terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

NO DIA EM QUE VOCÊ NASCEU: O CALENDÁRIO MUÇULMANO

O calendário muçulmano é um calendário lunar e tem 12 meses, com 29 ou 30 dias. No total, cada ano tem 354 ou 355. A data de início do calendário é o ano de 622 d.C., altura em que Maomé se deslocou de Meca para Medina (Hégira -  هِجْرَة = partida)‎. A diferença para o nosso o calendário de 365 dias cria uma diferença, que vai "aumentando" com o tempo).

Como fazer a conversão? Em tempos tinhamos as tabelas de Ocaña Jiménez, que não eram nada fáceis de trabalhar e que nos permitiam perceber que data de uma calendário correspondia a quê, no outro. Mas aquilo era uma dor de cabeça.

Hoje temos a net. Que sirva positivamente para estas coisas.

Falando do ponto de vista pessoal:

Nasci a 10 de muharram de 1383.

Fui para a escola primária a 25 de rajab de 1389.

Casei-me no dia 25 de muharram de 1408.

Fui eleito presidente da Câmara de Moura no dia 25 de Dhu'l-Qa'dah de 1434.

Iniciei funções no Panteão Nacional no dia 18 de Sha'ban de 1442.

Hoje é dia 10 de Sha'ban de 1445.

Como fazer a conversão? Ver:

http://www.mela.us/hegira.html


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

FINISSAGE

E fechou hoje, com uma visita guiada de Fernando António Batista Pereira, a exposição dedicada à obra de Moita Macedo, no átrio da reitoria da Universidade de Lisboa.

É, na minha opinião, a melhor exposição jamais feita sobre o poeta e pintor. Diverti-me a ver uma pequena máquina do tempo: o documentário "Moita Macedo, pintor e poeta na revolução", realizado aos 17 anos por um futuro diretor do Panteão Nacional.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O DISCO RISCADO DAS SONDAGENS

Em 2020 foi uma surpresa a maioria absoluta do PS. As sondagens diziam o contrário.

Nas autárquicas de 2021, Carlos Moedas era enxovalhado por Fernando Medina. Viu-se...

Durante toda esta semana era a perda de maioria absoluta do PP na Galiza, que era dada como mais que garantida.

Resultado:










Mas sondam quem? E o quê? E como? (poupem-me a explicações sobre "margens de erro"; muito agradecido)

ARUCIVETUS - UMA MEMÓRIA DE MOURA

Era um sexteto. Gravaram, em 1984, um single, em 45 rpm (rotações por minuto). Tive um gira-discos DUAL, que a minha avó Luzia me trouxe de Madrid, e que reproduzia discos em quatro velocidades: 16, 33, 45 e 78...

Voltando ao que interessa, o sexteto chamava-se ARUCIVETUS e era constituído, e seguindo a ordem da fotografia (da esquerda para a direita), por José Lourinho, Alberto Galanducho, António Bragadesto, João Fernando Costa, João Alberto Pereira e Mário Rui Ventinhas. A aventura musical não teve sequência, mas os ARUCIVETUS fazem parte da memória da minha terra e de minha geração. Na capa do meu disco lê-se: Santiago Macias 31/XII/84. Andava por Moura, como sempre, preparando a passagem de ano.

Foi graças ao José Lourinho que obtive a versão digital dos dois temas do single: Província e Sábio. Vão estar hoje (e na próxima quarta-feira) em destaque na emissão de Rádio Saudade (Moura - 92.8 FM e na net: https://rp.radioplanicie.com).


sábado, 17 de fevereiro de 2024

O MARAVILHOSO MUNDO LIBERAL

E ainda só passaram dois meses...


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

VIOLETTES DE TOULOUSE

Cada vez que há futebol com equipas estrangeiras, instala-se o caos no metro. Urros, "cânticos", saltos - ao ponto da carruagem balouçar (!) - encontrões etc.

Na quinta-feira, entrou uma horda no Terreiro do Paço. Eram os do Toulouse. Iam a caminho da Luz, felizmente. Quando vão para Alvalade é pior. Como mudo no Marquês, tenho de os aturar até ao Campo Pequeno.

