terça-feira, 31 de outubro de 2023

XIII: MOURÃO

E vão 13. Última volta. Amanhã estarei em Mourão, para falar sobre este projeto. E para continuar a divulgar a obra de Duarte Darmas. A 14ª paragem será, provavelmente, a derradeira e terá lugar em Oeiras.


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

BAB SHARQI

Damasco, 2003.

Junto à porta oriental da cidade velha estão uma igreja e um minarete. A imagem simboliza bem o Oriente de outrora. Tenso e de confronto, mas com uma permanente necessidade de diálogo.

Ou não aprendemos nada ou já esquecemos quase tudo.

domingo, 29 de outubro de 2023

PERGAMON, 2037...

O Pergamon vai fechar. Reabrirá daqui a 14 anos, em 2037. Não é a primeira vez que trabalhos desta envergadura se concretizam. O Neues Museum esteve fechado ao público entre 2003 e 2009. A Neue Pinakothek, em Munique, fechou em 2019 e só reabrirá em 2027.

Visitei o Pergamon em duas ocasiões, com o privilégio de serem sessões de trabalho, que me permitiram ter acesso a sítios vedados ao público. 2037? Terei 74 anos, se lá chegar. O Pergamon torna-se-me uma miragem.

Foi um dos museus que me causou maior impacto. Cinco peças num só sítio:

O Altar de Pérgamo, que dá nome ao museu;

A fachada do palácio de Mshatta;

A porta do mercado de Mileto;

A porta de Ishtar;

A sala de Alepo.

Não vou aqui comentar os debates coloniais, pós-coloniais e pós-pós-pós coloniais. A única coisa que sei é que no dia em que os wokistas de todas as castas "mandarem nisto" vamos ter o deserto como paisagem obrigatória...



FILMES OUTONAIS

Recordação de "tentações fílmicas" pessoais. Quase sempre no outono.

2013 - Moita Macedo, pintor e poeta na revolução

2015 - Chegar a casa

2018 - A festa, pá!

2022 - Duarte Darmas, do cálamo ao drone



Filme da exposição sobre a obra de Duarte Darmas, percorrendo 20 sítios alentejanos.
Colocado no youtube em 28.10.2022 - 2612 visualizações



Vídeo experimental (soi disant...) sobre memórias africanas e o 25 de abril.
Colocado no youtube em 01.11.2018 - 170 visualizações



Ficção. Estreado em 20 de maio de 2015 no Festival Islâmico de Mértola. Participou em dois festivais internacionais de cinema (em Cabo Verde e em Portugal). Colocado no youtube no dia 31.01.2017 - 407 visualizações.



Moita Macedo, pintor e poeta na revolução
O filme foi estreado em 14 de julho de 2013. Foi colocado no youtube no dia 29.10.2013. Teve, até à data, 1517 visualizações.

sábado, 28 de outubro de 2023

ÚLTIMA DA TEMPORADA

Última da temporada, em Évora.
Vir porque sim. Porque vem cá o Grupo de Moura. Porque se encontram sempre muitos amigos. Porque vou a Moura mesmo sem lá ir.


sexta-feira, 27 de outubro de 2023

E POR FALAR EM PRIMITIVOS PORTUGUESES...

... aqui se recorda a figura de São Teotónio (1082-1162), que foi o primeiro santo da Igreja portuguesa. O quadro que o representa está no Museu Nacional de Arte Antiga. Uma estátua de São Teotónio, da autoria de Leopoldo de Almeida, está no Panteão Nacional.
















E AFINAL, O AUTOR É...

Não tenho conhecimentos sobre o período artístico em questão.

O Museu do Louvre comprou a um galerista luso-francês uma Ressurreição de Cristo até aqui atribuída a Diogo de Contreiras. O quadro foi comprado pelo galerista por 100.000 euros e agora revendido por um montante não revelado. O galerista afirma que os autores da obra são Garcia Fernandes e Cristõvão de Figueiredo e não Diogo de Contreiras.

