MAC jogava, para a Taça de Portugal, com o Porto e houve lugar à "espionagem" da praxe. Os holandeses, adversários do FCP na Supertaça Europeia, estavam deveras impressionados com as montanhas (a Serra de Portel, que não é exatamente o Evereste...). Imagino que Escher, apesar do seu cosmopolitismo, deva ter pensado o mesmo nas deambulações pela Calábria.

A exposição sobre a obra de Escher é boa, sem ser excecional (as traduções, valha-me nossassenhoradocarmo...) e põe a nu a decadência do Museu de Arte Popular. E a nula estratégia que existe para aquele local.



terça-feira, 22 de maio de 2018

CRISTO(S)

Parece que foi ontem, mas o momento de arranque deste projeto ocorreu em fevereiro de 2015. Na verdade, com outros afazeres, não havia muito "espaço". Uma primeira seleção de quadros ficou terminada no sábado. São quatro dezenas e meia de obras sobre esta temática: Cristo. De um só pintor. Depois, achei que deveria alargar a escolha. Porque há muitas pinturas que, de forma explícita ou implícita, nos remetem para a mãe. Melhor dizendo, para a Theotokos. E depois para a cruz, para os cavaleiros, para os pastores. Por aí andamos. Não tardará muito que a proposta final tome forma.


O OURIÇO

À procura de ilustrações científicas para um trabalho, e pesquisando em várias línguas, fui dar com este bonito desenho e com este bonito poema. Do desenho não sei a origem exata, o poema é de um grande autor mexicano, José Emilio Pacheco (1939-2014).


EL ERIZO
El erizo tiene miedo de todo y quiere dar miedo
en el fondo del agua o entre las piedras.
Es una flor armada de indefensión,
una estrella color de sangre,
derruida en su fuego muerto.

Zarza ardiente en el mar, perpetua llaga
resiste la tormenta en su lecho de espinas.
El erizo no huye: se presenta
en guerra pero inerme ante nuestros ojos.

Al fondo de su cuerpo la boca, herida abierta, discrepa
de su alambre de púas, su carcaj
de flechas dirigidas a ningún blanco.

Testigo vano de su hiriente agonía,
el erizo no cree en sí mismo ni en nada.
Es una esfera
cuya circunferencia está en el vacío.
Es una isla
asediada de lanzas por todas partes.

Soledad del erizo, martirio eterno
de este San Sebastián que nació acribillado.
El erizo nunca se ha visto,
no se conoce a sí mismo.
Tan sólo puede imaginarse a partir
de los otros erizos,su áspero prójimo,
su semejante rechazante.

Bajo el mar que no vuelve avanza el erizo
con temerosos pies invisibles.
Se dirige sin pausa hacia la arena
en donde está la fuente del silencio.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

JOÃO ABEL MANTA - HOMENAGEM


Dizer que João Abel Manta (n. 1928) foi o cartoonista do 25 abril é redutor para tão genial obra (que foi muito para lá destes desenhos). Do ponto de vista pessoal, foi dos autores mais importantes na minha aprendizagem plástica, cívica e política. Assim, tudo ao mesmo tempo. Os seus cartoons foram um poderoso, ácido e inteligente elemento de denúncia. Fizeram-nos sorrir, de forma um pouco triste. E ajudaram-nos a tomar consciência. Não há 25 de abril sem João Abel Manta. Viva ele, neste Dia.

segunda-feira, 26 de março de 2018

AUTOR - PROCURA-SE

Com as arrumações in fine fui dar com este postal, que uma amiga me enviou, em outubro de 1989. Estava então à venda na loja do Museu Nacional de Arte Antiga. Fez parte do concurso "Um tesouro para descobrir, promovido pelo Instituto Português do Património Cultural. Que tem especial? Três coisas:

1) O desenho é muito bonito;
2) Retrata a torre do relógio, no Castelo de Moura;
3) O/a autor/a era aluno/a da então Escola Preparatória de Moura.

