quarta-feira, 10 de agosto de 2022

MOURA NUM ATLAS ITALIANO DO SÉCULO XVII

Não é a mais rigorosa planta de Moura. Tem nomes trocados e outros inventados. Não adiante muito ao conhecimento das muralhas. Com uma exceção: reafirma a existência de uma linha defensiva antiga, que deveria ser muito precária e que circundava toda a localidade. É um testemunho bonito da fortificação. Não o conhecia. "Dei" com ele durante a visita conduzida pela arq. Margarida Valla à sua exposição "Restauração e a fortificação moderna - Nicolau de Langres e as praças do Alentejo".

O original, da autoria de Lorenzo Possi, está no Museo Galileo, em Florença. Pode ser consultado online: https://opac.museogalileo.it/imss/resource?uri=301911&v=l&dcnr=7


terça-feira, 9 de agosto de 2022

RAZÕES PARA AMAR PORTUGAL: MAIS UM EPISÓDIO

O metro até pode só aparecer de 10 em 10 minutos. Até pode andar a abarrotar. Em troca, temos citações de Deleuze, de Heraclito e de Nietzsche nas paredes. É o toque de classe final a caminho da Reboleira ou de Santa Apolónia.

Como diria, se é que não disse já, Pedro Chagas Freitas, "Portugal é do caraças".








segunda-feira, 8 de agosto de 2022

LI - CRÓNICAS OLISIPONENSES: PANORÂMICO DE MONSANTO

Regressei ontem, passados 29 anos, ao Panorâmico de Monsanto. O edifício é usado como miradouro sobre Lisboa. À hora do almoço andavam(os) por ali umas 15 ou 20 pessoas. Estrangeiras, na quase totalidade.

Um trabalho fotográfico de Francisco Seixas compara, com eficácia antes e depoishttps://www.memoriasdelisboa.pt/?foto=panoramicomonsanto

O edifício é uma quase ruína e isso só me causa espanto e aquela dor de vivermos num País que deixa de lado tanta coisa que vale a pena e tem potencial. O Panorâmico de Monsanto foi projeto de um discreto arquiteto camarário, Carlos Oldemiro Chaves Costa (1922-1990), e é uma obra da qual sempre gostei.

Não percebo como é um que sítio tão fascinante, e com a vista que tem, pode estar como está...


domingo, 7 de agosto de 2022

MENEZ & SOPHIA

Este trabalho de Menez sobre Sophia de Mello Breyner Andresen está em exposição na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. É um estudo original para o "Memorial comemorativo do centenário" da poetisa. Foi feito em 1991 e pertence à Galeria Ratton. 

O memorial, com projeto do arq. Tiago Montepegado, foi concretizado junto à Estação Fluvial de Belém.

Uma exposição, a inaugurar no outono, associará, na entrada, os nomes da pintora e da poetisa.


sábado, 6 de agosto de 2022

STARDUST MEMORIES Nº. 62: MÉRTOLA EM LISBOA

A inauguração, a que o pequeno filme se reporta, foi no dia 7 de julho de 2009. Já lá vão 13 anos e 1 mês. Estávamos todos um pouco mais magros e com menos cabelos brancos.

Fui "empurrado" para aqui enquanto procurava elementos para um projeto a desenvolver no Panteão em 2023. Este "Mértola - o último porto do Mediterrâneo" foi o meu penúltimo trabalho de fundo no Campo Arqueológico de Mértola  "correu seca e meca" e contou com produção da TERRACULTA. Um casamento virtuoso.

Ao consultar a página da Fundação Millenniumbcp acabei por saber que a galeria de arte da Fundação teve como primeira iniciativa esta exposição. Não fazia disso a mais pequena ideia...






sexta-feira, 5 de agosto de 2022

RUAS TROTINETIZADAS

Mais de 30 (trinta !) trotinetas e bicicletas às 9:05, à porta da estação de Santa Apolónia. Um atravancamento. Os peões como eu fazem gincana pelo meio da "modernidade". Mas, claro, eles são "modernos" e "ecolocoisos" e "alternativos" e "têm direitos". Poisevidentemente...