Diz o galerista, citado pelo "Público" que, "com base no posterior trabalho de investigação realizado nos melhores ateliers de restauro de Paris, com as técnicas mais sofisticadas de reflectografia, que permitiram, por exemplo, “observar as hesitações do desenho de base, nervoso e dramático, pela mão de Cristóvão de Figueiredo, um artista chave nos primitivos portugueses”.

Afinal, que documentação sustenta uma e outras atribuições? Afinal, quem tem razão? Quem é o autor (ou autores) da obra?


quarta-feira, 25 de outubro de 2023

GUTERRES E A PALESTINA

António Guterres é um homem de inteligência superior. Um político dos corredores do poder e pouco dado às ações de rua e a contactos populares. É alguém que não se deixa embarcar em emoções do momento. Cada ideia, cada palavra é pensada com cuidado e tem objetivos claros. O que disse no outro dia a propósito da Palestina foi tudo menos um improviso e um discurso de coração nas mãos.

António Guterres teve razão no que disse? Teve toda a razão. A começar pela condenação ao Hamas.

Vai por aí um vendaval de pedidos de demissão e de atitudes surpreendentes das autoridades israelitas. Sunak exige que Guterres recue nas suas opiniões. Curioso, para dizer o mínimo, é o silêncio americano quanto às posições do SG da ONU.


terça-feira, 24 de outubro de 2023

ORIENTALISMO(S)

A inspiração para o texto de hoje veio direitinha da aula do meu amigo João Luís Fontes, em que tive o prazer de participar. Os orientalismos e os mitos do oriente como primeira armadilha na análise histórica...

Foi, certamente, o orientalismo, na vertente decifrada por Edward Saïd, que esteve nos olhos da célebre dupla Lenhnert e Landrock. A loja deles ainda existia, há uns anos, no Cairo...

Esta bela imagem de uma não menos bela jovem sugere-me as palavras de um conhecido poema de Ibn Ammar:

É uma gazela que olha com narcisos estende açucenas

sorri com margaridas


As suas arrecadas fazem-me sinais e as braceletes

estendem a orelha para escutar a melodia do seu cinturão.

(versão - António Borges Coelho)


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

MANUEL GOMES DA COSTA

Terminou há pouco, na RTP2, um programa sobre um arquiteto pouco conhecido do grande público: Manuel Gomes da Costa (1921-2016). Fiz alusão a uma obra dele, aqui no blogue, no ano de 2009: https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/07/cidade-do-iluminismo.html

O que me levou a recordar este bloco habitacional, na Rua Catarina Eufémia, em Vila Real de Santo António. Lembro-me que as portas da rua corriam lateralmente, em vez de "abrirem", como quase sempre acontece. Será projeto do mesmo arquiteto?

domingo, 22 de outubro de 2023

O TAL CANAL

40 anos já lá vão. Foi a grande revolução no humor em Portugal. No bisonho País de então (sim, anda era bastante bisonho...) O tal canal fez a grande diferença. Na semana seguinte, os sketches eram comentados nos corredores da Faculdade. Houve expressões e dichotes (não me chame condenssa que me põe tensa, crise quatre-vingt quatre, imensa paprika etc.)  que se tornaram usuais naquele início do 3º ano em que andávamos.

Saudades? Não. Nostalgia? Um pouco, sim.

NIPPON

Dias nipónico, entre as estampas japonesas na Gulbenkian (com Katsushika Hokusai a chamar sempre a atenção) e Puccini, com um minimalista e magnífico 1º ato de Madame Butterfly.

Dias tranquilos, ao ritmo dos cenários das estampas e da ópera. Preparando 2024 e o que aí vem.

Estampa sobre papel, de 1834: Hodogaya na estrada de Tokaido.

sábado, 21 de outubro de 2023

SABRA E CHATILA - 16.9.1982, LEMBRAM-SE?

