segunda-feira, 31 de julho de 2023

A PARTIR DE AMANHÃ

As Jornadas começam amanhã. Hoje de manhã havia menos gente no metro (linha azul). Mas há pessoas envolvidas nas jornadas por toda a parte.

Naquele sítio que se vê no lado direito do vídeo promocional estamos preparados. E na expetativa...


EL JULI, ORELHAS E RABO

El Juli (Julián López Escobar) retira-se no início de outubro, a dois dias de cumprir 41 anos. É sempre pena quando os melhores se vão embora. Quando o vi atuar a sensação foi sempre exaltante.

Veja-se esta faena em terras americanas. Oito minutos de bailado. Arte em estado puro:


domingo, 30 de julho de 2023

UM CONCERTO NO CCB

Final de tarde no CCB. Por vários motivos. Um deles foi passar o final de tarde com a família. Ou outro foi estar com amigos de Moura. Uma nutrida claque de apoio a Ana Prazeres, mourense e clarinetista da Orquestra XXI. Estuda, há vários anos, na Holanda e tem uma carreira brilhante à sua frente.

O apoio à Cultura é uma opção crucial em termos de desenvolvimento futuro. Disse-o, vincadamente, numa cerimónia há 10 anos. Cada dia que passa essa convicção se acentua. O Poder Local é o esteio de base de toda uma estrutura.


sábado, 29 de julho de 2023

AMÁLIA NO TIVOLI

Regresso ao Tivoli para ver a exposição "Sejas bem-vinda, Amália". A montagem permite-nos passar pelo palco e revisitar a plateia.

Excertos de programas televisivos, músicas e fotografias completam a mostra.

No Tivoli, até dia 27 de agosto.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

STARDUST MEMORIES Nº. 71: TLP

A empresa abrangia as áreas metropolitnas de Lisboa e do Porto. Ter telefone fixo era uma aventura. A espera para a instalação era variável - podia facilmente ultrapassar um ano ou, até, mais que isso - e dependia, em grande medida, de se conhecer alguém lá dentro. A lusitaníssima cunha.

Lembro-me de termos esperado muitos meses até nos instalarem o primeiro telefone, em Queluz. Tinha como número 957255. A casa já não é dos meus pais há mais de 30 anos. Os TLP desapareceram em 1994. Esta memória do passado está na Rua da Verónica.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

ENTREVISTAS: MARIA DA CONCEIÇÃO LOPES / BERNARDO DE VASCONCELOS E SOUSA

No meio de tanta sucata e da tantas coisas que se publicam, sem préstimo nem dignidade, há outras que merecem audição atenta. Estão neste grupo duas recentes entrevistas, a Maria da Conceição Lopes (sobre o seu próprio percurso) e a Bernardo de Vasconcelos e Sousa (sobre a biografia de José Mattoso).













https://j.planicie.pt/blog/2023/07/27/entrevista-conceicao-lopes-ajudou-a-construir-a-memoria-de-alguns-lugares-do-baixo-alentejo/?fbclid=IwAR343x-AZ5GTXI6EWwEfy1xdMDmCtxvHCchZZNfBsXCjAGk11sdUHa7J-l8














https://expresso.pt/podcasts/a-historia-repete-se/2023-07-26-Qual-o-contributo-de-Jose-Mattoso-para-a-historiografia-portuguesa--Como-era-como-professor--E-que-legado-deixou--329e6fe1

... PELOS INCÓMODOS CAUSADOS - CADAVRE EXQUIS EM ENTRECAMPOS

O acordo foi conseguido às 18 horas. O caos permaneceu durante várias horas.

Cheguei a uma estação de comboios às 20:11 (terça-feira). O das 20:27 era dado como suprimido. O próximo seria às 20:47, depois passou para as 20:53, depois apareceu, sem aviso prévio, às 21:12.

Os altifalantes iam transmitindo comunicações desconexas, ora em português, ora em inglês. Um comboio cuja supressão se anunciara, surgiu um minuto depois. O insólito repetiu-se, um par de vezes. Outro, cuja entrada na estação se garantia, não dava sinais de vida. Algo que também se repetiu. Uma louca cena surrealista que se prolongou durante uma hora. Não sei quanto vezes ouvi dizer "pedimos desculpa pelos incómodos causados". Um certo espírito David Lynch pairou por ali.

