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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FIDEL CASTRO - 100 ANOS

É, certame, uma das personagens mais marcantes do século XX. Uma das mais importante pelo que fez pelo seu povo e que pelo que motivou a outros. Aqui lhe deixo a minha homenagem e a minha profunda admiração. Fidel Castro nasceu há 100 anos, em Birán.

Reproduzo o melhor texto que já li sobre Fidel Castro. Do meu amigo Miguel Urbano Rodrigues:

FIDEL, UM AQUILES COMUNISTA

Em meados dos anos 60, encerrando o XII Congresso dos Trabalhadores Cubanos, em Havana, Fidel formulou um desejo: "que no futuro poucos homens, ou mesmo ninguém, tenham a autoridade que tivemos no início da Revolução, porque é perigoso que seres humanos disponham de tanta autoridade". 

O revolucionário cubano não podia então prever que essa situação, que o preocupava, iria manter-se por muitas décadas. 

A doença que o levou agora a transferir a chefia do Estado e do Partido para o irmão desencadeou a nível mundial uma avalanche de opiniões contraditórias sobre o homem e a sua intervenção na História. Raramente em vida de um estadista célebre se escreveu e falou tanto sobre ele como agora sobre Fidel. 

Ele foi na segunda metade do século XX o dirigente do Terceiro Mundo que maior influência exerceu pela palavra e pela acção no rumo de acontecimentos que marcaram o processo da descolonização e as lutas contra o imperialismo. 

A meditação sobre a temática do poder pessoal acompanha-o desde a juventude. 

Creio que foi sincero ao definir como perigoso o excesso de autoridade concentrada num dirigente. Foram as próprias circunstâncias da História que o investiram de um poder cada vez maior que não ambicionava. 

Fidel tinha lido na universidade os clássicos do marxismo. Estudou-os depois na prisão. Mas a sua opção pelo socialismo resultou do movimento, da dialéctica da História. 

O atentado terrorista que fez explodir [o navio] La Coubre e a invasão mercenária de Playa Giron, ideada e financiada pelos EUA, ocorreram numa época em que o brado soy y seré marxista-leninista, que alarmou Washington, expressou mais a decisão de defender a Revolução situando-a no campo socialista, do que propriamente uma opção ideológica. 

Fidel insistiu muitas vezes no significado que sempre atribuiu à avaliação da correlação de forças. Ao reconhecer que em Cuba foram cometidos muitos erros tácticos na condução do processo, conclui que não identifica um só erro estratégico importante. O mérito, acrescentarei, é seu. 

Já na Sierra Maestra durante a luta armada, ele revelara dotes de um grande estratego. Mas foi posteriormente que, na confrontação permanente com o imperialismo, desenvolveu uma capacidade extraordinária de compreender o movimento da História nos momentos em que o seu rumo se define. 


Escolha dolorosa 

Isso aconteceu concretamente na fase crítica em que a Revolução, numa guinada brusca, rompeu com o discurso e a praxis dos anos da utopia para fazer uma escolha dolorosa. Cuba estava à beira do desastre económico e o único país que lhe estendeu a mão foi a União Soviética. Sem essa aliança tudo se teria afundado. Naturalmente o preço foi muito alto. A Revolução entrou num período cinzento – assim lhe chamaram – num processo de burocratização que atingiu duramente a intelligentsia, sufocou o debate de ideias e a criatividade em múltiplas frentes. 

Mas não havia alternativa. 

Até o Che, o homem novo do futuro, na definição de Fidel, o companheiro entre todos admirado e querido, que tinha sobre o mundo um olhar nem sempre coincidente, reconheceu na sua carta de despedida, ao partir para a aventura africana, que lamentava não se ter apercebido mais cedo das capacidades de liderança e de visão estratégica que faziam do comandante um revolucionário incomparável, único. 

Lenine emergiu como um líder incontestado na mais brilhante geração de revolucionários profissionais europeus do século XX. Fidel não foi tão afortunado, nem isso era possível. 

O núcleo de quadros revolucionários do Exército rebelde era insuficiente para enfrentar após a vitória os desafios colocados pela História. A geração que acompanhou Fidel forjou-se em circunstâncias muito adversas num pequeno país já bloqueado pelos EUA, vítima de uma guerra não declarada. 