Esta obra de António "foi inspirada pelo horror dos massacres ocorridos no dia 16 de Setembro de 1982 nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, a sul de Beirute, em que, cumprindo ordens de Israel, que invadira o Líbano e controlava Beirute, a Falange, uma milícia libanesa cristã comandada e armada por Israel, entrou nos campos e entregou-se a uma matança selvática, enquanto soldados israelitas controlavam o perímetro dos campos, e durante a noite disparavam foguetes luminosos para ajudar a acção dos criminosos falangistas". (no site do MPPM).


O MEDO, SEM LIMITES

O cartoon de Steve Bell não é original - trata-se, assumidamente, de um cover de outro desenho - nem sequer é muito bom. Steve Bell foi despedido. A web summit - um evento que sigo apenas à distância - vai ser boicotado por causa de posições tomadas pelo seu organizador.

O medo instala-se assim. A auto-censura também. A liberdade de expressão é limitada todos os dias, de forma insidiosa, cada vez mais forte. Para dizermos todos o mesmo. Gregariamente. Dias de medo desenham-se, cada vez de forma mais nítida.


sexta-feira, 20 de outubro de 2023

20.10.2013, às 16:25

Faz agora dez anos que tomei posse no cargo mais decisivo da minha vida. E nem posso dizer que tenha tido uma vida profissional monótona ou pouco variada.

A intervenção foi curta (talvez uns 12 minutos), como gosto de fazer neste tipo de ocasiões. Repetiria, hoje, cada palavra. Seguiram-se quatro anos frenéticos.

20/10/2013 - 16:25


Eram exatamente 16 horas e 25 minutos quando assinei o termo de posse, no Cineteatro Caridade. Depois, li este texto:

Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Senhores Eleitos dos Órgãos Municipais
Senhoras e Senhores Convidados
Caros Conterrâneos, Caros Amigos

Gostaria de começar por desejar a todos os eleitos um bom mandato. Do sucesso do nosso trabalho depende uma parte da vida do nosso concelho, pela que a responsabilidade que recai sobre nós não é coisa pouca.

Dificilmente algum dos presentes saberá dizer quem era o Presidente da Câmara de Moura no dia 20 de outubro de 1913. Dificilmente, também, a cerimónia de hoje será recordada dentro de cem anos, ou alguém se lembrará do nome do Presidente que agora toma posse. A passagem pela vida, e isso inclui a vida política, não tem por fim ganhar algo semelhante à eternidade na terra ou a perpetuar no tempo aquilo que fazemos. A missão é breve e esta realidade transitória.

O que nos move é a necessidade de transformar e de melhorar. De participarmos num permanente processo de melhoramento e de transformação. Não é fácil fazê-lo num quadro de grave crise social e de grandes restrições financeiras, que nos afetam a todos e que tocam de muito perto os autarcas. Ouvi, há meses, um responsável regional dizer uma frase que me irrita: “o Alentejo é uma região que tem qualidade de vida”. Se interpretarmos como tal o ar puro, a ausência de engarrafamentos ao fim do dia, a tranquilidade das nossas localidades e o som dos passarinhos é verdade que temos qualidade de vida. Acontece que a qualidade de vida é bem mais que isso. Envolve coisas só aparentemente banais como ter direito a escolas decentes e com professores a trabalhar em condições, cuidados de saúde a distâncias razoáveis do local onde vivemos, a possibilidade de termos nos nossos concelhos as forças de segurança, tribunais, serviços de finanças, os correios, infraestruturas desportivas, uma rede de transportes que cumpra os mínimos. Não falamos de luxos nem de ostentação. As ludotecas, as bibliotecas, os transportes, os centros de dia, os lares, as escolas, não são um luxo. São algo a que temos direito porque trabalhamos para isso. E porque são necessários. E porque sem esses equipamentos viveremos pior e com menos qualidade. Se chegámos a este ponto de grande dificuldade não foi porque os que trabalham causaram a situação ou porque autarquias como Moura fazem uma vida de luxo, mas sim porque o sistema financeiro que é a base do sistema capitalista o permite e incentiva. É também por isso que senti a obrigação moral de ser candidato a Presidente da Câmara de Moura. Porque temos o direito e o dever do combate político e temos a obrigação de lutar pelo sítio ao qual estamos ligados. É por isso que graças aos habitantes do concelho sou hoje Presidente da Câmara de Moura. Um cargo que muito me honra / e em relação ao qual tudo farei para estar à altura deste grande concelho.