Tenho as maiores reservas quanto a este género de greves. Não por ser por elas afetado, ainda que de forma esporádica. Os mais prejudicados são os que integram as classes D e E da escala económica. Na terça-feira, 70 ou 80% dos que esperavam na plataforma eram imigrantes africanos ou portugueses de origem africana. Eram pessoas de ar cansado e roupas modestas. Gente moída por horas a fio de trabalho. Aguardavam, resignadamente. Duvido que tivessem grandes "ímpetos solidários".


PRAÇA DE TOUROS DE MOURA - MODOS DE VER

São dois quadros da autoria do meu amigo Francisco Fachadas Marques. Ocupam lugar de destaque na sala cá de casa. Gosto em especial daquela vista dos curros. Gosto da cor e gosto da recordação daquele sítio. Bem como da original visão da bancada e da trincheira.

Moura sempre à vista.


quarta-feira, 26 de julho de 2023

MÁSCARA Nº. 11: LISBOA, ARCO DO CEGO

Mais uma cara. Agora numa rua de Lisboa, no Arco do Cego, bem perto do Liceu Filipa de Lencastre.




INDIANA JONES E O RELÓGIO DO TEMPO

A questão é simples e linear, segundo me parece.

O flop foi total e fala-se em perdas na ordem dos 80 milhões de dólares.

Indiana Jones envelheceu. As suas aventuras interessam pouco aos mais novos e os que viram a primeira aventura (vi os Salteadores da Arca Perdida em 1982, tinha 19 anos...) já estão no limiar da terceira idade e não estarão muito interessados neste regresso à juventude. Por mim falo, que me deixei levar, sem especial entusiasmo, a uma sessão da meia-noite onde havia 10 (dez) espectadores. Ao lado, era a loucura total com Oppenheimer e com Barbie. Que não verei.

O filme está bem feito, claro está, mas é déjà vu, sem um pingo de surpresa.

terça-feira, 25 de julho de 2023

CERIMÓNIA VESPERTINA

A cerimónia teve lugar no passado domingo. Participei nela com todo o gosto, na dupla condição de membro do júri do Prémio Caixa Cultura e de diretor do Panteão Nacional.

Ficou evidente a qualidade do projeto Capella de S. Vicente, dirigido por João Vaz e por Pedro Rodrigues. Fiz questão de dizer que projetos como este desmentem a velha ladainha de "no meu tempo é que era bom". Não era. Agora, há projetos culturais de melhor qualidade. Mau seria se assim não fosse.


A FEIRA DE MOURA E A FESTA DO AVANTE!

Ainda no outro dia li o mesmo disparate: que a Feira de Setembro mudou de data (8, 9 e 10 de setembro) por causa da Festa do Avante!...

Haja o primeiro que me prove que alguma vez a Festa do Avante! começou no dia 8... Felizmente, escrever asneiras é só ridículo. Não causa danos de maior.

A Feira de Moura mudou de data porque quando o dia 8 coincidia com uma segunda ou uma terça-feira, a feira se resumia ao primeiro dia. A partir daí era a debandada. Optou-se, na altura, por não fazer coincidir a feira com as festas de Pias e de Safara (primeiro fim de semana de setembro) nem com as do Sobral (terceiro fim de semana de setembro e já muito próximo das Festas de Nossa Senhora do Carmo). E decidiu-se que passariam a ser no segunda sexta-feira de setembro.

A explicação é simples. Para quem a quiser ler, bem entendido.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

domingo, 23 de julho de 2023

QUANDO LÁ É CÁ: TOPOGRAFIAS SENTIMENTAIS

Aquela nossa vizinha de carregado sotaque já não está entre nós há muitos anos. Quando a minha mãe andava à escola, batia à porta da casa da Salúquia e pedia-lhe ajuda "Julinha, tens que escrever uma carta pró mê Zéi". E começava um ditado-dissertação sobre a agricultura, como estavam e deixavam de estar as culturas, e mais o gado e mais a casa na aldeia. A dado ponto perguntou(-lhe) "Zéi, atão cá chove muito?". A minha mãe estacou e corrigiu "vizinha, não é cá, é aí". E ela que não "Julinha, é cá, porque pró mê Zéi lá é cá, ele quando lê, para ele é cá". A minha mãe desistiu e continuou disciplinadamente a missiva, em volta do meloal, e das galinhas e das leiras.