Nos anos 30 do século XX havia um perfume: Violettes de Toulouse. A avaliar pelo aroma da claque, devem ter usado um lote muito antigo. E já estragado...


DOUTORAMENTO EM ZOOM

Daqui a pouco, sem a pompa da imagem (Universidade de Paris, no final da Idade Média), mas com alguma formalidade, há a transmissão em direto (videoconferência) de provas de doutoramento em História da Arte. Já participei em vários júris de doutoramento. Mas nunca como arguente na minha Faculdade, e nunca por zoom. Uma dupla estreia.

Às 14.30:

https://www.letras.ulisboa.pt/pt/component/ohanah/doutoramento-em-historia-da-arte-13?Itemid


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

RÁDIO SAUDADE EM PODCAST

Já há podcast, ainda que só me versão "experimental". O programa vai ficando para o futuro. As quatro primeiras emissões já estão disponíveis:

https://soundcloud.com/user-129438212/1-radio-saudade (Maestro José Coelho)

https://soundcloud.com/user-129438212/2-radio-saudade (Amália Rodrigues)

https://soundcloud.com/user-129438212/3-radio-saudade (Maestro José Coelho)

https://soundcloud.com/user-129438212/4-radio-saudade (Nuccia Bongiovanni)


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

GESTÃO E PROTEÇÃO DO PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO: HOW NOT TO BE SEEN...

(Re)começo hoje o seminário de Gestão e Proteção do Património Arqueológico. Com um número recorde de 33 alunos. Prometerei, e tentarei cumprir, um programa com novidades. Um dos tópicos centra-se, sempre!, no que não deve ser feito. Quais os erros a evitar. Exemplos? O processo da Sé de Lisboa, o projeto do Convento do Carmo (Moura), mais a recente desestruturação legislativa e de serviços etc. Os maus exemplos abundam.

Esta nova geração de alunos tem sempre elementos reivindicativos. Isso é francamente bom. Vamos ver como será.

Como não fazer ou como não ser visto... Vai tudo dar ao mesmo.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

VÃO VER QUE É DESTA...

O documento é este (consultado há pouco depois de ler vários textos na imprensa):

https://www.infraestruturasdeportugal.pt/sites/default/files/inline-files/AnexoA1-Fichas-de-Projeto.pdf

Garante a modernização da linha ferroviária, até Beja, no prazo 2021-2030.

2021, 2022 e 2023 já lá vão... E nada ainda.

Em 2030, se ainda cá estiver, estarei aposentado. Resta-me o consolo de saber que só pagarei meio-bilhete... Se isto for verdade.

Vejam este textinho, que escrevi há já 13 anos:

https://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2011/01/beja-o-aeroporto-e-o-comboio.html


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

MINHA TERRA

Florbela Espanca, ontem à noite, no regresso a casa, depois da chuva e no silêncio de uma Moura adormecida. Eram 00:25:53, segreda-me o telemóvel. 


A. J. Emídio Amaro

Ó minha terra na planície rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viu o mar
Onde tenho o meu pão e a minha casa...

Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folha... a dormitar...
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra mourisca a arder em brasa!

Minha terra onde meu irmão nasceu...
Aonde a mãe que eu tive e que morreu,
Foi moça e loira, amou e foi amada...

Truz... truz... truz... Eu não tenho onde me acoite,
Sou um pobre de longe, é quase noite...
Terra, quero dormir... dá-me pousada!


domingo, 11 de fevereiro de 2024

PLACIDEZ NA PLANÍCIE MOURENSE

Que fazer num domingo de Carnaval chuvoso e sem graça? Gravar programas de rádio. Mais concretamente "meter voz" nas emissões 7 a 15 da Rádio Saudade. Até meados de abril a programação está concluída. Quando cá vier, dentro de semanas, "avanço" até final de julho.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

LÁ NO XEPANGARA

Na verdade, não é Xepangara, mas sim Chipangara. Isso é irrelevante. É um bairro na Beira, cidade onde viveu o genial José Afonso. Que apanhou os ritmos africanos com a mesma simplicidade e a mesma beleza com que apanhara o folclore português. Quanto mais o tempo passa, mais o seu fantástico talento se torna evidente.