Rejeitamos a imagem que nos querem colar. O Alentejo não é o exotismo ao virar da esquina, com indígenas que cantam bem, que fazem bom artesanato, bom pão, bom vinho, bom azeite e que, felizmente e em nome dos bons costumes, abandonaram as práticas canibais há cerca de 2000 anos. Nós não queremos ser esse exótico baratinho. O que nós queremos, e temos direito, é a uma vida decente e a um concelho melhor. Não podemos aceitar que os cortes se somem deixando as autarquias sem capacidade de intervenção. Não podemos aceitar o discurso dos que acham que as Câmaras Municipais são uma almofada do Poder Central, destinadas a distribuir umas quantas benesses e uns quantos apoios, deixando as grandes questões para esferas que nos ultrapassam. Vejo gente preparada intelectualmente preocupada com a viabilidade do interior a longo prazo. Discriminam as aldeias [que fique claro que são eles quem o faz e não nós] apostando por isso na concentração de recursos nas sedes de concelho. Há uma obsessão com o que vai acontecer no longo prazo, como se nós pudéssemos determinar o futuro à medida dos nossos desejos. Dá vontade de lhes recordar a frase do grande economista John Keynes, que dizia “a longo prazo estamos todos mortos”.

A situação é séria e isso torna maior o desafio. Temos pela frente dois problemas de grande envergadura: a desertificação humana, agravada pelo envelhecimento da população, e o desemprego. Problemas estruturais do interior do País, para os quais só o esforço de uma Câmara Municipal não chega. Importa sublinhar, ainda assim, que o mais significativo programa de criação de emprego, em torno das energias renováveis, teve na Câmara Municipal uma mola propulsora fundamental. Mais de 150 postos de trabalho foram criados num processo de todos bem conhecido.

E que teve no José Maria Pós-de-Mina uma peça decisiva. É também para mim uma honra muito particular suceder no lugar de Presidente da Câmara a uma pessoa de tão invulgares qualidades e capacidades como o José Maria. Muito poucas pessoas me conseguiriam convencer a abraçar este desafio. Muito poucas, ficas a saber.

Foi, durante 15 anos, 9 meses e 18 dias o nosso alcaide. Trabalhou sem tréguas, durante esses anos, para garantir um futuro melhor no nosso concelho. Houve progressos fundamentais e decisivos, que temos agora de continuar. Alguns não o querem reconhecer, mas o tempo, esse grande escultor, se encarregará de sublinhar a verdade. Espero, esperamos, na nossa equipa, estar à altura do que foi feito e do que tu impulsionaste.

Durante os últimos dois anos fomos fustigados, como sabes, pelo facto de, supostamente, andarmos a gastar o dinheiro público em arqueologia e em museus. Na realidade, o programa em curso, que abrange parte do centro histórico de Moura, tem a ver com outra coisa bem diferente, a reabilitação urbana. Confundir museus com reabilitação urbana é um tanto confrangedor. Mas posso garantir-te, e posso garantir a todos, que não nos afastaremos dessa linha de atuação.