Fica a questão: quem fez tão bonito desenho?

quarta-feira, 7 de março de 2018

QUE SAUDADES DO MARQUÊS DA PRAIA

Dei comigo, na noite de ontem, a ler um texto de Alfonso de Valdés (c. 1490-1532). Eis um excerto de Diálogo en que particularmente se tratan las cosas acaecidas en Roma el año de 1527, a gloria de Dios y bien universal de la República Cristiana:

Tantas igrejas, tantos mosteiros, tantos hospitais, com que Deus soía ser servido e honrado, destruídos e profanados! Tantos altares, e a própria igreja do príncipe dos apóstolos, ensanguentados! antas relíquias roubadas e com sacrílegas mãos maltratadas! Para isso juntaram os seus predecessores tanta santidade naquela cidade? Para isso honraram as igrejas com tantas relíquias? Para isso lhes deram tão ricos atavios de oiro e de prata, para que viesse ele com as suas mãos lavadas a roubá-lo, a desfazê-lo, a destruir tudo? Deus soberano! Será possível que tão grande crueldade, tão grande insulto, tão abominável ousadia, tão espantoso caso, tão execrável impiedade fiquem sem mui rijo, sem mui grave, sem muito evidente castigo? Não sei como aqui o sentis, e se o sentis, não sei como assim o podeis dissimular.

Arcidiano, falando sobre o saque à cidade de Roma, ocorrido em 6 de maio de 1527. Gravura de Hans Holbein, o Jovem (1497/8-1543). Retrata um grupo de lansquenetes em ação.

domingo, 4 de março de 2018

DECÁLOGO MEDITERRÂNICO: ROMÃS

Romãs num iznik do Museu de Arte Islâmica, em Berlim. Parecem caudas de pavão.

É um dos meus frutos preferidos. A mais fantástica e inolvidável romã que comi na Síriafoi . Foi-me oferecida por um rapazito curdo, à entrada do sítio arqueológico de Aïn Dara, que fica 330 kms. a norte de Damasco.

As romãs estão numa das modas mais bonitas aqui da minha região. Onde se canta "aquela mulher que eu amo / dei-lhe um aperto de mão", num toque de erotismo entre o original e o absurdo.

Em árabe é رمان. Ou seja, ruman.


Soneto a la granada


Es mi amor como el oscuro
panal de sombra encarnada
que la hermética granada
labra en su cóncavo muro.
Silenciosamente apuro
mi sed, mi sed no saciada,
y la guardo congelada
para un alivio futuro.
Acaso una boca ajena
a mi secreto dolor
encuentre mi sangre, plena,
y mi carne dura y fría,
y en mi acre y dulce sabor
sacie su sed con la mía.

Xavier Villaurrutia (1903-1950)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

ELEMENTOS - ÁGUA 6

Arte nº 6: a literatura. Escolhi um poema de Rainer Maria Rilke, traduzido para língua inglesa. Gostaria de ter usado o tal poema de Bocage, mas ainda me remetem (o poema tem oito palavras assim pro fortezinho - ler aqui) o blogue para a secção da pornografia...


Water Lily 

My whole life is mine, but whoever says so

will deprive me, for it is infinite.
The ripple of water, the shade of the sky
are mine; it is still the same, my life.

No desire opens me: I am full,
I never close myself with refusal-
in the rythm of my daily soul
I do not desire-I am moved;

by being moved I exert my empire,
making the dreams of night real:
into my body at the bottom of the water
I attract the beyonds of mirrors...


Prefiro, claramente, este Marsh with water lilies (1881), de Vincent van Gogh (1853–1890) aos nenúfares de Claude Monet. Em todo o caso, é à volta destes que andará  minha próxima crónica para "A planície".

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

AS MINAS DE SÃO DOMINGOS EM WASHINGTON

Comprei, há anos, uma cópia deste desenho, via net. Quem estuda a história da Mina de São Domingos conhece bem estes materiais. Não é o meu caso. Achei curioso o facto de vários documentos deste género estarem depositados na Biblioteca do Congresso, em Washington.

São três desenhos. Ver:
https://www.loc.gov/item/2002627754/

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

E SE DUARTE DARMAS TIVESSE UM DRONE?

"Ora bolas!", não pude deixar de pensar ao ouvir, ontem a TSF. Raio de coincidência, havia um projeto sobre Duarte Darmas em curso. Com paralelos com o que desenvolvi durante bastante tempo... Paciência! Darei continuidade ao meu, até porque há diferenças substanciais entre um e outro.