A COR DOS CAMPEONATOS

Começa hoje. Em tempos era o Campeonato Nacional da 1ª. Divisão. Haviam também o da 2ª. e o da 3ª. Depois vieram as ligas e as super-ligas. Hoje, perco-me.

Em tempos havia equipamentos às cores e todos diferentes. Eram todos bonitos. Podíamos/devíamos gostar mais dos nossos, mas eram todos bonitos. Depois, vieram os do marketing e os das empresas de materiais desportivos. E balburdiaram tudo. Uma pena...

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

DICK FARNEY - 35 ANOS DEPOIS

Repito um texto antigo, sobre um cantor fora de moda:

"O que é que andas a ouvir?", perguntou o Carlos José Almeida. "Dick Farney", respondi, quase a medo e quase escondendo o LP. "O Di-ck Far-ney?", soletrou devagarinho, antes de se desmanchar a rir. Fui alvo da troça dos elementos da direção da associação de estudantes de Letras que por ali andavam. Por sorte, eram só mais dois ou três.

O episódio ficou-me gravado. Na altura (1984 ou 1985) não estava muito na moda ouvir crooners brasileiros (ainda por cima, o Carlos José era um fã convicto de Milton Nascimento). O confesso prazer em ouvir Dick Farney não ajudou nada à minha reputação musical, marcada por heterodoxias "pouco sérias", que incluiam os Heróis do Mar, os Delfins, os Specials, Kid Creole, António Machin, Los Panchos, Pepe Marchena, El Cabrero, Carlos Ramos, Amália, Perez Prado, Xavier Cugat etc. Eu dava o flanco e a rapaziada da UEC caía-me em cima sem dó nem piedade.

Continuei a ouvir Dick Farney pela vida fora. Muitas vezes fiz o percurso entre Mértola e Moura ao som de Sábado em Copacabana, de Nick Bar, de Este seu olhar e do extraodinário dueto com Lúcio Alves, que imortalizou Tereza da praia.

Dick Farney chamava-se, na verdade, Farnésio Dutra e Silva (!). Deixou-nos faz hoje 35 anos.


O FIM DOS TEMPOS, A BESTA E O APOCALIPSE - VERSÃO 1949

Era assim em 1949. Um fato de banho era comparado à parra bíblica. E estava-se a um passo do nudismo. E "aquilo" era afrodisíaco.

É tudo uma questão de contexto. E de tempo.


quarta-feira, 3 de agosto de 2022

ONDE ANDA A ORQUESTA MONDRAGÓN, AGORA QUE PRECISAMOS DELA?

O que é que isto vos faz lembrar? Um paraíso circense? Ou o nosso quotidiano?

De las hermosas historias
Que les vamos a contar
Viaje con nosotros
Y podrá encontrar
Atactivos monstruos
Que le sonreirán
Y disfrute
Del gusto que da
Y disfrute
De la amistad de sirenas
Y de serpientes de mar

En su viaje los romances abundarán
Y en sus brazos los dragones se arrojarán
Serán suyos
Marlène y Tarzán
Serán suyos
Quien compra nuestro billete
Compra la felicidad
Con nosotros viaja el sueño y la novedad
La alegría, la sorpresa y el carnaval
Todos juntos
Iremos allá
Todos juntos
Quien compra nuestro billete
Compra la felicidad



SEM PINGO DE VERGONHA

Escreveu, em "A Planície", António José Gomes, ex-vereador do PS em Moura:

"a CDU no final do último mandato [2013-2017] acabou por determinar o encerramento da empresa [LÓGICA]".

Tem sido prática corrente de responsáveis do PS em Moura. Inventar coisas no passado para justificar a pobreza da atuação mantida ao longo dos últimos cinco anos.