Vale a pena citar o jornalista Nicolau Santos, num artigo no semanário “Expresso” de dia 12 de Junho de 2013:

Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe. Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou perentoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para quê?”. (fim de citação)

É esse um dos tópicos do nosso combate quotidiano. E se nos referimos à cultura, não é à sua vertente literária e artística, apenas. Mas à necessidade de termos uma perspetiva cultural do nosso concelho e do mundo à nossa volta. O convite ao Gonçalo Lampreia para se juntar a nós, e para participar nesta cerimónia, inscreve-se nessa lógica de valorizar a nossa juventude, o seu esforço de superação, de darmos importância ao que de melhor temos.

É essa perspetiva cultural que nos leva a reabilitar as nossas localidades. É por termos essa certeza que cedemos o terreno e colaborámos no financiamento da Escola Básica Integrada de Amareleja. É por termos essa convicção que interviémos nas escolas e as melhorámos. Foi assim em Santo Amador e vai ser assim em Santo Aleixo. É esse enquadramento cultural que nos leva a renovar redes de águas e fazer obras como a da Ribeira da Perna Seca, no Sobral da Adiça. É uma lógica ligada à cultura que nos levou a participar no processo de renovação urbana de Safara. A apoiar com entusiasmo, logo nós, maioritariamente ateus e agnósticos, a recuperação de igrejas em Santo Aleixo, na Estrela e, em breve, na Póvoa de S. Miguel. É a importância da Cultura e do Homem no seu meio que nos levará, ainda antes do final do ano, a assinar o contrato para o Pavilhão Multiusos das Cancelinhas, na Amareleja. É a importância de uma perspetiva cultural que nos faz querer terminar o mais depressa possível a obra da zona industrial em Moura. Sem gente não há futuro e sem condições para aqui vivermos não há gente. A equação é simples. Tão simples como simples e direta é a nossa determinação.

Daremos cumprimento ao que foram os tópicos do programa que apresentámos à população do concelho:

1. Continuaremos a ter como preocupação o investimento e o emprego, sendo que a criação e o melhoramento de infraesturuturas serão a nossa forma primordial de intervenção;

2. Teremos particular preocupação com a área social, dentro daquilo que são as competências e possibilidades do município; neste domínio incluímos a aposta na educação, que não deixaremos cair;

3. Melhoraremos as nossas localidades, tendo como motivação a divulgação do potencial turístico do território [o potencial turístico não existe por si só, tem de ser estimulado e tem sido essa a lógica da reabilitação dos espaços públicos e dos edifícios do concelho];

4. Finalmente, teremos particular preocupação com o Meio Ambiente e a Agricultura. Incluímos neste setor tanto as energias renováveis, como a tradição agrícola do concelho. Precisamos de regadio e precisamos que alguns entendam que o respeito pelo Ambiente começa pela valorização do ser humano, sem o qual não há paisagem que nos valha.

Gostaria de deixar claro que não represento 42,9 % dos votantes do concelho, mas sim, como Presidente da Câmara, a totalidade dos habitantes desta nossa terra. E que saberei, saberemos, interpretar a vontade de todos e os anseios de todos. E que estarei atento, estaremos atentos, a críticas, comentários e aos contributos que nos quiserem dar ou fazer chegar.

Tenho o péssimo hábito de nunca agradecer à família nestas alturas. Agradeço-lhes agora, a eles, aos meus professores, aos amigos que fui fazendo ao longo da vida e que tão condescendentes são para com as minhas permanentes insuficiências. Gostava de lhes dedicar, bem como a todos os que aqui estão, as palavras de alguém que sabia o valor das palavras. Fazem sentido hoje, dia de celebração, mas também dia de muitas dúvidas. Para além da curva da estrada, de Alberto Caeiro:

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Muito obrigado a todos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

NOME DE RUA

É um fado muito bonito, que vi/ouvi no outro dia, no Museu do Fado. A gravação é de uma televisão brasileira e data de 1971.

Alain Oulman e David Mourão Ferreira. E Amália, bem entendido.


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

MÁSCARA N°. 15: TATE MODERN

Esta não é uma máscara na paisagem. A obra intitula-se Sun-Man-Face II, data de 1976 e é do artista húngaro Imre Bak (1939-2022). Está na Tate Modern, em Londres.