De cada vez que a encontrava, em Moura, e ela me perguntava, de forma muito sincopada, "Santiago, atão a tu' mãe?", lembrava-me sempre do "lá é cá". Que se converteu numa espécie de santo-e-senha entre os Canastros da Salúquia.

sábado, 22 de julho de 2023

MÉRIDA, ARQUEOLOGIA, MUSEUS E ECONOMIA

Mérida tem, desde há anos, feito um trabalho notável em torno do Património. A reabilitação de sítios, o Museo de Arte Romano, mais o Festival de Teatro Clássico fizeram de uma pequena cidade espanhola (126ª. em termos de habitantes) um ponto que merece, a vários títulos, uma referência positiva.

Lembro-me de ter visitado o sítio arqueológico, pela primeira vez, em 1978. A anastilose do teatro impressionava. Tal como me deixou marcas a dimensão do anfiteatro. Regressei, em 2003, durante uma "crise criativa" do doutoramento. Passei a visitar Mérida com regularidade, para visitar sítios renovados - como o circo, o columbário ou as casas da mouraria - e, bem entendido, para assistir a representações teatrais.

Não há modelos a seguir, de forma rígida. É um dos pontos em que sempre insisto, com os meus alunos. Mas o poder económico que o Património pode/deve ter é sempre um caminho a explorar. Tirando partido daquilo que é a especificidade de cada local. Mértola é diferente de Beja, que é diferente de Moura, etc.

Esse caminho da reabilitação urbana ligado aos bens patrimoniais foi levado a cabo em Moura entre 1997 e 2017. Hoje, isso foi abandonado, em favor de uma política de maquilhagem...

Voltando a Mérida, temos agora a descoberta de termas públicas romanas, em excelente estado de conservação. As entidades oficiais asseveram que se trata de um sítio arqueológico de primeiro nível, à escala mundial. Espero que seja visitável, em breve.


sexta-feira, 21 de julho de 2023

ENTRE ASSUMAR E MONFORTE

É o décimo ponto de passagem da exposição "Duarte Darmas - do cálamo ao drone". Vai estar em Monforte até dia 18 de agosto. É um dois em um, uma vez que há, no concelho, duas fortificações que foram desenhadas no início do século XVI: Assumar e Monforte.

Espero poder fazer uma apresentação do projeto na sede do concelho, dentro de alguns dias.



ELE ATÉ SABE O QUE É O MASTOIDEU...

Eram 18:31 da passada quarta-feira quando a memorável cena do filme de Leitão de Barros entrou na minha tarde. Há altura em que nos lembramos de cenas e de filmes assim. Uma canção em Lisboa...



quinta-feira, 20 de julho de 2023

O PANTEÃO NACIONAL NA RÁDIO OBSERVADOR - HOJE, ÀS 19:15

Quando o João Paulo Sacadura me convidou para uma entrevista no passado mês de janeiro, devia ter sido um dois-em-um: Duarte Darmas e Panteão Nacional. Não foi isso que aconteceu. O livro sobre as fortificações raianas acabou por nos tomar todo o tempo.

Na semana passada voltei a ser contactado. Tem-se falado muito no Panteão Nacional, e mais agora por causa da homenagem a Eça de Queiroz. O João Paulo Sacadura quer saber mais coisas sobre o monumento. Vamos a isso!


Ouvir em: https://observador.pt/programas/convidado-extra/

quarta-feira, 19 de julho de 2023

À FLOR DA PELE

6:20 da manhã do passado dia 17. Nascia o sol em Moura, quando a fotografia foi feita. Ia cantar-se o hino do Real Grupo de Forcados Amadores de Moura. Faltava um.

O dia foi tenso. No fardamento, deu-se pela falta dele. Um amigo faltou na corrida, mas esteve presente todo o tempo. As emoções estiveram à flor da pele, numa tarde e numa noite que não esquecerei.

O ambiente dos forcados é marcado por uma forte união, por solidariedade e por fraternidade. Não é por acaso que se tratam por irmãos. Não é por acaso que agem como tal. A lesão do José André, no domingo à noite, foi causada pela nobre atitude de ir proteger um amigo que ficara na arena, depois de uma pega mal sucedida.