A excepção Fidel 

Alguns historiadores criticam em Fidel um voluntarismo que nunca conseguiu dominar. Esse voluntarismo marcou-lhe aliás a intervenção nas lutas do seu povo desde os anos da Universidade. A própria definição que Fidel apresenta do "marxismo martiano" como síntese do materialismo dialéctico e do idealismo que vinha de Luz Caballero y Varela confirma uma evidência: a Revolução Cubana configura um desafio à lógica da História. Assim aconteceu com Moncada, com a aventura do Granma, a luta na Sierra, e o choque posterior com o imperialismo norte-americano. A decisão de resistir e a coragem do povo cubano no combate que confirmou ser possível a resistência serão recordadas pelo tempo adiante como acontecimentos épicos da História da humanidade. 

Ora o épico não pode ser explicado pela razão. 

Para compreendermos a excepção Fidel, os tratados de ciência política são insuficientes. 

Identifico nele uma síntese de heróis mitológicos e de heróis modernos que o inspiraram num batalhar que já se tornou História. 

Fidel traz à memória Aquiles, Martí e Bolívar. 

Do aqueu e do venezuelano herdou a coragem sobre-humana e a fome dos desafios ao impossível aparente. Mas a sede de glória, que acompanhou Bolívar, nunca o fascinou e a desambição foi sua companheira permanente. Contrariamente a Aquiles não atravessou o mar para destruir as Tróias contemporâneas. A sua gente atravessou um oceano mas para levar solidariedade a povos que se batiam pela liberdade. 

Do cubano Martí aprendeu que revolução alguma pode vencer sem fidelidade a uma concepção ética da vida, sem amor pela humanidade. E, por humano, apresenta também alguns defeitos dos três. 

Ao escrever estas linhas recordo uma conhecida afirmação sua: o dever do revolucionário é fazer a revolução. 

Poucos homens em milénios de História colocaram com tanta coerência a sua vida ao serviço desse objectivo, erigido em infinito absoluto. 

Imagino-o na sua cama, no hospital, insensível ao vendaval de calúnias desencadeado pela sua doença e tocado pelo furacão simultâneo de afecto, respeito e admiração. 

Os revolucionários de todos os povos, onde quer que se encontrem, desejam-lhe um rápido restabelecimento. Agradecem-lhe o que fez pela humanidade. 

Quase carregou o Estado e o Partido às costas em períodos de crise. E isso foi negativo. Por ter consciência da lei da vida, sabe que exigiu de si muito mais do que podia e devia. Exagerou. 

Recuperada a saúde, poderá ser ainda por longos anos uma consciência actuante da humanidade revolucionaria se, distanciado de esgotantes tarefas do quotidiano, utilizar o tempo para transmitir ao seu povo e ao mundo o saber e a experiência acumulados, a sua lição de moderno Aquiles, de discípulo de Bolívar. 


El comandante 

Vivi oito anos em Cuba. Mais de uma vez, escutando durante muitas horas os seus discursos na Praça da Revolução em Havana, ou em comemorações do 26 de Julho noutras cidades da Ilha, me interroguei sobre a contradição entre um poder pessoal enorme, minimamente partilhado a nível decisório, e o humanismo de quem o exercia, identificável no amor pelas crianças e na solidariedade com os oprimidos e excluídos de todo o planeta. 

Comportam-se como hipócritas conscientes aqueles que por ódio ou fanatismo ideológico qualificam Fidel de ditador brutal e sanguinário, de tirano feroz. 


Sabem que a acusação é falsa 

Quem conhece um pouco Cuba não ignora que existe uma relação de afecto profundo entre o povo cubano e el comandante en jefe. Ele é amado pela esmagadora maioria dos seus compatriotas. Depositam nele uma confiança absoluta. É um sentimento que não cultivou e talvez o inquiete por estar consciente de que qualquer dirigente, por mais dotado e sábio que seja, não pode substituir o colectivo como sujeito transformador da História. 

Não há calúnia mediática que resista à prova da vida. Definir como ditador um dirigente amado por um povo que governa há quase meio século é um absurdo maldoso. O consenso entre o governante e a sua gente ridiculariza a diatribe forjada pelos seus inimigos. 