Na legenda da peça: "this work's titles suggests three different ways to interpret the composition. Together, the three words also invite reflection on the relationship between humanity and nature". A primeira frase entende-se, a segunda nem por isso.


terça-feira, 17 de outubro de 2023

BENFICA TV

Entrevista matutina à Benfica TV. Recordações pessoais de Eusébio, à mistura com o relevo institucional do monumento na preservação da memória.

No final, a jornalista perguntou qual o meu clube. Ou seja, acho que fiz bem o meu papel 😊.


segunda-feira, 16 de outubro de 2023

ORA, ELE FAZ GRAVURAS...

Dia 19 vai ser dia de ir dar um abraço ao Luís Afonso. E de marcar presença na nova exposição temporária dele.

O convite partiu do meu amigo João Alpuim Botelho, diretor do Museu Bordalo Pinheiro. Lemos no site do museu:

No próximo dia 19 de outubro, pelas 18h00, o Museu Bordalo Pinheiro inaugura a exposição Ora, faço gravuras, de Luís Afonso.

O cartoonista português, conhecido autor de Bartoon (Público) e de Barba e Cabelo (A Bola), traz até ao museu um conjunto de cartoons, publicados ao longo das últimas décadas, dedicados aos museus, ao património e à cultura.

Luís Afonso anda há muitos anos a divertir-nos com os desenhos que publica no jornal Público e nós escolhemos os que se relacionam com a vida cultural para esta exposição.

Com este tema, nada melhor para inaugurar a exposição do que uma conversa entre Luís Afonso e dois dos seus amigos que dirigem grandes instituições culturais: Joaquim Caetano (Museu Nacional de Arte Antiga) e Santiago Macias (Panteão Nacional).

No fim ainda vamos brindar com um copo de vinho Diálogo, da Niepoort, com o rótulo desenhado pelo Luís Afonso.

Mais em https://museubordalopinheiro.pt/expo/ora-faco-gravuras/


domingo, 15 de outubro de 2023

REDES SOCIAIS E ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Coisas das redes sociais...

Escrevi um curto texto, elogiando a atitude de uma tripulação da TAP. O meu amigo José Guedes difundiu-o numa página do Facebook.

Resultado: mais de 7500 reações (maioritariamente positivas), mais de 800 comentários (idem), mais de 600 partilhas.

Ainda há coisas que me espantam...


CONCELHO DE GAZA

A Faixa de Gaza seria, em termos de área, o 84º. concelho português. Com os seus 365 km2, estaria entre Alter do Chão e Redondo. Nesse espaço sobrevivem, em condições infra-humanas, 2.375.000 pessoas. É o equivalente à soma dos habitantes de Lisboa, Sintra, Vila Nova de Gaia, Porto, Cascais, Loures, Braga, Almada e Matosinhos (!).

Ao terrorismo do Hamas, responde Israel com uma retaliação genocida.

Netanyahu garante que vai acabar com o Hamas. Faz lembrar Kaúlza de Arriaga que jurava que iria acabar com a Frelimo. As televisões portuguesas não conseguem produzir UMA só peça decente de informação. Basta assistir às "reportagens" de Henrique Cymerman...


sexta-feira, 13 de outubro de 2023

WEB SUMMIT 2023, DAQUI A UM MÊS

É daqui a um mês.

O cartaz nas redes sociais apresenta, em bom destaque, o Panteão Nacional. ESTA publicidade é bem-vinda.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

XII: BARRANCOS

A abertura ao público teve lugar ontem. Duarte Darmas regressa a terras de Barrancos. A exposição fica até final do mês. Lá irei.