Os grupos funcionam assim, todos como um só. Num misto de adrenalina, paixão e amizade funda. O Valter Rico protagonizou tudo isso. Com a coragem, a amizade e a autoridade de quem dirige. Isso ficou claro ao assumir a primeira pega. Tal como ficou clara a atitude de cavalheirismo ao entregar o prémio, que acabara de receber, ao Grupo de Évora. São pequenos-grandes gestos que fazem a diferença. E que, sem palavras, explicam o que é liderar.

Em pano de fundo esteve a figura ímpar do Cláudio Pereira. Fiz questão de dizer, durante o jantar, que aqueles que verdadeiramente podem falar no Cassiano, com conhecimento e proximidade, são os que com ele partilharam os treinos, as pegas e os momentos de confraternização. Nós, os outros, aqueles que, como eu, nunca foram forcados, participamos e comungamos daquele espírito. Acompanhamos, mas quem verdadeiramente sente as coisas são eles. Como foi visível nos últimos dias.

No final da noite, senti uma indefinível confiança no futuro. Na mesa do lado, a dos novos, havia uma pequena multidão de jovens forcados. Imagino que o Cláudio se sentiria orgulhoso de saber que o exemplo que deu vai passar pela construção de uma nova geração.

Naquele começo de manhã em que ele já não esteve fisicamente, a sua presença fez-se sentir em cada gesto, em cada palavra e em cada história. Foi nesse misto de melancolia e esperança que seguimos os nossos caminhos.


GETTING TO KNOW MR. MOITA MACEDO

Dá-me jeito picar o título original de um livro de Graham Greene para explicar o que se passou ontem à tarde, em Loures.

O livro é sobre a história de uma amizade. A sessão de ontem resultou do cruzamento de várias amizades. O final da tarde foi preenchido com várias intervenções: a de José Fanha, que leu poemas, a de Francisco Simões, que falou da amizade, fraternidade e camaradagem com Moita Macedo; a minha, sobre a feitura de um filme, que tem muito a ver com amizade; a de Joaquim Caetano, pedagógica e informada, e que enquadrou a produção artística de Moita Macedo no seu tempo.

Em pano de fundo esteve o empenhado e incansável trabalho de Paulo Macedo para divulgar a obra do seu pai, de forma digna e sempre com exposições e livros com qualidade.

Dezenas de pessoas encheram a Galeria Municipal de Loures. E ajudaram a que um bonito final de tarde ganhasse outra luz.


terça-feira, 18 de julho de 2023

TIME LAPSE - II

Se calhar, a exclamção da senhora (ver post anterior) pode fazer sentido. No passado mês de maio tive um processo bancário bloqueado, porque o meu nome ainda estava associado a uma conta de uma entidade da Câmara Municipal de Moura. Pedi explicações à autarquia e não tive uma justificação cabal. A resposta foi uma espécie de meia-verdade...

Fiquei assim como a figura do quadro de Courbet, Le désespéré. Que, curiosamente, pertence a um banco.

TIME LAPSE - I

Foi no sábado à noite. Enquanto esperava na bicha a vez de entrar na casa de banho pública, na Praça Sacadura Cabral, em Moura, ouvi um rumor de vozes junto à porta da casa de banho das senhoras, a poucos metros de distância. Havia um problema qualquer que tinha de ser resolvido. Reproduzo o que se passou:

Cidadã 1 - Isto assim não pode ser! Alguém tem de ter mão nisto e resolver estas coisas!

Cidadã 2 - Tens toda a razão. Temos que ir falar com alguém!

Cidadã 1 - Olha! (e aponta para mim) Está ali o Presidente da Câmara! Vamos falar com ele.

Ainda consegui dizer, antes de começar a rir, e enquanto levantava os braços: "Calma! Já não sou eu! Têm que ir falar com outra pessoa...".

Cidadã 2 (rindo) - Pois não! Já não é você. Temos que ir falar com o outro...

A boa disposição continuou.

Fim de cena. Cai o pano.

Acho espantoso que isto aconteça, 5 anos e 9 meses depois de ter deixado o cargo.

Imagem da tomada de posse, em 23.10.2013.