O que António José Gomes diz é falso e foi escrito sem um pingo de vergonha. No seu currículo recente estão afirmações extraordinárias como eu supostamente ter "escondido" faturas (!) na contabilidade do Município. Uma afirmação que nunca provou. As insinuações e as falsidades têm-se avolumado.

Quanto à LÓGICA, sempre procurei / procurámos soluções de futuro. Nunca, nos mandatos da CDU se determinou o encerramento da empresa. O trabalho desenvolvido sempre teve por objetivo a viabilização da LÓGICA. Se necessário, TODOS os trabalhadores da LÓGICA (cerca de uma dezena) deveriam ser integrados nos quadros do Município. E em caso algum haveria um dispersar dos bens da LÓGICA. Ao contrário do que tem acontecido nos últimos meses.



terça-feira, 2 de agosto de 2022

ARQUEOLOGIA MEDIEVAL - ONLINE E À BORLA

O Campo Arqueológico de Mértola acaba de colocar à disposição dos interessados, sem custos, os números 1 a 14 da revista "Arqueologia Medieval". Uma atitude meritória e importante, em termos de divulgação.

Ver - https://www.camertola.pt/info/publicacoes?tid=33

Acompanhei, enquanto coordenador, a história da "Arqueologia Medieval" ao longo de 24 anos.

Nº. 1 - 1992

Nº. 2 - 1993

Nº. 3 - 1994

Nº. 4 - 1996

Nº. 5 - 1997

Nº. 6 - 1999

Nº. 7 - 2001

Nº. 8 - 2004

Nº. 9 - 2005

Nº. 10 - 2008

Nº. 11 - 2010

Nº. 12 - 2012

Nº. 13 - 2016

Nº. 14 - 2018

Nº. 15 - 2020

Conheço bem a história da revista. Em 1991, o Cláudio colocou-me nas mãos um conjunto de originais "temos que avançar com a revista de arqueologia". Fui designado "coordenador". A partir daí foi um desassossego. Nunca tal tinha feito... Era preciso arranjar editora (ficou a Afrontamento), montar o esquema de financiamento e preparar o lançamento. O contributo de Marcela Torres e de Paula Viana revelar-se-ia decisivo. Enquanto o nº 1 tomava forma, avancei para o pedido de originais para o segundo volume.

Quando, nos inícios de novembro de 1992, a revista "Arqueologia Medieval" surgiu nos escaparates, ouviu-se um coro de assobios dos velhos do Restelo. Estava tudo mal: o grafismo (meu Deus, onde já se viu semelhante coisa?, nem parece uma revista científica...), o modelo de financiamento e de distribuição (pff, aguenta dois números, queres apostar?), a falta de um comité científico (aquilo é o Santiago e mais dois ou três rapazes como ele), a ausência de normas de redação (só mesmo aqueles freaks do Campo Arqueológico é que se lembrariam de editar uma revista sem normas precisas) etc. A revista aguentou-se, foi saindo sem data precisa e tornou-se uma referência obrigatória no meio. Colaborei até ao 13º volume, já não participei no 14º. Porque o meu tempo nesse projeto se esgotou, porque as coisas mudam, porque a renovação permanente mantém os projetos vivos. Não me arrependo do tempo, nem por um só segundo!, que usei trabalhando na revista.

A avaliação dos artigos tinha uma malha bastante larga. Aceitámos textos apenas "suficientes", porque havia neles algo de interessante ou porque tratavam de um tema inédito, mesmo que não fossem excelentes ou, sequer, bons. Só uma vez, uma única vez me arrependi (e muito) de ter aceite a publicação de um texto. É coisa que agora não vou revelar...