No final da tarde, recebi uma foto-brinde. Um grupo enviou uma saudação à distância. Um abraço aos presidentes Leonel Rodrigues e António Terreno.


quarta-feira, 11 de outubro de 2023

CÁ, AS ELITES GOSTAM DAS ARTES

Atarantado à procura do mapa do museu, a jovem e simpática voluntária ouviu-me falar português e meteu conversa. É portuguesa e vive em Londres há algum tempo. O Victoria and Albert tinha, aquela hora da manhã, um nutrido grupo de visitantes. A entrada é livre. Quando "provoquei" dizendo "isto das borlas deve estar a acabar" ouvi uma resposta firme "acho que não! cá as elites gostam das Artes". Embatuquei e emudeci.

AMÍLCAR GUERRA, ÚLTIMA AULA

A recordação mais antiga que tenho do Amílcar é de 1984 ou de 1985. Ele e o Carlos Fabião mostravam, no átrio da Faculdade, uma planta (de uma escavação?) ao prof. João Castro Nunes. Muitas vezes me cruzei, depois disso, com o Amílcar. Um excelente historiador e arqueólogo e um homem fraterno e leal. A prolongada ovação que culminou a sua última aula diz bem da estima de que goza entre os seus pares. Foi, para mim, um prazer ouvir aquela dissertação sobre a(s) Lusitânia(s), enquanto pensava "os meus alunos deviam estar a ouvir esta aula".

Não estou na fotografia porque fiz de repórter. Mas não podia mesmo falhar aquela última aula.


terça-feira, 10 de outubro de 2023

TP 1369 - 9.10.2023

Dizer mal da TAP parece ser um desporto nacional. É modalidade que não pratico. Não sendo viajante frequente - tenho umas poucas centenas de viagens no currículo - constatei quase sempre o contrário do se diz. Especialmente a bordo. Segue um exemplo do que digo.

Foi ontem à noite, num voo para Lisboa. Um jovem passageiro, que falava um inglês menos que básico (português nem pensar), quis comprar qualquer coisa de comida. Tinha um ar pouco próspero e as roupas eram modestas. Pareceu-me que seria paquistanês ou indiano. Só tinha dinheiro. Os pagamentos eram exclusivamente em cartão. Depois de várias tentativas, o carrinho das comidas e bebidas seguiu em frente. Terminado o serviço, o jovem comissário de bordo voltou atrás e ofereceu ao passageiro o que ele pedira. Oferta da casa.

Não sei se na Lufthansa ou na Air France isto seria possível. Na TAP, com a sua alma lusitana, é.



 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

MÁSCARA N°. 14: LONDRES

Uma porta de uma casa do povo Igbo.
Nigéria, século XX (British Museum).

Uma porta-máscara numa cultura onde as máscaras estão presentes.


domingo, 8 de outubro de 2023

GAZA

Beatificamente, o Governo Português descobriu onde fica Gaza. E condena os 300 mortos israelitas. Eu também condeno.

Gostaria de ver o Governo Português condenar a chacina diária de palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Gaza foi o tema do 16°. post deste blogue, em dezembro de 2008... A situação era trágica. Nada mudou. O quotidiano dos palestinianos é de sufoco.

A fotografia é de Larry Towell. Não é necessária legenda. Quem quiser informação basta fazer uma rápida pesquisa na net.


sábado, 7 de outubro de 2023

NO DIA DO CASAMENTO EM MAFRA...

 ... há portugueses que, fora de portas, fazem coisas extraordinárias e que merecem a nossa admiração e o nosso respeito.

Como Marcelino Sambé.


sexta-feira, 6 de outubro de 2023

ALEPO - 20 ANOS

A fotografia tem exatamente 20 anos (6.10.2003). Foi feita na cidadela de Alepo. Várias vezes olhei para ela, angustiado, pensando no estado em que a cidade ficou, depois das guerras e do terramoto. Como estará a cidadela? O que terá acontecido à jovem?

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

OUTRAS FOTOGRAFIAS: SÉRGIO SANTIMANO

Mea culpa.