STARDUST MEMORIES Nº. 70: RUA NOVA DA ESTAÇÃO, MOURA, 1968

Os sítios onde vivemos a infância trazem sempre doces recordações. Vivi na Rua Nova da Estação, em Moura, entre o outono de 1963 e dezembro de 1970. A rua era muito diferente do que é hoje, mas a casa onde vivi, um primeiro andar, está exatamemte igual. Algo menos iguais estão os protagonistas da fotografia. Que identifiquei sem dificuldade: para além do autor do blogue (no limite esquerdo) estão ali, da esquerda para a direita, Lina Delgado, a minha irmã Júlia, a Carmo Capela e a Ana Capela. A data? 7 de agosto de 1968. Uma das meninas da foto fazia anos nesse dia.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

MEMÓRIA ISLÂMICA II - UMA EXPOSIÇÃO

15.7.1998 - um dois em um. No dia seguinte ao da apresentação de "O legado islâmico em Portugal" tinha lugar a inauguração da exposição "Portugal Islâmico", no Museu Nacional de Arqueologia.

A iniciativa foi um enorme sucesso de público (mais de 100.000 visitantes) e trouxe para o centro do debate um período que era ainda mal conhecido. O catálogo está, há muito, esgotado. Pode ser consultado em:

https://www.museunacionalarqueologia.gov.pt/wp-content/uploads/Cat-Portugal-Islamico-COMP.pdf


MEMÓRIA ISLÂMICA I - UM LIVRO

14.7.1998 - apresentação no Pavilhão de Portugal da Expo-98 do livro "O legado islâmico de Portugal" (edição do Círculo de Leitores). Apadrinhou a iniciativa Simonetta Luz Afonso. Ao fim de 20 anos de trabalhos arqueológicos em Mértola era tempo de se avançar com uma "proposta ilustrada" da presença islâmica em Portugal. Entre certezas, dúvidas (e alguns equívocos...) se avançou. Foi uma das grandes empreitadas daquela fase da minha vida mertolense.

Foi presença solidária nesse projeto António Borges Coelho, que se encarregaria de fazer a apresentação do livro naquela tarde, já algo distante.


quarta-feira, 12 de julho de 2023

NÃ BARRUNTI

A Isabel perguntou-me se me tinha apercebido de uma determinada situação. Quase sem pensar respondi "nã di barrunto". Só depois me recordei que esta era uma expressão muito usual no meu avô Chico. Ou "nã barrunti", com um carregado sotaque da Amareleja a que os anos não fizeram mossa. Antes que alguém faça troça, o verbo "barruntar" existe mesmo.

A fotografia data de setembro de 1981. O meu avô posou sem muita vontade, com um típico encolher de ombros "lá está o Santiago com as coisas dele...". Parece mentira mas já passaram 42 anos...


terça-feira, 11 de julho de 2023

RECTOR PROVINCIAE

A governadora da província da Europa Ocidental fez um acordo, segundo o qual dados pessoais vão poder circular em segurança da União Europeia para as empresas dos EUA.

Quais dados?

Quais empresas?

Qual segurança?



LALLA ESSAYDI

Descoberta recente, na exposição no M.N.A.C.. Refiro uma das "descobertas" na ida ao Chiado. Nunca tinha sequer ouvido falar desta fotógrafa, nascida em Marrakech, em 1956. Mesmo na fotografia está presente a arte da caligrafia. Uma marca funda da tradição islâmica.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

VIVA O ROCK IN RIO FEBRAS

Foi, até agora, o melhor momento do verão. A organização do Rock in Rio obrigou um pequeno festival local, denominado Rock in Rio Febras a mudar de nome. Golias contra David. Com concorrência desleal pelo meio. Um toque de comédia burlesca nestes dias. Leia-se o comunicado da organização:

