quinta-feira, 13 de maio de 2021

CDU À CÂMARA DE MOURA

Gosto muito desta lista.

Gosto muito de todos eles, do ponto de vista pessoal.

As palavras confiança e esperança ganham(-me) a cada diz que passa mais sentido.

Fico feliz com a capacidade de renovação, com gente nova e qualificada que marca aqui presença, com a liderança que aqui está patente e que vai, sem demagogia, sem "protocolos" e sem promessas ocas, dar outro rumo ao concelho. Um rumo bom, como todos merecemos.

Estou convosco! Seguirei convosco!

VIVA A CANDIDATURA DA CDU!



terça-feira, 11 de maio de 2021

SPACIOSA & CRISMATIS & JULIANUS

Ao rever há dias, pela enésima vez, os materiais em vista para um próximo projeto não pude deixar de pensar no enquadramento que vai ser necessário para lápides como a do bispo Julianus. Que era bispo no Algarve na segunda metade do século X. É extraordinária a semelhança com tantas outras lápides provenientes de Córdova, feitas na mesma altura. Nunca o uso da palavra oficina fez tanto sentido.

Para ver mais sobre o assunto, aconselho um trabalho do genial Rafael Azuar. É procurar no google: rafael azuar mozárabes.









segunda-feira, 10 de maio de 2021

VERTIGEM

Real e física. Já não vinha a este sítio desde 1983 ou 1984. Não tenho ideia de sensação que tive nessa altura. E altura é coisa que aqui não falta...

Colaboração com a PSP em marcha.

E o início do poema El vértigo, de Gaspar Núñez de Arce (1834–1903), que não conhecia e que encontrei na vertigem da vertigem...

Guarneciendo de una ría
la entrada incierta y angosta,
sobre un peñón de la costa
que bate el mar noche y día,
se alza gigante y sombría
ancha torre secular
que un rey mandó edificar
a manera de atalaya,
para defender la playa
contra los riesgos del mar.











DE OLIVENZA / OLIVENÇA A NOUDAR: ultima puntata

De 4 de julho de 2020 a 8 de maio de 2021 quase um ano se passou. Os meses "sem luz" (outono/inverno) não contam. Depois houve mais pandemia e um projeto que avançou a custo e com esforço.

O registo de Duarte Darmas via-drone ficou concluído no Castelo de Noudar (depois de passagens por Olivença e por Elvas), no passado sábado, às 17 horas em ponto.

Foram 20 sítios, uns mais fáceis que outros. A simplicidade de Juromenha ou de Mértola não tem nada a ver com a complexidade de Elvas.

A recolha está feita. A maquetagem do livro começa amanhã.



domingo, 9 de maio de 2021

ANTÓNIO ZINGA REVISITADO - um momento borgellesiano

Há quase nove anos (29.5.2012) falei num pintor angolano, António Zinga. Fazia quadros que os soldados compravam e traziam depois para a Metrópole, como recordação e, provavelmente, como exemplo de Arte Africana.

António Zinga esteve ativo, que eu saiba, entre os anos 60 e a primeira metade da década de 70. Quando sobre ele escrevi, recebi vários contactos de pessoas que também tinham quadros seus e que queriam saber mais. Não pude ajudar, porque não tinha mais informação.

Lá em casa havia um quadro. Em tons de fogo. Que foi pendurado numa parede azul ferrete, uma cor muito ao gosto da época e que foi premonitória.

Não sei o que aconteceu ao quadro. Mas hoje fui dar com uma obra de António Zinga, que esteve à venda numa leiloeiro do Rio de Janeiro, em 2020. Não foi vendida.

O estranho é que o quadro (abaixo reproduzido) parece mesmo, mesmo o que estava em Queluz. Provavelmente, haveria uma produção em série. Ou não...



sábado, 8 de maio de 2021

OLHA, O DR. ANTÓNIO BARRETO A CHEGAR...

A última vez que li uma coisa do Dr. António Barreto foi num folheto de vinhos no super-mercado.

Agora li esta manchete.

Não haverá próxima leitura.

"AH, ISSO É TUDO INVENÇÃO DOS COMUNISTAS"

A cassette...

Dizem sempre a mesma coisa...

etc. muitas vezes etc.

Afinal, não. Subitamente, "olha, afinal há clandestinos e há exploração de seres humanos... quem diria..."