A grandeza de Fidel teria obviamente de desencadear campanhas de ódio. Mas não fez surgir somente inimigos e caluniadores. É inseparável também do aparecimento de uma geração de epígonos. Em Cuba e pelo mundo afora eles apareceram. Ora a tendência para a glorificação incondicional dos grandes homens é sempre negativa. Porque não há governante perfeito. E Fidel sabe disso e não gosta que vejam nele um super-homem. 

Ele é o que é, um ser mortal, modelado por uma vontade de aço, uma inteligência excepcional, e uma fome insaciável de humanização revolucionária da vida, mas com uma lúcida percepção das limitações da condição humana.


Este texto foi publicado no “Avante!” N.º 1706, 10.Agosto.2006. Foi também publicado no “Granma”.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

CHAMPIONS

Foi mais ou menos a esta hora...Um herói improvável, chamado Éder, acabava de nascer. Temos muitos craques, grandes jogadores, super-estrelas etc. Pois é, mas quem marcou o golo foi ele.Eu estava em Mértola e acho que nunca gritei e saltei tanto como nesse final de jogo. E nem sequer joguei.A noite ficou-me, malevolamente, perfeita, por dois motivos:A Torre Eiffel não acendeu em honra dos vencedores.Circulou depois a imagem de um autocarro que já estava preparado para a celebração gaulesa.


domingo, 28 de junho de 2026

MEL BROOKS 100

Faz hoje 100 anos o espantoso Mel Brooks. O primeiro filme que vi dele, em 1975, foi "Balbúrdia no Oeste". A que se seguiu, pouco depois, "Frankenstein Júnior". Juntamente com "The producers" (omito o abominável título que teve em português) são os melhores filmes dele. Deixo aqui o link, para quem tiver paciência para tal:

E saúdo alguém que não faz a mínima ideia de quem eu sou, mas a quem devo muitas horas de boa disposição.

Obrigado, Sr. Brooks!






quarta-feira, 22 de abril de 2026

E ASSIM PASSARAM DEZ ANOS

Fui buscar aos "arquivos" esta fotografia. Dez anos certos.

A cena é inesquecível. Subimos a Segunda Rua da Mouraria a custo, no meio da multidão. Ao chegarmos perto da Praça, estava o Jorge Liberato à porta da taberna com garrafas de vinho para oferecer ao Presidente da República. Apresentei-o: "Senhor Presidente, este amigo é o bastonário da Ordem dos Taberneiros". A resposta, acompanhada por um vigoroso aperto de mão, foi: "então temos de conhecer a taberna". E entrou de rompante.

Marcelo Rebelo de Sousa já não é Presidente da República.

Eu já não sou Presidente da Câmara de Moura.

O Jorge continua ativo, no seu posto, felizmente.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - 150 ANOS

Há bancos mais antigos, claro. Mesmo em Portugal! Mas este é público.

Fui convidado a estar presente no encontro que assinalou a data. Um acontecimento muito interessante. Pelo que foi dito e, por vezes, como foi dito. Mas isso ficará para mais tarde.

Para já assinalam-se os 150 anos da Caixa Geral de Depósitos. Uma efeméride importante.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

QUASE NA IDADE ADULTA

O blogue existe há 17 anos (!). A partir de janeiro mudarei o registo.

Hoje é dia de continuar e de preparar a semana.


 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

SOMOZA

Faz hoje um século que nasceu um dos mais completos facínoras da América Central, Anastacio Somoza Debayle (1925-1980).

Somoza, que era presidente e filho e irmão de ex-presidentes, tinha o apoio dos norte-americanos. Até ao dia em um dos elementos da sua Guarda Nacional assassinou, a sangue frio, um jornalista da cadeia ABC. O acontecimento, ocorrido em 20.6.1979, foi filmado e difundido em todo o mundo. Anastacio Somoza  durou menos de um mês no poder. Os sandinistas não lhe perdoaram e foram atrás dele. No dia 20 de setembro de 1980, em Asunción, no Paraguai, atacaram o carro com bazucas. O primeiro tiro falhou, o segundo acertou. Não sobrou grande coisa...

sábado, 22 de novembro de 2025

PAVILHÃO DAS CANCELINHAS - 10 ANOS

Este sítio foi, há dias, tema de conversa.