Comunicamos (com um enorme sorriso de orgulho) que uma atenta, responsável e conceituada sociedade de advogados da capital, nos notificou, em representação da ROCK WORLD LISBOA, S.A., entidade organizadora do Rock in Rio Lisboa (sim, esse mesmo), de que teve conhecimento do sucesso do Rock in rio febras de 2022, e da organização da edição de 2023, e teme a confusão que a semelhança entre a designação dos dois eventos pode provocar no cidadão incauto. Acusam-nos ainda de “concorrência desleal” (não é piada). Desta forma, foi-nos veementemente sugerido que alterássemos o nome do festival, sob pena de sermos alvo de ação legal.
Começamos por pedir desculpa a todos aqueles que possam ter ficado baralhados por esta infeliz situação, apesar da óbvia diferença entre os dois eventos – um tem uma alegria contagiante, uma parte solidária, e as melhores bandas e DJ’s do Mundo; o outro acontece em Lisboa. Se por acaso cobrássemos bilhete, certamente nos disponibilizaríamos para devolver a quantia paga.
Em segundo lugar, após consultarmos a nossa vasta equipa de qualificados especialistas, jurídicos e não só, que acompanha a organização deste evento, e imbuídos do nosso espírito característico “make peace, not war”, ou em português, “queremos lá saber do nome!”, decidimos aceder ao pedido que nos foi tão vigorosamente feito.
Assim, vimos anunciar que o festival de Rock que se realiza nas margens do Rio Febras será, de hoje em diante, denominado “Rock no Rio Febras”. Ou talvez “Rock near (but not “in”) Rio Febras”. Quiçá “Rock around Rio Febras”. Ainda há alguma indecisão, mas asseguramos o nosso público de que estamos a trabalhar no assunto com a seriedade que o momento exige.
Por fim, resta-nos ressalvar que qualquer indício de alguma figura de estilo potencialmente identificado neste comunicado é acidental.

O Rock in Rio Febras tem entrada livre. Inteligentemente, a organização obriga a que haja reserva, uma vez que as notícias criaram um solidário movimento de "eu vou".

https://www.facebook.com/rockinriofebras

domingo, 9 de julho de 2023

18 CONCERTOS MAIS TARDE...

Terminou, há pouco, o segundo ciclo de concertos "Música no Panteão". Entre 28.11.2021 e 9.7.2023 já lá vão 18 concertos neste âmbito. O apoio da Antena 2, nesta segunda temporada, foi um importante meio de divulgação.

Pedir ao Prof. Paulo Amorim que se encarregasse da programação trouxe várias vantagens. Desde logo, o conhecimento de quem, há muito, trabalha neste domínio e conhece excelentes executantes. Depois, a possibilidade de incluir no projeto jovens músicos, muitos deles em início de carreira. Finalmente, a criação de um público, que se foi fidelizando e estendendo. A sala de concertos sempre cheia é disso resultado.

Retomaremos em novembro de 2023, ou em janeiro de 2024. 





A CASA DO HAJJ

O poster está mesmo atrás de mim, no sítio onde agora escrevo. Foi comprado há muitos anos no Instituto do Mundo Árabe.

Na fachada de uma casa, perto do Vale dos Reis, no Egito, conta-se a história de uma peregrinação a Meca. É a casa do hajj.

Gosto de fotografias assim, meio misteriosas, sem localização precisa, sem autor (re)conhecido. Talvez vá um dia ao Vale dos Reis e esta casa do peregrino ainda lá esteja. Aqui na sala estará, certamente.


sábado, 8 de julho de 2023

JOSÉ MATTOSO (1933-2023)

Faleceu esta manhã o Professor José Mattoso.

Quando o vi, no passado dia 27 de janeiro, pressenti que seria a última vez. As visitas de pessoas fora do círculo familiar eram espaçadas e pouco frequentes. Aos 90 anos, tinha a cabeça a funcionar com a lucidez de sempre.

Foi um extraordinário privilégio ter sido seu aluno, no ano letivo de 1990/91. Aquilo que sempre ouvi a seu respeito tornou-se verdade, no seu gabinete de trabalho e naquelas sessões do Mestrado em História Medieval. José Mattoso era/é sinónimo de rigor, ponderação, sapiência profunda e sentido de justiça. As avaliações e os comentários aos trabalhos eram um momento de pedagogia. Analisava cada frase de forma cirúrgica, explicando conceitos e obrigando-nos a refletir sobre o que tínhamos escrito.

Os seus textos estão entre as melhores páginas de Historia Medieval jamais escritas. Aí, há claramente um antes e um depois de José Mattoso. Deu aulas mas, sobretudo, fez escola. A legião de amigos e de admiradores que deixou fala por si.

Teve papel decisivo nos arquivos, em Portugal e em Timor. E um longo e invulgar currículo não cabem numa simples nota.

Doou a sua extraordinária biblioteca ao Campo Arqueológico de Mértola.


sexta-feira, 7 de julho de 2023

33 ANOS SE PASSARAM

Era o dia 7 de julho de 1990. A Itália acabara de ganhar à Inglaterra, na disputa pelo terceiro lugar. A televisão anunciava, para pouco depois, um espetáculo a partir das Termas de Caracala. Com três conhecidos tenores. Deixei-me ficar. Ainda bem, porque assisti a um dos melhores concertos da minha vida. Com eles os três, mais o maestro Zubin Mehta, um show à parte.