Que irei fazer:
* Uma comparação entre o que Duarte Darmas viu e o que hoje pode ser visto. Como? Usando um drone (cf. link mais abaixo, que reproduz a gravação feita em 30.12.2017);
* Uma leitura gráfica usando o desenho do século XVI e fotografias aéreas atuais;
* Um ficha explicativa por cada sítio, com detalhe para os espaços registados com maior pormenor;
* Um catálogo;
* Uma exposição;
* Um site.

Quais as diferenças:
* Não usarei desenhos;
* Abrangerei apenas o Alentejo e não toda a raia.

Terá interesse ver, mais tarde, as diferenças de abordagem.


Ver vídeo em:


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

REIS MAGOS

Sem vergonha!, é o que muitos dos poemas de Olavo Bilac me fazem pensar. Não é o caso do inocente texto que hoje reproduzo. E que é literariamente falando, muito inferior "aos outros". Mas é Dia de Reis e é adequado adequar.


Hoje, logo pela manhã, ri com gosto ao ver a página do facebook da minha amiga Paloma Canivet. As imagens pertencem à arte medieval britânica e reportam-se ao sonho dos Reis Magos. Dificuldades na representação plástica, ou falta de camas turísticas naqueles tempos, só podem ser essas as explicações. As iluminuras têm um toque racista: o rei Baltasar "empalideceu". Estas iluminuras são todo um manancial de hipóteses.


Do Taymouth Hours - c.1325–35 (British Library)

The Queen Mary Psalter - c.1310–20 (British Library)

Os Reis Magos, por Olavo Bilac



Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.


Estrela nova … Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.


Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.


E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.


Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol


Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.


Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três !


Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.


E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir


Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.


E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O EGIPTO MERTOLENSE

Recanto da antiga Barbearia Baiôa, entre o Festival Islâmico e o Natal que aí vem. Imagens ao jeito dos oásis. Imagens bíblicas. Como nas fotografias de George Rodger, de Rudolf Lehnert ou de Ernst Landrock.


A PALM-TREE

A single fir-tree, lonely,
on a northern mountain height,
sleeps in a white blanket,
draped in snow and ice.

His dreams are of a palm-tree,
who, far in eastern lands,
weeps, all alone and silent,
among the burning sands.



Heinrich Heine (1797-1856) escreveu este poema nos seus tempos de juventude. Nunca visitou o oriente, embora o seus fascínio pela cultura árabe fosse evidente.

terça-feira, 6 de junho de 2017

SALOMÉ NASCIMENTO - IN SITU

Eis um projeto diferente. Surgido de surpresa. E aqui acolhido com prazer.

Salomé Nascimento, na primeira pessoa:

inSitu_ Moura\ zona industrial _ [bilores_uma queijaria]
inauguração 10 de junho
Esta exposição resulta da minha residência/laboratório numa fábrica de queijo artesanal, na zona industrial de Moura.
A apresentação final realiza-se no dia 10 de Junho às 19h na Galeria do Museu Municipal de Moura, após um período de atelier aberto à comunidade entre 29 de maio e 8 de junho. Acontece em paralelo ao festival do Peixe do Rio e do Pão a decorrer na cidade entre 9 e 11 de Junho.
Fica o convite.
____
InSitu é um programa itinerante de residência/laboratório de arte adaptado a diversas situações de grupo. A sua base teórica foi desenvolvida no âmbito dos Estudos Especializados em Arte Contemporânea e Curadoria na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Este projecto de estética relacional tem como ponto de partida o reconhecimento e a valorização do contexto específico onde se inscreve. Procura fazer dialogar a multiplicidade das linguagens e perspectivas, num contexto de empatia e proximidade recorrendo à dimensão estética. Entre os seus objectivos, salienta-se a promoção e a divulgação das práticas artísticas através da acção participativa, originando discursos e actos passíveis de potenciar a reflexão.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

UM BRUNO BARBEY SANTO-ALEIXENSE

Na realidade, não é um Bruno Barbey (n. 1941), mas vários. Este bonito e colorido trabalho em torno das mãos, feito por alunos da Escola Básica de Santo Aleixo da Restauração, levou-me direitinho a uma conhecida imagem de um fotógrafo que percorreu Marrocos de lés-a-lés.