A inauguração, na Amareleja, teve lugar há 10 anos, precisamente. Um dia inesquecível. As centenas de pessoas que encheram o pavilhão deram-me ânimo para continuar com um ritmo de trabalho que era/foi intenso.

Tal como intensa tem sido a utilização do sítio.

Na fotografia, da esquerda para a direita: José Pós-de-Mina (Presidente da Câmara 1997-2013), eu, Manuel Ramalho (Presidente da Junta 2001-2009) e Victor Mestre (autor do projeto).

Uma década volvida tenho a certeza que, ao avançar, tomámos a decisão certa. E continuo com a convicção que o projeto deveria ter prosseguido e sido concluído.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

FRANCO (1892-1975)

O franquismo, na sua tremenda violência, foi muito mais longe do que o salazarismo. E deixou marcas mais fundas. A todos os níveis.

Estava em Madrid quando o carro de Carrero Blanco foi pelos ares. Lembro-me da agonia de Franco. E tenho uma ideia, mais difusa, do patético comício de 1 de outubro de 1975.

Na infância, olhava para a moeda de uma peseta com que ia comprar cromos à tienda ao fundo da Calle Calvo Sotelo, intrigando-me aquela do "caudillo de España por la gracia de Dios"...

Depois da sua morte, os ultras continuaram a marcar presença. A marca do saudosismo - a que o bronco CHEGA dá por cá expressão - teve em Espanha outros registos: a Fuerza Nueva e, noutro estilo, o PP. E, agora, o VOX.

Uma coisa é certa: o passado nunca regressa da mesma forma.


terça-feira, 11 de novembro de 2025

ANGOLA 50 ANOS

José Afonso gravou este tema para o disco "Enquanto há força", de 1978. É uma canção claramente comprometida politicamente. Há o apoio ao MPLA e há a esperança no homem novo. Angola completa hoje 50 anos como País independente. Que diria o genial Zeca, o homem de todas as utopias, dos dias que se vivem em Angola?



sexta-feira, 24 de outubro de 2025

RECORDANDO EISENSTEIN

O filme nunca foi terminado, mas as bobinas que chegaram até nós (muitas vezes usadas de forma abusiva pelas companhias de Hollywood) são do melhor Sergei Eisenstein que há. O cineasta focou boa parte do seu interesse no Dia dos Mortos. A data aproxima-se. Aqui fica a evocação de um cineasta genial.

E do não menos genial, e quase sempre esquecido, Eduard Tisse (1897-1961). E tanto que o Cinema lhe deve.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

MIGUEL URBANO RODRIGUES - 2.8.1925

Faria amanhã 100 anos. Deixou-nos na primavera de 2017, pouco tempo antes de chegar aos 92. Miguel Urbano Rodrigues nasceu em Moura, na Quinta da Esperança, bem perto do Ardila.

 

Conheci o Miguel em 1986 ou 1987. Era ele presidente da Assembleia Municipal de Moura e figura prestigiada do jornalismo. Estava eu a começar a minha carreira como técnico na Câmara de Moura. Foi o começo de uma amizade que durou três décadas. “Não me tratas por você”, deve ter sido uma das primeiras frases que me dirigiu. Uma “ordem”, bem ao seu estilo, direto e sem cerimónias.

 

Parte da sua vida está relatada em dois fascinantes livros de memórias (“O tempo e o espaço em que vivi”). Deveria ter havido um terceiro volume, que não sei se chegou a tomar forma. De qualquer maneira, nesses livros, ora sérios, ora pícaros, sempre motivados politicamente, o Miguel relata episódios que, mesmo quando são pessoais, refletem sempre o tempo e o espaço em que ele viveu. E que são um testemunho imprescindível sobre esse tempo. Boa parte da narrativa anda em torno dos jornais e de prática da escrita.