Faz hoje 33 anos. Vivia em Moura e o futuro ainda não existia.

GUERRA JUNQUEIRO

 Hoje assinala-se o centenário da morte de Guerra Junqueiro.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

PANTEÃO NACIONAL: 88.992

Um dado importante: o Panteão Nacional registou, entre 1 de janeiro e 30 de junho, 88.992 entradas. Foi o melhor primeiro semestre de sempre, em número de visitantes. Sem qualquer preocupação com recordes, continuaremos a trabalhar para termos um Panteão mais visitado e melhor conhecido.

A ourives holandesa Maja Houtman tem uma peça intitulada 88.992. Gosto destas similitudes 😊.

DAQUI A UMA SEMANA

Serão dias de reencontro. Como sempre, desde há mais de 50 anos.

Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo, em Moura.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

DO ÁRABE AO PORTUGUÊS

A exposição tinha como coordenadora Rosa Pérez e como comissária executiva Maria da Conceição Amaral.  A inauguração teve lugar em Coimbra, num chuvoso dia de julho de 1997. Incluía-se em "Memórias Árabe-Isâmicas em Portugal" uma gravação de várias dezenas de palavras. Ditas em árabe e em português. O impacto que aqueles sons causavam nos visitantes era enorme.

De tal maneira que resolvemos utilizá-la na exposição "Portugal Islâmico", em 1998, aí transformada em powerpoint pelo Adolfo Silveira Martins. E depois em 1999, em Tânger e em Rabat. E depois no Museu Islâmico de Mértola, em 2001. E ainda em Silves, em 2010.


terça-feira, 4 de julho de 2023

OUTRO SUL: SABINE WEISS

"[...] a fotógrafa suíça Sabine Weiss (1924-2021) esteve em Portugal em 1954 e 1956, onde fotografou, por exemplo, o interior de uma igreja, onde apenas se vêem os vultos das mulheres ajoelhadas e cobertas de negro, e uma menina, distraída e de branco, a interromper a missa para interpelar a mãe. O Centre Pompidou, em Paris, dedicou, recentemente uma exposição retrospectiva a Weiss."

Texto de Filipa Lowndes Vicente no "Público", em 2019, ainda antes da fotógrafa falecer.

A fotografia data de 1954 e foi feita em Olhão, no Bairro dos Pescadores. Um projeto do arq. Carlos Ramos.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

EM BEJA, DAQUI A POUCO NÃO SOBRA NADA...

Já há uns tempos que não parava em Beja. A Isabel tinha dito "há uma drogaria que deve ter o que eu preciso". A drogaria já não existe. Tal como não existe uma boa parte do pequeno comércio, levado pela pandemia, pelo rolo compressor do capitalismo e pela ausência de políticas locais e nacionais para o chamado "interior".

Sapatarias, mercearias, lojas de roupa, restaurantes, pastelarias, muitos sítios que me eram familiares já lá não estão. O centro histórico caminha para o deserto. Pergunto-me, perplexo, "como foi possível?". E não consigo esboçar uma resposta. Um café no Luiz da Rocha não chegou para compensar as agruras da manhã...

sábado, 1 de julho de 2023

O QUE É SER DIRETOR DO PANTEÃO NACIONAL?








A pergunta é-me feita, sobretudo em Moura, de forma recorrente. Escrevi um pouco sobre as minhas funções à frente do monumento na crónica de 1 de janeiro de 2022. Ao fim de 27 meses à frente do Panteão, julgo poder avançar um pouco mais, em forma de decálogo e satisfazendo curiosidades:

 

1.     O cargo

A nomeação decorreu de um concurso internacional. Ganhei o concurso e comecei a trabalhar. Sem traçar profundos esquemas teóricos nem tentar “disrupções” (uma das grandes e disparatadas modas), nem roturas. Arma número um: o pragmatismo, a atenção à realidade e aos problemas do quotidiano.

2.     O edifício do Panteão Nacional

O edifício coloca problemas significativos: a) ao nível da conservação; b) ao nível da mobilidade; c) pela falta de adequação física a funções de programação cultural que são necessárias; d) pela imagem de “monumento para velhos”. Parte da renovação física passa pelas verbas do PRR. Dos outros desafios temos tentado tratar. Em breve, entrará Eça de Queiroz no Panteão Nacional. Um novo desafio.