Ao fim de tantos anos, só agora me dou conta que nunca publiquei uma só fotografia de Sérgio Santimano. Repara-se a falha, em dias de pausa. Grande fotografia a partir das terras de África.


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

LXIII - CRÓNICAS OLISIPONENSES: RÁDIO RENASCENÇA

Todos os dias passo junto à Rádio Renascença, que não é bem olisiponense, em boa verdade. Há dias encontrei este velho cartaz. Quem não conhecer a história dos anos 1974/75 pensará que isto é um delírio. Na verdade, era quase.

Engraçado mesmo é ver onde andam os ultra-radicais de esquerda desses dias...


terça-feira, 3 de outubro de 2023

DUARTE DARMAS: MAIS DE 2.500 X

O filme ultrapassou as 2.500 visualizações, só no youtube. Mais motivos de satisfação, num projeto que tem a meta à vista.

O balanço final será feito até ao final de março de 2024.

Para ver o filme: https://www.youtube.com/watch?v=5OZoMTDVFUA

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

ERA UMA VEZ O CARMO...

2012... 2016... 2017... 2019... 2022... ERA UMA VEZ O CARMO...

 

Quando iniciei a minha carreira de vereador na Câmara de Moura, em 2005, disse ao meu amigo José Pisa (várias vezes temos falado disso) “quando terminar o processo dos Quartéis dar-me-ei por satisfeito e poderei ir-me embora”. Afinal, não foi bem assim, muitas outras intervenções tiveram lugar, e as equipas que tive o gosto de integrar levaram muitos projetos até ao fim.

 

Fui, ao longo dos anos, escrevendo sobre a necessidade de se resolver o problema do Convento do Carmo. Em 2012, disse isto: “o Convento do Carmo vai ser um hotel? É das possibilidades, mas não a única. Depois de cometida a inacreditável estupidez de se ter de lá tirado o centro de saúde é preciso adequar o espaço a novas funções. Por favor, poupem-me a modelos de gestão do género “centro cultural”, “universidade”, “museu” etc. Façam-se contas, veja-se o País em que vivemos e calculem-se futuras amortizações antes de se fazerem propostas”.

 

Em 2016, acrescentei: “porque não avança o Convento do Carmo? Porque não se conseguiu ainda arranjar a parceria para o fazer”.

 

Em 2017, o executivo a que presidi conseguiu incluir o projeto de reabilitação do Convento do Carmo no REVIVE. A assinatura do protocolo teve lugar no dia 11 de julho de 2017. Lia-se na página do REVIVE: “a Câmara Municipal [de Moura] tem tido um papel importante neste processo, canalizando fundos comunitários para a requalificação urbana da cidade, da sua qualidade ambiental, promovendo ações de apoio social e divulgação do património e cultura. Resulta daí o aumento de visitantes no concelho, com benefícios para as empresas do sector, sobretudo de hotelaria e restauração, mas também para o comércio local”. Clarificando, os fundos comunitários para a requalificação urbana reportam-se a obras feitas ao longo de vários mandatos, como a do Castelo, da Mouraria, dos Quartéis, do antigo matadouro, do Jardim das Oliveiras, do Lagar de Varas etc. Foram estes os investimentos.

 

A partir daí, foi o desvario. Foi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.

 

A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa caro. E não vale a pena dizer agora que o projeto é privado e a autarquia não tem nada a ver com ele...

 

Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.


Crónica hoje, em "A Planície"



domingo, 1 de outubro de 2023

NOUTRO TEMPO, NOUTRO LUGAR...

Quase parece mentira. O anúncio terá uns 50 anos. O efeito é espetacular. O estetoscópio, a bata branca, o cigarro aceso... Só falta mesmo a imagem do médico a acender o cigarro ao paciente...

 

MÁSCARA Nº. 13: SEVILHA

E mais uma "cara" num edifício. Neste caso um edifício muito especial, a Maestranza de Sevilha.