 

A saída do “Diário Ilustrado”, onde era chefe de redação, em 1957 (na sequência de um processo absurdo, que deu brado e passou fronteiras...) acabaria por dar outro rumo à vida do Miguel. Nos anos 60 está no Brasil, onde se tornará editorialista de política internacional de “O Estado de São Paulo”, o maior e mais prestigiado periódico da América Latina. Não era lugar para qualquer um... Só deixará o posto em 1974, depois de ter ido à embaixada de Portugal em Brasília. O episódio é relatado bem ao seu estilo (“fomos lá, exigimos os passaportes e pusemos o embaixador [José Hermano Saraiva] na rua”). 

 

Dizia com frequência “numa vida há muitas vidas e num homem muitos homens”, frase que se lhe aplicava na perfeição. O seu percurso foi um somatório espantoso de coisas e de acontecimentos (foi crítico tauromáquico, esteve no assalto ao Santa Maria – facto que Henrique Galvão omite –, militou no Partido Comunista Português durante mais de 50 anos, dirigiu “O diário”, foi deputado, foi comentador televisivo, viveu em Cuba e no Brasil e foi um homem de espírito progressista como poucos). Nunca perdeu a argúcia, o sentido de humor e a capacidade crítica. Temperava tudo isso com uma cultura vastíssima, que se refletia num estilo de escrita elegante e fluido.

 

Repito o que já aqui escrevi sobre ele: “Não perdoava falhas na língua portuguesa, nem a ignorância travestida de saber. Uma vez, apareceu num almoço em que estávamos um arrivista que passara pelo jornalismo e que se “interessava pelo Mediterrâneo”. E que andava “a investigar”. Sentou-se à nossa mesa. Depois de muita conversa, às tantas disparou “ó Miguel Urbano, qual é a diferença entre árabes e berberes?”. O Miguel alinhavou, de mau humor, duas ou três frases sobre a questão. A partir daí, e sempre que nos encontrávamos, recordava “aquele moço é de uma ignorância enciclopédica”.

 

Escrevi quando ele partiu que à medida que amigos nos vão deixando – começo a entrar nessa idade – há uma parte das nossas vidas que fica para trás e há uma parte de nós que já não volta. Senti isso com duas ou três pessoas muito especiais. O Miguel é, será sempre, uma delas.

 

Dele retenho uma frase essencial e cada vez mais importante nos nossos dias: “a pátria do Homem é o planeta Terra”.Foi um homem de corpo inteiro. Chamou-se Miguel Urbano Rodrigues. Foi um mourense ilustre. Amanhã é o dia do seu centenário.


Crónica em "A Planície"


sábado, 26 de abril de 2025

HOJE, EM CORUCHE

Hoje, em Coruche, temos o Povo numa exposição que recorda dias felizes, em 1975.

Foi daquelas empreitadas - a exposição e o catálogo - que me deixou marcas positivas e recordações gratificantes.

O Povo, do Panteão para o Ribatejo.


sexta-feira, 25 de abril de 2025

CÍRCULOS ELEITORAIS DE MOÇAMBIQUE E DE MACAU

A soma dos deputados desta lista soma 248.

Faltam dois. Quais? O do círculo da emigração (que foi para o PPD) e de Macau (que foi para a ADIM). O qu eu não tinha mesmo ideia é de ter havido um círculo eleitoral em Moçambique (!). Esse país estava a cinco meses da independência.

As primeiras eleições verdadeiramente livres da História de Portugal foram há 50 anos. Votei pela primeira vez em abril de 1983, há 42 anos. Em quem votei? Na coligação UDP-PSR. Que foi um flop total...

quinta-feira, 24 de abril de 2025

QUANDO A CORJA TOPA DA JANELA

Viva o 25 de abril!
Viva Zeca, sempre!
Aqui com a voz do recentemente desaparecido Nuno Guerreiro.
E apesar da estúpida censura à palavra merda.


terça-feira, 11 de março de 2025

O 11 DE MARÇO















As imagens são quase irreais. No meio do cerco a uma unidade militar, sitiantes e sitiados discutem o problema, acompanhados pelas câmaras da televisão e por repórteres da rádio.

Estamos no dia 11 de março de 1975. Era o começo de um tenso processo revolucionário, que durou oito meses e que mudou, para sempre, Portugal.