3.     Exposições

As exposições são uma das pedras de toque do monumento. Desde abril de 2021 montámos, quase sem custos, seis exposições de maior dimensão. A que juntámos outras intervenções no âmbito de uma iniciativa intitulada “Modos de ver”, em que mostramos obras de arte relacionadas com o monumento. No próximo ano haverá Amália e Fausto Giaccone. E arte urbana.

4.     Programação musical

Lançou-se um ciclo intitulado “Música no Panteão”, que já vai na segunda edição, com assinalável sucesso de público. Estabeleceu-se uma parceria com a Antena 2, que garante a divulgação dos concertos. A esses ciclos juntam-se outras iniciativas, com destaque para os concertos do Coro Gulbenkian ou projetos como o de Pan Dai Jing ou de Eugenio Ampudia. A visibilidade do monumento cresceu, graças a isso, de forma significativa.

5.     Investigação científica

Um monumento tem de cumprir objetivos no domínio da investigação. Sempre recusei a ideia de se “festivalizar” o património, sem uma componente de estudo. Fui à procura de teses de mestrado existentes sobre o monumento. Selecionei seis, que serão editadas sob a forma de um cubo em material reciclado, com um código QR em cada face. Uma maneira inovadora de chegar a novos públicos.  Estamos a apoiar um doutoramento e esperamos fazer mais ainda neste domínio.

6.     Edições

Para além das teses, outras edições tomaram forma: o catálogo bilingue “Panteão & Pantheon”, o catálogo da exposição “Thalassa! Thalassa!”, o livro “Mulheres Mecenas” e o opúsculo “Gente da Batalha”, com fotografias de António Barreto. Preparam-se mais cinco livros (sobre Sidónio Pais, Guerra Junqueiro, Eusébio, etc.), para os próximos meses.

7.     Comunicação

Como chegar ao público e como alargar públicos? Com mailing lists, renovando as redes sociais (instagram e facebook) e criando novos canais (youtube e twitter). Houve resultados sensíveis nessa matéria, qua acabaram tendo um efeito de dominó. Mais informação gerou mais interesse que deu origem a uma procura mais intensa do monumento. Sucederam-se as entrevistas e as reportagens: da RTP, da TVI, da SIC, do “Público”, do “Rádio Observador”, do “Sapo 24” etc. “Estivémos” na Eurovisão e, no outono, estaremos no “Le Figaro”.

8.     Equipa

A equipa é curtíssima e empenhada: três técnicos superiores (eu incluído), dois administrativos e cinco funcionários de bilheteira e vigilância. Com uma esforçada dezena de pessoas se trabalha. Os resultados são visíveis, creio eu.

9.     Parcerias

Todas as possíveis. Embaixadas (Cabo Verde, França, Polónia, Itália, Grécia), empresas (Servilusa, El Corte Inglés, Urios, Banco Carregosa, Caixa Geral de Depósitos, Porto Editora, NOS etc.), Câmaras Municipais (Lisboa, Serpa, Silves, Freixo de Espada à Cinta) fundações (Gaudium Magnum, Gulbenkian), Imprensa Nacional, PSP, Exército Português, Antena 2 etc. Não vivemos isolados e recusamos um papel passivo.

10.  Público

Tudo isto resultou num significativo acréscimo de público. De 48.000 entradas em 2021, ano atípico em fase de recuperação da pandemia, para 150.000 em 2022 (o 3ª melhor ano de sempre). Os quase 90.000 visitantes no primeiro semestre deste ano apontam para o melhor ano de sempre, em 2023.

 

O que é ser diretor do Panteão Nacional, caros leitores e conterrâneos? Tudo isto. Sei o que ando a fazer? Sim. Faço as coisas com o mesmo empenho que tinha em Moura, quando era presidente da câmara. Preocupando-me com resultados e não com folclore, palcos e fogos de artifícios. Recusando facilitismos e sorrisos de crocodilo só para parecer fraterno. Trabalhando com preparação e, desculpem esta imodéstia, com conhecimento. O cargo é temporário e a vida é breve. Mas enquanto se está, é para ser a sério. Com as portas mesmo abertas e a alma ainda mais.


Crónica hoje, em "A Planície"