Desde 2012 que os alertas se sucedem. O problema é que o PCP se preocupa com estas questões e não com assuntos "disruptivos" e com temas "fraturantes".




sexta-feira, 7 de maio de 2021

HELENA COSTA PAIS À ASSEMBLEIA MUNICIPAL

Prossegue a construção do caminho que é necessário cumprir. Avançam as listas, sob o signo da inovação e da qualidade.

A cabeça de lista à Assembleia Municipal é mais uma feliz escolha. Os dias passam e  os nomes vão surgindo. A ideia da esperança vai-se tornando certeza. Esperança e certeza para todos nós. Seguimos em frente, no mesmo combate e com a mesma convicção.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

EM VISEU, COM CARLOS OLDEMIRO CHAVES COSTA

Carlos Oldemiro Chaves Costa (1922-1990) foi um arquiteto discreto. O nome é hoje praticamente desconhecido, embora quem saia de Lisboa pela subida de Monsanto não possa deixar de reparar numa obra sua, o injustamente mal-tratado Panorâmico de Monsanto.

Mas não foi esse edifício emblemático a marcar o meu fim de tarde. Viseu foi o ponto final de um percurso iniciado há quase três anos. O edifício desenhado por Carlos Costa já não está como ele o concebeu nos anos 60. Mas a inspiração do "estilo internacional" ainda se pressente bem nos alçados laterais. Um projeto interessante. De A (Abrantes) a V (Viseu) se fez o caminho. Passando por 173 sítios.

Fim de trajeto na escrita. O livro sairá lá para outubro (cálculo meu).

Aguarela de João Turvo:

quarta-feira, 5 de maio de 2021

VASARELY SACAVENENSE

A coleção é privada, mas o acesso é público. Uma coleção mais que notável. No meio de tantas coisas excelentes, dou comigo a olhar para este painel de azulejos da Fábrica de Loiça de Sacavém (data: 1920-1940).

Um toque vasarelyano na tarde. E mais o poético hipnotismo de Melo e Castro.












terça-feira, 4 de maio de 2021

CDU: TRÊS EM UM

E assim fica terminada a ronda das freguesias.

Com o Jorge em Moura e em Santo Amador; com a Ana Caeiro e o José Manuel Godinho em Safara e em Santo Aleixo; com o Miguel Caleça na Póvoa e na Estrela.

É com eles que vou estar. Politicamente, emocionalmente, presencialmente. Acredito neles porque os conheço, porque conheço o meu concelho, porque é lá o meu sítio. Bom, lá e em Mértola, tenho de admitir.

Acredito neles e tenho ESPERANÇA. E é a eles, e a todos nós, que dedico o poema ESPERANÇA, do grande Mário Quintana:

ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...






segunda-feira, 3 de maio de 2021

JOUR DE SILENCE AU PANTHÉON

É o dia do silêncio total. Não há visitantes e é dia de folga. Quando silêncio equivale a um pouco mais de trabalho.













Lâmpada deserta,

Lâmpada deserta,

No átrio sossegado.

Há sombra desperta

Onde se ergue o estrado.

No estrado está posto

Um caixão floral.

No átrio está exposto

O corpo fatal.

Não dizem quem era

No sonho que teve.

E a sombra que o espera

É a vida em que esteve.

UMA HISTÓRIA SABIDA, MAS POUCO CONHECIDA...

 "1918. 19 de Abril: Salazar obtém a nomeação de professor ordinário da Faculdade de Direito de Coimbra, com dispensa de prestação de provas. Depois, por concessão graciosa do conselho escolar, obtém o grau de "Doutor em Direito", sem ter feito o concurso de doutoramento. Invoca-se a lei nº 616 de 19 de Junho de 1916. E passa à frente de colegas mais antigos, como Fezas Vital e Magalhães Colaço. A lei é de autoria dos afonsistas... São os chamados professores decretinos." Da autoria do Prof. José Adelino Maltez.

É um facto que Oliveira Salazar nunca se submeteu a provas públicas. Não é uma questão de desvalorizar as suas capacidades técnicas. É um facto que chegou a catedrático sem nunca ter defendido a tese. Não há nada como truques simpáticos para singrar. Depois, no Poder, conseguiu arrumar, despedir e exilar académicos insignes. Ele e mais uns quantos do estilo dele. Toda uma escola de manhosice lusitana.

Não me venham falar depois da retidão da criatura. Em bom português, não me lixem...













domingo, 2 de maio de 2021

AH, OS ARTIGOS, OS CONGRESSOS, OS PRAZOS...