De Santo Aleixo a Essaouira é só um passinho.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

CALIGRAFIAS


Um amigo achou que as fotografias que faço, sem pretensão de ser fotógrafo, são geométricas e caligráficas. Eu poderia acrescentar mecanicistas, mas por outras razões. À procura de uma escrita, e sem a ter encontrado, aqui ficam uma fotografia caligráfica feita na Líbia, na primavera de 2008, e a escrita de Hassan Massoudy. O calígrafo já por aqui andou, em novembro de 2009.

sábado, 14 de janeiro de 2017

O MUNDO INTEIRO É UM PALCO

Tenho-me lembrado hoje, insistentemente, desta passagem de uma peça de Shakespeare (As you like it), que já por aqui andou há mais de cinco anos:

All the world's a stage,
And all the men and women merely players:
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts, (...)

Faz parte desta publicação um desenho do artista argelino Rachid Koraichi (n. 1947), inspirado em L'oeil, de Donatella Bisutti.

sábado, 22 de outubro de 2016

PEIXES

Evocação piscícola, no último dia do campeonato do mundo de pesca ao achigã, que está a ter lugar em Moura. O ambiente no Parque Municipal de Feiras e Exposições era, ontem à tarde, bem festivo. Pesagens, aplausos, fotografias, num ritmo certo e sério. Regressei ao local à noite, para registar o enorme aquário iluminado, que chamava a atenção à entrada de Moura.

Os peixes dão pano para mangas.

Começando por uma alocução de que gosto, desinit in piscem mulier formosa superne, escrevia Horácio. Ou seja, mulher formosa termina numa cauda de peixe. Não me parece mal, essa ideia das sereias.

E terminando no texto CLXXXIII das Cantigas de Santa Maria, um poema do século XIII. Reproduzo o final da cantiga que evoca o desaparecimento e o reaparecimento dos peixes no mar de Faro, por intercessão de Nossa Senhora. O poema é absolutamente fantástico, tal como todos os outros das Cantigas. Versão integral em: https://pt.wikisource.org/wiki/Cantigas_de_Santa_Maria

Ca fez que niun pescado nunca poderon prender
enquant' aquela omagen no mar leixaron jazer.
Os mouros, pois viron esto, fórona dali erger
e posérona no muro ontr' as amas en az.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz...

Des i tan muito pescado ouveron des enton y,
que nunca tant' y ouveran, per com' a mouros oý
dizer e aos crischãos que o contaron a mi;
poren loemos a Virgen en que tanto de ben jaz.
Pesar á Santa Maria de quen por desonrra faz...





domingo, 29 de novembro de 2015

ACHAS QUE ISTO VALE A PENA?

A pergunta foi-me disparada, ontem à noite, por um amigo de Moura, no meio da barulheira da Sheherazade. E continuou "Achas que vale a pena sacrificares o teu tempo para seres presidente da câmara? Todos os dias ouço coisas a teu respeito que sei que não são verdade". E prosseguiu, no mesmo tom incisivo.

Curiosamente, no almoço da Contenda, eu tivera uma longa conversa com o meu amigo Artur Torres Pereira, ex-Presidente da Câmara de Sousel (eleito pelo PSD), sobre o serviço público, sobre questões de ética e sobre a exposição permanente a que o(s) cargo(s) obriga(m). Um diálogo fraterno com uma pessoa por quem tenho respeito e consideração.

Respondi ao meu amigo  de Moura que quase nunca penso nesse tipo de questões: nem nas nulas vantagens financeiras do cargo, nem da rapidez a que somos, mais tarde, votados ao esquecimento, nem nos obstáculos e nas agruras do quotidiano, nem das provocações e na maledicência.  Centro-me, sempre, nos resultados e na forma séria de se atingirem objetivos. O resto interessa-me pouco e voto tais assuntos pouco sérios ao desprezo.

Era, salvo erro, Brian Clough (quando treinava o Derby County) que dizia que todo o drible que não resultava em golo era um drible inútil. É esse o meu princípio, e posso, por isso, dizer-te, amigo JR, que "sim, acho absolutamente que vale a pena desempenhar estas funções". Nunca esquecendo que isto não é uma profissão e, muito menos, um modo de ganhar a vida.

Desenho - Norman Rockwell.