"Lá no Xepangara" é do álbum "Coro dos tribunais", de 1975. Ninguém diria que tem 50 anos, não é?


Rotunda de Chipangara (Beira).

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

LXV - CRÓNICAS OLISIPONENSES: É PROIBIDO PROIBIR

Foi disso de que me lembrei, do velho slogan, na manhã de ontem (às 11:16:28, diz o telemóvel), ao passar por esta bela imitação de "hispano-árabes", na esquina da Rua Gonçalves Crespo com a Rua Bernardim Ribeiro.

Podemos pensar em variantes:
É proibido vazar anúncios;
É proibido estragar fachadas;
Etc.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

ESCARAPIADA

Como muito bem sabem, há coisas que surgem do nada... Ontem sonhei com a Amareleja, por causa de uma conversa tida ao fim da tarde, na véspera. Hoje de manhã, no metro, sei lá porquê, lembrei-me de uma coisa que já não vejo há muito: as escarapiadas. O meu avô comprava-mas (e palmilhas e popias), na padaria da Ladeira da Salúquia, pela manhã. Foi assim, nas férias, entre 1976 e 1986. Dez anos, entre o começo do liceu e o fim da faculdade. A década do crescimento.

O que são escarapiadas? Receita em:

https://www.amesacomaziza.com/2017/02/21/escarapiada/


terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

HOJE, NA RENASCENÇA

De casa aos estúdios da Renascença é um pulinho (350 metros...). Uma estreia, para mim. Conversa à volta do livro "Património à solta", de Maria Cardeira da Silva (NOVA /FCSH), com a autora e o jornalista José Pedro Frazão. Passa hoje à noite, no programa "Da capa à contracapa".




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

A ARGENTINA? ISSO AGORA JÁ NÃO INTERESSA...

A Argentina foi "interessante" por uns dias. Não interessava a substância, mas as chaladices que Miliei ia dizendo dia-sim, dia-sim. Agora, o país está ao rubro, Milei teve de deixar cair o seu querido pacote legislativo, a inflação disparou e o caos está instalado. Em países onde há comunicação social, o assunto é notícia. Onde não há, não é.


domingo, 4 de fevereiro de 2024

UMA CÚPULA NO CÉU DE LISBOA

É uma questão geracional, seguramente. Mas filmes como "Pobres criaturas" não me aquecem a alma cinéfila. Talvez porque me recordem demasiado Tim Burton, que também não me entusiasma. Este filme tem uma parte passada numa Lisboa imaginária, que tem laivos de Tejo e de Alfama. Há ambientes que sugerem ruas e edifícios. E eis que nos surge, junto a Alfama, uma certa e determinada cúpula. Como uma colega dizia há pouco "é sinal que, na realização desse filme, se lembram do grande Panteão Nacional". Ora nem mais.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

FOI SÓ O LAPSOZITO DO COSTUME

Ou a uma habitual falta de ética, de vergonha, de seriedade etc. (muitos etc.)

Há quatro anos a SIC inventou uma primeira página do "New York Times" (!) sobre a Festa da Avante! ("que mal faz o cagulo?, diz-se na minha terra). Junte-se a isso a omissão de tudo o que o PCP faz, das suas posições políticas, da intervenção dos seus militantes mais destacados, em favor da pouca discreta promoção da extrema-direita.

Ontem, o Expresso veio pedir desculpa por mais um erro. Ri com gosto ao ler a palavra erro. Num anúncio sobre debates apareciam todos os líderes. Todos? Não faltava um. Vejam se adivinham qual... Depois lá emendaram a mão. A intenção não mudará, contudo.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

SÓ CABO VERDE...

Passarei uma parte da tarde de amanhã vendo um jogo de futebol: Cabo Verde-África do Sul. Uma coisa é certa: se Cabo Verde ganhar será a única equipa ainda em prova a estrear-se nas meias-finais da CAN. A Nigéria já por lá andou 15 vezes, a Costa do Marfim 10, a República Democrática do Congo 5, a África do Sul 3 e o Mali (que nunca venceu!) 6.