Gostava de pensar num barreirista assim como Omar Mc Leod ou como Dayron Robles. Mas não... A entrega de dois textos (39 h 47 min. depois do prazo limite, mas como é fim de semana não há azar) para as atas de um encontro foi mais como a imagem que aqui vos deixo...

Aqui entre nós, divirto-me a pensar na (relativa) balbúrdia que um deles vai causar no meio medievistíco-islâmico-arqueológico. Intitula-se TOPONÍMIA, FONTES ESCRITAS E ARQUEOLOGIA: BREVE NOTA SOBRE A IDENTIFICAÇÃO DE LAQANT, DE HALQ AZ-ZAWYIA E DE KANISAT AL-GURAB. Depois da breve nota virá um texto mais desenvolvido. 



DIREITOS HUMANOS

Não conheço a complexidade da situação, desconheço os detalhes da requisição decretada pelo governo, não sou jurista, não sei se a decisão foi discutida com os proprietários e ignoro também que tipo de ocupação está prevista, em que moldes e com que acompanhamento. E é muito fácil ter opinião quando pouco se sabe...

Há, contudo, três questões que gostaria de ver respondidas:

* Como é que esses trabalhadores vieram, em que condições salariais, de alojamento e de segurança no trabalho?
* Quais as responsabilidades dos patrões, designadamente em situações como esta?
* O sr. bastonário Menezes Leitão só agora descobriu que há Direitos Humanos em causa? Haja Deus!




sábado, 1 de maio de 2021

ORGULHO MOURENSE

Encerrou, há dias, a exposição internacional “Guerreiros e Mártires”, que esteve patente ao público, de forma intermitente, desde 19 de novembro de 2020, no Museu Nacional de Arte Antiga.

Fica para as minhas memórias pessoais a pequena história detalhada desta exposição. Foi um processo começado, com outros contornos, no dia 1 de junho de 2018; o projeto primitivo, apresentado a uma entidade privada, “naufragou”, poucos meses depois. Renasceu a meio do outono desse ano, com a pergunta do Joaquim Caetano (meses depois diretor do MNAA) “porque não fazes antes a exposição sobre os mártires de Marrocos, em vez de usares só a obra de Francisco Henriques como ponto de partida?”. Um desafio e um ovo de Colombo. Sim, seria possível fazer a exposição assim, mas teria de ser um comissariado a dois (Arte e Arqueologia). Retoma-se o projeto, em novos moldes. Não havia dinheiro e era preciso apoio mecenático. Uma primeira entidade avançou com 70.000 euros, muito abaixo do que fazia falta. Começámos a recolha de informação (que peças? que autores? que guião?) e assim se passou todo o bendito ano de 2019, numa permanente angústia. Finalmente, consegue-se apoio financeiro e haverá exposição. A Imprensa Nacional assegura o catálogo, mas os prazos são curtos.

Estabilizamos a escolha final em 210 peças (faltam, por diversas razões, as Cantigas de Santa Maria, o “Bayad-wa-Riyad” – uma história de amor oriental -, o pendão das Navas de Tolosa, mas o que temos é de grande qualidade). No meio está Moura. Foi com orgulho, e sem ponta de bairrismo parolo, que esteve Moura. A nossa terra tem peças de inquestionável categoria, referentes a este período. Escolhi cinco, que puderam ser vistas no principal museu português, ao longo de cinco meses. Quais? Uma réplica da lápide comemorativa da construção do minarete da mesquita de Moura (meados do século XI); um osso de boi com a invocação a Alá, numa peça usada para o ensino da escrita (inícios do século XIII); um painel de uma pequena arca revestida a osso (inícios do século XIII); dois pratos importados do sul de Espanha, de meados do século XIV.

Moura tem? Sim, temos porque procurámos. São materiais da nossa terra e do nosso património, que resultaram dos trabalhos arqueológicos realizados no castelo e no bairro da Mouraria. Moura tem potencial? Tem, mas é preciso fazer por isso. Tem, também, por motivos que se prendem com razões excecionais de localização e pela presença de minas de prata a curta distância. São questões explicadas em livros como “Castelo de Moura – escavações arqueológicas” e no mais recente “Moura Medievalis”.

É o nosso património motivo de orgulho mourense. Sem favor esteve Moura na exposição “Guerreiros e Mártires”. Um facto que aqui queremos deixar registado. Tal como queremos referir a total ausência de referências, por parte da Câmara Municipal de Moura, às suas peças numa grande mostra internacional. É esse silêncio oficial um facto que, sem ironia, também me envaidece.

Crónica em "A Planície"