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

HEURÍSTICA DA MÚSICA PIMBA

Foi há mais de dez anos, numas Festas da Vila, em Mértola. Um amigo comentava-me, enquanto Quim Barreiros evoluía no palco: “já viste isto?... uma coisa sem qualidade...”. Bem-disposto e muito animado, respondi, em tom trocista, “é verdade! a Orquestra Filarmónica de Berlim esta semana não estava disponível...”. E continuei a saltitar, num estilo “coreográfico” que uma amiga designa como “uma tábua abanando ao vento”.
Continuo a pensar que cada coisa tem o seu sítio. E que nessas festas de verão sentiria a falta de Ana Malhoa, de Emanuel, de Toy, de José Malhoa, de Micaela, de Tony Carreira, de Quim Barreiros e de todos os outros que, empenhadamente, espalham animação e alegria por todo o País. Emanuel imortalizou a designação. O “pimba” é uma opção? É. Recordo, com prazer, o dia em que Emanuel, música com formação a sério, explicou, coloridamente, ao maestro António Victorino de Almeida como fazia as suas músicas. Entretendo-se em mostrar vários tipos de arranjos – jazz, blues, flamenco – para o que se chama música “pimba”. Diverti-me a sério e fiquei rendido. Tony Carreira foi distinguido pelo governo francês com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras. Tem como pares nomes como Jackie Chan, Shakira, Eduardo Lourenço, Idrissa Ouédraogo ou Maïa Plissetskaïa. Um exemplo de diversidade e abrangência bem ao gosto gaulês. O snobismo nacional olhou com despeito e sobranceria a condecoração.
Ao longo dos anos habituei-me a dar cada vez maior importância ao sítio específico para cada coisa. E à convicção que há espaço para tudo e para todos. O que me faz balançar, sem problemas, entre a RTP2, as óperas no MET e as festas de verão, onde espero sempre ver aqueles cantores que referi mais acima e ainda bandas de camião como Século XXI ou Função Pública. Por isso, nas Festas de Verão reajo sempre com entusiasmo quando são anunciados os bons músicos populares. Pimbas ou não pimbas.
Recorde-se ainda que os chamados cantores pimba são, muitas vezes, os nossos embaixadores junto dos portugueses – de primeira, de segunda, de terceira gerações – que vivem em Cergy-Pontoise, em Champigny-sur-Marne, em Lausanne, em Preverenges ou em a Epesses. Esses são os sítios onde os cantores populares estão entre o povo e se sentem como em casa. Desempenham um papel inestimável de ligação entre cá e lá. Não é por acaso que as salas por onde passam esgotam e são tratados de forma amiga e fraterna. E fazem girar à sua volta verdadeiras máquinas de produção, que dão trabalho a muita gente.
No caso de Quim Barreiros temos, em Moura, um dado suplementar de reconhecimento. Em 1973 gravou, em conjunto com o Trio Guadiana, a “Nossa Senhora do Carmo”. O vídeo está no youtube e tem mais de 63.000 visualizações: https://www.youtube.com/watch?v=A7-K2pAMmN0.
Porquê “heurística da música pimba”? Heurística tem a ver com descoberta. E um título assim chama sempre a atenção.

Crónica publicada hoje em "A Planície"








STARDUST MEMORIES Nº. 61: AYAMONTE

Há já uns anos que não passava por Ayamonte. Antes (este antes tem 50 anos) era ponto de peregrinação obrigatória no verão. Os carros iam dentro do barco. As embarcações mais pequenas levavam seis viaturas, arrumadas como se fossem legos.

O ponto de paragem habitual era o Paseo de la Ribera. Lembro-me de uma tarde de verão, em 1967, em que ali esperámos horas a fio pela camioneta, a caminho de Payomogo. Era la feria. Para festejar condignamente, enfiaram-me uma fatiota de flamenco, em lã. Muito apropriada ao clima... A minha cara de felicidade está registada nas fotografias.

Desta vez, a passagem foi mais rápida. O bulício era grande e a da vilória de outrora pouco resta. Havia vendedores africanos, que tentavam impingir bugigangas. Os bares de tapas estavam sob pressão, o que se fazia sentir na qualidade. Do Paseo de la Ribera resta o sítio. Agora com um arranjo marcadamente "brega". Regressarei no inverno.