O dia ficou marcado pelo trágico falecimento de um soldado do Regimento de Artilharia Ligeira Nº1 (RAL 1). Chamava-se Joaquim Carvalho Luís. Deram-lhe o nome de uma avenida, então em construção, junto à minha escola preparatória, em Massamá. O nome ainda perdura.

Do Executive Digest de hoje:

Foram nacionalizadas 253 empresas, num processo que ocupou mais de vinte números do “Diário do Governo” e durou 16 meses.

Em 1979, eram contabilizadas 1.022 empresas participadas diretamente pelo Estado.

1975

14 de março

O mesmo “Diário do Governo” que publicava o decreto de criação do Conselho da Revolução decretava a nacionalização da banca, com exceção do Crédit Franco-Portugais, dos departamentos portugueses do Bank of London & South America e do Banco do Brasil, das caixas económicas e das caixas de crédito agrícola mútuo.

15 de março

O Conselho da Revolução nacionaliza todas as companhias de seguros, com exceção da Europeia, Metrópole, Portugal, Portugal Previdente, A Social, Sociedade Portuguesa de Seguros e O Trabalho, dada a significativa participação de companhias de seguros estrangeiras no seu capital.

16 de março

O IV Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves, nacionaliza a TAP, empresas refinadoras e distribuidoras de petróleo, com exceção das distribuidoras estrangeiras (Sacor, Petrosul, Sonap, Cídia), CP, Siderurgia Nacional, empresas produtoras, transformadoras e distribuidoras de electricidade – incluindo participações estrangeiras.

09 de maio

Nacionalizadas as sete empresas de cimentos e cinco indústrias de celulose e cerca de um quarto do capital da Celbi.

13 de maio

Nacionalizadas várias empresas de tabacos.

05 de junho

Nacionalizados o Metro, a empresa geral de transportes (Carris) e 55 empresas de transportes públicos.

14 de Agosto

Empresa de Pirites Alentejanas.

21 de agosto

Grandes empresas químicas, em especial petroquímicas e adubeiras.

30 de agosto

Empresas cervejeiras do continente e duas dos Açores e Madeira.

01 de setembro

Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Setenave – Estaleiros Navais de Setúbal e CUF

1976

13 de novembro

Companhia das Lezírias do Tejo e Sado.

02 de dezembro

Nacionalizadas a atividade de radiodifusão e a RTP.

1976

20 de julho

São nacionalizadas empresas de bconservação, produção, serviço, transformação e comercialização de pescado.

29 de julho

A Imprensa fecha a porta das nacionalizações. As empresas proprietárias do “Diário de Notícias”, de “O Século”, do “Diário Popular” e de “A Capital” passam para o setor público juntamente com diversas firmas de artes gráficas e edição de publicações.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

YALTA: 80 ANOS

Dia 4 de fevereiro de 1945, há precisamente 80 anos. Em Yalta, na Crimeia (a curtos 50 kms. de Sebastopol...) traçava-se o futuro de dois blocos. A Europa passava a co-starring. Até hoje.

sábado, 25 de janeiro de 2025

RAMALHO EANES

António Ramalho Eanes faz hoje 90 anos. Foi eleito à primeira em duas eleições (61,6% em 1976 e 56,4% em 1980). Foi Presidente da República entre 14 de julho de 1976 e 9 de março de 1986.

A sua visão do mundo e política está bem presente no recente livro "Palavra que conta". Por muito que possamos discordar de muitas das suas visões há uma palavra que é inatacável, quando falamos de Ramalho Eanes: integridade. Não é coisa pouca.

Uma vida ao serviço de Portugal. Obrigado!



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O'NEILL

Centenário do nascimento. Hoje.

 








Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,

o ladino pardal,

o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,

a desancada varina,

o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,

a muda queixa amendoada

duns olhos pestanítidos,

se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,

o ferrugento cão asmático das praias,

o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,

ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

 

*

 

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,

rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,

não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,

galo que cante a cores na minha prateleira,

alvura arrendada para ó meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

 

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado,

feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós...


ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

domingo, 8 de dezembro de 2024

ANO 16

O blogue chegou aos 16 anos. Ainda não é bem um calhambeque, mas para blogue tem idade respeitável.