A comunicação social lusitana tem ignorado, quase por completo, a CAN.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

UM JACKPOT LITERÁRIO NO SÉCULO XI

O livro (Histoire des Almohades, de Abd al-Wahid al-Marrakushi, escrito em 1227 e publicado em Argel, em 1893) não existia em Portugal. Recordo-me de o ter consultado, em 2003 ou 2004, na Biblioteca do INALCO (Institut National des Langues et Civilisations Orientales), em Paris. Tenho na memória uma sala de leitura “à antiga” (pouca luz, muitos móveis em madeira, catálogo manual...), onde gastei, com prazer, largos dias. O livro não acrescentava nada de excecional à informação que já tinha sobre o sul de Portugal. Estaquei, contudo, atónito, nesta colorida passagem, relatada pelo poeta Ibn Habous:

Cheguei um dia a Silves, depois de ter estado três dias sem comer. Perguntei a quem me poderia dirigir naquele local e um habitante indicou-me Ibn al-Milh. Fui então à oficina de um encadernador que, a meu pedido, me deu uma pele muito fina e um tinteiro, e escrevi versos em louvor daquele de quem me tinham dito o nome; fui depois a sua casa. Encontrei-o no vestíbulo e ele respondeu de forma muito graciosa à minha saudação, acolhendo-me da forma mais amável: "suponho, disse-me, que és estrangeiro". Assim é, respondi. "E a que classe de homens pertences?". Sou, respondi, um literato, um poeta, quero dizer, e pus-me a recitar os versos que tinha acabado de escrever. Ouviu-os muito bem, convidou-me a entrar e, fazendo que me servissem de que comer, conversou comigo com uma amabilidade que nunca tinha visto. Quando pedi licença para me ir embora, saiu e voltou a entrar, seguido por dois criados que traziam um cofre, que fez pousar à minha frente. Abriu-o e tirou de dentro 700 dinares almorávidas, que me deu. "Toma o que é teu", disse-me, entregando-me mais uma bolsa contendo 40 meticais, "isto é mais uma prenda minha". Surpreendido com as suas palavras, que eram para mim um verdadeiro enigma, perguntei de onde vinha "o que era meu". "Fica a saber, respondeu, que pus de parte uma das minhas propriedades, cuja receita anual é de 100 dinares, que destino a poetas. Acontece que nenhum me procurou, nos últimos sete anos, devido aos problemas que assolam o território, e foi assim que se acumulou a soma que te é entregue. Quanto aos 40 meticais, são dos meus rendimentos pessoais".

A data de nascimento de Ibn al-Milh é incerta, admitindo-se que possa ter ocorrido por volta de 1030. Sabe-se que morreu em 1107. A referência aos “dinares almorávidas” ajuda-nos a enquadrar este episódio nos finais do século XI, porque é a altura em que essas cunhagens começam. Os últimos 15 anos do século foram marcados por grandes convulsões. O emir almorávida Yusuf b. Tashfin derrotou os cristãos em Zalaca, em 1086, e assumiu depois posições de maior força. O príncipe sevilhano al-Mutâmide, o homem mais poderoso do sul, acabou deposto pelos almorávidas, e exilado, em 1090. Ou seja, a acalmia sugerida pelo texto deverá ter ocorrido na última década do século, e depois de restabelecida a paz nos territórios meridionais.

O curioso neste texto é que há uma espécie de um 3-em-1. Por um lado, a concessão de uma bolsa literária, depois a existência de um poeta-mecenas. Depois ainda, a ideia de um “jackpot”. Ou seja, de um prémio acumulado, que foi entregue a um afortunado Ibn Habous.

Quanto valeu o “jackpot”? É só fazer contas. 700 dinares (3,85 g., cada) equivalem a cerca de 2,5 kg. de ouro. Nada menos de 150.000 euros em moeda atual. 21.400 euros de bolsa literária por ano? Rico mecenas, o nosso Ibn al-Milh...

Crónica em "A Planície". Pintura orientalista de Ludwig Deustsch.